segunda-feira, 31 de agosto de 2009

JN
Gente

Advogada de causas nobres

A vida da jovem advogada mudou quando, no decurso de penhoras, era confrontada com a situação dos que com nada ficavam. A criação de uma Fundação é agora a prioridade.

Renata Silva, 30 anos, abraçou a especialidade em Direito das Obrigações, Direito Comercial, Direito do Trabalho, Direito da Família e Sucessões, pós-graduações em Direito das Empresas e Contratos. Licenciada em Direito, na Universidade do Minho, com direito a Prémio de Mérito Escolar, atribuído pelo reitor, em Maio de 2002, entende que, ao seu currículo, deve acrescentar uma forte aposta na área social. Daí o empenho na criação de uma fundação que dedique atenção às carências que ainda se sentem na área social, na zona envolvente a Sande S. Martinho, Guimarães.

Para Renata, tudo começou ainda os ecos da crise eram uma miragem longínqua. A então jovem advogada iniciava mais um dia enúmeras diligências e actos judiciais. Em mãos tinha "uma acção de despejo e a consequente saída da família de uma habitação que de um dia para o outro perdera empregos, Enfim, tudo". Foi obrigada a cumprir a sua "missão profissional", mas não esquece "a angústia de ver o sofrimento daquela família, com crianças e sem ninguém que os ajudasse". Com frieza tratou do processo judicial mas a sua missão não tinha ainda acabado: "Convidei-os para uma reunião no meu escritório e não ficaria bem se não os ajudasse junto da Segurança Social, bem como com alguma ajuda financeira, roupas e bens alimentares". Esta família "não tinha o que comer, só para tentar pagar alguns bens, o que conseguiam enquanto tinham os seus postos de trabalho. Mas a situação invertera-se".

A partir daí, foi como uma "bola de neve", com o avolumar de situações idênticas, devido à crise que se acentuou nos vales do Ave e do Cávado. A advogada a não conseguia conviver com o sofrimento dos outros, vincado na multiplicação das situações de pobreza escondida. "Infelizmente, há cada vez mais pessoas a passar fome, mas que nada dizem e nada contam, não tanto pela vergonha social, mas essencialmente porque poucos são os que também se disponibilizam a ajudar".

Nessa altura "senti que o meu projecto de vida, afinal, passava também por ajudar os que mais necessitam, desde as crianças aos mais idosos". A criação de uma fundação na freguesia vimaranense de Sande S. Martinho, de onde é natural, tornou-se, mais do que nunca, uma prioridade na sua vida. "Trata-se de uma área que denota já bastantes casos de necessidade, sobretudo nas pessoas de meia-idade e nos idosos". As reuniões junto da autarquia de Guimarães e da Segurança Social, em Braga, foram muito positivas para que possa vir a existir um acordo de cooperação com o Ministério da Segurança Social e do Trabalho, estando pendente apenas a resposta definitiva do tenente-general Joaquim Rodrigues, da Liga dos Ex-Combatentes, para que a futura fundação possa estar sedeada nos terrenos doados à Liga, há mais de 30 anos.

"Tenho prevista a construção de um centro social e comunitário com várias valências, como lar de idosos, creche, centro de dia, centro de coite, ATL e apoio domiciliário, que incluirá também a vertente da formação, apoio médico e até mesmo jurídico para os mais carenciados da freguesia. Fazer com que os mais desfavorecidos tenham acesso gratuito à cultura é também uma das prioridades", sublinha Renata Silva.

Nesta cruzada que prevê em permanente devir, Renata quer chamar para a causa outros advogados da sua geração, pois constata que a frieza provocada pela concorrência retirou humanismo às acções, mesmo que profissionalmente assim seja prática comum.

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