segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DN
Inteli, Inteligência e Inovação

Programa para veículos eléctricos é para exportar

por Lusa

Vinte e cinco municípios assinaram hoje, em Santarém, com a Inteli, Inteligência e Inovação um contrato que visa a criação da primeira rede nacional de carregamento de veículos eléctricos, um sistema que os envolvidos querem que seja "exportável".

José Rui Felizardo, presidente da Inteli, disse à agência Lusa que a assinatura do contrato com os municípios coincidiu com a criação do Rener, um laboratório vivo de energias renováveis, que se integra na Rede Europeia de Living Labs, dando expressão internacional ao modelo e à tecnologia desenvolvida em Portugal por um consórcio de tecnológicas.

O consórcio, que junta a EFACE, a Novabase e a Critical Software, tem já um protótipo pronto a "passar à fase de produção, em condições de se poder posicionar rapidamente, não só no mercado nacional, mas sobretudo no internacional", disse.

José Felizardo sublinhou a possibilidade de o sistema que está a ser desenvolvido "poder incorporar outros produtores de tecnologia que venham a querer desenvolver as suas soluções em Portugal, dentro dos requisitos dos sistema e na óptica da universalidade dos serviços".

O presidente da Inteli referiu o pioneirismo do modelo português -- designado por Mobi-e -, já que vai ser o primeiro a nível mundial a permitir que um possuidor de um veículo eléctrico (VE) possa circular por todo o país, graças à rede de postos de abastecimento que o acordo hoje assinado entre os municípios vai permitir criar, o que só é possível dada a dimensão de Portugal continental.

Aderiram à rede piloto do Mobi-e os municípios de Santarém, Sintra, Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Loures, Cascais, Braga, Almada, Guimarães, Coimbra, Leiria, Viseu, Setúbal, Viana do Castelo, Aveiro, Torres Vedras, Faro, Évora, Castelo Branco, Guarda, Beja, Portalegre, Bragança e Vila Real.

Para José Felizardo, o conjunto de incentivos criado pelo Governo tem a ver com o risco do projecto, já que numa primeira fase não haverá massificação que "permita arrancar logo com o sistema em fase cruzeiro".

Em 2010 deverão estar instalados 320 postos de carregamento, sendo objectivo a existência de 1.350 em 2011, afirmou, sublinhando que a tecnologia que está a ser desenvolvida visa ser "colocada em qualquer cidade do mundo".

Segundo disse, há já contactos em curso com a Espanha e o Brasil para a internacionalização do modelo.

José Felizardo destacou ainda a possibilidade que o sistema oferece de, "a partir 2013, 2014 ou 2015", os veículos poderem também vender energia à rede, por terem uma bateria integrada de acumulação de energia.

"Pode carregar-se à noite e vender energia de dia, na altura de pico, contribuindo para a estabilização da rede", disse, adiantando que isso é válido tanto para as eólicas como para as fotovoltaicas.

A universalidade da rede permite a utilização do mesmo cartão em todo o país, o carregamento dos veículos de várias marcas e o fornecimento de energia por diferentes empresas de comercialização de electricidade, disse.

Além das questões de natureza ambiental e de cumprimento dos compromissos de Quioto, a introdução do VE vai permitir uma redução de custos para o utilizador.

"Estamos a falar de valores quatro vezes mais baixos que os normais de uma motorização convencional", afirmou.

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