terça-feira, 9 de abril de 2013


RR

Médico percorre o país de bicicleta para 

sensibilizar população sobre o AVC


Hélder Almeida, de 63 anos, foi vítima de um enfarte do miocárdio em 2010. Está recuperado e dispôs-se a partilhar a sua experiência para ajudar a população do interior do país. Os quartéis de bombeiros são o seu consultório.
Um médico da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) está a percorrer centenas de quilómetros de bicicleta, passando por dezenas de localidades do interior do país para sensibilizar as pessoas para a necessidade de prevenir e combater o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC). 


"Ando de bicicleta de uma povoação para a outra, num trajecto programado pela linha de fronteira, para dizer às pessoas que a recuperação é possível", refere à RenascençaHélder Almeida, de 63 anos, também ele vítima de um enfarte do miocárdio em 2010.

Saiu de Portalegre no dia 1 e vai viajar de bicicleta pelo país durante o mês. Escolheu o interior, porque "nas grandes cidades as pessoas já têm muita informação". O objectivo é partilhar a sua experiência e ajudar os que, como Helder Almeida, foram vítimas de um enfarte ou de um AVC. 

"Se teve um enfarte, não se deixe abater, não peça a reforma, não fique em casa. Procure ajuda, porque a ajuda é possível e pode recuperar tão bem ou melhor do que eu", afirma nas suas palestras, quase sempre acompanhadas de imagens recolhidas durante o cateterismo que lhe foi realizado. 

O clínico pretende assim transmitir uma mensagem de esperança, de que é possível recuperar totalmente e levar uma vida normal após sofrer um enfarte do miocárdio ou um AVC, desde que os doentes tenham um bom acompanhamento médico. 

Até agora, Hélder Almeida já passou por Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança. A próxima paragem está prevista para Valpaços, no distrito de Vila Real, de onde partirá para a região do Minho. Como consultório escolhe os quartéis dos bombeiros das localidades por onde vai passando. E são muitos os que querem ouvi-lo. 

"Faço isto para as pessoas perceberem que tolero o esforço e, se eu o tolero, elas também têm essa possibilidade", assegura o clínico, que não esconde que é necessário força de vontade. "Isto custa a fazer, mas mostra que sou capaz." 

Em Portugal, e de um total de 110 mil mortes anuais, cerca de 40 mil ocorrem por doenças cardiovasculares. Destas, 26 mil devem-se a acidente vascular cerebral e 10 mil a enfarte do miocárdio.
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