domingo, 29 de setembro de 2013

Saúde

9 plantas que protegem o seu coração

A fitoterapia ajuda a prevenir complicações relacionadas com doenças cardiovasculares

9 plantas que protegem o seu coração
Segundo dados do Ministério da Saúde, disponíveis no Portal da Saúde, «as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 40% dos óbitos em Portugal».
Quando as artérias ficam obstruídas com placas de gordura, ocorre uma diminuição ou mesmo ausência do fluxo sanguíneo que pode provocar diferentes problemas cardiovasculares, uma situação que deve evitar.
As consequências mais conhecidas são a angina de peito e o enfarte do miocárdio mas, para além do coração, existem outros órgãos que podem ser atingidos, como o cérebro e os rins. Por todas estas razões, devem ser tratadas conscientemente. Para além da medicina tradicional, a fitoterapia, baseada nos benefícios das plantas naturais, pode ser muito útil na prevenção de algumas doenças. Tome nota:
- Chá verde
Quando os níveis de colesterol no sangue sobem mais do que o que é considerado saudável, as artérias vão ficando obstruídas, dificultando a circulação e podendo levar à ocorrência de um enfarte ou angina de peito. Caracterizada pelo excesso de colesterol em circulação no sangue, a hipercolesterolemia não apresenta sintomas, pelo que os seus valores devem ser monitorizados regularmente através de análises, para evitar o desenvolvimento de doenças coronárias.
Tal como explica Pedro Lôbo do Vale, médico de Clínica Geral, «as análises realizadas para aferição dos valores de colesterol indicarão a quantidade de colesterol total, de colesterol LDL (mau) e de colesterol HDL (bom), que circulam no sangue». Graças ao seu conteúdo elevado de catequinas, que evitam que as gorduras se agarrem às paredes das artérias, o chá verde é muito útil para combater o colesterol.
Para além disso, reduz a concentração de glicose no sangue, beneficiando em caso de diabetes, outro dos grandes fatores de risco das doenças cardiovasculares. Deve tomá-lo sob a forma de infusão (uma colher de sobremesa de folhas secas por chávena, várias vezes ao dia) e «o seu uso deve ser moderado em caso de ansiedade, hipertensão arterial e úlcera gastroduodenal», explica o especialista.
- Ginkgo biloba
Se não gosta de chá verde, pode experimentar ginkgo biloba, cujas folhas «ajudam a inibir a agregação plaquetária e melhoram a microcirculação, contribuindo para uma melhor oxigenação das células» refere o médico. «Tome-o em infusão (uma colher de sobremesa de folhas por chávena, duas chávenas por dia, após as refeições) e não o utilize se estiver a tomar fármacos anticoagulantes», acrescenta.
- Folhas de oliveira
A hipertensão, condição clínica que contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves, funciona como uma bomba-relógio no organismo. Conforme a idade vai avançando, os valores de tensão arterial vão mudando e é necessário fazer ajustes, sendo recomendável fazer check-ups periódicos a partir dos 45 anos.
Pedro Lôbo do Vale diz que a hipertensão se caracteriza por uma «pressão sanguínea (força com que o sangue é bombeado, a partir do coração, contra as paredes das artérias) que se eleva e permanece aumentada ao longo do tempo». A oliveira é uma árvore da região mediterrânica e as suas folhas, utilizadas em casos de hipertensão, «baixam os valores máximos da pressão sanguínea e regulam os valores mínimos para níveis fisiológicos», explica Pedro Lôbo do Vale.
Pode fazer uma infusão de folhas de oliveira para tirar maior partido dos seus benefícios. Utilize 3 g de folhas de oliveira para 150 ml (ou 12 g para 600 ml) de água a ferver. Beba duas chávenas por dia, às refeições. Pelo seu teor em taninos, as folhas são ligeiramente irritantes para a mucosa gástrica. Se não gosta de folhas de oliveira, pode optar por alho.
- Alho
Outra planta útil na regulação da tensão arterial é o alho, que, segundo Pedro Lôbo do Vale, «diminui a agregação plaquetária, aumenta a atividade fibrinolítica, produz efeitos hipoglicemiantes e ajuda na redução dos níveis de colesterol». Tome-o sob a forma de alho cru (2 a 5 dentes/dia) ou em pó (1 a 3 g/dia, em cápsulas de 300 a 500 mg), e não o utilize, aconselha o médico, «se tiver hemorragias ativas e trombocitopenias, no pré e pós-operatório e se estiver a tomar anticoagulantes». 
- Centáurea menor
«A diabetes é uma doença em que os níveis de glicose no sangue se encontram acima dos valores normais e surge quando o pâncreas perde a capacidade de segregar insulina ou quando as células deixam de ser capazes de a utilizar, ou mesmo por ambos os motivos», adverte Pedro Lôbo do Vale.
Os diabéticos têm maior risco de sofrer de problemas cardiovasculares se não controlarem os seus níveis de glicemia e de hemoglobina glicada que deve ser avaliada a cada 3 a 6 meses. As alterações cardiovasculares são responsáveis por grande parte das complicações que os diabéticos podem sofrer.
Por outro lado, existe uma percentagem elevada de diabéticos tipo 2 que são obesos, o que representa mais um fator de risco para o coração. A investigação recente sobre a centáurea menor (conhecida como fel da terra) tem-se dedicado à avaliação dos seus efeitos sobre as células responsáveis pela secreção de insulina.
Em caso de diabetes, o efeito protetor desta planta, rica em flavonoides, tem sido atribuído ao seu potencial antioxidante, que contribui para a diminuição do dano dessas células. Utilize 2 a 3 g de sumidades floridas para 150 ml de água a ferver e beba duas ou três chávenas por dia. Esta planta «não deve ser usada por mulheres a amamentar, devido aos seus constituintes amargos. Deve também ser evitada em caso de úlceras gastroduodenais», comenta o médico de clínica geral.
- Arandos
Se tiver dificuldade em encontrar centáurea menor, substitua-a por arandos. Para além de combaterem as infeções urinárias, estes diminuem a glicose no sangue e dão maior resistência ao músculo cardíaco. 
- Garcinia cambogia
O excesso de peso e a obesidade promovem uma sobrecarga significativa para o coração que se vê obrigado a trabalhar mais e sob esforço. Para além disso, estimulam um aumento considerável de outras gorduras, que se tornam prejudiciais para a saúde cardiovascular.
Por isso, é importante fazer exercício moderado regularmente e seguir uma alimentação saudável e equilibrada. Um dos compostos desta planta, o ácido hidroxicítrico, contribui para o bloqueio parcial da síntese de ácidos gordos, reduzindo também a conversão de açúcares em ácidos gordos. Contribui ainda para a redução do apetite.
Devido a estas propriedades, a garcinia cambogia é utilizada em caso de obesidade e hiperlipidemia, bem como para controlar o apetite. Pedro Lôbo do Vale recomenda «utilizar esta planta sob a forma de extrato seco (2 a 3 cápsulas de 500 mg por dia, meia hora antes das principais refeições)».
- Freixo
Em substituição da garcinia, pode utilizar folhas de freixo. Estas possuem ação diurética e ligeiramente laxativa, pelo que também podem ser utilizadas em caso de obesidade, sobretudo se for acompanhada de retenção de líquidos.
Para isso, faça uma infusão com 2,5 a 3 g de folhas para 150 ml de água a ferver e beba três chávenas por dia. Mas tenha atenção. «Se tomar hipotensores ou cardiotónicos, a sua utilização deve ser controlada», recomenda o médico. 
- Espinheiro branco
Esta planta medicinal, também conhecida por pirliteiro, reúne uma série de propriedades que favorecem diretamente a saúde cardiovascular, quer seja por atuar especificamente no coração e nos seus vasos sanguíneos principais, quer por atacar os problemas associados à doença cardíaca. Isso sucede porque o espinheiro branco regula a tensão arterial, trata a ansiedade e a depressão, controla as arritmias, atua como tónico cardíaco, protege o coração depois de episódios de enfarte.
Pode tomá-la em infusão (1 g de flores para 150 ml ou 4 g para 600 ml de água a ferver), sendo recomendadas duas a três chávenas por dia, fora das refeições. «Não abuse. Doses muito elevadas podem provocar depressão respiratória e cardíaca», adverte o médico de clínica geral.
Texto: Sofia Cardoso com Pedro Lôbo do Vale (médico de clínica geral e docente do mestrado em nutrição na Faculdade de Medicina de Lisboa) in Sapo MULHER
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