domingo, 5 de janeiro de 2014

 
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Júlio Pereira assinala 2014 como "o ano do cavaquinho" e apresenta livro/CD


Júlio Pereira começou a tocar aos sete anos e editou o primeiro álbum inteiramente dedicado ao cavaquinho em 1981
 O músico Júlio Pereira assinala 2014 como “o ano do cavaquinho”, com a edição de um livro/CD, a apresentação da Associação Museu do Cavaquinho e o respetivo sítio na Internet.
Júlio Pereira regressa ao cavaquinho com o livro/CD “Cavaquinho.pt”, que é publicado no próximo dia 20. O álbum revela novas composições e conta com a participação de, entre outros, Uxía, Sara Tavares e Luanda Cozetti.
A musicóloga Salwa Castelo-Branco, no texto que acompanha o CD, refere-se ao disco como “uma proposta musical inovadora” de Júlio Pereira, “pioneiro da revitalização, atualização e difusão dos cordofones portugueses”.
A catedrática da Universidade Nova de Lisboa chama a atenção para o facto de neste CD estar contemplada a Galiza, região espanhola que “partilha a mesma fronteira, matriz linguística e cultural com o Minho”, assim como a integração de outras linguagens musicais, como jazz e o fado.
O “digibook”, que integra o CD, é constituído por 112 páginas ilustradas e conta com “um texto sobre os tempos, modos e lugares em que o pequeno tetracórdio [o cavaquinho] se foi revelando”, explicou Júlio Pereira à Lusa.
O cavaquinho, instrumento tipicamente minhoto, é “hoje protagonista da música de todo o mundo”, conhecendo-se versões do cavaquinho noutras latitudes, com mais de 120 modelos diferentes, como os modelo cabo-verdiano e brasileiro, o ukulele nos Estados Unidos e o keroncong na Indonésia.
Paralelamente, o músico de 60 anos salienta que “é tempo de mostrar ao mundo uma das grandes riquezas que temos” e, neste sentido, lança o portal na Internet www.cavaquinhos.pt.
Segundo Júlio Pereira “é o sítio na internet que percorre o universo internacional deste instrumento e dos seus descendentes, através de um exaustivo acervo documental e fotográfico”.
“O principal objetivo é mostrar aos portugueses e ao mundo o universo do cavaquinho, nomeadamente os seus mais de 120 modelos diferentes, os seus construtores e tocadores”, explicou.
Segundo o músico, que trabalhou, entre outros, com José Afonso, Augusto Boal, Águeda Sena e João Perry, este espaço na Internet reunirá “uma comunidade que ascende aos 200 milhões de pessoas e que engloba os vários cavaquinhos existentes por esse mundo fora desde o cavaquinho continental português ao keroncong na Indonésia”.
“O sítio na Internet será rico de exemplos musicais onde poderemos ver e ouvir os melhores tocadores de cavaquinho, aprender as técnicas, os acordes e consultar os estudos sobre ele”, acrescentou o músico.
Criada no ano passado, a Associação Cultural, em Lisboa, é dada a conhecer este mês, assim como o Museu Cavaquinho.pt, acessível no mesmo endereço digital e na rede social facebook.
“Para saber o que temos precisamos de saber quem somos e o que fazemos”, disse à Lusa o músico, que salientou ser este “o principal mote da Associação Cultural e do Museu Cavaquinho.pt”.
O objetivo desta associação é a investigação, divulgação e preservação de todo o património material e imaterial referente ao cavaquinho.
Desde a sua criação, em julho do ano passado, a associação “tem vindo a trabalhar no Inventário Nacional da Prática do Cavaquinho em Portugal, que inclui a referenciação dos seus construtores, músicos, grupos de cavaquinhos e dos locais de ensino”.
Manuel Morais, Salwa Castelo-Branco, António Zambujo, Rui Vieira Nery, Nancy Vieira, Manuel Lisboa, Jon Luz, são algumas das personalidades que fazem já parte da associação.
A associação prevê a edição de novos discos, realização de parcerias, encontros, “workshops”, abertura de escolas e concertos, que “ajudarão a cimentar a documentação e organização de tudo o que faz parte da prática deste instrumento essencial na nossa identidade coletiva, o cavaquinho”, frisou.
Júlio Pereira começou a tocar aos sete anos e editou o primeiro álbum inteiramente dedicado ao cavaquinho em 1981.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
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