terça-feira, 11 de março de 2014

Destak
 Dispositivos médicos

O milagre da miniaturização

11 | 03 | 2014 
O pacemaker do futuro, pouco maior que uma cápsula, pode estar disponível no mercado já no próximo ano.
Carla Marina Mendes
Tem como homónimo um carro e as semelhanças não se ficam pelo nome. O Micra, um pacemaker que deve chegar em breve ao mercado, não funciona a gasolina, nem tão pouco tem como propósito o transporte de passageiros, mas orgulha-se, à semelhança do automóvel, de ser pequeno. Ou melhor, o mais pequeno do mundo. E o tamanho é aqui muito importante. Que o digam os doentes.
Foi na Suíça, conhecida pela arte da relojoaria, que o Destak conheceu este novo avanço na área dos dispositivos médicos. E não é por acaso que a terra dos helvéticos foi escolhida para lhe servir de berço. É que, à semelhança dos relógios, fabricar um Micra exige uma minúcia e precisão difíceis de descrever. Da fábrica da Medtronic em Tolochenaz, à beira do Lago Genebra, com o Mont Blanc como pano de fundo, já saíram mil destes aparelhos, do diâmetro de uma moeda de um euro e pouco maiores do que uma cápsula, que se encontram atualmente em ensaios clínicos em humanos.
Estudos que se destinam a avaliar a sua eficácia e segurança e que incluem 780 doentes em cerca de 50 instituições médicas. E apesar de ainda não estarem concluídos, os resultados mais recentes alimentam a quase certeza de que estará disponível antes do fim do próximo ano.
Menor é melhor
O Micra não se vê, ao contrário do tradicional pacemaker, que precisa de uma pequena ‘bolsa’ recortada na pele para lhe servir de suporte. Não obriga a quaisquer cortes, já que é depositado no interior do coração por um cateter, introduzido através da veia femoral (pela virilha), ‘agarrando-se’ com os ganchos de que dispõe. E não tem os tradicionais fios para ligar ao coração, potenciais fontes de complicações. Mas deixa a promessa de manter o músculo que comanda a vida a bater no ritmo, graças a uma bateria com dez anos de duração.
Características que o tornam mais fácil de colocar, reduzindo os recursos necessários, o tempo da intervenção e recuperação e eliminando riscos de eventuais infeções resultantes do corte que é obrigatório fazer.
Ajudar no bater do coração
Bem distante dos primeiros pacemakers, aparelhos enormes em complexidade e tamanho e com ligação à corrente, o que tornava a vida dos doentes dependentes das flutuações elétricas – quando faltava a luz o aparelho deixava de funcionar –, os atuais dispositivos são pequenos, tendo um volume de cerca de 12 centímetros cúbicos. Para além da bateria, os cerca de oito mil pacemakers que são todos os anos implantados em Portugal contêm um gerador de impulsos e um circuito eletrónico semelhante a um pequeno computador, tendo como missão produzir estímulos elétricos capazes de tratar os ritmos cardíacos anormais.
Quando a potência é inversamente proporcional ao tamanho
A miniaturização dos dispositivos deixou de ser um exclusivo dos filmes futuristas. E embora o Micra não esteja ainda disponível, em Portugal já foi implantado um dispositivo de monitorização cardíaca 80% menor que os dispositivos atualmente disponíveis. Pode ser mais pequeno, mas é mais potente, possibilitando uma monitorização contínua ao longo de três anos. E como se isto não bastasse, faz-se acompanhar por um sistema sem fios que permite uma avaliação à distância e o envio de notificações perante a presença de determinadas arritmias cardíacas.
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