segunda-feira, 2 de março de 2015

Investigadores portugueses vencem um dos grandes problemas da terapia génica


Um dos grandes entraves ao sucesso da aplicação da terapia génica, terapia que consiste em transferir material genético exógeno para células-alvo, por forma a corrigir doenças que envolvam factores genéticos, como por exemplo o cancro, é o transporte e entrega eficiente do material genético às células alvo.
créditos: Arménio Serra, Jorge Coelho, Henrique Faneca e Rosemeyre Cordeiro - UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), através da Faculdade de Ciências e Tecnologia e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), conseguiu ultrapassar este grande obstáculo, desenvolvendo um “veículo” de transporte à base de dois polímeros completamente catiónicos (um polímero que tem uma distribuição de cargas positivas em toda a sua cadeia).
Os resultados da investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), foram tema de capa da última edição da revista científica Macromolecular Bioscience.
Podemos dizer que o nanossistema concebido pela equipa da UC, nos últimos quatro anos, é uma espécie de «novelo formado pelo emaranhado de polímero e genes que assegura o transporte eficaz do material até às células-alvo, protegendo-o e impedindo a sua destruição ao longo do percurso», ilustram os coordenadores do estudo, Jorge Coelho e Henrique Faneca.
A solução inovadora foi testada em linhas celulares cancerígenas, mas a sua potencial aplicação estende-se a várias patologias que envolvem fatores genéticos, como as doenças neurodegenerativas.
Nas experiências realizadas, após complexos estudos que permitiram encontrar a estrutura certa do novo polímero com propriedades favoráveis à entrega do material genético, demonstrou-se que «os genes chegaram ao destino com sucesso, apresentando o novo nanossistema uma toxicidade reduzida.
Outra característica importante deste “veículo” é o facto de conseguir conduzir uma grande quantidade de genes com uma reduzida porção de polímero», notam os investigadores que pretendem prosseguir com o estudo, agora em modelos animais.
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