quarta-feira, 6 de abril de 2016

Descoberta científica pode revolucionar tratamento do cancro da mama

Laura Taylor / Flickr
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É uma descoberta que pode revolucionar a forma de tratar o cancro da mama. Uma equipa de cientistas espanhóis concluiu que os tumores deste tipo de cancro dependem de fontes de gordura para poderem crescer.

Na investigação levada a cabo no Instituto de Investigação Biomédica de Barcelona (IRB), em colaboração com hospitais espanhóis, detectou-se que as células mamárias tumorais precisam de recolher gorduras do exterior e transferi-las para o seu interior para poderem continuar a crescer.
Uma conclusão publicada na revista científica Nature Communications, a par dos dados da pesquisa que pode abrir caminho a novas opções terapêuticas no combate ao cancro da mama.
Já se sabia que as células captam glucose do exterior e que se reprogramam para produzir mais lípidos, ou seja, gorduras. Mas, pela primeira vez, descobriu-se que necessitam de lípidos externos para se multiplicarem.
A principal proteína que intervém neste processo é a LIPG, uma enzima localizada na membrana das células, isto é, a sua capa externa. E sem esta proteína, a célula com cancro não consegue crescer.
“Este novo conhecimento relacionado com o metabolismo poderá representar um calcanhar de Aquiles para o cancro da mama”, explica o chefe da investigação, Roger Gomis, citado pelo site do IRB.
Este investigador fala, assim, na possibilidade de se desenvolver uma espécie de “quimioterapia mais eficaz, mas menos tóxica que as actualmente disponíveis”.
Após análises a mais de 500 amostras clínicas de pacientes com diferentes tipos de cancro da mama, os investigadores descobriram em 85% elevados níveis de LIPG.
No decurso da investigação, conseguiram também demonstrar que, bloqueando a actividade da LIPG, o tumor deixa de crescer.
Outro dado “prometedor” é o facto de que a LIPG “não parece ser indispensável para a vida, pelo que a sua inibição geraria menos efeitos adversos que outros tratamentos”, explica outro dos investigadores envolvidos no trabalho, Felipe Slebe, no mesmo site.
E o director do IRB, Joan J. Guinovart, que também participou na pesquisa, acrescenta, na mesma publicação, que “por ser uma proteína de membrana, é potencialmente mais fácil conseguir uma molécula farmacológica para bloquear a sua actividade”.
O próximo passo dos investigadores é encontrar alianças internacionais para desenvolver formas de inibição da LIPG.
ZAP
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