quinta-feira, 15 de junho de 2017

Portugueses descobrem novo mecanismo com efeito protetor contra a sépsis

Uma equipa de investigadores liderada pelo português Miguel Soares descobriu um novo mecanismo que tem um efeito protetor contra a sépsis, uma infeção espalhada por diferentes partes do corpo e que pode ser mortal.
créditos: AFP
O estudo é hoje publicado na revista científica Cell e foi divulgado em comunicado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, instituição a que pertence o investigador Miguel Soares.
Nos últimos cinco anos, esta equipa de investigadores tem proposto que os doentes que resistem à sépsis desenvolvem uma resposta protetora que mantém a função dos órgãos vitais, conferindo tolerância à infeção. “Utilizando modelos experimentais de sépsis em ratos, a equipa de Miguel Soares descobriu agora um mecanismo que é vital para conferir essa tolerância”, refere o Instituto Gulbenkian de Ciência.
Segundo os investigadores, um elemento essencial para promover a tolerância à infeção é a forma como os níveis de ferro são controlados em diferentes tecidos. Ao mesmo tempo, sabia-se já que a forma de desenvolvimento (patogénese) da sépsis está associada com a desregulação do metabolismo da glucose (açúcar).
“O que descobrimos agora é que estes dois fenómenos estão intimamente interligados. O controlo do metabolismo do ferro é necessário para manter a produção de glucose no fígado, de modo a que este açúcar possa ser usado como fonte vital de energia para outros órgãos”, refere Miguel Soares na nota do Instituto Gulbenkian de Ciência.
Sebastian Weis, investigador que se encontra a fazer um pós-doutoramento com Miguel Soares, induziu sépsis em ratos de laboratório e comparou a progressão da doença em ratos com ou sem ferritina, uma proteína que controla o ferro no fígado.
Descobriu então que a ferritina é absolutamente necessária para que o fígado produza glucose depois da infeção e, assim, proteger o rato de sucumbir à sépsis.
“Os nossos resultados mostram que a ferritina controla a produção de glucose no fígado de modo a que os níveis de glucose no sangue sejam mantidos dentro de um limite que permita a sobrevivência. Sem ferritina, os níveis de glucose continuaram a descer e os ratos morreram de sépsis”, refere Sebastian Weis, atualmente investigador em Jena University Hospital (Alemanha), onde parte das experiências foram conduzidas.
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