terça-feira, 6 de março de 2012

CORREIO da MANHÃ

Investigação sobre doença de Machado-Joseph

Sandro Alves recebe Prémio Pulido Valente Ciência 2011

A investigação de Sandro Alves sobre a doença de Machado-Joseph é a vencedora da 9a edição do Prémio Pulido Valente, cujo tema foi 'Doenças genéticas - Novas abordagens para diagnóstico, mecanismo e tratamento'.

Por:Raquel P. Loureiro

Esta doença, também designada como ataxia espinocerebelosa do tipo 3, é uma doença rara e hereditária que se manifesta na maioria dos casos entre os 30 e os 40 anos e que conduz progressivamente à incapacidade motora e à morte de populações específicas de neurónios.

No seu trabalho, o biólogo mostrou que é possível reduzir os sintomas patológicos da doença Machado-Joseph, através do “silenciamento não específico da expressão da proteína ataxina-3 (normal e mutada)”.

Sandro Alves mostrou-se orgulhoso por receber este ”prémio especial” fruto do artigo “Silencing ataxin-3 mitigates degeneration in a rat model of Machado-Joseph disease: no role for wild-type ataxin-3”, publicado em 2008 na revista Human Molecular Genetics.

O prémio, no valor de 10 mil euros, foi entregue pelo presidente da Fundação Pulido Valente, João Monjardino e pelo presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Miguel Seabra, numa cerimónia que se realizou esta tarde no Palácio das Laranjeiras.

Este prémio visa distinguir o melhor trabalho de investigação publicado no domínio das Ciências Biomédicas, elaborado por académicos com menos de 35 anos.

“O objectivo é premiar jovens cientistas a trabalhar nos laboratórios portugueses. Desde o inicio deste projecto que o número de candidaturas aumenta de ano para o ano, o que marca o desenvolvimento da Ciência em Portugal”, acrescentou João Monjardino.

segunda-feira, 5 de março de 2012

SAPO notícias

O ex-governante islandês, Geir Haarde, foi presente a tribunal para responder a acusações sobre negligência na crise financeira.

É um facto inédito. O antigo primeiro-ministro islandês começou hoje a ser julgado, enfrentando acusações de negligência na crise financeira que afundou o sistema financeiro da Islândia em 2008. É o primeiro responsável político a sentar-se nos bancos dos réus devido à crise financeira e pode, segundo o Financial Times, ser condenado a dois anos de prisão.

Uma comissão de inquérito parlamentar, realizada em 2010, deliberou que Haarde era passível de ser acusado por "negligência grosseira". Isto porque, argumentou-se, o seu governo não regulou de forma adequada o sistema financeiro, permitindo que os balanços dos bancos islandeses, que tinham operação fora do país, crescessem para um tamanho enorme. Os seus activos representavam 900% do PIB islandês.

Com a crise financeira, os bancos islandeses ficaram sem recursos para fazer face às suas responsabilidades, o que levou a que países como o Reino Unido e a Holanda a exigirem ao Estado islandês que assumisse a responsabilidade do seu sistema financeiro. Os eleitores do país rejeitaram pagar estes valores num referendo e a disputa entre a Islândia e o Reino Unido ainda não está resolvida.

A crise financeira levou a um afundamento da economia islandesa e a uma desvalorização brutal da sua moeda. No entanto, pouco mais de três anos depois a economia está a recuperar e, recentemente, a Islândia foi alvo de uma revisão em alta por parte das agências de ‘rating'.

O antigo governante que abandonou o cargo em 2009 devido à pressão popular, diz-se inocente. Considera que as acusações que enfrenta se tratam de "vingança política", segundo o Financial Times. Considera ainda que a sua ida a tribunal representa um "terrível precedente".

Segundo a Sky News, Haarde tem boas possibilidades de ganhar em tribunal, já que conta com uma boa equipa de advogados que deverá defender a ideia de que um único líder político não pode assumir as culpas pela crise financeira de 2008.

Além do julgamento do antigo primeiro-ministro, as autoridades islandesas estão ainda a investigar os responsáveis do sector financeiro por eventuais condutas passíveis de serem consideradas crime.