terça-feira, 8 de maio de 2012

Correio do Brasil

Presos major e coronel por mortes de sem-terra no PA

Por Redação, com ACSs - de Belém

Carajás

Presos major e coronel envolvidos no Massacre dos Carajás

O major da Polícia Militar José Maria Pereira de Oliveira, condenado pela matança de trabalhadores sem-terra no Sul do Pará, apresentou-se nesta terça-feira às autoridades, no presídio militar Anastácio das Neves, em Santa Isabel (PA). Oliveira teve a prisão decretada na tarde desta segunda-feira, por comandar a chacina em 1996, que ficou internacionalmente conhecida como Massacre dos Carajás. Pelos crimes cometidos, ele foi condenado a 158 anos e quatro meses de prisão.

Oliveira passará, nas próximas horas, por avaliação psicológica e médica, para depois ser encaminhado a uma cela junto com outros dois presos. O advogado do presidiário, Arnaldo Gama, ainda acredita que poderá recorrer à prisão.

Além do major, o coronel da Polícia Militar, Mário Colares Pantoja, também foi preso nesta terça-feira. Ele foi condenado a 228 anos de prisão pelo envolvimento no mesmo crime. Ambos os condenados estavam em liberdade por força de habeas corpus do Supremo Tribunal Federal.

O massacre de Eldorado dos Carajás aconteceu em 17 de abril de 1996, no município de Eldorado dos Carajás, Pará. Cerca de 1,5 mil sem-terra acampavam na região e fizeram uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras na rodovia PA-150. A Polícia Militar foi acionada, foram usadas bombas e armas de fogo para conter a manifestação. Dos 155 policiais que participaram da ação, apenas os comandantes da operação foram condenados.

Médicos de

Portugal

Osteoartrose: Contra as dores articulares

É frequente que quem sofre de osteoartrose tenha mais queixas nos dias frios e húmidos. Mas as dores não são uma fatalidade: é possível passar o Inverno com articulações mais funcionais com a ajuda de suplementos que ajudam a travar o desgaste da cartilagem.

Osteoartrose: Contra as dores articulares

Com o avançar da idade, é habitual que os movimentos se tornem mais difíceis: é que as articulações vão sofrendo com o desgaste da cartilagem.

A cartilagem é um tecido esponjoso que reveste a extremidade dos ossos, protegendo-os: quando há movimento das articulações, é esta camada protectora que impede que os ossos se toquem e que haja fricção.

Porém, vai-se desgastando com o passar dos anos e pode chegar uma altura em que se torne tão fina que já não cumpre o seu papel. Em consequência, as articulações ficam menos funcionais e os movimentos mais difíceis – a dor é então frequente.
Este é o quadro típico da osteoartrose, uma doença que tende a afectar pessoas com mais de 50 anos. E que no Inverno tende a agravar-se, devido ao frio e à humidade.
Porém, há boas notícias: com a ajuda da glucosamina e da condroitina é possível ajudar a travar o desgaste da cartilagem, contribuindo para aliviar a dor. São duas substâncias naturais componentes da matriz da articulação e que também existem na natureza: a glucosamina é extraída do marisco (ajuda a fortalecer a casca do caranguejo, do camarão e da lagosta) e a condroitina é extraída a partir de cartilagens animais.
Juntas, contribuem para melhorar a saúde das articulações favorecendo a regeneração das mesmas.
Há estudos que demonstram a sua eficácia na diminuição da degradação da cartilagem e que indicam que poderá favorecer a recuperação da cartilagem. Podem, por isso, exercer uma acção na prevenção e tratamento da osteoartrose.
Existe um risco potencial para quem é alérgico ao marisco – dado que, tal como referido, a glucosamina é extraída do marisco – mas é um risco mínimo, acautelado pelas modernas técnicas de produção que tornaram possível reduzir os agentes alergénicos.
O efeito da glucosamina é acentuado na presença da condroitina, que é uma substância envolvida na produção e manutenção da cartilagem.
As dores articulares causadas pelo desgaste das articulações podem tornar o quotidiano bastante difícil, interferindo nos movimentos e, por isso mesmo, limitando as tarefas mais básicas. É a dor, aliás, uma das principais razões que leva os doentes ao reumatologista, em busca do desejado alívio e na tentativa de recuperar a qualidade de vida. Sobretudo no Inverno, em que estes problemas frequentemente se agudizam.
Estas dores podem levar à utilização de analgésicos e medicamentos anti-inflamatórios: ora, a partir de determinada idade, é frequente que se tomem vários medicamentos em simultâneo, pelo que os suplementos – neste caso à base de glucosamina e condroitina – podem ser uma alternativa.

É, no entanto, fundamental o conselho do médico ou farmacêutico para avaliar se existe algum risco de interacção entre os vários produtos e os medicamentos que estes doentes já tomam habitualmente, ou mesmo alguma situação em que a sua toma não seja recomendada.

É que a segurança deve estar em primeiro lugar quando se tomam produtos de saúde.

domingo, 29 de abril de 2012

JN

Quarenta anos de luz falada para quem vive na escuridão

PEDRO OLAVO SIMÕES

Não podem a escuridão ou a metafórica cegueira branca, inventada por Saramago, travar a fruição da literatura ou o acesso ao conhecimento. Há 40 anos que a Biblioteca Sonora do Porto luta contra isso. Veja o vídeo

Bruno, deficiente visual, utente e, em simultâneo, estagiário na Biblioteca Sonora, que nasceu como inovação nacional no seio da Biblioteca Pública Municipal do Porto, diz como um serviço destes pode iluminar quem se viu atirado para a escuridão: "O Braille é que alfabetiza, mas é mais fácil de aprender pelos cegos de nascença. Os cegos tardios, que têm mais dificuldades, ao nível do tato, para distinguir os pontos, optam pelo audiolivro ou pela informática".

Fundada em Março de 1972 - ainda está patente, no claustro da biblioteca, a exposição comemorativa -, a Biblioteca Sonora atravessa um momento de viragem, com a implementação do fundo digital, descarregável pela Internet, o que lhe permite alargar fronteiras geográficas (o mundo é o limite) que já anteriormente eram distantes, graças ao envio postal de livros gravados em suportes materiais, da vetusta cassete ao já entradote CD.

DN Economia
PORTALEGRE
Juiz decide que entrega da casa ao banco liquida dívida
por Licínio Lima

Sentença inédita no tribunal de Portalegre, já definitiva, pode fazer doutrina e salvar muitas famílias à beira de perder teto.
Um juiz do tribunal de Portalegre decidiu que em caso de incumprimento, a entrega de casa ao banco liquida todo o empréstimo em dívida. E esta decisão pode vir a fazer toda a diferença para muitas famílias, num momento em que estão a ser entregues 25 casas por dia aos bancos por pessoas sem capacidade para continuar a pagá-las.

BE desafia Parlamento a aprovar proposta que garante que entrega de casa salda empréstimo

O Bloco de Esquerda desafiou este sábado o Parlamento a aprovar uma proposta que "garante que entrega de casa ao banco salda o empréstimo", depois de uma decisão do tribunal de Portalegre nesse sentido."
A importante decisão do tribunal de Portalegre é um passo na direção certa e reforça a necessidade urgente de clarificação legal neste ponto. Não faz sentido obrigar milhares de famílias, que já nem têm dinheiro para pagar a prestação do seu teto, a terem que recorrer aos tribunais para evitarem ter de pagar o que já não devem", argumentam os bloquistas, em comunicado.
O Bloco "desafia, por isso, o Parlamento a aprovar o seu projeto de lei, colocando um ponto na final numa prática abusiva da banca e que, de acordo com o tribunal, constitui um 'enriquecimento injustificado' do sistema financeiro".
O "Diário de Notícias" avançou na edição deste sábado que o Tribunal de Portalegre determinou que a entrega de habitação ao banco paga todo o empréstimo em dívida.
O projeto de lei do Bloco está desde o dia 22 de março na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças para discussão na especialidade, mas a propostas ainda não começou a ser debatida, "esperando uma suposta proposta que o Governo reiteradamente anuncia mas não há forma de alguém conhecer", afirmam os bloquistas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sapo TEK

Parlamento Europeu aconselhado a rejeitar acordo internacional contra a pirataria

Publicado por Casa dos Bits

O parlamento deverá rejeitar o Anti-Counterfeiting Trade Agreement, mais conhecido por ACTA, porque não está suficientemente claro se o mesmo assegura os direitos dos cidadãos. O conselho é do relator David Martin, na sua recomendação formal à Comissão do Comércio Internacional.
No relatório assinala-se que as várias lacunas do acordo - onde se incluem a falha na definição inequívoca de "escala comercial" e o facto de obrigar implicitamente os ISP a atuarem como polícias da Internet - pode resultar numa restrição" não intencional" dos direitos civis.
Apesar de defender a rejeição do acordo, David Martin faz questão de alertar os deputados europeus para a necessidade de a UE proteger sua propriedade intelectual.
"A Europa só pode competir na base da inovação e da criatividade e para que isso aconteça terá de proteger a sua propriedade intelectual", referiu apelando para que a Comissão Europeia avance com uma proposta alternativa a breve trecho.
O relator notou ainda que um dos artigos do ACTA refere a possibilidade de renegociação do texto, sugerindo que Bruxelas poderá contactar as outras partes envolvidas no sentido de tentar alterar as medidas
Entretanto, o calendário de votação do acordo foi alterado, por forma a que todas os comités consultados tenham mais tempo para discutir as propostas e formular as suas opiniões. Desta forma, o acordo será votado em junho pela Comissão do Comércio Internacional, só devendo ser levado a plenário no mês seguinte, em julho.
Recorde-se que o ACTA está a ser analisado pelo Tribunal Europeu de Justiça, no sentido de apurar se o mesmo é compatível com os direitos e liberdades fundamentais consagrados pela legislação comunitária.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

EXPRESSO

Os conselhos do "homem mais feliz do mundo"

Matthieu Ricard trocou uma carreira científica de topo por uma vida de espiritualidade, meditação e ajuda humanitária nos Himalaias. Quarenta anos depois, o seu cérebro foi alvo de estudo e é considerado o homem mais feliz do mundo. Fomos descobrir o seu segredo.

Paula Cosme Pinto (www.expresso.pt)
Quarta feira, 25 de abril de 2012

Matthieu Ricard foi a grande atracção do II Congresso Internacional da Felicidade, em Madrid

Cinco perguntas a Matthieu Ricard:


Foi considerado o homem mais feliz do mundo. Qual é o seu segredo?
(risos) Não, isso não é bem assim.Mas posso dar alguns conselhos sobre as pessoas em geral. Primeiro há que se reconhecer que quer ser feliz. Acima de tudo não devemos negligenciar as nossas emoções, o nosso interior. Egoísmo, arrogância, agressividade são tudo sentimentos que nos fazem sentir mal, que controlam as nossas mentes e impedem a nossa felicidade. Não são sentimentos que nos sejam impostos, nós somos os responsáveis por eles e toda a gente sabe o mal que nos fazem. A verdade é que nós podemos treinar a nossa mente. Não interessa o que se passa cá fora, o nosso controlo aí é muito limitado. Já lá dentro só depende de nós.

Temos de pôr de lado os prazeres mundanos para sermos felizes?
Não há mal nenhum no prazer. Mas o prazer não tem nada a ver com felicidade. Imagine por exemplo um banho quente. Se viermos gelados da rua e nos pusermos debaixo de água quente, sabe maravilhosamente. Mas se ficarmos lá 24 horas, é insuportável. Tal como a música alta. Um bocadinho é bom, 24 horas pode ser tortura. Aliás, é um dos métodos usados em Guantanamo. Viver apenas de prazer deixa-nos exaustos. A felicidade é uma forma de estar na vida, não é apenas uma sensação momentânea.

Durante décadas, muitos psicólogos defenderam que nos devemos focar mais no "eu". Já você tem uma visão totalmente contrária. Afinal quem tem razão?
Essa é uma visão muito estúpida. É óbvio que devemos pensar em nós próprios, mas não devemos passar o dia focados no "eu, eu, eu". Que forma mais aborrecida de viver! O individualismo e o egoísmo destroem a felicidade. Essa ideia de que primeiro vou tomar conta de mim e depois, se me sentir bem, é que me dedico aos outros, não funciona. É uma atitude em que todos têm a perder. Parte de treinar a mente está em amar os outros, preocuparmo-nos com os outros, dar aos outros e aí a felicidade será conjunta. Dar e receber é uma bola de neve. Mas atenção: preocuparmo-nos connosco, gostarmos de nós, é importante. Só não pode é ser feito de forma narcísica.

Estamos no meio de uma profunda crise económica. Ainda há pouco tempo um homem suicidou-se em frente ao Parlamento grego por causa da falta de dinheiro. Nestas condições, como é que podemos ser felizes?
Se ligarmos a felicidade exclusivamente ao dinheiro nunca conseguiremos. Há muitas coisas supérfluas nas nossas vidas. Coisas de que não precisamos. Passamos a vida a tentar ter essas coisas materiais e se não as temos sentimo-nos miseráveis. Mas realmente precisamos delas? De tanto luxo?

E quando se deixa de ter dinheiro para pagar as contas? Não é uma questão de luxo...
Viver de forma mais simples não significa que tenhamos de voltar a viver na floresta. Mas não podemos nós mudar o estilo de vida e viver com menos? Essenciais são a amizade, a paz, a sensação de ter o coração cheio, de que cada momento vale a pena ser vivido. Está mais do que estudado - e atenção que não falo de ensinamentos budistas - que quanto maior o nível de consumismo, menor é a felicidade que se alcança.



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/os-conselhos-do-homem-mais-feliz-do-mundo=f721261#ixzz1t50eGa3x

SOL
100 peças em 40 anos de Comuna 
assinalados com estreia nesta noite


25 de Abril, 2012por Rita Silva Freire
Depois de quarenta anos de vida, a Comuna – Teatro de Pesquisa continua com o mesmo espírito com que nasceu: pôr em palco peças que nos façam pensar, que nos questionem, que lutem contra os poderes instituídos. E que melhor forma de comemorar um aniversário senão fazendo a festa com teatro?
A Controvérsia de Valladolid, de Jean-Claude Carrière, sobe esta noite ao palco do São Luiz (ficando em cena até 6 de Maio, altura em que transita para o palco da Comuna, até 17 de Junho), numa encenação de João Mota, com Carlos Paulo, Virgílio Castelo e Álvaro Correia nos principais papéis. Recuamos aos Descobrimentos e vemos uma acesa discussão entre Sepúlveda e Frei Bartolomeu de las Casas. São os povos conquistados humanos? Justifica o ouro a escravidão do outro?
São cerca de cem as peças que A Comuna já levou à cena. Nos palcos, estiveram dezenas de actores. Virgílio Castelo é a mais recente ‘aquisição’. É a primeira vez que trabalha com a Comuna. «Foi um convite que me honrou muito», diz. «Achei irrecusável. E depois de ler a peça ainda mais contente fiquei por me associarem, de algum modo, ao 40.º aniversário».
Também Hélia Correia não conseguiu recusar o convite de João Mota para subir ao palco em Édipo-Rei, de Sófocles, em 1988. A peça foi um êxito, esteve muitos meses em cena. Hélia já não aguentava fazer todos os dias a mesma coisa. «A experiência tornou muito mais funda a minha admiração pelo actor e pelo mistério do teatro. Desesperada, passados quinze dias, perguntava-lhes: ‘Vocês não estão fartos disto, todos os dias a mesma u coisa?’ Diziam-me: ‘Não, todos os dias é diferente’. Tudo o que se passa no teatro é enigmático. Há um grande mistério que nunca decifrei. O meu lado de dentro da Comuna deixou-me uma recordação muito bonita».
Fundada por João Mota, Carlos Paulo, Melim Teixeira, Manuela de Freitas e Francisco Pestana no 1.º de Maio de 1972, a Comuna nasceu numa garagem da Praça José Fontana. O nome, votado pelo público da Rádio Renascença, viria a dar-lhes problemas. Eram vistos como comunistas, como drogados. Não se importaram. A vontade de fazer teatro era imensa. Estrearam em Outubro, com Para Onde Is, a partir de Gil Vicente, e Feliciano e as Batatas, de Catherine Dasté. «Os primeiros anos foram excitantes para todos nós: um teatro novo nascia, vivido pelos actores, sem a figura do empresário, sem ordens. Colectivo, convicto, empenhado nas muitas transformações de mentalidades (e educação alternativa) de que necessitávamos», lembra Jorge Silva Melo, que recorda espectáculos como O Muro, A Mãe e Bão. «Diziam apenas isto: para fazer teatro, é preciso dedicação, alma e actores (com actores podemos fazer tudo). Vivíamos por ali».

domingo, 22 de abril de 2012


Correio da Manhã
Histórias

Chip português despista a morte súbita

A invenção de Ana Teresa Freitas, Alexandra Fernandes e Susana Santos pode prolongar a vida dos portadores de cardiopatias
Por:Vanessa Fidalgo 
Há uma nova esperança para quem sofre de cardiopatias congénitas. Uma equipa de investigadoras portuguesas desenvolveu o primeiro microchip capaz de detectar a predisposição para a miocardiopatia hipertrófica, uma disfunção primária cardíaca que é conhecida como a principal responsável pela temida morte súbita.
O revolucionário microchip funciona através de análises de ADN. Sendo uma pequena placa de 30,68 milímetros de comprimento por 19,68 milímetros de largura e 0,7 milímetros de altura, contém "poços" com menos de um milímetro onde são inseridas sequências de ADN, as quais contêm informação sobre alterações no genoma, validadas pela comunidade científica como associadas à doença que está a ser testada.
"Após o desenho do chip com estas alterações, é adicionado o ADN do paciente (retirado de uma amostra de sangue). Sempre que o indivíduo tenha no seu genoma uma alteração idêntica a uma das pré-programadas no chip, aparece um sinal positivo lido por um laser. Todos os sinais positivos correspondem a alterações no genoma do paciente, associadas à patologia", explicou a professora e investigadora Ana Teresa Freitas, que desenvolveu o chip em parceria com as investigadoras Alexandra Fernandes e Susana Santos. O resultado nasceu no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores: Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID) do Instituto Superior Técnico.
PATOLOGIAS ASSOCIADAS
A incidência da miocardiopatia hipertrófica – a patologia com maior associação a episódios de morte súbita – é de uma em cada 500 pessoas. Existem, no entanto, outras doenças cardiovasculares significativas como a miocardiopatia dilatada, a miocardiopatia arritmogénica, síndromes do QT longo e QT curto e síndrome de Brugada, entre outros.
A possibilidade de previsão e prevenção não existia. Até agora. E tudo graças a um teste "fácil que pode atribuir, de uma forma relativamente abrangente, um risco para a morte súbita".

sexta-feira, 20 de abril de 2012


Correio do Brasil

Dia do Índio: uma saga de sobrevivência

  Por Redação, com agências - do Rio de Janeiro
Dia do Índio
O Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas, cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar
No governo de Getúlio Vargas, em 2 de junho de 1943, foi editado o Decreto-Lei nº 5540, que estabeleceu o Dia do Índio. A data é comemorada no dia 19 de abril em homenagem ao primeiro Congresso Indigenista Interamericano, em 1940.
Desde a edição do decreto instituidor do Dia do Índio até o advento da Constituição de 1988 pouco foi realizado em prol dos indígenas brasileiros. Essa situação foi alterada a partir da vigência do novo ordenamento constitucional brasileiro, que reconheceu a multietnicidade brasileira e assentou a superação da visão integracionista que influenciava toda a legislação e a interpretação jurisprudencial a respeito de temas ligados aos índios.
O Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Somente em Mato Grosso, há 42 etnias identificadas, o que significa uma população superior a 28 mil indígenas. Número este que retrata a riqueza da diversidade cultural que o Estado possui.
Os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes. “Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea”, explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental Brasileiro.
População indígena cresce 11,4%
A população indígena cresceu 11,4% em dez anos, somando 817 mil pessoas em 2010, representando 0,4% do total da população brasileira. Nesse mesmo período, os índios brasileiros se espalharam mais pelo território nacional. Em 2010, eles estavam presentes em 80,5% dos municípios contra  63,5% em 200. Os dados são do Censo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a pesquisadora Nilza Pereira, do IBGE, ainda não é possível explicar o motivo dessa maior distribuição dos indígenas pelo país. Uma das hipóteses é que as pessoas estejam revalorizando sua identidade ancestral, já que a declaração da etnia é feita pela própria pessoa entrevistada.
— Ainda estamos analisando os dados e isso deve ficar mais claro na pesquisa que vamos divulgar em breve. Mas talvez etnias que estariam supostamente extintas podem estar se reassumindo. É um ressurgimento dessa população, avaliou Nilza Pereira.
A Região Norte concentra 37,4% do total de indígenas brasileiros, sendo que o estado do Amazonas responde por 20,6%: 168,7 mil pessoas. O município de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, é onde há um maior número de indígenas: 29 mil. Em Uiramutã, Roraima, há o maior percentual de indígenas: 88,1% da população.

Estudo mapeia dez diferentes tipos de câncer de mama

 Por Redação, com BBC - Brasil

câncer de mama
Estudo inédito feito por britânicos e canadenses revela dez tipos diferentes de câncer de mama
Um estudo inédito revelou que o que se conhece atualmente como câncer de mamapode ser desdobrado em dez diferentes tipos, abrindo caminho para uma revolução no tratamento, que deve ficar cada vez mais específico para cada tipo de tumor.
A pesquisa, realizada por cientistas do Canadá e da Grã-Bretanha e publicada na prestigiada revista Nature, analisou mais de 2 mil mulheres com câncer, e seus resultados devem começar a ser aplicados em hospitais dentro de no mínimo três anos.
Para os especialistas, é possível comparar o câncer de mama a um mapa do mundo. Os exames atuais, mais abrangentes, teriam a capacidade de classificar a doença em diferentes “continentes”.
Agora, com as novas descobertas, serápossível mapear a doença em até dez diferentes tipos, com um grau de definição muito maior, como se fossem “países”.”O câncer de mama não é uma doença, mas sim dez diferentes doenças”, disse o chefe do estudo, Carlos Caldas.
- Nossos resultados abrem caminho para que no futuro os médicos possam diagnosticar que tipo de câncer uma mulher tem e os tipos de remédios que vão ou não funcionar, de uma maneira muito mais precisa do que é possível atualmente – acrescenta o pesquisador.
No momento, os tumores são classficados de acordo com sua aparência sob as lentes de microscópios e exames com “marcadores”. Aqueles identificados com “receptores de estrogênio” deveriam responder a tratamentos que utilizam o tamoxifeno (um modulador seletivo da recepção deste tipo de hormônio) e os classificados com “receptores Her2″ deveriam sofrer impacto da terapia com o medicamento Herceptin.
A grande maioria dos tipos de câncer de mama (mais de 70%) responde bem aos tratamentos com hormônios. Entretanto, a reação às terapias varia muito. “Alguns respondem bem, outros fracassam terrivelmente. Claramente precisamos de uma classificação mais detalhada”, diz Caldas.
Análise: O que isto representa para os pacientes?
O potencial das descobertas deste estudo é vasto e pode ter um papel transformador no tratamento do câncer de mama ao redor do mundo. No entanto, a aplicação da nova classificação ainda levará anos e o impacto imediato para pacientes será limitado.

Há diferenças claras entre as taxas de sobrevida para cada tipo de câncer identificado. As variedades dois e cinco, por exemplo, tendem a apresentar cerca de 40% de chances de sobrevida de 15 anos. Os tipos três e quatro têm 75% de chances de sobrevida do mesmo período.
Em termos de tratamento, as notícias são ruins. Até o momento há uma terapia bem delimitada para apenas um dos dez tipos: o medicamento Herceptin.
Os outros grupos permanecerão com procedimentos genéricos, à base de sessões de quimioterapia e radioterapia.

A esperança é que no futuro novos medicamentos sejam criados para cada tipo específico da doença.
Revolução
Os pesquisadores analisaram detalhes da genética celular de mais de 2 mil tumores, levando em consideração quais genes haviam sofrido mutação, quais estavam se multiplicando e quais estavam sendo desligados.

Após as análises, as células cancerígenas foram agrupadas em dez diferentes classificações, denominadas “IntClust” um a dez. ”Este é o maior estudo já realizado sobre os diferentes tipos de tumores de câncer de mama e vai alterar a maneira com a qual analisamos a doença, tendo um impacto enorme na forma de diagnosticar e tratar o câncer de mama nos próximos anos”, disse Harpal Kumar, chefe do instituto de Pesquisa do Câncer da Grã-Bretanha, que financiou a pesquisa.
Os cientistas precisam agora comprovar os benefícios da nova classificação antes que médicos e hospitais de todo o mundo passem a utilizá-la –um processo que pode levar de três a cinco anos.
Para Delyth Morgan, chefe de campanhas contra o câncer de mama na Grã-Bretanha, o estudo pode “revolucionar a maneira com a qual a doença é diagnosticada e tratada”.
A pesquisa é um exemplo do que se conhece atualmente por “medicina personalizada” –que consiste em tratar uma doença a partir do mapeamento detalhado de seu comportamento genético.
O princípio pode, no futuro, ser aplicado às pesquisas que medem a resposta a medicamentos para doenças cardiológicas e tratamentos para conter o vírus HIV, dentre outros.