quarta-feira, 6 de junho de 2012

JN

Voar entre a Europa e África sem uma gota de combustível

O avião solar suíço "Solar Impulse", que na última madrugada descolou de Madrid rumo a Rabat, em Marrocos, cumpriu a "união" entre a Europa e África depois de 19 horas de voo a uma média de 60 quilómetros por hora.

foto Youssef Boudlal/REUTERS
Voar entre a Europa e África sem uma gota de combustível

O avião, que iniciou a travessia entre a Europa e África na Suíça a 24 de maio, terminou a ligação em Marrocos às 23.25 horas locais de terça-feira depois dos pilotos da aeronave, Bertrand Piccard e André Borschberg, terem voado mais de 2500 quilómetros sem "uma gota de combustível".

O "Solar Impulse" chegou a Madrid a 24 de maio proveniente da localidade suíça de Payerne e tinha previsto continuar a sua viagem no dia 28, mas a partida foi adiada devido ao mau tempo em Marrocos.

O "Solar Impulse" tem a envergadura de um Airbus A340 (63,4 metros), pesa 1600 quilos e as suas asas estão cobertas por 12 mil células fotovoltaicas, que captam a energia solar e armazenam-na em quatro baterias, alimentando quatro motores elétricos.

Foram precisos sete anos de trabalho e uma equipa de 70 pessoas e 80 parcerias para construir este avião em fibra de carbono, que realizou o seu primeiro voo real em 2010, tendo estado no ar 26 horas seguidas de dia e noite sem recurso a qualquer combustível.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

COREIO da MANHÃ

Saúde: Doença é a segunda causa de morte nos países desenvolvidos

250 mil venceram o cancro em Portugal

Ana Ferreira, uma das 250 mil pessoas que sobreviveram ao cancro em Portugal, teve aos 53 anos o primeiro de "dois maus encontros" que quase lhe ceifaram a vida. Ao diagnóstico de cancro no cólon, seguiu-se cirurgia de risco, um prognóstico muito reservado e, nove anos depois, cancro na mama.

Por:Joana Nogueira

As 58 sessões de quimioterapia não lhe retiraram o optimismo que ainda hoje, com 72 anos, a caracteriza. "Tinha um seguro de saúde e, com a família criada e a casa paga, não precisei de recorrer à Banca. Mas a maioria dos doentes não tem essa sorte e encontra inúmeras dificuldades", garante Ana. Já Luísa Costa Macedo conta que, aos 56 anos, foi surpreendida por um nódulo estranho, sinal de um tumor na mama esquerda. Foi no S. José (Lisboa) que fez uma mastectomia, quimioterapia e um implante mamário. Técnica de restauro, perdeu o emprego, mas ganhou a vida. "Sempre encarei bem a doença. Só tenho medo que o cancro seja hereditário porque na família há muitos casos".

Outro caso de sobrevivência: António Santiago tem 56 anos e sofreu um linfoma cerebral. Uma doença que o deixou três anos de baixa. A empresa em que trabalhava na altura em que as enxaquecas denunciaram o linfoma acolheu-o de volta. "Já comecei a trabalhar".

O cancro é a segunda causa de morte nos países desenvolvidos. Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, diz que os sobreviventes "não sabem o que vai acontecer, a nível do emprego, relações sociais e actividades correntes. Se quiser comprar uma casa e pedir um crédito ou fazer um seguro, há sempre dificuldades", revelou, na conferência sobre sobreviventes de cancro, realizada ontem na Fundação Gulbenkian, pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CM

Cancro: IPO do Porto é o primeiro hospital em Portugal a ter esta máquina

Equipamento trata tumores inoperáveis

Trata tumores benignos e malignos pequenos e em locais que os tornavam inacessíveis às técnicas cirúrgicas convencionais. O equipamento Novalis Tx permite realizar técnicas avançadas de radiocirurgia: direcciona de forma precisa a radiação para o tumor, quer este esteja no cérebro ou seja extracraniano. O IPO do Porto é o primeiro hospital do País e da Península Ibérica a ter este equipamento. Já foram tratados sete doentes desde Dezembro.

Por:Ana Sofia Coelho

O equipamento custou quatro milhões de euros e quando foi montado só existia um na Europa (em França). "É o Rolls-Royce da radiocirurgia. Todos os outros aparelhos exigem uma fixação externa, fixa ao crânio. Aqui, não há qualquer método invasivo", explicou Rui Ferreira, neurocirurgião do IPO do Porto. Com este equipamento, o doente usa uma máscara de imobilização facial, cómoda, enquanto que antes era colocado um anel fixo por parafusos no crânio para o imobilizar.

Mas as vantagens não se restringem à comodidade. "Este tipo de tratamento pode ser utilizado para qualquer localização, tumores benignos ou malignos, que têm obrigatoriamente de obedecer a critérios de inclusão muito rigorosos. A grande vantagem é para tumores pequenos", disse Helena Gomes Pereira, directora do Serviço de Radioterapia do IPO.

A dimensão do tumor não deverá exceder três centímetros. Com o equipamento Novalis Tx e o sistema Exactrac, o feixe de radiação incide de forma precisa e directa no tumor, sem provocar toxicidade significativa nos tecidos normais peritumorais. "Actualmente podemos atingir doses curativas com ausência ou toxicidade mínima", esclarece.