segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A BOLA.pt
Governo e FARC vão negociar paz
Por Redação
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Governo concordaram iniciar conversas de paz em outubro próximo.
O diálogo deverá ter início em Oslo, Noruega, anunciou a televisão venezuelana Telesur.
Desconhecem-se os termos do acordo que antevê o início das conversações, que decerreram em Havana, Cuba.
As FARC iniciaram a luta armada em 1964 e terão atualmente cerca de 9200 combatentes. Em 2011 o grupo já tinha mostrado disponibilidade para dar início às conversações de paz.

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A aldeia andaluza que faz tremer o governo de Espanha

Por Nuno Ramos de Almeida

Marinaleda tem 2800 habitantes. Vive do trabalho comunitário e não aceita a troika nem a austeridade

Todos os caminhos parecem ir dar a Marinaleda. A localidade andaluza permanece calma e aparentemente indiferente, no pico do sol abrasador da tarde. Estão mais de 40 graus, são poucas as pessoas que se aventuram nas ruas. A toponímia da terra cruza a Avenida da Liberdade com a Rua Ernesto Che Guevara. O que fez esta terra de 2800 habitantes para de repente estar nas bocas do mundo e invadida de equipas de televisão que vão desde a chinesa e da poderosa Alemanha à omnipresente Al Jazira?

Há dias, os activistas do Sindicato Andaluz dos Trabalhadores (SAT), capitaneados pelo alcaide de Marinaleda, Juan Manuel Sánchez Gordillo, entraram em dois supermercados da região, carregaram uma dezena de carrinhos com bens de primeira necessidade e saíram sem pagar. Os produtos foram entregues a famílias que passam fome. A acção pretendia denunciar, segundo os seus autores, o facto de as grandes superfícies deitarem fora os produtos que não vendem numa altura que o desemprego na região é superior a um milhão e 200 mil pessoas e a fome atinge quase dois milhões e 200 mil espanhóis, segundo os sindicalistas.

Os activistas foram detidos pela polícia, posteriormente libertados e acusados judicialmente. O presidente da câmara de Marinaleda e deputado no parlamento regional da Andaluzia pela Esquerda Unida, Sánchez Gordillo, declarou aos media que desejava abdicar da sua imunidade parlamentar para receber o mesmo tratamento que os outros.

São 20 horas. Perto da Casa do Povo, portas meias com a sede do sindicato, as pessoas concentram-se. Está convocada uma assembleia, a forma que em Marinaleda se resolvem todos os assuntos. Durante a tarde, os carros com megafones convocaram as pessoas. Agora, à porta, estão uma centena de homens a fumar. Dentro da sala abafada pelo calor já se encontram sentadas cerca de 200 mulheres de todas as idades. Muitas delas abanam leques. As portas da Casa do Povo têm sobre as arcadas as inscrições, em letras de metal: “Um outro mundo é possível” e “Utopia”.

Esperam pacientemente Gordillo, que foi a Madrid, para discutirem as marchas convocadas para a manhã seguinte. Depois da prisão dos sindicalistas foi organizada uma “marcha de trabalhadores” que percorrerá várias regiões da Andaluzia para conseguir espalhar como um vírus as acções directas do sindicato. Esta é, segundo nos dizem os habitantes de Marinaleda, uma “assembleia de luta” – existem outras para discutir trabalho comunitário, investimentos da autarquia e todos os assuntos que interessam aos habitantes. Esperanza del Rosario Saavedra, teniente alcalde em Marinaleda – uma espécie de vice-presidente da câmara –, diz-nos que a situação na Andaluzia está mal. “Há 30 anos que a situação no mundo rural é má. Com a crise e a mecanização da agricultura, o trabalho tornou-se ainda mais precário e ainda há mais desemprego. A terra concentrou-se nas mãos dos grandes proprietários, que têm como objectivo ganhar dinheiro, e não garantir emprego”. No município vizinho de Marinaleda, Rubio, são visíveis grandes campos de girassóis a secarem ao sol, sem terem sido aproveitados. Na terra explicam-nos que são frequentes: são culturas subsidiadas pela União Europeia que quase não precisam de trabalho humano e que os proprietários recebem à cabeça, sem mesmo precisarem de colher o que foi semeado. Uma fraude proveitosa. Diferente é a vida aqui: desde o ano de 91 que, devido a um longo processo de luta, a população de Marinaleda tem a gestão comunitária de 1200 hectares de terra. Nesta povoação, todas as famílias têm trabalho nas terras e nas fábricas que foram construídas para transformar os produtos agrícolas. “Esta cooperativa e a terra são o sonho de muitas gerações de trabalhadores que, numa dada altura, tiveram a coragem de lutar por elas e de as conseguir”, garante Esperanza.

À sala da Casa do Povo chega finalmente Gordillo, com uma hora de atraso. Fala da marcha de amanhã e da importância de muitos estarem presentes. “Para evitar provocações que possam difamar o carácter pacífico do protesto, é preciso que esteja muita gente.” O presidente garante que há gente que se sente ameaçada “por os trabalhadores terem tocado no ponto da sacrossanta propriedade privada”. Revela ter recebido várias “ameaças de morte”. As intervenções na assembleia são práticas, como se temessem dar demasiadas informações aos órgãos de comunicação social presentes. Este antigo professor de História, presidente da câmara há mais de 30 anos, vestido de negro e, normalmente, de lenço palestiniano, vai assentando num caderno as pessoas que amanhã às sete horas vão apanhar as camionetas para a marcha, que começará por volta das oito no recinto da feira de Homachuelos. Terminada rapidamente a assembleia, a sala fica deserta, com as suas inscrições na parede, entre as quais a citação do ideólogo da independência de Cuba, José Martí: “Quem não tem a coragem de se sacrificar, deve ter pelo menos o pudor de se calar perante aqueles que se sacrificam” – uma estranha frase para encimar uma sala de discussão. Em Marinaleda, a participação é o critério da democracia.

Às sete da manhã – é ainda noite frente à sede do ayuntamento, mas a temperatura está nuns sufocantes 30 graus –, os mais de 150 inscritos já fazem filas para as três camionetas. Com 30 minutos de atraso, arrancam os veículos. Perto de mim vai Ruben. Vive em Marinaleda há seis anos, apaixonou-se por uma rapariga da terra. Como 90% da população da terra, é jornaleiro. Ao seu lado viaja a namorada do irmão, Cristina, desempregada, que é da Catalunha. Quando chegamos pelas 8.30 da manhã já lá estão 200 activistas do sindicato da zona. Com uma hora de atraso, menos de 400 pessoas iniciam uma marcha pelas estradas. Tirando a passagem de algum camião ou carro, ou alguns jornalistas que estão em locais de passagem, a caminhada decorre numa espécie de deserto que é a paisagem da Andaluzia entre povoações. A solidão dos marchantes não impede o grito das palavras de ordem. “Não somos banqueiros, não somos marqueses, somos andaluzes, somos jornaleiros”, é a mais repetida nas horas do caminho. O sol vai-se tornando impiedoso. As pessoas da carrinha da frente vão pousando garrafas de água na estrada, que todos compartilham com alguma sofreguidão. Depois de 12 quilómetros de marcha passa-se por uma propriedade com um portão de metal encimado por brazões. Um forte dispositivo da Guarda Civil está junto à entrada. É anunciado que, devido ao calor, faremos um descanso à sombra de umas laranjeiras, 500 metros mais à frente. A que se seguirá uma assembleia. A propriedade segue paralela à estrada e a concentração de todos faz-se frente a uma estação que está antes do portão da propriedade. Quando a marcha arranca, passa-se outra vez frente a ele. A Guarda Civil, amolecida por uma hora de sol, encontra-se mais longe. Como por magia, é dado um grito de ocupação. Cerca de metade dos marchantes corre para os portões e passa por uma zona ao lado cuja vedação tem um providencial buraco. Rapidamente, dezenas de pessoas entram. Atravessam um enorme jardim. E detêm-se em frente ao Palácio de Moratalla. Aí toma a palavra o porta-voz do SAT, Diego Cañamero (ver entrevista ao lado), que denuncia que a propriedade, de uma nobreza que viveu à sombra do franquismo, estava a ser transformada em hotel de luxo e que os seus proprietários deviam dinheiro aos trabalhadores e empresas que tinham feito as obras.

“Vamos estar aqui pacificamente. Não tocaremos em nada. Isto não nos pertence ainda e, se fosse nosso, também não tocaríamos”, garantiu. Sánchez Gordillo toma de seguida a palavra para explicar que esta ocupação simbólica serve para denunciar que, enquanto mais de um milhão de andaluzes não têm trabalho, “os nobres, a classe mais inútil de Espanha, continuam a deter grandes propriedades, grande parte delas sem dar trabalho às pessoas da região”. Passados dez minutos chega a Guarda Civil, que proíbe os jornalistas de fotografar o dispositivo militar, dizendo que incorrem no crime de desobediência. Informa os sindicalistas de que cercam a propriedade, que não entrará mais ninguém e que toda a gente que sair será identificada para futuro procedimento criminal. Acrescenta que espera uma ordem do juiz para desalojar os ocupantes e que eles se “tinham metido com gente importante”. Começa uma longa espera que acabará com a desocupação voluntária do palácio na manhã seguinte. Os jornaleiros vão circulando à volta do complexo, admirando as luxuosas instalações. Os mais novos encontram uma piscina e banham--se. Os mais de 40 graus convidam ao mergulho. Pouco a pouco, até os mais velhos perdem a prudência e entram na água. Os fotógrafos e as televisões registam este momento simbólico da ocupação em que os mais pobres se banham nas águas de um hotel de luxo. O porta-voz do sindicato resiste, talvez ciente das leituras menos católicas do acto. Indiferente ao possível aproveitamento está uma mulher de quase 70 anos. Até há pouco, foi uma das ocupantes de uma herdade da Junta da Andaluzia que o governo regional quer privatizar. Os jornaleiros do SAT estão em guerra, neste momento, por essa propriedade de 500 hectares e uma herdade do exército com 1200 hectares. Defendem que deviam ser entregues aos trabalhadores porque estão subaproveitadas. Junto à porta do palácio, Antonio posa para a fotografia ao lado da bandeira da República. Já com uma certa idade, ostenta uma tatuagem de uma unidade militar. Diz-me que estas acções são úteis. “Há três anos marchámos pelos caminhos privados até Madrid, para termos o direito a utilizar essas estradas. Levámos pancada forte da Guarda Civil, mas chegámos a Madrid e a lei foi alterada”, afiança o jornaleiro.

Ao sair da propriedade ocupada no início da noite, sou identificado pela Guarda Civil. Os locais saem mais abaixo, escapando ao registo. Explicam-me que quem é identificado é condenado a pagar uma multa de 300 euros. Trinta ocupantes voltam de camioneta para Marinaleda. No dia seguinte, a marcha começará às seis da manhã para quem sair da vila, e partirá do palácio, que a assembleia decidiu desocupar às oito da manhã. O objectivo da marcha será atingir a localidade de Pousada ao início da tarde. Na véspera, a delegada do governo PP de Madrid na Andaluzia pediu ao governo regional que pusesse Gordillo na ordem, “para pôr fim à absurda palhaçada que causa dano à imagem da região e de Espanha”.

Converso na tarde seguinte com alguns dos jovens que participaram na marcha. Ruben e Encarnación conheceram-se numa reunião sobre ensino público na vila. Há seis anos que ele veio viver para a terra. A sua casa, como a de grande parte da população, foi construída com apoio da câmara. Paga, como toda a gente, 15 euros por mês. Quando acabarem de pagar o que custou, a casa será deles. “Ao valor que a gente pagou foi abatida a nossa participação no trabalho de construção”, informa Ruben. Toda a gente tem trabalho na terra. Dantes vinha gente das aldeias vizinhas trabalhar a Marinaleda; agora, com a crise na construção, o trabalho concentra-se na terra e nas fábricas da cooperativa, mas é distribuído por todos. Ensino e habitação são apoiados pela câmara. Tudo é decidido por assembleia e nenhum dos eleitos da câmara recebe ordenado. Manolo é irmão de Ruben. São naturais de uma localidade próxima em que as tradições sindicais também são fortes. O pai é dirigente sindical. Manolo namora com Cristina, originária da Catalunha, que está desempregada. Com a crise e a luta das populações de Marinaleda, “as pessoas, mesmo de longe, começaram a ter conhecimento de que há formas diferentes de fazer as coisas”, afirma. Nem sempre isso é garantia da consciencialização de que há uma alternativa, esclarece Manolo. “Sou empregado num estabelecimento turístico de cinco estrelas. O meu patrão acha que toda a gente de Marinaleda é ladra. O problema é que, muitas vezes, o ponto de vista do patrão influencia os empregados”, diz. Encarnación garante que o modelo de Marinaleda funciona, exige é muito trabalho e participação. “Não há mais povoações a fazer, neste momento, o que nós fazemos porque não conseguiram ocupar as terras. Quando começámos, diziam que éramos loucos, mas os loucos conseguiram fazer coisas. Mas não é fácil, porque a luta dá muito trabalho.”

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Sánchez Gordillo. “Chegou a hora de dizer não aos grandes bancos alemães que mandam na Europa”

Por Nuno Ramos de Almeida

Um pequeno professor de História combate a troika em Espanha. Ao i diz que chegou o momento de portugueses, espanhóis, italianos e gregos recusarem as políticas de austeridade, nem que para isso tenham de se revoltar.

  • Sánchez Gordillo

Há mais de 30 anos, uma pequena localidade da Andaluzia não aceita as regras que foram ditadas a todas as outras. Não há muros que separem Marinaleda do resto da Espanha, mas a vida e as regras são diferentes. Aqui ninguém está desempregado, as decisões são tomadas em comunidade e a habitação e a educação são quase gratuitas. À frente da câmara de Marinaleda está um antigo professor de História que tem participado em todas as lutas. Há uns dias, Juan Manuel Sánchez Gordillo acompanhou os activistas do Sindicato da Andaluzia dos Trabalhadores numa acção. Entraram em dois hipermercados, encheram vários carrinhos com alimentos de primeira necessidade e saíram sem pagar. Os produtos foram dados aos pobres. O governo processou--os. Os patrões chamaram-lhe ladrão. A imprensa comparou-o ao Robin dos Bosques. Recusou a alcunha dizendo que “na Andaluzia não são os pobres que roubam os ricos, mas os ministros, o capital financeiro e os bancos alemães é que roubam o povo”. No entanto, há uma referência que não descarta, afirma que Cristo foi o primeiro revolucionário e confessou, ao diário espanhol “El Mundo”, que “gostaria de converter-se num Gandhi do século xxi”.

Ver entrevista em:http://www.ionline.pt/mundo/juan-manuel-sanchez-gordillo-chegou-hora-dizer-nao-aos-grandes-bancos-alemaes-mandam-na-europa

quinta-feira, 23 de agosto de 2012



Doença debilitante levou estudante de arte a pintar com a boca

Uma estudante britânica de arte foi aconselhada a desistir de pintar por ter uma doença debilitante que torna doloroso o simples facto de pegar no pincel. Heather Purdham decidiu antes aprender a pintar com a boca e conseguiu tirar notas brilhantes.

foto DR
Doença debilitante levou estudante de arte a pintar com a boca
Jovem aprendeu a pintar com a boca em meio ano

Heather Purdham é uma estudante de arte do Reino Unido que sofre de uma doença debilitante que lhe afeta os braços. Os médicos aconselharam a jovem de 17 anos a não prosseguir com o estudo de arte, pois poderia no futuro não conseguir pegar num pincel, tendo em conta as dores que o gesto lhe provoca atualmente.

Contudo, a jovem quis acabar o curso e, para tal, levou menos de um ano para aprender sozinha a desenhar e a pintar com a boca. "Os médicos disseram-me para desistir de arte no verão passado, mas eu sou muito teimosa", contou Heather Purdham ao tablóide britânico "Daily Mail". "Não me lembro de algum dia não ter gostado de desenhar, por isso sabia que tinha que me adaptar".

O processo de aprendizagem seguiu-se ao diagnóstico de síndroma de hipermobilidade, que relaxa as articulações, fazendo com que seja praticamente impossível agarrar objetos. A estudante começou a ter imensas dores no verão passado, enquanto fazia os exames ou quando pintava.

Ao início, os médicos pensaram que se tratava de outra doença e a jovem chegou a fazer uma cirurgia. Nos seis meses de recuperação foi impedida de desenhar com a mão direita e, inspirada pela artista britânica Alison Lapper, que nasceu sem braços, Heather Purdham começou a experimentar trabalhar com a outra mão, com os dedos, pés e boca.

Inicialmente a jovem só conseguia fazer rabiscos, mas a pouco e pouco foi desenvolvendo a técnica. A pintura que lhe garantiu a classificação máxima na escola levou 16 horas a completar. A jovem também conseguiu nota máxima em psicologia, a área que quer seguir.

"Eu quero trabalhar como pedopsiquiatra e adoraria usar a arte como terapia para inspirar as crianças a desafiarem-se a elas próprias. Espero que a minha história também as inpire", declarou a jovem ao "Daily Mail".


Brasil facilita pedido de visto permanente para estrangeiros com contrato de dois anos

Os estrangeiros que trabalham no Brasil com visto temporário, com contrato laboral de dois anos, poderão solicitar a transformação do visto em permanente, a partir da primeira renovação, informou o Ministério da Justiça brasileiro.

Pela legislação brasileira, os contratos laborais com estrangeiros são feitos num prazo máximo de dois anos, prorrogáveis por mais dois.

De acordo com a norma anterior, apenas a partir da segunda renovação - passados quatro anos - o contrato poderia passar a vigorar por tempo indeterminado e o estrangeiro adquiria o direito de solicitar o visto permanente.

A partir de agora, esse pedido poderá ser feito a partir da primeira renovação, no caso dos contratos de dois anos.

De acordo com o Ministério do Trabalho do Brasil, a alteração é uma adequação à legislação trabalhista brasileira, bem como ao parecer da Advocacia Geral da União (AGU) sobre o tema.

Para dar entrada à solicitação de visto permanente, o imigrante deverá enviar o pedido 30 dias antes de vencer o visto temporário.

Concessionária acata decisão judicial e suspende obras na hidroelétrica de Belo Monte

A concessionária Norte Energia, responsável pela construção e operação da hidroelétrica de Belo Monte, em Altamira, na Amazónia brasileira, anunciou, esta quinta-feira, a suspensão das obras, em cumprimento da decisão judicial divulgada na semana passada.

A empresa informou também que está a tomar as medidas para tentar reverter a suspensão, e seja possível retomar as obras "o mais rápido possível".

A justiça brasileira determinou a suspensão das obras da hidroelétrica na última quarta-feira, após identificar irregularidades no processo de autorização da construção, nomeadamente a falta de consulta prévia às comunidades indígenas antes da permissão dos estudos para o empreendimento.

Na última sexta-feira, a Norte Energia afirmou que a paralisação das obras de construção pode deixar 20 mil trabalhadores no desemprego e que, se a suspensão durar até dezembro, a entrega da barragem poderá demorar mais um ano. Atualmente, a conclusão da hidroelétrica está prevista para 2019.

A hidroelétrica de Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo brasileiro e, quando estiver pronta, será a terceira maior barragem do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW), gerando em média 4.000 MW.

A obra está a gerar polémica entre os que defendem a necessidade de mais produção de energia no país e os ambientalistas, que a criticam a obra por esta prejudicar os indígenas, a fauna e a flora da região.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Português identifica mecanismo de proteína que afeta memória na doença de Parkinson Sapo Notícias

Português identifica mecanismo de proteína que afeta memória na doença de Parkinson

Descoberta permite testar novos medicamentos para combater doença

Um investigador português identificou o funcionamento de uma proteína que interfere com a comunicação entre células do cérebro e afeta a memória em doentes de Parkinson, permitindo testar novos medicamentos para evitar estes problemas.

O trabalho liderado pelo cientista Tiago Fleming Outeiro, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, é hoje publicado no Journal of Neuroscience (Jornal de Neurociência).

"Vimos que os oligomeros da proteína alfa-sinucleína alteram e interferem na transmissão sináptica, a comunicação entre as células nesta área, que é muito importante para os processos de memória e aprendizagem”, disse hoje à agência Lusa Tiago Outeiro.

A investigação agora apresentada abre "uma enorme perspetiva para podermos intervir a este nível, quer tentando impedir a acumulação desta proteína fora das células, porque sabemos que ai está a causar estes problemas, quer utilizando fármacos, drogas, que possam interferir com estas proteínas, modelando a comunicação neuronal”, explicou.

O cientista acrescentou que a intervenção ao nível dos sintomas da doença de Parkinson “não tem sido possível porque não se conheciam estes mecanismos”.

Estudos recentes mostraram que uma das proteínas associadas à doença de Parkinson é detetada também fora das células do cérebro, mas não se sabia quais as consequências ou qual o tipo de formas mais problemáticas de proteína.

Os investigadores testaram o efeito de três tipos de aglomerados da alfa-sinucleína fora das células no contexto da função neuronal.

"Vimos que apenas um tipo específico destas formas da proteína, os oligomeros de alfa-sinucleína, é capaz de afetar a comunicação neuronal, em termos científicos transmissão sináptica", especificou Tiago Outeiro.

Quando os neurónios no cérebro não comunicam de forma eficiente ou normal começam a surgir problemas relacionados com vários tipos de doença, como a doença de Parkinson, e parte dos doentes acabam por desenvolver problemas cognitivos, de memória, de aprendizagem ou psicológicos.

"Foi na zona do hipocampo, associada à formação da memória, por exemplo, que detetamos estes efeitos e foi ai que focamos este estudo para perceber de que forma esta proteína causa problemas", explicou.

"Há uma oportunidade muito grande de se testarem novos fármacos para aspetos particulares da doença, até agora menos possíveis de ser tratados, e corrigir defeitos na comunicação neuronal e encontrar fármacos que possam evitar a acumulação destes oligomeros de alfa-sinucleína que se acumula nos cérebros dos doentes de Parkinson", resumiu Tiago Outeiro.

@Lusa

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

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Dilma assina decreto que aumenta salário mínimo para 257 euros

Por Agência Lusa

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, assinou hoje o decreto que aumenta em cerca de 14 por cento, para 622 reais (257 euros), o valor do salário mínimo do país a partir de 01 de janeiro de 2012.

Atualmente, o valor mínimo que um trabalhador brasileiro pode receber por mês é 545 reais (225 euros). O reajuste estava previsto no Orçamento de 2012, aprovado na quinta-feira pelo Congresso do país.

O novo salário mínimo deverá colocar 64 mil milhões de reais (26,4 mil milhões de euros) na economia brasileira no próximo ano, segundo cálculos da LCA Consultores, citados pelo jornal O Estado de São Paulo.

Uma lei aprovada este ano no Congresso brasileiro garante reajustes acima da inflação para o salário mínimo do país até 2015. A política de valorização começou a ser adotada durante o Governo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um acordo com sindicalistas.

Pela fórmula, o reajuste anual do salário mínimo corresponde à variação da inflação no ano anterior somada ao percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Ou seja, o aumento do salário mínimo em 2012 é baseado na projeção da inflação oficial para 2011 (6,65 por cento) e no crescimento da economia brasileira em 2010 (7,5 por cento).

Apesar dos ganhos nos últimos anos, o salário mínimo brasileiro ainda está abaixo do patamar necessário para suprir as despesas básicas do trabalhador, segundo um cálculo divulgado no início do mês pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De acordo com o estudo, para suprir os gastos das famílias com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o salário mínimo brasileiro deveria ser de 2.349,26 reais (969,13 euros).

domingo, 19 de agosto de 2012

El Correo Bizcaya

SOCIEDAD

Bélgica alerta del peligro de mantener operativas centrales nucleares como Garoña
La Agencia Nuclear del país aboga por el «cierre permanente» de este tipo de instalaciones tras detectar fisuras en la vasija de una planta similar a la burgalesa

AGENCIAS | BRUSELAS.

Bélgica alerta del peligro de mantener operativas centrales nucleares como Garoña
La detección de miles de micro-grietas en la vasija de uno de los reactores de la planta nuclear de Doel, en Bélgica, no sólo ha puesto en duda la seguridad de esta central, situada al norte del país, sino la de otra veintena de instalaciones similares repartidas por todo el mundo, entre ellas, la burgalesa de Garoña y la valenciana de Cofrentes. Ésta es la conclusión que se desprende de las palabras del director general de la Agencia Federal Nuclear de Bélgica (AFCN), Willy De Roovere, que ayer se mostró favorable al «cierre permanente» de todos los reactores similares al de Doel, puesto que pueden presentar los mismos problemas que llevaron a su parada inmediata a principios de junio.
Al parecer, el constructor de la vasija del reactor número 3 de esta planta es la misma empresa - la holandesa Rotterdam Droogdok Maatschappij, ya desaparecida- que en los años 60 y 70 se encargó de los cilindros de contención instalados en las 20 centrales ahora cuestionadas. «Esperamos que los países afectados lleven a cabo las inspecciones necesarias y, si detectan fisuras serias, procedan a su cierre permanente», insistió De Roovere en una entrevista publicada en el diario flamenco 'De Morgen'.
Según confirmaron ayer fuentes del Consejo de Seguridad Nacional (CSN), en España hay dos plantas que compraron los materiales para fabricar sus vasijas precisamente a la empresa Rotterdam Droogdok Maatschappij: la de Santa María de Garoña (Burgos) y Cofrentes (Valencia). Al margen de españolas y belgas, las otras instalaciones implicadas están repartidas por Estados Unidos (hasta una decena de reactores), Argentina (una planta) y Europa: dos en Países Bajos, dos en Alemania, uno en Suecia y dos en Suiza.
Por el momento, las autoridades belgas ya han anunciado que procederán a revisar el otro reactor nuclear del país, el número 2 de Tihange, que comparte esta misma tecnología. Los resultados no se conocerán hasta mediados de septiembre pero los primeros cálculos realizados por los técnicos de la AFCN estiman que la probabilidad de que presente los mismos problemas ronda el 50%. «Me parecería sorprendente que no hubiese nada», advirtió De Roovere.
Las anomalías detectadas en Doel III gracias a novedosas pruebas de ultrasonidos muestran indicios de 8.000 grietas de hasta 2 centímetros en la vasija del reactor, lo que pone en seria duda la continuidad de la planta, ahora parada. La Agencia Federal Nuclear belga ya ha dejado claro que la reparación es «prácticamente imposible» porque existe el «peligro de provocar más rajas en las paredes y riesgo de radiación». «Nunca se ha cambiado la vasija de un reactor nuclear en ninguna parte del mundo», recordó el experto belga.
350 plantas en el mundo
Aún se desconoce si el origen de las grietas se halla en el proceso de fabricación de la estructura de la vasija o en deficiencias en el acero utilizado. Si finalmente se trata del segundo escenario, el problema será aún mayor, pues podría afectar a todos los reactores de la misma generación, es decir, alrededor de 350 del total de 450 que existen en todo el mundo. «Estaríamos ante un problema global», confesó el presidente de la AFCN.
El director general de la Agencia Federal Nuclear belga también explicó que si, en última instancia, se cierran los dos reactores ahora bajo sospecha, los problemas de suministro eléctrico serían inevitables en su país durante el invierno, dado que se perdería una producción de unos 2.000 megavatios.
A la vista de estas previsiones tan poco halagüeñas, la Comisión Europea espera que todos los países «extraigan lecciones» a raíz de las fisuras en Doel III. En este sentido, la institución con sede en Bruselas recordó ayer que aboga por una legislación tanto a nivel europeo como de cada Estado que contemple -«con rigor y al detalle»- los siguientes puntos: la calidad de los materiales de las centrales nucleares y las normas sobre la protección de los empleados. Ahora bien, tras los últimos acontecimientos, recomienda que toda esta normativa «sea revisada y controlada por las autoridades y los reguladores nacionales».

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

EXAME INFORMÁTICA
Ciência
Impressoras 3D vão permitir a construção de casas baratas
Há quem acredite que é possível construir uma casa em 20 horas, recorrendo a impressoras 3D gigantes.

Márcio Florindo


Segundo a DVice, um professor da Universidade da Califórnia do Sul desenvolveu um sistema que permite imprimir um edifício inteiro em cerca de 20 horas, recorrendo a uma impressora 3D gigante.

A Countour Crafting recorre a uma impressora 3D de grandes dimensões pendurada sobre o espaço que a casa vai ocupar. Depois, a máquina vai construindo as paredes usando camadas sucessivas de cimento. A impressora é capaz de ir adicionando outros elementos à medida que avança, como canalização e fios elétricos.

O Professor Behrokh Khoshnevis diz que esta técnica permitirá construir casas mais baratas e em menos tempo. O Professor considera que a técnica é especialmente valiosa para eliminar bairros de lata nos países em desenvolvimento ou para áreas devastadas por desastres naturais, mas diz que o processo pode ser adaptado para casas mais luxuosas ou edifícios maiores.

Dado que o design é determinado por um programa de computador, é também muito fácil adicionar pormenores arquitetónicos únicos, para não acabarmos com uma casa igual à do vizinho.