terça-feira, 11 de setembro de 2012

Diário Digital

Maria Elisa Domingues escreveu «Amar e Cuidar. A minha Viagem pelo mundo do cancro»

«Amar e Cuidar. A minha Viagem pelo mundo do cancro», de Maria Elisa Domingues, editado pela Esfera dos Livros, será apresentado no dia 18 de Setembro, pelas 18h30, no El Corte Inglés, em Lisboa.

«Um livro que nos leva a conhecer esta dura realidade, desde o choque da notícia, à decisão do tratamento, a cirurgia, a comunicação com os médicos, até às dificuldades enquanto cuidadora.

É um trabalho muito emotivo e cuidado. Maria Elisa conversou com médicos, especialistas, enfermeiros e traz-nos relatos de 16 doentes oncológicos, que nos fazem pensar, alguns deles chorar, outros que nos fazem ter esperança…»

Diário Digital

Projeto distribui milhares de kits de saúde oral a crianças

Um milhão de crianças frequentadoras das bibliotecas escolares vai ser abrangido pela oferta de 2.500 kits de saúde oral, iniciativa que, entre outros objetivos, visa aumentar a qualidade da divulgação e informação sobre saúde oral.

Os kits vão ser distribuídos no ano letivo que está agora a começar e contêm, além de produtos de higiene oral, um livro especialmente escrito para este projeto e material didático.

Este kit foi criado para trabalhar a temática da saúde oral “de uma forma flexível, integrada, dando autonomia criativa às escolas, às bibliotecas e aos seus responsáveis, de modo a que se constitua como ilustração para o ulterior desenvolvimento de iniciativas autónomas, no seu universo de influência”.

“O objetivo final é permitir aos alunos abordar diversas unidades ou projetos baseados em saúde oral que podem fornecer contextos intencionais para aprender e praticar a arte da linguagem, da escrita, capacidades matemáticas e criativas”, segundo a nota explicativa do projeto.

O projeto SOBE – Saúde Oral Bibliotecas Escolares é uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura, da Rede de Bibliotecas Escolares e da Direção-Geral da Saúde, e será apresentado quarta-feira, Dia Mundial da Saúde Oral, na escola EB2,3 Santa Maria dos Olivais, em Lisboa.

Entre os vários objetivos deste projeto está o aumento da qualidade da divulgação e informação sobre saúde oral, o incremento de parcerias com as escolas e outras instituições e a consciencialização das famílias para a importância desta área da saúde.

Manuel Fernando Gonçalves, do Plano Nacional de Leitura, disse à Agência Lusa que esta iniciativa tem um antecedente: o Plano Nacional de Saúde Oral.

Agora, a mensagem vai ser divulgada nas bibliotecas escolares que, dadas as suas características e difusão, permitem alcançar um número muito significativo de crianças, adiantou.

No lançamento do projeto estará presente a secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário e o secretário de Estado da Saúde.

Diário Digital com Lusa

sábado, 8 de setembro de 2012


EXPRESSO


Cientista português inventa gel para curar feridas dos diabéticos

O gel foi criado por Lino Ferreira, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, e pode vir a resolver um problema que afeta 150 mil diabéticos em Portugal.
Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)

Um gel criado com o uso de células estaminais do sangue do cordão umbilical, que trata as feridas crónicas dos doentes diabéticos, acaba de ser patenteado por Lino Ferreira, investigador da Universidade de Coimbra, em parceria coma a empresa Crioestaminal.

O problema afeta 150 mil diabéticos em Portugal e o gel "resulta da necessidade de encontrarmos meios mais eficazes para o tratamento deste tipo de feridas, pois estima-se que 15% dos pacientes diabéticos tenham ulcerações do pé que não cicatrizam", explica o investigador.

O novo produto é composto por um co-cultura de células do sangue do cordão umbilical humano com células endoteliais (as células que se encontram no interior dos vasos sanguíneos) e um gel de biomimético, isto é, um gel produzido por componentes encontrados no sangue.
Melhorar o potencial regenerativo

Lino Ferreira esclarece que "em concreto, o que patenteámos foi uma nova metodologia para melhorar a sobrevivência e o potencial regenerativo das células estaminais do cordão umbilical".

O cientista de 41 anos de idade, já tem 14 patentes registadas a nível internacional, tendo sido sete dessas patentes licenciadas a empresas americanas, europeias e nacionais.

É coordenador de uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, localizado em Cantanhede, no Biocant Park (parque de biotecnologia). A equipa é formada por mais de 20 investigadores e trabalha na modulação da actividade de células estaminais para utilização em Medicina Regenerativa e identificação de compostos no tratamento de doenças cardiovasculares.
Primeira aplicação em larga escala

André Gomes, administrador da Crioestaminal responsável pelas operações de investigação e desenvolvimento (I&D) da empresa, salienta que o gel patenteado "é uma nova aplicação para o sangue do cordão umbilical, para além das 81 doenças que já são tratadas com ele, mas é a primeira aplicação no tratamento de uma doença com grande incidência", isto é, que afeta um grande número de pessoas.

"Claro que não estamos a prometer nenhuma cura, mas estamos a dar um passo importante para lá chegar", acrescenta o gestor, que é também bioquímico de formação. André Gomes prevê que o gel esteja disponível no mercado, "em termos de utilização rotineira", dentro de cinco a dez anos.

Será sempre um medicamento fabricado à medida de cada paciente, "porque estamos a falar de terapia celular", uma área da medicina em grande expansão, onde há grandes expectativas quanto à cura de muitas doenças.
Ensaios clínicos ainda em 2012

Depois da patente registada, a próxima etapa será a dos ensaios clínicos em seres humanos, visto que os ensaios pré-clínicos em animais já foram feitos e tiveram sucesso. É uma etapa com duas fases, que deverá demorar dois a três anos.

"Estamos à procura de parceiros e de financiamento para os ensaios clínicos, onde pretendemos testar a eficácia e a segurança do gel, e queremos avançar com este processo ainda em 2012".

As células estaminais são células indiferenciadas existentes em todos os organismos multicelulares, que se podem dividir e diferenciar em diversos tipos de células especializadas, e que podem também autorenovar-se para produzir mais células estaminais.
Três anos de investigação

O projeto de investigação que conduziu à descoberta do gel durou três anos e a Crioestaminal investiu nele 600 mil euros. Os outros projetos de I&D em curso na empresa, em parceria com várias universidades, envolvem um investimento global de dois milhões de euros.

A Crioestaminal foi o primeiro banco de células estaminais do sangue do cordão umbilical a ser criado em Portugal, em 2003, e a primeira empresa autorizada pela Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação.

É também a única empresa portuguesa acreditada pela Associação Americana de Bancos de Sangue (AABB), uma das duas entidades a nível mundial que estabelece critérios de qualidade específicos para os bancos de sangue do cordão umbilical.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/cientista-portugues-inventa-gel-para-curar-feridas-dos-diabeticos=f751783#ixzz25uzbz27h

Courrier international

NEUROLOGIEMaladie de Machado-Joseph : un traitement prometteur

Des scientifiques portugais ont réussi à freiner chez le rat la progression de cette maladie neurodégénérative rare.

 Ana Gerschenfeld | Público

L'équipe de scientifiques de à l'origine des recherches sur maladie de Machado-Joseph - Université de Coimbra

L'équipe de scientifiques de à l'origine des recherches sur maladie de Machado-Joseph - Université de Coimbra

Une équipe de scientifiques de l’université de Coimbra (Portugal) a réussi à identifier et à inhiber, chez le rat, un des mécanismes de base responsables de la dégénérescence cérébrale qui caractérise la terrible maladie de Machado-Joseph. Ses résultats pourraient ouvrir la voie au premier traitement efficace de cette maladie génétique, relativement rare, mais qui affecte une personne sur 4 000 d’ascendance portugaise en Nouvelle-Angleterre [région composée de six Etats, dans le nord-est des Etats-Unis] et qui sévit principalement sur l’île de Flores, aux Açores, touchant une personne sur 140.



Depuis 1972, les noms de famille de deux Açoriens sont liés pour toujours à cette maladie qui atteint le cervelet – structure de la partie postérieure de l’encéphale essentielle pour la coordination motrice, le tonus musculaire et le contrôle de l’équilibre.

La maladie de Machado-Joseph, également connue sous le nom d’ataxie spinocérébelleuse de type 3, est progressive et incurable. Elle est due à la mutation d’un seul gène et il suffit que l’un des parents en soit porteur pour que les enfants aient une probabilité de 50 % d’être atteints de cette maladie. Elle peut surgir à n’importe quel moment de l’existence et présente des symptômes plus ou moins graves.

“Cela pourrait être suffisant pour empêcher la maladie d’apparaître”


En général, elle entraîne la perte de contrôle des membres et une rigidité musculaire. D’autres manifestations sont possibles – spasmes musculaires, problèmes de déglutition, troubles de la vision, du sommeil ou encore problèmes cognitifs. En outre, la gravité de la maladie augmente de génération en génération.Le gène muté à l’origine de la maladie présente une répétition anormalement élevée d’une petite séquence d’ADN, ce qui donne naissance à une protéine anormale – l’ataxine-3. Celle-ci forme des dépôts dans les neurones, entraînant leur dégénérescence. Les spécialistes suspectaient déjà que la protéine mutée, en se fragmentant, provoquait la formation des dépôts. Désormais, l’équipe de Coimbra a réussi à confirmer que ce processus et la dégénérescence cérébrale sont liés. Plus précisément, les scientifiques ont montré que l’ataxine-3 mutante est découpée en morceaux par une molécule appelée calpaïne. Lorsqu’elle est inactivée, les fragments neurotoxiques disparaissent et la destruction cérébrale est stoppée – ce qui peut signifier la découverte potentielle d’un moyen de freiner ce processus. “Même si nous ne parvenons pas à prévenir totalement la fragmentation de l’ataxine-3, le fait qu’elle soit ralentie pourrait être suffisant pour empêcher que la maladie surgisse au cours de l’existence d’un malade, ce qui représenterait une incroyable victoire”, affirme Luís Pereira de Almeida, responsable de l’équipe du Centre de neurosciences de l’université, qui vient de publier son travail dans la revue Brain.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sapo Notícias

Açores/Eleições

Plataforma de Cidadania apresenta lista por S. Miguel com 70 por cento de mulheres

"Apresentamos uma lista muito qualificada, onde, pela primeira vez, se consegue 70 por cento de participação feminina", afirmou Rui Simas, cabeça de lista da Plataforma de Cidadania por S. Miguel, acrescentando que esta candidatura também apresenta "uma forte aposta na juventude".

Rui Simas, que falava aos jornalistas junto ao Tribunal de Ponta Delgada, salientou que a Plataforma de Cidadania "abre a porta a um novo paradigma de participação direta do cidadão", revelando que a lista candidata por S. Miguel é constituída por 60 por cento de jovens e apresenta uma média etária de 34 anos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A BOLA.pt
Governo e FARC vão negociar paz
Por Redação
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Governo concordaram iniciar conversas de paz em outubro próximo.
O diálogo deverá ter início em Oslo, Noruega, anunciou a televisão venezuelana Telesur.
Desconhecem-se os termos do acordo que antevê o início das conversações, que decerreram em Havana, Cuba.
As FARC iniciaram a luta armada em 1964 e terão atualmente cerca de 9200 combatentes. Em 2011 o grupo já tinha mostrado disponibilidade para dar início às conversações de paz.

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A aldeia andaluza que faz tremer o governo de Espanha

Por Nuno Ramos de Almeida

Marinaleda tem 2800 habitantes. Vive do trabalho comunitário e não aceita a troika nem a austeridade

Todos os caminhos parecem ir dar a Marinaleda. A localidade andaluza permanece calma e aparentemente indiferente, no pico do sol abrasador da tarde. Estão mais de 40 graus, são poucas as pessoas que se aventuram nas ruas. A toponímia da terra cruza a Avenida da Liberdade com a Rua Ernesto Che Guevara. O que fez esta terra de 2800 habitantes para de repente estar nas bocas do mundo e invadida de equipas de televisão que vão desde a chinesa e da poderosa Alemanha à omnipresente Al Jazira?

Há dias, os activistas do Sindicato Andaluz dos Trabalhadores (SAT), capitaneados pelo alcaide de Marinaleda, Juan Manuel Sánchez Gordillo, entraram em dois supermercados da região, carregaram uma dezena de carrinhos com bens de primeira necessidade e saíram sem pagar. Os produtos foram entregues a famílias que passam fome. A acção pretendia denunciar, segundo os seus autores, o facto de as grandes superfícies deitarem fora os produtos que não vendem numa altura que o desemprego na região é superior a um milhão e 200 mil pessoas e a fome atinge quase dois milhões e 200 mil espanhóis, segundo os sindicalistas.

Os activistas foram detidos pela polícia, posteriormente libertados e acusados judicialmente. O presidente da câmara de Marinaleda e deputado no parlamento regional da Andaluzia pela Esquerda Unida, Sánchez Gordillo, declarou aos media que desejava abdicar da sua imunidade parlamentar para receber o mesmo tratamento que os outros.

São 20 horas. Perto da Casa do Povo, portas meias com a sede do sindicato, as pessoas concentram-se. Está convocada uma assembleia, a forma que em Marinaleda se resolvem todos os assuntos. Durante a tarde, os carros com megafones convocaram as pessoas. Agora, à porta, estão uma centena de homens a fumar. Dentro da sala abafada pelo calor já se encontram sentadas cerca de 200 mulheres de todas as idades. Muitas delas abanam leques. As portas da Casa do Povo têm sobre as arcadas as inscrições, em letras de metal: “Um outro mundo é possível” e “Utopia”.

Esperam pacientemente Gordillo, que foi a Madrid, para discutirem as marchas convocadas para a manhã seguinte. Depois da prisão dos sindicalistas foi organizada uma “marcha de trabalhadores” que percorrerá várias regiões da Andaluzia para conseguir espalhar como um vírus as acções directas do sindicato. Esta é, segundo nos dizem os habitantes de Marinaleda, uma “assembleia de luta” – existem outras para discutir trabalho comunitário, investimentos da autarquia e todos os assuntos que interessam aos habitantes. Esperanza del Rosario Saavedra, teniente alcalde em Marinaleda – uma espécie de vice-presidente da câmara –, diz-nos que a situação na Andaluzia está mal. “Há 30 anos que a situação no mundo rural é má. Com a crise e a mecanização da agricultura, o trabalho tornou-se ainda mais precário e ainda há mais desemprego. A terra concentrou-se nas mãos dos grandes proprietários, que têm como objectivo ganhar dinheiro, e não garantir emprego”. No município vizinho de Marinaleda, Rubio, são visíveis grandes campos de girassóis a secarem ao sol, sem terem sido aproveitados. Na terra explicam-nos que são frequentes: são culturas subsidiadas pela União Europeia que quase não precisam de trabalho humano e que os proprietários recebem à cabeça, sem mesmo precisarem de colher o que foi semeado. Uma fraude proveitosa. Diferente é a vida aqui: desde o ano de 91 que, devido a um longo processo de luta, a população de Marinaleda tem a gestão comunitária de 1200 hectares de terra. Nesta povoação, todas as famílias têm trabalho nas terras e nas fábricas que foram construídas para transformar os produtos agrícolas. “Esta cooperativa e a terra são o sonho de muitas gerações de trabalhadores que, numa dada altura, tiveram a coragem de lutar por elas e de as conseguir”, garante Esperanza.

À sala da Casa do Povo chega finalmente Gordillo, com uma hora de atraso. Fala da marcha de amanhã e da importância de muitos estarem presentes. “Para evitar provocações que possam difamar o carácter pacífico do protesto, é preciso que esteja muita gente.” O presidente garante que há gente que se sente ameaçada “por os trabalhadores terem tocado no ponto da sacrossanta propriedade privada”. Revela ter recebido várias “ameaças de morte”. As intervenções na assembleia são práticas, como se temessem dar demasiadas informações aos órgãos de comunicação social presentes. Este antigo professor de História, presidente da câmara há mais de 30 anos, vestido de negro e, normalmente, de lenço palestiniano, vai assentando num caderno as pessoas que amanhã às sete horas vão apanhar as camionetas para a marcha, que começará por volta das oito no recinto da feira de Homachuelos. Terminada rapidamente a assembleia, a sala fica deserta, com as suas inscrições na parede, entre as quais a citação do ideólogo da independência de Cuba, José Martí: “Quem não tem a coragem de se sacrificar, deve ter pelo menos o pudor de se calar perante aqueles que se sacrificam” – uma estranha frase para encimar uma sala de discussão. Em Marinaleda, a participação é o critério da democracia.

Às sete da manhã – é ainda noite frente à sede do ayuntamento, mas a temperatura está nuns sufocantes 30 graus –, os mais de 150 inscritos já fazem filas para as três camionetas. Com 30 minutos de atraso, arrancam os veículos. Perto de mim vai Ruben. Vive em Marinaleda há seis anos, apaixonou-se por uma rapariga da terra. Como 90% da população da terra, é jornaleiro. Ao seu lado viaja a namorada do irmão, Cristina, desempregada, que é da Catalunha. Quando chegamos pelas 8.30 da manhã já lá estão 200 activistas do sindicato da zona. Com uma hora de atraso, menos de 400 pessoas iniciam uma marcha pelas estradas. Tirando a passagem de algum camião ou carro, ou alguns jornalistas que estão em locais de passagem, a caminhada decorre numa espécie de deserto que é a paisagem da Andaluzia entre povoações. A solidão dos marchantes não impede o grito das palavras de ordem. “Não somos banqueiros, não somos marqueses, somos andaluzes, somos jornaleiros”, é a mais repetida nas horas do caminho. O sol vai-se tornando impiedoso. As pessoas da carrinha da frente vão pousando garrafas de água na estrada, que todos compartilham com alguma sofreguidão. Depois de 12 quilómetros de marcha passa-se por uma propriedade com um portão de metal encimado por brazões. Um forte dispositivo da Guarda Civil está junto à entrada. É anunciado que, devido ao calor, faremos um descanso à sombra de umas laranjeiras, 500 metros mais à frente. A que se seguirá uma assembleia. A propriedade segue paralela à estrada e a concentração de todos faz-se frente a uma estação que está antes do portão da propriedade. Quando a marcha arranca, passa-se outra vez frente a ele. A Guarda Civil, amolecida por uma hora de sol, encontra-se mais longe. Como por magia, é dado um grito de ocupação. Cerca de metade dos marchantes corre para os portões e passa por uma zona ao lado cuja vedação tem um providencial buraco. Rapidamente, dezenas de pessoas entram. Atravessam um enorme jardim. E detêm-se em frente ao Palácio de Moratalla. Aí toma a palavra o porta-voz do SAT, Diego Cañamero (ver entrevista ao lado), que denuncia que a propriedade, de uma nobreza que viveu à sombra do franquismo, estava a ser transformada em hotel de luxo e que os seus proprietários deviam dinheiro aos trabalhadores e empresas que tinham feito as obras.

“Vamos estar aqui pacificamente. Não tocaremos em nada. Isto não nos pertence ainda e, se fosse nosso, também não tocaríamos”, garantiu. Sánchez Gordillo toma de seguida a palavra para explicar que esta ocupação simbólica serve para denunciar que, enquanto mais de um milhão de andaluzes não têm trabalho, “os nobres, a classe mais inútil de Espanha, continuam a deter grandes propriedades, grande parte delas sem dar trabalho às pessoas da região”. Passados dez minutos chega a Guarda Civil, que proíbe os jornalistas de fotografar o dispositivo militar, dizendo que incorrem no crime de desobediência. Informa os sindicalistas de que cercam a propriedade, que não entrará mais ninguém e que toda a gente que sair será identificada para futuro procedimento criminal. Acrescenta que espera uma ordem do juiz para desalojar os ocupantes e que eles se “tinham metido com gente importante”. Começa uma longa espera que acabará com a desocupação voluntária do palácio na manhã seguinte. Os jornaleiros vão circulando à volta do complexo, admirando as luxuosas instalações. Os mais novos encontram uma piscina e banham--se. Os mais de 40 graus convidam ao mergulho. Pouco a pouco, até os mais velhos perdem a prudência e entram na água. Os fotógrafos e as televisões registam este momento simbólico da ocupação em que os mais pobres se banham nas águas de um hotel de luxo. O porta-voz do sindicato resiste, talvez ciente das leituras menos católicas do acto. Indiferente ao possível aproveitamento está uma mulher de quase 70 anos. Até há pouco, foi uma das ocupantes de uma herdade da Junta da Andaluzia que o governo regional quer privatizar. Os jornaleiros do SAT estão em guerra, neste momento, por essa propriedade de 500 hectares e uma herdade do exército com 1200 hectares. Defendem que deviam ser entregues aos trabalhadores porque estão subaproveitadas. Junto à porta do palácio, Antonio posa para a fotografia ao lado da bandeira da República. Já com uma certa idade, ostenta uma tatuagem de uma unidade militar. Diz-me que estas acções são úteis. “Há três anos marchámos pelos caminhos privados até Madrid, para termos o direito a utilizar essas estradas. Levámos pancada forte da Guarda Civil, mas chegámos a Madrid e a lei foi alterada”, afiança o jornaleiro.

Ao sair da propriedade ocupada no início da noite, sou identificado pela Guarda Civil. Os locais saem mais abaixo, escapando ao registo. Explicam-me que quem é identificado é condenado a pagar uma multa de 300 euros. Trinta ocupantes voltam de camioneta para Marinaleda. No dia seguinte, a marcha começará às seis da manhã para quem sair da vila, e partirá do palácio, que a assembleia decidiu desocupar às oito da manhã. O objectivo da marcha será atingir a localidade de Pousada ao início da tarde. Na véspera, a delegada do governo PP de Madrid na Andaluzia pediu ao governo regional que pusesse Gordillo na ordem, “para pôr fim à absurda palhaçada que causa dano à imagem da região e de Espanha”.

Converso na tarde seguinte com alguns dos jovens que participaram na marcha. Ruben e Encarnación conheceram-se numa reunião sobre ensino público na vila. Há seis anos que ele veio viver para a terra. A sua casa, como a de grande parte da população, foi construída com apoio da câmara. Paga, como toda a gente, 15 euros por mês. Quando acabarem de pagar o que custou, a casa será deles. “Ao valor que a gente pagou foi abatida a nossa participação no trabalho de construção”, informa Ruben. Toda a gente tem trabalho na terra. Dantes vinha gente das aldeias vizinhas trabalhar a Marinaleda; agora, com a crise na construção, o trabalho concentra-se na terra e nas fábricas da cooperativa, mas é distribuído por todos. Ensino e habitação são apoiados pela câmara. Tudo é decidido por assembleia e nenhum dos eleitos da câmara recebe ordenado. Manolo é irmão de Ruben. São naturais de uma localidade próxima em que as tradições sindicais também são fortes. O pai é dirigente sindical. Manolo namora com Cristina, originária da Catalunha, que está desempregada. Com a crise e a luta das populações de Marinaleda, “as pessoas, mesmo de longe, começaram a ter conhecimento de que há formas diferentes de fazer as coisas”, afirma. Nem sempre isso é garantia da consciencialização de que há uma alternativa, esclarece Manolo. “Sou empregado num estabelecimento turístico de cinco estrelas. O meu patrão acha que toda a gente de Marinaleda é ladra. O problema é que, muitas vezes, o ponto de vista do patrão influencia os empregados”, diz. Encarnación garante que o modelo de Marinaleda funciona, exige é muito trabalho e participação. “Não há mais povoações a fazer, neste momento, o que nós fazemos porque não conseguiram ocupar as terras. Quando começámos, diziam que éramos loucos, mas os loucos conseguiram fazer coisas. Mas não é fácil, porque a luta dá muito trabalho.”

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Sánchez Gordillo. “Chegou a hora de dizer não aos grandes bancos alemães que mandam na Europa”

Por Nuno Ramos de Almeida

Um pequeno professor de História combate a troika em Espanha. Ao i diz que chegou o momento de portugueses, espanhóis, italianos e gregos recusarem as políticas de austeridade, nem que para isso tenham de se revoltar.

  • Sánchez Gordillo

Há mais de 30 anos, uma pequena localidade da Andaluzia não aceita as regras que foram ditadas a todas as outras. Não há muros que separem Marinaleda do resto da Espanha, mas a vida e as regras são diferentes. Aqui ninguém está desempregado, as decisões são tomadas em comunidade e a habitação e a educação são quase gratuitas. À frente da câmara de Marinaleda está um antigo professor de História que tem participado em todas as lutas. Há uns dias, Juan Manuel Sánchez Gordillo acompanhou os activistas do Sindicato da Andaluzia dos Trabalhadores numa acção. Entraram em dois hipermercados, encheram vários carrinhos com alimentos de primeira necessidade e saíram sem pagar. Os produtos foram dados aos pobres. O governo processou--os. Os patrões chamaram-lhe ladrão. A imprensa comparou-o ao Robin dos Bosques. Recusou a alcunha dizendo que “na Andaluzia não são os pobres que roubam os ricos, mas os ministros, o capital financeiro e os bancos alemães é que roubam o povo”. No entanto, há uma referência que não descarta, afirma que Cristo foi o primeiro revolucionário e confessou, ao diário espanhol “El Mundo”, que “gostaria de converter-se num Gandhi do século xxi”.

Ver entrevista em:http://www.ionline.pt/mundo/juan-manuel-sanchez-gordillo-chegou-hora-dizer-nao-aos-grandes-bancos-alemaes-mandam-na-europa

quinta-feira, 23 de agosto de 2012



Doença debilitante levou estudante de arte a pintar com a boca

Uma estudante britânica de arte foi aconselhada a desistir de pintar por ter uma doença debilitante que torna doloroso o simples facto de pegar no pincel. Heather Purdham decidiu antes aprender a pintar com a boca e conseguiu tirar notas brilhantes.

foto DR
Doença debilitante levou estudante de arte a pintar com a boca
Jovem aprendeu a pintar com a boca em meio ano

Heather Purdham é uma estudante de arte do Reino Unido que sofre de uma doença debilitante que lhe afeta os braços. Os médicos aconselharam a jovem de 17 anos a não prosseguir com o estudo de arte, pois poderia no futuro não conseguir pegar num pincel, tendo em conta as dores que o gesto lhe provoca atualmente.

Contudo, a jovem quis acabar o curso e, para tal, levou menos de um ano para aprender sozinha a desenhar e a pintar com a boca. "Os médicos disseram-me para desistir de arte no verão passado, mas eu sou muito teimosa", contou Heather Purdham ao tablóide britânico "Daily Mail". "Não me lembro de algum dia não ter gostado de desenhar, por isso sabia que tinha que me adaptar".

O processo de aprendizagem seguiu-se ao diagnóstico de síndroma de hipermobilidade, que relaxa as articulações, fazendo com que seja praticamente impossível agarrar objetos. A estudante começou a ter imensas dores no verão passado, enquanto fazia os exames ou quando pintava.

Ao início, os médicos pensaram que se tratava de outra doença e a jovem chegou a fazer uma cirurgia. Nos seis meses de recuperação foi impedida de desenhar com a mão direita e, inspirada pela artista britânica Alison Lapper, que nasceu sem braços, Heather Purdham começou a experimentar trabalhar com a outra mão, com os dedos, pés e boca.

Inicialmente a jovem só conseguia fazer rabiscos, mas a pouco e pouco foi desenvolvendo a técnica. A pintura que lhe garantiu a classificação máxima na escola levou 16 horas a completar. A jovem também conseguiu nota máxima em psicologia, a área que quer seguir.

"Eu quero trabalhar como pedopsiquiatra e adoraria usar a arte como terapia para inspirar as crianças a desafiarem-se a elas próprias. Espero que a minha história também as inpire", declarou a jovem ao "Daily Mail".


Brasil facilita pedido de visto permanente para estrangeiros com contrato de dois anos

Os estrangeiros que trabalham no Brasil com visto temporário, com contrato laboral de dois anos, poderão solicitar a transformação do visto em permanente, a partir da primeira renovação, informou o Ministério da Justiça brasileiro.

Pela legislação brasileira, os contratos laborais com estrangeiros são feitos num prazo máximo de dois anos, prorrogáveis por mais dois.

De acordo com a norma anterior, apenas a partir da segunda renovação - passados quatro anos - o contrato poderia passar a vigorar por tempo indeterminado e o estrangeiro adquiria o direito de solicitar o visto permanente.

A partir de agora, esse pedido poderá ser feito a partir da primeira renovação, no caso dos contratos de dois anos.

De acordo com o Ministério do Trabalho do Brasil, a alteração é uma adequação à legislação trabalhista brasileira, bem como ao parecer da Advocacia Geral da União (AGU) sobre o tema.

Para dar entrada à solicitação de visto permanente, o imigrante deverá enviar o pedido 30 dias antes de vencer o visto temporário.