quinta-feira, 11 de outubro de 2012


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Paul Krugman. Era possível acabar com esta crise já. Se “eles” quisessem

Por Ana Sá Lopes
Os instrumentos económicos existem mas a opinião política dominante proíbe o fim da crise. Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, apela ao fim dessa corrente austeritária, sacrificial e assassina de empregos. Ana Sá Lopes leu e gostava de assinar por baixo

  • Paul Krugman

terça-feira, 9 de outubro de 2012


PÚBLICO

FMI reconhece que calculou mal o impacto da austeridade na economia

 Por Sérgio Aníbal, com Pedro Crisóstomo e Isabel Arriaga e Cunha
<p>O FMI, liderado por Christine Lagarde, reviu em baixa a previsão de crescimento mundial</p>
O FMI, liderado por Christine Lagarde, reviu em baixa a previsão de crescimento mundial
 (Foto: Jason Reed/AFP)
No relatório em que reviu em baixa as previsões para a economia mundial, o FMI começou a corrigir algumas contas: por cada euro de austeridade, a economia não cai 0,5 euros, mas sim entre 0,9 e 1,7 euros
Ao fim de mais de dois anos de austeridade na Europa, com várias previsões de crescimento revistas em baixa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou mais um mea culpa, algo que já se começa a tornar hábito na instituição.

No relatório semestral sobre o estado da economia mundial tornado público ontem à noite, o FMI reconhece que as medidas de contenção orçamental aplicadas em vários países em todo o Globo estão a ter, nos últimos anos, um impacto negativo na economia muito maior do que aquilo que os modelos que estão a ser utilizados previam. Entre as vítimas destes erros de cálculo estão os países que, na Europa, têm vindo, ainda sem sucesso, a apostar em políticas de forte austeridade para resolver os seus problemas orçamentais, como a Grécia e Portugal.

Numa caixa intitulada "Estaremos a subestimar os multiplicadores orçamentais de curto prazo?", os responsáveis do Fundo tentam perceber porque é que as suas previsões (e também as de outras instituições) para a evolução das economias têm vindo a falhar durante esta crise.

E a conclusão a que chegam é impressionante. Enquanto que nos modelos de projecção usados, se estimava que, por cada euro de cortes de despesa pública ou de agravamento de impostos se perdia 0,5 euros no PIB, a realidade mostrava que esse impacto (os chamados multiplicadores) é muito maior. Afinal, desde que começou a Grande Recessão, em 2008, o que os dados económicos mostram é que por cada euro de austeridade, o PIB está a perder um valor que se situa no intervalo entre 0,9 e 1,7 euros.

"Esta descoberta é consistente com investigação que sugere que, no actual ambiente de fraca utilização da capacidade produtiva, de política monetária limitada pelas taxas de juro zero e de ajustamento da política orçamental simultâneo em vários países, os multiplicadores podem estar bem acima de um", escreve-se no relatório do FMI. A conclusão: "Mais trabalho sobre como os multiplicadores orçamentais dependem do tempo e das condições económicas é necessário".

Um erro tão significativo no cálculo do impacto económico das medidas de austeridade teve consequências evidentes nas políticas seguidas em vários países, incluindo necessariamente aqueles que têm vindo a receber apoio financeiro e técnico do FMI como Portugal. Aliás, o próprio Governo português já revelou ter sido surpreendido pela forma como evoluiram, durante este ano, variáveis económicas como o desemprego e a procura interna, o que acabou por ter consequência também ao nível do défice orçamental.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


SAPO Notícias   
 NOBEL DA MEDICINA

Células IPS, a grande esperança da medicina

Células estaminais pluripotentes induzidas. Imagem fornecida pela Universidade de QuiotoCélulas estaminais pluripotentes induzidas. Imagem fornecida pela Universidade de QuiotoImagem: AFP
No centro de pesquisa distinguido pelo Prémio Nobel de Medicina 2012, as células estaminais pluripotentes induzidas ou células IPS (na sigla inglesa) têm a sua origem numa célula adulta diferenciada, que reverte ao estado de célula embrionária pluripotente, graças ao trabalho de engenharia genética.
Na natureza, após a fecundação, o óvulo divide-se e rapidamente aparecem as células que dão origem a todos os tecidos do corpo. São as células estaminais embrionárias pluripotentes que têm a capacidade de gerar todos os tipos de células.
Porém, com o desenvolvimento do embrião, as células especializam-se e perdem a capacidade de se transformar em células com diferentes funções (células nervosas, cardíacas, etc).
O britânico John Gurdon, um dos premiados com o Nobel de Medicina em 2012, descobriu, em 1962, que a especialização das células era reversível, ao contrário do que se pensava antes. Shinya Yamanaka, o outro laureado, ainda não era nascido.
A equipa do japonês Yamanaka iniciou o estudo das células IPS em 2006 na Universidade de Quioto, no Japão. Nesta altura anunciaram a reprogramação de células da pele de um ratinho em células muito semelhantes a células estaminiais embrionárias.
Posteriormente, em 2007, cientistas norte-americanos e japoneses obtiveram o mesmo resultado com células da pele humana e já este ano foi conhecido outro avanço, quando cientistas norte-americanos transformaram em IPS células da pele de doentes com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa sem cura, tendo depois induzido a sua diferenciação em neurónios motores como os destruídos pela doença.
As IPS podem ser uma fonte de células para fazer tudo, como por exemplo testar novas drogas ou estudar doenças.
As pesquisas de Yamanaka constituíram "uma descoberta revolucionária real", entusiasmou-se Jean-Marc Lemaitre, do Instituto de Genómica Funcional (Inserm).
Com estas novas células IPS, "é possível obter praticamente qualquer tipo de célula do corpo", explica o investigador francês que tem usado esta técnica para rejuvenescer células centenárias e mostrar que o processo de envelhecimento é reversível.
Longo caminho a percorrer
As células IPS apresentam vantagens semelhantes às das células estaminais embrionárias, mas não envolvem o problema ético relacionado com a necessidade de manipular embriões.
Para a terapia celular experimental, não levam o risco a priori de rejeição por parte do corpo, porque são retiradas do próprio paciente. Mas ainda há um longo caminho a percorrer antes de assegurar a sua total segurança.
"Não há nenhuma aplicação clínica prevista desta técnica avançada", explicou à AFP Marc Peschanski, diretor científico do I-Sterm (Instituto de Pesquisa com Células Estaminais).
No entanto, em 2013 um teste clínico de "inocuidade" em Kobe, no Japão, deve usar pela primeira vez esta técnica num ensaio sobre a retina em pacientes que sofrem de degeneração macular relacionada com a idade (DMRI).
Além disso, uma outra linha de investigação está a começar: produzir em grande quantidade células IPS a partir de um pequeno grupo de dadores, que poderiam ser utilizadas para um grande número de recetores.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012


EXPRESSO
Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro 

O tempo para uma discussão "educada" terminou. O que está em causa no "Sul" da Europa é a diferença entre um futuro de prosperidade ou depressão. Palavras duras de Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência Moody's. 

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

 "Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate". 

 Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha. Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. 

Considera-se um "libertário do mercado livre". "Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul. "A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair." E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".

 A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


LIBÉRATION

Optimisme et gratitude, meilleurs antidotes à la crise, selon les pros du Zen


Des visiteurs sont assis devant un jardin zen traditionnel à Kyoto
Des visiteurs sont assis devant un jardin zen traditionnel à Kyoto (AFP)



    Difficile de se réjouir dans la crise, quand 68% des Français se déclarent pessimistes face à l'avenir ? Au contraire ! Au "pays des râleurs", adoptons l'optimisme et la gratitude, meilleurs antidotes au désespoir, disent les professionnels du Zen réunis à Paris.


"L'optimisme est en chacun d'entre nous et son impact sur notre longévité et notre goût de vivre est démontré", dit Philippe Gabilliet, professeur de psychologie, auteur de nombreux ouvrages sur le management et les stratégies d'anticipation, qui participe au salon Zen de jeudi à lundi à l'espace Champerret.
"Cet ingrédient psychologique très puissant est appelé à devenir l'art ultime du 21e siècle: celui du mieux vivre avec soi-même et les autres", assure ce spécialiste, président de l'association "Talents optimistes", qui donne une conférence sur le sujet vendredi au salon.
Mais comment être optimiste quand le quotidien est exténuant et déprimant ? Dans le métro bondé, dans les embouteillages, le bruit, face au flot d'informations dramatiques, au manque de temps, d'argent, lorsqu'on est licencié ou qu'on tombe malade ?
"Commençons par arrêter de râler", dit à l'AFP Christine Lewicki, coach en développement personnel en entreprise, auteur du livre "J'arrête de râler" (Ed. Eyrolles). Cette "râleuse repentie" française, qui vit en Californie, a mis au point une méthode qui, dit-elle, a fait ses preuves : "21 jours pour se sevrer d'une habitude qui pollue la vie grâce à un bracelet que l'on change de poignet chaque fois que l'on se surprend à râler, remettant ainsi les compteurs à zéro".
"Râler ne change rien. Cela nous coûte en énergie, en santé, nous nous punissons", explique-t-elle. "Arrêter de râler c'est arrêter de se positionner en victime : on décide que râler n'est plus une option et on commence à envisager les autres qui s'offrent à nous. On cultive la gratitude, tout ce qui va bien, les trésors ordinaires quotidiens", ajoute-t-elle.
Elle insiste: "Ce n'est pas se forcer à ignorer les problèmes, c'est identifier ceux qui sont importants et les prendre en main".
Trois kifs par jour
"Des études ont montré qu'en ressentant de la gratitude on gagne sept ans d'espérance de vie. Un changement physiologique intervient du seul fait qu'on est capable de dire merci", acquiesce Florence Servan-Schreiber, auteure de "trois kifs par jour et autres rituels recommandés par la science pour cultiver le bonheur" (Ed. Marabout), né de ses recherches à l'école de la psychologie positive américaine.
Trois kifs, "c'est repérer trois choses ou faits quotidiens pour lesquels on a envie de dire merci. Au bout d'une semaine on commence à s'émerveiller des choses ordinaires de la vie. Trois kifs deviennent 30 kifs et on savoure l'instant présent", ajoute-t-elle.
Résultat ? "On prend plus de risques, il nous arrive plus de choses, on repart lorsqu'on tombe, on accepte le changement...". "Ce n'est pas réservé aux gens riches et en bonne santé. Au contraire, c'est particulièrement puissant dans les situations très difficiles", assure-t-elle, citant des recherches américaines sur les victimes collatérales du 11-Septembre: "celles qui s'en sont le mieux sorties, sont celles qui étaient capables de s'émerveiller des petites choses au quotidien".
"Notre capacité à être optimiste dépend d'un gène à 50%, les conditions extérieures à notre bonheur (emploi, logement, argent...) n'y contribuent que pour environ 10%. Les 40% restants dépendent de notre façon de voir la vie, du filtre que nous posons sur ce qui nous arrive".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Rio

Mais de 440 mil famílias podem acessar Tarifa Social de Energia Elétrica no Rio 

O abatimento é destinado às famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal com renda de até meio salário mínimo per capita ou que tenham algum membro beneficiário do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC), conforme estabelecido pela Lei nº 12.212, de 20 de janeiro de 2010.
Atualmente, a Tarifa Social já atende a 10,6 milhões de famílias em todo o país. A cobertura corresponde a 75% do total de famílias de baixa renda com potencial para cobertura do programa. Para inclusão no programa, as famílias devem procurar a companhia de energia elétrica local (AMPLA, CENF e Light).
Famílias com consumo de até 30 KWh podem obter 65% de desconto na conta de luz; entre 31 KWh a 100 KWh, o desconto é de 40%; e a redução é de 10% para aquelas que consomem de 101 KWh a 220 KWh Famílias indígenas e quilombolas inscritas no Cadastro Único com o perfil exigido e com consumo limite de 50 KWh por mês têm direito a 100% de desconto.
 O programa também beneficia as famílias inscritas no Cadastro que possuem renda mensal de até três salários mínimos e que possuam em sua residência pessoas em tratamento de saúde que necessitem da utilização de aparelhos com elevado consumo de energia.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

VISÃO
Alimentação

Os superpoderes de um vegetal

É uma alface? É um molho de espinafres? Não, são os agriões, que, agora, renascem no panorama nutricional, sob a capa de superalimento 

Por Luísa Oliveira

Os superpoderes de um vegetal
D.R.
Tem folhas pequeninas e verde-escuras que animam qualquer prato (ou qualquer página...). E um sabor apimentado, versátil, que tanto vai bem numa sopa como numa salada ou num sumo. Mas, durante anos, sobretudo em Portugal, os agriões não gozaram de boa reputação e ficaram algo arredados do nosso regime alimentar. Como nasciam, na sua forma selvagem, junto de águas estagnadas, eram associados a contaminações. "Só se comiam depois de fervidos ou lavados com lixívia", lembra a nutricionista Helena Cid, 43 anos.
Hoje, os agriões que são vendidos nos supermercados não representam qualquer perigo para a saúde, pois o seu cultivo é controlado. Tão controlado como o das alfaces, por exemplo. E mais: vários estudos científicos têm provado a importância nutricional desta verdura pertencente à família das crucíferas, como os brócolos e as couves.
O investigador britânico Steve Rothwell, consultor da associação de produtores The Watercress Alliance, chama-lhe "superalimento". Arrisca-se até a apelidá-lo de "alimento de combate ao cancro". Paula Ravasco, 37 anos, investigadora em nutrição e oncologia do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, não é tão ambiciosa. Sem negar as excelentes propriedades dos agriões ou os resultados dos estudos, prefere não se entusiasmar antes do tempo. Ainda não se comprovou nada que tenha a ver com doentes com cancro (apenas em linhas de células, em caixas de petri).
Até Hipócrates os comia Os resultados mais recentes, dignos de serem publicados no British Journal of Nutrition, foram atingidos por cientistas da Universidade de Ulster, na Irlanda. Ficou demonstrado que a ingestão diária de uma pequena porção desta verdura faz subir os níveis de antioxidantes e vitaminas que ajudam a proteger o corpo dos radicais livres, especialmente para quem fuma ou faz exercício intenso.
Os agriões aliviam o stresse natural causado às células quando o esforço físico é grande, acentuando assim os benefícios desse esforço. "Um crescente pedido de energia ao corpo pode criar uma acumulação de radicais livres, que levará à alteração do ADN", explicou Gareth Davison, coordenador do estudo.
Ao ser rico em antioxidantes, como o caroteno, a luteína ou a quercetina, o agrião ajuda a defender as células. "A grande vantagem é estas propriedades estarem disponíveis na sua forma fisiológica - as doses nunca são tóxicas, pois não excedem o limite", nota Paula Ravasco. Quando isso acontece, por exemplo com a toma de suplementos alimentares, os antioxidantes também protegem as células neoplásicas, porque a estas - mais "aceleradas" - só se consegue chegar com doses suplementares.
Os agriões têm poucas calorias e são isentos de gorduras, mas contêm mais de 15 vitaminas e minerais essenciais, sendo ainda fonte de uma série de fitoquímicos com potenciais benefícios para a saúde, como os glucosinolatos. Estes libertam isotiocianatos, em que se incluem o PEITC (phenethyl isothiocyanate) - o composto que contribui para o seu sabor apimentado e o responsável por resultados animadores na prevenção e desenvolvimento do cancro.
Não terá sido por acaso que Hipócrates, o chamado pai da Medicina, no ano 500 a.C., mandou construir o seu primeiro hospital perto de uma nascente. Assegurava, assim, uma fonte de agriões frescos para tratar os seus doentes.
CURIOSIDADE Sabia que?
Os agriões têm...
Mais ferro do que os espinafres
Mais vitamina C do que as laranjas
Mais cálcio do que o leite
Mais vitamina E do que os brócolos
Mais vitamina B do que as groselhas

EUA: Jovem de 12 anos cria negócio ligado à reciclagem. E doa todos os lucros.

Quando ainda estava na creche, Sam Klein era fascinado com os objectos que todos os dias eram deitados fora. Alguns anos depois, o jovem de St.Louis, Estados Unidos, esperava pela equipa de recolha do lixo, observava-a, falava com ela e, por vezes, ajudava-a.
Hoje, aos 12 anos, Sam tem o seu próprio negócio ligado à reciclagem. E é um negócio simples: nos últimos anos, Sam dedicou algum do seu tempo livre a visitar empresários locais. recolhendo de forma gratuita os cartuchos de tinta para impressora, um objecto facilmente reciclável mas que, quase sempre, vai parar às lixeiras.
À medida que ia recolhendo vários cartuchos, Sam devolvia-os aos fabricantes, que lhe chegam a pagar €200 (R$400) pelo material reciclado. O jovem, porém, não fica com o dinheiro, tendo doado mais de €645 (R$2.000) a instituições de solidariedade social.
“Quando atiramos uma coisa para o lixo, ela não desaparece como que por magia”, explicou o empreendedor à NBC News. Na semana passada, Sam Klein foi entrevistado para o Jornal da Noite da NBC, e a sua história foi contada a milhões de outros jovens – quem sabe se futuros empreendedores sustentáveis. No Green Savers estamos a fazer a nossa parte – ao publicarmos a história e o vídeo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Correio da Manhã
Cirurgia: Técnica custa cerca de 4300 euros

Embolização para salvar próstata

Urinar às pinguinhas, ter urgência em encontrar um sanitário ou não conseguir esvaziar a bexiga são sintomas que atormentam o dia-a-dia de muitos homens. Em Portugal, 70% dos homens com mais de 65 anos são afectados pela próstata aumentada, que cria uma obstrução ao fluxo de urina.
Por:Débora Carvalho

Uma das alternativas para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata é a embolização da artéria prostática – técnica inovadora, minimamente invasiva, no alívio dos sintomas. "Trata-se de um tratamento inovador em que Portugal é pioneiro. Na intervenção não há perda de sangue, o doente leva anestesia local e vai para casa no mesmo dia, retomando a sua vida normal", diz ao CM o médico e radiologista de intervenção Martins Pisco, responsável pelo desenvolvimento da técnica, desde Março de 2009, no Hospital Saint Louis, Lisboa.
A cirurgia custa 4300 euros e destina-se a doentes com mais de 50 anos, que tenham próstata aumentada, isto é, com peso superior a 40 gramas. "Já operámos 316 pessoas. Muitos estrangeiros vêm a Portugal para serem tratados. A taxa de sucesso inicial é entre 85 e 90%". O tratamento não coloca em risco a vida sexual dos pacientes, garante o especialista, frisando que "cerca de um terço melhora a parte sexual, pois deixam de tomar os medicamentos". Além disso, refere, "é uma esperança para quem só urina com algália".
Médicos de todo o Mundo têm vindo a Portugal assistir à operação, que pretende travar algumas consequências da hiperplasia benigna: retenção e infecção urinária, cálculos renais ou insuficiência renal. Contudo, apesar de se cumprir o objectivo de atrofiar a próstata e os sintomas desaparecerem, nem sempre se consegue reduzir o volume. "Em 20% dos doentes que melhoram, a próstata não reduz de dimensões. Mais importante que a redução do volume é a melhoria dos sintomas", diz Martins Pisco, ressalvando que "se as artérias prostáticas estiverem muito envolvidas por arterosclerose, há uma alta probabilidade de insucesso".

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cientistas criam mosquito que não transmite o vírus da dengue

Pesquisadores introduziram no Aedes aegypti a bactéria que bloqueia a multiplicação do vírus dentro do inseto; introduzidos na natureza, esses mosquitos se tornam maioria.

Clarissa Thomé, do Rio
Cientistas criaram em laboratório um tipo de mosquito Aedes aegypti que não transmite o vírus da dengue. O resultado da pesquisa, liderada pela Universidade de Monash, na Austrália, e feita em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, está sendo apresentado no 18.º Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro.
O mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue - Divulgação
Divulgação
O mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue

Os pesquisadores introduziram no Aedes aegypti a bactéria Wolbachia, presente em 70% dos insetos do mundo. Essa bactéria atua como uma espécie de vacina para o mosquito e bloqueia a multiplicação do vírus dentro do inseto. Dessa forma, o mosquito não transmite mais a dengue.

A colônia de Aedes aegypti com Wolbachia é criada em laboratório. Depois, os insetos são liberados na natureza. Livres, eles se reproduzem com mosquitos locais e a bactéria é transmitida de mãe para filho pelos ovos.
Além de bloquear a transmissão do vírus da dengue, a bactéria também tem efeito sobre a capacidade de reprodução. As fêmeas com Wolbachi sempre geram filhotes com a bactéria - independente da situação do macho. No entanto, os óvulos fertilizados das fêmeas sem Wolbachia, que se acasalam com machos que tenham a bactéria, morrem.

Por conta disso, mesmo que uma pequena população de insetos com a bactéria seja introduzida na natureza, rapidamente esse tipo de mosquito se torna maioria. Foi o que aconteceu nas localidades de Yorkeys Knob e Gordonvale, em Cairns, na Austrália. Apenas cinco semanas depois da liberação dos mosquitos com a bactéria, em janeiro de 2011, a presença de insetos com Wolbachia alcançou 100% em Yorkeys Knob e 90% em Gordonvale, como mostrado abaixo.
Os especialistas se referem ao estudo como "potencial tecnologia autossustentável", uma vez que a transmissão da bactéria é garantida no processo reprodutivo do mosquito, dispensando os custos de soltura continuada no ambiente.

No Brasil, o projeto está na primeira fase. Os cientistas estão fazendo, em laboratório, a manutenção de colônias dos mosquitos com Wolbachia e o cruzamento com Aedes aegypti de populações brasileiras.

O projeto "Eliminar a Dengue: Desafio Brasil" conta com financiamento da Fiocruz, Ministério da Saúde (Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS e Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos - DECIT/SCTIE) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (CNPq).