quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Naturlink

World Days of Action: Evento global reúne jovens de todo o mundo na construção de um mundo mais sustentável

Filipa Alves (25-10-2012)

No próximo dia 7 de novembro celebra-se aquele que é o primeiro de muitos Dias Mundiais de Ação, em que as crianças de estabelecimentos de ensino que fazem parte do Programa Eco-Escolas, entre Os quais há mais de 80 escolas portuguesas, se juntam numa jornada global de contribuição ativa para a construção de mundo melhor.
O Programa Eco-Escolas é uma iniciativa mundial coordenada pela Fundação para a Educação Ambiental (Foundation for Environmental Education - FEE) que tem como objetivo dar aos estudantes as ferramentas que necessitam para se tornarem agentes de mudança que direcionem o mundo para um futuro mais sustentável através do seu envolvimento em atividades com origem no meio escolar que sejam divertidas e constituam oportunidades de aprendizagem.
Segundo Jan Eriksen, Presidente da FEE “Inspirar os jovens numa idade em que a educação ambiental pode ter um impacto substancial no seu comportamento mais tarde na vida é essencial para manter o nosso planeta. Ao educar e apoiar as nossas crianças através daquele que é, esperamos, o primeiro de múltiplos Dias Mundiais de Ação, o Eco-Escolas faz a diferença agora e no futuro”.
Em Portugal, a Comissão do Programa da Eco-Escolas é composta pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), que é a representante a nível nacional da FEE, e entidades oficiais diversas que incluem as direções regionais de educação, a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e a Autoridade Florestal Nacional, entre outras.
No seu sitio Web a ABAE anuncia o evento "World Days of Action" como o Dia Internacional das Eco-Escolas, convidando todos os estabelecimentos de ensino que fazem parte do Programa Eco-Escolas a participar. Para tal, cada estabelecimento educativo deve planear uma ação de cariz socio-ambiental que envolva a comunidade em que se insere - uma atividade de limpeza num espaço público ou uma monitorização da biodiversidade num meio florestal, por exemplo – e a que esteja associada uma ação de promoção da sua visibilidade, “para criar um maior efeito de comunicação”.
As escolas que participarem no Evento e publiquem as atividades planeadas, bem como a sua realização na secção do “World Days of Action” do site oficial do Programa Eco-Escolas a nível internacional, habilitam-se a ganhar um dos 10 cheques de desconto de 200 euros que a Stapples, patrocinadora do evento, tem para oferecer.
Saiba mais sobre o evento “World Days of Action” e conheça algumas das ações planeadas aqui
Saiba mais sobre o Programa Eco-Escolas a nível nacional aqui 
Inscreva-se no Programa Eco-escolas preenchendo a Ficha de Inscrição disponível aqui

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


 VISÃO

Os pais também amamentam

 Há cada vez mais pais em licença de paternidade. Fazem parte de uma geração de homens mais participativos e afetuosos que reclamam uma maior proximidade aos seus filhos, ao longo de toda a infância.  

Patrícia Fonseca (Texto) e José Caria (Fotos)


Sozinho em casa
Tito de Almeida, 34 anos, não hesitou quando a mulher lhe colocou a hipótese de ser ele a ficar de licença em casa, a cuidar do filho recém-nascido. Sancha de Almeida, 30 anos, é assistente social no Instituto de Emprego de Coimbra mas trabalha a recibos verdes, só tendo, por isso, direito a seis semanas de licença de maternidade. Há três anos, quando nasceu Santiago, o filho mais velho do casal, estava efetiva num supermercado Lidl o mesmo onde conheceu o marido, que ali chefia uma secção. Hoje, Sancha gosta mais da sua profissão mas, com um contrato precário, não havia outra saída: teria de ser o pai a assumir os cuidados de Gustavo. Incluindo dar-lhe biberões com leite materno congelado.
"Eu sempre fui jeitoso para estas coisas, achei que não ia ser nada do outro mundo. Tinha, também, a experiência do primeiro filho, já sabia dar os banhos, tudo isso... não senti receio nenhum", garante Tito. No supermercado ainda ouviu algumas piadas dos colegas "Vai ser lindo, o Tito a mudar fraldas!", mas os seus chefes, garante, não poderiam ter sido mais compreensivos. Sancha só considerou a hipótese porque conhece bem o homem com quem casou há cinco anos: "É um pai muito dedicado e faz tudo em casa." Ao fim de cinco meses, a aventura chega ao fim. No último dia da licença de paternidade, Tito resume a experiência numa palavra: "Fantástica!" Depois, olha para o filho, sentado a seu lado, e o sorriso enrola-se num nó apertado.
Os dois acabaram por criar uma ligação tão forte como Santiago criou com Sancha. O sentimento surpreendeu um pouco o pai mas não apanhou a mãe desprevenida.
"Ainda estava grávida e já dizia ao meu marido: o Santiago há de ser o 'filho da mãe' e o Gustavo o 'filho do pai'. E isso é notório, há um grande vínculo entre eles. Se o Gustavo começar a chorar, o pai vai lá e ele acalma-se logo. Se calhar, mais facilmente com ele do que comigo."
Pai maternal
Nada que surpreenda o pediatra Mário Cordeiro: "Os pais têm uma enorme componente maternal. Durante muito tempo, esteve abafada, era quase vergonha.
Mas têm-na." No seu consultório da Avenida Guerra Junqueiro, em Lisboa, o médico nota que cresceu o número de pais a acompanhar os filhos às consultas. E, em caso de doença das crianças, já passa tantas declarações a homens como a mulheres, para que justifiquem a falta ao trabalho. "A partilha é cada vez mais natural", considera.
Ainda são poucos os pais a assumirem a licença principal, como foi o caso de Tito de Almeida, mas o facto de o poderem fazer é, por si só, uma conquista rara, a nível mundial. Este reconhecimento da capacidade dos pais para cuidarem sozinhos dos filhos tornou-se oficial há 13 anos, quando foi criada a primeira licença de paternidade em Portugal. Era apenas de três dias opcionais, que, depois, se tornaram em cinco e, mais tarde, em dez dias obrigatórios.
Mas foi só em 2009 que, da cauda da Europa, passámos a caso exemplar: além do nosso país, só Suécia, Finlândia, Alemanha e Áustria preveem que o pai possa tirar licença exclusiva e remunerada.
A lei concebida no ministério do socialista Vieira da Silva visava promover a partilha dos cuidados aos recém-nascidos e essa missão, como provam as estatísticas, está a ser cumprida. Tal como agora Henrique Medeiros e Silva, 36 anos, em 2011 cerca de 55 mil homens fizeram uso desta lei, ficando 20 dias com os seus bebés (dez dias obrigatórios mais dez facultativos) e 17 mil gozaram o último mês da licença a sós, quando a mãe regressou ao trabalho.
Os dias que Henrique passou em licença de paternidade com José e Manuel, hoje com 4 e 2 anos, e com Teresa, de 5 meses, fazem parte das suas memórias mais preciosas. Para poder acompanhar o crescimento dos filhos, trocou o cargo numa grande instituição, em Lisboa, por um menos aliciante. Perdeu, também, um terço do seu já modesto ordenado de assistente social mas passou a trabalhar ao lado de casa, em Setúbal.
"Quando o José nasceu, o Henrique saía de casa às 7 e meia e o menino estava a dormir; depois, regressava por volta das 8 e, se eu já tinha dado o banho e o jantar. era um sofrimento para ele.
Dizia, com grande desalento: 'Já perdi outro banho'", recorda a sua mulher, Ana Júlia, 35 anos. Com o nascimento do Manuel, o pai decidiu mudar de vida.
"Dei por mim a ser incapaz de fazer as duas coisas", recorda. "Uma colega de trabalho pôs-me a pensar naquilo que estava a fazer e decidi abandonar o meu emprego de sonho, procurar algo mais próximo de casa, mesmo com uma menor realização profissional, mas com uma excelência naquilo que, para mim, é o mais importante, que é estar diariamente com eles." Teresa é a terceira dos cinco filhos que o casal deseja ter. Fez agora cinco meses, o que significa que, em casa dos Medeiros e Silva, vai haver uma passagem de testemunho: a mãe regressa ao trabalho, como arquivista da Diocese de Setúbal, e o pai volta para casa, de licença. À terceira ronda, não há banho, fralda ou birra que o assuste. Henrique sempre fez tudo pelos filhos, e com imensa alegria: "Só não dei de mamar porque não podia!"

domingo, 21 de outubro de 2012

@Verdade premiado na Itália

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Escrito por Redação   

O trabalho de intervenção social que tem sido realizado pelo @Verdade, em Moçambique, foi reconhecido na Itália através do prémio “The Africa Media Prize”, no âmbito da preparação para a próxima exposição mundial que vai acontecer em Milão em 2015, sob o lema “Alimentar o planeta, Energia para a vida”.
Na cerimónia de recepção do prémio, Adérito Caldeira, Director Adjunto do Jornal @Verdade, afirmou que este troféu é um estímulo para todos os profissionais que “todos os dias se esforçam para alimentar os cérebros dos moçambicanos com informação e educação, num país onde o acesso à informação, embora sendo um direito constitucional, ainda é um luxo para a grande maioria dos cidadãos”.
Este prémio foi atribuído pela organização da Expo e pela Afronline, durante um encontro que reuniu em Milão, entre 10 e 12 de Outubro, os representantes dos governos que vão participar na Expo 2015 e membros de várias organizações da Sociedade Civil de vários cantos do planeta.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

TVi24

Rapaz com síndrome de Down salvo pelos cães

Menino sobreviveu ao frio porque foi aquecido pelos cães


sdrg

Dos Estados Unidos chega a incrível história do salvamento de um rapaz, de 10 anos, com síndrome de Down. Um resgate feito pelos seus cães de estimação.

Depois de ficar perdido na floresta, o menino só conseguiu sobreviver ao frio do Alabama porque foi aquecido pelos seus cães.

Kyle Camp foi encontrado depois de uma odisseia que durou 15 horas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

 

Hollande defende que não devem ser sempre os mesmos a pagar a crise

François Hollande deu uma entrevista no Eliseu a seis órgãos de comunicação europeus. O francês reitera que o crescimento é a única saída de crise europeia
François Hollande deu uma entrevista no Eliseu a seis órgãos de comunicação europeus. O francês reitera que o crescimento é a única saída de crise europeia Imagem: AFP PHOTO/FRED DUFOUR
Perante uma Alemanha que protela os planos de união bancária acordados entre os membros da zona euro em junho, Hollande promete inverter a situação e continuar com a bandeira do crescimento hasteada, em detrimento da austeridade que está a afogar os países da europa do sul.
Na batalha que esta quinta e sexta-feira põe frente a frente os sócios europeus, Hollande diz ir acelerar a resolução do problema da crise do euro.
O presidente francês pretende demonstrar que a austeridade não é uma fatalidade e que existem caminhos para travar o proliferação da crise financeira na Europa.
Numa entrevista concedida a seis órgãos de comunicação sociais europeus – Guardian, El País, Süddeutschland Zeitung, Le Monde, La Gazzetta e La Stampa – François Hollande advertiu para a necessidade de reuniões mensais dos líderes nacionais dos 17 países da zona do euro, para assim acabar com os chamados encontros de "última chance" que têm apenas contribuído para "sucessos fugazes".
Crise quase resolvida
Numa união a duas velocidades, a união política, segundo Hollande, já não é a prioridade e um tratado constitucional também está fora de questão, pelo menos neste momento.
Entre as medidas defendidas por Hollande estão a diminuição dos custos dos empréstimos a Portugal, Espanha e Itália. Para o líder socialista, a saída da Grécia da união económica também está fora de questão.
“Sobre a saída da zona euro da crise, estamos perto, muito perto. Tomámos boas decisões na reunião de 28 e 29 de junho, que temos o dever de aplicar rapidamente", admitiu, citado pelo Le Monde.
"Primeiro, solucionando definitivamente a situação da Grécia, que tem feito tantos esforços e que deve permanecer na zona euro. Depois, respondendo aos pedidos dos países que têm aplicado as reformas esperadas e que devem passar a obter financiamento com taxas razoáveis. Finalmente, aplicando a união bancária", explicou o líder francês.
"Quero que todas estas questões estejam solucionadas até ao final do ano. Poderemos então iniciar a mudança e o aprofundamento da nossa união", concluiu.
Quanto às preocupações da Alemanha, Hollande é assertivo e afirma que questões de política doméstica e eleitoral não devem fazer parte do caminho de resolução da questão europeia: Merkel "é muito sensível a questões de política interna e às exigências do seu parlamento. Eu percebo e consigo respeitar. Mas todos nós temos a nossa opinião pública. A nossa responsabilidade comum é pôr os interesses da Europa em primeiro lugar",  considerou Hollande.
"Todos nós participamos nesta solidariedade. Franceses, alemães, tal como todos os outros europeus que fazem parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Vamos parar de pensar que um país vai pagar por todos os outros. Isso é falso", garantiu o socialista.

domingo, 14 de outubro de 2012

FOLHA DE S. PAULO

Dilma vai criar cota para negro no serviço público

 

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

O Palácio do Planalto prepara o anúncio para este ano de um amplo pacote de ações afirmativas que inclui a adoção de cotas para negros no funcionalismo federal.
A medida, defendida pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, atingiria tanto os cargos comissionados quanto os concursados.
O percentual será definido após avaliação das áreas jurídica e econômica da Casa Civil, já em andamento.
O plano deve ser anunciado no final de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra (dia 20) e estarão resolvidos dois assuntos que dominam o noticiário: as eleições municipais e o julgamento do mensalão.
O delineamento do plano nacional de ações afirmativas ocorre dois meses depois de o governo ter mobilizado sua base no Congresso para aprovar lei que expandiu as cotas em universidades federais.
A Folha teve acesso às propostas. Elas foram compiladas pela Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e estão distribuídas em três grandes eixos: trabalho, educação e cultura-comunicação.
A cota no funcionalismo público federal está no primeiro capítulo: propõe piso de 30% para negros nas vagas criadas a partir da aprovação da legislação. Hoje, o Executivo tem cerca de 574 mil funcionários civis.
No mesmo eixo está a ideia de criar incentivos fiscais para a iniciativa privada fixar metas de preenchimento de vagas de trabalho por negros.
Ou seja, o empresário não ficaria obrigado a contratar ninguém, mas seria financeiramente recompensado se optasse por seguir a política racial do governo federal.
Outra medida prevê punição para as empresas que comprovadamente discriminem pessoas em razão da sua cor de pele. Essas firmas seriam vetadas em licitações.
EDUCAÇÃO E CULTURA
No campo da cultura, há uma decisão de criar incentivos para produtores culturais negros. Na semana passada, a ministra Marta Suplicy (Cultura) já anunciou que serão lançados editais exclusivos para essa parte da população.
No eixo educação, há ao menos três propostas principais: 1) monitorar a situação de negros cotistas depois de formados; 2) oferecer aos cotistas, durante a graduação, auxílio financeiro; 3) reservar a negros parte das bolsas do Ciências sem Fronteira, programa do governo federal que financia estudos no exterior.
A implantação de ações afirmativas é uma exigência do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado pelo Congresso em 2010, o último ano do segundo mandato de Lula.
Segundo o estatuto, é negro aquele que se diz preto ou pardo --juntas, essas duas autodefinições compõem mais da metade dos 191 milhões de brasileiros, de acordo com o Censo de 2010.
ESSENCIAL
O plano é tido no governo como essencial para diminuir a desigualdade gerada por diferenças de cor e ampliar a queda na concentração de renda na última década.
Nesse sentido, o plano, ao usar unicamente critérios raciais, seria mais cirúrgico do que o sistema de cotas aprovado pelos congressistas em agosto, que reserva metade das vagas nas federais para alunos egressos de escolas públicas e, apenas nessa fatia, institui a ocupação prioritária por negros e índios.
Politicamente, será um forte aceno da gestão Dilma aos movimentos sociais, com os quais mantém uma relação distante e, em alguns momentos, conflituosa --como durante a onda de greves de servidores neste semestre.
DN
Ciência

Células estaminais geram primeira tiróide 'in vitro'

por Lusa, texto publicado por Isaltina Padrão
Células estaminais foram usadas, pela primeira vez, para recriar com êxito a tiróide de um ratinho que não tinha a glândula, abrindo novas perspetivas ao uso terapêutico daquelas células, noticiou hoje a agência AFP.
Para gerar a primeira tiroide 'in vitro', uma equipa de cientistas da Universidade Livre de Bruxelas utilizou células estaminais (células que se dividem e diferenciam noutras células).
Depois de várias tentativas, o grupo adotou o "procedimento correto" para transformar as células estaminais em "tecido de tiroide produtor de hormonas", como o faz a tiróide em estado natural, explicou Francesco Antonica, um dos membros da equipa.
O tecido foi, depois, transplantado com êxito num ratinho que não tinha tiroide.
Segundo o investigador Francesco Antonica, o enxerto foi capaz de produzir hormonas da tiróide de "uma maneira prolongada, eficaz e regular".
As hormonas da tiróide são essenciais para o crescimento e a maturação do esqueleto e do sistema nervoso.
Expresso
Grupo de 20 peritos vai 'tratar' da saúde dos portugueses 

Vera Lúcia Arreigoso (www.expresso.pt)

Como é que um país sem dinheiro pode continuar a pagar as inovações em Saúde, como os medicamentos de última geração? A primeira tentativa de resposta é já na terça-feira.
Numa iniciativa inédita, 20 peritos portugueses conhecedores do setor da Saúde nacional vão sentar-se à mesa para tentar encontrar formas para o Estado continuar a dar aos doentes medicamentos inovadores mesmo em tempo de crise. O projeto, Latitude, prolonga-se por três anos e a primeira reunião está marcada para terça-feira. 
O grupo de reflexão junta nomes como o investigador Sobrinho Simões, o administrador hospitalar Adalberto Campos Fernandes, os deputados Teresa Caeiro e João Semedo, o ex-secretário de Estado da Saúde Óscar Gaspar, entre outros, e é coordenado pela deputada socialista e antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira. 
A sociedade civil também vai poder dar o seu contributo para a discussão, no sítio na Internet www.iniciativalatitude.org 
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/grupo-de-20-peritos-vai-tratar-da-saude-dos-portugueses=f759716#ixzz29GmklERH

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


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Paul Krugman. Era possível acabar com esta crise já. Se “eles” quisessem

Por Ana Sá Lopes
Os instrumentos económicos existem mas a opinião política dominante proíbe o fim da crise. Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, apela ao fim dessa corrente austeritária, sacrificial e assassina de empregos. Ana Sá Lopes leu e gostava de assinar por baixo

  • Paul Krugman

terça-feira, 9 de outubro de 2012


PÚBLICO

FMI reconhece que calculou mal o impacto da austeridade na economia

 Por Sérgio Aníbal, com Pedro Crisóstomo e Isabel Arriaga e Cunha
<p>O FMI, liderado por Christine Lagarde, reviu em baixa a previsão de crescimento mundial</p>
O FMI, liderado por Christine Lagarde, reviu em baixa a previsão de crescimento mundial
 (Foto: Jason Reed/AFP)
No relatório em que reviu em baixa as previsões para a economia mundial, o FMI começou a corrigir algumas contas: por cada euro de austeridade, a economia não cai 0,5 euros, mas sim entre 0,9 e 1,7 euros
Ao fim de mais de dois anos de austeridade na Europa, com várias previsões de crescimento revistas em baixa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou mais um mea culpa, algo que já se começa a tornar hábito na instituição.

No relatório semestral sobre o estado da economia mundial tornado público ontem à noite, o FMI reconhece que as medidas de contenção orçamental aplicadas em vários países em todo o Globo estão a ter, nos últimos anos, um impacto negativo na economia muito maior do que aquilo que os modelos que estão a ser utilizados previam. Entre as vítimas destes erros de cálculo estão os países que, na Europa, têm vindo, ainda sem sucesso, a apostar em políticas de forte austeridade para resolver os seus problemas orçamentais, como a Grécia e Portugal.

Numa caixa intitulada "Estaremos a subestimar os multiplicadores orçamentais de curto prazo?", os responsáveis do Fundo tentam perceber porque é que as suas previsões (e também as de outras instituições) para a evolução das economias têm vindo a falhar durante esta crise.

E a conclusão a que chegam é impressionante. Enquanto que nos modelos de projecção usados, se estimava que, por cada euro de cortes de despesa pública ou de agravamento de impostos se perdia 0,5 euros no PIB, a realidade mostrava que esse impacto (os chamados multiplicadores) é muito maior. Afinal, desde que começou a Grande Recessão, em 2008, o que os dados económicos mostram é que por cada euro de austeridade, o PIB está a perder um valor que se situa no intervalo entre 0,9 e 1,7 euros.

"Esta descoberta é consistente com investigação que sugere que, no actual ambiente de fraca utilização da capacidade produtiva, de política monetária limitada pelas taxas de juro zero e de ajustamento da política orçamental simultâneo em vários países, os multiplicadores podem estar bem acima de um", escreve-se no relatório do FMI. A conclusão: "Mais trabalho sobre como os multiplicadores orçamentais dependem do tempo e das condições económicas é necessário".

Um erro tão significativo no cálculo do impacto económico das medidas de austeridade teve consequências evidentes nas políticas seguidas em vários países, incluindo necessariamente aqueles que têm vindo a receber apoio financeiro e técnico do FMI como Portugal. Aliás, o próprio Governo português já revelou ter sido surpreendido pela forma como evoluiram, durante este ano, variáveis económicas como o desemprego e a procura interna, o que acabou por ter consequência também ao nível do défice orçamental.