Por Marta Cerqueira publicado em 29 Jan 2014 - 18:31
Suécia desiste de Olímpicos de 2022 para não gastar dinheiro dos contribuintes
Ainda na corrida estão as cidades de Almaty (Cazaquistão), Beijing (China), Cracóvia (Polónia), Lviv (Ucrânia) e Oslo (Noruega)
A
Suécia desistiu da candidatura para receber os Jogos Olímpicos de
Inverno de 2022 para não gastar o dinheiro dos contribuintes.
O governo apresentou três argumentos para justificar a decisão: a
cidade de Estocolmo tem outras prioridades, seria gasto demasiado
dinheiro e um eventual prejuízo com a organização dos Jogos teria que
ser coberto com o dinheiro dos contribuintes.
A Suécia já tinha sido anfitriã da competição no Verão de 1912 e
tentava agora tornar-se na primeira cidade a receber os jogos nas duas
estações (Verão e Inverno).
Ainda na corrida estão as cidades de Almaty (Cazaquistão), Beijing
(China), Cracóvia (Polónia), Lviv (Ucrânia) e Oslo (Noruega).
EXPRESSO
Edward Snowden indicado para Nobel da Paz
Dois deputados noruegueses defendem que o antigo
analista da NSA norte-americana contribuiu para que o mundo se tornasse
um lugar mais seguro.
André de Atayde
Getty Images
Edward Snowden foi acusado de espionagem pela justiça norte-americana
O antigo analista da Agência de Segurança
Nacional (NSA) dos EUA, Edward Snowden, foi indicado hoje por dois
deputados noruegueses para o Prémio Nobel da Paz.
Na base da argumentação de Bard Vegar Solhjell,
ex-ministro da Educação e do Meio Ambiente, e Snorre Valen está o facto
de Snowden ter revelado documentos secretos, contrubuindo dessa forma
para que o mundo se tornasse um lugar melhor, mais seguro.
Segundo eles, Edward Snowden contribuiu para que o
debate público sobre o direito à privacidade e a espionagem acontecesse.
"Um mundo pacífico depende da confiança entre Nações e entre pessoas.
Nada disso será possível sem um nível básico de confiança. Edward
Snowden revelou a natureza e a capacidade tecnológica da vigilância
moderna", escreveram em comunicado.
As nomeações para o Nobel da Paz deste ano fecham no sábado e o vencedor é anunciado em outubro.
Recorde-se que Edward Snowden vive atualmente na
Rússia, país que lhe deu asilo depois de ter fugido dos EUA, onde foi
acusado de espionagem pela justiça norte-americana.
sábado, 25 de janeiro de 2014
EXPRESSO
"A fome de cultura é a raiz de todas as fomes"
Soromenho Marques e Pedro Abrunhosa são dois dos
subscritores do "Manifesto contra a crise", que vai ser apresentado dia
29 na Fundação Gulbenkian.
Manuela Goucha Soares
"Portugal está a empobrecer duplamente. A
fome de cultura é a raiz de todas as fomes. A prazo, estamos a hipotecar
o nosso progresso porque estamos a expulsar perdulariamente os nossos
melhores jovens para o estrangeiro, sem fazer nada fazer para os fixar
cá", disse ao Expresso o historiador José Eduardo Franco, 'pai' do
projeto inicial do "Manifesto contra a crise", que já foi assinado por
mais de 130 artistas, escritores, investigadores e outros trabalhadores
intelectuais.
"Considero que o aspeto mais positivo da nossa adesão à
Uniao Europeia foi a criação de uma elite altamente qualificada. E
agora estamos a expulsá-los, e ao fazer isso estamos a contribuir para
prejudicar irremediavelmente o país a prazo", acrescentou José Eduardo
Franco: "Estamos a expulsar o nosso ouro. Daqui a uns anos vamos ter de
os comprar se os quisermos cá ter de novo".
No dia 29, vai ser aberta uma plataforma pública para subscrição do Manifesto.
Um período semelhante à Inquisição
A ideia de fazer este Manifesto surgiu no âmbito das
Tertúlias Letras com Vida , organizadas pelo CLEPUL, um centro de
investigação da Faculdade de Letras de Lisboa, fundado no ano da
Revolução dos Cravos, e pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).
"Fomos interpelados por quem participa nas Tertúlias -
uma plataforma com mais de 30 instituições no âmbito da cultura e da
ciência - e decidimos tomar uma posição", disse ao Expresso Annabela
Rita da direção do CLEPUL.
"Temos de saber tirar lições da história, e esta
mostra-nos que a saída de um escol intelectual do país corresponde
sempre ao início de um ciclo recessivo, porque desaparece a massa
crítica que pode contribuir para a construção" do país, acrescenta
Annabela Rita.
José Eduardo Franco diz que "precisamos de um
compromisso cultural das empresas. A situação que vivemos atualmente,
pode ser comparada ao período da Inquisição e consequente expulsão dos
judeus. Expulsámos a nossa melhor elite, e esse facto conduziu-nos a
uma situação de atraso e desfasamento que se prolongou no tempo".
Novas Conferências do Casino
Os subscritores do Manifesto querem um debate sobre
temas de ruptura na sociedade portuguesa, e vão promover ainda em 2014
as Novas Conferências do Casino.
"Este Manifesto não é partidário. Mas é uma tomada de
posição sobre a política cultural de construção do país . Este processo
de empobrecimento que se vive atualmente não acontece só em Portugal. É
internacional, e sentimos que as ciências humanas estão a sentir esse
estrangulamento", disse Annabela Rita.
Os mais de 130 signatários iniciais do Manifesto
criticam as políticas que levaram à "saída de portugueses qualificados
do país, cerca de 20% de licenciados, especialmente jovens, penhor do
nosso futuro".
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Sapo Mulher e Saber ViverSaúde
Vem aí a vacina do cancro da mama?
Nova fórmula preventiva já está a ser testada em mulheres norte-americanas
Já existiram várias em investigação mas os resultados das experiências laboratoriais nunca se revelaram convincentes.
A mais recente vacina, desenvolvida por cientistas americanos, já a
ser testada em mulheres, reacende a esperança na prevenção da doença,
que regista 4.500 novos casos por ano.
Os últimos dois meses de 2013 foram decisivos.
Assim que a Cleveland Clinic Innovations anunciou que pretendia
apresentar a vacina preventiva do cancro da mama (desenvolvida nos seus
laboratórios em 2010) à Food and Drugs Administration (FDA ), para dar
início aos primeiros testes clínicos em mulheres, através da Shield
Biotech, uma empresa criada para esse efeito, a esperança de milhares de
pessoas pelo mundo inteiro voltou a acender-se.
Ter-se-à,
finalmente, encontrado a fórmula eficaz para combater uma das
patologias mais temidas pelas mulheres? «Para já, ainda estão a começar
os primeiros ensaios clínicos em humanos, a fase 1», diz cautelosa a
médica oncologista Ana Castro, do Hospital Beatriz Ângelo, de Loures,
que explica que «a primeira etapa desta fase é feita em mulheres com
cancro da mama triplo negativo para prevenir a recidiva e a segunda
etapa em mulheres saudáveis voluntárias».
O
objetivo deste primeiro estágio é avaliar essencialmente a segurança e a
tolerância ao medicamento. Desenvolvida por uma equipa de cientistas da
Clinica Cleveland, chefiada pelo imunologista Vicent Tuohy, a vacina em
causa mostrou ser segura e cem por cento eficaz na prevenção do cancro
da mama em ratos, uma vez que reduziu o crescimento de tumores já
formados e o crescimento do cancro triplo negativo.
Aliás,
o «alvo da vacina é precisamente uma proteína expressa por este tipo de
tumor da mama, o mais agressivo de todos», explica Ana Castro. Se a
vacina funcionar com os humanos da mesma forma que funcionou com os
ratos em laboratório, médicos e cientistas concordam que estaremos
perante um «enorme avanço científico». Mas, mesmo que assim seja, ainda
vão passar muitos anos até a vacina ser lançada no mercado, como o
próprio responsável pela investigação, Vicent Tuohy, admitiu, ao jornal
Nature Medicine.
«Se
resultar numa primeira fase, a vacina poderá ter indicação para evitar
recidivas. Não é um verdadeiro conceito de vacina por não ser
administrada antes de existir doença, mas de imunoterapia, para prevenir
recidivas ou metastização do tumor», explica a médica oncologista. Nos
últimos anos, existiram várias vacinas do cancro da mama em
investigação.
Mas
tiveram pouco êxito. «Não passaram na fase 3, para validar a sua
eficiência num maior número de doentes», observa Ana Castro,
esclarecendo que a dificuldade de criar uma vacina preventiva do cancro
da mama «fica a dever-se ao facto de não haver um só tipo de tumor e dos
tumores terem mecanismos de resposta diferentes à terapêutica».
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Photo : Le fabuleux joueur n'en est pas à son premier acte de solidarité... (DR)
L’attaquant
vedette du Real Madrid, Cristiano Ronaldo, fait un don de 1,5 million
d'euros aux enfants de Gaza. Un geste fort qui témoigne d'une prise de
conscience admirable. A Gaza, les enfants ont payé le plus lourd tribut
lors des derniers pilonnages israéliens, plusieurs d'entre-eux sont
morts sous les bombes.
L’attaquant vedette a remis son Soulier d’Or de 2011 à la fondation
Real Madrid, qui a son tour l’a vendu aux enchères, selon des sources
concordantes. Cette somme ira aux petits écoliers de Gaza piégés dans un
impitoyable blocus.
Le fabuleux joueur n'en est pas à son premier acte de solidarité.
L'an dernier, il avait vendu la plupart de ses chaussures de sport lors
d'une vente aux enchères Fondation Real Madrid, qui a également été
consacrée à la collecte de fonds pour les écoles dans la bande de Gaza,
selon de nombreux médias.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
SapoSaúde
Médica e enfermeira voluntárias dão consultas gratuitas em Junta de Famalicão
As duas profissionais vão assegurar os cuidados mais simples
A Junta de Freguesia de Cruz, em Famalicão, disponibiliza à
população, nas suas instalações, cuidados de saúde primários gratuitos,
graças ao trabalho voluntário de uma médica e de uma enfermeira,
informou hoje o presidente.
António Simões disse à Lusa que, para o efeito, a Junta investiu cerca de 5.000 euros em material.
“Entendemos que, nos tempos difíceis que o país atravessa, este
era um investimento que merecia prioridade, sobretudo para minimizar os
problemas dos idosos e dos mais carenciados”, referiu.
O autarca lembrou que na freguesia não há qualquer unidade
pública de saúde, o que obriga os utentes a deslocações ou até Vale S.
Cosme, a cerca de dois quilómetros, ou até à sede do concelho, que fica a
cerca de seis quilómetros.
Deslocações que, como acrescentou António Simões, “além de incómodas, são também onerosas”.
“Muitas vezes, os utentes precisam de coisas muito simples, que podem perfeitamente ser resolvidas aqui”, sublinhou.
A enfermeira, que já atende na Junta desde o início de dezembro, está disponível todos os sábados, de tarde.
O atendimento por parte da médica começará no próximo dia 25 e
decorrerá, por norma, no último sábado de cada mês, entre as 09:00 e as
12:30.
Segundo o autarca, as duas profissionais de saúde prestarão
serviços como curativos ou medição da tensão arterial, do ritmo cardíaco
ou da glicemia.
A médica poderá ainda passar receitas para medicamentos que os
utentes tomem para doenças crónicas, poupando-os assim a deslocações até
outras unidades de saúde que, no melhor dos casos, ficam a cerca de
dois quilómetros, sempre fora da freguesia.
“A ideia não é a substituição do médico de família, nem pouco mais ou menos”, ressalvou o autarca.
Assim, na Junta, serão assegurados os cuidados mais simples,
cabendo ainda às duas profissionais voluntárias o “aconselhamento” dos
utentes e a sinalização e encaminhamento dos casos mais complicados para
as unidades de saúde.
Lusa
Sapo Saúde
Dentistas do Bem chegam ao Interior Norte para tratar crianças e jovens carenciados
Dentistas do Bem em Portugal soma cerca de 480 médicos voluntários, que atendem mais de 1300 jovens
A rede Dentistas do Bem chegou ao Interior Norte de Portugal,
sendo a vila de Mogadouro a primeira localidade desta região a acolher o
serviço prestados por médicos dentistas voluntários que vão realizar
consultas dentárias a criança e jovens carenciados.
"É importante chegar ao interior do país. Ainda não tínhamos
conseguido ativar o projeto no Interior Norte e assim Mogadouro é
primeira localidade desta região a acolher a nossa iniciativa", disse à
Lusa Carla Graça, representante da Turma do Bem.
A Turma do Bem é uma Organização Não Governamental (ONG), cujo
principal projeto é o Dentista do Bem, quer começar o ano de 2014 a
espalhar sorrisos de norte a sul de Portugal, e "escolheu" Mogadouro
para ajudar a descentralizar o projeto que até agora ainda não tinha
chegados aos distritos de Bragança, Vila Real ou Guarda.
Em Mogadouro, foram seleccionados 20 jovens do agrupamento de
escolas local, dos quais os que mais necessitam de tratamento serão
"adotados" dos 11 até aos 18 anos por um Dentista do Bem que acompanhará
e fará todo o tratamento necessário. "A ideia do projeto passa por
tratar crianças e jovens que noutras situações não tinham possibilidades
de fazer este tipo de consulta e acompanhamento dentário", acrescentou a
responsável.
Para Irene Louçano, presidente do Agrupamento de Escola de
Mogadouro, esta iniciativa "é de louvar", já que se nota que há
"necessidades "que têm se ser colmatadas.Agora, a responsável gostaria
de ver a medida" mais alargada" e que pudesse servir a mais alunos, já
que de momento só foram seleccionados 20 adolescentes.
Os tratamentos são feitos gratuitamente nos consultórios dos
cerca de 480 médicos dentistas que aderiram à iniciativa: os Dentistas
do Bem. Já Maurício Colpas Trigo, o coordenador local dos Dentistas do
Bem, refere que para além de ser um "desafio" é um projeto que envolve
"socialmente crianças e jovens que estão em idade de ter uma boa saúde
dentária". "O facto de começar a ser um projeto descentralizado sucede
porque acreditamos que a iniciativa terá de vista num contexto mais
abrangente que não inclua só as cidades do litoral", enfatizou o médico
dentista.
As crianças e os jovens são escolhidos durante uma triagem que é
realizada por um profissional de saúde e um elemento da Turma do Bem, os
quais se deslocam a instituições e escolas para averiguar quem precisa
de cuidados dentários e não os pode pagar.
Atualmente, a rede de Dentistas do Bem em Portugal soma cerca de
480 médicos voluntários, que já atendem mais de 1300 jovens. "A ideia é
criar nos próximos tempos uma rede de 500 médicos dentistas para assim
conseguirmos chegar as mais crianças e jovens carenciados", frisou
Maurício Colpas Trigo. A nível mundial, mais de 41 mil jovens recebem os
préstimos dos já mais de 15 mil dentistas do bem, fazendo do projeto a
maior rede de voluntariado especializado do mundo, revelou a
organização.
Lusa
domingo, 12 de janeiro de 2014
PUBLICO
Reforma da lei do aborto pode sair cara ao governo de Rajoy
Sondagens colocam socialistas à frente dos populares nas
preferências eleitorais. Partido do Governo prejudicado pela polémica em
torna das alterações à lei do aborto.
O desempenho de Mariano Rajoy à frente do Governo merece a desaprovação de 78% dos espanhóis REUTERS/Juan Medina
O anteprojecto aprovado pelo Governo conservador
espanhol para restringir significativamente os critérios para a prática
legal do aborto – que já ficou conhecido como a “lei Gallardón” – merece
a oposição de mais de 80% dos espanhóis, revela uma sondagem da empresa
Metroscopia para o diário El País.
E, no que serão ainda
piores notícias para o executivo de Mariano Rajoy, com a aprovação da
lei, o Partido Popular corre o risco de excluir e afugentar uma parcela
significativa da sua base eleitoral, e garantir a vitória dos
socialistas nas próximas eleições legislativas, em 2015.
Os
números relativos à preferência dos eleitores colocam o partido
socialista espanhol (PSOE) à frente, com 33,5% das intenções de voto,
contra 32% do Partido Popular (embora, por causa da margem de erro da
sondagem, os dois partidos se encontrem em situação de empate técnico).
Tendo em conta os resultados das legislativas de Novembro de 2011, é uma
queda abrupta dos populares, que alcançaram a vitória com 44,6% dos
votos, e uma recuperação ligeira dos socialistas, que têm vindo
gradualmente a recuperar nas sondagens dos 28,7% que conquistaram há
pouco mais de dois anos.
Durante este tempo, é a segunda vez que
os socialistas estão mais bem colocados do que os seus adversários
políticos: em Agosto do ano passado, gozavam de uma vantagem
insignificante de 30,5% contra 30,1 do partido do Governo. Mas face aos
resultados da sondagem de Dezembro último, é quase uma inversão de
posições. Nessa altura, os populares lideravam com 33,9%, enquanto os
socialistas se mantinham na fasquia dos 31,5%.
Os responsáveis
pela sondagem advertem contra o estabelecimento de um nexo de
causalidade entre a apresentação do projecto de reforma da lei do aborto
– e a sua aprovação em Conselho de Ministros, que provocou um pequeno
terramoto político em Espanha – e a quebra das intenções de voto no PP
ou da popularidade do primeiro-ministro Mariano Rajoy. De acordo com a
mesma sondagem, 78% dos eleitores “desaprovam” da gestão do
primeiro-ministro e 71% dizem que o desempenho do Governo se baseia no
“improviso”.
Como notava o El País, falta comprovar se as
apreciações negativas “são fruto de um acontecimento concreto e
conjuntural” ou se esta quebra será confirmada em sondagens posteriores
como “uma tendência”. Mas para os analistas, os resultados do inquérito
permite concluir que “em termos estratégicos e eleitorais, a decisão de
Rajoy de avançar com a reforma da lei do aborto tem mais
contra-indicações do que benefícios para o PP”.
O maior prejuízo
apontado pelos comentadores tem a ver com um potencial afastamento dos
eleitores flutuantes do centro, que não se revêem no discurso
ultra-conservador do PP, e a simultânea mobilização do eleitorado de
esquerda, que pode acrescentar um novo tema à sua campanha contra a
“política de cortes” do Governo de Rajoy.
O projecto subscrito
pelo ministro da Justiça Alberto Ruiz-Gallardón acaba com a actual regra
que atribui às mulheres o direito a interromper a gravidez até às 16
semanas, de forma livre e sem necessidade de apresentar qualquer
justificação. A ser aprovada, a nova lei só autoriza o aborto nos casos
em que as mulheres grávidas corram um grave risco de vida, ou quando a
gravidez resulte de abusos sexuais. Outras situações excepcionais antes
consideradas, como por exemplo a malformação do feto, deixam de ser
atendidas como razões para o aborto.
Quando questionados se
concordavam ou discordavam com a declaração “Qualquer mulher grávida
deve ter o direito de decidir livremente se quer prosseguir ou não com a
sua gravidez”, uma esmagadora maioria de 84% disse estar de acordo.
Dividindo essa resposta entre os inquiridos que se identificaram como
eleitores do PP e eleitores do PSOE, constatou-se que 68% dos
conservadores estavam de acordo com o direito ao aborto e que 96% dos
socialistas se identificavam com a lei que foi aprovada pelo anterior
Governo de Rodríguez Zapatero. Entre os eleitores que se descreveram
como católicos praticantes, também se verifica uma maioria a favor do
direito da mulher a decidir: 60% respondeu concordar com a afirmação
(esse número dispara para os 89% entre os católicos não praticantes e
para os 95% entre os que se declaram não-crentes).
A irritação do
eleitorado com a reforma da lei do aborto fica clara com as respostas às
perguntas sobre a sua oportunidade (78% dizem que não havia necessidade
de mudar a legislação) ou sobre as pressões sociais: 75% dos inquiridos
consideram que não existia uma “demanda” da sociedade espanhola que
justificasse a alteração da lei. Por uma margem idêntica de 75%, os
espanhóis estimam que “o Governo impulsionou a reforma para agradar aos
sectores mais conservadores da Igreja Católica”.
Em editorial, o El País
chama a atenção para um outro dado importante que a sondagem da
Metroscopia pôs em evidência: nove em cada dez espanhóis reclamam que os
deputados possam votar em consciência o projecto de reforma da lei do
aborto, e não sejam obrigados a seguir a disciplina partidária. “A
liberdade de voto é um assunto importante, no que diz respeito aos usos e
práticas parlamentares, porque confirma a exigência social de um laço
nítido entre o que pensam os eleitores e o que devem fazer os eleitos”,
escreve o diário.
Nesse sentido, prossegue o El País, a
insistência do Partido Popular em fazer aprovar esta lei não é só um
“manifesto erro político” por esbarrar contra os desejos dos espanhóis –
é também a demonstração da sua forma de governar com “mão-de-ferro”.
VISÃO
Calendário "gay" criado por cristãos ortodoxos
O objeto artístico, que tem sido alvo de críticas, procura alertar
para casos de corrupção e encobrimento de escândalos no seio da Igreja
Ortodoxa
Um novo calendário criado por cristãos ortodoxos romenos é
constituído por imagens de modelos masculinos em poses sensuais e está a
causar polémica na comunidade cristã.
A edição de 2014 do "Ortodox Calendar", presta tributo ao casamento
homossexual dentro da Igreja Ortodoxa que é, segundo um responsável pelo
calendário em declarações ao Huffington Post, "uma situação noticiada
em todo o mundo e bastante intemporal".
A produção, que não foi realizada com recurso a verdadeiros sacerdotes,
foi bem recebida por parte de alguns cristãos membros da Igreja
Ortodoxa, que aceitaram despir-se em nome da permissão do casamento
homossexual dentro da Igreja.
Com o tema "Liberdade de Expressão, Unidade e Tolerância", o calendário
foi elaborado com o objetivo de defender a liberdade de decisão dos
crentes ortodoxos sobre as suas preferências românticas e sexuais.
Algumas imagens englobam ainda alguma sátira relativa aos vários
escândalos de corrupção, repressão artística e encobrimentos de casos de
homossexualidade recentes dentro da Igreja Ortodoxa.
A primeira edição deste calendário foi lançada em 2012, por membros da Igreja Ortodoxa originários do Leste da Europa.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Diário Digital
Novo tratamento «elimina cancro do pâncreas em seis dias»
Investigadores da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, dizem ter
descoberto um tratamento que poderia eliminar o cancro do pâncreas em
cerca de uma semana.
Após identificarem como funciona a barreira
protectora que circunda os tumores, os cientistas desenvolveram uma
droga que consegue rompê-la, permitindo que o sistema imunológico do
corpo mate as células cancerígenas.
Testes iniciais do tratamento - que consiste em doses do medicamento
combinadas com uma substância que potencializa a acção das células de
defesa do organismo - resultaram na eliminação quase total do cancro em
ratos de laboratório em seis dias.
As conclusões foram divulgadas na publicação científica americana
PNAS. De acordo com a Universidade de Cambridge, é a primeira vez que se
consegue um resultado como este é conseguido em pesquisas sobre o
cancro do pâncreas.
O tratamento também poderia ser usado noutros tipos de tumores
sólidos - como em casos de cancro do pulmão e de ovário - caso seja
bem-sucedido.
O cancro do pâncreas, um dos mais letais, é a oitava causa mais comum
de mortes por cancro no mundo. Ela afecta homens e mulheres igualmente e
é mais frequente em pessoas com idade acima dos 60 anos.
A nova pesquisa, liderada pelo professor Douglas Fearon, observou
que a barreira em volta das células do cancro é formada pela proteína
quimiocina CXCL12, que é produzida por células especializadas do tecido
conjuntivo - responsável por unir e proteger os outros tecidos.
A proteína envolve as células do cancro e forma uma espécie de escudo
contra as células T - que fazem parte do sistema de defesa do
organismo.
O novo tratamento impede que as células T interajam com a proteína
CXCL12. Desta forma, o «escudo» deixa de funcionar e as células
conseguem penetrar no tumor.
«Ao permitir que o corpo use as suas próprias defesas para atacar o
cancro, esta solução tem o potencial de melhorar muito o tratamento de
tumores sólidos», disse Fearon.
De acordo com a Universidade de Cambridge, ainda não há data para testes clínicos em seres humanos.
Por apresentar poucos sintomas nos seus estágios iniciais, o cancro
pancreático costuma ser diagnosticado somente em estágio mais avançado.
O fundador da Apple, Steve Jobs, e o actor americano Patrick Swayze estão entre as vítimas famosas da doença.