segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sapo Notícias

Mulheres juristas saúdam convenção contra a violência doméstica e assédio sexual

Ratificada por 11 países, a Convenção de Istambul entra em vigor a 1 de agosto

Mulheres juristas saúdam convenção contra a violência doméstica e assédio sexual

A presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ), Teresa Féria, saudou hoje a entrada em vigor, a 01 de agosto, da Convenção para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica.
Com a ratificação de Andorra e Dinamarca, sobe para 11 o número de Estados que aderiram à Convenção de Istambul, ultrapassando as 10 ratificações exigidas para que o tratado entrasse em vigor.
Assim, o tratado irá entrar em vigor a 01 de agosto em todos os países que a tenham ratificado, incluindo Portugal.
Em declarações à agência Lusa, Teresa Féria adiantou que a entrada em vigor da convenção irá trazer benefícios para as vítimas de violência de género ao criminalizar comportamentos de violência, como o ‘stalking’ (assédio persistente) e o assédio sexual.
A convenção estabelece a criminalização ou outras sanções legais para comportamentos de violência física e psicológica, violência sexual, casamento forçado, mutilação genital feminina, aborto forçado e esterilização forçada.
Teresa Féria explicou que a “consequência mais imediata” da entrada em vigor da convenção “é que vai ter que ser desencadeado um processo legislativo para conformação de várias disposições legislativas portuguesas” com a Convenção de Istambul, à semelhança do que outros países já fizeram.
“Do nosso ponto de vista, vamos ter que mexer, pelo menos, no direito penal, no direito processual penal e no direito da família”, sublinhou a presidente da associação, lembrando que Portugal foi dos primeiros países a ratificar a Convenção de Istambul.
Este tratado constitui-se no primeiro conjunto de normas juridicamente vinculativas em matéria de prevenção e combate à violência contra as mulheres e violência doméstica na Europa, exigindo que os Estados Partes previnam esta violência, protejam as vítimas, julguem os autores e coordenem medidas através da adoção de políticas abrangentes.
Abrange mulheres e raparigas, de qualquer meio, idade, raça, religião, origem social, estatuto de migração ou orientação sexual, entre outros fatores.
A convenção reconhece que existem grupos de mulheres e raparigas que se encontram frequentemente em maior risco de sofrer violência e os Estados devem garantir que as suas necessidades específicas são tomadas em consideração.
Os Estados são também encorajados a aplicar a convenção a outras vítimas de violência doméstica, tais como os homens, as crianças e os idosos.
A Convenção determina a constituição de um grupo de peritos independentes que publicará relatórios avaliando em que medida os Estados Partes estão a cumprir as normas impostas pela Convenção.
Albânia, Andorra, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Itália, Montenegro, Portugal, Sérvia, Espanha, Turquia e Dinamarca são atualmente os Estados Partes da Convenção, que foi aberta à assinatura em 2011.
Lusa

sábado, 26 de abril de 2014

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Alda Sousa Por que renunciou deputada "a privilégios" de milhares de euros

A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Alda Sousa, decidiu renunciar ao subsídio de reinserção de 12.400 euros e à pensão mensal vitalícia de 556,98 euros a que tinha direito, e explica ao Diário de Notícias por que decidiu fazê-lo.
Política
Por que renunciou deputada a privilégios de milhares de euros
DR
Alda Sousa, eurodeputada do Bloco de Esquerda, regressa a Portugal depois de um período profissional entre Estrasburgo e Bruxelas. De volta a casa, a deputada de esquerda tinha direito, tal como todos os restantes eurodeputados portugueses, a um subsídio de reinserção e a uma pensão mensal como prémio pelo trabalho realizado fora de Portugal, mas Alda Sousa renunciou a estas benesses.
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De volta a Portugal, Alda Sousa revela que vai voltar à vida académica, onde é professora. A deputada do Bloco de Esquerda disse ao Diário de Notícias que tinha direito a um subsídio de reintegração de 12.400 euros e, a partir dos 63 anos, a uma pensão vitalícia de 556,98 euros, valores a que decidiu renunciar primeiro porque o seu regresso à educação “não é considerado como uma reintegração”, e segundo porque defende que “a pensão vitalícia deveria terminar”.
“Uma pensão vitalícia associada ao exercício do mandato público é diferente de uma pensão social ou contributiva; é um privilégio com o qual não concordo!”, assinalou, defendendo que os descontos que “cada um faz durante o seu mandato devem contar apenas para o cálculo da reforma”.
Quanto aos salários pagos aos eurodeputados, Alda Sousa defende que não são tão altos quanto se possa pensar, tendo em conta que o nível de vida no estrangeiro é mais elevado e tendo também em conta que um deputado que saia do país, além de ter que pagar contas no novo país de residência, tem de continuar a suportar as despesas em Portugal.
De qualquer forma, a bloquista insurge-se “contra os verdadeiros privilégios e contra as ajudas que considera supérfluas, como por exemplo, as viagens em classe executiva”.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

 

Cientistas invertem perda de memória em ratos com Alzheimer
A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência
Cientistas espanhóis anunciaram hoje o uso pela primeira vez de terapia de genes para inverter a perda de memória em ratos com Alzheimer, um avanço que poderá levar a novos medicamentos para tratar a doença.
A equipa da Universidade Autónoma de Barcelona injetou em ratos que se encontravam nas fases iniciais da doença um gene que desencadeia a produção de uma proteína que está, em doentes com Alzheimer, bloqueada no hipocampo – uma área do cérebro essencial para o processamento de memórias.
“A proteína que foi reconstituída através da terapia de genes desencadeia os sinais necessários para ativar os genes envolvidos na consolidação da memória de longo prazo”, indicou a universidade em comunicado.
A terapia de genes consiste em transplantar genes em células do paciente para corrigir a doença que é, de outra forma, incurável, causada pela falência de um ou outro gene.
A descoberta foi publicada no Journal of Neuroscience e surgiu após quatro anos de investigação.
“A esperança é que este estudo possa levar ao desenvolvimento de drogas farmacêuticas que possam ativar estes genes em seres humanos e permitir a recuperação da memória”, disse o líder da equipa de investigação, Carlos Saura, citado pela agência de notícias francesa, AFP.
A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência.
Em todo o mundo, 35,6 milhões de pessoas padecem desta fatal doença degenerativa do sistema nervoso central, que é atualmente incurável, e são anualmente diagnosticados 7,7 milhões de novos casos, de acordo com um relatório de 2012 da Organização Mundial de Saúde.
Em 2010, o custo total da demência na globalidade da sociedade foi estimado em 604 mil milhões de dólares (cerca de 437 mil milhões de euros), segundo a Alzheimer Disease International, uma federação de associações de Alzheimer de todo o mundo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014


Sapo 
Actualidade 

Projeto em Coimbra e Lousã quer que jovens marginalizados sejam transformadores

Projeto Transformers está presente em Coimbra, Lousã, Lisboa e Porto

Publicado a: 2014-04-23 10:50:00
O projeto Transformers arrancou em outubro de 2013 em Coimbra e na Lousã e pretende tornar jovens marginalizados ou com algum tipo de carência em agentes transformadores, através de atividades desportivas e culturais.

O projeto abrange 112 jovens, entre os 12 e os 18 anos, de oito instituições dos dois concelhos, tendo 19 mentores em regime de voluntariado que procuram passar "valores, aumentar a autoestima dos jovens e mostrar-lhes que podem dar um contributo positivo à sociedade", explicou à agência Lusa Ricardo Fonseca, responsável pela iniciativa.

Seis meses após o seu começo, Ricardo Fonseca considera que a reação dos jovens às atividades dinamizadas pelo projeto "é bastante positiva", vendo os mentores como "um irmão mais velho que nunca tiveram".

Nas oito instituições abrangidas pela iniciativa, realizam-se, uma vez por semana, diferentes atividades, que vão desde o judo, basquetebol ou “skateboard” até à expressão dramática, grafites ou artes plásticas.

No final deste primeiro ano de intervenção, "numa espécie de exame", os jovens terão "que identificar algo problemático no meio que os rodeia e pensar numa forma de mitigar esse problema", de forma a serem "agentes transformadores", disse.

O responsável acredita que será possível "combater a inatividade" e fazer com que os jovens participem de forma mais ativa na sociedade e no meio onde se inserem, esperando depois que o contributo positivo "tenha um efeito multiplicativo".

O projeto, que tem um apoio financeiro da Fundação EDP, pretende crescer nos próximos anos, "porque há uma enorme carência nesta área", referiu.
"São precisos mais mentores" para se continuar a apoiar "jovens institucionalizados, marginalizados ou com algum tipo de carência", frisou.

Segundo Ricardo Fonseca, qualquer pessoa pode ser mentor, apenas tem de ter uma hora de disponibilidade por semana "para os jovens e ter interesse e conhecimento de uma determinada atividade".

Em Coimbra, o Transformers está presente no Colégio de São Caetano, Lar de São Martinho, Centro Educativo dos Olivais e no Centro Social de São José, este último em parceria com a Cáritas.

No concelho da Lousã, o projeto atua na Associação de Desenvolvimento Social e Cultural dos Cinco Lugares, Associação Activar, Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã e no Agrupamento de Escolas da Lousã.

O projeto Transformers está também presente em Lisboa e no Porto.

Lusa

segunda-feira, 21 de abril de 2014

 
JN

Alterações legislativas aproximam o trabalhador da imagem do escravo


 
As recentes alterações da legislação laboral resultaram na "desconsideração da pessoa do trabalhador", promovendo, subliminarmente, a sua identificação com o escravo, refere um relatório sobre a crise, que na terça-feira será divulgado na Universidade do Minho, em Braga.
Trata-se do relatório "A Anatomia da Crise: Identificar os Problemas para Construir as Alternativas", da responsabilidade do Observatório Crises e Alternativas, coordenado por Manuel Carvalho da Silva, ex-líder da CGTP.
De acordo com o relatório, as alterações da legislação laboral promovem, "subliminarmente, a identificação do trabalhador com os descartáveis (fungíveis), os de magros recursos, os de reduzido património social, os de baixa escolaridade, os que não sabem falar, os que não têm voz, os de caráter corroído pelas sucessivas amarguras da vida, afinal os descendentes do antigo servo, herdeiro, por sua vez, do escravo, o precário".
O relatório destaca a prática legislativa que "fixa determinadas condições de trabalho para, logo depois, permitir o seu afastamento ou a sua substituição por piores condições, desde que nisso acorde o trabalhador ou desde que às correspondentes propostas do empregador se não oponha expressamente".
Uma prática que o relatório rotula de "colorida de hipocrisia", já que, como sublinha, "a liberdade de escolha do trabalhador é excessivamente estreita para esperar, na esmagadora maioria dos casos, uma resposta de oposição à proposta do empregador".
O relatório alude ainda às "devastadoras" consequências sociais do programa de ajustamento no emprego, no desemprego, na desproteção social, no aumento das desigualdades e na emigração.
"As lesões económicas e sociais causadas pela recessão prolongada têm consequências duradouras para o futuro, deterioram as condições de recuperação e podem bloquear a economia portuguesa numa trajetória de declínio numa União Europeia e numa Zona Euro que entretanto se transformaram em sistemas duais e hierárquicos em divergência cumulativa", lê-se no documento.
O relatório destaca ainda a "capacidade destruidora" da austeridade, que pode "facilmente apreciada" nos números da economia.
Números que referem que, em 2012, a riqueza criada em Portugal atingiu os 155,3 mil milhões de euros, menos 9,4 mil milhões de euros do que em 2007, o ano do valor mais elevado alguma vez atingido.
"Estamos perante o quadro incontornável do empobrecimento deliberado, da veiculação do pressuposto ideológico de que é preciso sujeitar a economia a uma regressão na base da qual se possam redefinir relações tanto económicas como sociais
Isto é, a austeridade hostiliza, ou pelo menos desconhece, a ideia básica de que uma economia, se precisar de ajustamentos, os pode e deve fazer num quadro de salvaguarda do que se adquiriu", refere ainda o relatório.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

SAPO Notícias
Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Cientistas produzem sangue artificial em laboratório

Cientistas produzem sangue artificial em laboratório
No Reino Unido, uma investigação sobre células estaminais conseguiu produzir glóbulos vermelhos adequados às transfusões de sangue entre humanos. Os especialistas acreditam que a descoberta abre portas para a produção de sangue industrial em laboratório, o que pode mudar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.
 
O anúncio foi feito por Marc Turner, líder da investigação e docente na Universidade de Edinburgo, que conseguiu criar glóbulos vermelhos, do tipo sanguíne O, através de células estaminais.

"Há mais equipas com investigações do género em mãos, mas esta é a primeira vez que alguém consegue fabricar sangue com a qualidade e padrões de segurança apropriados para transfusões de sangue em humanos", refere ao The Telegraph.
 
Para isso, o especialista usou células estaminais pluripotentes induzidas (iPS), retiradas do corpo humano e alteradas para um estado embrionário. De seguida, Turner inseriu-as em ambientes com condições bioquímicas idênticas ao organismo humano, induzindo as células iPS numa transformação em glóbulos vermelhos do tipo sanguíneo O.
 
As previsões apontam para a conclusão dos ensaios clínicos no final de 2016 ou início de 2017, com as novas células, produzidas artificialmente, a ser testadas em três pacientes com talassemia, uma doença ao nível do sangue que requer transfusões frequentes.
 
O responsável acredita ter dado mais um passo em direção à produção industrial de sangue artificial em laboratório, livre de qualquer anomalia e compatível com todos os pacientes.

segunda-feira, 14 de abril de 2014


PÚBLICO

Tratamento contra hepatite C eliminou vírus em mais de 90% dos casos

Tratamento foi aplicado a doentes de cirrose. Passadas 12 semanas do final da medicação, o vírus não foi detectado em mais de 90% dos doentes.
Um novo tratamento contra uma das variantes do vírus da hepatite C foi testado em 380 pessoas, todas com cirrose. Três meses após o fim do tratamento, o vírus tinha sido eliminado em mais de 90% dos doentes tratados, conclui um estudo publicado na última edição da revista New England Journal of Medicine.
O tratamento foi feito à base de várias substâncias químicas, mas sem a utilização de interferões – o composto que, até agora, era a única arma que tinha alguma eficácia contra o vírus da hepatite C, tratando definitivamente a doença em 50% dos doentes, mas que provocava muitos efeitos secundários.
“Estes níveis de resposta são do outro mundo, não fazem parte do mesmo planeta dos níveis de resposta do interferão”, diz em comunicado Fred Poordad, o cientista líder desta investigação publicada agora, da Escola de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em San Antonio, Estados Unidos. “A razão deste estudo ser tão importante é porque o interferão não é tolerado nem é seguro em muitas pessoas que têm cirrose. Neste estudo, muitos dos doentes de cirrose nem sequer seriam aceites para serem tratados com o interferão.”
A hepatite C afecta cerca de 200 milhões de pessoas no mundo. Não existe nenhuma vacina contra esta doença. Em Portugal, de acordo com os dados da Associação Grupo de Apoio SOS Hepatites, estima-se existirem 150 mil portadores do vírus.
As pessoas podem contrair o vírus quando entram em contacto com sangue infectado, na partilha de seringas ou em relações sexuais. O vírus multiplica-se maciçamente nas células do fígado, mas também pode infectar os linfócitos, células do sistema imunitário.
Um quinto das pessoas infectadas consegue debelar o vírus, mas na maioria, a hepatite C torna-se crónica, causando cansaço, mal-estar e náuseas. A doença também é conhecida como hepatite silenciosa, já que muitas vezes não causa sintomas. No entanto, ao fim de décadas, pode causar cirrose e provocar cancro no fígado.
Existem quatro genótipos mais importantes da hepatite C (variantes deste vírus), que tem uma grande capacidade de mutação. Segundo a Associação Grupo de Apoio SOS Hepatites, o genótipo 1e o genótipo 4 são aqueles que têm mais resistência ao tratamento tradicional, com interferão.
No novo estudo, os doentes foram tratados com o cocktail de quatro substâncias (ABT-450/ritonavir, ombitasvir, dasabuvir e ribavirina), por via oral. Estes químicos são inibidores de proteínas importantes para a replicação do vírus.
Medicação no mercado apontada para 2015
O tratamento só foi testado em portadores do genótipo 1 da hepatite C que tinham cirrose. Os doentes foram testados em 78 clínicas em Espanha, Alemanha, Inglaterra e nos Estados Unidos, entre 2012 e 2013. Um dos factores que impedia alguém de entrar nestes ensaios clínicos era ser portador de outro vírus crónico como o VIH, o vírus da sida.
Os doentes foram divididos em dois grupos: 208 receberam a medicação durante 12 semanas, enquanto 172 receberam a medicação durante 24 semanas. Os efeitos secundários mais comuns foram fadiga, dores de cabeça e náuseas.
No grupo das 12 semanas, 191 (91,8%) dos 208 participantes ficaram livres do vírus 12 semanas após o fim dos tratamentos. No caso do grupo das 24 semanas, 165 (95,9%) dos 172 participantes não tinham vírus 12 semanas após o fim do tratamento. Os investigadores vão continuar a testar anualmente estes participantes para verificar que a doença está, de facto, debelada.
Os ensaios foram apoiados pela farmacêutica AbbVie. Segundo o comunicado, espera-se que este regime de medicação esteja no mercado no final deste ano ou no início de 2015.

terça-feira, 8 de abril de 2014

 
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Lei do Português na Galiza publicada hoje no Diário Oficial entra em vigor na quarta-feira





Segundo o responsável, “a própria língua galega, pelo facto de ser parecida com o português, outorga uma valiosa vantagem competitiva à cidadania galega em muitas vertentes, nomeadamente na cultural, mas também na económica”.
Por essa razão, sustenta: “devemos dotar-nos de métodos formativos e comunicativos que nos permitam desenvolver-nos com naturalidade numa língua que nos é próxima e nos concede uma grande projeção internacional”.
Assim, “para a melhoria do desenvolvimento social, económico e cultural galego, as autoridades devem promover todas as medidas possíveis para melhor valorizar esta vantagem histórica”, sublinha, a começar pela “incorporação progressiva da aprendizagem da língua portuguesa no âmbito das competências em línguas estrangeiras nos centros de ensino da Comunidade Autónoma da Galiza”.
A lei estipula igualmente que “deverão ser promovidas as relações a todos os níveis com os países de língua oficial portuguesa, constituindo este um objetivo estratégico do Governo galego”.
Para tal, “fomentar-se-á o conhecimento desta língua por parte dos funcionários públicos, a participação das instituições em fóruns lusófonos de todo o tipo – económico, cultura, ambiental, desportivo, etc. -, bem como a organização, na Comunidade Autónoma Galega, de eventos com a presença de entidades e pessoas de territórios que tenham o português como língua oficial”.
O Governo regional galego propõe-se ainda promover e estimular junto do Governo espanhol “a adoção de quantas medidas positivas sejam necessárias para a aplicação das disposições da Diretiva 2007/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, sobre serviços audiovisuais sem fronteiras, com o fim de favorecer e permitir a reciprocidade das emissões televisivas e radiofónicas entre a Comunidade Autónoma da Galiza e a República de Portugal, com a qual partilha património linguístico”.
Por último, a nova lei dita que a Rádio-Televisão da Galiza “promoverá os intercâmbios de produções audiovisuais e de programas completos ou partes destes nos diversos géneros televisivos, bem como a colaboração em matéria de projetos audiovisuais novos, a cooperação no emprego de meios de produção técnicos e humanos e a partilha de conhecimento aplicado à produção audiovisual ou à gestão empresarial, com televisões de língua portuguesa”.

quarta-feira, 2 de abril de 2014


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Portugal

Prémios Nobel apadrinham em Coimbra o primeiro centro de ensaios clínicos fase I

O CHUC, criado na sequência da agregação de várias unidades hospitalares de Coimbra, congrega, além daqueles dois hospitais centrais, o Hospital Pediátrico, três hospitais psiquiátricos e duas maternidades
O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) inaugura na sexta-feira, com a presença de vários prémio Nobel, o primeiro Centro Nacional de Ensaios Clínicos do Serviço Nacional de Saúde que vai fazer testes maioritariamente em pessoas saudáveis.
Os ensaios de fase I visam, essencialmente, o estudo da segurança dos medicamentos e têm tradicionalmente como população alvo voluntários saudáveis.
"Este centro é muito importante por três razões. Em primeiro, porque coloca o CHUC e o país na vanguarda da inovação e da investigação sob ensaios clínicos e dispositivos médicos e tecnologias inovadoras", disse à agência Lusa o presidente do CHUC, Martins Nunes.
Permitirá também, de acordo com Martins Nunes, às "empresas portuguesas que habitualmente faziam estes estudos no estrangeiro, que agora os possam fazer em Portugal".
Além disso, as empresas estrangeiras, que recorriam a outros países [para estes ensaios], podem agora fazê-lo em Portugal, apostando assim na riqueza para o país que o centro pode criar, sublinhou.
"Em terceiro lugar, na cadeia do desenvolvimento da inovação, permite-se que os doentes tenham acesso mais precocemente a medicamentos e a equipamentos inovadores", disse o responsável.
O investimento em infraestruturas é inferior a cem mil euros e todo apoiado por mecenas, explicou também.
A fase 1 dos ensaios clínicos assinala a experimentação de fármacos em seres humanos, pela primeira vez.
Estes ensaios focam-se principalmente na segurança e tolerância ao medicamento.
Nesta fase (num conjunto de cinco níveis), são estudadas as implicações em termos de segurança de determinadas moléculas para desenvolvimentos futuros.
A inauguração do centro de ensaios clínicos, que deverá contar também com a presença do ministro da Saúde, ocorre no contexto da realização de um evento científico, que contará com a presença de quatro laureados Nobel da Medicina e da Química e ainda investigadores nacionais, no âmbito do Nobel Day.
Os laureados são Bruce Beutler, Nobel em Medicina que desenvolverá uma conferência sobre o tema "Mutagénese aleatória para descobrir a função dos genes"; Tim Hunt, Nobel em Medicina, que produzirá uma conferência sobre "Como ganhar um Prémio Nobel: o controlo da divisão celular"; Jean-Marie Lehn, Nobel de Química, com o tema "Da matéria à vida: Química? Química!"; e Aaron Ciechanover, Nobel de Química, que falará sobre "A Revolução da Medicina Personalizada: Será que vamos curar todas as doenças? E a que preço?".
O CHUC, criado na sequência da agregação de várias unidades hospitalares de Coimbra, congrega, além daqueles dois hospitais centrais (Covões e HUC), o Hospital Pediátrico, três hospitais psiquiátricos (Sobral Cid, Arnês e de Lorvão) e duas maternidades (Daniel de Matos e Bissaya Barreto).

segunda-feira, 31 de março de 2014

VISÃO

Pode estar a caminho uma vacina contra o cancro da próstata

A descoberta de uma vacina que parece capaz de detetar e destruir as células cancerígenas é uma nova esperança no combate a uma doença que afeta cerca de 4 mil portugueses por ano


A pesquisa realizada pelo médico brasileiro Fernando Kreutz, da Universidade de Porto Alegre, teve como finalidade marcar as células "doentes", tornando-as "visíveis". O objetivo é que uma vez detetadas pelo sistema imunitário este consiga destruí-las. 
A vacina é fabricada a partir de células tumorais do doente que são posteriormente reproduzidas em laboratório. Posteriormente, através de radiação, são reentroduzidas no organismo do doente. A estrutura celular recebe uma substância moduladora que é administrada ao paciente e "o sistema imunológico reconhece isso e prolifera, multiplica essas células que vão destruir o tumor."
Em 2002 começaram a ser realizados testes com um grupo de 48 pacientes com idade média de 63 anos. Todo o grupo foi submetido ao tratamento convencional, com radioterapia e hormonas, mas a 26 deles foi também administrada a vacina. 
"No grupo de controle que recebeu o tratamento convencional, tivemos 19% de mortalidade, exatamente o que era esperado estatisticamente. No grupo vacinado, tivemos uma mortalidade de 9%", conta o médico."
A produção da vacina que pode revolucionar à àrea da saúde neste campo, ainda não tem, no entanto, data prevista.