Já
conta com 750 medalhas de ouro e 30 recordes mundiais. Os números só
por si impressionam, mas ao dizer-se que os feitos pertencem a uma
atleta canadiana de 95 anos, impressionam muito mais.
Olga Kotelko, a
sétima de 11 filhos de um casal de agricultores imigrantes ucranianos,
estabeleceu-se no Canadá quando o seu casamento acabou. E foi lá que
teve o seu primeiro contacto com o atletismo profissional, já com uns
respeitosos 77 anos. “A idade é apenas um número. Não interessa quantos
anos se tem, só interessa como se envelhece”, disse em entrevista à BBC.
Antes
disso, foi professora e jogou basebol na juventude. Quando se reformou
do ensino, experimentou o softbol e percebeu aí que ainda tinha boas
pernas para correr. Já à beira dos 80, com um treinador húngaro, começou
a amealhar vitórias em campeonatos mundiais de atletismo, na categoria
master, primeiro acima dos 80 e agora acima dos 90. Lançamento de dardo,
de peso e disco; saltos em distância, em altura e triplo; e corridas de
100, 200 e 400 metros são as modalidades em que compete.
É
presença assídua nos campeonatos mundiais de atletismo master, onde
quebra sempre vários recordes e traz medalhas de ouro ao peito. O
segredo? “Também se deve à boa genética, mas deve-se mais aos treinos e
trabalho diários”, concluiu do alto dos seus 95 anos.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
JN
Saúde
Dois portugueses em "clube de elite" da Biologia Molecular
Dois portugueses passam a fazer parte da Organização Europeia de
Biologia Molecular (EMBO, na sigla em inglês) segundo a lista dos
associados de 2014 divulgada esta quarta-feira.
Rui Costa, investigador da Fundação Champalimaud, e
Margarida Amaral, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa,
fazem parte de uma lista de mais de uma centena de nomes, considerados
entre os melhores.
A EMBO é uma organização criada há 50 anos, que
promove o desenvolvimento na área da biologia molecular e a cooperação e
investigação científica. Tem mais de 1600 membros, dos quais 66 prémios
Nobel.
No final do ano passado, contemplou dois cientistas
portugueses com uma bolsa de 50 mil euros anuais, por um período até
seis anos, mas, em anos anteriores, também já tinha distinguido
cientistas nacionais.
Os novos investigadores (dos quais 21 são
mulheres) que se destacam na área das ciências da vida são
maioritariamente da Europa, mas também há membros associados da China,
do Japão e dos Estados Unidos.
De acordo com um comunicado da
EMBO, o número elevado de novos membros (106) acontece no âmbito dos 50
anos da organização e também para homenagear os progressos que têm sido
feitos no campo da neurociência.
Investigador no Porto desenvolve sistema portátil de deteção do cancro da mama
O
sistema assenta num biossensor eletroquímico portátil que irá analisar
uma pequena amostra de sangue do paciente e detetar a presença de
substâncias (biomarcadores) associadas ao cancro da mama
O
Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) está a desenvolver um
sistema simples e portátil de deteção do cancro da mama que poderá vir a
ser utilizado em centros de saúde ou consultórios médicos, sem recurso a
biopsia.
"Só é preciso analisar o sangue, não é preciso biopsia, é um
procedimento muito simples", explicou hoje à Lusa Hendrikus Nouws,
professor adjunto do ISEP e investigador responsável pelo projeto cujos
resultados preliminares são apresentados terça-feira num seminário no
Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto).
O sistema assenta num biossensor eletroquímico portátil que irá
analisar uma pequena amostra de sangue do paciente e detetar a presença
de substâncias (biomarcadores) associadas ao cancro da mama.
A ideia do investigador é que o sistema não seja "nem muito caro, nem
muito grande", à semelhança dos mecanismos utilizados para medir a
glicose em diabéticos, para que seja possível descentralizar a deteção
do cancro da mama dos hospitais.
Nesta primeira fase, os ensaios com os biossensores foram feitos com
amostras sintéticas, sendo a próxima fase a aplicação a amostras de
doentes reais, para validação do sistema até ser possível a sua
comercialização.
Hendrikus Nouws alertou, porém, que o sistema do biossensor para
deteção do cancro da mama se encontra ainda numa "fase muito inicial" e
que, sendo uma "área muito sensível", faltam vários anos de testes e
ensaios com amostras reais -- para os quais será necessária a
colaboração com o IPO -- até ser validado pela própria comunidade
médica.
Sensibilizar a comunidade para o projeto é também o objetivo do
investigador na intervenção que fará na conferência de terça-feira, a
decorrer pelas 15:00, no auditório principal do IPO-Porto e dedicada às
"Perspetivas atuais e futuras da investigação do Cancro da Mama".
Esta investigação, que está a ser desenvolvida desde 2009 pelo ISEP
através do Grupo de Reação e Análises Químicas e em parceria com o
IPO-Porto, beneficiou de um financiamento 112 mil euros da Fundação para
a Ciência e a Tecnologia.
Ainda durante a conferência serão também abordados temas como "Estado
atual do tratamento do cancro da mama", por Joaquim Abreu de Sousa,
coordenador da clínica de mama do IPO-Porto, e "Terapêutica
personalizada e o papel dos biomarcadores no cancro da mama", por Noémia
Afonso, oncologista médica na clínica de mama.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Sapo Notícias
Mulheres juristas saúdam convenção contra a violência doméstica e assédio sexual
Ratificada por 11 países, a Convenção de Istambul entra em vigor a 1 de agosto
A
presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ), Teresa
Féria, saudou hoje a entrada em vigor, a 01 de agosto, da Convenção
para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a
Violência Doméstica.
Com a ratificação de Andorra e Dinamarca, sobe para 11 o número de
Estados que aderiram à Convenção de Istambul, ultrapassando as 10
ratificações exigidas para que o tratado entrasse em vigor.
Assim, o tratado irá entrar em vigor a 01 de agosto em todos os países que a tenham ratificado, incluindo Portugal.
Em declarações à agência Lusa, Teresa Féria adiantou que a entrada em
vigor da convenção irá trazer benefícios para as vítimas de violência
de género ao criminalizar comportamentos de violência, como o ‘stalking’
(assédio persistente) e o assédio sexual.
A convenção estabelece a criminalização ou outras sanções legais para
comportamentos de violência física e psicológica, violência sexual,
casamento forçado, mutilação genital feminina, aborto forçado e
esterilização forçada.
Teresa Féria explicou que a “consequência mais imediata” da entrada
em vigor da convenção “é que vai ter que ser desencadeado um processo
legislativo para conformação de várias disposições legislativas
portuguesas” com a Convenção de Istambul, à semelhança do que outros
países já fizeram.
“Do nosso ponto de vista, vamos ter que mexer, pelo menos, no direito
penal, no direito processual penal e no direito da família”, sublinhou a
presidente da associação, lembrando que Portugal foi dos primeiros
países a ratificar a Convenção de Istambul.
Este tratado constitui-se no primeiro conjunto de normas
juridicamente vinculativas em matéria de prevenção e combate à violência
contra as mulheres e violência doméstica na Europa, exigindo que os
Estados Partes previnam esta violência, protejam as vítimas, julguem os
autores e coordenem medidas através da adoção de políticas abrangentes.
Abrange mulheres e raparigas, de qualquer meio, idade, raça,
religião, origem social, estatuto de migração ou orientação sexual,
entre outros fatores.
A convenção reconhece que existem grupos de mulheres e raparigas que
se encontram frequentemente em maior risco de sofrer violência e os
Estados devem garantir que as suas necessidades específicas são tomadas
em consideração.
Os Estados são também encorajados a aplicar a convenção a outras
vítimas de violência doméstica, tais como os homens, as crianças e os
idosos.
A Convenção determina a constituição de um grupo de peritos
independentes que publicará relatórios avaliando em que medida os
Estados Partes estão a cumprir as normas impostas pela Convenção.
Albânia, Andorra, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Itália, Montenegro,
Portugal, Sérvia, Espanha, Turquia e Dinamarca são atualmente os Estados
Partes da Convenção, que foi aberta à assinatura em 2011.
Lusa
sábado, 26 de abril de 2014
http://www.noticiasaominuto.com
Alda SousaPor que renunciou deputada "a privilégios" de milhares de euros
A eurodeputada do
Bloco de Esquerda, Alda Sousa, decidiu renunciar ao subsídio de
reinserção de 12.400 euros e à pensão mensal vitalícia de 556,98 euros a
que tinha direito, e explica ao Diário de Notícias por que decidiu
fazê-lo.
Política
DR
24 de Abril de 2014 | Por Notícias Ao Minuto
Alda Sousa, eurodeputada do Bloco de Esquerda, regressa a
Portugal depois de um período profissional entre Estrasburgo e
Bruxelas. De volta a casa, a deputada de esquerda tinha direito, tal
como todos os restantes eurodeputados portugueses, a um subsídio de
reinserção e a uma pensão mensal como prémio pelo trabalho realizado
fora de Portugal, mas Alda Sousa renunciou a estas benesses.
PUB
De volta a Portugal, Alda Sousa revela que vai voltar à vida
académica, onde é professora. A deputada do Bloco de Esquerda disse ao
Diário de Notícias que tinha direito a um subsídio de reintegração de
12.400 euros e, a partir dos 63 anos, a uma pensão vitalícia de 556,98
euros, valores a que decidiu renunciar primeiro porque o seu regresso à
educação “não é considerado como uma reintegração”, e segundo porque
defende que “a pensão vitalícia deveria terminar”.
“Uma pensão vitalícia associada ao exercício do mandato público é
diferente de uma pensão social ou contributiva; é um privilégio com o
qual não concordo!”, assinalou, defendendo que os descontos que “cada um
faz durante o seu mandato devem contar apenas para o cálculo da
reforma”.
Quanto aos salários pagos aos eurodeputados, Alda Sousa defende que
não são tão altos quanto se possa pensar, tendo em conta que o nível de
vida no estrangeiro é mais elevado e tendo também em conta que um
deputado que saia do país, além de ter que pagar contas no novo país de
residência, tem de continuar a suportar as despesas em Portugal.
De qualquer forma, a bloquista insurge-se “contra os verdadeiros
privilégios e contra as ajudas que considera supérfluas, como por
exemplo, as viagens em classe executiva”.
Cientistas invertem perda de memória em ratos com Alzheimer
A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência
Cientistas
espanhóis anunciaram hoje o uso pela primeira vez de terapia de genes
para inverter a perda de memória em ratos com Alzheimer, um avanço que
poderá levar a novos medicamentos para tratar a doença.
A equipa da Universidade Autónoma de Barcelona injetou em ratos que
se encontravam nas fases iniciais da doença um gene que desencadeia a
produção de uma proteína que está, em doentes com Alzheimer, bloqueada
no hipocampo – uma área do cérebro essencial para o processamento de
memórias.
“A proteína que foi reconstituída através da terapia de genes
desencadeia os sinais necessários para ativar os genes envolvidos na
consolidação da memória de longo prazo”, indicou a universidade em
comunicado.
A terapia de genes consiste em transplantar genes em células do
paciente para corrigir a doença que é, de outra forma, incurável,
causada pela falência de um ou outro gene.
A descoberta foi publicada no Journal of Neuroscience e surgiu após quatro anos de investigação.
“A esperança é que este estudo possa levar ao desenvolvimento de
drogas farmacêuticas que possam ativar estes genes em seres humanos e
permitir a recuperação da memória”, disse o líder da equipa de
investigação, Carlos Saura, citado pela agência de notícias francesa,
AFP.
A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência.
Em todo o mundo, 35,6 milhões de pessoas padecem desta fatal doença
degenerativa do sistema nervoso central, que é atualmente incurável, e
são anualmente diagnosticados 7,7 milhões de novos casos, de acordo com
um relatório de 2012 da Organização Mundial de Saúde.
Em 2010, o custo total da demência na globalidade da sociedade foi
estimado em 604 mil milhões de dólares (cerca de 437 mil milhões de
euros), segundo a Alzheimer Disease International, uma federação de
associações de Alzheimer de todo o mundo.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Sapo Actualidade
Projeto em Coimbra e Lousã quer que jovens marginalizados sejam transformadores
Projeto Transformers está presente em Coimbra, Lousã, Lisboa e Porto
Publicado a: 2014-04-23 10:50:00
O projeto Transformers arrancou em outubro de 2013 em
Coimbra e na Lousã e pretende tornar jovens marginalizados ou com algum
tipo de carência em agentes transformadores, através de atividades
desportivas e culturais.
O projeto abrange 112 jovens, entre os 12 e os 18 anos, de oito
instituições dos dois concelhos, tendo 19 mentores em regime de
voluntariado que procuram passar "valores, aumentar a autoestima dos
jovens e mostrar-lhes que podem dar um contributo positivo à sociedade",
explicou à agência Lusa Ricardo Fonseca, responsável pela iniciativa.
Seis meses após o seu começo, Ricardo Fonseca considera que a reação
dos jovens às atividades dinamizadas pelo projeto "é bastante positiva",
vendo os mentores como "um irmão mais velho que nunca tiveram".
Nas oito instituições abrangidas pela iniciativa, realizam-se, uma
vez por semana, diferentes atividades, que vão desde o judo, basquetebol
ou “skateboard” até à expressão dramática, grafites ou artes plásticas.
No final deste primeiro ano de intervenção, "numa espécie de exame",
os jovens terão "que identificar algo problemático no meio que os rodeia
e pensar numa forma de mitigar esse problema", de forma a serem
"agentes transformadores", disse.
O responsável acredita que será possível "combater a inatividade" e
fazer com que os jovens participem de forma mais ativa na sociedade e no
meio onde se inserem, esperando depois que o contributo positivo "tenha
um efeito multiplicativo".
O projeto, que tem um apoio financeiro da Fundação EDP, pretende
crescer nos próximos anos, "porque há uma enorme carência nesta área",
referiu.
"São precisos mais mentores" para se continuar a apoiar "jovens
institucionalizados, marginalizados ou com algum tipo de carência",
frisou.
Segundo Ricardo Fonseca, qualquer pessoa pode ser mentor, apenas tem
de ter uma hora de disponibilidade por semana "para os jovens e ter
interesse e conhecimento de uma determinada atividade".
Em Coimbra, o Transformers está presente no Colégio de São Caetano,
Lar de São Martinho, Centro Educativo dos Olivais e no Centro Social de
São José, este último em parceria com a Cáritas.
No concelho da Lousã, o projeto atua na Associação de Desenvolvimento
Social e Cultural dos Cinco Lugares, Associação Activar, Associação
para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã e no Agrupamento de
Escolas da Lousã.
O projeto Transformers está também presente em Lisboa e no Porto.
Alterações legislativas aproximam o trabalhador da imagem do escravo
As recentes alterações da legislação laboral resultaram na
"desconsideração da pessoa do trabalhador", promovendo, subliminarmente,
a sua identificação com o escravo, refere um relatório sobre a crise,
que na terça-feira será divulgado na Universidade do Minho, em Braga.
Trata-se do relatório "A Anatomia da Crise: Identificar os
Problemas para Construir as Alternativas", da responsabilidade do
Observatório Crises e Alternativas, coordenado por Manuel Carvalho da
Silva, ex-líder da CGTP.
De acordo com o relatório, as alterações
da legislação laboral promovem, "subliminarmente, a identificação do
trabalhador com os descartáveis (fungíveis), os de magros recursos, os
de reduzido património social, os de baixa escolaridade, os que não
sabem falar, os que não têm voz, os de caráter corroído pelas sucessivas
amarguras da vida, afinal os descendentes do antigo servo, herdeiro,
por sua vez, do escravo, o precário".
O relatório destaca a
prática legislativa que "fixa determinadas condições de trabalho para,
logo depois, permitir o seu afastamento ou a sua substituição por piores
condições, desde que nisso acorde o trabalhador ou desde que às
correspondentes propostas do empregador se não oponha expressamente".
Uma
prática que o relatório rotula de "colorida de hipocrisia", já que,
como sublinha, "a liberdade de escolha do trabalhador é excessivamente
estreita para esperar, na esmagadora maioria dos casos, uma resposta de
oposição à proposta do empregador".
O relatório alude ainda às
"devastadoras" consequências sociais do programa de ajustamento no
emprego, no desemprego, na desproteção social, no aumento das
desigualdades e na emigração.
"As lesões económicas e sociais
causadas pela recessão prolongada têm consequências duradouras para o
futuro, deterioram as condições de recuperação e podem bloquear a
economia portuguesa numa trajetória de declínio numa União Europeia e
numa Zona Euro que entretanto se transformaram em sistemas duais e
hierárquicos em divergência cumulativa", lê-se no documento.
O relatório destaca ainda a "capacidade destruidora" da austeridade, que pode "facilmente apreciada" nos números da economia.
Números
que referem que, em 2012, a riqueza criada em Portugal atingiu os 155,3
mil milhões de euros, menos 9,4 mil milhões de euros do que em 2007, o
ano do valor mais elevado alguma vez atingido.
"Estamos perante o
quadro incontornável do empobrecimento deliberado, da veiculação do
pressuposto ideológico de que é preciso sujeitar a economia a uma
regressão na base da qual se possam redefinir relações tanto económicas
como sociais
Isto é, a austeridade hostiliza, ou pelo menos
desconhece, a ideia básica de que uma economia, se precisar de
ajustamentos, os pode e deve fazer num quadro de salvaguarda do que se
adquiriu", refere ainda o relatório.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
SAPONotícias
Quarta-feira, 16 de Abril de 2014
Cientistas produzem sangue artificial em laboratório
No Reino Unido, uma investigação sobre células estaminais conseguiu
produzir glóbulos vermelhos adequados às transfusões de sangue entre
humanos. Os especialistas acreditam que a descoberta abre portas para a
produção de sangue industrial em laboratório, o que pode mudar a vida de
milhões de pessoas em todo o mundo.
O anúncio foi feito por Marc Turner, líder da investigação e docente na
Universidade de Edinburgo, que conseguiu criar glóbulos vermelhos, do
tipo sanguíne O, através de células estaminais.
"Há mais equipas com investigações do género em mãos, mas esta é a
primeira vez que alguém consegue fabricar sangue com a qualidade e
padrões de segurança apropriados para transfusões de sangue em humanos",
refere ao The Telegraph.
Para isso, o especialista usou células estaminais pluripotentes
induzidas (iPS), retiradas do corpo humano e alteradas para um estado
embrionário. De seguida, Turner inseriu-as em ambientes com condições
bioquímicas idênticas ao organismo humano, induzindo as células iPS numa
transformação em glóbulos vermelhos do tipo sanguíneo O.
As previsões apontam para a conclusão dos ensaios clínicos no final de
2016 ou início de 2017, com as novas células, produzidas
artificialmente, a ser testadas em três pacientes com talassemia, uma
doença ao nível do sangue que requer transfusões frequentes.
O responsável acredita ter dado mais um passo em direção à produção
industrial de sangue artificial em laboratório, livre de qualquer
anomalia e compatível com todos os pacientes.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
PÚBLICO
Tratamento contra hepatite C eliminou vírus em mais de 90% dos casos
Tratamento foi aplicado a doentes de cirrose. Passadas 12 semanas
do final da medicação, o vírus não foi detectado em mais de 90% dos
doentes.
Um novo tratamento contra uma das variantes do
vírus da hepatite C foi testado em 380 pessoas, todas com cirrose. Três
meses após o fim do tratamento, o vírus tinha sido eliminado em mais de
90% dos doentes tratados, conclui um estudo publicado na última edição
da revista New England Journal of Medicine.
O tratamento foi
feito à base de várias substâncias químicas, mas sem a utilização de
interferões – o composto que, até agora, era a única arma que tinha
alguma eficácia contra o vírus da hepatite C, tratando definitivamente a doença em 50% dos doentes, mas que provocava muitos efeitos secundários.
“Estes
níveis de resposta são do outro mundo, não fazem parte do mesmo planeta
dos níveis de resposta do interferão”, diz em comunicado Fred Poordad, o
cientista líder desta investigação publicada agora,
da Escola de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do
Texas, em San Antonio, Estados Unidos. “A razão deste estudo ser tão
importante é porque o interferão não é tolerado nem é seguro em muitas
pessoas que têm cirrose. Neste estudo, muitos dos doentes de cirrose nem
sequer seriam aceites para serem tratados com o interferão.”
A
hepatite C afecta cerca de 200 milhões de pessoas no mundo. Não existe
nenhuma vacina contra esta doença. Em Portugal, de acordo com os dados
da Associação Grupo de Apoio SOS Hepatites, estima-se existirem 150 mil
portadores do vírus.
As pessoas podem contrair o vírus quando
entram em contacto com sangue infectado, na partilha de seringas ou em
relações sexuais. O vírus multiplica-se maciçamente nas células do
fígado, mas também pode infectar os linfócitos, células do sistema
imunitário.
Um quinto das pessoas infectadas consegue debelar o
vírus, mas na maioria, a hepatite C torna-se crónica, causando cansaço,
mal-estar e náuseas. A doença também é conhecida como hepatite
silenciosa, já que muitas vezes não causa sintomas. No entanto, ao fim
de décadas, pode causar cirrose e provocar cancro no fígado.
Existem
quatro genótipos mais importantes da hepatite C (variantes deste
vírus), que tem uma grande capacidade de mutação. Segundo a Associação
Grupo de Apoio SOS Hepatites, o genótipo 1e o genótipo 4 são aqueles que
têm mais resistência ao tratamento tradicional, com interferão.
No
novo estudo, os doentes foram tratados com o cocktail de quatro
substâncias (ABT-450/ritonavir, ombitasvir, dasabuvir e ribavirina), por
via oral. Estes químicos são inibidores de proteínas importantes para a
replicação do vírus.
Medicação no mercado apontada para 2015
O
tratamento só foi testado em portadores do genótipo 1 da hepatite C que
tinham cirrose. Os doentes foram testados em 78 clínicas em Espanha,
Alemanha, Inglaterra e nos Estados Unidos, entre 2012 e 2013. Um dos
factores que impedia alguém de entrar nestes ensaios clínicos era ser
portador de outro vírus crónico como o VIH, o vírus da sida.
Os
doentes foram divididos em dois grupos: 208 receberam a medicação
durante 12 semanas, enquanto 172 receberam a medicação durante 24
semanas. Os efeitos secundários mais comuns foram fadiga, dores de
cabeça e náuseas.
No grupo das 12 semanas, 191 (91,8%) dos 208
participantes ficaram livres do vírus 12 semanas após o fim dos
tratamentos. No caso do grupo das 24 semanas, 165 (95,9%) dos 172
participantes não tinham vírus 12 semanas após o fim do tratamento. Os
investigadores vão continuar a testar anualmente estes participantes
para verificar que a doença está, de facto, debelada.
Os ensaios
foram apoiados pela farmacêutica AbbVie. Segundo o comunicado, espera-se
que este regime de medicação esteja no mercado no final deste ano ou no
início de 2015.