sexta-feira, 9 de maio de 2014

Helena Costa assina pelo Clermont Foot

vai orientar equipa da 2.ª liga francesa


Autor: alexandre moita e rui malheiro

Fotos: Vítor Chi
 
Helena Costa vai treinar os franceses do Clermont Foot, equipa que se encontra no 14.º lugar na 2.ª Liga daquele país e que ontem empatou (1-1) com o CA Bastia. A portuguesa vai substituir Régis Brouard e será, por isso, a primeira vez que uma mulher assume o comando técnico principal de uma formação sénior masculina de um clube profissional.

O acordo entre o clube e Helena Costa está concluído – mas ainda se desconhece a extensão do vínculo contratual –, embora as duas partes não tenham ainda assumido o compromisso. Por isso, Record tentou contactar a treinadora, mas esta manteve-se indisponível.

Não é a primeira vez que Helena Costa, de 36 anos, orienta uma equipa masculina, pois, em 2005/06, a portuguesa assumiu o cargo na Sociedade Recreativa Cheleirense, clube amador onde conquistou a 1.ª posição no campeonato regional da zona de Lisboa. Em 2010, a treinadora rumou a Doha, no Qatar, para criar toda a estrutura de futebol feminino daquele país. Nessa altura, Helena Costa deixou as camadas jovens do Benfica, clube onde exerceu as funções de treinadora principal das formações masculinas de sub-9 e sub-10, mas também de adjunta no escalão de sub-17.

O percurso no futebol começou, imagine-se, aos 21 anos, quando Helena Costa frequentou o primeiro curso de treinadores da AF Lisboa e no qual obteve a melhor classificação entre 120 candidatos.

Leixões e Celtic entram no currículo

Encontrar senhoras no futebol masculino é como procurar um grão específico de areia numa praia.Mas a verdade é que Helena Costa só é uma ilustre desconhecida para quem anda distraído. Embora nunca tenha treinado uma equipa masculina profissional até agora, Helena há muito anda pelo meio.Em 2004/2005 foi a responsável pela observação de adversários doLeixões. Depois disso chegou o convite de um grande europeu: o Celtic, da Escócia.Lá desempenhou funções semelhantes entre 2008 e 2010. Portanto, experiência não falta.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

SOL

Uma estrela de atletismo aos 95 anos

por Filipa Moroso
Já conta com 750 medalhas de ouro e 30 recordes mundiais. Os números só por si impressionam, mas ao dizer-se que os feitos pertencem a uma atleta canadiana de 95 anos, impressionam muito mais.
Olga Kotelko, a sétima de 11 filhos de um casal de agricultores imigrantes ucranianos, estabeleceu-se no Canadá quando o seu casamento acabou. E foi lá que teve o seu primeiro contacto com o atletismo profissional, já com uns respeitosos 77 anos. “A idade é apenas um número. Não interessa quantos anos se tem, só interessa como se envelhece”, disse em entrevista à BBC.
Antes disso, foi professora e jogou basebol na juventude. Quando se reformou do ensino, experimentou o softbol e percebeu aí que ainda tinha boas pernas para correr. Já à beira dos 80, com um treinador húngaro, começou a amealhar vitórias em campeonatos mundiais de atletismo, na categoria master, primeiro acima dos 80 e agora acima dos 90. Lançamento de dardo, de peso e disco; saltos em distância, em altura e triplo; e corridas de 100, 200 e 400 metros são as modalidades em que compete.
É presença assídua nos campeonatos mundiais de atletismo master, onde quebra sempre vários recordes e traz medalhas de ouro ao peito. O segredo? “Também se deve à boa genética, mas deve-se mais aos treinos e trabalho diários”, concluiu do alto dos seus 95 anos.

quarta-feira, 7 de maio de 2014


JN

Saúde

Dois portugueses em "clube de elite" da Biologia Molecular

Dois portugueses passam a fazer parte da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO, na sigla em inglês) segundo a lista dos associados de 2014 divulgada esta quarta-feira.

Rui Costa, investigador da Fundação Champalimaud, e Margarida Amaral, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fazem parte de uma lista de mais de uma centena de nomes, considerados entre os melhores.
A EMBO é uma organização criada há 50 anos, que promove o desenvolvimento na área da biologia molecular e a cooperação e investigação científica. Tem mais de 1600 membros, dos quais 66 prémios Nobel.
No final do ano passado, contemplou dois cientistas portugueses com uma bolsa de 50 mil euros anuais, por um período até seis anos, mas, em anos anteriores, também já tinha distinguido cientistas nacionais.
Os novos investigadores (dos quais 21 são mulheres) que se destacam na área das ciências da vida são maioritariamente da Europa, mas também há membros associados da China, do Japão e dos Estados Unidos.
De acordo com um comunicado da EMBO, o número elevado de novos membros (106) acontece no âmbito dos 50 anos da organização e também para homenagear os progressos que têm sido feitos no campo da neurociência.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

 
Portugal

Investigador no Porto desenvolve sistema portátil de deteção do cancro da mama
O sistema assenta num biossensor eletroquímico portátil que irá analisar uma pequena amostra de sangue do paciente e detetar a presença de substâncias (biomarcadores) associadas ao cancro da mama
O Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) está a desenvolver um sistema simples e portátil de deteção do cancro da mama que poderá vir a ser utilizado em centros de saúde ou consultórios médicos, sem recurso a biopsia.
"Só é preciso analisar o sangue, não é preciso biopsia, é um procedimento muito simples", explicou hoje à Lusa Hendrikus Nouws, professor adjunto do ISEP e investigador responsável pelo projeto cujos resultados preliminares são apresentados terça-feira num seminário no Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto).
O sistema assenta num biossensor eletroquímico portátil que irá analisar uma pequena amostra de sangue do paciente e detetar a presença de substâncias (biomarcadores) associadas ao cancro da mama.
A ideia do investigador é que o sistema não seja "nem muito caro, nem muito grande", à semelhança dos mecanismos utilizados para medir a glicose em diabéticos, para que seja possível descentralizar a deteção do cancro da mama dos hospitais.
Nesta primeira fase, os ensaios com os biossensores foram feitos com amostras sintéticas, sendo a próxima fase a aplicação a amostras de doentes reais, para validação do sistema até ser possível a sua comercialização.
Hendrikus Nouws alertou, porém, que o sistema do biossensor para deteção do cancro da mama se encontra ainda numa "fase muito inicial" e que, sendo uma "área muito sensível", faltam vários anos de testes e ensaios com amostras reais -- para os quais será necessária a colaboração com o IPO -- até ser validado pela própria comunidade médica.
Sensibilizar a comunidade para o projeto é também o objetivo do investigador na intervenção que fará na conferência de terça-feira, a decorrer pelas 15:00, no auditório principal do IPO-Porto e dedicada às "Perspetivas atuais e futuras da investigação do Cancro da Mama".
Esta investigação, que está a ser desenvolvida desde 2009 pelo ISEP através do Grupo de Reação e Análises Químicas e em parceria com o IPO-Porto, beneficiou de um financiamento 112 mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Ainda durante a conferência serão também abordados temas como "Estado atual do tratamento do cancro da mama", por Joaquim Abreu de Sousa, coordenador da clínica de mama do IPO-Porto, e "Terapêutica personalizada e o papel dos biomarcadores no cancro da mama", por Noémia Afonso, oncologista médica na clínica de mama.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sapo Notícias

Mulheres juristas saúdam convenção contra a violência doméstica e assédio sexual

Ratificada por 11 países, a Convenção de Istambul entra em vigor a 1 de agosto

Mulheres juristas saúdam convenção contra a violência doméstica e assédio sexual

A presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ), Teresa Féria, saudou hoje a entrada em vigor, a 01 de agosto, da Convenção para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica.
Com a ratificação de Andorra e Dinamarca, sobe para 11 o número de Estados que aderiram à Convenção de Istambul, ultrapassando as 10 ratificações exigidas para que o tratado entrasse em vigor.
Assim, o tratado irá entrar em vigor a 01 de agosto em todos os países que a tenham ratificado, incluindo Portugal.
Em declarações à agência Lusa, Teresa Féria adiantou que a entrada em vigor da convenção irá trazer benefícios para as vítimas de violência de género ao criminalizar comportamentos de violência, como o ‘stalking’ (assédio persistente) e o assédio sexual.
A convenção estabelece a criminalização ou outras sanções legais para comportamentos de violência física e psicológica, violência sexual, casamento forçado, mutilação genital feminina, aborto forçado e esterilização forçada.
Teresa Féria explicou que a “consequência mais imediata” da entrada em vigor da convenção “é que vai ter que ser desencadeado um processo legislativo para conformação de várias disposições legislativas portuguesas” com a Convenção de Istambul, à semelhança do que outros países já fizeram.
“Do nosso ponto de vista, vamos ter que mexer, pelo menos, no direito penal, no direito processual penal e no direito da família”, sublinhou a presidente da associação, lembrando que Portugal foi dos primeiros países a ratificar a Convenção de Istambul.
Este tratado constitui-se no primeiro conjunto de normas juridicamente vinculativas em matéria de prevenção e combate à violência contra as mulheres e violência doméstica na Europa, exigindo que os Estados Partes previnam esta violência, protejam as vítimas, julguem os autores e coordenem medidas através da adoção de políticas abrangentes.
Abrange mulheres e raparigas, de qualquer meio, idade, raça, religião, origem social, estatuto de migração ou orientação sexual, entre outros fatores.
A convenção reconhece que existem grupos de mulheres e raparigas que se encontram frequentemente em maior risco de sofrer violência e os Estados devem garantir que as suas necessidades específicas são tomadas em consideração.
Os Estados são também encorajados a aplicar a convenção a outras vítimas de violência doméstica, tais como os homens, as crianças e os idosos.
A Convenção determina a constituição de um grupo de peritos independentes que publicará relatórios avaliando em que medida os Estados Partes estão a cumprir as normas impostas pela Convenção.
Albânia, Andorra, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Itália, Montenegro, Portugal, Sérvia, Espanha, Turquia e Dinamarca são atualmente os Estados Partes da Convenção, que foi aberta à assinatura em 2011.
Lusa

sábado, 26 de abril de 2014

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Alda Sousa Por que renunciou deputada "a privilégios" de milhares de euros

A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Alda Sousa, decidiu renunciar ao subsídio de reinserção de 12.400 euros e à pensão mensal vitalícia de 556,98 euros a que tinha direito, e explica ao Diário de Notícias por que decidiu fazê-lo.
Política
Por que renunciou deputada a privilégios de milhares de euros
DR
Alda Sousa, eurodeputada do Bloco de Esquerda, regressa a Portugal depois de um período profissional entre Estrasburgo e Bruxelas. De volta a casa, a deputada de esquerda tinha direito, tal como todos os restantes eurodeputados portugueses, a um subsídio de reinserção e a uma pensão mensal como prémio pelo trabalho realizado fora de Portugal, mas Alda Sousa renunciou a estas benesses.
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De volta a Portugal, Alda Sousa revela que vai voltar à vida académica, onde é professora. A deputada do Bloco de Esquerda disse ao Diário de Notícias que tinha direito a um subsídio de reintegração de 12.400 euros e, a partir dos 63 anos, a uma pensão vitalícia de 556,98 euros, valores a que decidiu renunciar primeiro porque o seu regresso à educação “não é considerado como uma reintegração”, e segundo porque defende que “a pensão vitalícia deveria terminar”.
“Uma pensão vitalícia associada ao exercício do mandato público é diferente de uma pensão social ou contributiva; é um privilégio com o qual não concordo!”, assinalou, defendendo que os descontos que “cada um faz durante o seu mandato devem contar apenas para o cálculo da reforma”.
Quanto aos salários pagos aos eurodeputados, Alda Sousa defende que não são tão altos quanto se possa pensar, tendo em conta que o nível de vida no estrangeiro é mais elevado e tendo também em conta que um deputado que saia do país, além de ter que pagar contas no novo país de residência, tem de continuar a suportar as despesas em Portugal.
De qualquer forma, a bloquista insurge-se “contra os verdadeiros privilégios e contra as ajudas que considera supérfluas, como por exemplo, as viagens em classe executiva”.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

 

Cientistas invertem perda de memória em ratos com Alzheimer
A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência
Cientistas espanhóis anunciaram hoje o uso pela primeira vez de terapia de genes para inverter a perda de memória em ratos com Alzheimer, um avanço que poderá levar a novos medicamentos para tratar a doença.
A equipa da Universidade Autónoma de Barcelona injetou em ratos que se encontravam nas fases iniciais da doença um gene que desencadeia a produção de uma proteína que está, em doentes com Alzheimer, bloqueada no hipocampo – uma área do cérebro essencial para o processamento de memórias.
“A proteína que foi reconstituída através da terapia de genes desencadeia os sinais necessários para ativar os genes envolvidos na consolidação da memória de longo prazo”, indicou a universidade em comunicado.
A terapia de genes consiste em transplantar genes em células do paciente para corrigir a doença que é, de outra forma, incurável, causada pela falência de um ou outro gene.
A descoberta foi publicada no Journal of Neuroscience e surgiu após quatro anos de investigação.
“A esperança é que este estudo possa levar ao desenvolvimento de drogas farmacêuticas que possam ativar estes genes em seres humanos e permitir a recuperação da memória”, disse o líder da equipa de investigação, Carlos Saura, citado pela agência de notícias francesa, AFP.
A doença de Alzheimer, causada por proteínas tóxicas que destroem células cerebrais, é a mais comum forma de demência.
Em todo o mundo, 35,6 milhões de pessoas padecem desta fatal doença degenerativa do sistema nervoso central, que é atualmente incurável, e são anualmente diagnosticados 7,7 milhões de novos casos, de acordo com um relatório de 2012 da Organização Mundial de Saúde.
Em 2010, o custo total da demência na globalidade da sociedade foi estimado em 604 mil milhões de dólares (cerca de 437 mil milhões de euros), segundo a Alzheimer Disease International, uma federação de associações de Alzheimer de todo o mundo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014


Sapo 
Actualidade 

Projeto em Coimbra e Lousã quer que jovens marginalizados sejam transformadores

Projeto Transformers está presente em Coimbra, Lousã, Lisboa e Porto

Publicado a: 2014-04-23 10:50:00
O projeto Transformers arrancou em outubro de 2013 em Coimbra e na Lousã e pretende tornar jovens marginalizados ou com algum tipo de carência em agentes transformadores, através de atividades desportivas e culturais.

O projeto abrange 112 jovens, entre os 12 e os 18 anos, de oito instituições dos dois concelhos, tendo 19 mentores em regime de voluntariado que procuram passar "valores, aumentar a autoestima dos jovens e mostrar-lhes que podem dar um contributo positivo à sociedade", explicou à agência Lusa Ricardo Fonseca, responsável pela iniciativa.

Seis meses após o seu começo, Ricardo Fonseca considera que a reação dos jovens às atividades dinamizadas pelo projeto "é bastante positiva", vendo os mentores como "um irmão mais velho que nunca tiveram".

Nas oito instituições abrangidas pela iniciativa, realizam-se, uma vez por semana, diferentes atividades, que vão desde o judo, basquetebol ou “skateboard” até à expressão dramática, grafites ou artes plásticas.

No final deste primeiro ano de intervenção, "numa espécie de exame", os jovens terão "que identificar algo problemático no meio que os rodeia e pensar numa forma de mitigar esse problema", de forma a serem "agentes transformadores", disse.

O responsável acredita que será possível "combater a inatividade" e fazer com que os jovens participem de forma mais ativa na sociedade e no meio onde se inserem, esperando depois que o contributo positivo "tenha um efeito multiplicativo".

O projeto, que tem um apoio financeiro da Fundação EDP, pretende crescer nos próximos anos, "porque há uma enorme carência nesta área", referiu.
"São precisos mais mentores" para se continuar a apoiar "jovens institucionalizados, marginalizados ou com algum tipo de carência", frisou.

Segundo Ricardo Fonseca, qualquer pessoa pode ser mentor, apenas tem de ter uma hora de disponibilidade por semana "para os jovens e ter interesse e conhecimento de uma determinada atividade".

Em Coimbra, o Transformers está presente no Colégio de São Caetano, Lar de São Martinho, Centro Educativo dos Olivais e no Centro Social de São José, este último em parceria com a Cáritas.

No concelho da Lousã, o projeto atua na Associação de Desenvolvimento Social e Cultural dos Cinco Lugares, Associação Activar, Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã e no Agrupamento de Escolas da Lousã.

O projeto Transformers está também presente em Lisboa e no Porto.

Lusa

segunda-feira, 21 de abril de 2014

 
JN

Alterações legislativas aproximam o trabalhador da imagem do escravo


 
As recentes alterações da legislação laboral resultaram na "desconsideração da pessoa do trabalhador", promovendo, subliminarmente, a sua identificação com o escravo, refere um relatório sobre a crise, que na terça-feira será divulgado na Universidade do Minho, em Braga.
Trata-se do relatório "A Anatomia da Crise: Identificar os Problemas para Construir as Alternativas", da responsabilidade do Observatório Crises e Alternativas, coordenado por Manuel Carvalho da Silva, ex-líder da CGTP.
De acordo com o relatório, as alterações da legislação laboral promovem, "subliminarmente, a identificação do trabalhador com os descartáveis (fungíveis), os de magros recursos, os de reduzido património social, os de baixa escolaridade, os que não sabem falar, os que não têm voz, os de caráter corroído pelas sucessivas amarguras da vida, afinal os descendentes do antigo servo, herdeiro, por sua vez, do escravo, o precário".
O relatório destaca a prática legislativa que "fixa determinadas condições de trabalho para, logo depois, permitir o seu afastamento ou a sua substituição por piores condições, desde que nisso acorde o trabalhador ou desde que às correspondentes propostas do empregador se não oponha expressamente".
Uma prática que o relatório rotula de "colorida de hipocrisia", já que, como sublinha, "a liberdade de escolha do trabalhador é excessivamente estreita para esperar, na esmagadora maioria dos casos, uma resposta de oposição à proposta do empregador".
O relatório alude ainda às "devastadoras" consequências sociais do programa de ajustamento no emprego, no desemprego, na desproteção social, no aumento das desigualdades e na emigração.
"As lesões económicas e sociais causadas pela recessão prolongada têm consequências duradouras para o futuro, deterioram as condições de recuperação e podem bloquear a economia portuguesa numa trajetória de declínio numa União Europeia e numa Zona Euro que entretanto se transformaram em sistemas duais e hierárquicos em divergência cumulativa", lê-se no documento.
O relatório destaca ainda a "capacidade destruidora" da austeridade, que pode "facilmente apreciada" nos números da economia.
Números que referem que, em 2012, a riqueza criada em Portugal atingiu os 155,3 mil milhões de euros, menos 9,4 mil milhões de euros do que em 2007, o ano do valor mais elevado alguma vez atingido.
"Estamos perante o quadro incontornável do empobrecimento deliberado, da veiculação do pressuposto ideológico de que é preciso sujeitar a economia a uma regressão na base da qual se possam redefinir relações tanto económicas como sociais
Isto é, a austeridade hostiliza, ou pelo menos desconhece, a ideia básica de que uma economia, se precisar de ajustamentos, os pode e deve fazer num quadro de salvaguarda do que se adquiriu", refere ainda o relatório.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

SAPO Notícias
Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Cientistas produzem sangue artificial em laboratório

Cientistas produzem sangue artificial em laboratório
No Reino Unido, uma investigação sobre células estaminais conseguiu produzir glóbulos vermelhos adequados às transfusões de sangue entre humanos. Os especialistas acreditam que a descoberta abre portas para a produção de sangue industrial em laboratório, o que pode mudar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.
 
O anúncio foi feito por Marc Turner, líder da investigação e docente na Universidade de Edinburgo, que conseguiu criar glóbulos vermelhos, do tipo sanguíne O, através de células estaminais.

"Há mais equipas com investigações do género em mãos, mas esta é a primeira vez que alguém consegue fabricar sangue com a qualidade e padrões de segurança apropriados para transfusões de sangue em humanos", refere ao The Telegraph.
 
Para isso, o especialista usou células estaminais pluripotentes induzidas (iPS), retiradas do corpo humano e alteradas para um estado embrionário. De seguida, Turner inseriu-as em ambientes com condições bioquímicas idênticas ao organismo humano, induzindo as células iPS numa transformação em glóbulos vermelhos do tipo sanguíneo O.
 
As previsões apontam para a conclusão dos ensaios clínicos no final de 2016 ou início de 2017, com as novas células, produzidas artificialmente, a ser testadas em três pacientes com talassemia, uma doença ao nível do sangue que requer transfusões frequentes.
 
O responsável acredita ter dado mais um passo em direção à produção industrial de sangue artificial em laboratório, livre de qualquer anomalia e compatível com todos os pacientes.