terça-feira, 4 de novembro de 2014

 

Novo tratamento em Coimbra ao cancro da próstata preserva potência sexual

 
  Por Agência Lusa
publicado em 4 Nov 2014
A nova técnica, no entanto, “não é, para já, aplicável a todos os doentes com cancro da próstata”, esclareceu o médico
Uma equipa coordenada pelo urologista Nuno Maia realizou hoje, em Coimbra, um novo tratamento ao cancro da próstata, que visa “preservar a potência sexual e a continência urinária” do paciente.
Nuno Maia disse à agência Lusa que “este procedimento inovador tem a vantagem de causar a mínima agressão cirúrgica ao doente”, ao permitir a eliminação, “apenas, de o núcleo de células malignas que se pretende destruir”.
A realização deste tratamento a um homem de 64 anos, residente na região Centro, envolveu quatro médicos e dois enfermeiros, com a colaboração do urologista Massimo Valério, do hospital University College of London, em Inglaterra.
A equipa realizou, num hospital privado de Coimbra, uma intervenção denominada “eletroporação irreversível prostática”, com a ajuda de agulhas e corrente elétrica, proporcionando “a tecnologia mais recente e promissora no tratamento focal do cancro da próstata”.
Segundo Nuno Maia, coordenador da equipa de urologia da Idealmed Unidade Hospitalar de Coimbra - local da intervenção -, uma das vantagens desta técnica é “a preservação na totalidade da potência sexual e continência urinária”.
O procedimento, realizado no bloco operatório, sob anestesia geral e com apenas um dia de internamento, consiste na colocação de duas ou mais agulhas no tecido prostático, com recurso à ecografia biplanar, utilizando uma corrente elétrica “com determinadas características”.
O próprio sistema imunitário do doente removerá o tecido destruído, “sem daí resultar qualquer sequela ou cicatriz”, adiantou à Lusa Nuno Maia, que obteve formação específica, em Londres, realizando agora a sua primeira intervenção com estas características.
A nova técnica, no entanto, “não é, para já, aplicável a todos os doentes com cancro da próstata”, esclareceu o médico.

domingo, 2 de novembro de 2014

JN

Técnicos de contas pagam dívida a viúva com casa penhorada


Em 24 horas, um movimento que surgiu no Facebook, num grupo de técnicos de oficiais de contas, angariou 1900 euros para pagar a dívida que uma viúva, de Ílhavo, tinha ao Fisco. A casa da família foi salva.
 
Global Imagens

Houve quem doasse apenas um euro. Houve quem doasse mais de cem. O certo é que, em menos de 24 horas, um movimento espontâneo que nasceu no Facebook - num grupo ao qual pertencem mais de quatro mil técnicos oficiais de contas - conseguiu angariar os 1902,16 euros que Maria (nome fictício) necessitava para que a sua casa, onde vive com dois filhos e dois netos menores, na Colónia Agrícola, em Ílhavo, não fosse vendida em leilão pelas Finanças.
Paulo Gama, Manuela Mendes e Susana Eusébio, oriundos de diversos pontos do país, são alguns dos nomes da solidariedade que salvou a família ilhavense. A eles juntaram-se centenas de pessoas - entre as quais, não só técnicos oficiais de contas, como eles, mas também militares, entre outros - que em tempo recorde angariaram o dinheiro necessário. Na sexta-feira, foram diretamente às Finanças, pagaram a dívida de uma pessoa que não conhecem e, em troca, receberam a gratidão eterna de Maria. A mulher, de 52 anos, viúva, é funcionária de uma seca de bacalhau e viu a sua casa ser penhorada, pelas Finanças, devido a uma dívida de 1900 mil euros relativa ao imposto municipal sobre imóveis (IMI) e ao imposto único de circulação.
"Revoltámo-nos quando soubemos da história pela Comunicação Social. Não se pode tirar uma casa a uma pessoa que não a pode pagar. Onde é que aquelas crianças iam dormir?", questiona, ao JN, Paulo Gama, 40 anos, de Castelo Branco.
Há dinheiro para cabaz
A casa de Maria, construída pelo seu marido falecido, ia ser colocada em leilão eletrónico na quarta-feira, por um mínimo de 19 500 euros. "A Susana Eusébio partilhou a história no grupo de contabilistas do Facebook. E a Manuela, de Lisboa, foi por sua iniciativa a uma repartição das Finanças e pagou os 20% da dívida para que o leilão fosse adiado 15 dias", recorda Paulo, técnico oficial de contas. Ao saber do gesto da colega, Paulo prontificou-se para pagar com ela a primeira tranche. E, de imediato, tratou de tudo para que fosse angariado o restante dinheiro, até perfazer os 1900 euros.
"As crianças não podem pagar pelos erros dos pais. A lei é injusta", sublinha Paulo, frisando que o grupo não agiu para ter "qualquer reconhecimento público".
No final das contas, o montante arrecadado ultrapassou o valor previsto. Há mais, pelo menos, 650 euros, de donativos que as pessoas quiseram continuar a fazer chegar, para o grupo oferecer um cabaz com bens de que a família necessite.
"Só posso agradecer do fundo do coração a estes anjos", disse Maria, ao JN

sábado, 1 de novembro de 2014

Psicopedagoga conta como viveu um ano sem dinheiro – num livro que se troca

Lbc Fotografia, andrezuska.salgueirix / Facebook
Andresa Salgueiro viveu durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e um minuto apenas com 1.111 euros
Andresa Salgueiro viveu durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e um minuto apenas com 1.111 euros

Três anos depois de ter começado a grande aventura de viver durante um ano apenas com 1.111 euros, Andresa Salgueiro vai contar a sua experiência num livro cuja particularidade é ser trocado e não vendido.
Três anos depois de ter começado a grande aventura de viver durante um ano apenas com 1.111 euros, Andresa Salgueiro vai contar a sua experiência num livro cuja particularidade é ser trocado e não vendido.
Com lançamento marcado para este sábado, os 1.111 exemplares do livro foram “pagos” através de uma troca, tendo Andresa Salgueiro ficado de dar telhas à editora.
Tudo começou em 2011, quando Andresa Salgueiro, então com 35 anos, se sentiu triste com a monotonia da sua vida.
“Era efetiva numa empresa ligada à hotelaria, e sentia-me um bocado triste por fazer todos os dias a mesma coisa”, contou à agência Lusa.
andrezuska.salgueirix / Facebook
Andresa Salgueiro trocou com a editora a publicação do seu livro por telhas
“A minha vida estava a ser muito monótona e eu sempre tive o sonho de mudar o mundo, inspirar as pessoas, uma vez que sou psicopedagoga”, explicou Andresa Salgueiro.
A jovem decidiu então desafiar-se a si própria e viver durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e 1 minuto apenas com 1.111 euros, apelando a muitas trocas – “umas mais fáceis de fazer que outras” — para conseguir sobreviver.
A aventura fez com que chegasse ao final do ano de 2011 ainda com dinheiro para gastar.
E hoje, dois anos volvidos, tem vivido quase sempre com 50 euros mensais (100 no máximo) para despesas extraordinárias que não possam ser alvo de trocas.
Andresa Salgueiro considera que o facto de não ter de pagar uma casa – já que vive numa habitação da família – ajudou a poder manter o projeto, mas explicou que chegou a “emprestar” um quarto a uma pessoa que, em troca, pagou as contas de eletricidade, da água e do condomínio.
“Sou adaptável ao máximo, para poder propor uma troca em função das necessidades das pessoas. Ao longo destes três anos aprendi a fazer imensas coisas diferentes, que são mais-valias para ajudar os outros”, explicou, lembrando que as suas principais “moedas de troca” são a criação de ‘sites’ e a elaboração de currículos profissionais.
No entanto, Andresa Salgueiro também fez limpezas, passeou animais, preparou refeições, dedicou-se a arrumações e decorou quartos, e admite que o mais difícil foi trocar as despesas da casa (luz e água).
Outra das dificuldades foi conseguir “pagar” o gasóleo para o carro com trocas, mas hoje já tem o próprio automóvel no sistema de trocas.
O lançamento do livro vai acontecer em Lisboa, mas, para ser coerente com a repetição de um número importante para si, estará colocado em 11 locais da capital, onde poderá ser trocado por outros bens.
Andresa Salgueiro pretende depois visitar 11 distritos portugueses para distribuir os livros – 38 exemplares por distrito -, sendo que cada região irá escolher uma associação para ajudar e os interessados no livro poderão “comprá-lo” trocando-o por bens ou serviços em prol da causa.
A autora considera que o livro é o “fechar de um ciclo”, tendo decidido terminar agora a experiência.
Fazer trocas “é giro, divertido e aventureiro”, mas também “é cansativo”, porque o dinheiro permite “não ter de dar satisfações a ninguém se pretendemos beber um sumo ou comer um gelado”, explicou.
“Nas trocas, temos de estar sempre a negociar, a despender do nosso tempo para fazer o serviço”, afirmou, embora reconheça que nunca irá deixar de fazer trocas.
“O dinheiro dá-nos independência, mas a troca dá-nos outra coisa: a aproximação com as pessoas, o alargar da rede de contactos, o sentir que estamos a fazer coisas úteis e a fazer o bem aos outros”, disse.
/Lusa

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

30.10.2014

Jordi Savall renuncia ao Prémio Nacional de Música de Espanha em protesto contra Governo

Bob Edme O musicólogo, maestro e compositor espanhol Jordi Savall.

O musicólogo, maestro e compositor espanhol Jordi Savall renunciou esta quinta-feira ao Prémio Nacional de Música, de Espanha, acusando o Governo espanhol de "irresponsabilidade e incompetência", na defesa da arte.

Jordi Savall, 73 anos, foi distinguido na quarta-feira com o Prémio Nacional de Música, mas anunciou hoje, em comunicado, que renuncia "com profunda tristeza" ao galardão, instituído pelo Ministério da Cultura de Espanha, lamentando o desprezo por quem tenta manter vivo "o património musical hispânico".

O músico, que atuou no dia 19 em Lisboa e se apresenta a 4 de novembro no Porto, agradeceu o reconhecimento pelo prémio, no valor de 30 mil euros, mas justifica esta renúncia como um "ato de repulsa em defesa da dignidade dos artistas", e que possa servir de "reflexão para pensar e construir un futuro mais esperançoso para os jovens".

"A ignorância e a amnésia são o fim de toda a civilização. Sem educação não há arte e sem memória não há justiça", sublinhou o musicólogo catalão, lamentando "a falta de consciência do valor da cultura" por parte "dos responsáveis pelas mais altas instâncias do governo de Espanha".

O Ministério da Cultura de Espanha anunciou na quarta-feira a atribuição do Prémio Nacional de Música 2014 a Jordi Savall, um dos mais reputados especialistas em música antiga, pelo seu "inesgotável trabalho de recuperação e divulgação do patrimóni musical espanhol".

Presença assídua em Portugal ao longo dos últimos anos, Jordi Savall conta com mais de 40 anos de carreira, dedicados à música antiga, na investigação, interpretação - em viola da gamba -, e direção musical.
Lusa

Diário Digital

Suécia é o primeiro país da UE a reconhecer o Estado da Palestina

Suécia  é o primeiro país da UE a reconhecer o Estado da Palestina

O governo sueco reconheceu hoje por decreto o Estado da Palestina, o primeiro país ocidental da União Europeia (UE) a tomar esta decisão.

«Hoje, o governo toma a decisão de reconhecer o Estado da Palestina. É um passo importante que confirma o direito dos palestinianos à autodeterminação», afirma a ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Margot Wallstr¶m, num artigo publicado no jornal Dagens Nyheter.
«O governo considera que estão reunidos os critérios do direito internacional para um reconhecimento do Estado da Palestina: um território, mesmo sem fronteiras fixas, uma população e um governo», destaca no texto.
«Esperamos que isto mostre o caminho a outros», acrescenta a ministra.
Pelo menos 112 países reconhecem o Estado da Palestina.
A Autoridade Palestiniana afirma que são 134, incluindo sete membros da União Europeia que terão feito o reconhecimento antes de entrar para o bloco: República Checa, Hungria, Polónia, Bulgária, Roménia, Malta e Chipre.
No início de Outubro, o primeiro-ministro Stefan L¶fven anunciou que a Suécia reconheceria o Estado da Palestina, o que provocou muitas críticas de Israel e dos Estados Unidos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

ZAP. aeiou
Ciência & Saúde  , ,

Cientistas lançam células estaminais tóxicas para “assassinar” o cancro do cérebro

 

bwjones / Flickr
Cientistas com células estaminais num laboratório
Cientistas com células estaminais num laboratório
Cientistas da Escola de Medicina de Harvard descobriram uma forma de transformar células estaminais em ‘máquinas’ para lutar contra o cancro do cérebro.
Numa experiência com ratos, as células estaminais foram geneticamente modificadas para produzir toxinas que podem matar tumores no cérebro sem matar as células normais.
Os investigadores dizem agora que o próximo passo será testar o processo em seres humanos.
“Depois de fazer toda a análise molecular e de imagem para controlar a inibição da síntese de proteínas dentro de tumores cerebrais, vimos as toxinas matarem as células cancerígenas“, explicou Khalid Shah, investigador da Escola de Medicina de Harvard e director do Laboratório de Neuroterapia no Hospital do Massachusetts.
“Toxinas para matar o cancro têm sido utilizadas com grande sucesso em uma variedade de tumores sanguíneos, mas eles não funcionam bem em tumores sólidos, porque os tumores não são tão acessíveis e as toxinas têm uma vida curta.”
DR harvard.edu
Khalid Shah, investigador da Escola de Medicina de Harvard
Khalid Shah, investigador da Escola de Medicina de Harvard
Mas geneticamente, a manipulação de células estaminais pode ter mudado tudo isso, conta Khalid Shah à BBC.
“Agora, temos células estaminais resistentes a toxinas que podem fazer e liberar essas drogas que matam o cancro”, explicou Shah.

Estudo

O estudo, publicado no jornal científico Stem Cells, foi resultado de um trabalho de cientistas do Hospital do Massachusetts, e do Instituto de Células Estaminais de Harvard, nos EUA.
Os investigadores passaram anos a estudar uma terapia com células estaminais que pudesse curar o cancro, baseada na ideia de fazer com que as células estaminais produzissem algo capaz de matar células cancerígenas, mas que não tivesse efeitos negativos sobre as células normais.
Ou seja, sem que as células saudáveis tivessem qualquer risco de ser atingidas pela toxina.
Para o conseguir, os cientistas modificaram geneticamente as células estaminais.
Nos testes em animais, as células estaminais foram então colocadas num gel e seguidamente num tumor cerebral retirado do cérebro de um espécimen com cancro.
As células cancerígenas morreram imediatamente, como se não tivessem nenhum tipo de defesa contra a toxina.
DR Khalid Shah
Células estaminais produtoras de toxinas (a azul) ajudam a matar células cerebrais cancerígenas (a verde)
Células estaminais produtoras de toxinas (a azul) ajudam a matar células cerebrais cancerígenas (a verde)

Cautela

Para Nell Barrie, cientista do Instituto de Pesquisa de Cancro do Reino Unido, o estudo teve resultados excelentes, mas é preciso ter cautela porque faz uma “abordagem engenhosa”.
“Precisamos urgentemente de melhores tratamentos para tumores cerebrais e isso pode ajudar num tratamento directo, exactamente onde ele é necessário.”
“Mas até agora a técnica só foi testada em ratos e em células cancerígenas em laboratório. Muito trabalho precisa ainda de ser feito antes de podermos afirmar que o tratamento é eficiente e pode ajudar os pacientes com tumores cerebrais”, completou.
Nell reiterou que este tipo de investigação poderia ajudar a aumentar as taxas de sobrevivência e trazer progressos muito importantes para a cura do cancro cerebral.
Chris Mason, professor de medicina regenerativa na Universidade de Londres, diz que este estudo é “bastante inteligente e indica que está a surgir uma nova onda de tratamentos contra o cancro”.
“Isto mostra que podemos atacar tumores sólidos colocando mini-farmácias dentro do paciente que liberam as toxinas directamente no tumor.”
“Essas células estaminais podem fazer tanta coisa… o futuro será assim”, concluiu Mason.
ZAP / BBC
SAPO Desporto
Angola
28-10-2014 13:45

Sumbe acolhe Taça de Angola em basquetebol e futebol adaptado

A prova decorre no próximo sábado, na província do Cuanza Sul.
Futebol com muletas
Foto: ANGOP Futebol com muletas
Por SAPO Desporto c/ Angop sapodesporto@sapo.pt
A cidade do Sumbe, província do Cuanza Sul, acolhe no próximo sábado a primeira edição da Taça de Angola em basquetebol e futebol com muletas, numa organização do Comité Paralímpico Angolano (CPA).
Em declarações à Angop, o secretário da associação local do desporto adaptado, Abel Bravo, adiantou estarem criadas as condições para a realização dos dois eventos.

Bravo acrescentou que a prova de basquetebol em cadeira de rodas será realizada no campo multiuso do Benfica Sport do Sumbe, e de futebol com muletas no estádio Hoji Ya Henda.

Em basquetebol defrontam-se Kabuscorp de Cabinda e Complexo da Cidadela, respetivamente campeão e vice-campeão nacional, enquanto em futebol com muletas jogam Misto do Huambo e de Luanda (campeão nacional e vencedor da Taça Lwine).

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

DN

Portugueses pioneiros na técnica para reparar lesões na medula

por Ana Bela Ferreira
Portugueses pioneiros na técnica para reparar lesões na medula
Britânicos revelaram ontem recuperação de um paraplégico graças a um autotransplante de células da mucosa olfativa. Estas células são usadas desde 2001 no Hospital de Egas Moniz e também há quem tenha voltado a andar
Darek Fidyka, um búlgaro que ficou paralisado há quatro anos, voltou a andar depois de submetido a um auto transplante de células das mucosas olfativas. A sua recuperação foi divulgada ontem. António Pereira, de Peniche, também ficou paralisado em 2004 e desde 2008 que consegue pôr-se de pé e dar alguns passos, graças a um autotransplante das células das mucosas olfativas, realizado no Hospital de Egas Moniz (HEM), em Lisboa.
O êxito da técnica britânica que ontem foi notícia um pouco por toda a Europa foi publicado na revista Cell Transplatantion e o seu autor considerou, em declarações à BBC, que este avanço é "mais impressionante do que o homem andar na Lua". No estudo, a equipa coordenada por Geoffrey Raisman explicita: "Do nosso conhecimento, esta é o primeira indicação clínica de efeitos benéficos de transplantes autólogos de células bulbares [na mucosa olfativa]."
No entanto, a recuperação de movimentos de pessoas paralisadas usando as células das mucosas olfativas começou a ser feita em Portugal, em 2001, por uma equipa liderada pelo neurologista Carlos Lima (falecido em 2012). A técnica portuguesa foi aplicada a dezenas de doentes nacionais e norte-americanos, alcançando também resultados positivos. Alguns conseguiram voltar a andar, com apoio de andarilho, ou mantêm-se em pé. Este programa passou a contar, em 2003, com a parceria do Wayne State University, em Detroit.
"Conseguimos melhorias muito importantes. Um deles não conseguia mexer-se e agora anda com a ajuda de um andarilho", explica ao DN Jean Peduzzi-Nelson, investigadora daquela universidade e conselheira da técnica desenvolvida em Portugal. Outros recuperaram movimentos e sensibilidade, como é o caso de António Pereira.
O português, hoje com 42 anos, teve um acidente de mota em 2004 que o deixou condenado a uma cadeira de rodas e sem mobilidade. Depois de um ano de fisioterapia ouviu falar da técnica do HEM e decidiu candidatar-se. "Acabei por fazer exames em 2008 e fui escolhido para fazer a cirurgia. Não queria ficar dependente de ninguém." Antes da intervenção fez três meses de fisioterapia intensiva e dois meses depois voltou ao centro de reabilitação. Hoje, António Pereira, que trabalha numa loja de informática, consegue tomar banho sozinho, recuperou a sensibilidade e o controlo abdominal e da bexiga. E consegue andar com órtoses (apoio externo que dá estabilidade às pernas) e um andarilho, mas só em casa. "Ando muito devagar e para conseguir levar e buscar o meu filho à escola ou ir trabalhar vou de cadeira de rodas", conta. Mas garante: "A cirurgia do Dr. Carlos Lima mudou-me a vida."

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

DN

Mulheres juristas contestam vida sexual limitada aos 50 anos

por Filipa Ambrósio de Sousa
Presidente do Supremo Tribunal Administrativo em Belém
Presidente do Supremo Tribunal Administrativo em Belém Fotografia © Álvaro Isidoro
A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ) considera inconstitucional o acórdão que defende que "aos 50 anos a vida sexual não tem tanta importância"
"A APMJ não pode deixar de apelar a que este acórdão possa ser revisto em sede de apreciação da sua constitucionalidade, o que entende ser processualmente admissível", explica a associação, em comunicado divulgado no site da Ordem dos Advogados.
Em causa uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) em que os juízes conselheiros consideraram que a sexualidade aos 50 anos já não "tem a mesma importância que assume em idades mais novas". Juízo de valor que pesou na decisão final do Supremo Tribunal Administrativo em baixar a indemnização a pagar a uma doente da Maternidade Alfredo da Costa, na sequência de uma intervenção cirúrgica mal sucedida - de 172 mil euros para 111 mil.
A APMJ assume que "não pode deixar de manifestar a sua estranheza pela circunstância de o acórdão entender que a idade da autora do pedido indemnizatório, aliada ao facto de já ter sido mãe de dois filhos, constitui uma circunstância que diminui de forma relevante o seu direito a uma vida sexual activa. Sendo certo que a prática sexual se não esgota ou se reconduz de modo exclusivo à procriação".
O grupo de mulheres juristas considera que o direito a uma vida sexual activa "se insere na esfera dos direitos sexuais e reprodutivos, que são direitos fundamentais pessoais, protegidos e tutelados pela Constituição da República, nomeadamente no seu artigo 26º nº1, e pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos".

Adolescente inventa método para salvar os oceanos do lixo plástico

bb
Boyan Slat é um jovem de 20 anos com uma missão ambiciosa – livrar os oceanos do planeta dos plásticos flutuantes.
Apesar da idade, há alguns anos que Boyan tenta encontrar maneiras de recolher estes resíduos – e a sua técnica já convenceu entusiastas e patrocinadores dispostos a financiar os seus projetos.
“Não percebo porque é que a palavra ‘obsessivo’ tem uma conotação negativa, mas eu sou obsessivo e gosto disso“, diz Slat. “Tenho uma ideia e vou em frente com ela.”
A ideia surgiu quando Boyan tinha 16 anos, em 2011, enquanto fazia mergulho na Grécia. “Vi mais sacos plásticos do que peixes“, diz.
Boyan ficou chocado, e ainda mais chocado ao perceber que não havia nenhuma solução aparente.
“Toda a gente me disse ‘Ah, depois de os plásticos chegarem aos oceanos não há nada que possas fazer com eles ‘, e eu perguntei-me se isso seria verdade”, conta Boyan à BBC.
Nos últimos 30 a 40 anos, milhões de toneladas de plástico chegaram aos oceanos. A produção mundial de plástico é de 288 milhões de toneladas por ano, das quais 10% acabam no oceano.
A maioria, 80%, é proveniente de fontes terrestres.
O lixo é arrastado por ralos e esgotos e acaba nos rios. É então transportado pelas correntes para cinco sistemas rotativos de água nos grandes oceanos, chamados giros, o mais famoso dos quais é a enorme Mancha de Lixo do Pacífico, entre o Havai e a Califórnia.
A concentração de plástico nestas áreas é alta – chegam a ser chamadas sopa de plástico – e não fica estática no mesmo local, o que faz com que a limpeza seja um grande desafio.
A Mancha de Lixo do Pacífico, entre o Havai e a Califórnia
A Mancha de Lixo do Pacífico, entre o Havai e a Califórnia“Se fôssemos lá tentar limpar com navios, levaria milhares de anos”, diz Boyan, “teria um custo enorme em termos de dinheiro e energia, e os peixes seriam acidentalmente capturados nas redes.”

Quebra-cabeças

Boyan sempre gostou de encontrar soluções para quebra-cabeças e, ao reflectir sobre este em particular, ocorreu-lhe uma pergunta: “em vez de irmos atrás do plástico, porque não aproveitamos as correntes e esperamos que ele chegue até nós?
Ainda na escola secundária, Boyan desenvolveu a sua ideia, como parte de um projecto de Ciências: uma série de barreiras flutuantes, ancoradas no leito do mar, primeiro capturariam e concentrariam os detritos flutuantes.
No modelo de Boyan, o plástico mover-se-ia ao longo das barreiras no sentido de uma plataforma, onde seria, então, extraído de forma eficiente.
A corrente oceânica passaria por baixo das barreiras, levando toda a vida marinha flutuante com ela. Não haveria emissões nem redes para a vida marinha se enrodilhar. O plástico recolhido no oceano seria reciclado e transformado em produtos ou em óleo.
O projecto de Boyan foi premiado como Melhor Projecto Técnico da Universidade de Tecnologia Delft.
Para a maioria dos adolescentes, as coisas teriam ficado por ai, mas com Boyan a coisa tinha de ser diferente.
Desde muito cedo, Boyan interessou-se por engenharia. “Comecei por construir casas nas árvores… a seguir, coisas maiores”, conta o jovem inventor, “e quando tinha 13 anos, estava muito interessado em foguetes.”
Boyan já tem até um recorde mundial no Guinness, com o maior número de foguetes de água lançados ao mesmo tempo: 213.
“Essa experiência ensinou-me a atrair o interesse das pessoas e como abordar patrocinadores“, conta.
Quando Boyan começou a estudar engenharia aeroespacial, na Universidade de Delft, levava com ela a ideia de limpar os oceanos. Criou uma fundação chamada The Ocean Cleanup, “A Limpeza do Oceano”, e explicou no  TEDx o seu conceito de como os oceanos poderiam ser limpos.
Seis meses depois de entrar na faculdade, Boyan decidiu interromper o curso para tentar tornar o seu projecto uma realidade.
Todo o dinheiro que tinha eram 200 euros. Os meses seguintes foram usados à procura de patrocínios.
“Foi muito desanimador porque ninguém estava interessado”, diz Boyan. “Lembro-me de um dia contactar 300 empresas a pedir patrocínios – apenas uma respondeu, e também não deu em nada.”

Mudança brusca

Foi então que, a 26 de março de 2013, meses depois de ter sido publicado, o vídeo de Boyan no TEDx se tornou viral.
“Foi inacreditável”, diz Boyan, “de repente, tivemos centenas de milhares de pessoas por dia a visitar o nosso site. Recebia cerca de 1.500 e-mails por dia de pessoas a voluntariar-se para ajudar.”
Boyan recorreu a uma plataforma de crowdfunding, onde recolheu 60 mil euros em 15 dias. Ainda não sabe o que fez com que a sua ideia explodisse de repente, mas diz que foi um grande alívio.
“Há um ano atrás, não tinha certeza de que seria bem-sucedido”, diz. “Mas, considerando a importância do problema, era importante pelo menos tentar.”
De acordo com o Programa de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas, há, em média, 13 mil peças de plástico flutuantes por quilómetro quadrado de oceano. Muitas dessas partículas acabam por ser ingeridas acidentalmente pelos animais marinhos, que podem morrer de fome já que o plástico enche seus estômagos.
É uma situação grave – e, por isso, quando Boyan apareceu com uma solução aparentemente simples, começou a fazer manchetes em todo o mundo.
The Ocean Cleanup
Detalhe do sistema de recolha de plástico de Boyan Slat
Detalhe do sistema de recolha de plástico de Boyan Slat

Provas científicas

Depois de ter chamado a atenção do mundo, a primeira coisa que Boyan fez foi desaparecer de vista. Precisava de provas científicas para apoiar a sua teoria.
Boyan reuniu uma equipa de 100 pessoas, a maioria voluntários, que foram espalhados por todo o mundo. Durante os estudos, visitou a Mancha de Lixo do Atlântico Norte, onde a plataforma deverá ser construída.
Em junho, um mês antes de fazer 20 anos, Boyan apresentou um relatório de viabilidade, com 530 páginas – e cuja capa foi feita em plástico reciclado.
O relatório, baseado em diversos testes e simulações de computador, foi revisto e validado por 70 cientistas e engenheiros.
Após o estudo, Boyan pôs em marcha uma nova campanha de financiamento, que desta vez rapidamente atingiu a meta de 1.6 milhões de euros.
Pode um adolescente salvar os oceanos do planeta?
Salt posa com parte do lixo que a sua equipa recolheu O jovem diz que a sua idade não o atrapalhou, e que pode até  ser uma vantagem.
“Eu não tinha nada a perder, excepto a minha renda bolsa de estudos, portanto, essa não era uma preocupação”, diz o jovem empreendedor.
“Se queres fazer alguma coisa, faz o mais rapidamente possível.”
The Ocean Cleanup
Salt posa com parte do lixo que a sua equipa recolheu