quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cientistas descobrem mecanismo de cura espontânea de VIH

simcsea / Flickr
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Cientistas franceses anunciaram esta terça-feira ter descoberto o mecanismo genético de uma “cura espontânea” em dois homens infetados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) e propuseram uma nova estratégia para combater a SIDA.
A descoberta é baseada no estudo de dois homens infetados com o VIH que nunca desenvolveram sintomas de SIDA. O vírus permaneceu nas células do sistema imunitário, mas foi inativado porque o seu código genético foi alterado, segundo os investigadores.
Em análise estiveram os casos de um homem de 57 anos diagnosticado VIH positivo em 1985 e um outro de 23 anos diagnosticado em 2011.
Os cientistas sequenciaram o genoma do VIH em amostras retiradas dos dois homens que, dizem, registaram uma “aparente cura espontânea”.
A mutação pode estar ligada a uma enzima comum designada APOBEC, indicou a equipa científica.
“O trabalho abre caminhos terapêuticos para a cura, utilizando ou estimulando aquela enzima”, indicam os investigadores num comunicado.
A investigação, publicada na revista Clinical Microbiology and Infection, foi realizada por cientistas do Instituto Nacional de Saúde e de Investigação Médica (INSERM).
Até hoje há apenas um caso conhecido de cura de um doente com SIDA, Tomothy Ray Brown, que recebeu um transplante de medula para combater uma leucemia, de um dador com resistência ao HIV.
ZAP / Lusa

  Diário Digital

Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes

Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes

Joana Gaspar, investigadora de pós-doutoramento na Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP-ERC) e no Centro de Doenças Crónicas (CEDOC) da Universidade NOVA de Lisboa, estuda mecanismos celulares e moleculares da diabetes e acaba de ser galardoada com o prémio Europeu da Federação Internacional de Diabetes (IDF) para jovens investigadores.

A APDP é a associação de doentes diabéticos mais antiga do mundo e o CEDOC é o mais recente instituto de investigação com sede em Lisboa no campus de Santana.
O prémio foi entregue nas cerimónias do Dia Mundial da Diabetes, que decorreu esta quarta-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
A atribuição do prémio reconheceu «a excelência da investigação científica na área da Biologia celular e molecular aplicada à Diabetes, especificamente no estudo de novos mecanismos de regulação da glicose pós-prandial (após uma refeição) e sensibilidade à insulina».
Joana Gaspar integra projectos de medicina translacional, que envolvem a colaboração entre o CEDOC e a APDP, explicando que «o nosso principal objectivo é descobrir novos factores fisiológicos que aumentem a sensibilidade à insulina, de modo a prevenir e superar a resistência inicial à insulina que está associada ao desenvolvimento da diabetes tipo 2».
A equipa de investigação de que faz parte Joana Gaspar está focada a estudar os sinais induzidos pela alimentação que aumentam a sensibilidade à insulina como resposta à ingestão de determinados nutrientes. O fígado é um dos órgãos chave que integra estes sinais alimentares, permitindo uma melhor sensibilidade à insulina por parte de outros órgãos, como é o caso do músculo esqueléticos, coração e rins. Estudos recentes indicam que a insulina é captada e metabolizada pelo fígado levando à produção de novas moléculas que aumentam a sensibilidade à insulina, contribuindo para uma regulação mais eficaz dos níveis de glicose após as refeições.
«Estamos a investigar os sinais alimentares em irmãos de pessoas com diabetes tipo 2, uma vez que são um importante grupo de risco para desenvolver a doença. Ao percebermos como é que estes sinais atuam pode-se desenvolver novos tratamentos que irão ajudar a prevenir a progressão da diabetes tipo 2», esclarece a investigadora.
Desde o início da sua carreira que Joana Gaspar se interessa por compreender as complexidades da diabetes e suas complicações associadas. «A diabetes é a doença crónica mais comum, afectando milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, um em cada 10 adultos tem diabetes», refere a investigadora. Acrescenta ainda que «o que é muito alarmante é que cerca de metade das pessoas com diabetes ainda não foi diagnosticada. Apesar da intensa investigação para compreender esta doença, ainda existe um longo caminho a percorrer no estudo da diabetes, que continua uma doença sem cura. Assim a mais pequena descoberta poderá ter um enorme impacto na vida destas pessoas, especialmente por ser uma doença silenciosa, com inúmeros factores e que afecta todos os órgãos».
«É uma honra para mim receber este prémio. Mais do que o reconhecimento do meu trabalho, é o reconhecimento do empenho de todas as pessoas que trabalham comigo e que tornam possível estas descobertas. É isto que nos motiva a fazer mais para compreender a Diabetes, melhorar a vida das pessoas que vivem nesta condição e, finalmente, ajudar a encontrar a cura para esta doença», remata Joana Gaspar.
O prémio atribuído a Joana Gaspar durante as cerimónias no Parlamento Europeu foi entregue por. João Nabais, presidente da IDF - Europa. A investigadora recebeu um cheque de 10 mil euros, que será doado a uma instituição à sua escolha.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

 

Novo tratamento em Coimbra ao cancro da próstata preserva potência sexual

 
  Por Agência Lusa
publicado em 4 Nov 2014
A nova técnica, no entanto, “não é, para já, aplicável a todos os doentes com cancro da próstata”, esclareceu o médico
Uma equipa coordenada pelo urologista Nuno Maia realizou hoje, em Coimbra, um novo tratamento ao cancro da próstata, que visa “preservar a potência sexual e a continência urinária” do paciente.
Nuno Maia disse à agência Lusa que “este procedimento inovador tem a vantagem de causar a mínima agressão cirúrgica ao doente”, ao permitir a eliminação, “apenas, de o núcleo de células malignas que se pretende destruir”.
A realização deste tratamento a um homem de 64 anos, residente na região Centro, envolveu quatro médicos e dois enfermeiros, com a colaboração do urologista Massimo Valério, do hospital University College of London, em Inglaterra.
A equipa realizou, num hospital privado de Coimbra, uma intervenção denominada “eletroporação irreversível prostática”, com a ajuda de agulhas e corrente elétrica, proporcionando “a tecnologia mais recente e promissora no tratamento focal do cancro da próstata”.
Segundo Nuno Maia, coordenador da equipa de urologia da Idealmed Unidade Hospitalar de Coimbra - local da intervenção -, uma das vantagens desta técnica é “a preservação na totalidade da potência sexual e continência urinária”.
O procedimento, realizado no bloco operatório, sob anestesia geral e com apenas um dia de internamento, consiste na colocação de duas ou mais agulhas no tecido prostático, com recurso à ecografia biplanar, utilizando uma corrente elétrica “com determinadas características”.
O próprio sistema imunitário do doente removerá o tecido destruído, “sem daí resultar qualquer sequela ou cicatriz”, adiantou à Lusa Nuno Maia, que obteve formação específica, em Londres, realizando agora a sua primeira intervenção com estas características.
A nova técnica, no entanto, “não é, para já, aplicável a todos os doentes com cancro da próstata”, esclareceu o médico.

domingo, 2 de novembro de 2014

JN

Técnicos de contas pagam dívida a viúva com casa penhorada


Em 24 horas, um movimento que surgiu no Facebook, num grupo de técnicos de oficiais de contas, angariou 1900 euros para pagar a dívida que uma viúva, de Ílhavo, tinha ao Fisco. A casa da família foi salva.
 
Global Imagens

Houve quem doasse apenas um euro. Houve quem doasse mais de cem. O certo é que, em menos de 24 horas, um movimento espontâneo que nasceu no Facebook - num grupo ao qual pertencem mais de quatro mil técnicos oficiais de contas - conseguiu angariar os 1902,16 euros que Maria (nome fictício) necessitava para que a sua casa, onde vive com dois filhos e dois netos menores, na Colónia Agrícola, em Ílhavo, não fosse vendida em leilão pelas Finanças.
Paulo Gama, Manuela Mendes e Susana Eusébio, oriundos de diversos pontos do país, são alguns dos nomes da solidariedade que salvou a família ilhavense. A eles juntaram-se centenas de pessoas - entre as quais, não só técnicos oficiais de contas, como eles, mas também militares, entre outros - que em tempo recorde angariaram o dinheiro necessário. Na sexta-feira, foram diretamente às Finanças, pagaram a dívida de uma pessoa que não conhecem e, em troca, receberam a gratidão eterna de Maria. A mulher, de 52 anos, viúva, é funcionária de uma seca de bacalhau e viu a sua casa ser penhorada, pelas Finanças, devido a uma dívida de 1900 mil euros relativa ao imposto municipal sobre imóveis (IMI) e ao imposto único de circulação.
"Revoltámo-nos quando soubemos da história pela Comunicação Social. Não se pode tirar uma casa a uma pessoa que não a pode pagar. Onde é que aquelas crianças iam dormir?", questiona, ao JN, Paulo Gama, 40 anos, de Castelo Branco.
Há dinheiro para cabaz
A casa de Maria, construída pelo seu marido falecido, ia ser colocada em leilão eletrónico na quarta-feira, por um mínimo de 19 500 euros. "A Susana Eusébio partilhou a história no grupo de contabilistas do Facebook. E a Manuela, de Lisboa, foi por sua iniciativa a uma repartição das Finanças e pagou os 20% da dívida para que o leilão fosse adiado 15 dias", recorda Paulo, técnico oficial de contas. Ao saber do gesto da colega, Paulo prontificou-se para pagar com ela a primeira tranche. E, de imediato, tratou de tudo para que fosse angariado o restante dinheiro, até perfazer os 1900 euros.
"As crianças não podem pagar pelos erros dos pais. A lei é injusta", sublinha Paulo, frisando que o grupo não agiu para ter "qualquer reconhecimento público".
No final das contas, o montante arrecadado ultrapassou o valor previsto. Há mais, pelo menos, 650 euros, de donativos que as pessoas quiseram continuar a fazer chegar, para o grupo oferecer um cabaz com bens de que a família necessite.
"Só posso agradecer do fundo do coração a estes anjos", disse Maria, ao JN

sábado, 1 de novembro de 2014

Psicopedagoga conta como viveu um ano sem dinheiro – num livro que se troca

Lbc Fotografia, andrezuska.salgueirix / Facebook
Andresa Salgueiro viveu durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e um minuto apenas com 1.111 euros
Andresa Salgueiro viveu durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e um minuto apenas com 1.111 euros

Três anos depois de ter começado a grande aventura de viver durante um ano apenas com 1.111 euros, Andresa Salgueiro vai contar a sua experiência num livro cuja particularidade é ser trocado e não vendido.
Três anos depois de ter começado a grande aventura de viver durante um ano apenas com 1.111 euros, Andresa Salgueiro vai contar a sua experiência num livro cuja particularidade é ser trocado e não vendido.
Com lançamento marcado para este sábado, os 1.111 exemplares do livro foram “pagos” através de uma troca, tendo Andresa Salgueiro ficado de dar telhas à editora.
Tudo começou em 2011, quando Andresa Salgueiro, então com 35 anos, se sentiu triste com a monotonia da sua vida.
“Era efetiva numa empresa ligada à hotelaria, e sentia-me um bocado triste por fazer todos os dias a mesma coisa”, contou à agência Lusa.
andrezuska.salgueirix / Facebook
Andresa Salgueiro trocou com a editora a publicação do seu livro por telhas
“A minha vida estava a ser muito monótona e eu sempre tive o sonho de mudar o mundo, inspirar as pessoas, uma vez que sou psicopedagoga”, explicou Andresa Salgueiro.
A jovem decidiu então desafiar-se a si própria e viver durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e 1 minuto apenas com 1.111 euros, apelando a muitas trocas – “umas mais fáceis de fazer que outras” — para conseguir sobreviver.
A aventura fez com que chegasse ao final do ano de 2011 ainda com dinheiro para gastar.
E hoje, dois anos volvidos, tem vivido quase sempre com 50 euros mensais (100 no máximo) para despesas extraordinárias que não possam ser alvo de trocas.
Andresa Salgueiro considera que o facto de não ter de pagar uma casa – já que vive numa habitação da família – ajudou a poder manter o projeto, mas explicou que chegou a “emprestar” um quarto a uma pessoa que, em troca, pagou as contas de eletricidade, da água e do condomínio.
“Sou adaptável ao máximo, para poder propor uma troca em função das necessidades das pessoas. Ao longo destes três anos aprendi a fazer imensas coisas diferentes, que são mais-valias para ajudar os outros”, explicou, lembrando que as suas principais “moedas de troca” são a criação de ‘sites’ e a elaboração de currículos profissionais.
No entanto, Andresa Salgueiro também fez limpezas, passeou animais, preparou refeições, dedicou-se a arrumações e decorou quartos, e admite que o mais difícil foi trocar as despesas da casa (luz e água).
Outra das dificuldades foi conseguir “pagar” o gasóleo para o carro com trocas, mas hoje já tem o próprio automóvel no sistema de trocas.
O lançamento do livro vai acontecer em Lisboa, mas, para ser coerente com a repetição de um número importante para si, estará colocado em 11 locais da capital, onde poderá ser trocado por outros bens.
Andresa Salgueiro pretende depois visitar 11 distritos portugueses para distribuir os livros – 38 exemplares por distrito -, sendo que cada região irá escolher uma associação para ajudar e os interessados no livro poderão “comprá-lo” trocando-o por bens ou serviços em prol da causa.
A autora considera que o livro é o “fechar de um ciclo”, tendo decidido terminar agora a experiência.
Fazer trocas “é giro, divertido e aventureiro”, mas também “é cansativo”, porque o dinheiro permite “não ter de dar satisfações a ninguém se pretendemos beber um sumo ou comer um gelado”, explicou.
“Nas trocas, temos de estar sempre a negociar, a despender do nosso tempo para fazer o serviço”, afirmou, embora reconheça que nunca irá deixar de fazer trocas.
“O dinheiro dá-nos independência, mas a troca dá-nos outra coisa: a aproximação com as pessoas, o alargar da rede de contactos, o sentir que estamos a fazer coisas úteis e a fazer o bem aos outros”, disse.
/Lusa

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

30.10.2014

Jordi Savall renuncia ao Prémio Nacional de Música de Espanha em protesto contra Governo

Bob Edme O musicólogo, maestro e compositor espanhol Jordi Savall.

O musicólogo, maestro e compositor espanhol Jordi Savall renunciou esta quinta-feira ao Prémio Nacional de Música, de Espanha, acusando o Governo espanhol de "irresponsabilidade e incompetência", na defesa da arte.

Jordi Savall, 73 anos, foi distinguido na quarta-feira com o Prémio Nacional de Música, mas anunciou hoje, em comunicado, que renuncia "com profunda tristeza" ao galardão, instituído pelo Ministério da Cultura de Espanha, lamentando o desprezo por quem tenta manter vivo "o património musical hispânico".

O músico, que atuou no dia 19 em Lisboa e se apresenta a 4 de novembro no Porto, agradeceu o reconhecimento pelo prémio, no valor de 30 mil euros, mas justifica esta renúncia como um "ato de repulsa em defesa da dignidade dos artistas", e que possa servir de "reflexão para pensar e construir un futuro mais esperançoso para os jovens".

"A ignorância e a amnésia são o fim de toda a civilização. Sem educação não há arte e sem memória não há justiça", sublinhou o musicólogo catalão, lamentando "a falta de consciência do valor da cultura" por parte "dos responsáveis pelas mais altas instâncias do governo de Espanha".

O Ministério da Cultura de Espanha anunciou na quarta-feira a atribuição do Prémio Nacional de Música 2014 a Jordi Savall, um dos mais reputados especialistas em música antiga, pelo seu "inesgotável trabalho de recuperação e divulgação do patrimóni musical espanhol".

Presença assídua em Portugal ao longo dos últimos anos, Jordi Savall conta com mais de 40 anos de carreira, dedicados à música antiga, na investigação, interpretação - em viola da gamba -, e direção musical.
Lusa

Diário Digital

Suécia é o primeiro país da UE a reconhecer o Estado da Palestina

Suécia  é o primeiro país da UE a reconhecer o Estado da Palestina

O governo sueco reconheceu hoje por decreto o Estado da Palestina, o primeiro país ocidental da União Europeia (UE) a tomar esta decisão.

«Hoje, o governo toma a decisão de reconhecer o Estado da Palestina. É um passo importante que confirma o direito dos palestinianos à autodeterminação», afirma a ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Margot Wallstr¶m, num artigo publicado no jornal Dagens Nyheter.
«O governo considera que estão reunidos os critérios do direito internacional para um reconhecimento do Estado da Palestina: um território, mesmo sem fronteiras fixas, uma população e um governo», destaca no texto.
«Esperamos que isto mostre o caminho a outros», acrescenta a ministra.
Pelo menos 112 países reconhecem o Estado da Palestina.
A Autoridade Palestiniana afirma que são 134, incluindo sete membros da União Europeia que terão feito o reconhecimento antes de entrar para o bloco: República Checa, Hungria, Polónia, Bulgária, Roménia, Malta e Chipre.
No início de Outubro, o primeiro-ministro Stefan L¶fven anunciou que a Suécia reconheceria o Estado da Palestina, o que provocou muitas críticas de Israel e dos Estados Unidos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

ZAP. aeiou
Ciência & Saúde  , ,

Cientistas lançam células estaminais tóxicas para “assassinar” o cancro do cérebro

 

bwjones / Flickr
Cientistas com células estaminais num laboratório
Cientistas com células estaminais num laboratório
Cientistas da Escola de Medicina de Harvard descobriram uma forma de transformar células estaminais em ‘máquinas’ para lutar contra o cancro do cérebro.
Numa experiência com ratos, as células estaminais foram geneticamente modificadas para produzir toxinas que podem matar tumores no cérebro sem matar as células normais.
Os investigadores dizem agora que o próximo passo será testar o processo em seres humanos.
“Depois de fazer toda a análise molecular e de imagem para controlar a inibição da síntese de proteínas dentro de tumores cerebrais, vimos as toxinas matarem as células cancerígenas“, explicou Khalid Shah, investigador da Escola de Medicina de Harvard e director do Laboratório de Neuroterapia no Hospital do Massachusetts.
“Toxinas para matar o cancro têm sido utilizadas com grande sucesso em uma variedade de tumores sanguíneos, mas eles não funcionam bem em tumores sólidos, porque os tumores não são tão acessíveis e as toxinas têm uma vida curta.”
DR harvard.edu
Khalid Shah, investigador da Escola de Medicina de Harvard
Khalid Shah, investigador da Escola de Medicina de Harvard
Mas geneticamente, a manipulação de células estaminais pode ter mudado tudo isso, conta Khalid Shah à BBC.
“Agora, temos células estaminais resistentes a toxinas que podem fazer e liberar essas drogas que matam o cancro”, explicou Shah.

Estudo

O estudo, publicado no jornal científico Stem Cells, foi resultado de um trabalho de cientistas do Hospital do Massachusetts, e do Instituto de Células Estaminais de Harvard, nos EUA.
Os investigadores passaram anos a estudar uma terapia com células estaminais que pudesse curar o cancro, baseada na ideia de fazer com que as células estaminais produzissem algo capaz de matar células cancerígenas, mas que não tivesse efeitos negativos sobre as células normais.
Ou seja, sem que as células saudáveis tivessem qualquer risco de ser atingidas pela toxina.
Para o conseguir, os cientistas modificaram geneticamente as células estaminais.
Nos testes em animais, as células estaminais foram então colocadas num gel e seguidamente num tumor cerebral retirado do cérebro de um espécimen com cancro.
As células cancerígenas morreram imediatamente, como se não tivessem nenhum tipo de defesa contra a toxina.
DR Khalid Shah
Células estaminais produtoras de toxinas (a azul) ajudam a matar células cerebrais cancerígenas (a verde)
Células estaminais produtoras de toxinas (a azul) ajudam a matar células cerebrais cancerígenas (a verde)

Cautela

Para Nell Barrie, cientista do Instituto de Pesquisa de Cancro do Reino Unido, o estudo teve resultados excelentes, mas é preciso ter cautela porque faz uma “abordagem engenhosa”.
“Precisamos urgentemente de melhores tratamentos para tumores cerebrais e isso pode ajudar num tratamento directo, exactamente onde ele é necessário.”
“Mas até agora a técnica só foi testada em ratos e em células cancerígenas em laboratório. Muito trabalho precisa ainda de ser feito antes de podermos afirmar que o tratamento é eficiente e pode ajudar os pacientes com tumores cerebrais”, completou.
Nell reiterou que este tipo de investigação poderia ajudar a aumentar as taxas de sobrevivência e trazer progressos muito importantes para a cura do cancro cerebral.
Chris Mason, professor de medicina regenerativa na Universidade de Londres, diz que este estudo é “bastante inteligente e indica que está a surgir uma nova onda de tratamentos contra o cancro”.
“Isto mostra que podemos atacar tumores sólidos colocando mini-farmácias dentro do paciente que liberam as toxinas directamente no tumor.”
“Essas células estaminais podem fazer tanta coisa… o futuro será assim”, concluiu Mason.
ZAP / BBC
SAPO Desporto
Angola
28-10-2014 13:45

Sumbe acolhe Taça de Angola em basquetebol e futebol adaptado

A prova decorre no próximo sábado, na província do Cuanza Sul.
Futebol com muletas
Foto: ANGOP Futebol com muletas
Por SAPO Desporto c/ Angop sapodesporto@sapo.pt
A cidade do Sumbe, província do Cuanza Sul, acolhe no próximo sábado a primeira edição da Taça de Angola em basquetebol e futebol com muletas, numa organização do Comité Paralímpico Angolano (CPA).
Em declarações à Angop, o secretário da associação local do desporto adaptado, Abel Bravo, adiantou estarem criadas as condições para a realização dos dois eventos.

Bravo acrescentou que a prova de basquetebol em cadeira de rodas será realizada no campo multiuso do Benfica Sport do Sumbe, e de futebol com muletas no estádio Hoji Ya Henda.

Em basquetebol defrontam-se Kabuscorp de Cabinda e Complexo da Cidadela, respetivamente campeão e vice-campeão nacional, enquanto em futebol com muletas jogam Misto do Huambo e de Luanda (campeão nacional e vencedor da Taça Lwine).

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

DN

Portugueses pioneiros na técnica para reparar lesões na medula

por Ana Bela Ferreira
Portugueses pioneiros na técnica para reparar lesões na medula
Britânicos revelaram ontem recuperação de um paraplégico graças a um autotransplante de células da mucosa olfativa. Estas células são usadas desde 2001 no Hospital de Egas Moniz e também há quem tenha voltado a andar
Darek Fidyka, um búlgaro que ficou paralisado há quatro anos, voltou a andar depois de submetido a um auto transplante de células das mucosas olfativas. A sua recuperação foi divulgada ontem. António Pereira, de Peniche, também ficou paralisado em 2004 e desde 2008 que consegue pôr-se de pé e dar alguns passos, graças a um autotransplante das células das mucosas olfativas, realizado no Hospital de Egas Moniz (HEM), em Lisboa.
O êxito da técnica britânica que ontem foi notícia um pouco por toda a Europa foi publicado na revista Cell Transplatantion e o seu autor considerou, em declarações à BBC, que este avanço é "mais impressionante do que o homem andar na Lua". No estudo, a equipa coordenada por Geoffrey Raisman explicita: "Do nosso conhecimento, esta é o primeira indicação clínica de efeitos benéficos de transplantes autólogos de células bulbares [na mucosa olfativa]."
No entanto, a recuperação de movimentos de pessoas paralisadas usando as células das mucosas olfativas começou a ser feita em Portugal, em 2001, por uma equipa liderada pelo neurologista Carlos Lima (falecido em 2012). A técnica portuguesa foi aplicada a dezenas de doentes nacionais e norte-americanos, alcançando também resultados positivos. Alguns conseguiram voltar a andar, com apoio de andarilho, ou mantêm-se em pé. Este programa passou a contar, em 2003, com a parceria do Wayne State University, em Detroit.
"Conseguimos melhorias muito importantes. Um deles não conseguia mexer-se e agora anda com a ajuda de um andarilho", explica ao DN Jean Peduzzi-Nelson, investigadora daquela universidade e conselheira da técnica desenvolvida em Portugal. Outros recuperaram movimentos e sensibilidade, como é o caso de António Pereira.
O português, hoje com 42 anos, teve um acidente de mota em 2004 que o deixou condenado a uma cadeira de rodas e sem mobilidade. Depois de um ano de fisioterapia ouviu falar da técnica do HEM e decidiu candidatar-se. "Acabei por fazer exames em 2008 e fui escolhido para fazer a cirurgia. Não queria ficar dependente de ninguém." Antes da intervenção fez três meses de fisioterapia intensiva e dois meses depois voltou ao centro de reabilitação. Hoje, António Pereira, que trabalha numa loja de informática, consegue tomar banho sozinho, recuperou a sensibilidade e o controlo abdominal e da bexiga. E consegue andar com órtoses (apoio externo que dá estabilidade às pernas) e um andarilho, mas só em casa. "Ando muito devagar e para conseguir levar e buscar o meu filho à escola ou ir trabalhar vou de cadeira de rodas", conta. Mas garante: "A cirurgia do Dr. Carlos Lima mudou-me a vida."