sábado, 6 de dezembro de 2014

ZAP  aeiou

ONU defende aumento do salário mínimo e RSI em Portugal

Bill Dickinson / Flickr
O Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas considera que Portugal deve aumentar o salário mínimo nacional, alinhando-o com a evolução do custo de vida, e alargar os potenciais beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI).
Num relatório a que a agência Lusa teve acesso, o comité “toma nota do aumento da proporção de empregados que recebem o salário mínimo, que passou de 5,5% em abril de 2007, para 12% em outubro de 2013 e, apesar de elogiar a decisão do Estado de aumentar o salário mínimo de 485 para 505 euros em outubro, depois de ter sido congelado desde 2011, continua preocupado que continue a não ser suficiente para dar aos trabalhadores e às suas famílias uma vida decente”.
Por isso, os peritos recomendam a Portugal “que garanta que o salário mínimo assegure aos trabalhadores e famílias uma vida decente e que seja periodicamente revisto e ajustado em linha com o custo de vida”.
O relatório foi elaborado pelo Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas, um órgão criado pelo Conselho Económico e Social das Nações Unidas composto por 18 peritos independentes que controlam o cumprimento das obrigações dos estados que subscreveram o acordo.
Esta é a quarta avaliação da transposição dos princípios do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que Portugal assinou em 1978, para a legislação portuguesa, e resulta de um conjunto de reuniões entre a delegação portuguesa e o comité das Nações Unidas responsável de avaliar o cumprimento dos princípios do tratado pela parte portuguesa.

Rendimento Social de Inserção também insuficiente

Outra das recomendações na parte que analisa os direitos laborais, no âmbito do princípio do direito ao emprego, prende-se com o conjunto de prestações sociais destinadas a garantir uma subsistência mínima aos mais desfavorecidos.
“O Conselho está preocupado que os benefícios usados no ‘Indexante de Apoios Sociais’, congelado nos últimos anos como parte das medidas de austeridade, bem como o montante mínimo do subsídio de doença, não sejam suficientes para dar aos beneficiários e às suas famílias um nível de vida decente, afetando em particular os grupos e pessoas mais desfavorecidos”.
Assim, a ONU, depois de lembrar que a taxa de pobreza atingiu 18,7% em 2012, o nível mais elevado desde 2005, sublinha a sua preocupação com os “altos níveis de desigualdade no rendimento” e recomenda a Portugal que “fortaleça os esforços para combater a pobreza”, nomeadamente combatendo as falhas na cobertura da proteção social e a adequação dos subsídios, garantindo que o sistema de segurança social incida efetivamente sobre os que estão em alto risco de pobreza.
Especificamente, os peritos da ONU consideram que o nível de referência do RSI “deve ser aumentado progressivamente para garantir o aumento do número de beneficiários elegíveis”.
Por outro lado, a ONU recomenda também que o índice de apoio social seja “ajustado em linha com a evolução das necessidades dos beneficiários, com vista a reduzir as desigualdades no rendimento e acabando por eliminar o impacto adverso das medidas de austeridade.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

ZAP aeiou
Ciência & Saúde  ,

Cientistas descobrem escudo invisível que protege a Terra de radiação perigosa

Goddard / NASA
Esta animação ilustra como as partículas se movem através das cinturas de radiação da Terra. A esfera no meio mostra uma nuvem de material mais frio chamada plasmasfera. Novas investigações mostram que a plasmasfera ajuda a manter os electrões altamente energéticos e rápidos, das cinturas de radiação, longe da Terra
Esta animação ilustra como as partículas se movem através das cinturas de radiação da Terra. A esfera no meio mostra uma nuvem de material mais frio chamada plasmasfera. Novas investigações mostram que a plasmasfera ajuda a manter os electrões altamente energéticos e rápidos, das cinturas de radiação, longe da Terra
Cientistas descobriram que as chamadas Cinturas de Van Allen, duas zonas de radiação fervilhante que rodeiam a Terra, contêm uma barreira quase impenetrável que impede os electrões mais rápidos e energéticos de chegar à Terra.
As Cinturas de radiação de Van Allen são uma colecção de partículas carregadas, reunidas pelo campo magnético da Terra. Podem aumentar e diminuir em resposta à energia recebida do Sol, por vezes inchando o suficiente para expor os satélites em órbita baixa da Terra a radiação prejudicial.
A descoberta do colector, que actua como uma barreira dentro das cinturas, foi feita pelas sondas Van Allen da NASA, lançadas em Agosto de 2012 para estudar a região. Um artigo sobre estes resultados foi publicado na edição online de dia 27 de Novembro da revista Nature.
“Esta barreira para electrões ultra-rápidos é uma característica marcante das cinturas,” afirma Dan Baker, cientista espacial da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, e autor principal do estudo. “Fomos capazes de a estudar pela primeira vez, porque nunca tivemos medições tão precisas desses electrões altamente energéticos até agora.”
A compreensão do que dá às cinturas de radiação a sua forma e do que pode afectar o modo como incham ou encolhem ajuda os cientistas a prever o aparecimento dessas alterações. Tais previsões podem ajudar os cientistas a proteger os satélites na área da radiação.
As Cinturas de Van Allen foram a primeira descoberta da era espacial, medidas com o lançamento do primeiro satélite americano, o Explorer 1, em 1958. Nas décadas seguintes, os cientistas descobriram que o tamanho das cinturas pode mudar – podem até fundir-se ou mesmo separar-se ocasionalmente em três cinturas. Mas geralmente a cintura interna estende-se entre os 650 e os 9650 km acima da superfície da Terra e a cintura exterior entre os 13.500 e os 58.000km acima da superfície da Terra.
Uma zona de espaço quase vazio normalmente separa as cinturas. Mas, o que as mantém separadas? Porque é que existe uma região entre as cinturas, sem electrões?
É aqui que entra a barreira recém-descoberta. Os dados das sondas Van Allen mostram que a borda interna da cintura exterior é, de facto, altamente pronunciada. Para os electrões mais rápidos e energéticos, esta orla é uma fronteira que, em circunstâncias normais, os electrões simplesmente não conseguem penetrar.
“Quando estudamos os electrões altamente energéticos, só chegam até uma certa distância da Terra,” afirma Shri Kanekal, cientista-adjunto da missão das sondas Van Allen no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Marylan, e co-autor do artigo publicado na Nature. “Isto é completamente novo. Nós certamente não esperávamos tal coisa.”
A equipa analisou as possíveis causas e determinou que as transmissões geradas por humanos não eram a causa da barreira. Analisaram também as causas físicas: será que a própria forma do campo magnético da Terra cria esta fronteira? Os cientistas estudaram essa hipótese, mas eliminaram a possibilidade.
E no que toca à presença de outras partículas espaciais? Parece ser esta a causa mais provável.

Plasmasfera

As cinturas de radiação não são as únicas estruturas de partículas ao redor da Terra. Uma nuvem gigante de partículas carregadas e relativamente frias, chamada plasmasfera, preenche a região mais exterior da atmosfera da Terra, começando a partir dos 960km e estendendo-se parcialmente até à cintura exterior de Van Allen. As partículas no limite exterior da plasmasfera fazem com que as partículas na cintura exterior de radiação se dispersem, removendo-as da cintura.
Goddard / NASA
Uma nuvem de gás frio e carregado em redor da Terra, chamada plasmasfera e vista aqui em roxo, interage com as partículas nas cinturas de radiação da Terra - em cinzento - para criar uma barreira impenetrável que impede com que os electrões mais rápidos se movam para mais perto do nosso planeta
Uma nuvem de gás frio e carregado em redor da Terra, chamada plasmasfera e vista aqui em roxo, interage com as partículas nas cinturas de radiação da Terra – em cinzento – para criar uma barreira impenetrável que impede com que os electrões mais rápidos se movam para mais perto do nosso planeta
Este efeito de dispersão é bastante fraco e pode não ser suficiente para manter os electrões na orla no lugar, à excepção de um capricho de geometria: os electrões da cintura de radiação movem-se incrivelmente rápido, mas não em direcção à Terra. Em vez disso, movem-se em círculos gigantes em torno da Terra.
Os dados das sondas Van Allen mostram que na direcção da Terra, os electrões mais energéticos têm muito pouco movimento, se é que o têm – apenas uma deriva lenta e subtil que ocorre ao longo de meses. Este é um movimento tão lento e fraco que pode ser repelido pela dispersão provocada pela plasmasfera.
Isto também ajuda a explicar por que – sob condições extremas, quando um vento solar especialmente forte ou uma erupção solar gigante, como uma ejecção de massa coronal, envia nuvens de material para o espaço próximo da Terra – os electrões da cintura exterior podem ser empurrados para a região normalmente vazia entre as cinturas.
“A dispersão devida à plasmapausa é forte o suficiente para criar uma parede na borda interna da cintura exterior de Van Allen”, afirma Baker. “Mas um evento solar forte faz com que a fronteira da plasmasfera se mova para dentro.”
Uma entrada maciça de matéria do Sol pode corroer a plasmasfera exterior, movendo os seus limites para dentro e permitindo com que os electrões das cinturas de radiação também se movam mais para perto da Terra.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014


UNESCO - Cante Alentejano é Património Imaterial da Humanidade




 

O Cante Alentejano é Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A decisão foi conhecida hoje em Paris no decorrer a 9.ª reunião do Comité Internacional da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (PCI).

Café Portugal | quinta-feira, 27 de Novembro de 2014


A decisão agora conhecida decorre do parecer positivo de uma comissão internacional da UNESCO que, no final de Outubro passado, aceitou a candidatura do Cante Alentejano. A mesma comissão garantiu, à data, que a candidatura portuguesa reunia todas as condições para ser inscrita na Lista Representativa do Património Imaterial.


O Cante é expressão de um povo que canta os trabalhos do campo, os bailaricos, as festas religiosas, os amores juvenis, no embalo de palavras tecidas por poetas populares.


A declaração do Cante Alentejano como Património da Humanidade foi aprovada às 11h18, hora francesa, (10h18 em Portugal continental).


Os membros presentes na reunião do comité da UNESCO, consideraram a candidatura como um dos «bons exemplos selecionados pelo comité».


A pedido da comitiva portuguesa, e após a decisão, as vozes de cantadores alentejanos fizeram-se ouvir na sala onde está reunido o comité. Uma actuação muito aplaudida.


A candidatura agora reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade, contou com a organização da Câmara de Serpa, Confraria do Cante Alentejano e Entidade de Turismo do Alentejo a candidatura do Cante e com os apoios da Casa do Alentejo e da Associação MODA - Associação do Cante Alentejano.


A Comissão de Honra da candidatura é presidida, entre outras personalidades, pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, pelo presidente do conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, pelo presidente do Grupo Nabeiro/Delta Cafés Rui Nabeiro, por Tomé Pires, Presidente da Câmara Municipal de Serpa, e António Ceia da Silva, Presidente da Direcção da Turismo do Alentejo e Ribatejo.


Recorde-se que a candidatura do Cante foi entregue à UNESCO em Março de 2013, depois de, em 2012, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter decidido adiar a sua apresentação, por considerar que o processo não reunia condições para ser aceite.


O Comité Internacional da UNESCO está reunido em Paris (França) até 28 de Novembro.


A Convenção da UNESCO para a salvaguarda do PCI entrou em vigor em 2006, foi assinada por 146 países, e ratificada por Portugal em 2008.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


 VISÃO

Veja a homenagem de 35 artistas portugueses a Carlos do Carmo

Um vídeo de "Lisboa Menina e Moça" a 35 vozes serve de homenagem a Carlos do Carmo, no dia em que o fadista recebe o Grammy Latino de Carreira no Hollywood MGM de Las Vegas.

O fadista Carlos do Carmo recebe hoje o Grammy Latino de Carreira, no Hollywood MGM Theatre, em Las Vegas, no Nevada, antecedendo a entrega anual dos Grammy Latinos, na quinta-feira.

Além do criador de "Canoas do Tejo", recebem igualmente um Grammy de Carreira, por "Excelência Musical", Willy Chirino, César Costa, o Dúo Dinámico, Los Lobos, Valeria Lynch e Ney Matogrosso.

Nesta mesma cerimónia, prevista para as 10:00 locais (18:00, hora continental portuguesa), recebem o Prémio do Conselho Diretivo da Latin Academy of Recording Arts and Sciences (LARAS) os músicos André Midani e Juan Vicente Torrealba.

Para homenagear Carlos do Carmo, a Rádio Comercial reuniu 35 artistas para cantar "Lisboa Menina e Moça".




quarta-feira, 12 de novembro de 2014

VISÃO 
 
Vacina pode dar a idosos sistema imunitário de jovens de 
20 anos

Quarta feira, 12 de Novembro de 2014
 Uma vez injetado, o novo medicamento, acreditam os investigadores, tornará os sistemas imunitários mais vulneráveis muito mais eficazes, permitindo reduzir o número de mortes por gripe entre a população mais idosa.
 Cientistas britânicos da Universidade de Oxford desenvolveram um tratamento para impulsionar o sistema imunitário dos mais idosos, "rejuvenascendo-o": Os investigadores acreditam que o medicamento permitirá a alguém com 90 anos ter o sistema imunitário de um jovem nas casa dos 20. 
Se os ensaios clínicos confirmarem este resultado, obtido em ratos, os médicos terão em mãos uma forma de reduzir drasticamente as mortes anuais por gripe. 
Só em Portugal, a gripe mata anualmente entre 1500 a 2000 pessoas e mais de 500 mil a nível mundial. Parte do problema é a fraca reação dos mais idosos à vacina contra a gripe, o que poderá ser combatido com o novo medicamento, capaz de restabelecer a "memória" enfraquecida do sistema imunitário. O químico poderá até ser administrado em conjunto com as vacinas existentes.
 Ler mais: http://visao.sapo.pt/vacina-pode-dar-a-idosos-sistema-imunitario-de-jovens-de-20-anos=f801244#ixzz3IsugS16b

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cientistas descobrem mecanismo de cura espontânea de VIH

simcsea / Flickr
-
Cientistas franceses anunciaram esta terça-feira ter descoberto o mecanismo genético de uma “cura espontânea” em dois homens infetados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) e propuseram uma nova estratégia para combater a SIDA.
A descoberta é baseada no estudo de dois homens infetados com o VIH que nunca desenvolveram sintomas de SIDA. O vírus permaneceu nas células do sistema imunitário, mas foi inativado porque o seu código genético foi alterado, segundo os investigadores.
Em análise estiveram os casos de um homem de 57 anos diagnosticado VIH positivo em 1985 e um outro de 23 anos diagnosticado em 2011.
Os cientistas sequenciaram o genoma do VIH em amostras retiradas dos dois homens que, dizem, registaram uma “aparente cura espontânea”.
A mutação pode estar ligada a uma enzima comum designada APOBEC, indicou a equipa científica.
“O trabalho abre caminhos terapêuticos para a cura, utilizando ou estimulando aquela enzima”, indicam os investigadores num comunicado.
A investigação, publicada na revista Clinical Microbiology and Infection, foi realizada por cientistas do Instituto Nacional de Saúde e de Investigação Médica (INSERM).
Até hoje há apenas um caso conhecido de cura de um doente com SIDA, Tomothy Ray Brown, que recebeu um transplante de medula para combater uma leucemia, de um dador com resistência ao HIV.
ZAP / Lusa

  Diário Digital

Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes

Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes

Joana Gaspar, investigadora de pós-doutoramento na Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP-ERC) e no Centro de Doenças Crónicas (CEDOC) da Universidade NOVA de Lisboa, estuda mecanismos celulares e moleculares da diabetes e acaba de ser galardoada com o prémio Europeu da Federação Internacional de Diabetes (IDF) para jovens investigadores.

A APDP é a associação de doentes diabéticos mais antiga do mundo e o CEDOC é o mais recente instituto de investigação com sede em Lisboa no campus de Santana.
O prémio foi entregue nas cerimónias do Dia Mundial da Diabetes, que decorreu esta quarta-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
A atribuição do prémio reconheceu «a excelência da investigação científica na área da Biologia celular e molecular aplicada à Diabetes, especificamente no estudo de novos mecanismos de regulação da glicose pós-prandial (após uma refeição) e sensibilidade à insulina».
Joana Gaspar integra projectos de medicina translacional, que envolvem a colaboração entre o CEDOC e a APDP, explicando que «o nosso principal objectivo é descobrir novos factores fisiológicos que aumentem a sensibilidade à insulina, de modo a prevenir e superar a resistência inicial à insulina que está associada ao desenvolvimento da diabetes tipo 2».
A equipa de investigação de que faz parte Joana Gaspar está focada a estudar os sinais induzidos pela alimentação que aumentam a sensibilidade à insulina como resposta à ingestão de determinados nutrientes. O fígado é um dos órgãos chave que integra estes sinais alimentares, permitindo uma melhor sensibilidade à insulina por parte de outros órgãos, como é o caso do músculo esqueléticos, coração e rins. Estudos recentes indicam que a insulina é captada e metabolizada pelo fígado levando à produção de novas moléculas que aumentam a sensibilidade à insulina, contribuindo para uma regulação mais eficaz dos níveis de glicose após as refeições.
«Estamos a investigar os sinais alimentares em irmãos de pessoas com diabetes tipo 2, uma vez que são um importante grupo de risco para desenvolver a doença. Ao percebermos como é que estes sinais atuam pode-se desenvolver novos tratamentos que irão ajudar a prevenir a progressão da diabetes tipo 2», esclarece a investigadora.
Desde o início da sua carreira que Joana Gaspar se interessa por compreender as complexidades da diabetes e suas complicações associadas. «A diabetes é a doença crónica mais comum, afectando milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, um em cada 10 adultos tem diabetes», refere a investigadora. Acrescenta ainda que «o que é muito alarmante é que cerca de metade das pessoas com diabetes ainda não foi diagnosticada. Apesar da intensa investigação para compreender esta doença, ainda existe um longo caminho a percorrer no estudo da diabetes, que continua uma doença sem cura. Assim a mais pequena descoberta poderá ter um enorme impacto na vida destas pessoas, especialmente por ser uma doença silenciosa, com inúmeros factores e que afecta todos os órgãos».
«É uma honra para mim receber este prémio. Mais do que o reconhecimento do meu trabalho, é o reconhecimento do empenho de todas as pessoas que trabalham comigo e que tornam possível estas descobertas. É isto que nos motiva a fazer mais para compreender a Diabetes, melhorar a vida das pessoas que vivem nesta condição e, finalmente, ajudar a encontrar a cura para esta doença», remata Joana Gaspar.
O prémio atribuído a Joana Gaspar durante as cerimónias no Parlamento Europeu foi entregue por. João Nabais, presidente da IDF - Europa. A investigadora recebeu um cheque de 10 mil euros, que será doado a uma instituição à sua escolha.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

 

Novo tratamento em Coimbra ao cancro da próstata preserva potência sexual

 
  Por Agência Lusa
publicado em 4 Nov 2014
A nova técnica, no entanto, “não é, para já, aplicável a todos os doentes com cancro da próstata”, esclareceu o médico
Uma equipa coordenada pelo urologista Nuno Maia realizou hoje, em Coimbra, um novo tratamento ao cancro da próstata, que visa “preservar a potência sexual e a continência urinária” do paciente.
Nuno Maia disse à agência Lusa que “este procedimento inovador tem a vantagem de causar a mínima agressão cirúrgica ao doente”, ao permitir a eliminação, “apenas, de o núcleo de células malignas que se pretende destruir”.
A realização deste tratamento a um homem de 64 anos, residente na região Centro, envolveu quatro médicos e dois enfermeiros, com a colaboração do urologista Massimo Valério, do hospital University College of London, em Inglaterra.
A equipa realizou, num hospital privado de Coimbra, uma intervenção denominada “eletroporação irreversível prostática”, com a ajuda de agulhas e corrente elétrica, proporcionando “a tecnologia mais recente e promissora no tratamento focal do cancro da próstata”.
Segundo Nuno Maia, coordenador da equipa de urologia da Idealmed Unidade Hospitalar de Coimbra - local da intervenção -, uma das vantagens desta técnica é “a preservação na totalidade da potência sexual e continência urinária”.
O procedimento, realizado no bloco operatório, sob anestesia geral e com apenas um dia de internamento, consiste na colocação de duas ou mais agulhas no tecido prostático, com recurso à ecografia biplanar, utilizando uma corrente elétrica “com determinadas características”.
O próprio sistema imunitário do doente removerá o tecido destruído, “sem daí resultar qualquer sequela ou cicatriz”, adiantou à Lusa Nuno Maia, que obteve formação específica, em Londres, realizando agora a sua primeira intervenção com estas características.
A nova técnica, no entanto, “não é, para já, aplicável a todos os doentes com cancro da próstata”, esclareceu o médico.

domingo, 2 de novembro de 2014

JN

Técnicos de contas pagam dívida a viúva com casa penhorada


Em 24 horas, um movimento que surgiu no Facebook, num grupo de técnicos de oficiais de contas, angariou 1900 euros para pagar a dívida que uma viúva, de Ílhavo, tinha ao Fisco. A casa da família foi salva.
 
Global Imagens

Houve quem doasse apenas um euro. Houve quem doasse mais de cem. O certo é que, em menos de 24 horas, um movimento espontâneo que nasceu no Facebook - num grupo ao qual pertencem mais de quatro mil técnicos oficiais de contas - conseguiu angariar os 1902,16 euros que Maria (nome fictício) necessitava para que a sua casa, onde vive com dois filhos e dois netos menores, na Colónia Agrícola, em Ílhavo, não fosse vendida em leilão pelas Finanças.
Paulo Gama, Manuela Mendes e Susana Eusébio, oriundos de diversos pontos do país, são alguns dos nomes da solidariedade que salvou a família ilhavense. A eles juntaram-se centenas de pessoas - entre as quais, não só técnicos oficiais de contas, como eles, mas também militares, entre outros - que em tempo recorde angariaram o dinheiro necessário. Na sexta-feira, foram diretamente às Finanças, pagaram a dívida de uma pessoa que não conhecem e, em troca, receberam a gratidão eterna de Maria. A mulher, de 52 anos, viúva, é funcionária de uma seca de bacalhau e viu a sua casa ser penhorada, pelas Finanças, devido a uma dívida de 1900 mil euros relativa ao imposto municipal sobre imóveis (IMI) e ao imposto único de circulação.
"Revoltámo-nos quando soubemos da história pela Comunicação Social. Não se pode tirar uma casa a uma pessoa que não a pode pagar. Onde é que aquelas crianças iam dormir?", questiona, ao JN, Paulo Gama, 40 anos, de Castelo Branco.
Há dinheiro para cabaz
A casa de Maria, construída pelo seu marido falecido, ia ser colocada em leilão eletrónico na quarta-feira, por um mínimo de 19 500 euros. "A Susana Eusébio partilhou a história no grupo de contabilistas do Facebook. E a Manuela, de Lisboa, foi por sua iniciativa a uma repartição das Finanças e pagou os 20% da dívida para que o leilão fosse adiado 15 dias", recorda Paulo, técnico oficial de contas. Ao saber do gesto da colega, Paulo prontificou-se para pagar com ela a primeira tranche. E, de imediato, tratou de tudo para que fosse angariado o restante dinheiro, até perfazer os 1900 euros.
"As crianças não podem pagar pelos erros dos pais. A lei é injusta", sublinha Paulo, frisando que o grupo não agiu para ter "qualquer reconhecimento público".
No final das contas, o montante arrecadado ultrapassou o valor previsto. Há mais, pelo menos, 650 euros, de donativos que as pessoas quiseram continuar a fazer chegar, para o grupo oferecer um cabaz com bens de que a família necessite.
"Só posso agradecer do fundo do coração a estes anjos", disse Maria, ao JN

sábado, 1 de novembro de 2014

Psicopedagoga conta como viveu um ano sem dinheiro – num livro que se troca

Lbc Fotografia, andrezuska.salgueirix / Facebook
Andresa Salgueiro viveu durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e um minuto apenas com 1.111 euros
Andresa Salgueiro viveu durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e um minuto apenas com 1.111 euros

Três anos depois de ter começado a grande aventura de viver durante um ano apenas com 1.111 euros, Andresa Salgueiro vai contar a sua experiência num livro cuja particularidade é ser trocado e não vendido.
Três anos depois de ter começado a grande aventura de viver durante um ano apenas com 1.111 euros, Andresa Salgueiro vai contar a sua experiência num livro cuja particularidade é ser trocado e não vendido.
Com lançamento marcado para este sábado, os 1.111 exemplares do livro foram “pagos” através de uma troca, tendo Andresa Salgueiro ficado de dar telhas à editora.
Tudo começou em 2011, quando Andresa Salgueiro, então com 35 anos, se sentiu triste com a monotonia da sua vida.
“Era efetiva numa empresa ligada à hotelaria, e sentia-me um bocado triste por fazer todos os dias a mesma coisa”, contou à agência Lusa.
andrezuska.salgueirix / Facebook
Andresa Salgueiro trocou com a editora a publicação do seu livro por telhas
“A minha vida estava a ser muito monótona e eu sempre tive o sonho de mudar o mundo, inspirar as pessoas, uma vez que sou psicopedagoga”, explicou Andresa Salgueiro.
A jovem decidiu então desafiar-se a si própria e viver durante 1 ano, 11 dias, 11 horas e 1 minuto apenas com 1.111 euros, apelando a muitas trocas – “umas mais fáceis de fazer que outras” — para conseguir sobreviver.
A aventura fez com que chegasse ao final do ano de 2011 ainda com dinheiro para gastar.
E hoje, dois anos volvidos, tem vivido quase sempre com 50 euros mensais (100 no máximo) para despesas extraordinárias que não possam ser alvo de trocas.
Andresa Salgueiro considera que o facto de não ter de pagar uma casa – já que vive numa habitação da família – ajudou a poder manter o projeto, mas explicou que chegou a “emprestar” um quarto a uma pessoa que, em troca, pagou as contas de eletricidade, da água e do condomínio.
“Sou adaptável ao máximo, para poder propor uma troca em função das necessidades das pessoas. Ao longo destes três anos aprendi a fazer imensas coisas diferentes, que são mais-valias para ajudar os outros”, explicou, lembrando que as suas principais “moedas de troca” são a criação de ‘sites’ e a elaboração de currículos profissionais.
No entanto, Andresa Salgueiro também fez limpezas, passeou animais, preparou refeições, dedicou-se a arrumações e decorou quartos, e admite que o mais difícil foi trocar as despesas da casa (luz e água).
Outra das dificuldades foi conseguir “pagar” o gasóleo para o carro com trocas, mas hoje já tem o próprio automóvel no sistema de trocas.
O lançamento do livro vai acontecer em Lisboa, mas, para ser coerente com a repetição de um número importante para si, estará colocado em 11 locais da capital, onde poderá ser trocado por outros bens.
Andresa Salgueiro pretende depois visitar 11 distritos portugueses para distribuir os livros – 38 exemplares por distrito -, sendo que cada região irá escolher uma associação para ajudar e os interessados no livro poderão “comprá-lo” trocando-o por bens ou serviços em prol da causa.
A autora considera que o livro é o “fechar de um ciclo”, tendo decidido terminar agora a experiência.
Fazer trocas “é giro, divertido e aventureiro”, mas também “é cansativo”, porque o dinheiro permite “não ter de dar satisfações a ninguém se pretendemos beber um sumo ou comer um gelado”, explicou.
“Nas trocas, temos de estar sempre a negociar, a despender do nosso tempo para fazer o serviço”, afirmou, embora reconheça que nunca irá deixar de fazer trocas.
“O dinheiro dá-nos independência, mas a troca dá-nos outra coisa: a aproximação com as pessoas, o alargar da rede de contactos, o sentir que estamos a fazer coisas úteis e a fazer o bem aos outros”, disse.
/Lusa