quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"Libertem Raif." Em Belém contra as 1000 vergastadas

Aos 30 anos, Raif Badawi viu a sua vida levar uma volta por escrever textos em que falava sobre religião e separação de poderes no reino saudita. Acusado em 2012 de insultar o Islão e o rei, no ano seguinte foi condenado a 10 anos de prisão e 1000 vergastadas. As primeiras 50, desferidas nas costas e nas pernas, deixaram-no muito mal de saúde.
 
Pela liberdade de expressão e pelo fim imediato dos castigos corporais a que Raif Badawi foi submetido
Pela liberdade de expressão e pelo fim imediato dos castigos corporais a que Raif Badawi foi submetido /  Ricardo Rodrigues da Silva

Não eram muitos, mas estavam em número suficiente para prender o olhar de quem passava de carro pela zona de Belém, em Lisboa, esta quarta-feira. E a ameaça de frio e de chuva não os fez ceder: dezenas de pessoas concentraram-se junto à embaixada da Arábia Saudita para apelar à libertação do escritor saudita Raif Badawi. A cor amarela destacava-se nos cartazes que jovens e adultos seguravam, virados para a estrada.
Na Avenida do Restelo, em Belém, cartazes dizendo "Libertem Raif", "Defenda os direitos humanos" e "Julgamentos justos, sim" revelavam a razão da vigília promovida pela Amnistia Internacional: lutar pela liberdade de expressão e pelo fim imediato aos castigos corporais a que Raif Badawi foi submetido no ano passado. Castigos que Teresa Pina, diretora-executiva da Amnistia Internacional de Portugal, classifica de "cruéis e desumanos".
Raif Badawi foi preso em 2012 e acusado de insultar o Islão nos textos que escrevia para o blogue Rede Liberal Saudita , debatendo questões como a separação de poderes no reino e a religião. A sua condenação consiste em 10 anos de prisão, o pagamento de uma multa significativa, a proibição de voltar a ter acesso aos media e em 1000 vergastadas, das quais já suportou as primeiras 50, nas costas e nas pernas, no passado dia 9 de janeiro, que o deixaram muito mal de saúde e obrigaram ao adiamento de outras sessões desse castigo. Este é um caso que tem sido acompanhado um pouco por todo o mundo e, de acordo com Teresa Pina, "está a pôr em causa a liberdade de expressão".
No grupo de pessoas presentes destacava-se Anabela Seabra, por conseguir segurar um cartaz apesar de estar apoiada em canadianas. Apesar de ter sido operada recentemente a um joelho, esta mulher de 54 anos não deixou de juntar-se a uma causa com a qual se identifica. Para Anabela, a libertação de Badawi simbolizará uma "pequena vitória, uma possibilidade de a Arábia Saudita abrir um pouco mais o horizonte às pessoas para que possam expressar-se".

Ricardo Rodrigues da Silva Ao todo, a Amnistia Internacional já recolheu mais de um milhão de assinaturas pela libertação de Raif Badawi
Uma opinião partilhada por Martins Guerreiro, um homem de "já muitos anos" - na verdade, são apenas 74 - que num tom calmo mas otimista e crente na libertação de Raif, que a acontecer significaria que realmente era "respeitada a dignidade daquela pessoa e que valeu a pena lutarmos por isso". Este septuagenário afirma-se convicto que não é do "interesse da Arábia Saudita continuar com estes atos macabros", porque a opinião pública está "atenta", tem divulgado este caso pelo mundo inteiro e aquele país não quer ficar com "má imagem".
 Ao todo, a Amnistia Internacional já recolheu mais de um milhão de assinaturas pela libertação de Raif Badawi. Para Teresa Pina, "não faz sentido" este saudita ser condenado "apenas por produzir a sua atividade num blogue, exprimindo opiniões políticas e de outra natureza". A diretora-executiva da Amnistia Internacional de Portugal reforça a luta por esta causa, afirmando que a liberdade de expressão é um "direito universal, garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos". E reforça: "Quando isso não é garantido, a Amnistia Internacional entende que estamos perante um prisioneiro de consciência e daí a mensagem que trazemos, a da libertação imediata e incondicional de Raif".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

ZAP aeiou

Médicos do Mundo impugnam patente do medicamento para hepatite C

SXC
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A ONG Médicos do Mundo apresentou esta terça-feira uma oposição contra a patente do medicamento Sofosbuvir, para a Hepatite C, concedida pelo Instituto Europeu de Patentes, considerando que o laboratório pratica “preços exorbitantes” e que deve ser aberta a concorrência.
Em comunicado, a organização não governamental (ONG) anuncia que apresentou este recurso legal, através do qual a validade de uma patente pode ser contestada, que se for bem sucedido “irá incentivar a concorrência de versões genéricas do Sofosbuvir”, um anti-viral usado no tratamento da Hepatite C e que tem uma taxa de cura superior a 90%.
“A oposição a uma patente é um recurso que já foi utilizado pela sociedade civil na Índia e Brasil para conseguir a revogação de uma patente concedida de forma indevida e a disponibilização de versões genéricas”, explica Olivier Maguet, do conselho da MdM para a hepatite C, acrescentando que estes “recursos levaram a uma descida considerável no custo dos tratamentos e ao acesso dos doentes que de outra forma não teriam a oportunidade.”
Esta é a primeira vez na Europa que uma ONG recorre a esta medida para melhorar o acesso dos doentes aos medicamentos.
Há vários meses que a MdM, em conjunto com outras organizações, vem alertando para os problemas colocados pelo custo dos novos tratamentos para a hepatite C e do Sofosbuvir em particular.
“O laboratório farmacêutico Gilead detém o monopólio do Sofosbuvir e está a comercializar este tratamento de 12 semanas a um preço exorbitante – 41 mil euros em França e 44 mil euros no Reino Unido -, impedindo assim que muitas pessoas tenham acesso ao medicamento”, sublinha a MdM.
Em Portugal, o Ministério da Saúde chegou, no final da semana passado, a acordo com o laboratório para fornecer o tratamento gratuitamente aos doentes, mas os custos para o SNS não foram revelados, embora a Gilead tenha começado por pedir valores superiores a 43 mil euros por um tratamento de 12 semanas.
A MdM alega que apesar de a utilização do Sofosbuvir no tratamento da hepatite C representar um enorme avanço terapêutico, a molécula em si, que resulta do trabalho de investigadores públicos e privados, não é suficientemente inovadora para garantir uma patente.
Assim, decidiu apresentar a sua contestação, já que “existe um abuso por parte da Gilead ao impor preços que não são sustentáveis aos sistemas de saúde”.
Se for aceite, o medicamento poderá começar a ser produzido em versões genéricas a um preço de apenas 101 dólares.
“Estamos a defender o acesso universal aos cuidados de saúde: a luta contra a desigualdade na saúde envolve a salvaguarda do sistema de saúde baseado na solidariedade”, explica Jean-François Corty, Diretor de Projetos da MdM França, que acrescenta que “mesmo num país “rico” como a França, com um orçamento anual para medicamentos de 27 mil milhões de euros, é difícil suportar este custo e já estamos a assistir a um racionamento arbitrário que exclui os doentes do tratamento”.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que existam 130 a 150 milhões de doentes crónicos de hepatite C, enquanto na União Europeia poderão estar infetadas entre 7,3 a 8,8 milhões de pessoas.
Segundo a MdM, em Portugal, onde o medicamento deverá ter um custo superior a 42 mil euros – 100 mil euros contabilizando todo o tratamento necessário -, estão registados nos hospitais mais de 13 mil doentes com hepatite C, estimando-se no entanto que o número de infetados seja de cerca de cem mil.
Anualmente a infecção mata cerca de mil pessoas.
/Lusa

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dança: alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional distinguidos no Prix de Lausanne


O bailarino português Miguel Pinheiro e o japonês Ito Mitsuru, ambos alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, foram distinguidos na final do Prix de Lausanne, que se realizou hoje na cidade suíça.

Miguel Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea, no Prix de Lausanne, além de garantir uma das bolsas atribuídas pela competição, e Ito Mitsuru obteve o terceiro lugar na final do concurso.
O jovem bailarino português Miguel Pinheiro foi distinguido hoje graças à sua atuação em dança contemporânea na final da 43.ª edição do Prix de Lausanne.
O bailarino português disse à Lusa que a dança contemporânea é uma modalidade que aprecia particularmente, na qual se sente seguro. "Estive muito à vontade", durante a prova, disse à Lusa. "Já não era a primeira vez [que prestava provas] e correu muito bem", afirmou.
O seu colega em Lisboa, o bailarino japonês Ito Mitsuru, obteve o terceiro lugar na final do concurso do Prix de Lausanne.
Para o diretor da Escola de de Dança do Conservatório Nacional, Pedro Carneiro, este resultado recompensa o trabalho de ambos. "o mérito é todo deles", disse.
Domingo, os restantes três candidatos portugueses presentes na Suíça - Alice Pernão, Teresa Dias e Francisco Patrício, também alunos da escola lisboeta - tem entrevistas marcadas com diretores de escolas e companhias internacionais, no quadro do forum especial de dança, organizado pelo Prix de Lausanne, de acordo com Pedro Carneiro.
Lançado em 1973, o Prix de Lausanne constitui um dos mais exigentes certames de dança a nível mundial, para jovens entre os 15 e os 18 anos, na fase final de formação.
Diário Digital com Lusa

 SAPO Cinema

Cinema espanhol premeia «La Isla Mínima» e homenageia Antonio Banderas

O thriller de Alberto Rodríguez ganhou 10 prémios Goya. Pedro Almodóvar apresentou o prémio de carreira ao ator que ajudou a revelar, mas foi polémico. O SAPO Cinema revela as melhores imagens.

«La Isla Mínima», do realizador Alberto Rodríguez, foi o grande triunfador da 29ª. edição dos Goya, prémios da Academia de Cinema de Espanha, ao arrecadar dez galardões.
Para além de melhor filme, foi distinguido pela realização, ator principal (Javier Gutiérrez), atriz revelação (Nerea Barros), argumento original, montagem, fotografia, banda sonora, direção artística e guarda roupa.
Exibido em Portugal na sessão de encerramento do último Cinefiesta - Mostra do Cinema Espanhol, o thriller sobre a investigação do desaparecimento de vários adolescentes no sul de Espanha em 1980, poucos anos após o fim da ditadura franquista, por parte de dois polícias, um mais ligado ao antigo regime e outro que foi resistente, confirmou o favoritismo pois tinha 17 nomeações.
O produtor, José Antonio Félez, destacou o grande ano que passou: «A todos os que fizeram filmes espanhóis durante 2014, muito obrigado. Conseguiram que um em cada quatro bilhetes vendidos fosse para ver um filme espanhol».
Para esse valor terá contribuído «Namoro à Espanhola», o maior sucesso de sempre do cinema do país vizinho: com 56 milhões de euros nas bilheteiras, o filme viu três dos seus atores receberem estatuetas: Dani Rovira foi considerado melhor ator revelação e Karra Elejalde e Carmen Machi os melhoes secundários.
Outro thriller, «El Niño», também exibido no Cinefiesta, partia com 16 nomeações, mas ficou-se por quatro Goya: direção de produção, canção, som e efeitos especiais.
Bárbara Lennie foi considerada a melhor atriz por «Magical Girl», enquanto a eterna e muito popular saga «Mortadela e Salamão», já no seu terceiro capítulo, recebeu o prémio de melhor argumento adaptado e melhor filme de animação.
«Ida», do polaco Pawel Pawlowsky, nomeado para os Óscares, recebeu o Goya de melhor filme estrangeiro. Outro candidato aos Óscares, «Relatos Selvagens», da Argentina, foi votado o melhor filme ibero-americano.
Um momento alto foi quando Antonio Banderas, com 55 anos, foi o mais jovem distinguido de sempre com um Goya pela sua carreira.
O prémio foi recebido das mãos de Pedro Almodóvar, que o revelou ao cinema e o escolheu para sete filmes, e que pouco antes cumprimentara «todos os amigos do cinema e da cultura (...)», acrescentando: «Senhor Wert, não está incluído».
A referência ao ministro da Educação, Cultura e Desporto, foi o momento de maior tensão de uma cerimónia que não estava previsto ser reivindicativa, mas que acabou por gradualmente dar visibilidade à polémica da aplicação dos 21% do IVA cultural.
O presidente da Academia de Cinema de Espanha, Enrique González-Macho, chegou mesmo a agradecer aos embaixadores dos EUA e França, presentes na sala, dando o exemplo dos seus países: «Fazem do cinema um assunto de Estado (...)», aludindo ao facto de produzirem filmes «poderosos» que levam a sua cultura a todo o mundo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Se seguirmos à letra todos os prazos de validade das nossas embalagens vamos acabar por deitar fora 40% de tudo o que compramos todos os meses, mas a verdade é que muitos dos produtos ainda estão em condições de serem ingeridos. O resultado é “atirarmos” para o lixo cerca de nove quilos de alimentos fora do prazo de validade, no mundo ocidental. No entanto, segundo o Grist, estas etiquetas com os prazos de validade são apenas indicações dos produtores ou distribuidores de alimentos, não quer dizer – e nunca poderia – que elas são para ser levadas à letra. Foi essa ideia que levou a designer Solveiga Pakstaite a desenhar a Bump Mark, uma nova etiqueta com o prazo de validade que nos diz – mesmo – se o alimento está ou não em condições de consumo.


 

http://greensavers.sapo.pt/files/greensavers.pngNova embalagem revoluciona prazo de validade e pode poupar toneladas de alimentos


Se seguirmos à letra todos os prazos de validade das nossas embalagens vamos acabar por deitar fora 40% de tudo o que compramos todos os meses, mas a verdade é que muitos dos produtos ainda estão em condições de serem ingeridos. O resultado é “atirarmos” para o lixo cerca de nove quilos de alimentos fora do prazo de validade, no mundo ocidental.
No entanto, segundo o Grist, estas etiquetas com os prazos de validade são apenas indicações dos produtores ou distribuidores de alimentos, não quer dizer – e nunca poderia – que elas são para ser levadas à letra. Foi essa ideia que levou a designer Solveiga Pakstaite a desenhar a Bump Mark, uma nova etiqueta com o prazo de validade que nos diz – mesmo – se o alimento está ou não em condições de consumo.
A Bump Mark é feita de quatro camadas diferentes, do topo ao fundo, incluindo um plástico, gelatina, pequena folha de plástico e outra fina tira, também de plástico. Assim, a própria embalagem entra em decomposição com a comida, indicando que esta não está boa para ser consumida.
À medida que a camada de gelatina começa a decompor-se com a comida, o que resta da embalagem é uma camada que nos avisa que a comida não está em condições e deverá ser colocada no lixo. Por outro lado, se ainda estiver suave ao toque, continua em condições.
“A gelatina é comida, por isso é afectada da mesma forma da comida que está na embalagem”, explicou Solveiga Pakstaite. “E tem uma propriedade interessante quando expira o seu prazo de validade, transforma-se em líquido. Não poderia utilizar uma substância natural, mas sim uma que muda o seu estado”.
Segundo Solveiga, podemos aplicar esta embalagem a todo o tipo de produtos. Se for implementada em larga escala, esta embalagem pode reduzir a quantidade inacreditável de desperdício alimentar que existe, sobretudo, no mundo desenvolvido e ocidental. E, talvez, ajudar a alimentar mil milhões de pessoas subnutridas e que passam fome.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Porto de Futuro blogue

Renováveis: patente portuguesa vendida por cinco milhões de euros

Uma tecnologia fotovoltaica que permite a conversão direta da luz solar em energia elétrica de forma renovável e sustentável valeu à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e à Efacec uma venda milionária que pode revolucionar o mercado das novas energias.

Baixo custo de fabrico, grande eficiência energética e 25 anos de durabilidade. São estas as principais características das novas células solares de perovskita (PSC), que eram já as características das anteriores células sensibilizadas com corante (DSC), embora menos eficientes. As células solares foram desenvolvidas pela FEUP em parceira com a Efacec, num projeto que custou 20 mil euros. A propriedade intelectual foi vendida a uma empresa australiana de energias sustentáveis por cinco milhões de euros.
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A tecnologia recorre a um mineral mais mais barato e mais fácil de empregar do que o silício, habitualmente usado na produção das células solares. Pode ser integrada na construção de edifícios que utilizam a tecnologia fotovoltaica (Building Integrated Photovoltaics). As céculas tiram partido da radiação solar incidente não perpendicular, o que facilita a sua aplicação em vários locais, como fachadas ou janelas, com diferentes cores e padrões. É também uma tecnologia ”limpa” já que as matérias-primas usadas no seu fabrico são abundantes.

Adélio Mendes, um dos principais impulsionadores do projeto de investigação na FEUP, reforça a importância deste tipo de parcerias e negociações internacionais: “ao vendermos tecnologia de ponta a empresas internacionais estamos a dar provas da nossa capacidade de investigação, desenvolvimento e inovação para produzirmos valor industrial, e podemos mais facilmente captar novos investimentos para tantos outros projetos de valor que temos em mãos na Faculdade de Engenharia”.

Alberto Barbosa, membro do Conselho de Administração da Efacec, confirma o potencial desta tecnologia e a relevância destas parcerias académico-empresariais: “Trata-se de mais um caso de sucesso de parceria entre a Efacec e o mundo universitário”.

“A FEUP e a Efacec decidiram estabelecer um contrato de transferência de tecnologia com a Dyesol, empresa líder a nível mundial em tecnologia nesta área, e muito mais vocacionada para as tarefas de massificação do produto que se seguem”, explica Alberto Barbosa.

Com esta aquisição, a empresa Dyesol pretende terminar a produção de módulos de demonstração do protótipo até 2016. Em 2018, a empresa quer massificar a sua produção.

Ian Neal, presidente da Dyesol, mostra-se satisfeito com a aquisição da tecnologia e refere que “a durabilidade é o maior desafio técnico neste mercado e esta tecnologia de soldadura tem o potencial de garantir mais de 20 anos de vida aos produtos de PSC e DSC de estado sólido em várias aplicações".

Fonte: Universidade do Porto/FEUP

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Final interrompida por militantes dos direitos dos refugiados

Lusa
A final de singulares masculinos do Open da Austrália em ténis, ganha hoje por Novak Djokovic, foi hoje interrompida quando uma mulher entrou no 'court', em Melbourne, vestindo uma 't-shirt' com uma inscrição em defesa dos refugiados.
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A mulher, cuja 't-shirt' tinha a inscrição 'Australia Open for refugees' [Austrália aberta para refugiados], foi rapidamente dominada pela segurança e retirada do local, no momento em que o sérvio Djokovic e o britânico Andy Murray mudavam de campo durante o segundo 'set'.
Uma faixa com o mesmo 'slogan' foi exibida nas bancadas por outros indivíduos, enquanto elementos da segurança fizeram um cordão em redor dos jogadores. A segurança retirou essas pessoas do recinto e o encontro recomeçou após cerca de cinco minutos de paragem.
O governo australiano adotou medidas mais duras contra quem tenta chegar ilegalmente por barco para pedir asilo. Desde 2013, essas pessoas estão a ser reencaminhadas para campos de retenção na Papua-Nova Guiné ou para ilhas do Pacífico como Nauru ou Manus.
Novak Djokovic ganhou pela quinta vez o Open da Austrália e conquistou o seu oitavo título de torneios do Grand Slam, ao derrotar Andy Murray por 7-6 (7-5), 6-7 (4-7), 6-3 e 6-0.
PA // PA
Lusa/fim

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

SAPO

Investigadora Filipa Cosme Silva premiada por criar pastilha contra inflamação na boca

Lusa
A criação de uma pastilha dissolúvel na boca, contra a dor em doentes com mucosite oral, valeu hoje à investigadora Filipa Cosme Silva o Prémio Grünenthal/ASTOR 2015, no valor de 2.500 euros, anunciou a organização.
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Segundo a investigadora, a pastilha, que contém um anestésico e um antifúngico, pretende dar "a maior comodidade possível" ao doente, com várias aftas na boca e dor associada durante muito tempo.
Filipa Cosme Silva esclareceu à Lusa que a pastilha propõe-se ser um substituto da solução líquida que atualmente se administra nos hospitais aos pacientes, que se veem em dificuldades para bocejar devido à dor.
A mucosite oral é uma inflamação na boca, caracterizada por várias aftas e dor prolongada, que surge em doentes com cancro, devido a tratamentos de radioterapia e quimioterapia, e em doentes do aparelho digestivo.
A pastilha desenvolvida pela investigadora, no âmbito da sua tese de mestrado, em fase de conclusão, na Faculdade de Farmácia de Lisboa, tem na sua composição o anestésico lidocaína e o antifúngico nistanina, além de água, gelatina, glicerina e goma-arábica.
"Dissolve-se mais lenta ou rapidamente, se o doente assim o entender", assinalou Filipa Cosme Silva, acrescentando que o paciente "pode deslocar a pastilha para onde tem mais dor".
No caso de doentes que perderam a capacidade de produzir saliva, como é os que se submeteram a quimioterapia ou radioterapia para tratar cancros na cabeça ou no pescoço, a pastilha estimula a salivação, assegurou a investigadora, que trabalha nos serviços farmacêuticos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Filipa Cosme Silva adiantou que qualquer doença que provoque disfagia (dificuldade de deglutição) "pode beneficiar da pastilha".
As potencialidades do medicamento, que foi administrado a pessoas "mais ou menos saudáveis", apenas com "uma ou duas aftas", mas que se sentiram melhor, terão de ser ainda testadas em doentes, ressalvou.
A confirmar-se o seu sucesso no tratamento de pacientes, Filipa Cosme Silva pretende desenvolver, posteriormente, outras pastilhas, com outras substâncias ativas, como terapêutica para doenças do aparelho digestivo.
As conclusões do estudo que deram à investigadora o Prémio Grünenthal/ASTOR 2015 vão ser apresentadas, em março, num congresso de farmacêutica hospitalar, em Hamburgo, na Alemanha.
A investigação foi desenvolvida numa parceria entre o Instituto de Investigação do Medicamento, da Faculdade de Farmácia de Lisboa, e o Centro Hospitalar Lisboa Norte, do qual faz parte o Hospital de Santa Maria.
O galardão destina-se a distinguir trabalhos, em língua portuguesa, sobre investigação clínica para o tratamento da dor, e que são apresentados sob a forma de comunicação oral.
O prémio é atribuído pela Fundação Grünenthal, que promove o estudo e tratamento da dor, e pela Associação para o Desenvolvimento da Terapia da Dor/ASTOR.
A distinção foi entregue hoje, em Lisboa, durante o Convénio da ASTOR, que pretendeu debater ideias e propostas para a melhoria do diagnóstico e tratamento da dor crónica e aguda e da dor no doente com cancro.
ER //GC
Lusa/Fim
SIC Notícias
00:22 30.01.2015

UMinho cria tecnologia que permite extrair pedras dos rins em um ou dois minutos

© Keith Bedford / Reuters

Uma equipa liderada pela Universidade do Minho (UMinho) criou uma tecnologia que permite extrair pedras dos rins em apenas um ou dois minutos, dispensando ainda o uso de radiação, foi hoje divulgado. 

Em comunicado, a UMinho explica que a tecnologia utiliza um campo eletromagnético para navegar com segurança uma agulha para punção do rim. 

"Após os testes em animais, espera-se avançar para ensaios nos humanos a partir do próximo ano", acrescenta.

Segundo Estêvão Lima, professor da Escola de Ciências da Saúde da UMinho, extrair pedras nos rins demora atualmente duas horas e "depende muito quer da experiência do cirurgião quer do uso de radioscopia, que pode ter consequências sérias de radiação no doente e no cirurgião". 

Na prática, pica-se com uma agulha de 20 centímetros na zona lombar do paciente, abrindo caminho aos instrumentos cirúrgicos para a remoção. 

"Mas a técnica que agora criámos é mais rápida, menos invasiva e permite ver no ecrã do computador a rota que a agulha deve seguir", resume Estêvão Lima, também cientista do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde e diretor do serviço de Urologia do Hospital de Braga.

O novo processo, que demora em média um a dois minutos, facilita ainda a tarefa a médicos menos experientes e aumenta a segurança dos procedimentos. 

O projeto decorre em parceria com o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e já foi testado em animais. 

Os investigadores estão a aperfeiçoar o sistema com o fim de obter o certificado para futuros testes em pessoas. 

Caso estes venham a ser bem sucedidos, espera-se que o primeiro produto seja patenteado e chegue às salas de operações a partir de 2016. 

A pesquisa venceu o 1.º Prémio no Simpósio da Associação Portuguesa de Urologia, foi eleita para as melhores comunicações do Congresso Europeu de Urologia 2014 e tem sido publicada em revistas científicas internacionais.

As pedras nos rins afetam uma em cada 200 pessoas, sobretudo os homens.

Lusa

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Uma menina de dois anos de idade, a quem foram dadas apenas 50% de hipóteses de sobrevivência, por causa de um problema cardíaco, está viva graças a um coração impresso em 3D.
Mina, uma criança britânica, nasceu com um buraco entre as cavidades do seu coração e os médicos davam-lhe, apenas, “50% de hipóteses de sobreviver“, conforme conta a mãe Natasha na BBC. A menina precisava de ser alvo de uma delicada operação cirúrgica, para reparar o problema, e esta só foi possível graças a um coração impresso em 3D.
Utilizando fotos do coração de Mina, o médico Tariq Hussain conseguiu criar um coração artificial similar ao da menina, com recurso a “software especial adequado para impressão”, conforme explica o próprio também na BBC.
O coração impresso em 3D permitiu assim avaliar com precisão os problemas do órgão da menina e, logo, proceder à cirurgia com menores possibilidades de erro.
Tariq Hussain sublinha na BBC que o coração artificial levou os cirurgiões a partirem para a operação com mais “confiança”, cientes do que deveriam procurar e do que tinham a fazer.
A menina foi diagnosticada com este problema cardíaco quando ainda estava na barriga da mãe. Depois de nascer, “estava sempre a ir para o hospital, sempre doente, sem ganhar peso, sempre a dormir e cansada”, revela a mãe de Mina na BBC.
Agora, depois da operação milagrosa, Mina está “óptima”, garante a mãe.
A menina, a sua mãe e o médico Tariq Hussain relataram este caso no programa “BBC Breakfast”.