domingo, 21 de junho de 2015

Renascença

"O Conde Ferreira é um manicómio, mas é o sítio no mundo onde existe mais amor. Ali existe Deus"

Miguel Borges descreve os dias passados no hospital psiquiátrico






O actor Miguel Borges passou três semanas num hospital psiquiátrico para participar num documentário. Sem rede, quase sem limites. Embarcámos numa visita guiada pelos corredores do Conde Ferreira e numa incursão pelas mentes dos que lá vivem. Com cicerone, mas sem guião.
04-06-2015  por João Carlos Malta






“Levantei-me, fiz a mochila e fui como se fosse para uma mercearia ou passar o fim-de-semana a casa dos meus pais”. Mas não foi. O actor Miguel Borges passou três semanas num hospital psiquiátrico. Vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas. Ele e 47 pessoas com doenças mentais, todos fechados numa ala do hospital. Como é? Não dá para descrever em poucas palavras, fá-lo-emos em muitas. No entanto, fica uma tentativa. “É escalar uma montanha humana, descer um rio humano. É um desporto radical cerebral e emocional”, sintetiza.
Embarquemos então com Miguel nesta viagem pelos enormes claustros do primeiro hospital psiquiátrico construído de raiz para o efeito, o Conde Ferreira, no Porto. E vamos fazer uma tentativa arriscada: entrar na mente dos que agora lá habitam.
Antes, uma paragem prévia: vamos ao contexto. Miguel Borges vai para capital do Norte para participar num documentário do amigo Jorge Pelicano, “Pára-me de repente o pensamento”, que chegou recentemente às salas de cinema. Há um segundo objectivo: levar um banho de realidade e escrever uma peça que abordará a temática da doença mental. Isto era o que era para ser; porém, foi muito mais do que isso.
Ainda antes de pormos os pés no Conde Ferreira através das palavras de Miguel Borges, abre-se espaço à dúvida. Como é que um actor prepara uma coisa destas? Resposta desarmante: “Não preparei. Preparar é meter umas cuecas na mochila, é meter umas meias, e siga para bingo. Um caderno e uma caneta e mergulhar numa viagem.”
Espera lá, não há método nenhum? Há. “O processo foi despreparar-me completamente. Foi o inverso: ‘Como é que tu te preparas, despreparando-te?’ Tirando qualquer tipo de ideia que tivesses na cabeça sobre aquele universo, sobre aquelas pessoas. Nem sequer pensava no documentário. Não me interessa, estou despreparado, estou disponível, estou a aprender”, conta.
Preconceitos à porta, vamos finalmente “entrar” no Conde Ferreira. Algo que para Miguel não precisava de ter como motivo o trabalho. “Não era preciso estar sequer num projecto para passar ali três semanas ou um mês. Aquilo alimenta-te bastante, faz-te crescer”.
Brincar com o medoO universo da doença mental é um espaço em que o GPS que usamos “cá fora” se desorienta. É o desconhecido. E tudo o que não conhecemos gera à maioria medo. Apesar do “trabalho de despreparação” que o actor fez, os medos estão lá. É difícil tirá-los das gavetas em que estão arrumados dentro da cabeça. “Nos primeiros dias, chegas e olhas para as caras de alguns gajos e pensas: ‘Ele vai-me matar, vai-me espetar uma faca.’ Só as caras [pausa], as caras… [pausa] Com o tempo, começas a conhecer as pessoas e até lhes dás beijinhos na careca”, pormenoriza.
Mas até chegar aos beijinhos, no labirinto psicológico do medo há mais umas armadilhas para desactivar. O sol cai lá fora. “Nas primeiras noites, dividia o quarto com o Chico, meu grande, grande amigo. Confesso que tive receio. Medo é forte de mais”, relembra.
Pára, repensa. E reformula. “Posso ter tido medo, ainda assim nunca o alimentei”. Nunca também é demasiado forte. Miguel alinha de novo o pensamento, como que à procura das palavras que melhor definam os sentimentos. “Se tu o alimentares, também fazes uma viagem muito interessante. Decides andar pelos corredores. Metes-te ali em situações, e começas a pensar: ‘Este gajo está aqui, não era suposto´”.
O que fazer na escuridão de um hospital psiquiátrico? Miguel avançou. No entanto, havia uma pergunta que o absorvia: “E se te espetarem uma faca?” A resposta racional vinha a seguir: “Não espetam. Já estou preparado para isso.”
Ainda assim, o que é que se deve fazer quando é noite e nos cruzamos com alguém? Não há respostas. É “bungee jumping”. Sem fio. “Aproximas-te da pessoa. É de noite e o silêncio… quando ele te cruza o olhar, pensas: ‘Olho ou não olho, o que é que é melhor?’ Nunca sabes, não há padrões. Nunca sabes o que é que vai na cabeça daqueles gajos. Em princípio não acontece nada. Mas, uns meses antes de lá ter chegado, houve um tipo que partiu tudo”.

O actor Miguel Borges passou 21 dias no hospital psiquiátrico Conde Ferreira 

Não aconteceu nada. Miguel está cá para partilhar a experiência, e, contas feitas, assegura que nunca dormiu tão bem. Medos para trás das costas, lugar para as surpresas. Prepare-se para a crueza das palavras.
“Aquilo é um lar, é um microcosmo perfeito. Nos primeiros dias tens um impacto enorme, ficas chocado e fascinado com aquelas mentes, com aqueles corpos, com os gajos de manhã em fila a tomar banho. Todos nus, com os corpos todos torcidos, a baba, as cabeças deformadas. É muito rico do ponto de vista de choque e de fascínio. É uma montanha russa de emoções”, recorda Miguel, acrescentando que, três ou quatro dias depois, o foco se começa a deslocar para os que estão ao lado. E quem é são eles? Uma pista, vestem-se de branco.
Amarrar é amar“Começamos a olhar para quem muda a fralda de cinco em cinco minutos, se for preciso, que dá de comer na boca, que mete o ‘outro’ na cama, que cose a cabeça ao tipo que está a bater com ela na parede, que o senta, que torna a sentá-lo, e que o amarra a uma cadeira se for preciso. Esta é uma cena violentíssima, mas não é… É apenas para ele não bater com a cabeça. E fica dois ou três dias amarrado. Essas pessoas são os enfermeiros, os técnicos e os auxiliares. São brilhantes, são fundamentais, são seres humanos muito especiais”, enfatiza.
Contudo, o tal microcosmo perfeito também tem que ver com o conceito de família. E aí são os de lá de dentro que o constroem. Sem laços de sangue, mas com as amarras da vivência. “Há os gajos mais capazes – há uns que são independentes, lavam-se sozinhos e fazem a barba – e há outros que não conseguem sequer comer. Uns ajudam os outros. É meio à bruta porque o corpo deles fica diferente devido à medicação. Tens o gajo a secar outro depois do banho. Dá cá o braço, mete o outro. E veste-o. Tudo com um amor bruto, com um amor eficaz. Agora é vestir, agora é comer. É brutalíssimo”, descreve Miguel, sentindo cada palavra que lhe sai da boca.
Vamos fazer uma pausa para Miguel explicar como ficou este hospital, este espaço e esta experiência gravados na memória. “É um bocadinho do mundo que é um manicómio, que é louco, que tem gajos aos gritos e às vezes têm de os agarrar e medicá-los (respira profundamente) … No entanto, é perfeito. É o sítio do mundo onde existe mais amor, mais amor. Ali é onde existe Deus. Se há filhos de Deus, é ali. São os protegidos de Deus. São crianças adultas. Se quiseres falar de algo superior, eles são misteriosos”.
As palavras saem em catadupa. É torrencial e parece que Miguel está de novo no Conde Ferreira. Não está, é um exagero. Porém vai lá muitas vezes desde que passou três semanas naquele espaço. Cada passagem pelo Porto é uma passagem pelo Conde Ferreira. Volta para ver os amigos. Às vezes nem precisa. O telemóvel faz esse trabalho. “Noutro dia liga-me o Alberto e diz-me: Actor Miguel, fala o actor Alberto”(risos) [Alberto é um dos “actores” de “Pára-me de Repente o Pensamento”].
Caminho de não retorno. Uma nova catedralVai lá voltar sempre. Porquê? Porquê essa visceralidade toda? “Sais de lá com a sensação de que dás tudo, mas que recebes muito mais do que o que dás. Criei ali relações que são para a vida, tornaram-se vitais e necessárias”, adianta.
Miguel sublinha ainda que tudo isto o enriqueceu muito. “Aprendi 47 pessoas!”, exclama. Todas muito diferentes. “Aprendi o tempo, a paciência, a escutar, a relativizar”. E avança mais fundo, pela epiderme, derme, e por aí fora. Sem parar. “A aprendizagem é celular, é do corpo, é física, não é racional. Para mim é difícil partilhar experiências. Não tenho esse hábito de relatar, porque as guardo muito no corpo”.
Todavia, para chegar a este ponto foi preciso saltar algumas barreiras. A maior de todas foi a comunicação, sem dúvida. “É mais difícil comunicar com eles, perdes-te para te poderes encontrar. Tens de voltar ao zero, de nascer de novo, de saber ouvir”. Há ainda os “horse jumps”, saltos de cavalo em tradução literal, que ilustram uma conversa que começa numa história maternal e acabava muito, muito longe do tema de partida.
Um delesComo Miguel os vê a eles, já temos uma aproximação. Contudo, como é que ele era visto pelos habitantes do Conde Ferreira? Não temos testemunhos em discurso directo de quem poderia fazer essa heteroavaliação. Vamos, então, à auto-avaliação do actor. “Muitos chegavam ao pé do Jorge (realizador) ou da Rosa (produtora) e diziam: ‘Ele está assim por causa da medicação.’ Muitos deles não perceberam que estava lá como actor, para eles estava em tratamento. Era um deles”, garante.
No Conde Ferreira afirma não ter encontrado nem mais nem menos do que cá fora. Apenas a intensidade muda. Por isso, não saiu de lá 21 dias. Rodemos então o botão do ‘intensómetro’ até ao máximo. “Sim, nunca saí. O que é que vinha cá fazer fora? Não se passa nada cá fora. E aquilo é tudo muito verdadeiro, é tudo muito… ver-da-dei-ro”, repete para ver se entendemos mesmo.
E prossegue de uma assentada. “Sentes-te muito rico, experiencias a tua humanidade. Tu ris e choras. Mas quando ris, ris, e quando choras, choras. Tudo o que tu fazes… é. Tudo tem uma importância brutal. É importante para perceber que estás vivo. Que tens um coração. O que importa são os outros. O que faz sentido é ajudar. É estar presente, é dar a mão. O toque a que não ligamos… E o toque fala muito”.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Identificado potente composto com mecanismo inédito contra a malária

Gates Foundation / Flickr
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Uma equipa internacional de cientistas identificou um novo e “potente” composto contra a malária, com um inédito mecanismo de ação.
O composto foi testado com sucesso em ratinhos e pode levar à criação de um medicamento contra a malária de dose única e a um custo inferior a um euro.
De acordo com o estudo publicado esta quinta-feira na revista Nature, um novo composto, designado pelos investigadores de ‘DDD107498‘, é capaz de atuar em distintas fases do ciclo de vida do Plasmodium falciparum, o parasita da malária.
A investigação está a ser liderada por Ian Gilbert, da Universidade de Dundee, no Reino Unido, com a participação de investigadores espanhóis, norte-americanos, australianos, suíços e holandeses.
O parasita da malária desenvolveu múltiplas resistências aos medicamentos e também começou a ser resistente ao atual medicamento recomendado pela Organização Mundial de Saúde, segundo os autores do estudo.
Segundo Francisco Javier Gamo, diretor da Unidade de Malária de GlaxoSmithKline, a novidade do composto é que é “muito potente e a sua principal característica é ser capaz de atuar nas distintas fases da vida do parasita, incluindo na transmissão da doença”.
O novo composto atua na fase hepática e na fase de reprodução do parasita.
Quando o mosquito portador do parasita pica uma pessoa, partes do parasita dirigem-se para o fígado, órgão onde começa a infeção.
Do fígado, o parasita multiplica-se e é capaz de proliferar de modo a que cada pessoa produza 10 mil novos parasitas.
“Se esta multiplicação não é controlada pode levar ao colapso dos vasos sanguíneos e as pessoas podem morrer”, detalhou o investigador.
O novo composto, acrescentou, evita também a transmissão do parasita a outro mosquito, que depois poderá picar outro ser humano.
O próximo passo da investigação, já a decorrer, é desenvolver um pré-clínico, uma fase em que vai experimentar a toxicidade do composto em humanos e a sua segurança.
Os autores do estudo consideram também que o futuro medicamento custará menos de um euro por tratamento, o que é importante porque a maioria das pessoas com malária vivem na pobreza.
/Lusa

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Notícias 

    Naturais

Propriedades de “Eliminação Inteligente de Células Cancerosas” da Cúrcuma Colocam a Quimioterapia e a Radiação no Chinelo


Propriedades de Eliminação Inteligente da Cúrcuma Colocam a Quimioterapia e a Radiação em DesonraO antigo tempero apimentado indiano ataca outra vez! Um novo estudo descobriu que o extrato da cúrcuma mata seletivamente e com segurança as células-tronco do câncer de uma forma que a químio e a radioterapia não podem.
Um novo estudo inovador publicado na revista Anticancer Research revela que um dos mais extensivamente pesquisados ​​e promissores compostos naturais do mundo para tratamento do câncer, o polifenol primário da antiga especiaria conhecida como curcumina, tem a capacidade de alvejar seletivamente as células-tronco do câncer, as quais são a raiz da malignidade do câncer, apesar de terem pouca ou nenhuma toxicidade sobre as células-tronco normais, as quais são essenciais para a regeneração de tecidos e longevidade.
Intitulado “A curcumina e as células estaminais do câncer: A curcumina tem efeitos assimétricos sobre o Câncer e as Células-Tronco normais“, o estudo descreve a vasta gama de mecanismos moleculares identificados atualmente pelos quais a curcumina ataca as células-tronco cancerosas (CSCs), que são a minoria da subpopulação de células de auto-renovação dentro de uma colônia do tumor, e que por si só são capazes de produzir todas as outras células dentro de um tumor, tornando-as mais letais de todas as células dentro da maioria, se não de todos os tipos de câncer. Devido as CSCs serem resistentes à quimioterapia, radiação, e podem até estar originando o aumento da capacidade de invasão por meio de intervenção cirúrgica, acredita-se que elas são amplamente responsáveis pela recorrência do tumor e do fracasso do tratamento convencional.
O estudo identificou os oito seguintes mecanismos moleculares pelos quais a curcumina ataca e mata as células tronco do câncer:
* A sub-regulação de interleucina-6 (IL-6): A IL-6 é uma citocina classificada como (uma potente biomolécula  liberada pelo sistema imunitário) e modula tanto a imunidade e quanto a inflamação. Sua super-expressão tem sido associada com a progressão da inflamação do câncer. A curcumina inibe a liberação de IL-6, que por sua vez impede a estimulação da CSC.
* A sub-regulação de interleucina-8 (IL-8): A IL-8, uma outra citocina, é liberada após a morte das células do tumor, estimulando subsequentemente as CSCs a recomporem o tumor e a resistir à quimioterapia. A curcumina inibe tanto direta como indiretamente a produção de IL-8.
* A sub-regulação de interleucina-1 (IL-1): A IL-1, uma família das citocinas, está envolvida na resposta à lesão e infecção, com a IL-1 β desempenhando um papel chave no crescimento de células cancerosas e estimulação da CSCs. A curcumina inibe a IL-1, tanto direta como indiretamente.
* Diminui a ligação entre CXCR1 e CXCR2: A CXCR1 e CXCR2 são proteínas expressas nas células, incluindo a CSCs, as quais respondem às citocinas acima mencionadas de um modo prejudicial. Se descobriu que a curcumina não só para bloqueou a liberação de citocinas, mas também sua ligação com estes dois alvos celulares.
* A modulação da via de sinalização Wnt: A via de sinalização Wnt regula uma grande variedade de processos durante o desenvolvimento embrionário, mas também é desreguladora em relação ao câncer. A curcumina foi encontrada por ter uma ação corretiva sobre a sinalização Wnt.
* Modulação da via de sinalização Notch: A via de sinalização Notch, também envolvida na embriogênese, desempenha um papel fundamental na regulação da diferenciação celular, proliferação e morte celular programada (apoptose), bem como o funcionamento de células tronco normais. A sinalização Notch anormal tem sido implicada em uma ampla gama de cânceres. Se descobriu que a curcumina suprime as células tumorais ao longo da sinalização Notch.
* Modulação das vias Hedgehog: Outra via envolvida na embriogênese, a via Hedgehog também regula a atividade das células-tronco normais. O funcionamento anormal desta via está implicado em uma ampla variedade de cânceres e na estimulação de CSCs e aumentos associados de recorrência do tumor após o tratamento convencional. A curcumina foi encontrada por inibir a via Hedgehog através de uma série de diferentes mecanismos.
* Modulação da via FAK/AKT/FOXo3A: Esta via desempenha um papel fundamental na regulação de células estaminais normais, com sinalização de estímulos de CSCs anormais, resultando mais uma vez em recorrência tumoral e resistência à quimioterapia. A curcumina foi encontrada em vários estudos por destruir as CSCs através da inibição desta via.
Como você pode ver através destes oito exemplos acima, a curcumina apresenta um nível bastante profundo de complexidade, modulando numerosas vias moleculares simultaneamente. A quimioterapia citotóxica convencional é incapaz de tal comportamento delicado e “inteligente”, uma vez que, preferencialmente, tem como alvo as células de reprodução rápida, danificando o seu DNA na fase vulnerável de mitose ​​da divisão celular, independentemente do fato de serem benignas, saudáveis ou células cancerosas. A citotoxicidade seletiva de curcumina, por outro lado, tem como alvo as células mais perigosas – as células-tronco do câncer – as quais deixam ilesas as células normais, conforme nós vamos agora aprender mais sobre isso, abaixo.
Curcumina e as células-tronco normais
A células-tronco normais (NSCs) são essenciais para a saúde, porque elas são responsáveis ​​por se diferenciarem das células normais que são necessárias para substituir as danificadas ou doentes. Se a curcumina foss matar as células normais, como a radiação e a quimioterapia, ela não representaria uma alternativa atraente a estes tratamentos. O estudo abordou este ponto:
A segurança da curcumina foi estabelecida há muito tempo, visto que tem sido utilizada por séculos como uma especiaria dietética. A questão surge por que a curcumina não parece ter os mesmos efeitos prejudiciais sobre as células-tronco normais (NSCs) como faz sobre as CSCs. Há várias razões possíveis da curcumina ter efeitos tóxicos sobre as CSCs, embora poupe as NSCs.”
O estudo ofereceu três explicações possíveis para o diferencial da curcumina ou sua citotoxicidade seletiva:
* As células malignas recebem muito mais curcumina do que as células normais.
* A curcumina altera o microambiente das células de tal maneira que é desfavorável para as CSCs e benéfico para as NSCs.
* A curcumina pode não atacar diretamente as CSCs, mas pode incentivá-las a se diferenciar em células não-letais, mais benignas.
Considerações finais
Este estudo acrescenta apoio crescente à ideia de que, as substâncias naturais seguras e testadas são superiores às sintéticas. Dada a evidência de que uma alternativa segura e eficaz pode já existir, a quimioterapia, a radioterapia e até mesmo cirurgia podem já não ser justificadas como o padrão de primeira linha de cuidados para o tratamento do câncer. De fato, um conjunto significativo de provas implicam agora que estes tratamentos agravam o prognóstico, e em alguns casos conduzem o enriquecimento de células-tronco tumorais em tumores. A radioterapia, por exemplo, tem sido encontrada por induzir as células-tronco cancerosas em células de câncer de mama, aumentando essencialmente sua malignidade e tumorigenicidade em 30 vezes. Este é quase o progresso quando se considera o papel que as CSCs desempenham, especialmente em termos de contribuição para o pós-tratamento de cânceres secundários.
A cúrcuma e seus componentes, é claro, não são fármacos aprovados pela FDA [ou ANVISA], e, por definição, a FDA não permitirá que uma substância natural ou sintética não aprovada, previna, trate, diagnostique ou cure uma doença. Isso significa que você não vai estar vendo ela ser oferecida por um oncologista como uma alternativa à quimioterapia ou radioterapia em um futuro próximo. Isto não significa, no entanto, que ela não funcione. Reunimos mais de 1500 citações do banco de dados bibliográficos da Biblioteca Nacional de Medicina MEDLINE, acessível através do site pubmed.gov, e que podem ser vistos em nosso banco de dados aqui: Pesquisa sobre a Cúrcuma (em inglês), mostrando que a curcumina e componentes relacionados possuem uma atividade significativa anti-câncer.  Eu também discuto este conceito em minha palestra, Food As Medicine Rebooted (em inglês), que você pode assistir abaixo:
Naturalmente, a questão não é esperar até que alguém tenha tal problema grave de saúde e que tomando doses heroicas de especiarias ou ervas torne-se o foco. É importante lembrar que as culturas antigas usavam especiarias como a cúrcuma, principalmente em doses culinárias, como parte de suas práticas alimentares. Estas quantidades menores, distribuídas principalmente como essências de alimentos integrais, provavelmente constituíram estratégias preventivas eficazes – talvez evitando a necessidade de uma intervenção radical heroica mais tarde na vida.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

ptjornal

 Paga salários acima da média, ginásio e férias para ver trabalhadores felizes

 
Um empresário de Penamacor paga aos seus funcionários uma média salarial que ronda os 1400 euros que, segundo o mesmo, é para fazer as pessoas felizes.
Armindo Borges, o ‘patrão’ da Ibersaco, uma empresa de Penamacor, distrito de Castelo Branco, que produz sacos em ráfia, gosta de ver as pessoas felizes, retribuindo-lhes esse gesto no salário e condições.
Nesta empresa tudo funciona como uma autêntica equipa e, mesmo o patrão, Armindo Borges, também dá uma ajudinha, sempre que necessário.
Os funcionários da Ibersaco, para além de ganharem muito acima da média nacional, podem disfrutar de um ginásio nas instalações da empresa, para além de umas férias anuais pagas pela mesma, algo exemplar em Portugal.
Armindo Borges pode ser visto como um dos melhores patrões em Portugal, face às condições e salários oferecidos na maioria das empresas.
Para este empresário, o esforço destas pessoas deve ser recompensado e, segundo o mesmo em declarações à SIC (ver vídeo), ‘o objetivo é que todos os trabalhadores possam vir a ter um salário semelhante a um de um ministro, porque não são inferiores a eles, nem em competência profissional, nem do ponto de vista intelectual’.
Para Armindo Borges, estes homens e mulheres não são vistos como colaborados, mas sim como uma família, é dessa forma que descreve os seus funcionários.

domingo, 7 de junho de 2015

VISÃO

Nepal: A vida tem de continuar

O alpinista João Garcia levou um grupo de turistas para o Nepal quatro dias após o terramoto - entende que privar os nepaleses da sua maior fonte de rendimento é condená-los a uma segunda catástrofe

 

Nepal: A vida tem de continuar
Luís Barra
Quando, a 25 de abril, um terramoto com uma magnitude de 7,8 fez estremecer o Nepal, matando oito mil pessoas, João Garcia estava de viagem marcada para daí a quatro dias com destino a Katmandu, para liderar uma expedição de trekking ao Vale do Khumbu, junto ao Evereste. Mas o alpinista de 47 anos (um dos mais experientes do mundo, o décimo a escalar os 14 picos acima dos oito mil metros) decidiu manter os planos, contra as recomendações de governos de todo o mundo. A tragédia não era razão para ficar em casa. Pelo contrário. Era motivo suplementar para fazer as malas e pôr-se a caminho.
"O Nepal é como Portugal: não tem petróleo. Vive do turismo", lembra João Garcia. "E esta época já se foi. É uma segunda catástrofe. Se as pessoas passarem a ir para outros destinos, estão a cavar um buraco ainda mais profundo, a tornar mais dolorosa a recuperação daquele povo." Ao chegar à capital nepalesa, acompanhado por mais nove portugueses, o montanhista encontrou uma cidade menos destruída do que esperava. "Noventa e oito por cento dos edifícios estavam bem.
O problema maior foi nas aldeias da região, com habitações rústicas construídas com pedra em cima de pedra." Aí sim, os efeitos do sismo revelaram-se catastróficos. "Algumas povoações ficaram arrasadas, incluindo a que servia o campo-base do Evereste; noutra, 200 casas ficaram debaixo do gelo que se desprendeu de uma encosta."
'Havia equipas de resgate que não sabiam para onde ir'
João Garcia e os companheiros caminharam por Khumbu, quase sozinhos. Com mais de 30 carimbos do Nepal no passaporte, oalpinista nunca tinha atravessado o vale sem se cruzar com outros caminhantes, ou helicópteros com turistas. Ao fim de duas semanas (que incluíram uma forte réplica do sismo), João despediu-se do resto do grupo, que regressou a Portugal, e ficou os sete dias seguintes em Katmandu a dividir sacas de arroz, lentilhas e bolachas, e a distribuir pregos, arame, oleados, sopa e pacotes de chá.
Naquele momento, toda a ajuda era pouca, para compensar alguma descoordenação humanitária. "Havia equipas de resgate que não sabiam para onde ir, decisões do governo que demoravam tempo a chegar." Por agora, a carência maior é material de construção vem aí a monção. "Vai ser duro. Junho, julho, agosto e uma parte de setembro é sempre a chover, e as pessoas precisam de um sítio seco para passarem a noite. Mais tarde, no outono, é que se vão preocupar em fazer uma casa definitiva para o inverno." Até lá, a população, também aproveitando o que sobra das habitações, tem erguido nos quintais tendas ou barracas com leves telhados de zinco.
"Ainda se nota o stresse pós-traumático: ninguém quer dormir dentro de uma casa." O auxílio de João Garcia ao Nepal não terminou quando voltou para casa o montanhista organizou um jantar de angariação de fundos no restaurante nepalês junto à Igreja de São João de Brito, em Lisboa, para domingo, 31 de maio (inscrições para: ines@papa-leguas.com). "São 20 euros por jantar, e 14 vão para a ONG Khumbila Conservation Trust. É o suficiente para alimentar uma criança na escola durante três ou quatro dias, ou pagar 20% de uma bateria solar para duas famílias."VISÃO

sábado, 6 de junho de 2015

Descoberta reacção química que permite tratamento de cancro com infravermelhos

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Químico de Sarria (IQS), em Espanha, abre a porta à possibilidade de diagnosticar e tratar o cancro com luz infravermelha.
O estudo, publicado na revista Chemical Communications, da Sociedade Real de Química, em Londres, foi realizado por uma equipa constituída por Santi Nonell e Oriol Planas, investigadores do IQS, e pelo especialista em síntese orgânica Thibault Gallavardin.
A investigação descobriu uma nova reação química em que uma sonda fluorescente muda de cor quando ligada a um anticorpo e a outras biomoléculas de interesse médico, bem como a uma grande variedade de nanopartículas.
A marcação de anticorpos, biomoléculas e nanopartículas com sondas fluorescentes é uma técnica usada em ensaios clínicos e em diagnóstico por imagem.
Recentemente, tem começado também a ser usada para guiar intervenções cirúrgicas em tempo real, mas um dos principais problemas das sondas atualmente disponíveis é que a sua emissão se encontra na região visível do espectro e sobrepõe-se à autofluorescência própria dos tecidos biológicos.

terça-feira, 2 de junho de 2015

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Cancro agressivo. Sucesso de novo tratamento gera onda de entusiasmohttp://www.ionline.pt/media/2015/6/1/463430.jpg?type=artigo

 Novos medicamentos que melhoram a resposta do sistema imunitário poderão substituir a quimioterapia, em alguns casos, em cinco anos  

António Pedro Santos Marta F. Reis 01/06/2015 23:00:00

Combinação de medicamentos oferece hipótese a quase 60% de casos graves, por agora apenas no melanoma metastizado.
Resultados “espectaculares”. Um “murro poderoso” contra uma das formas mais agressivas de cancro. Uma “mudança no jogo” no tratamento da doença. As conclusões de um ensaio clínico publicado no domingo na edição online da revista médica “New England Journal of Medicine” e a discussão de um novo tipo de medicamentos num congresso internacional de oncologia em Chicago, onde não se poupou no entusiasmo, está a fazer correr tinta em todo o mundo. Pela primeira vez, a combinação de dois medicamentos oferece uma hipótese de cura inédita a casos muito graves de melanoma metastizado. 
Por agora os resultados mais tangíveis são mesmo nesta forma agressiva de cancro da pele, que mata mais de 200 pessoas por ano em Portugal. Mas há outras moléculas do mesmo tipo em estudo para outros tumores.

domingo, 31 de maio de 2015

 
 BLITZ
Banda sueca faz álbum que só pode ser ouvido na floresta -

Banda sueca faz álbum que só pode ser ouvido na floresta






A banda folk John Moose lançou o seu disco de estreia numa aplicação para smartphone que só o reproduz se o GPS determinar que o ouvinte está numa floresta.



A banda folk John Moose lançou o seu álbum de estreia através de uma aplicação móvel que apenas reproduz a música nele contida se o ouvinte estiver numa floresta. A localização é determinada pelo GPS do telefone.

A aplicação foi criada pelo baterista da banda, Tobias Nóren, e funciona em iOS a Android. "A app identifica as zonas verdes no Google Maps, as coordenadas são enviadas para um servidor web que analisa o mapa e usa um algoritmo específico para determinar se o ouvinte está, de facto, na floresta", contou o criador à Rolling Stone.

"Queremos que as pessoas pensem sobre a natureza. O que ela é e como nos devemos relacionar com ela", refere a banda. "A melhor maneira de o conseguir, pensámos nós, foi obrigar as pessoas a meter-se na floresta", concluiu.

Todo o processo é explicado aqui:

A BLITZ está também disponível para tablet. Faça o download da sua aplicação para iPad ou para Android

Ler mais: http://blitz.sapo.pt/banda-sueca-faz-album-que-so-pode-ser-ouvido-na-floresta=f96600#ixzz3biHHs1Rk

sexta-feira, 29 de maio de 2015

ZAP aeiou

Cientistas usam vírus do herpes para curar cancro de pele

Uma versão geneticamente modificada do vírus que causa herpes pode curar cancro de pele, de acordo com investigadores. Os resultados mostram que o tratamento pode aumentar o tempo de vida de pacientes com melanoma.
O vírus do herpes modificado é inofensivo para células normais, mas quando injetado em tumores replica-se e liberta substâncias que ajudam a combater o cancro.
Resultados de testes divulgados na publicação científica Journal of Clinical Oncology mostram que o tratamento, que ainda não foi licenciado, pode aumentar a sobrevivência dos pacientes por alguns anos – mas apenas para os portadores de melanoma, o tipo mais grave de cancro de pele.
“Quando o vírus do herpes infeta uma célula, ele cresce dentro dela e a faz explodir, infetando as células à volta. Por isso a ferida, são as células morrendo na sua pele”, explica Richard Marais, do Cancer Research UK, à BBC.
“Os investigadores modificaram o vírus de três maneiras. Primeiro, fizeram com que parasse de causar herpes. Segundo, fizeram com que crescesse apenas nas células cancerígenas. Por último, tornaram-no atraente para o sistema imunológico. Por isso, quando é injetado num tumor, o vírus mata o tumor e ativa o sistema imunológico, que caça outros tumores para matá-los”, conclui.
Para o investigador, a técnica poderá ser usada, no futuro, para combater outros tipos de cancro.
Tratamentos semelhantes de imunoterapia para melanoma já estão disponíveis nos Estados Unidos e na Europa, mas os investigadores acreditam que o vírus modificado, conhecido como T-Vec, poderia somar-se a isso.
Seria também o primeiro tratamento para melanoma a utilizar um vírus.
Este estudo é o maior teste aleatório de um vírus anticancro e envolveu 436 pacientes de 64 centros nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e África do Sul que tinham melanomas malignos inoperáveis.
“Há um crescente entusiasmo com o uso de tratamentos virais como o T-Vec para o cancro, porque podem lançar um duplo ataque aos tumores – matando as células cancerígenas diretamente e pondo o sistema imunológico contra elas”, diz o coordenador dos testes no Reino Unido, Kevin Harrington, do Instituto de Pesquisa do Cancro, em Londres.
“Uma vez que o tratamento viral pode ter como alvo células cancerígenas especificamente, há uma tendência a ter menos efeitos colaterais que a quimioterapia tradicional ou algumas das novas imunoterapias.”
“Estudos anteriores mostraram que o T-Vec poderia beneficiar algumas pessoas com cancro de pele avançado, mas este é o primeiro estudo a provar um aumento da sobrevivência“, disse Hayley Frend, gestor de ciência da informação do Cancer Research UK.
“O próximo passo será compreender por que é que apenas alguns pacientes respondem ao tratamento com T-Vec, para ajudar a identificar que pacientes poderiam beneficiar disso”, diz.
ZAP / BBC

quinta-feira, 28 de maio de 2015

SIC Notícias

Cientistas espanhóis desenvolvem nova técnica que permite deteção de enfartes

Daniel Ochoa de Olza / AP (Arquivo)

Cientistas espanhóis desenvolveram uma técnica que analisa, por ressonância magnética nuclear, as partículas de sangue que contêm colesterol, triglicerídeos e outros lípidos, conhecidos como lipoproteínas, num método que possibilita detetar um enfarte.

Esta investigação é um dos temas que concentra o interesse dos 400 cientistas que participam no XXVIII Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Arteriosclerose, a decorrer desde terça-feira em Logronho, Espanha, e que termina na sexta-feira.

Segundo Luis Masana, catedrático de medicina na Universidade Rovira e Virgili, de Tarragona, esta nova técnica apresenta "muitas vantagens" no que diz respeito aos parâmetros utilizados atualmente pelos médicos para caracterizar o risco de enfarte ou cardiovascular dos pacientes, noticia a agência Efe.

Luis Masana afirmou que esta tecnologia, que possibilita mais do que a simples medição do colesterol, estava implantada há muitos anos no Japão e em Nova Iorque, mas que agora foi melhorada do ponto de vista tecnológico.

O colesterol, afirmou Luis Masana, "não depende só das suas concentrações, mas também da forma como se agrega ao plasma", orginando as lipoproteínas, que "podem variar em tamanho, concentração e forma", acrescentando que, "até agora não era possível determinar estas particularidades" e que com esta nova técnica obtem-se uma visão mais ampla e, sobretudo, melhoria da deteção do risco cardiovascular num paciente.

Durante o congresso, Masana, destacou ainda a oportunidade que os médicos têm de utilizar esta técnica, que "não é excessivamente cara", é muito prática e dá uma imagem clara do que ocorre com a gordura do sangue.

Durante o congresso trataram-se diferentes aspetos relacionados com a arteriosclerose, que se origina quando o excesso de colesterol que circula no sangue tende a depositar-se nas paredes das artérias, explicou à Efe o presidente do comité organizador deste encontro científico, Ángel Bre, referindo que, em função da localização das artérias afetadas, esta doença origina variados problemas, como, por exemplo, anginas de peito, enfartes do miocárdio, tromboses cerebrais, doença arterial periférica, aneurisma aórticos, isquemia intestinal, entre outros.

Este conjunto de processos domina-se doenças cardiovasculares ateroscleróticas.

A Organização Mundial de Saúde estima que 4,4 milhões morram no mundo por ter níveis de colesterol total elevados.
Lusa