Cidade brasileira dá descontos nos impostos urbanos a quem adoptar cães ou gatos
A Câmara Municipal de Ponta Grossa,
na região dos Campos Gerais do Paraná, Brasil, aprovou na quarta-feira
um o projecto de lei que dá descontos no Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU) a quem adoptar cães e gatos do Canil Municipal.
O Programa Municipal de Adopção Responsável de Pequenos Animais segue
agora para a análise do presidente Marcelo Rangel. Após ser aprovada, a
proposta entra em vigor, avança o Anda.
O desconto no IPTU é anual e vai de €16 a €33, dependendo de cada
caso. Para obter a redução, o contribuinte precisa de assinar um termo
de compromisso com a cidade. No documento, o morador compromete-se a
cuidar bem do animal.
Ainda assim, a cidade vai fiscalizar o contribuinte para saber se ele
continua com o cão ou o gato adoptado. Segundo a Gerência de Controle
de Zoonoses, a ideia é mandar os agentes de saúde pelo menos uma vez por
ano às casas dos adoptantes. Caso o morador abandone o animal, ele será
autuado pela câmara e pode pagar uma multa de até €330 e ainda devolver
o dinheiro equivalente ao descontado no IPTU.
A cidade prevê que cerca de 5.000 animais possam ser adoptados dentro
do programa. No entanto, existem 55.000 cães na cidade, pelo que esta
acção será apenas uma gota no oceano para acabar com os animais
domésticos no canil. Ponta Grossa tem cerca de 330.000 habitantes.
Se
uma pessoa tem a doença de Alzheimer, isso é geralmente o resultado de
uma acumulação de dois tipos de lesões – placas amilóides e emaranhados
neurofibrilares. As placas amilóides ficam entre os neurônios e criam
aglomerados densos de moléculas de beta-amilóide.
Os
emaranhados neurofibrilares são encontrados no interior dos neurónios
do cérebro, e são causados por proteínas Tau defeituosas que se
aglomeram numa massa espessa e insolúvel. Isso faz com que pequenos
filamentos chamados microtúbulos fiquem torcidos, perturbando o
transporte de materiais essenciais, como nutrientes e organelas.
Como
não temos qualquer tipo de vacina ou medida preventiva para a doença de
Alzheimer – uma doença que afeta 50 milhões de pessoas em todo o mundo –
tem havido uma corrida para descobrir a melhor forma de tratá-la,
começando com a forma de limpar as proteínas beta-amilóide e Tau
defeituosas do cérebro dos pacientes.
Agora,
uma equipa do Instituto do Cérebro de Queensland, da Universidade de
Queensland, desenvolveu uma solução bastante promissora. Publicando na
Science Translational Medicine, a equipa descreve a técnica como a
utilização de um determinado tipo de ultra-som chamado de ultra-som de
foco terapêutico, que envia feixes feixes de ondas sonoras para o tecido
cerebral de forma não invasiva.
Por
oscilarem de forma super-rápida, estas ondas sonoras são capazes de
abrir suavemente a barreira hemato-encefálica, que é uma camada que
protege o cérebro contra bactérias, e estimular as células microgliais
do cérebro a moverem-se. As células da microglila são basicamente
resíduos de remoção de células, sendo capazes de limpar os aglomerados
de beta-amilóide tóxicos.
Os
pesquisadores relataram um restauro total das memórias em 75 por cento
dos ratos que serviram de cobaias para os testes, havendo zero danos ao
tecido cerebral circundante. Eles descobriram que os ratos tratados
apresentavam melhor desempenho em três tarefas de memória – um
labirinto, um teste para levá-los a reconhecer novos objetos e um para
levá-los a relembrar lugares que deviam evitar.
Este foi um dos dados obtidos pelo Projeto de Monitorização
do Desmatamento na Amazónia Legal (Prodes), numa pesquisa feita pelo
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
De acordo com o estudo, de 2004 a 2014, a taxa anual de
desflorestação da Amazónia, que abrange os estados do Acre, Amazonas,
Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, caiu
de 27.772 km² para 5.012 km².
O levantamento foi feito com base em mais de 200 imagens de satélite e mostrou ainda que, de agosto de 2013 a julho de 2014, houve uma queda de 15%
na desflorestação da região em relação ao período anterior, o que
equivale a 5.891 km². Este é o segundo menor índice da série histórica
iniciada em 1988.
De acordo com a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira,
os resultados devem-se às políticas públicas de combate à
desflorestação que têm sido desenvolvidas pelo governo e a expectativa é
a de continuar esta redução, aumentando a parceria com os estados.
“Tem sido feito um esforço muito grande no combate à ilegalidade,
assim como um esforço de grandes políticas públicas de regularização e
destinação de terras”.
“Há também o esforço da regularização dos assentamentos rurais e acho
que existe também uma maior consciencialização. Agora temos de evoluir
para que os estados estejam envolvidos”, afirmou a ministra, citada pela
Sputnik.
O Ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo,
está satisfeito com os números e diz que estes dados só mostram o êxito
da política ambiental que está a ser aplicada no Brasil.
Relembra ainda a conversa que teve, durante uma visita ao Museu
Espacial da Rússia, com um astronauta sobre o que ele via do espaço.
“Como é que vê a Rússia? Ele disse que tem uma área muito
grande e escura que é desabitada. Como é que você vê a Europa? Ele
disse que com muitos pontos de luz que correspondem ao grande número de
cidades. E como você vê os Estados Unidos? Ele disse que com muitas
linhas de luz, que correspondem ao grande número de rodovias. E como
você vê o Brasil? Ele disse: com muita mata e muito rio. É o que nós
vemos lá do espaço na região da Amazónia”.
Segundo Aldo Rebelo, o estado do Amazonas, com 1,6 milhão m², tem um território 3 vezes maior do que, por exemplo, a França, e ainda possui entre 98% e 99% de vegetação nativa, o que reflete o quanto foi preservado.
“Toda a área ocupada da Amazónia para agricultura, pecuária, cidades,
infraestrutura, estradas, hidroelétricas, varia entre 1% e 2 % do total
da área do estado do Amazonas. Então, de facto, é ainda, uma área de
grande preservação”.
De acordo com o Prodes, os estados que mais reduziram as taxas de
desflorestação na Amazónia foram o Maranhão (36%), Tocantins (32%) e
Rondônia (27%).
Por outro lado, foram verificados aumentos no Acre (40%), no Amapá (35%) e em Roraima (29%).
ZAP / Sputnik
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
15 Agosto 2015 • Rita Bertrand
A revista inglesa Gramophone
acaba de divulgar as nomeações deste ano para os prémios que distinguem
os melhores trabalhos discográficos de música clássica. A atribuir em
Setembro, estes galardões são os mais importantes na área, sendo
equivalentes aos Óscares para o cinema. Na lista, estão duas obras
portuguesas: as gravações de dois concertos de Beethoven, por Maria João
Pires, e de uma ópera de Richard Strauss, pelo Coro Gulbenkian.
A
pianista portuguesa está na corrida ao Prémio Gramophone na categoria
Concerto pela gravação (em estreia na etiqueta Onyx, com a qual assinou
em 2014) dos Concertos n.º 3 e n.º 4, de Beethoven, com a Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca, dirigida por Daniel Harding.
O Coro Gulbenkian é candidato na categoria de Ópera, pois integrou a produção de Elektra,
de Richard Strauss, no Festival de Arte Lírica de Aix-en-Provence de
2013, cujo lançamento em DVD (editado pela Bel Air Classiques) se
encontra na lista dos seis nomeados.
in revista SÁBADO
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Oftalmologista português distinguido nos Estados Unidos
Dois trabalhos, na área da cirurgia
refrativa e de catarata, do oftalmologista e investigador Eduardo
Marques foram distinguidos pela Sociedade Americana de Cirurgia
Refrativa e de Cataratas (ASCRS). As distinções ocorreram durante o
congresso da ASCRS, em San Diego, na Califórnia, que elege anualmente os
melhores trabalhos.
créditos: AFP
A ASCRS distinguiu os trabalhos de
Eduardo Marques na área do tratamento cirúrgico da presbiopia
(dificuldade de visão para perto) e das cataratas com lentes
intraoculares.
No primeiro caso tratou-se da apresentação dos
resultados de um estudo clínico com lentes intraoculares multifocais
tóricas (corrigem visão para longe, perto e astigmatismo) no tratamento
da catarata. O segundo trabalho premiado teve como base a apresentação
de resultados de um outro estudo clínico com um novo tipo de lente
intraocular, denominado foco alongado, que promete revolucionar o
tratamento da presbiopia com lentes intraoculares.
"É com grande
satisfação que, pela quarta vez, vejo o nosso trabalho na cirurgia da
presbiopia e das cataratas com lentes intraoculares ser distinguido nos
Estados Unidos. É o reconhecimento de muitos anos do trabalho de uma
equipa, com o objetivo de proporcionar aos doentes com presbiopia e/ou
cataratas melhor qualidade de visão e maior independência de óculos, ou
seja, uma melhor qualidade de vida", revela o médico Eduardo Marques,
coordenador do Centro de Educação e Investigação do Hospital Lusíadas
Lisboa.
E acrescenta: "estas distinções são prestigiantes e
importantes para o currículo mas sobretudo porque, ao reconhecer
internacionalmente o trabalho de um cirurgião e de uma equipa, nos
estimulam a continuar e avançar com o progresso científico. Em anos
anteriores, já tinha sido distinguido duas vezes com o mesmo tipo de
prémio por outros trabalhos. Este ano tive o privilégio de ser escolhido
por dois trabalhos diferentes o que, no mesmo ano, é bastante raro ou
mesmo inédito".
No congresso participaram os maiores nomes da
cirurgia refrativa e de cataratas a nível mundial e, nas sessões em que
os prémios foram atribuídos concorreram nomes como o de Robert Cionni,
presidente da ASCRS, ou Gerd Auffhard de Heidelberg, investigador
europeu que mais publicações tem na área da cirurgia refrativa e de
catarata. As distinções atribuídas a Eduardo Marques e as respetivas
apresentações foram publicadas na revista EyeWorld e na página oficial
da ASCRS.
O Congresso da Sociedade Americana de Cirurgia Refrativa
e de Cataratas reúne anualmente cerca de 7500 cirurgiões refrativos e
de cataratas do mundo inteiro. Conjuntamente com o Congresso anual da
sua congénere europeia, com quem partilha a mais importante publicação
científica desta área cirúrgica, constitui o mais importante evento
mundial na área da cirurgia refrativa e de cataratas
Casal
reúne dinheiro que recebeu de familiares e troca a festa de casamento
pela oferta de uma grande refeição a refugiados sírios.
Um casal turco convidou 4.000 refugiados para festejar o seu casamento.
Fethullah Üzümcüoğlu e Esra Polat decidiram partilhar a alegria do
dia do seu casamento a alimentar 4.000 refugiados provenientes da Síria.
Festa que teve lugar na cidade turca de Kilis.
Inicialmente a noiva mostrou-se reticente, mas acabou por se render à
ideia. “Eu fiquei chocada quando o Fethullah me contou a ideia mas
depois de algumas palavras fiquei convencida. Foi uma experiência
maravilhosa. Estou feliz por ter tido esta oportunidade de partilhar a
nossa refeição de casamento com pessoas que realmente precisam”,
confidenciou Esra Polat ao jornal inglês “The Telegraph”.
Fethullah Üzümcüoğlu, o noivo, não se arrependeu e ficou bastante
feliz pela forma como deu o primeiro passo ao lado de Esra. "Ver a
felicidade nos olhos dos filhos dos refugiados sírios é impagável.
Começámos a nossa jornada para a felicidade a fazer os outros felizes e
isso é uma grande sensação", disse ele ao jornal.
De acordo com o jornal britânico, a ideia original partiu do pai do
noivo, que manifestou ao jornal turco “Serhat Kilis” a esperança de que
outros façam o mesmo e partilhem as celebrações do casamento com os seus
irmão e irmãs da Síria.
A Turquia acolheu quase dois milhões de refugiados desde o início da
guerra civil na Síria. Só na cidade de Kilis existem 4.000, que recebem
ajuda da organização turca Kimse Yok Mu.
sábado, 1 de agosto de 2015
NOTÍCIAS AO MINUTO
Terapia de cancro descoberta em Coimbra está a revelar-se eficaz
Uma molécula para
terapia inovadora no tratamento de vários tipos de cancro, patenteada
pela Universidade de Coimbra (UC), está a revelar, de acordo com os
estudos efetuados, a "eficácia desejada", anunciou hoje esta
instituição.
Lusa
PaísUniversidade10:31 - 23/07/15POR Lusa
"Vários estudos e experiências realizadas em ratinhos, entre
2011 e 2014, provaram a eficácia da molécula Redaporfin", descoberta na
UC, para o tratamento de diversos tipos de cancro, "através de terapia
fotodinâmica" (tratamento inovador que "permite eliminar células
cancerígenas de forma precisa"), afirma a UC numa nota hoje divulgada.
De acordo com os ensaios realizados, "86% dos ratinhos com tumores
diversos que foram tratados com esta tecnologia, seguindo exigentes
protocolos de segurança, ficaram curados", salienta a mesma nota,
adiantando que "não se observaram efeitos secundários, como acontece com
os tratamentos convencionais", como a quimioterapia.
O estudo, que acaba de ser publicado no European Journal of Cancer,
demonstrou igualmente uma "taxa de reincidência da doença muitíssimo
baixa", revelando a eficácia do fármaco.
Os testes efetuados "previram com rigor quando é que a resposta ao
tratamento iria surgir, com que doses e em que circunstâncias seriam
obtidos os efeitos terapêuticos no doente", salienta o diretor da
química medicinal deste projeto, Luís Arnaut.
As previsões estão a ser "confirmadas nos ensaios clínicos em curso", acrescenta o investigador da UC.
Esta confirmação é "excecional" porque, "na grande maioria dos
estudos, muito do conhecimento adquirido nos testes em animais não é
confirmado nos humanos", mas "neste caso foi possível chegar à dose
adequada para obter resultado terapêutico nos doentes sem efeitos
adversos, como previsto", explica Luís Arnaut.
Estão a decorrer ensaios com doentes oncológicos em hospitais
portugueses até ao final deste ano e os resultados já conhecidos e
validados cientificamente "fundamentam a expectativa" de que a terapia
fotodinâmica com a molécula Redaporfin se revele "mais eficaz que as
terapêuticas convencionais", admite Luís Arnaut.
Grande parte do percurso está feita e o primeiro fármaco português
para tratamentos oncológicos poderá estar no mercado "dentro de três a
quatro anos", acredita o investigador e catedrático do Departamento de
Química da UC.
Iniciada há mais de uma década, a investigação envolve perto de
quatro dezenas de investigadores dos grupos de Luís Arnaut e de Mariette
Pereira, da UC, da empresa Luzitin SA (criada para desenvolver este
projeto), e de uma equipa de médicos do Instituto Português de Oncologia
do Porto.
O aspeto mais inovador do tratamento fotodinâmico com Redaporfin
reside no facto de "estimular o sistema imunitário do paciente, ou seja,
a terapia limita o processo de metastização do tumor", isto é, "o
sistema imunitário fica alerta e ativa a proteção antitumoral contra o
mesmo tipo de células cancerígenas noutras partes do organismo", conclui
Luís Arnaut.
Fundada, em 2010, pela Bluepharma e inventores da Redaporfin, a
Luzitin -- que realizou os estudos de pré-clínicos para obter
autorização para a realização de ensaios clínicos com a Redaporfin --
está, desde 2014, a realizar em Portugal um ensaio clínico de fase I/II
com doentes de cancro avançado da cabeça e pescoço.
A Luzitin SA é financiada pela farmacêutica de Coimbra Bluepharma e pela sociedade de capital de risco Portugal Ventures.
Nevzat
Aydin decidiu vender a sua Yemeksepeti, uma empresa turca de encomendas
online e entrega de refeições ao domicílio, a uma companhia alemã do
mesmo ramo, a Delivery Hero. Segundo a CNN, o negócio foi fechado por
530 milhões de euros. Mas a notícia não é esta, ainda que o negócio seja
financeiramente relevante. O que tem feito de Aydin notícia é o facto
de ter decidido distribuir 25 milhões por 114 trabalhadores.
Em
média, cada empregado recebeu 216 mil euros. No entanto, este valor
varia consoante a produtividade e o “futuro potencial na empresa” de
cada um. Só os trabalhadores com mais de dois anos de contrato é que
foram elegíveis para o bónus.
Para Nevzat Aydin, cofundador da
empresa, o sucesso da Yemeksepeti “não aconteceu do dia para noite e
muitas pessoas participaram nesta viagem com o seu trabalho e talento”.
“Alguns choraram, outros gritaram e houve ainda quem escrevesse cartas
de agradecimento. Houve muitas emoções, porque mudámos a vida das
pessoas. As pessoas [agora] podem comprar casas, carros... Podem fazer
imediatamente algo que nunca conseguiriam com um ordenado de 900 ou 1500
euros. Foi uma coisa boa. Gostaria de ter a capacidade de lhes dar
mais”, contou Aydin.
A Yemeksepeti foi fundada há 15 anos e
entrega mensalmente mais de três milhões de refeições e opera nos
Emirados Árabes Arábia Saudita, Líbano, Omã, Qatar, Jordânia, Jordânia
e, claro, na Turquia. O conceito da empresa passa pela encomenda de
refeições online que depois são entregues no local e à hora escolhida
pelo cliente.
Com a venda da Yemeksepeti, Nevzat Aydin mantém o
cargo de diretor-executivo e passa também a ocupar uma cadeira no painel
da administração da Delivery Hero.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
PUBLICO
A fórmula certa para recuperar solos pobres foi criada por portugueses
Nicolau Ferreira, em Copenhaga
Vinte variedades de plantas dão nova vida a solos. As Pastagens Semeadas Biodiversas sugam mais dióxido de carbono do ar, enriquecem a terra e alimentam o gado. Projecto ganhou prémio europeu ambiental
O montado é um ecossistema excelente para a plantação das pastagens biodiversas, que tornam os sobreiros mais saudáveis terraprima
Os agricultores precisam de ver para crer, diz-nos Tiago Domingos. O
professor de engenharia ambiental do Instituto Superior Técnico, em
Lisboa, e director da empresa de serviços ambientais Terraprima
conseguiu que mil agricultores lhe dessem ouvidos. Hoje, em Portugal, há
muitos terrenos onde as pastagens biodiversas crescem. A maioria está
nos montados alentejanos, fortalecendo os sobreiros e prestando um
serviço ambiental a todos.
Estas pastagens capturam uma quantidade anormal de dióxido de carbono,
evitando a acumulação de parte do gás que mais contribui para o efeito
de estufa, responsável pelo aquecimento global. Essa foi uma das razões
para o projecto da Terraprima Pastagens Semeadas Biodiversas ganhar o concurso da Comissão Europeia "Um Mundo Que me Agrada", entre os 269 projectos concorrentes.
Sempre que Tiago Domingos fala sobre este projecto, o nome de David
Crespo surge imediatamente. No púlpito do Teatro Real Dinamarquês, em
Copenhaga, quando na quinta-feira à noite lhe foi atribuído o prémio,
voltou a contar a história do engenheiro agrónomo que, na década de
1960, começou a pensar nas pastagens biodiversas.
David Crespo é hoje director do programa de investigação e
desenvolvimento da Fertiprado, a empresa que fundou em 1990. Em 1966
trabalhava na Estação Nacional de Melhoramento de Plantas. Inspirado
pelas pastagens que os australianos semeavam, onde utilizavam duas ou
três variedades de plantas, o engenheiro começou a pensar como poderia
resgatar os solos pobres portugueses.
"Em Portugal temos imensos solos diferentes. No mesmo hectare, cada
pedaço de terra muda", explica Tiago Domingos. Os topos dos montes são
mais secos e têm menos solo, a terra debaixo das copas das árvores é
mais húmida. A geologia, fundamental na natureza dos solos, é variada no
território português.
David Crespo pensou numa solução holística. O engenheiro agrícola
desenvolveu uma fórmula de 20 variedades diferentes de plantas que,
quando semeadas, respondem localmente. Algumas tornam-se mais dominantes
consoante as condições da terra onde crescem.
O cientista escolheu espécies de leguminosas e de gramíneas. As
primeiras, como o trevo-subterrâneo, têm uma relação simbiótica com
bactérias que se desenvolvem em nódulos nas raízes. Estas bactérias
captam azoto do ar, metabolizam e disponibilizam o azoto à planta. Desta
forma, este nutriente entra no ecossistema sem ser necessário usar
adubos, é depois absorvido pelas gramíneas, que se tornam uma parte
importante do pasto dos animais.
Esta mistura tem uma série de benefícios. Como as espécies são anuais,
resistem ao clima mediterrânico, produzem sementes e criam no solo um
banco de sementes que pode manter a pastagem por décadas. As raízes das
plantas, que também morrem anualmente, alimentam o solo com nutrientes.
Passados uns anos, estes solos triplicam a matéria orgânica. As
pastagens alimentam mais cabeças de gado e captam mais dióxido de
carbono. Também se verificou que os sobreiros que crescem nestas
pastagens são mais saudáveis, e o solo é mais húmido, resistindo à seca.
Estes benefícios foram bem quantificados na última década pela equipa
de Tiago Domingos. Foi assim que se descobriu que as pastagens
biodiversas captam cinco toneladas de dióxido de carbono por ano por
hectare.
A partir de 2008, a Terraprima obteve financiamento do Fundo Português
de Carbono (FPM) para três projectos que envolveram mil agricultores.
Estes tinham de comprar sementes para a pastagem, de aceitar cuidar
delas segundo as regras da Terraprima e recebiam o apoio dos seus
técnicos. Desta maneira, podiam ganhar entre 150 e 130 euros por
hectare, pelo dióxido de carbono que as suas pastagens captam. É uma
ajuda que seduz os agricultores, mas o trabalho só compensa a longo
prazo, com todos os outros benefícios.
Os projectos do FPM já terminaram, mas Tiago Domingos espera envolver
empresas para assim compensarem as suas emissões e a indústria alimentar
para que os alimentos produzidos nestas pastagens tenham uma marca
distintiva. O prémio europeu "pode ajudar a expandir este sistema dentro
de Portugal e em muitos países".
terça-feira, 28 de julho de 2015
Homens arriscam suas vidas para salvar escravas sexuais do Estado Islâmico
Nos piores momentos da humanidade surgem os maiores heróis. A
máxima está sendo colocada em prática no Oriente Médio, em parte tomado
pelos jihadistas do Estado Islâmico. Por lá, homens se juntaram e
formaram grupos de resistência que tem como objetivo salvar mulheres
tratadas como escravas sexuais pelos terroristas.
De acordo com o Daily Mail, essas mulheres viviam escravizadas pelo EI,
sendo vítimas diárias de estupros, espancamentos, açoitamentos e até
apedrejamentos. Em alguns casos, após o salvamento, essas mulheres foram
flagradas sendo carregadas por seus salvadores, tamanha a dificuldade
que tinham para andar.
O objetivo do grupo é bastante simples: resgatar essas mulheres na
surdina e levá-las escondidas até a fronteira com o Iraque, muitas vezes
atravessando boa parte da Síria. O destino final costuma ser qualquer
território para refugiados que esteja longe do controle do EI. As
fugitivas têm pelas consciência de que, se capturadas novamente, serão
torturadas até a morte.
Entre as mulheres recuperadas estão idosas e crianças. Muitas delas,
afirmam os ativistas responsáveis pelo resgate, precisam de
acompanhamento psicológico após o retorno para superar os horrores
vividos. Para o bem da humanidade, o grupo de resgate tem atraído cada
vez mais membros e, graças a isso, muitas mulheres estão conhecendo
novamente o gosto da liberdade.