sexta-feira, 9 de outubro de 2015

VISÃO

Nobel da Paz para o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia

A Academia Sueca anunciou esta manhã a atribuição do Prémio Nobel da Paz à coligação de organizações da sociedade civil Quarteto de Diálogo para a Tunísia


Nobel da Paz para o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia
Reuters
O Comité Nobel Norueguês atribuiu hoje o Prémio Nobel da Paz ao Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia pela contribuição para a construção de uma democracia pluralista após a Revolução de Jasmim de 2011, anunciou hoje a instituição.
O Quarteto integra quatro "organizações chave" da sociedade civil tunisina: A União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), A Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (UTICA), A Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e da Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT).

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

 RR

Hepatite C. Mais de 100 doentes curados através de tratamento inovador

30 Set, 2015
Programa foi lançado em Fevereiro, após meses de negociações entre o Governo e a indústria e de reivindicações de doentes.
Um total de 107 doentes com hepatite C ficaram totalmente curados através do programa de tratamento lançado em Fevereiro, após meses de negociações entre o Governo e a indústria e de reivindicações de doentes e familiares, anunciou o Infarmed.
De acordo com uma nota do organismo que regula o sector do medicamento em Portugal, foram autorizados 6.815 tratamentos, dos quais 4.060 foram já iniciados pelos hospitais.
"Dos tratamentos finalizados, e após a necessária análise virológica efectuada 12 semanas depois, constatou-se que 107 doentes estavam curados e apenas 2 foram reportados como não curados", lê-se na informação.
Estes dados constam de uma página com as estatísticas do programa da hepatite C que vai estar disponível no site do Infarmed, a qual visa "dar resposta aos pedidos dos profissionais de saúde e dos media acerca da evolução dos tratamentos realizados".
O programa para o tratamento da hepatite C foi anunciado pelo ministro da Saúde a 6 de Fevereiro. O acordo com a indústria farmacêutica, conseguido após meses de negociações e de exigências dos doentes, inclusivamente no interior do parlamento, prevê "o pagamento por doente tratado, e não por embalagem dispensada, e contempla todos os cerca de 13 mil doentes de hepatite C inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)".
"Com vista a assegurar o acesso equitativo dos doentes a estes novos tratamentos foi desenvolvido o programa da hepatite C, tendo sido criado no seu âmbito um portal para o registo anónimo de doentes e para a tramitação do tratamento, o qual está a permitir acompanhar e estudar a evolução de todos os casos", prossegue o Infarmed.

sábado, 26 de setembro de 2015

Paraplégico volta a andar com a ajuda de um computador

Com a ajuda de um aparelho que consegue “ler” o cérebro, um jovem com paralisia conseguiu recuperar parte do controlo sobre as suas pernas e caminhar alguns metros.
A boa notícia foi revelada a partir de um estudo feito por investigadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicado no Journal of Neuroengineering and Rehabilitation, avança a BBC.
Com a ajuda de um aparelho ortopédico, o jovem conseguiu andar cerca de quatro metros, graças à ajuda de um computador.
As ondas cerebrais do paciente foram interpretadas pelo aparelho que, de seguida, enviou uma estimulação elétrica aos músculos das pernas.
Uma lesão na medula, geralmente, impede a transmissão destas mensagens para o resto do corpo. Porém, isso não significa que o cérebro não continue a ser capaz de criar essas mensagens, assim como as pernas ainda estão aptas para as receber.
Para ligar o computador ao cérebro do paciente, a equipa de investigadores usou uma touca de eletroencefalograma para ler a sua atividade cerebral. O jovem também foi treinado a controlar um avatar através de um jogo de computador.
A fase seguinte passou por colocar elétrodos nos músculos das pernas do paciente, tendo este começado a treinar a execução desses movimentos.
“Mostramos que é possível restaurar o andar intuitivo, controlado pelo cérebro, após uma lesão completa na medula”, disse o investigador An Do.
“Este sistema não invasivo para estimular músculos da perna é um método promissor e um avanço em relação aos sistemas atuais de controlo pelo cérebro, que usam a realidade virtual e exoesqueletos robóticos”, acrescenta.
Alguns especialistas consideram que este é ainda um trabalho preliminar mas elogiaram o avanço conseguido, dizendo que é ainda preciso descobrir como podem as pessoas manter o equilíbrio.
ZAP / BBC

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Torre purificadora transforma poluição do ar em “pedras preciosas”

DR Studioroosegaarde.net
Mega-purificador de ar em Roterdão, Holanda
Investigadores holandeses criaram uma torre que suga o ar sujo, como se fosse um verdadeiro aspirador gigante, e expele bolhas de ar limpas. Pelo meio, ainda produz “pedras preciosas” para criar jóias.
A Smog Free Tower, uma torre de sete metros de altura que começou a funcionar em Roterdão, na Holanda, no início de Setembro, é um mega-purificador de ar que funciona graças à tecnologia de iões.
O mecanismo suga o ar poluído e filtra-o, devolvendo ao ambiente bolhas de ar puras.
E, pelo caminho, ainda condensa as minúsculas partículas de carbono recolhidas do ar em “pedras preciosas” que podem ser utilizadas para fazer jóias, nomeadamente anéis. E ser usadas como uma espécie de símbolo deste processo de devolução do ar puro à cidade.
A torre tem capacidade para purificar 30 mil metros cúbicos de ar por hora, de acordo com o que garante um dos seus criadores, o designer Daan Roosegaarde.
“Não é para ser apenas uma solução local que cria parques ou parques infantis limpos. Também é uma experiência sensorial de um futuro limpo, um lugar onde as pessoas podem experimentar ar puro”, constata Daan Roosegaarde citado pelo jornal The Guardian.
O projecto conta ainda com a participação de Bob Ursem, investigador da Universidade de Tecnologia de Delft que trabalha na empresa de tecnologia verde European Nano Solutions.
Após três anos de pesquisa, os criadores da Smog Free Tower conseguiram construir o seu primeiro protótipo que está instalado num parque público de Roterdão.
Mas a ideia destes inventores é levar torres semelhantes a outras cidades por todo o mundo. Foi nesse sentido que desenvolveram uma campanha de crowdfunding no site Kickstarter.
Esperam agora poder agregar governos, Organizações Não Governamentais, a indústria das tecnologias verdes e os cidadãos comuns nesse objectivo global.
“Podemos trabalhar juntos para tornar cidades inteiras livres de poluição do ar. Podemos esperar – ou podemos participar”, salienta Daan Roosegaarde.
SV, ZAP

terça-feira, 22 de setembro de 2015

VISÃO

Dois pais de família vão de carro buscar refugiados

Na próxima sexta-feira, 25, Nuno Félix e Pedro Policarpo metem-se nos seus monovolumes a caminho da Hungria ou da Croácia. Não são capazes de continuar a olhar para o lado



Nuno Félix (aqui, na foto, com um dos seus filhos) e amigo Pedro Policarpo não conseguem ficar à espera
Foto: DR
A viagem tem um lema - Famílias Como as Nossas - e a partida está marcada para os jardins fronteiros ao Palácio de Belém, em Lisboa. Entre os muitos autocarros de turismo que ali estacionam, há de arranjar-se espaço para os carros que se juntarem aos de Nuno Félix e Pedro Policarpo, dois amigos, cada um com quatro filhos, que decidiram ajudar refugiados a chegar rapidamente a Portugal.
Nuno tem 38 anos e fez carreira na área da Comunicação Social, antes de transformar um hóbi (o futebol) num trabalho: representa um clube alemão, o Colónia, nos mercados que falam Português e Espanhol. Pedro, mais novo um ano, licenciou-se em Direito e em Economia, e é consultor numa empresa. Juntos, estão dispostos a correr alguns riscos e acreditam que podem fazer a diferença, por pequena que seja.
"Neste momento, em Portugal, há centros de acolhimento prontos para acolherem refugiados. Estão prontos hoje, já estavam prontos ontem. Fazer depender a ajuda de um conjunto de burocracias não faz sentido nenhum. Se o processo da vinda dos refugiados para Portugal for acelerado dois ou três dias, já valeu a pena", admite Nuno, cujo testemunho recolhemos aqui em baixo.
A ideia "Tanto eu como o Pedro temos uma abordagem pragmática relativamente à vida: se tem de ser feito, é para fazer. Trocámos umas impressões sobre o que está a acontecer e, vendo a energia que tem sido colocada nas respostas, pensámos: isto é para ir lá e buscar uns miúdos.
Temos quatro filhos cada um e sabemos que, a partir dos três, é sempre a somar. Podem vir mais. Todos disseram que éramos doidos quando decidimos ter famílias numerosas e cá estamos. Dentro da nossa capacidade e das nossas possibilidades, queremos fazer algo que seja correto.
O único 'mas' é que temos a consciência de que não vamos resolver o problema. Agora, se toda a gente fizesse isto, resolveríamos..."
A urgência "A opinião pública encontra-se muito dividida, e a fação de quem está contra a vinda dos refugiados é muito mais ruidosa. Não se vê um movimento favorável à ajuda, não se vê uma relação direta entre a urgência da necessidade e a urgência da resposta.
Alimenta-se um certo medo e o egoísmo. Está cada um a olhar para dentro.
Muitas vezes é preciso um arrancador de palmas. Nós só queremos começar a bater palmas. Se não vier mais ninguém, continuaremos a aplaudir."
O exemplo "Fazer isto implica algum risco. Pode acontecer alguma coisa que não estejamos à espera. Os amigos dizem: 'Atenção, vocês têm filhos...' Mas se eu não os tivesse, não sentiria o que sinto. Não sentiria nem a emoção nem a obrigação de fazer alguma coisa.
Não tenho a certeza de que no futuro dos meus filhos eles não serão obrigados a fazer o que as famílias sírias estão a fazer agora. Se um dia eles tiverem de pedir ajuda à Síria, quero que o país lhes abra a porta.
As pessoas cada vez mais estão a ensinar as crianças a olharem para o lado, a alienarem-se da parte desagradável da vida. Os miúdos têm de estar longe de qualquer coisa que os possa afligir. A noção da vida que a maior parte dos pais quer passar é que a vida é muito prazeirosa. Se não dá prazer, muda o disco.
Claro que poupo os meus filhos às imagens mais gráficas, mas explico-lhes: 'Isto está acontecer na Hungria, onde há meninos que perderam os pais, que perderam os irmãos'.
O meu discurso para com os meus filhos tem de colar com o que eu faço. Acredito que com esta viagem também estou a educar pelo exemplo: 'Filho, se vires algo que está errado, não deves olhar para o outro lado, deves tentar ajudar'. Desde que respeitando a lei e por meios pacíficos."
O que diz a lei "Se analisarmos a Convenção de Genebra, de que somos signatários, e o Estatuto do Refugiado, ninguém pode dizer que estas pessoas não preenchem todos os requisitos. São obrigadas a sair do seu país porque a sua vida está sob ameaça; foram perseguidas; não estão em segurança (mesmo que fora da zona de guerra). E existe o princípio de não repelir as pessoas que estão em estado de necessidade e a pedir ajuda.
O que é que cada um dos Estados pode fazer: dizer que esta ou aquela pessoa não reúne todas as condições para pedir um asilo a título definitivo. Mas não pode recusar o auxílio imediato porque há uma urgência humanitária.
O mínimo que se deve fazer é acolher provisoriamente estas pessoas. Socorrê-las.
Lembrem-se do princípio de quem anda no mar: vemos um náufrago e recolhêmo-lo no nosso barco. Não vamos deixá-lo à vista e analisar se há espaço. E nós temos muito espaço neste barco."
A história do avô "Há uma grande confusão entre o refugiado de guerra e o emigrante ilegal.
Praticamente todas a gente tem emigrantes na família. O meu avô paterno, que já morreu, trabalhava na Marinha Mercante nos anos 30. Achou que não recebia o suficiente e, numa viagem aos EUA, em dezembro, o barco atracou e ele conseguiu saltar borda fora. Só levava a roupa que tinha na pele, estava sem documentos, não falava uma palavra de Inglês. Ao fim de uns dias na rua, ao frio, houve alguém, que ele nunca mais viu, que lhe emprestou roupa e dinheiro para arranjar documentos falsos, para poder trabalhar. Como era ilegal, esteve oito anos sem vir a Portugal, onde tinha a mulher e o filho. Até que decidiu voltar. E o que é certo é que o facto de este meu avô ter emigrado permitiu que a minha família paterna vivesse de uma maneira completamente diferente. Isto é a emigração ilegal: homens a saírem do país como podiam, mas não levavam com eles bebés de colo nem grávidas."
O cinismo europeu "Há um cinismo institucional total. Ver aquelas barreiras policiais e bebés a gatinharem à frente é de uma enorme hipocrisia.
Parece haver uma vontade de dissuadir os outros: 'Vamos tratar mal estes para não virem mais bater-nos à porta'.
Que Europa é esta que estamos a destruir?
Quero ter orgulho em ser português, em ser europeu."
A viagem "Quando tivemos esta ideia, não sabíamos que já há muita gente na Europa a fazer o mesmo. Já há austríacos e alemães a irem à Hungria, para ajudar os refugiados a passarem a fronteira.
Como cidadãos europeus, temos livre circulação. E mesmo fora do espaço Schengen, conseguimos sair. O problema será voltar a entrar com os refugiados.
Se não conseguirmos ajudar ninguém que esteja no outro lado do muro, podemos ir aos campos de concentração na Hungria onde os refugiados estão a ser muito maltratados. São os relatos que nos vêm de lá.
Outra hipótese - e só vamos decidir a caminho - é irmos em direção à Croácia.
Vou eu e o Pedro, cada um com um copiloto. Isso é certo. Se contabilizarmos todas as pessoas que já demonstraram vontade de ir connosco, teremos um grupo de uns vinte carros nos jardins à frente do Palácio de Belém. Assim, as entidades não podem dizer que não nos viram partir.
Cada um é responsável pelo seu carro, pela vinda de uma família, pelos custos. Não vamos aceitar nenhum donativo financeiro (a profissionalização da caridade já me assusta).
Vamos gastar provavelmente o que gastaríamos numa semana de férias. Vamos dormir no carro, comer em andamento para não perder tempo, apanhar frio."
Os custos "Não é preciso ser-se rico para ajudar o outro. É só preciso ter noção de que vou abdicar de alguma coisa. No meu caso, do tempo com os filhos, do dinheiro que podia gastar noutro sítio.
Vivo num T3, com 90 metros quadrados. Os meus filhos dormem todos no mesmo quarto. Se vier uma família com dois filhos e dormirem no quarto que está vago, estou a dar-lhes as mesmas condições que dou aos meus filhos."
Os riscos "As pessoas que estão a ajudar-nos junto dos refugiados tentarão 'selecionar' as famílias que estejam dispostas a virem voluntariamente para Portugal.
Eles serão nossos convidados e vão fazer pedidos de visto e de estadia temporária. Vamos usar todos os argumentos possíveis para fazer os refugiados chegarem a um local seguro.
Mesmo com argumentação jurídica, podem dizer o que entenderem... Eu só posso ser julgado por auxílio à emigração ilegal se os refugiados forem considerados emigrantes ilegais."
A única garantia "Já nos perguntarem se podemos ser detidos. A única garantia que posso dar é que não faremos nada sem que estejamos salvaguardados por uma argumentação jurídica sólida e que não seja do conhecimento das autoridades oficiais.
Amanhã [quarta-feira, 23], o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras vai avaliar a nossa iniciativa. E já falei com o Rui Marques [presidente do Instituto Padre António Vieira e mentor da Plataforma de Apoio aos Refugiados], que já disse que nos ajudará naquilo que lhe for possível."
Um grito de alerta "O país está em campanha, está em suspenso. Não se trata de assuntos internos nem de assuntos externos. Há muita distração.
Nós queremos dar um grito de alerta, é preciso estarmos acordados. Se o processo da vinda dos refugiados para Portugal for acelerado dois ou três dias, já valeu a pena.
Queremos que [os governantes] ponham os refugiados no topo da resma de papel que têm em cima da secretária. Porque todos os dias morre gente à soleira da Europa."

sábado, 19 de setembro de 2015

Pela primeira vez um medicamento para Alzheimer deu provas de reverter a doença

 
baycrest.org
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Há esperança para os milhões de pessoas afetadas pela doença de Alzheimer, em todo o mundo. Pela primeira vez, um medicamento deu provas de reverter o mecanismo da doença.
Segundo os resultados de um estudo clínico de 18 meses revelados pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly, um novo medicamento, o Solanezumab, consegue reduzir a progressão da doença de Alzheimer em pelo menos 30%.
A descoberta foi anunciada esta quarta-feira em Washington durante a AAIC, a conferência anual da Associação Internacional de Alzheimer.
Após décadas de pesquisas sobre o Alzheimer, alguns dos principais investigadores da área disseram estar muito confiantes de que estamos próximos de encontrar finalmente um tratamento efetivo.
“O chavão que se repete desde sempre é uau, estamos a cinco anos de um tratamento realmente efetivo”, diz Steven Ferris, que dirige o programa de testes clínicos de Alzheimer no Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque.
“Seria prematuro dizer que tivemos um avanço decisivo, mas há muitas coisas em andamento que são bastante promissoras”, acrescentou Ferris, que está envolvido com os testes há mais de 40 anos.
O medicamento da Lilly bloqueia a beta-amiloide, proteína que causa placas cerebrais tóxicas características da doença mental progressiva.
Os resultados do estudo, que envolveu 1300 pacientes e que teve uma duração de 18 meses, mostraram que a perda de memória foi 30% mais lenta nos pacientes que tomaram o medicamento do que nos restantes.
“Esta é a primeira demonstração de uma droga que verdadeiramente altera a evolução da doença, muda o seu curso de uma forma irrevogável”, disse Eric Karran, diretor de investigação na Alzheimer’s Research UK, em declarações ao The Guardian.
“Isto deixa-nos menos indefesos perante esta terrível doença”, acrescentou Karran.
É um avanço extraordinário“, conclui o cientista.
ZAP / Move

domingo, 13 de setembro de 2015

EUA preparam-se para lançar no mercado primeira imunoterapia contra o cancro

emilywhitehead.com
A primeira criança a receber o tratamento, Emily Whitehead, celebrou em Maio dois anos de remissão da doença.
As autoridades norte-americanas anunciaram hoje que vão acelerar o processo de aprovação para colocar no mercado um novo tratamento experimental que tem obtido resultados promissores na cura da leucemia.
Na fase de testes realizada até ao momento, 89 por cento dos pacientes atingidos por leucemia verificaram que o cancro desapareceu completamente.
Trata-se de uma imunoterapia personalizada conhecida pelo nome de CTL019, desenvolvida pela Universidade da Pensilvânia e considerada um “grande avanço” pela Agência Federal do Medicamento (FDA) dos Estados Unidos, entidade que avalia todas as substâncias terapêuticas e terapias.
Isto significa que esta terapia vai beneficiar de um processo acelerado de avaliação por parte da FDA, tal como uma atenção particular para a sua colocação no mercado, já que foi a primeira imunoterapia contra o cancro a receber esta designação.
A imunoterapia contra o cancro foi eleita o maior avanço da ciência em 2013.

Fogo contra fogo

A terapia consiste em extrair células T imunitárias do paciente e depois programá-las geneticamente em laboratório para que anulem as células cancerígenas que produzem a proteína CD19.
Estas células T modificadas são depois injectadas no organismo do paciente, onde se multiplicam e atacam directamente o cancro, tendo 89 por cento dos pacientes tratados até agora entrado em remissão da doença.
A primeira criança a receber o tratamento, Emily Whitehead, celebrou em Maio dois anos de remissão da doença.
“Os primeiros resultados dão imensas esperanças para um grupo desesperado de pacientes e muitos deles conseguiram recuperar uma vida normal na escola ou no trabalho depois de receberem esta nova imunoterapia personalizada”, disse o chefe da equipa de pesquisa da Universidade de Pensilvânia, Carl June.
A universidade aliou-se em 2012 à empresa farmacêutica Novartis para desenvolver e autorizar testes com esta terapia para o tratamento de vários tipos de cancro.
/Lusa

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

PÚBLICO

Em Coimbra, cirurgia inédita no mundo pôs um doente a ver

Às mãos de António Travassos chegam doentes de todo o mundo, à procura de um tratamento para os seus casos considerados sem solução. Cego dos dois olhos, Martinho Santos Martins foi um deles. Hoje sorri de felicidade.

A coroa de esclera funcionou como uma espécie de aba para se deslocar toda a córnea, sem se alterar o ângulo da câmara anterior. A manutenção do ângulo da câmara anterior evitou complicações, como o desenvolvimento de hipertensão ocular, que levariam ao insucesso da intervenção. O caso clínico bem sucedido terá os seus resultados publicados no Atlas de Oftalmologia RL- Eye, uma edição do Centro Cirúrgico de Coimbra.
“Esta cirurgia prova que nunca devemos desistir de fazer o melhor por cada doente e, neste caso específico, tínhamos de tentar proporcionar melhor qualidade de vida, porque este era um caso em que a alternativa era deixar manter o doente na cegueira”, diz António Travassos. “É uma verdadeira lição. A lição de que não devemos retirar um olho que tenha ainda percepção luminosa. É sempre possível pensar de maneira diferente.”
Geralmente, os doentes com a córnea esbranquiçada ficam sem tratamento, ou são submetidos a uma cirurgia para substituir parte da córnea por matéria orgânica inerte e transparente (queratoprótese). Mas esta nunca foi uma hipótese ponderada por António Travassos: “Em toda a minha vida, vi quatro doentes com queratoprótese. Todos eles sofreram inúmeras complicações e voltaram a cegar.”
Com a cirurgia da translocação de uma parte dos olhos feita há mais de um mês, o doente não teve até agora qualquer tipo de complicações. “Em oftalmologia também se fazem milagres”, diz Martinho Santos Martins, citado num comunicado do centro. E o prognóstico é que possa ir recuperando gradualmente alguma visão. “Conseguimos ainda manter o olho esquerdo que, apesar de não ter visão, de um ponto de vista anatómico e estético era importante”, diz o médico. “Se nesta fase não tivermos complicações, a probabilidade de as termos no futuro é mínima.”
“Continuar a sonhar”
António Travassos fundou o Centro Cirúrgico de Coimbra há 16 anos, e hoje recebe lá doentes de pelo menos 44 países. “As pessoas andam por todo o lado e quando começam a ficar desesperadas chegam aqui ao centro.”
Dos países árabes chega uma grande parte destes doentes, geralmente pessoas com um estatuto económico e social muito elevado. “Uma vez operei uma irmã de um rei sem saber quem era. Mas, para mim, o que interessava era que tinha ali uma doente como todos os outros”, conta António Travassos. “Há pouco tempo tive também o caso de um doente árabe que não recebeu um visto de Portugal para vir ao centro tratar-se. Isto é muito estranho, sobretudo quando se quer desenvolver o turismo de saúde.”
A tecnologia de ponta que usa, como bisturis de diamante, permite-lhe aperfeiçoar cada vez mais a sua arte. A gravação em 3D das cirurgias é outro aspecto inédito do seu trabalho. “Em Dezembro de 2009 só se falava no filme 3D ‘Avatar’, e eu pensei: por que não aplicar isto na cirurgia?” Com a ajuda da empresa Sony, que cedeu o equipamento, começou a filmar todas as intervenções cirúrgicas, o que resulta hoje em mais de três milhões e meio de imagens. “Hoje temos memória futura. Não podemos chegar a conclusões científicas [só] com o que os outros escreveram. Temos de documentar, é assim que se faz ciência.”
Com mais de 60.000 cirurgias realizadas, o médico de 65 anos fez parte da sua formação nos Estados Unidos, onde praticou cirurgia em macacos. “Foi na altura um privilégio, porque os macacos eram muito caros.” Quando, em 1981, regressou a Portugal para integrar os Hospitais da Universidade de Coimbra, encontrou casos complicadíssimos para começar a sua carreira. “São hoje os meus grandes amigos, os doentes daquela época, pelos quais lutei para lhes devolver a visão.”
Hoje, no Centro Cirúrgico de Coimbra, António Travassos salva da escuridão os milhares de doentes que todos os anos lhe chegam ao consultório. “Há sempre uma aprendizagem contínua. Esta é a luta contra a cegueira. E a possibilidade de pormos os doentes a ver é que nos faz andar nesta loucura constante de continuar a sonhar.”

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Revista Prevenir // Bem-estar
Existem hábitos e gestos que pode passar a incluir no seu dia a dia para reduzir o impacto do sofrimento e da aflição, muitas vezes a roçar a tortura, que muitas doenças provocam
A dor começa por ser aguda e, depois, se não for tratada, pode tornar-se crónica. A dor aguda é geralmente um sinal de alarme, importante para o diagnóstico de várias doenças. Por outro lado, a dor crónica caracteriza uma dor persistente ou recorrente durante, pelo menos, três a seis meses que tem repercussões na saúde física e mental. Para a controlar, existem estratégias que se resumem a gestos simples que pode facilmente incluir na sua rotina diária. Tome nota:
1. Faça uma boa gestão do seu tempo
Planeie o dia de forma a estar mais ativo quanto tem mais energia e mantenha horários de sono saudáveis.
2. Ocupe-se
Desenvolver atividades todos os dias deixa-nos mentalmente menos disponíveis para a dor.
3. Aprenda a movimentar-se
Parar pode aliviar no imediato, mas a prazo é contraproducente.
4. Exercite-se
Nade, dance e ande de bicicleta. Existem exercícios específicos para músculos e articulações. Para saber quais são os melhores para si, fale com um fisioterapeuta.
5. Socialize
Falar com outras pessoas melhora a disposição.
6. Divirta-se
Inclua uma atividade que lhe dê prazer nas suas tarefas diárias.
7. Reduza o stresse
Aprenda exercícios de respiração e meditação ou, simplesmente, reserve tempo para ler.
8. Experimente técnicas alternativas
O recurso a um fisioterapeuta, quiroprático, osteopata ou profissional credenciado de medicina tradicional chinesa pode ajudar a vencer a dor. Aconselhe-se com o seu médico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Cientistas conseguem transformar células cancerígenas em tecido saudável


Os investigadores da Mayo Clinic sugere que há a possibilidade de restaurar a produção normal das células e assim contrariar a reprodução descontrolada dos tecidos malignos.
créditos: AFP/JAAFAR ASHTIYEH
As moléculas usadas nos testes de laboratório da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, conseguiram travar o crescimento do cancro. Os cientistas esperam agora que esse novo mecanismo possa ser usado em todos os tipos de tumores.
No entanto, apesar de os primeiros testes em laboratório parecerem promissores, ainda não é claro se esta técnica vai ajudar no tratamento de pessoas portadoras da doença.
O estudo foi publicado na revista especializada Nature Cell Biology.
A investigação da Mayo Clinic junta dois ramos da investigação científica: a aderência entre células e a biologia do microRNA (também conhecido como miRNA), indica a BBC.
Os cientistas pensavam que as moléculas de adesão eram simplesmente a matéria que mantém as células juntas. Mas descobriu-se que elas também podem ter um papel de sinalização.
O trabalho da Mayo Clinic mostrou que as moléculas de adesão conectam células e também emitem sinais através dos miRNAs para controlar o crescimento das células tumorais.
Se esse processo ficar desregulado, as células crescem descontroladamente, o que pode impulsionar o alastramento do tumor. Porém, reabastecer as células com miRNAs pode solucionar esse problema.
"Ao ministrar os miRNAs afetados em células tumorais para restaurar os níveis normais, devemos ser capazes de restabelecer a função normal das células", disse Panos Anastasiadis, que liderou a investigação.
artigo do parceiro: Nuno Noronha