Grécia: Médicos voluntários recusam prémio do Parlamento Europeu
Médicos da Clínica
Comunitária Metropolitana de Helleniko, que prestam serviços de saúde
gratuitos à população pobre, foram galardoados pelo Parlamento Europeu
(PE) com o Prémio de Cidadania. Hoje, em Bruxelas, explicaram que
recusam este prémio por causa da austeridade imposta ao seu país com a
conivência da maioria do PE.
16 de Outubro, 2015
Os
membros desta clínica social que dá apoio a quem não tem seguro de
saúde e está afastado do acesso à rede pública consideram um paradoxo
que uma instituição europeia lhes dê um prémio, uma vez que o trabalho
que desenvolvem tem como causa principal a austeridade imposta pelas
instituições europeias. Nesse sentido, após várias discussões durante o
verão, chegaram à conclusão que não o podiam receber.
Ao saberem da sua decisão, os serviços do Parlamento Europeu chegaram
a dizer-lhes que, nesse caso, não iriam cobrir as despesas da sua
viagem a Bruxelas. Em resposta, os elementos da clínica disseram que
faziam questão em estar presentes e que podiam cobrir eles próprios os
custos da deslocação. Mais tarde, os serviços do Parlamento Europeu
responderam que pagariam as viagens, embora não pudessem ter direito à
palavra na cerimónia.
Esta quinta-feira, os membros da clínica social de Helliniko foram
mesmo a Bruxelas e deram uma conferência de imprensa ao lado de um
eurodeputado do Syriza, denunciando que a posição oficial do Parlamento
Europeu é “inaceitável e humilhante e só vem confirmar que fizemos bem
em não aceitar o prémio”.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
VISÃO
Nobel da Paz para o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia
A Academia Sueca anunciou esta manhã a atribuição do Prémio Nobel
da Paz à coligação de organizações da sociedade civil Quarteto de
Diálogo para a Tunísia
Lusa - Sexta feira, 9 de Outubro de 2015
|
Reuters
O Comité Nobel Norueguês atribuiu hoje o Prémio Nobel da Paz ao
Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia pela contribuição para a
construção de uma democracia pluralista após a Revolução de Jasmim de
2011, anunciou hoje a instituição.
O Quarteto integra quatro "organizações chave" da sociedade civil
tunisina: A União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), A
Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (UTICA), A
Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e da Ordem Nacional dos
Advogados da Tunísia (ONAT).
Hepatite C. Mais de 100 doentes curados através de tratamento inovador
30 Set, 2015
Programa foi lançado em Fevereiro, após meses de negociações entre o Governo e a indústria e de reivindicações de doentes.
Um
total de 107 doentes com hepatite C ficaram totalmente curados através
do programa de tratamento lançado em Fevereiro, após meses de
negociações entre o Governo e a indústria e de reivindicações de doentes
e familiares, anunciou o Infarmed.
De acordo com uma nota do organismo que regula o sector do
medicamento em Portugal, foram autorizados 6.815 tratamentos, dos quais
4.060 foram já iniciados pelos hospitais.
"Dos tratamentos finalizados, e após a necessária análise virológica
efectuada 12 semanas depois, constatou-se que 107 doentes estavam
curados e apenas 2 foram reportados como não curados", lê-se na
informação.
Estes dados constam de uma página com as estatísticas do programa da
hepatite C que vai estar disponível no site do Infarmed, a qual visa
"dar resposta aos pedidos dos profissionais de saúde e dos media acerca
da evolução dos tratamentos realizados".
O programa para o tratamento da hepatite C foi anunciado pelo
ministro da Saúde a 6 de Fevereiro. O acordo com a indústria
farmacêutica, conseguido após meses de negociações e de exigências dos
doentes, inclusivamente no interior do parlamento, prevê "o pagamento
por doente tratado, e não por embalagem dispensada, e contempla todos os
cerca de 13 mil doentes de hepatite C inscritos no Serviço Nacional de
Saúde (SNS)".
"Com vista a assegurar o acesso equitativo dos doentes a estes novos
tratamentos foi desenvolvido o programa da hepatite C, tendo sido criado
no seu âmbito um portal para o registo anónimo de doentes e para a
tramitação do tratamento, o qual está a permitir acompanhar e estudar a
evolução de todos os casos", prossegue o Infarmed.
Com a ajuda de um aparelho
que consegue “ler” o cérebro, um jovem com paralisia conseguiu recuperar
parte do controlo sobre as suas pernas e caminhar alguns metros.
A boa notícia foi revelada a partir
de um estudo feito por investigadores da Universidade da Califórnia, nos
Estados Unidos, publicado no Journal of Neuroengineering and
Rehabilitation, avança a BBC.
Com a ajuda de um aparelho ortopédico, o jovem conseguiu andar cerca de quatro metros, graças à ajuda de um computador.
As ondas cerebrais do paciente foram
interpretadas pelo aparelho que, de seguida, enviou uma estimulação
elétrica aos músculos das pernas.
Uma lesão na medula, geralmente, impede a transmissão destas
mensagens para o resto do corpo. Porém, isso não significa que o cérebro
não continue a ser capaz de criar essas mensagens, assim como as pernas
ainda estão aptas para as receber.
Para ligar o computador ao cérebro do paciente, a equipa de investigadores usou uma touca de eletroencefalograma para ler a sua atividade cerebral. O jovem também foi treinado a controlar um avatar através de um jogo de computador.
A fase seguinte passou por colocar elétrodos nos músculos das pernas do paciente, tendo este começado a treinar a execução desses movimentos.
“Mostramos que é possível restaurar o andar intuitivo, controlado
pelo cérebro, após uma lesão completa na medula”, disse o investigador An Do.
“Este sistema não invasivo para estimular músculos da perna é um
método promissor e um avanço em relação aos sistemas atuais de controlo
pelo cérebro, que usam a realidade virtual e exoesqueletos robóticos”,
acrescenta.
Alguns especialistas consideram que este é ainda um trabalho
preliminar mas elogiaram o avanço conseguido, dizendo que é ainda
preciso descobrir como podem as pessoas manter o equilíbrio.
Investigadores holandeses criaram uma torre que suga o ar
sujo, como se fosse um verdadeiro aspirador gigante, e expele bolhas de
ar limpas. Pelo meio, ainda produz “pedras preciosas” para criar jóias.
A Smog Free Tower,
uma torre de sete metros de altura que começou a funcionar em Roterdão,
na Holanda, no início de Setembro, é um mega-purificador de ar que
funciona graças à tecnologia de iões.
O mecanismo suga o ar poluído e filtra-o, devolvendo ao ambiente bolhas de ar puras.
E, pelo caminho, ainda condensa as minúsculas partículas de carbono recolhidas do ar em “pedras preciosas”
que podem ser utilizadas para fazer jóias, nomeadamente anéis. E ser
usadas como uma espécie de símbolo deste processo de devolução do ar
puro à cidade.
A torre tem capacidade para purificar 30 mil metros cúbicos de ar por hora, de acordo com o que garante um dos seus criadores, o designer Daan Roosegaarde.
“Não é para ser apenas uma solução local que cria parques ou parques
infantis limpos. Também é uma experiência sensorial de um futuro limpo,
um lugar onde as pessoas podem experimentar ar puro”, constata Daan
Roosegaarde citado pelo jornal The Guardian.
O projecto conta ainda com a participação de Bob Ursem, investigador
da Universidade de Tecnologia de Delft que trabalha na empresa de
tecnologia verde European Nano Solutions.
Após três anos de pesquisa, os criadores da Smog Free Tower
conseguiram construir o seu primeiro protótipo que está instalado num
parque público de Roterdão.
Mas a ideia destes inventores é levar torres semelhantes a outras cidades por todo o mundo. Foi nesse sentido que desenvolveram uma campanha de crowdfunding no site Kickstarter.
Esperam agora poder agregar governos, Organizações Não
Governamentais, a indústria das tecnologias verdes e os cidadãos comuns
nesse objectivo global.
“Podemos trabalhar juntos para tornar cidades inteiras livres de
poluição do ar. Podemos esperar – ou podemos participar”, salienta Daan
Roosegaarde.
SV, ZAP
terça-feira, 22 de setembro de 2015
VISÃO
Dois pais de família vão de carro buscar refugiados
Na próxima sexta-feira, 25, Nuno Félix e Pedro Policarpo metem-se
nos seus monovolumes a caminho da Hungria ou da Croácia. Não são
capazes de continuar a olhar para o lado
Depoimento recolhido por Rosa Ruela
18:09 Terça feira, 22 de Setembro de 2015
|
Nuno Félix (aqui, na foto, com um dos seus filhos) e amigo Pedro Policarpo não conseguem ficar à espera
Foto: DR
A viagem tem um lema - Famílias Como as Nossas - e a
partida está marcada para os jardins fronteiros ao Palácio de Belém, em
Lisboa. Entre os muitos autocarros de turismo que ali estacionam, há de
arranjar-se espaço para os carros que se juntarem aos de Nuno Félix e
Pedro Policarpo, dois amigos, cada um com quatro filhos, que decidiram
ajudar refugiados a chegar rapidamente a Portugal.
Nuno tem 38 anos e fez carreira na área da Comunicação Social, antes
de transformar um hóbi (o futebol) num trabalho: representa um clube
alemão, o Colónia, nos mercados que falam Português e Espanhol. Pedro,
mais novo um ano, licenciou-se em Direito e em Economia, e é consultor
numa empresa. Juntos, estão dispostos a correr alguns riscos e acreditam
que podem fazer a diferença, por pequena que seja.
"Neste momento, em Portugal, há centros de acolhimento prontos para
acolherem refugiados. Estão prontos hoje, já estavam prontos ontem.
Fazer depender a ajuda de um conjunto de burocracias não faz sentido
nenhum. Se o processo da vinda dos refugiados para Portugal for
acelerado dois ou três dias, já valeu a pena", admite Nuno, cujo
testemunho recolhemos aqui em baixo. A ideia
"Tanto eu como o Pedro temos uma abordagem pragmática relativamente à
vida: se tem de ser feito, é para fazer. Trocámos umas impressões sobre
o que está a acontecer e, vendo a energia que tem sido colocada nas
respostas, pensámos: isto é para ir lá e buscar uns miúdos.
Temos quatro filhos cada um e sabemos que, a partir dos três, é
sempre a somar. Podem vir mais. Todos disseram que éramos doidos quando
decidimos ter famílias numerosas e cá estamos. Dentro da nossa
capacidade e das nossas possibilidades, queremos fazer algo que seja
correto.
O único 'mas' é que temos a consciência de que não vamos resolver o
problema. Agora, se toda a gente fizesse isto, resolveríamos..." A urgência
"A opinião pública encontra-se muito dividida, e a fação de quem
está contra a vinda dos refugiados é muito mais ruidosa. Não se vê um
movimento favorável à ajuda, não se vê uma relação direta entre a
urgência da necessidade e a urgência da resposta.
Alimenta-se um certo medo e o egoísmo. Está cada um a olhar para dentro.
Muitas vezes é preciso um arrancador de palmas. Nós só queremos
começar a bater palmas. Se não vier mais ninguém, continuaremos a
aplaudir." O exemplo
"Fazer isto implica algum risco. Pode acontecer alguma coisa que não
estejamos à espera. Os amigos dizem: 'Atenção, vocês têm filhos...' Mas
se eu não os tivesse, não sentiria o que sinto. Não sentiria nem a
emoção nem a obrigação de fazer alguma coisa.
Não tenho a certeza de que no futuro dos meus filhos eles não serão
obrigados a fazer o que as famílias sírias estão a fazer agora. Se um
dia eles tiverem de pedir ajuda à Síria, quero que o país lhes abra a
porta.
As pessoas cada vez mais estão a ensinar as crianças a olharem para o
lado, a alienarem-se da parte desagradável da vida. Os miúdos têm de
estar longe de qualquer coisa que os possa afligir. A noção da vida que a
maior parte dos pais quer passar é que a vida é muito prazeirosa. Se
não dá prazer, muda o disco.
Claro que poupo os meus filhos às imagens mais gráficas, mas
explico-lhes: 'Isto está acontecer na Hungria, onde há meninos que
perderam os pais, que perderam os irmãos'.
O meu discurso para com os meus filhos tem de colar com o que eu
faço. Acredito que com esta viagem também estou a educar pelo exemplo:
'Filho, se vires algo que está errado, não deves olhar para o outro
lado, deves tentar ajudar'. Desde que respeitando a lei e por meios
pacíficos." O que diz a lei
"Se analisarmos a Convenção de Genebra, de que somos signatários, e o
Estatuto do Refugiado, ninguém pode dizer que estas pessoas não
preenchem todos os requisitos. São obrigadas a sair do seu país porque a
sua vida está sob ameaça; foram perseguidas; não estão em segurança
(mesmo que fora da zona de guerra). E existe o princípio de não repelir
as pessoas que estão em estado de necessidade e a pedir ajuda.
O que é que cada um dos Estados pode fazer: dizer que esta ou aquela
pessoa não reúne todas as condições para pedir um asilo a título
definitivo. Mas não pode recusar o auxílio imediato porque há uma
urgência humanitária.
O mínimo que se deve fazer é acolher provisoriamente estas pessoas. Socorrê-las.
Lembrem-se do princípio de quem anda no mar: vemos um náufrago e
recolhêmo-lo no nosso barco. Não vamos deixá-lo à vista e analisar se há
espaço. E nós temos muito espaço neste barco." A história do avô
"Há uma grande confusão entre o refugiado de guerra e o emigrante ilegal.
Praticamente todas a gente tem emigrantes na família. O meu avô
paterno, que já morreu, trabalhava na Marinha Mercante nos anos 30.
Achou que não recebia o suficiente e, numa viagem aos EUA, em dezembro, o
barco atracou e ele conseguiu saltar borda fora. Só levava a roupa que
tinha na pele, estava sem documentos, não falava uma palavra de Inglês.
Ao fim de uns dias na rua, ao frio, houve alguém, que ele nunca mais
viu, que lhe emprestou roupa e dinheiro para arranjar documentos falsos,
para poder trabalhar. Como era ilegal, esteve oito anos sem vir a
Portugal, onde tinha a mulher e o filho. Até que decidiu voltar. E o que
é certo é que o facto de este meu avô ter emigrado permitiu que a minha
família paterna vivesse de uma maneira completamente diferente. Isto é a
emigração ilegal: homens a saírem do país como podiam, mas não levavam
com eles bebés de colo nem grávidas." O cinismo europeu
"Há um cinismo institucional total. Ver aquelas barreiras policiais e bebés a gatinharem à frente é de uma enorme hipocrisia.
Parece haver uma vontade de dissuadir os outros: 'Vamos tratar mal estes para não virem mais bater-nos à porta'.
Que Europa é esta que estamos a destruir?
Quero ter orgulho em ser português, em ser europeu." A viagem
"Quando tivemos esta ideia, não sabíamos que já há muita gente na
Europa a fazer o mesmo. Já há austríacos e alemães a irem à Hungria,
para ajudar os refugiados a passarem a fronteira.
Como cidadãos europeus, temos livre circulação. E mesmo fora do
espaço Schengen, conseguimos sair. O problema será voltar a entrar com
os refugiados.
Se não conseguirmos ajudar ninguém que esteja no outro lado do muro,
podemos ir aos campos de concentração na Hungria onde os refugiados
estão a ser muito maltratados. São os relatos que nos vêm de lá.
Outra hipótese - e só vamos decidir a caminho - é irmos em direção à Croácia.
Vou eu e o Pedro, cada um com um copiloto. Isso é certo. Se
contabilizarmos todas as pessoas que já demonstraram vontade de ir
connosco, teremos um grupo de uns vinte carros nos jardins à frente do
Palácio de Belém. Assim, as entidades não podem dizer que não nos viram
partir.
Cada um é responsável pelo seu carro, pela vinda de uma família,
pelos custos. Não vamos aceitar nenhum donativo financeiro (a
profissionalização da caridade já me assusta).
Vamos gastar provavelmente o que gastaríamos numa semana de férias.
Vamos dormir no carro, comer em andamento para não perder tempo,
apanhar frio." Os custos
"Não é preciso ser-se rico para ajudar o outro. É só preciso ter
noção de que vou abdicar de alguma coisa. No meu caso, do tempo com os
filhos, do dinheiro que podia gastar noutro sítio.
Vivo num T3, com 90 metros quadrados. Os meus filhos dormem todos no
mesmo quarto. Se vier uma família com dois filhos e dormirem no quarto
que está vago, estou a dar-lhes as mesmas condições que dou aos meus
filhos." Os riscos
"As pessoas que estão a ajudar-nos junto dos refugiados tentarão
'selecionar' as famílias que estejam dispostas a virem voluntariamente
para Portugal.
Eles serão nossos convidados e vão fazer pedidos de visto e de
estadia temporária. Vamos usar todos os argumentos possíveis para fazer
os refugiados chegarem a um local seguro.
Mesmo com argumentação jurídica, podem dizer o que entenderem... Eu
só posso ser julgado por auxílio à emigração ilegal se os refugiados
forem considerados emigrantes ilegais." A única garantia
"Já nos perguntarem se podemos ser detidos. A única garantia que
posso dar é que não faremos nada sem que estejamos salvaguardados por
uma argumentação jurídica sólida e que não seja do conhecimento das
autoridades oficiais.
Amanhã [quarta-feira, 23], o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras vai
avaliar a nossa iniciativa. E já falei com o Rui Marques [presidente do
Instituto Padre António Vieira e mentor da Plataforma de Apoio aos
Refugiados], que já disse que nos ajudará naquilo que lhe for possível." Um grito de alerta
"O país está em campanha, está em suspenso. Não se trata de assuntos internos nem de assuntos externos. Há muita distração.
Nós queremos dar um grito de alerta, é preciso estarmos acordados.
Se o processo da vinda dos refugiados para Portugal for acelerado dois
ou três dias, já valeu a pena.
Queremos que [os governantes] ponham os refugiados no topo da resma
de papel que têm em cima da secretária. Porque todos os dias morre
gente à soleira da Europa."
Há esperança para os milhões de pessoas afetadas pela doença
de Alzheimer, em todo o mundo. Pela primeira vez, um medicamento deu
provas de reverter o mecanismo da doença.
Segundo os resultados de um estudo clínico de 18 meses revelados pela
farmacêutica norte-americana Eli Lilly, um novo medicamento, o Solanezumab, consegue reduzir a progressão da doença de Alzheimer em pelo menos 30%.
A descoberta foi anunciada esta quarta-feira em Washington durante a AAIC, a conferência anual da Associação Internacional de Alzheimer.
Após décadas de pesquisas sobre o Alzheimer, alguns dos principais
investigadores da área disseram estar muito confiantes de que estamos
próximos de encontrar finalmente um tratamento efetivo.
“O chavão que se repete desde sempre é uau, estamos a cinco anos de um tratamento realmente efetivo”,
diz Steven Ferris, que dirige o programa de testes clínicos de
Alzheimer no Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque.
“Seria prematuro dizer que tivemos um avanço decisivo, mas há muitas
coisas em andamento que são bastante promissoras”, acrescentou Ferris,
que está envolvido com os testes há mais de 40 anos.
O medicamento da Lilly bloqueia a beta-amiloide, proteína que causa
placas cerebrais tóxicas características da doença mental progressiva.
Os resultados do estudo, que envolveu 1300 pacientes e que teve uma duração de 18 meses, mostraram que a perda de memória foi 30% mais lenta nos pacientes que tomaram o medicamento do que nos restantes.
“Esta é a primeira demonstração de uma droga que verdadeiramente altera a evolução da doença, muda o seu curso de uma forma irrevogável”, disse Eric Karran, diretor de investigação na Alzheimer’s Research UK, em declarações ao The Guardian.
“Isto deixa-nos menos indefesos perante esta terrível doença”, acrescentou Karran.
“É um avanço extraordinário“, conclui o cientista.
A primeira criança a receber o tratamento, Emily Whitehead, celebrou em Maio dois anos de remissão da doença.
As autoridades norte-americanas anunciaram hoje que vão
acelerar o processo de aprovação para colocar no mercado um novo
tratamento experimental que tem obtido resultados promissores na cura da
leucemia.
Na fase de testes realizada até ao momento, 89 por cento dos pacientes atingidos por leucemia verificaram que o cancro desapareceu completamente.
Trata-se de uma imunoterapia personalizada conhecida pelo nome de
CTL019, desenvolvida pela Universidade da Pensilvânia e considerada um “grande avanço”
pela Agência Federal do Medicamento (FDA) dos Estados Unidos, entidade
que avalia todas as substâncias terapêuticas e terapias.
Isto significa que esta terapia vai beneficiar de um processo acelerado de avaliação por parte da FDA, tal como uma atenção particular para a sua colocação no mercado, já que foi a primeira imunoterapia contra o cancro a receber esta designação.
A terapia consiste em extrair células T imunitárias
do paciente e depois programá-las geneticamente em laboratório para que
anulem as células cancerígenas que produzem a proteína CD19.
Estas células T modificadas são depois injectadas no organismo do
paciente, onde se multiplicam e atacam directamente o cancro, tendo 89
por cento dos pacientes tratados até agora entrado em remissão da
doença.
A primeira criança a receber o tratamento, Emily Whitehead, celebrou em Maio dois anos de remissão da doença.
“Os primeiros resultados dão imensas esperanças para um grupo
desesperado de pacientes e muitos deles conseguiram recuperar uma vida
normal na escola ou no trabalho depois de receberem esta nova
imunoterapia personalizada”, disse o chefe da equipa de pesquisa da
Universidade de Pensilvânia, Carl June.
A universidade aliou-se em 2012 à empresa farmacêutica Novartis para desenvolver e autorizar testes com esta terapia para o tratamento de vários tipos de cancro.
/Lusa
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
PÚBLICO
Em Coimbra, cirurgia inédita no mundo pôs um doente a ver
Catarina Rocha
Às mãos de António Travassos chegam doentes de todo o mundo, à
procura de um tratamento para os seus casos considerados sem solução.
Cego dos dois olhos, Martinho Santos Martins foi um deles. Hoje sorri de
felicidade.
A coroa de esclera funcionou como uma
espécie de aba para se deslocar toda a córnea, sem se alterar o ângulo
da câmara anterior. A manutenção do ângulo da câmara anterior evitou
complicações, como o desenvolvimento de hipertensão ocular, que levariam
ao insucesso da intervenção. O caso clínico bem sucedido terá os seus
resultados publicados no Atlas de Oftalmologia RL- Eye, uma edição do Centro Cirúrgico de Coimbra.
“Esta
cirurgia prova que nunca devemos desistir de fazer o melhor por cada
doente e, neste caso específico, tínhamos de tentar proporcionar melhor
qualidade de vida, porque este era um caso em que a alternativa era
deixar manter o doente na cegueira”, diz António Travassos. “É uma
verdadeira lição. A lição de que não devemos retirar um olho que tenha
ainda percepção luminosa. É sempre possível pensar de maneira
diferente.”
Geralmente, os doentes com a córnea esbranquiçada
ficam sem tratamento, ou são submetidos a uma cirurgia para substituir
parte da córnea por matéria orgânica inerte e transparente
(queratoprótese). Mas esta nunca foi uma hipótese ponderada por António
Travassos: “Em toda a minha vida, vi quatro doentes com queratoprótese.
Todos eles sofreram inúmeras complicações e voltaram a cegar.”
Com
a cirurgia da translocação de uma parte dos olhos feita há mais de um
mês, o doente não teve até agora qualquer tipo de complicações. “Em
oftalmologia também se fazem milagres”, diz Martinho Santos Martins,
citado num comunicado do centro. E o prognóstico é que possa ir
recuperando gradualmente alguma visão. “Conseguimos ainda manter o olho
esquerdo que, apesar de não ter visão, de um ponto de vista anatómico e
estético era importante”, diz o médico. “Se nesta fase não tivermos
complicações, a probabilidade de as termos no futuro é mínima.”
“Continuar a sonhar” António
Travassos fundou o Centro Cirúrgico de Coimbra há 16 anos, e hoje
recebe lá doentes de pelo menos 44 países. “As pessoas andam por todo o
lado e quando começam a ficar desesperadas chegam aqui ao centro.”
Dos
países árabes chega uma grande parte destes doentes, geralmente pessoas
com um estatuto económico e social muito elevado. “Uma vez operei uma
irmã de um rei sem saber quem era. Mas, para mim, o que interessava era
que tinha ali uma doente como todos os outros”, conta António Travassos.
“Há pouco tempo tive também o caso de um doente árabe que não recebeu
um visto de Portugal para vir ao centro tratar-se. Isto é muito
estranho, sobretudo quando se quer desenvolver o turismo de saúde.”
A
tecnologia de ponta que usa, como bisturis de diamante, permite-lhe
aperfeiçoar cada vez mais a sua arte. A gravação em 3D das cirurgias é
outro aspecto inédito do seu trabalho. “Em Dezembro de 2009 só se falava
no filme 3D ‘Avatar’, e eu pensei: por que não aplicar isto na
cirurgia?” Com a ajuda da empresa Sony, que cedeu o equipamento, começou
a filmar todas as intervenções cirúrgicas, o que resulta hoje em mais
de três milhões e meio de imagens. “Hoje temos memória futura. Não
podemos chegar a conclusões científicas [só] com o que os outros
escreveram. Temos de documentar, é assim que se faz ciência.”
Com
mais de 60.000 cirurgias realizadas, o médico de 65 anos fez parte da
sua formação nos Estados Unidos, onde praticou cirurgia em macacos. “Foi
na altura um privilégio, porque os macacos eram muito caros.” Quando,
em 1981, regressou a Portugal para integrar os Hospitais da Universidade
de Coimbra, encontrou casos complicadíssimos para começar a sua
carreira. “São hoje os meus grandes amigos, os doentes daquela época,
pelos quais lutei para lhes devolver a visão.”
Hoje, no Centro
Cirúrgico de Coimbra, António Travassos salva da escuridão os milhares
de doentes que todos os anos lhe chegam ao consultório. “Há sempre uma
aprendizagem contínua. Esta é a luta contra a cegueira. E a
possibilidade de pormos os doentes a ver é que nos faz andar nesta
loucura constante de continuar a sonhar.”
Existem hábitos e gestos que pode passar
a incluir no seu dia a dia para reduzir o impacto do sofrimento e da
aflição, muitas vezes a roçar a tortura, que muitas doenças provocam
A dor começa por ser aguda e, depois,
se não for tratada, pode tornar-se crónica. A dor aguda é geralmente um
sinal de alarme, importante para o diagnóstico de várias doenças. Por
outro lado, a dor crónica caracteriza uma dor persistente ou recorrente
durante, pelo menos, três a seis meses que tem repercussões na saúde
física e mental. Para a controlar, existem estratégias que se resumem a
gestos simples que pode facilmente incluir na sua rotina diária. Tome
nota:
1. Faça uma boa gestão do seu tempo
Planeie o dia de forma a estar mais ativo quanto tem mais energia e mantenha horários de sono saudáveis.
2. Ocupe-se
Desenvolver atividades todos os dias deixa-nos mentalmente menos disponíveis para a dor.
3. Aprenda a movimentar-se
Parar pode aliviar no imediato, mas a prazo é contraproducente.
4. Exercite-se
Nade,
dance e ande de bicicleta. Existem exercícios específicos para músculos
e articulações. Para saber quais são os melhores para si, fale com um
fisioterapeuta.
5. Socialize
Falar com outras pessoas melhora a disposição.
6. Divirta-se
Inclua uma atividade que lhe dê prazer nas suas tarefas diárias.
7. Reduza o stresse
Aprenda exercícios de respiração e meditação ou, simplesmente, reserve tempo para ler.
8. Experimente técnicas alternativas
O
recurso a um fisioterapeuta, quiroprático, osteopata ou profissional
credenciado de medicina tradicional chinesa pode ajudar a vencer a dor.
Aconselhe-se com o seu médico.