domingo, 13 de dezembro de 2015

ptjornal

Paga salários acima da média, ginásio e férias para ver trabalhadores felizes

 
Foto: SIC
Foto: SIC
Um empresário de Penamacor paga aos seus funcionários uma média salarial que ronda os 1400 euros que, segundo o mesmo, é para fazer as pessoas felizes.
Armindo Borges, o ‘patrão’ da Ibersaco, uma empresa de Penamacor, distrito de Castelo Branco, que produz sacos em ráfia, gosta de ver as pessoas felizes, retribuindo-lhes esse gesto no salário e condições. Nesta empresa tudo funciona como uma autêntica equipa e, mesmo o patrão, Armindo Borges, também dá uma ajudinha, sempre que necessário.   Os funcionários da Ibersaco, para além de ganharem muito acima da média nacional, podem disfrutar de um ginásio nas instalações da empresa, para além de umas férias anuais pagas pela mesma, algo exemplar em Portugal.                                                                     Armindo Borges pode ser visto como um dos melhores patrões em Portugal, face às condições e salários oferecidos na maioria das empresas. Para este empresário, o esforço destas pessoas deve ser recompensado e, segundo o mesmo em declarações à SIC (ver vídeo), ‘o objetivo é que todos os trabalhadores possam vir a ter um salário semelhante a um de um ministro, porque não são inferiores a eles, nem em competência profissional, nem do ponto de vista intelectual’.
Para Armindo Borges, estes homens e mulheres não são vistos como colaborados, mas sim como uma família, é dessa forma que descreve os seus funcionários.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Mulheres sauditas votam este sábado pela primeira vez

Decisão foi muito aplaudida, mas há quem defenda que pouco impacto terá no estatuto da mulher, que continua a ser impedida de ir para a universidade, conduzir e viajar sem autorização do marido

Este sábado será um dia histórico para a Arábia Saudita. Pela primeira vez, as mulheres vão poder votar e candidatar-se a um cargo político no país. Mais de 950 mulheres estiveram em campanha nos últimos meses para as eleições municipais.
"É um primeiro passo para nos tornarmos cidadãs mais ativas", disse Salma al-Rashid, uma das responsáveis por um dos grupos que lançaram campanhas para apelar ao voto das mulheres, citada pelo "Wall Street Journal". Numa entrevista à BBC, Salma al-Rashid, que foi também a primeira mulher a registar-se para votar em Riad, capital do país, disse que as eleições são a única forma de garantir a participação das mulheres na vida política do país.
As primeiras eleições municipais na Arábia Saudita remontam a 2005. Foi Abdullah bin Abdulaziz, o falecido rei saudita, que autorizou a sua realização. Foi também ele o responsável por algumas reformas que garantiram ao país uma maior abertura ao exterior e às mulheres uma maior participação na vida pública do reino. Além de ter reforçado o papel da Arábia Saudita como potência incontestável da região, ter permitido que milhares de jovens fossem estudar para o estrangeiro - através de um sistema de bolsas -, e que houvesse alguma crítica na imprensa (ainda que mínima), foi graças a ele que, a partir de 2013, as mulheres começaram a integrar a Shura, ou Conselho Consultivo, o órgão consultivo do rei, que funciona quase como uma espécie de Parlamento, mas com poderes legislativos limitados.
Aos poucos, as mulheres da Arábia Saudita começam a poder desempenhar tarefas e cargos que até agora estavam à inteira responsabilidade dos homens. O Governo tem introduzido uma série de reformas consideradas delicadas, que visam, por exemplo, uma maior presença de mulheres no mundo do trabalho. Muitas já ocupam cargos de liderança no sector privado, refere o "Wall Street Journal".
Mas esta visão está longe de ser consensual no país. Vários críticos têm dito que esta nova medida, que permitirá às mulheres participar no sufrágio deste sábado e ser eleitas, é apenas para "consumo externo", para mostrar ao mundo uma imagem que não corresponde à realidade do país, refere o jornal americano. Os mesmos críticos defendem que esta conquista pouco impacto terá no estatuto da mulher, que continua a ser impedida de ir para a universidade, conduzir e viajar sem autorização do marido.
As mulheres que se registaram para votar nas eleições de sábado representam apenas uma pequena porção do eleitorado - cerca de 130 mil, num total de 1.49 milhões de votantes. O número de mulheres que se candidata - 980 - é pouco relevante se comparado com o número total de candidatos, que são mais de 6.900, havendo poucas expectativas de que alguma venha a vencer.
Além disso, houve uma série de restrições que essas candidatas tiveram de enfrentar durante a campanha eleitoral. Num país em que os eleitores são maioritariamente do sexo masculino, espera-se que o facto de as mulheres não terem tido contacto direto com os homens, fosse em eventos, fosse em debates eleitorais, venha a ter influência nos resultados das eleições, para prejuízo delas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015


GAZETA DO POVO





http://www.gazetadopovo.com.br/haus/wp-content/uploads/2015/11/1470207_10201011122463409_1753134295_n-e1447332235753.jpg


As empresas italianas Area Industrie Ceramiche e REM desenvolveram a Tegola Solare, uma telha cerâmica com células fotovoltaicas integradas. É uma alternativa sustentável que não atrapalha a estética original das telhas, como acontece muitas vezes com os painéis fotovoltaicos tradicionais, que são grandes e pesados.
Cada telha tem quatro células que transformam a luz solar em energia elétrica, e a fiação fica logo embaixo do telhado. A invenção pode gerar cerca de 3 kW de energia em uma área instalada de 40 m², o que já seria capaz de suprir as necessidades energéticas da residência.
As telhas fotovoltaicas são mais caras do que as placas convencionais, mas sua instalação é feita como a de qualquer outro telhado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

23:12 01.12.2015

Mark Zuckerberg vai doar fortuna pessoal para fazer do mundo "um lugar melhor"

© Carlos Garcia Rawlins / Reuters (Arquivo)

O cofundador da Facebook, Mark Zuckerberg, vai doar a sua fortuna, anunciou o próprio na sua página na rede social, para fazer do mundo "um lugar melhor" para a sua filha recém-nascida, Max, e para outras crianças.

Em carta dirigida a Max, divulgada no Facebook, Zuckerberg e a esposa, Priscilla Chan, anunciaram que iam doar 99% das ações da empresa, com um valor estimado de 45 mil milhões de dólares (42,3 mil milhões de euros), para contribuírem para um mundo melhor e mais saudável para a filha e para as outras crianças.
"Max, nós amamos-te e sentimos uma grande responsabilidade em deixar o mundo um lugar melhor para ti e para todas as crianças. Desejamos-te uma vida com o mesmo amor, esperança e alegria que nos deste. Aguardamos ansiosamente para ver a tua contribuição para este mundo", acrescentaram os pais, na carta à filha.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ZAP aeiou

Biohackers querem produzir insulina em código aberto


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Um grupo de biohackers está a desenvolver o primeiro protocolo aberto para a produção de insulina. A proposta do Projeto Open Insulin (Insulina Aberta) é facilitar a vida de mais de 370 milhões de diabéticos em todo o mundo e que, para sobreviver, precisam comprar insulina a um alto preço.
A receita para a produção de insulina de laboratório (usada como medicamento) ainda é um segredo dos grandes laboratórios, não existindo ainda um medicamento genérico que substitua a insulina, e o resultado é inevitável: quem não tem recursos financeiros para comprar insulina sofrerá com cegueira, doenças cardiovasculares, problemas nos rins, e, em alguns casos, a morte.
A proposta do Projeto Open Insulin é produzir e refinar a insulina a partir da bactéria E.coli, registando esse processo para que possa ser replicado. A ideia é que essa insulina, livre de patentes, possa ser comercializada por uma empresa farmacêutica de genéricos e chegue a preços acessíveis para pacientes de todo o mundo.
Todo o processo, das pesquisas iniciais até os resultados finais, será disponibilizado em domínio público. Esta, definitivamente, seria uma realidade louvável, não somente para este projeto, mas para outros que podem seguir o exemplo.
O Projeto Open Insulin está inscrito no Experiment, uma plataforma de crowdfunding para projetos científicos. Até o momento, mais de 14 mil dólares já foram arrecadados. Os recursos serão gastos com equipamentos e com todos os custos operacionais para desenvolver os estudos e produção.
Os responsáveis pela iniciativa fazem parte do Counter Culture Labs. Localizado na Califórnia, nos EUA, o espaço é um laboratório comunitário aberto e um hackerspace para a biologia do “faça você mesmo” e para a ciência cidadã.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ana Sofia Antunes, a primeira secretária de Estado cega

A jurista Ana Sofia Antunes, presidente da ACAPO, concorre pelo círculo de Lisboa nas listas do PS
Alberto Frias

A socialista não conseguiu ser eleita para a bancada parlamentar do PS nas últimas legislativas. Agora, chega ao Governo de Costa com um objetivo definido: “Representar as pessoas com deficiência”, independentemente das suas opções partidárias

Durante o último período de campanha eleitoral, a imprensa anunciou que as legislativas trariam à Assembleia da República, pela primeira vez, uma deputada cega. Apesar de se encontrar numa posição elegível na lista socialista para o círculo de Lisboa, Ana Sofia Antunes ficou a um lugar de entrar no Parlamento, mas com o novo Governo de António Costa consegue fazer História: é a primeira secretária de Estado cega.
A nova responsável para a Inclusão de Pessoas com Deficiência tem 34 anos, é formada em advocacia e trabalhou durante vários anos na Câmara de Lisboa. Ana Sofia Antunes assessorou o vereador da Mobilidade na autarquia, Nunes da Silva, e também foi lá que exerceu funções de assessoria jurídica. Atualmente, a socialista preside à Associação dos Cegos e Amblíopes e é provedora do cliente na EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa).
O convite de António Costa para integrar a lista de candidatos ao Parlamento pelo círculo de Lisboa foi “agridoce”, revelou a agora secretária de Estado numa entrevista concedida ao “Diário de Notícias” em agosto passado. “É um momento de alegria, mas também de tristeza: porque é que isto só está a acontecer em Portugal agora?”, defendeu, considerando o atraso de Portugal nestas matérias “constrangedor”.
Na mesma entrevista, Ana Sofia Antunes explicava também que o lugar que ambicionava conseguir na bancada parlamentar socialista serviria para chamar a atenção para os obstáculos que as pessoas com deficiência enfrentam, causa que poderá abraçar a partir desta quinta-feira, como secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência. “Não faria sentido nenhum, tendo esta oportunidade, não constituir como minha principal prioridade o trabalho em prol das pessoas com deficiência”, esclareceu, na altura.
O trabalho que Ana Sofia Antunes desenvolveu na Câmara de Lisboa - o seu plano de acessibilidade pedonal para a capital teve grandes apoios por parte de António Costa - e a sua posição no que toca à representação de pessoas com deficiência podem ser trunfos para a nova legislatura. É que a nova secretária de Estado não considera que a sua cor partidária seja “relevante” para alcançar os objetivos: “As pessoas sentem-se representadas por uma pessoa com deficiência, independentemente da bancada”.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Espanha emite mandado de captura contra Netanyahu


Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
A justiça espanhola emitiu um mandado de captura contra Benjamin Netanyahu – a partir de agora, o primeiro-ministro de Israel será detido se colocar os pés no país vizinho. 
Em causa está a responsabilidade política do primeiro-ministro israelita no massacre da chamada “Flotilha da Liberdade”, que ocorreu em 2010.
O mandato de captura espanhol contra Benjamin Netanyahu, visa ainda outros seis responsáveis do governo de Israel, nomeadamente o antigo ministro da Defesa, Ehud Barak, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, e o ex-ministro dos Assuntos Estratégicos Moshe Ya’alon, actual ministro da Defesa.
Também o ex-ministro do Interior, Eli Yishai, o ex-ministro Benny Begin e o vice-almirante Maron Eliezer, responsável directo pela operação militar, são visados pela justiça espanhola.
O caso é da competência do Tribunal Nacional de Espanha e centra-se no ataque perpetrado por forças israelitas contra o navio “Mavi Marmara”, que carregava ajuda humanitária com destino a Gaza.
Em reacção a este mandato de captura, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita fala numa “provocação” e refere que as diplomacias dos dois países estão a “trabalhar” para que o mesmo seja cancelado.

SAPOTEK

 Investigadores portugueses criam software para diagnosticar cancro da mama e da próstata

O software nasceu no INESC TEC e vai ajudar os profissionais de saúde no diagnóstico destes dois tipos de cancro. A comercialização do produto já está assegurada.
 
Em Portugal todos os anos são identificados 4.500 novos casos de cancro da mama e 4.000 novos casos de cancro da próstata. O ExpertBayes, desenvolvido por investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), vai contribuir para dar mais precisão à avaliação de risco, sempre que é feita uma biopsia. Integra conhecimento médico, com técnicas de Machine Learning em modelos gráficos, para reduzir erros de amostragem da biópsia, explica o instituto numa nota de imprensa.  
Na mesma nota, o INESC TEC detalha que o software está preparado para trabalhar também com outro tipo de dados. Não está limitado às doenças cancerígenas, mas na aplicação a esta área está a tirar partido de informação recolhida pelo Departamento de Estatística da Carnegie Mellon University (CMU), na área do cancro da próstata e de dados cedidos por Elizabeth Burnside, especialista em cancro da mama no hospital da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
Ao longo de dois anos o sistema apoiou o rastreio de 737 pacientes: 496 para cancro da próstata e 348 para cancro da mama. “A aceitação por parte dos profissionais de saúde foi muito positiva, uma vez que, em caso de dúvidas, ao fazer o diagnóstico, o ExpertBayes ajuda-os a tomar a melhor decisão”, assegura Ezilda Almeida, uma das investigadoras responsáveis pela tecnologia, que será agora comercializada pela NLPC.
Esta quarta-feira assinala-se o Dia Mundial da Pesquisa do Cancro.

sábado, 14 de novembro de 2015

GREEN SAVERS

Investigadora portuguesa propõe novo método de valor acrescentado para tratamento de efluentes

Mafalda_Vaz_SAPO
A cana-de-açúcar pode ser utilizada com eficácia e dupla vantagem em estações de tratamento de águas residuais (ETAR) de plantas, substituindo as tradicionais macrófitas, tais como o caniço. A cana-de-açúcar assim obtida pode ser usada, por exemplo, para a produção de biocombustível. A conclusão resulta de um trabalho de doutoramento em Ciências e Engenharia do Ambiente, da Universidade de Aveiro (UA), e é mais um contributo para encontrar alternativas sustentáveis e de valor acrescentado face aos sistemas convencionais de tratamento de efluentes.
As ETAR de plantas, também conhecidas por leitos de macrófitas – que são plantas adaptadas a solos alagados -, ou zonas húmidas construídas para tratamento de efluentes, constituem uma alternativa ecológica e sustentável aos sistemas convencionais de tratamento, particularmente para o tratamento terciário de efluentes domésticos. Ou seja, para a remoção de fósforo e azoto, embora existam sistemas deste tipo a realizar tratamento de efluentes industriais, nomeadamente para remoção de metais pesados. As ETAR de plantas são constituídas por leitos, normalmente escavados no solo. Estes leitos são impermeabilizados e preenchidos com materiais de enchimento, tais como diversos tipos de argilas expandidas, e plantados com macrófitas.
O caniço (Phragmites australis) é uma das macrófitas mais utilizadas, devido à sua grande capacidade de remoção de poluentes e elevada resistência a condições ambientais extremas.
As argilas expandidas utilizadas no enchimento dos leitos são normalmente produzidas para este fim e com especificações que asseguram uma boa remoção de poluentes, particularmente fósforo. Estas argilas podem ser substituídas por alguns resíduos e desperdícios que também apresentam boas capacidades de adsorção de fósforo e representam uma opção mais sustentável. É o caso dos desperdícios de tijolo e de telha da construção civil e de diversas rochas e minerais industriais e ornamentais.
Assim, “evita-se o consumo de matérias-primas e de energia na produção de materiais específicos para o enchimento e soluciona-se a questão da deposição dos desperdícios”, afirma Mafalda Vaz, estudante de doutoramento em Ciências e Engenharia do Ambiente e autora do estudo que teve como orientadoras Isabel Capela, professora do Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA, e Dina Mateus, professora do Instituto Politécnico de Tomar.
Nos sistemas convencionais de tratamento, a remoção de fósforo faz-se, normalmente, por precipitação química, através da adição de sais de ferro e de alumínio, o que aumenta a quantidade de lamas produzidas e dificulta e encarece o seu processamento. Nas ETAR de plantas, o tratamento dos efluentes ocorre à medida que estes atravessam o leito e mediante diversos processos físicos, químicos e biológicos, semelhantes àqueles que ocorrem nas zonas húmidas naturais. A presença de macrófita, normalmente caniço ou tabúa (Typha sp.), aumenta a eficácia destes sistemas de tratamento.
Cana-de-açúcar em substrato de desperdício é eficiente
“A ideia de utilização de cana-de-açúcar, em vez das plantas macrófitas tradicionalmente utilizadas nestes sistemas, surgiu-me por acaso quando fazia uma pesquisa sobre biocombustíveis e a questão da ocupação de grandes áreas de terreno arável para a produção de culturas energéticas era apontada, pela maior parte dos artigos que consultei, como um constrangimento ao uso mais alargado destes combustíveis”, explica Mafalda Vaz.
A necessidade de grandes áreas de terreno também tem sido uma limitação ao desenvolvimento de ETAR de plantas, que precisam de maiores dimensões dos que os sistemas tradicionais de tratamento para atingirem igual eficácia. Então, “porque não juntar as duas funções e construir uma ETAR de plantas energéticas?”, questionou-se a investigadora.
No estudo avaliaram-se as eficiências de ETAR de plantas à escala piloto, com enchimentos de resíduos e desperdícios de tijolo e calcário, plantadas com cana-de-açúcar. “Concluiu-se que estes sistemas, quando correctamente operados e dimensionados são eficazes na remoção de poluentes. A utilização de cana-de-açúcar, que é a grande inovação deste trabalho, constitui uma mais-valia, pois trata-se de uma cultura energética que poderá ser directamente convertida em bioetanol”, afirma a doutoranda. “Penso que este estudo representa um contributo válido para o desenvolvimento e incentivo à utilização desta tecnologia de tratamento de efluentes”, conclui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

VICE

Há 40 toneladas de solidariedade portuguesa para entregar aos refugiados sírios

setembro 17, 2015
Enquanto as engomadas e cheirosas altas esferas da União Europeia continuam a alimentar o espectáculo absurdo da falta de entendimento sobre como gerir politicamente, ou geopoliticamente, ou lá o que seja, a enxurrada imparável de gente desesperada em fuga de um martírio sem fim à vista, em menos de uma semana a chamada sociedade civil portuguesa - ou seja uma rapaziada amiga com muitos contactos e iniciativa - mobilizou 150 voluntários em 30 locais do País e recolheu 40 toneladas de donativos para...simplesmente...ajudar.
O primeiro camião a ser carregado. Imagem via.
A ideia inicial parecia simples, romântica quanto baste e, acima de tudo, prática e verdadeiramente útil. Volta-se costas ao ódio, medo e ignorância que por estes dias contaminam meio mundo em cada recanto do espaço digital, lança-se uma campanha relâmpago de recolha de donativos, agarra-se no que se conseguir, mete-se tudo em carrinhas e arranca-se em caravana para a fronteira servo-húngara para entregar directamente as coisas a quem delas precisa. Simples certo?
Tão simples que, poucos dias depois de criar a página Aylan Kurdi Caravan no Facebook esta rapaziada teve de montar um Centro de Operações improvisado em Alfragide, coordenar mais de uma centena de pessoas de Norte a Sul que foram criando pontos de recolha nas suas localidades, gerir todo o processo de criação de uma rota que os levasse a bom porto com todo o estabelecimento de contactos institucionais que isso representa, desde as ONG's no terreno, às embaixadas, consulados e o diabo a quatro, dividir, embalar, catalogar e carregar todo o material oferecido e, claro, ir respondendo com calma e serenidade às 542.687 mil mensagens de ódio que iam recebendo dos generosos, moralistas e inevitáveis defensores dos "nossos", da suprema raça lusitana que sofre vagabundeando pelas ruas e a quem ninguém acode. "Olhem para a voça rua! Olhem no bairro onde vivem ! Na cidade! Há portugueses a passar fome há crianças que nestas férias nem refeições fazem porque as únicas que tem são nas escolas! É só isso que vos pesso!". Coisas deste calibre a torto e a direito.
Pois é, nem a rapaziada esmoreceu, nem a tal Sociedade Civil claudicou e, tal como tudo no terreno - que a cada dia que passa se parece mais com um cenário de guerra - está em constante mudança, também a Caravana foi obrigada a reformular-se. As 15 carrinhas que estavam prontas para arrancar amanhã, sexta-feira, 18, transformaram-se em "dois ou três camiões TIR, devido à dimensão da carga que foi possível juntar e que já não era possível transportar no modelo que estava pensado", revela à VICE Maria Miguel Ferreira, uma das responsáveis pela organização da iniciativa. "Os veículos são cedidos por algumas das mais de 20 empresas que estão a ajudar-nos, serão seguidos por nós via satélite de forma a que consigamos alterar rotas no momento, se for necessário, e partem de Lisboa para Belgrado no sábado, 19", acrescenta.
Certamente, para desespero daqueles que alarvemente foram acusando os membros da Caravana de só quererem protagonismo, esta é uma solução menos "fotogénica", mas bastante mais, espera-se, "eficaz e capaz de atingir o propósito por detrás de tudo". Ou seja, como conclui Maria Miguel, "levar aos refugiados sírios, que neste momento estão num impasse terrível na Hungria, comida, roupa, brinquedos, produtos de higiene pessoal e vários bens de primeira necessidade".
Agora só têm de apanhar um avião para Belgrado, esperar que excepcionalmente a França deixe circular os camiões durante o fim-de-semana para que a viagem dure apenas três dias, confiar que todos os contactos que têm sido feitos no terreno, "principalmente com a Cruz Vermelha Sérvia", facilitem o trajecto e a chegada ao terreno, e que o processo de entrega das 40 toneladas de solidariedade tuga não seja perturbado pela desumanidade europeia.
Simples, não é?