terça-feira, 22 de dezembro de 2015



Salva e salva-se: um português numa vila no meio de uma guerra


João Martins vive desde setembro na República Centro-Africana, na pequena vila de Batangafo, e trabalha na organização Médicos Sem Fronteiras
João Martins

Ele vive num país em guerra e partilha casa com 15 pessoas de diferentes nacionalidades. E sim, existem dias ótimos - como quando salva um bebé e a mãe num parto complicado. E sim, existem dias dolorosos - como quando um pai carrega o filho a pé durante 50 km e chega tarde demais ao hospital. João salva e salva-se na República Centro-Africana e é um português a viver num país quase sem portugueses – é a segunda história da série “Em pequeno número”, que o Expresso publica nesta semana de Natal e depois na de ano novo sobre portugueses que vivem em regiões em que quase não os há

Batangafo é uma pequena vila, quente e húmida, perto do rio Ouham. “Bastante verde, especialmente devido à quantidade enorme de mangueiras que, além das ditas mangas, dão uma ótima sombra nos dias mais quentes. Mas, infelizmente, é uma vila tão bonita quanto perigosa.” João trabalha nos Médicos Sem Fronteiras (MSF) e vive desde setembro no norte da República Centro-Africana, junto à fronteira com o Chade.
Numa vila com mais de 25 mil deslocados internos, dentro de uma região que o Estado não alcança totalmente, o português, de 29 anos, é coordenador de projeto na MSF, a única organização que presta cuidados à população nesta zona.
“Além de termos quatro postos de saúde na periferia da vila, gerimos um hospital com diferentes serviços – cirurgia, medicina interna, pediatria, maternidade, entre outros – que conta com cerca de 175 camas”, conta João Martins, acrescentando que até setembro tiveram 6 mil pessoas hospitalizadas, mais de mil partos e 265 cirurgias de emergência.

Alguns abrigos no campo de deslocados internos em Batangafo
Alguns abrigos no campo de deslocados internos em Batangafo
João Martins
João vive num país onde ocorre uma guerra civil “bastante dura”. “Não porque os diferentes grupos estejam especialmente bem armados, como no Sudão do Sul, mas porque são bastantes, com agendas político-militares diferentes – o que os torna bastante imprevisíveis. A eles somam-se os diversos grupos criminosos que vivem e enriquecem à custa da instabilidade deste país conhecido, entre outras coisas, pelos diamantes de sangue. A população vive com medo, sem esperança, sem futuro – vive-se o dia-a-dia sem se saber se o amanhã vai chegar.”
A segurança é uma das questões centrais para quem trabalha numa zona em conflito e João Martins está responsável pela segurança do projeto e de toda a equipa, com mais de 250 colaboradores. É ele quem impõe as regras.
“Só podemos estar fora da base entre as 6h e as 17h30 - princípio de noite aqui -, temos limitação de zonas na vila onde podemos andar, temos que planear bastante bem as atividades às aldeias na periferia da vila para evitarmos problemas.”
Mas a situação não é nova para ele, pois antes de se mudar para a República Centro Africana viveu no Sudão do Sul, onde passou por duas situações de evacuação – uma delas depois de ter estado debaixo de fogo de artilharia pesada durante quatro dias. “A resposta é sim, sinto-me seguro.”

João no Sudão do Sul durante a resposta de emergência a 15 mil deslocados da comunidade Shilluk
João no Sudão do Sul durante a resposta de emergência a 15 mil deslocados da comunidade Shilluk
João Martins

Daqueles portugueses que queremos encontrar

O dia começa às seis da manhã. “Pequeno-almoço, café e cigarro. Depois vou para o escritório, tenho uma reunião com o meu assistente para uma pequena atualização sobre os incidentes de segurança durante a noite. A partir daí e até às 18h é sempre diferente.”
Vive numa casa partilhada com 15 pessoas de diferentes nacionalidades, que fica a cinco minutos do escritório e do hospital, permitindo-lhe deslocar-se a pé. Tem um quarto só para si – ao contrário do que acontecia no Sudão do Sul, onde partilhava uma tenda com mais sete pessoas. Habitualmente, é nos mercados locais que faz as suas compras. Mas, uma vez por mês, mandam vir produtos alimentares como leite, cereais e arroz da capital, Bangui.
No país vivem 4,7 milhões de pessoas, segundo as Nações Unidas – e 39,85% residem nas cidades. E entre a população viviam 295 cidadãos nascidos em Portugal em 2012, segundo as estatísticas recolhidas pelo Observatório da Emigração junto dos consulados, da ONU e dos institutos de estatística de vários países.
João conhece um outro português no país – o atual comandante da polícia da ONU na missão de paz (MINUSCA). “É daqueles portugueses que todos queremos encontrar quando estamos fora.” Também no Sudão do Sul, sobre o qual o Observatório da Emigração não tem dados, João conheceu dois portugueses.
Na sua rotina diária, depois de ir ao escritório, passa pelo hospital. “Sento-me com os médicos que trabalham connosco. Discutimos os diferentes dilemas e dificuldades, passo algum tempo com alguns dos pacientes – tento compreender as suas histórias de vida, outras vezes reúno-me com as diferentes autoridades da região e de vez em quando. porque também tem de ser, concentro-me no trabalho de secretária – organização, planeamento e análise das atividades.”
Em paralelo à parte mais prática do seu trabalho, há o lado emocional. “É duro caminhar pelo campo de deslocados e ver as condições em que as famílias vivem. É duro ver a falta de esperança nos olhos das pessoas. Todos os dias chegam ao hospital diferentes casos complicados. Não conseguimos salvar toda a gente, é certo. E, sim, existem dias ótimos: o bebé que chora após um parto complicado que não teria lugar fora do nosso hospital, a mama (termo de respeito utilizado para com as mulheres mais velhas) que agradece a cirurgia que lhe permite continuar a alimentar a sua família.”
Mas João também assiste muitas vezes à parte mais difícil. “Existem dias terríveis – o pai que teve de carregar o seu filho mais de 50 km para chegar tarde de mais ao hospital sem que pudéssemos fazer algo para o salvar, os miúdos de 12 anos que chegam com ferimentos de estilhaços de granada incapacitados para a vida. É difícil olhar para o meu dia-a-dia de maneira isolada, os dias que passam são apenas parte de um todo – saber que a cada missão o nosso trabalho teve consequências no alívio do sofrimento desta população.”

"Loja" no mercado de Batangafo
"Loja" no mercado de Batangafo
João Martins

Daoud Ibrahim Hari

João chegou à República Centro-Africana depois de ter vivido e trabalhado no Sudão do Sul, no Uganda e em Timor-Leste, para onde foi em 2011 como assessor logístico das Nações Unidas para as eleições parlamentares e presidenciais. Antes, tinha estudado economia em Coimbra e fez um mestrado em Cooperação e Desenvolvimento Internacional.
“Como muitas outras pessoas, sobrevivia com um salário que era apenas suficiente para continuar a viver em Lisboa, para no mês seguinte continuar a perpetuar o ciclo vicioso da sobrevivência. Saí de Portugal porque queria viver, não porque queria um salário melhor (não o tenho!), mas porque queria fazer algo da minha vida. Algo que, para mim, tivesse verdadeira importância.”
Ainda em 2008, numa viagem pela Jordânia, leu “O Intérprete”, de Daoud Ibrahim Hari. “Foi, sem dúvida, um dos livros que me inspiraram a trabalhar na área. A história de Daoud passa-se no Darfur, bastante perto da região onde fiz a minha primeira missão.” Anos depois, viria a trabalhar no Sudão do Sul e dali passaria para a República Centro-Africana.

Uma vila no meio de uma guerra

Hoje, a vila onde vive na RCA é uma das mais afetadas pelo conflito civil que começou em 2012, numa região partilhada pelos grupos armados Ex-Seleka, que controlam o nordeste do país, e os grupos armados Anti-Balaka, que controlam o sul/sudoeste.
“As consequências são bastante visíveis – a vila divide-se entre o bairro muçulmano - onde estão presentes os grupos armados Ex-Seleka - e o campo de deslocados - refugiados internos - e outros bairros cristãos onde se encontram os Anti-Balaka.”
Batangafo está no meio de uma guerra entre grupos armados, “que transformou toda uma população que vivia em harmonia e agora se encontra fraturada por ódios inter-religiosos”.
Numa região onde, por tradição, as pessoas vivem da pesca e da agricultura, muito mudou com a guerra e com a insegurança. “Os diferentes meios de subsistência foram bastante afetados, muita gente deixou os campos, muitos pescadores têm medo de ir ao rio, onde provavelmente seriam assaltados.”

Rio em Batangafo onde as mulheres lavam a roupa ou atravessam de piroga com diferentes mercadorias para vender
Rio em Batangafo onde as mulheres lavam a roupa ou atravessam de piroga com diferentes mercadorias para vender
João Martins
Uma das coisas que mais o marcam? “A energia e a resiliência dos meus colegas de trabalho – não os expatriados mas os locais, os centro-africanos. Muitos vivem com as suas famílias em situações precárias, na mesma situação de perigo iminente que toda a população. Não obstante todas as dificuldades, trabalham todos os dias no hospital para ajudar outras pessoas independentemente da sua religião, etnia ou participação no conflito – eles sim, são os verdadeiros heróis.”
E entre tudo o que tem vivido, João sublinha aos 29 anos a sensação de ter um sentido de missão. “Saber que quando aqui estou, enquanto parte dos Médicos Sem Fronteiras, contribuo para algo maior que eu. Em Portugal nunca senti isso.”
Quanto a um regresso a Portugal, por enquanto só entre missões. “Adoro Portugal, adoro Lisboa, adoro a Barquinha. Tenho os meus amigos e a minha família. Qualquer dia volto mesmo. Para fazer o quê, ainda não sei, mas qualquer coisa se há de arranjar.”
E há algo que espera nunca vir a perder. “A verdade é que o que se tira deste trabalho é imensurável. Tudo aquilo de que sentimos falta – o duche de água quente, a cerveja com os amigos, a família – parece tão pequeno quando comparado a tudo o que retiras pessoal e emocionalmente. Acho que é isso mesmo, o sentir-me preenchido – é isso que já não consigo, nem quero, deixar de sentir.”

Alguns locais no mercado do campo de deslocados
Alguns locais no mercado do campo de deslocados
João Martins

domingo, 20 de dezembro de 2015

PÚBLICO

Distribuir os fisioterapeutas pelas aldeias

A pensar sobretudo nos idosos, a Câmara de Vinhais assinou parcerias para levar serviços de enfermagem, fisioterapia e animação social a pessoas que vivem mais afastadas da vila. 
Ana Cristina Pereira (texto) e Adriano Miranda (fotos)
 
O primeiro foi Elias dos Santos Cordeiro. “Fui o primeiro a vir e aqui me mantenho. Venho com a minha mulher à fisioterapia. Ó! Quem tem muita idade está sempre a precisar destas coisas. Eu nem conseguia dormir de noite. Agora, durmo melhor – descanso, que era o eu que queria.”
Mora na aldeia de Valpaço, terra de lendas de mouras encantadas e tesouros escondidos debaixo de grandes rochas. Mora a dois quilómetros do antigo posto clínico de Curopos, a 16 quilómetros do centro de Vinhais, limite do distrito de Bragança, já na fronteira com a Galiza, Espanha. 
O município é grande (694,76 km²), disperso (105 aldeias) e envelhecido (510 maiores de 65 anos por casa e 100 menores de 15). “De há uns anos a esta parte, o Estado [central] tem vindo a desresponsabilizar-se”, diz o presidente da câmara, Américo Pereira. “As extensões de saúde, mini postos de atendimento que existiam pelo concelho, têm vindo a encerrar. O centro de saúde têm vindo a perder uma série de especialidades. E há cada vez menos transportes públicos.”
A pensar sobretudo nos idosos, a autarquia assinou em 2011 parcerias com as instituições particulares de solidariedade social para levar serviços de enfermagem, fisioterapia e animação social a pessoas que vivem mais afastadas da vila. Já em 2013, aliou-se a algumas juntas de freguesia.
Treze das 29 freguesias contam com aquele serviço dois dias e meio por semana. No próximo ano, outras quatro deverão poder dizer o mesmo. “As freguesias limítrofes da sede de concelho não têm necessidade”, diz o chefe de gabinete, Pedro Miranda. Têm o centro de saúde próximo.
Se Elias dos Santos Cordeiro quisesse ir à fisioterapia ao centro da vila, tinha de percorrer 16 quilómetros para um lado, 16 quilómetros para o outro. Assim, só tem de percorrer dois quilómetros para um lado, dois para outro. “Acabaram com o transporte, acabaram com tudo. As aldeias têm pouca gente, mas a verdade é que assim acabam com a gente e com as aldeias”, protesta.
Uma carrinha verde, propriedade da junta, percorre Curopos/Vale de Janeiro, para trazer quem precisa de casa até ao antigo posto clínico, um edifício térreo, pintado de branco, que estava desactivado havia anos. “Não é para nós que faz mais diferença”, comenta Elias que tem carro. “Nasci em 1930. Não me considero velho. Ainda vejo bem. Não tenho os reflexos de outrora, mas conduzo porque tenho necessidade. Quem não conduz fica isolado. Conduzo até Évora e até Coimbra quando é preciso. É onde tenho os filhos. Vou passar o Natal a Évora e não tenho chofer.”
Agrupam-se os homens num lado e as mulheres noutro, à espera de vez. “Aqui, até na igreja se usa isso”, ri-se o homem. “Há a teoria do machismo, sabe? Homens à frente e mulheres atrás. Agora já se vai misturando. Agora já alguns casais ficam juntos. Eu e a minha mulher nunca ficamos juntos.” A mulher ouve, em silêncio. Vem sempre com ele à fisioterapia. Ele queixa-se das costas, ela de um joelho. “Fui operada a um joelho este ano em Janeiro”, corrobora ela.
Não fosse a carrinha, Gorbalina dos Prazeres não podia estar mais contente. “Quando tenho de ir a Vinhais, vou na carreira. Se for de manhã, posso ir às oito e meia e voltar à uma e um quarto. Se for de tarde, vou às duas e um quarto e volta às seis. Aqui é muito mais perto. E muito melhor. Venho na carrinha da junta!” Faz fisioterapia, aproveita para medir a tensão, a glicemia, o colesterol. “É a idade”, suspira. “Tenho 69 anos, quase 70. São os ossos gastos, as articulações gastas, tudo gasto. Fazia muito trabalho. Carregava sacos de batatas e o que fosse preciso, ai não.”
Queixam-se quase todos do mesmo. Palavra da fisioterapeuta Cristina Mota, parte da equipa que atende ali dois dias e meio por semana e em Vilar de Lomba outros tantos. “São as queixas que têm mais: coluna e os joelhos. Sempre trabalharam no campo. Força de braços. Muitos pesos. Quando é assim, a coluna e os joelhos sofrem muito. Também são as artroses que vão aparecendo com o declínio da idade, não é?”
Loucena Augusta, 85 anos, veio mudar um penso. “Feri-me numa perna. Curou-me o senhor enfermeiro. Bati num ferro. Estava ferrugento, o ferro. Se não estivesse aqui o senhor enfermeiro, eu tinha de ir a Vinhais todos os dias fazer o curativo. Isto foi muito fundo. Ele mandou-me lá por que eu não tinha a certeza de ter a vacina do tétano. Lá foram ver ao computador. Diz a mulher: abençoada senhora que tem as vacinas em dia. Tenho até 2022. Já não chego lá!”

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Portugueses criam "nanoarma" para tratar cancro da mama sem cura

15 Dez, 2015 - 15:49 • Cristina Nascimento
Universidade de Coimbra inventa "uma espécie de cápsula” onde foi incluído “um cocktail de fármacos” que consegue debelar o cancro da mama triplo negativo.
Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) criou uma nanopartícula que consegue combater células tumorais no cancro da mama triplo negativo. O anúncio foi feito esta terça-feira pela UC.

Em declarações à Renascença, o líder do estudo, já publicado na revista científica Biomaterials, João Nuno Moreira explica que essa nanopartícula “é uma espécie de cápsula” onde foi incluído “um cocktail de fármacos” que consegue debelar a doença.
O cancro da mama triplo negativo, que tem uma incidência entre os 15 e os 20%, é um subtipo de cancro muito agressivo e para o qual ainda não existe terapêutica disponível. “A terapia de referência para este tipo de cancro é muito limitada porque se cinge apenas à quimioterapia convencional contra a qual os tumores e as células rapidamente desenvolvem resistência, o que limita a esperança de vida deste tipo de doentes”, explica.
Recorrendo a uma linguagem bélica, o cientista refere que os “tumores sólidos são compostos por diferentes exércitos, cada um com capacidades e armas diferentes para lutar contra os tratamentos que existem”.
“Uma das componentes do nosso trabalho foi identificar uma debilidade, uma fragilidade, que é comum a dois exércitos diferentes”, acrescenta.
João Nuno Moreira refere ainda outra novidade agora alcançada: “Há muitos trabalhos até à data que usam este tipo de estratégia, de base nanotecnológica, mas para veicular apenas um fármaco. O que nós fizemos foi colocar uma combinação de fármacos que tem esta capacidade de atacar dois alvos celulares diferentes em tumores de mama.”
O trabalho desta equipa de investigadores da UC, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) das faculdades de Farmácia e de Medicina e da empresa biotecnológica Treat U, já chamou a atenção de uma empresa do sector, mas para já ainda não há quaisquer perspectivas sobre quando é que esta terapêutica poderá estar disponível.
João Nuno Moreira diz ainda que estão a trabalhar para conseguirem aplicar a mesma técnica a outros tipos de cancro que não o da mama.

Nova terapia genética leva as células de cancro ao suicídio

Terapia de radiação para o cancro da próstata numa unidade hospitalar
Terapia de radiação para o cancro da próstata numa unidade hospitalar
Uma nova terapia genética permite modificar células de cancro de próstata para que o corpo do paciente possa atacá-las e matá-las.
A técnica descoberta por cientistas norte-americanos induz o tumor a autodestruir-se – daí o nome “terapia do gene suicida“.
A pesquisa identificou um aumento de 20% no índice de sobrevivência de pacientes com cancro de próstata após cinco anos de tratamento.
O estudo, conduzido por investigadores do Hospital Metodista de Houston, no Texas, parece mostrar que essa “terapia do gene suicida”, combinada com radioterapia, pode ser um tratamento promissor para o cancro de próstata, o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cancros.
A técnica, cujos resultados foram detalhados num estudo publicado no Journal of Radiation Oncology, envolve a modificação genética de células cancerosas, que passam a emitir um “sinal” ao sistema imunitário para atacá-las.
Em geral, o corpo não reconhece as células cancerosas como inimigas, já que se desenvolvem a partir de células saudáveis comuns. Assim, diferentemente de uma infecção, que motiva uma reação do corpo, o sistema imunitário não reage para matar as células cancerosas.
Usando um vírus para transportar a terapia genética até o tumor, o resultado é que as células se autodestroem, alertando o sistema imunitário do paciente para lançar um ataque em massa.

Sobrevivência

Em dois grupos de 62 pacientes, um recebeu a terapia genética duas vezes e o outro grupo – todos com uma forma agressiva de cancro de próstata – foi tratado três vezes. Os dois grupos também receberam radioterapia.
As taxas de sobrevivência após cinco anos foram de 97% e 94%, respetivamente. Embora o estudo não tenha tido um grupo de controle, os investigadores dizem que os resultados mostram um avanço de 5% a 20% em relação a estudos anteriores sobre tratamentos de cancro de próstata.
Houston Methodist
Cancro da próstata avançado antes (esq.) e depois (dir.) do tratamento, quando não restam indícios da doença depois da combinação de terapia genética e radioterapia
Cancro da próstata avançado antes (esq.) e depois (dir.) do tratamento, quando não restam indícios da doença depois da combinação de terapia genética e radioterapia
As biópsias realizadas dois anos após o estudo deram negativo em 83% e 79% dos pacientes dos dois grupos.
Brian Butler, da equipa do Hospital Metodista de Houston, afirma que a descoberta poderá mudar a forma como o cancro de próstata é tratado.
“Poderemos injetar o agente diretamente no tumor e deixar o corpo matar as células cancerosas. Uma vez que o sistema imunitário tenha conhecimento das células cancerosas, se elas regressarem, o corpo saberá como matá-las.”

Nova geração

Kevin Harrington, professor de imunoterapia oncológica no Instituto de Investigação do Cancro, em Londres, disse à BBC que os resultados são “muito interessantes”, mas sublinha a necessidade de mais estudos.
“Podemos precisar de um teste aleatório para mostrar se esse tratamento é melhor do que apenas a radioterapia. Os vírus usados nesse estudo não se reproduzem. A nova geração de terapias virais pode replicar-se seletivamente em células cancerosas – algo que pode matar o cancro de forma direta – e também ajudar a espalhar o vírus para células cancerosas vizinhas”, afirmou.
Harrington considerou ainda que seria “interessante” testar o tratamento com vírus que podem se reproduzir, para verificar se os resultados podem ser ainda mais efetivos.
ZAP / BBC

domingo, 13 de dezembro de 2015

ptjornal

Paga salários acima da média, ginásio e férias para ver trabalhadores felizes

 
Foto: SIC
Foto: SIC
Um empresário de Penamacor paga aos seus funcionários uma média salarial que ronda os 1400 euros que, segundo o mesmo, é para fazer as pessoas felizes.
Armindo Borges, o ‘patrão’ da Ibersaco, uma empresa de Penamacor, distrito de Castelo Branco, que produz sacos em ráfia, gosta de ver as pessoas felizes, retribuindo-lhes esse gesto no salário e condições. Nesta empresa tudo funciona como uma autêntica equipa e, mesmo o patrão, Armindo Borges, também dá uma ajudinha, sempre que necessário.   Os funcionários da Ibersaco, para além de ganharem muito acima da média nacional, podem disfrutar de um ginásio nas instalações da empresa, para além de umas férias anuais pagas pela mesma, algo exemplar em Portugal.                                                                     Armindo Borges pode ser visto como um dos melhores patrões em Portugal, face às condições e salários oferecidos na maioria das empresas. Para este empresário, o esforço destas pessoas deve ser recompensado e, segundo o mesmo em declarações à SIC (ver vídeo), ‘o objetivo é que todos os trabalhadores possam vir a ter um salário semelhante a um de um ministro, porque não são inferiores a eles, nem em competência profissional, nem do ponto de vista intelectual’.
Para Armindo Borges, estes homens e mulheres não são vistos como colaborados, mas sim como uma família, é dessa forma que descreve os seus funcionários.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Mulheres sauditas votam este sábado pela primeira vez

Decisão foi muito aplaudida, mas há quem defenda que pouco impacto terá no estatuto da mulher, que continua a ser impedida de ir para a universidade, conduzir e viajar sem autorização do marido

Este sábado será um dia histórico para a Arábia Saudita. Pela primeira vez, as mulheres vão poder votar e candidatar-se a um cargo político no país. Mais de 950 mulheres estiveram em campanha nos últimos meses para as eleições municipais.
"É um primeiro passo para nos tornarmos cidadãs mais ativas", disse Salma al-Rashid, uma das responsáveis por um dos grupos que lançaram campanhas para apelar ao voto das mulheres, citada pelo "Wall Street Journal". Numa entrevista à BBC, Salma al-Rashid, que foi também a primeira mulher a registar-se para votar em Riad, capital do país, disse que as eleições são a única forma de garantir a participação das mulheres na vida política do país.
As primeiras eleições municipais na Arábia Saudita remontam a 2005. Foi Abdullah bin Abdulaziz, o falecido rei saudita, que autorizou a sua realização. Foi também ele o responsável por algumas reformas que garantiram ao país uma maior abertura ao exterior e às mulheres uma maior participação na vida pública do reino. Além de ter reforçado o papel da Arábia Saudita como potência incontestável da região, ter permitido que milhares de jovens fossem estudar para o estrangeiro - através de um sistema de bolsas -, e que houvesse alguma crítica na imprensa (ainda que mínima), foi graças a ele que, a partir de 2013, as mulheres começaram a integrar a Shura, ou Conselho Consultivo, o órgão consultivo do rei, que funciona quase como uma espécie de Parlamento, mas com poderes legislativos limitados.
Aos poucos, as mulheres da Arábia Saudita começam a poder desempenhar tarefas e cargos que até agora estavam à inteira responsabilidade dos homens. O Governo tem introduzido uma série de reformas consideradas delicadas, que visam, por exemplo, uma maior presença de mulheres no mundo do trabalho. Muitas já ocupam cargos de liderança no sector privado, refere o "Wall Street Journal".
Mas esta visão está longe de ser consensual no país. Vários críticos têm dito que esta nova medida, que permitirá às mulheres participar no sufrágio deste sábado e ser eleitas, é apenas para "consumo externo", para mostrar ao mundo uma imagem que não corresponde à realidade do país, refere o jornal americano. Os mesmos críticos defendem que esta conquista pouco impacto terá no estatuto da mulher, que continua a ser impedida de ir para a universidade, conduzir e viajar sem autorização do marido.
As mulheres que se registaram para votar nas eleições de sábado representam apenas uma pequena porção do eleitorado - cerca de 130 mil, num total de 1.49 milhões de votantes. O número de mulheres que se candidata - 980 - é pouco relevante se comparado com o número total de candidatos, que são mais de 6.900, havendo poucas expectativas de que alguma venha a vencer.
Além disso, houve uma série de restrições que essas candidatas tiveram de enfrentar durante a campanha eleitoral. Num país em que os eleitores são maioritariamente do sexo masculino, espera-se que o facto de as mulheres não terem tido contacto direto com os homens, fosse em eventos, fosse em debates eleitorais, venha a ter influência nos resultados das eleições, para prejuízo delas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015


GAZETA DO POVO





http://www.gazetadopovo.com.br/haus/wp-content/uploads/2015/11/1470207_10201011122463409_1753134295_n-e1447332235753.jpg


As empresas italianas Area Industrie Ceramiche e REM desenvolveram a Tegola Solare, uma telha cerâmica com células fotovoltaicas integradas. É uma alternativa sustentável que não atrapalha a estética original das telhas, como acontece muitas vezes com os painéis fotovoltaicos tradicionais, que são grandes e pesados.
Cada telha tem quatro células que transformam a luz solar em energia elétrica, e a fiação fica logo embaixo do telhado. A invenção pode gerar cerca de 3 kW de energia em uma área instalada de 40 m², o que já seria capaz de suprir as necessidades energéticas da residência.
As telhas fotovoltaicas são mais caras do que as placas convencionais, mas sua instalação é feita como a de qualquer outro telhado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

23:12 01.12.2015

Mark Zuckerberg vai doar fortuna pessoal para fazer do mundo "um lugar melhor"

© Carlos Garcia Rawlins / Reuters (Arquivo)

O cofundador da Facebook, Mark Zuckerberg, vai doar a sua fortuna, anunciou o próprio na sua página na rede social, para fazer do mundo "um lugar melhor" para a sua filha recém-nascida, Max, e para outras crianças.

Em carta dirigida a Max, divulgada no Facebook, Zuckerberg e a esposa, Priscilla Chan, anunciaram que iam doar 99% das ações da empresa, com um valor estimado de 45 mil milhões de dólares (42,3 mil milhões de euros), para contribuírem para um mundo melhor e mais saudável para a filha e para as outras crianças.
"Max, nós amamos-te e sentimos uma grande responsabilidade em deixar o mundo um lugar melhor para ti e para todas as crianças. Desejamos-te uma vida com o mesmo amor, esperança e alegria que nos deste. Aguardamos ansiosamente para ver a tua contribuição para este mundo", acrescentaram os pais, na carta à filha.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ZAP aeiou

Biohackers querem produzir insulina em código aberto


-
Um grupo de biohackers está a desenvolver o primeiro protocolo aberto para a produção de insulina. A proposta do Projeto Open Insulin (Insulina Aberta) é facilitar a vida de mais de 370 milhões de diabéticos em todo o mundo e que, para sobreviver, precisam comprar insulina a um alto preço.
A receita para a produção de insulina de laboratório (usada como medicamento) ainda é um segredo dos grandes laboratórios, não existindo ainda um medicamento genérico que substitua a insulina, e o resultado é inevitável: quem não tem recursos financeiros para comprar insulina sofrerá com cegueira, doenças cardiovasculares, problemas nos rins, e, em alguns casos, a morte.
A proposta do Projeto Open Insulin é produzir e refinar a insulina a partir da bactéria E.coli, registando esse processo para que possa ser replicado. A ideia é que essa insulina, livre de patentes, possa ser comercializada por uma empresa farmacêutica de genéricos e chegue a preços acessíveis para pacientes de todo o mundo.
Todo o processo, das pesquisas iniciais até os resultados finais, será disponibilizado em domínio público. Esta, definitivamente, seria uma realidade louvável, não somente para este projeto, mas para outros que podem seguir o exemplo.
O Projeto Open Insulin está inscrito no Experiment, uma plataforma de crowdfunding para projetos científicos. Até o momento, mais de 14 mil dólares já foram arrecadados. Os recursos serão gastos com equipamentos e com todos os custos operacionais para desenvolver os estudos e produção.
Os responsáveis pela iniciativa fazem parte do Counter Culture Labs. Localizado na Califórnia, nos EUA, o espaço é um laboratório comunitário aberto e um hackerspace para a biologia do “faça você mesmo” e para a ciência cidadã.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ana Sofia Antunes, a primeira secretária de Estado cega

A jurista Ana Sofia Antunes, presidente da ACAPO, concorre pelo círculo de Lisboa nas listas do PS
Alberto Frias

A socialista não conseguiu ser eleita para a bancada parlamentar do PS nas últimas legislativas. Agora, chega ao Governo de Costa com um objetivo definido: “Representar as pessoas com deficiência”, independentemente das suas opções partidárias

Durante o último período de campanha eleitoral, a imprensa anunciou que as legislativas trariam à Assembleia da República, pela primeira vez, uma deputada cega. Apesar de se encontrar numa posição elegível na lista socialista para o círculo de Lisboa, Ana Sofia Antunes ficou a um lugar de entrar no Parlamento, mas com o novo Governo de António Costa consegue fazer História: é a primeira secretária de Estado cega.
A nova responsável para a Inclusão de Pessoas com Deficiência tem 34 anos, é formada em advocacia e trabalhou durante vários anos na Câmara de Lisboa. Ana Sofia Antunes assessorou o vereador da Mobilidade na autarquia, Nunes da Silva, e também foi lá que exerceu funções de assessoria jurídica. Atualmente, a socialista preside à Associação dos Cegos e Amblíopes e é provedora do cliente na EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa).
O convite de António Costa para integrar a lista de candidatos ao Parlamento pelo círculo de Lisboa foi “agridoce”, revelou a agora secretária de Estado numa entrevista concedida ao “Diário de Notícias” em agosto passado. “É um momento de alegria, mas também de tristeza: porque é que isto só está a acontecer em Portugal agora?”, defendeu, considerando o atraso de Portugal nestas matérias “constrangedor”.
Na mesma entrevista, Ana Sofia Antunes explicava também que o lugar que ambicionava conseguir na bancada parlamentar socialista serviria para chamar a atenção para os obstáculos que as pessoas com deficiência enfrentam, causa que poderá abraçar a partir desta quinta-feira, como secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência. “Não faria sentido nenhum, tendo esta oportunidade, não constituir como minha principal prioridade o trabalho em prol das pessoas com deficiência”, esclareceu, na altura.
O trabalho que Ana Sofia Antunes desenvolveu na Câmara de Lisboa - o seu plano de acessibilidade pedonal para a capital teve grandes apoios por parte de António Costa - e a sua posição no que toca à representação de pessoas com deficiência podem ser trunfos para a nova legislatura. É que a nova secretária de Estado não considera que a sua cor partidária seja “relevante” para alcançar os objetivos: “As pessoas sentem-se representadas por uma pessoa com deficiência, independentemente da bancada”.