sábado, 10 de setembro de 2016

ZAP.aeiou

Diabéticos já não têm de picar o dedo todos os dias

(dr) Freestyle Libre / Abbott Diabetes Care Inc.
-Z
O primeiro medidor de glicose que evita as picadas nos dedos rotineiras entre os diabéticos foi lançado, esta quinta-feira, em Portugal, sendo uma ferramenta que mede os níveis de açúcar durante as 24 horas do dia.
O Freestyle Libre é constituído por um sensor redondo que mede 35 por 5 milímetros, que é instalado na parte posterior do braço e que tem uma duração de 14 dias – medindo os níveis de glicose intersticial (líquido que fica entre as células do corpo e que se encontra nas camadas superficiais da pele).
O presidente da Sociedade de Diabetologia, José Luís Medina, considera que este medidor é “a última revolução” no controlo da diabetes, contribuindo para “melhorar significativamente a vida dos doentes”.
Este novo medidor de glicose está indicado para todos os diabéticos, mesmo para crianças a partir dos 4 anos, mas são os doentes com diabetes tipo 1 e com diabetes tipo 2 menos controlada quem mais pode beneficiar, reconhece José Luís Medina em declarações à agência Lusa.
Os custos do novo sistema para medir glicose ainda são elevados, mas o laboratório que comercializa o Freestyle Libre espera que esta tecnologia venha a ser comparticipada pelo Estado e adianta que já foram feitas diligências junto das autoridades.
José Luís Medina defende que o Estado comparticipe esta tecnologia e refere que este novo método traz uma redução das baixas de glicose e consegue aumentar a adesão à monitorização ou controlo dos níveis, sobretudo para os doentes que têm de picar muitas vezes os dedos.
Em Portugal, cerca de um milhão de pessoas vive com diabetes e mais dois milhões têm um risco elevado de vir a desenvolver a doença.
/Lusa

Green Savers

Economia Verde: Startup portuguesa cria skates e pranchas de surf em cortiça

bioboards
Skates e pranchas de surf feitos a partir de cortiça são os produtos inovadores da startup portuguesa BioBoards, que parte do Porto hoje rumo a uma viagem de 18 mil km por 22 países europeus. Durante dois meses esta empresa portuense vai partilhar com a Europa os artigos que tem vindo a desenvolver a partir de materiais sustentáveis.
Criada no UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, esta startup está empenhada em mostrar ao mercado internacional que a cortiça, um dos mais queridos materiais de origem vegetal do nosso país, pode ser usada num sem número de produtos, caso dos skates bio boards.
“Criamos produtos ecofriendly porque a sustentabilidade e provocar o mínimo impacto ambiental são os nossos principais objectivos. Para isso, utilizamos materiais reciclados, recicláveis, reutilizáveis e biodegradáveis, como cartão e bamboo, sendo a cortiça portuguesa o material de eleição”, refere Ricardo Marques, CEO da Bio Boards.
Diariamente no site Surf Total, dedicado em exclusivo ao mundo do surf, Ricardo e a sua equipa irão partilhar as experiências vividas nesta iniciativa que quer dar a conhecer o que de melhor se faz em Portugal, com produtos nacionais e sustentáveis.
Também nas redes socias esta experiência única estará em destaque nos próximos tempos. “Este é um trajecto nunca antes feito e documentado desta forma. Vamos passar pelos principais surfspots europeus, principais capitais, estradas emblemáticas, auroras boreais, parques naturais e outros destinos. Queremos levar os produtos portugueses além-fronteiras”, acrescenta o CEO da Bio Boards.
A viagem passará ainda por Tallinn, na Estónia, onde a startup irá representar Portugal na final europeia do Climatelaunchpad, maior competição de ideias de negócio cleantech.
Foto: BioBoards

quinta-feira, 8 de setembro de 2016



Descoberta portuguesa abre caminho a novos tratamentos contra depressão e vício

Uma equipa da Universidade do Minho concluiu que a classe de neurónios D2 estará ligada aos estímulos positivos do prazer e motivação, ajudando a perceber o sistema de recompensa e "abrindo caminho" para tratar patologias como depressão e adição.
créditos: AFP
O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.
Num comunicado enviado à agência Lusa, a academia minhota adianta que o resultado da investigação, coordenada por Ana João Rodrigues e Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho (UMinho), "ajuda a perceber melhor o sistema de recompensa, essencial na sobrevivência das espécies, que falha em doenças como a depressão, o défice de atenção e a adição de substâncias".
Segundo explica o texto, situações de prazer "ativam o circuito cerebral chamado sistema de recompensa", no qual se destacam dos neurónios D1 e D2, sendo que a comunidade científica associava os D1 ao processamento de estímulos positivos/prazer e os D2 a um papel relevante nos estímulos negativos.

"A equipa portuguesa provou agora que ambos podem ter funções positivas no comportamento", anuncia a UMinho, explanando que aquele estudo "é importante para compreender melhor como funciona o sistema de recompensa, que está disfuncional em patologias como a depressão e a adição, e pode abrir caminho para terapias direcionadas na eventual ativação daqueles neurónios".
Segundo o texto, os investigadores realizaram testes em laboratório que envolveram duas espécies de roedores que tinham que carregar determinadas vezes numa alavanca para obter um doce (recompensa).
Ao longo dos dias tinham de carregar cada vez mais para receberem o mesmo, provando que "quanto mais motivado o animal estava na tarefa, mais neurónios D1 e D2 ativava, carregando até 150 vezes por doce".
Numa segunda fase, os cientistas "ativaram ou inibiram seletivamente estes neurónios durante a tarefa usando um laser (técnica de otogenética)" e observou-se que "a motivação do animal aumentava drasticamente ao ativar-se tanto os D1 como os D2, levando-o a carregar mais vezes na alavanca" e que a inibição dos neurónios D2 diminuía a sua motivação.
"Os resultados foram surpreendentes, pois mostraram que ambas as populações neuronais têm um papel pró-motivação, contrariamente ao que a tinha vindo a ser proposto", explicam Ana João Rodrigues e Nuno Sousa no texto divulgado pela instituição minhota.
A equipa de trabalho do ICVS incluiu ainda Carina Cunha, Bárbara Coimbra, Ana David Pereira, Sónia Borges, Luísa Pinto e Patrício Costa.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016


DN

Nova tecnologia permite detetar de forma precoce cancro do colo do útero





Rastreio é feito a partir de smartphone e ajuda os profissionais de saúde a fazer um pré-diagnóstico
O centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS, localizado no Porto, está a desenvolver uma tecnologia que permite detetar mais precocemente patologias como o cancro do colo do útero e as doenças de chagas e do sono, em países subdesenvolvidos.
O rastreio precoce, "mais efetivo em áreas com carências graves na assistência médica", é feito através de funcionalidades presentes nos 'smartphones', para aquisição e processamento de imagem, de acordo com um comunicado divulgado pela instituição.
"Ao telemóvel é conectado um dispositivo de baixo custo que permite a aquisição da imagem com a resolução necessária. Posteriormente, as imagens são analisadas através de algoritmos de processamento de imagem e análise de dados de modo a identificar as estruturas e auxiliar os profissionais de saúde no pré-diagnóstico das respetivas doenças", disse a investigadora sénior do projeto, Maria Vasconcelos.
As doenças de chagas e do sono, que aparecem geralmente na América Latina e África, "são mortais" e transmitidas às pessoas e aos animais através da mordida de pequenos insetos, como é o caso do triatomine e tsetse. "O elevado número de mortes resultantes está associado a diagnósticos tardios".
Com esta tecnologia e com o dispositivo de baixo custo, ambas as doenças podem ser detetadas em estádios inicias, recorrendo a imagens microscópicas obtidas a partir da análise de uma amostra de sangue do paciente, detetando dessa forma os respetivos parasitas e permitindo o seu tratamento.
No caso do cancro do colo do útero, "a segunda causa de morte mais frequente na mulher nos países em vias de desenvolvimento", o novo sistema utiliza o mesmo dispositivo de baixo custo para capturar imagens de citologia líquida, auxiliando no pré-diagnóstico da patologia.
A deteção deste tipo de doença é feita, normalmente, através de imagens citológicas resultantes de exames realizados com aparelhos especializados, "de elevado custo e não móveis", como é o caso do teste ao vírus do papiloma humano (HPV) e do Papanicolau.
Para a filaríase linfática, "infeção parasitária que pode gerar alterações ou ruturas no sistema linfático e um crescimento anormal de certas regiões do corpo, causando dor, incapacidade e estigma social", é também utilizado o sistema de aquisição de imagens para identificar os parasitas, através de uma amostra de sangue.
Esta tecnologia é idêntica a que serviu de base ao projeto MalariaScope - uma solução capaz de pré-diagnosticar a malária -, estando agora a ser aplicada a estas doenças, que afetam "significativamente" a mortalidade em países subdesenvolvidos.
Os trabalhos para adaptar a tecnologia ao rastreio da doença de chagas e do sono, do cancro do colo do útero e da filaríase linfática, foram desenvolvidos na Fraunhofer Portugal por estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, durante o ano letivo 2015/2016, com a colaboração do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e do Hospital Fernando Fonseca.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Cientistas portugueses criam spray nasal contra a Hepatite B

Investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) desenvolveram uma vacina para a hepatite B em forma de spray nasal.
créditos: AFP
A vacina genética concebida é vantajosa para países em vias de desenvolvimento onde escasseiam profissionais de saúde, responsáveis pela administração das vacinas injetáveis. A via nasal permite diminuir os elevados custos humanos e financeiros destes países, associados às complicações decorrentes da administração de injetáveis, nomeadamente as infeções provocadas pela reutilização de seringas.
Olga Borges, Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra
Olga Borges, investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbracréditos: UC
Olga Borges, coordenadora do projeto publicado na revista científica “Molecular Pharmaceutics”, explica que "foram criados sistemas de transporte (nanopartículas poliméricas) capazes de levar as moléculas terapêuticas desde a mucosa nasal até ao interior das células. Os resultados obtidos em ratinhos demonstraram que a formulação desenvolvida é eficaz pela via intranasal".
O trabalho desenvolveu uma nova composição para a vacina baseada em plasmídeos, teoricamente mais resistentes às variações de temperatura que os “antigénios” (estimuladores do sistema imunitário) das vacinas comercializadas atualmente.

Os plasmídeos são pequenas moléculas circulares que transmitem informação genética (ADN) para o interior das células, ativando mecanismos de defesa do organismo que combatem o vírus da hepatite B. Os “combatentes” chamam-se anticorpos e surgem no sangue, mucosa nasal e vaginal.
"As nanopartículas desenvolvidas também poderão ser usadas na composição de vacinas que previnem doenças sexualmente transmissíveis, porque induzem a produção de anticorpos pelo nosso organismo ao nível da mucosa vaginal de forma mais eficaz que as vacinas injetáveis", esclarece a também docente da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.
O projeto, que teve a colaboração da Universidade de Genebra, insere-se numa linha de investigação em vacinas iniciada em 2003, tendo as nanopartículas sido desenvolvidas durante quatro anos por Filipa Lebre, doutoranda da Faculdade de Farmácia.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Prémio Terre de Femmes: dez mil euros para projectos ambientais feitos por mulheres

Promovido pela Fundação Yves Rocher Rocher, o prémio Terre de Femmes pretende apoiar projectos ambientais com cunho feminino. As inscrições para a 8ª edição desta iniciativa acontecem até 30 de Setembro e todas as mulheres com mais de 18 anos envolvidas em projectos a favor do ambiente estão convidadas a participar.
Mais do que um concurso, o Terre de de Femmes é uma plataforma que procura ideias que ofereçam perspectivas duradouras, com benefícios práticos para a comunidade e com impacto ambiental positivo.
Na edição de 2015, o projecto Tabanca Solar de Inês Rodrigues foi o grande vencedor. Catarina Grilo recebeu também com todo o mérito a menção honrosa pela ideia Cabaz de Peixe para reduzir o desperdício deste alimento.
As candidaturas ao prémio Terre de Femme estão abertas até 30 de Setembro, com a vencedora do primeiro lugar a receber 10 mil euros e 3 mil euros a serem entregues à menção honrosa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Da favela à medalha de ouro no Rio. Esta é a história de Rafaela Silva

Facundo Arrizabalaga / EPA
A judoca brasileira Rafaela Silva, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

A judoca brasileira Rafaela Silva, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Da violência na favela aos ataques racistas depois de uma derrota em Londres, Rafaela Silva subiu finalmente ao pódio dos Jogos Olímpicos.

Nascida na Cidade de Deus, uma das favelas mais problemáticas do Rio de Janeiro e que até deu nome a um filme premiado, Rafaela Silva não teve um percurso fácil.
É certo que, desde ontem, esta atleta pode sentir-se no topo do mundo. Afinal, não é todos os dias que se sobe ao pódio dos Jogos Olímpicos, realizados na sua cidade, com uma medalha de ouro nas mãos.
Mas para lá chegar foi preciso muito esforço e dedicação, a começar pela juventude vivida na favela, onde os tiroteios e o tráfico de droga eram os vizinhos do costume.
Rafaela tinha ordem dos pais para brincar apenas em frente ao portão de casa e fugir lá para dentro sempre que ouvisse um tiro, conta o brasileiro O Globo.
Foi essa violência que acabou por domar a personalidade da jovem, que estava sempre envolvida em lutas e levava recados frequentes para casa.
Os pais decidiram pôr um ponto final na história e, juntamente com a irmã Raquel, levaram-na a uma escola de judo orientada por Geraldo Bernardes.
Daí viria a treinar no Instituto Reação, criado pelo ex-judoca Flávio Canto, que foi medalha de bronze em Atenas 2004, e que tem escolas espalhadas por áreas desfavorecidas do Rio.
“Os pais as trouxeram para treinar porque ela não obedecia ninguém, brigava muito. Nas primeiras aulas, vi que tinham boa coordenação, uma agressividade importante. Na Cidade de Deus, ela peitava todo mundo. Tinha que canalizar isso para o judo. Vi que tinha ali um diamante bruto“, explica Bernardes ao jornal brasileiro.
Para poder evoluir no judo, o treinador exigia boas notas na escola e foi isso que Rafaela lhe deu. Mas não deixou de lado os arrufos com os colegas, tal como recorda a atleta na mesma entrevista.
“Eles me provocavam, sabiam que eu fazia judo, queriam ver se eu era boa de briga mesmo. E apanhavam”, lembra.

“Lugar de macaco é na jaula”

Em 2008, tornou-se campeã mundial na categoria sub-20 e o sucesso foi sendo lapidado até aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando tinha apenas 20 anos de idade.
A competição na capital britânica viria a ser o maior soco na barriga de toda a sua existência, quando um golpe ilegal contra a húngara Hedvig Karakas resultou na sua eliminação.
Chorou no tatami, lamentou a eliminação mas foi no quarto da Aldeia Olímpica que recebeu o pior golpe, levado a cabo pelo próprio povo brasileiro.
A judoca recebeu milhares de críticas e mensagens racistas nas redes sociais: “lugar de macaco é na jaula e não nas Olimpíadas” é só um dos exemplos.
Foi nessa fase que a atleta pensou desistir da modalidade, estando quase quatro meses sem vestir um quimono, como recorda o seu treinador ao Globo.
Graças ao apoio da família, do mestre e do trabalho com uma psicóloga, a judoca conseguiu voltar aos treinos para o Mundial de 2013 e para preparar a longa jornada até aos próximos Jogos.
Rafaela conquistou a medalha de ouro esta segunda-feira, depois de um wazari aplicado sobre a mongol Sumiya Dorjsuren, que antes tinha eliminado a portuguesa Telma Monteiro.
A judoca brasileira deixou claro que esta vitória foi uma resposta às críticas que recebeu há quatro anos.
“Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que eu era uma vergonha para minha família, para meu país. E agora sou campeã olímpica”, afirmou.
“Para uma criança que saiu da comunidade com cinco anos e começou no judo por brincadeira é demais. Eu dedico a vitória a todo mundo”, declarou.
FM, ZAP / Hypeness

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Plástico biodegradável feito a partir da mandioca se decompõe em apenas 10 dias

por Clara Caldeira
O plástico foi uma das invenções mais impactantes do homem, para o bem e para o mal. Maleável, impermeável, adaptável e resistente passou a ser usado e larga escala para fins diversos que vão de embalagens, a veículos, eletroeletrônicos e uma infinidade de outras aplicações.
Mas apesar de hoje ser reciclável, o material ainda traz um impacto bastante negativo para o meio ambiente, já que demora de 500 a 1000 anos para ser decomposto e muitas vezes acaba sendo devolvido para natureza em forma de lixo e poluição.
https://aoquadrado.catracalivre.com.br/wp-content/uploads/sites/4/2014/12/ecoplas-4.png

Para tentar amenizar o problema a empresa indonésia Tinta Marta criou o plástico biodegradável que usa como base a mandioca e é absorvido pela natureza em apenas 10 dias.
https://aoquadrado.catracalivre.com.br/wp-content/uploads/sites/4/2014/12/ecoplas-5.jpgAnteriormente, a empresa trabalhava produzindo sacolas plásticas convencionais que, apesar de serem práticas, eram muito nocivas para a natureza. Sugianto Tandio, diretor da Tinta Marta e ex-funcionário da 3M, decidiu então investir parte dos lucros da companhia em pesquisas para desenvolver o plástico biodegradável.
Agora, dez anos depois, parece que o investimento rendeu frutos e o Ecoplas, como é chamado, já foi adotado por marcas como Zara e a GAP, na Ásia e nos Estados Unidos.
Via Hypeness

quarta-feira, 3 de agosto de 2016


Ciência & Saúde  ,

Regeneração de células cerebrais pode permitir restaurar visão

Look Into My Eyes / Flickr
Um grupo de investigadores nos Estados Unidos conseguiu restaurar a visão de ratos com deficiência visual através da regeneração de células cerebrais.
Apesar de apenas terem crescido algumas das células da retina (menos de 5%), a técnica aplicada foi suficiente para mostrar o potencial da restauração da visão dos mamíferos.
Ao longo do processo, os investigadores da Universidade de Stanford conseguiram “ligar um interruptor” que geralmente se desliga quando os mamíferos atingem a maturidade, conseguindo restaurar várias células que cobriram toda a distância do olho até ao cérebro e fizeram corretamente as conexões celulares.
“Os nervos podem recordar-se da sua história de desenvolvimento e encontrar o caminho até casa”, explicou o neurobiólogo Andrew Huberman à revista Scientific American.
Num estudo de 2012, tinham sido já encontrados indícios de que estas células pudessem crescer, mas a nova pesquisa confirma a hipótese e prova a extensão do trabalho de reparação que o cérebro pode fazer.
“Os neurónios cresceram enormes distâncias – 500 vezes mais e mais rápido do que normalmente”, explica Andrew Huberman.
Os resultados do estudo foram publicados em julho na Nature Neuroscience.
De acordo com os cientistas, este processo poderá, eventualmente, ser repetido em humanos e combater doenças como Alzheimer, glaucoma e lesões na medula espinal.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Medicamento para a hepatite C já salvou 3 mil portugueses

ABr
Em pouco mais de ano e meio, houve uma revolução no tratamento da hepatite C. Dos 7.840 tratamentos iniciados em Portugal, 3.005 doentes ficaram curados.
No nosso país, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia (SPG) José Cotter, deverão existir 150 mil pessoas infetadas com o vírus da hepatite C, sendo que a incidência da hepatite B diminuiu desde que a vacina foi integrada no programa nacional de Vacinação.
Em Portugal, o medicamento é comparticipado a 100% desde fevereiro do ano passado, com 40 milhões de euros gastos no ano passado e 85 milhões previstos para 2016, de acordo com o Jornal de Notícias.
De acordo com a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), a 1 de julho existiam 7.840 tratamentos iniciados em Portugal.
Do total de utentes que já finalizaram o protocolo de tratamento, 3.005 encontram-se curados e há 122 doentes dados como não curados. A taxa de cura é de 96%.
“Há expetativas enormes com este tratamento. Já se fala da erradicação da doença, mas é fundamental uma estratégia”, afirma José Cotter.
Não há números oficiais da poupança, mas o Infarmed fala ao JN em custos significativos que são evitados com o tratamento das morbilidades associadas à evolução da doença.
“Ao tratarmos as pessoas com hepatite C, estamos a evitar que as mesmas venham a desenvolver cirrose hepática, carcinoma hepatocelular, com eventual necessidade de transplante de fígado, o que permite considerar estes medicamentos inovadores como custo-efetivos”, adianta o Infarmed.
No caso da hepatite B o tratamento que existe “raramente é curativo”, ao contrário da hepatite C contra a qual os fármacos de última geração conseguem a cura da doença em cerca de 95% dos casos.

Teste à hepatite C pelo menos uma vez na vida

A propósito do Dia Mundial das hepatites Víricas, que se assinala esta quinta-feira, o presidente da SPG lembrou que esta organização já há alguns anos defende a realização de um rastreio à infeção pelo vírus da hepatite C.
A SPG defende que todas as pessoas realizem “pelo menos uma vez na vida” o teste à hepatite C, doença que mata todos os anos mil doentes em Portugal.
“A Organização Mundial da Saúde (OMS) veio também agora defender a realização de um rastreio, tal como nós temos vindo a fazer”, disse José Cotter.
Ao nível mundial, lembrou o especialista, existem 400 milhões de pessoas infetadas com os vírus da hepatite B e C, das quais entre 130 a 150 milhões com hepatite C.
“São números muito assustadores e têm de ter uma grande preocupação da comunidade médica, porque estas infeções deterioram a qualidade de vida das pessoas, mas estas infeções crónicas também levam a estadios terminais de cirrose e de cancro do fígado”, adiantou.
Em 30 a 40% dos casos com infeção por hepatite C mal tratada, a situação evolui para cirrose e, destes, cerca de 10 a 40% terá cancro do fígado.
Essa estratégia passa pela prevenção, a começar no ambiente escolar, pela realização de pelo menos uma análise por ano à infeção pelo vírus da hepatite C e à prevenção de comportamentos de risco, disse.
José Cotter alertou para áreas onde o tratamento não está a chegar devidamente, como as cadeias e os consumidores de drogas injetáveis, a esmagadora maioria dos quais (85%) têm, ou já tiveram, o vírus da hepatite C.
“É preciso entrar no tratamento destes doentes, nas prisões. Mas é preciso uma estratégia”, acrescentou.
A jusante do tratamento, o presidente da SPG considera que se deve começar a pensar em unidades paliativas e o acompanhamento da resposta do programa de transplantes.
ZAP / Lusa