sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


Portugueses encontram nova forma de combater leucemia nas crianças

Shutterstock Jornal i 16/12/2016 
 
Os investigadores identificaram um composto químico, que está a ser testado no tratamento de um determinado cancro, que pode ser igualmente eficaz no combate contra um agressivo cancro no sangue, que se manifesta principalmente em crianças.
O tal composto químico está em fase de em ensaios clínicos, no tratamento do mieloma múltiplo (cancro da medula óssea).
http://cdn1.ionline.pt/media/2016/12/16/557877.jpg?type=artigo
A equipa liderada pelo cientista e investigador Bruno Silva-Santos descobriu que o uso deste composto químico pode ser eficaz no tratamento da leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T (cancro frequente em crianças). Os linfócitos T são um grupo de glóbulos brancos, células do sangue que estão responsáveis pela defesa do organismo contra agentes agressores. No caso da leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T, estes linfócitos geram cancro.
O composto químico denominado de CX-4945 compromete o funcionamento de uma proteína-cinase, a CK2, que, de acordo com Bruno Silva, é um fator determinante para a sobrevivência dos linfócitos T.
Este composto mata os linfócitos T saudáveis mas também mata os “maus”, que geram a doença.
O composto CX-4945 foi testado num rato com o mesmo tipo de leucemia, tendo o grupo de cientistas conseguido impedir que o tumor crescesse mais.
O mais recente estudo no qual participou a equipa do investigador do IMM, João Taborda Barata, é publicada esta sexta-feira na revista científica Leukemia.
O estudo, no qual participou a equipa do investigador do IMM João Taborda Barata, é publicado hoje na revista científica Leukemia.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Portuguesa descobre como é que algumas células humanas resistem ao VIH/Sida

A cientista portuguesa Carla Ribeiro descobriu o mecanismo das células resistentes ao Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), denominadas “Langerhan cells” e que são as primeiras a interagirem com o vírus após contacto sexual. 
 
créditos: EPA/PIYAL ADHIKARY
 
O estudo, liderado pela portuguesa e publicado a 7 de dezembro na revista Nature, explica o mecanismo que torna determinadas células naturalmente resistentes ao VIH.
“Nestas células, o HIV-1 é destruído por um processo chamado autofagia, que ocorre dentro das células e é capaz de digerir micróbios como uma trituradora”, explicou, em comunicado, Carla Ribeiro, do departamento de Experimental Immunology do Academic Medical Center, em Amesterdão, Holanda.
Segundo a cientista, a autofagia é ativada nas “Langerhan cells”, que residem em diferentes tecidos humanos, incluindo vagina, prepúcio e intestino, “através da ação de um fator restritivo que é funcional apenas neste tipo de células”. “O mesmo fator restritivo não funciona noutras células, sendo estas por consequência infetadas com VIH”, explica Carla Ribeiro.
A descoberta, segundo o comunicado, vai permitir aos investigadores “desenvolver novos métodos preventivos contra o VIH, mas também destruir o vírus após a infeção”. “No entanto, é preciso haver mais investigação nesta área para que novas terapias possam ser desenvolvidas”, acrescenta.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Testes confirmam: o gigantesco reator de energia limpa infinita funciona

(dr) Max-Planck Institut für Plasmaphysik
O reator de fusão nuclear stellarator Wendelstein 7-X
O reator de fusão nuclear stellarator Wendelstein 7-X

No fim do ano passado, a Alemanha ligou um novo tipo massivo de reactor de fusão nuclear pela primeira vez, e conseguiu conter uma torrente quente de plasma de hélio. Mas desde então, uma grande questão surgiu – o dispositivo funciona mesmo como deveria?
Isso é muito importante quando se fala da máquina que pode um dia manter sob controle reacções de fusão nuclear  – e, felizmente, a resposta é sim.
Uma equipa de investigadores dos Estados Unidos e da Alemanha já confirmaram que o reactor W7-X, ou  Wendelstein 7-X Stellerator, está a produzir os poderosos campos magnéticos 3D que o projecto previu, e com uma “precisão sem precedentes”. Os investigadores determinaram que o reactor opera com uma taxa de erro inferior a uma em 100.000.
“Pelo que sabemos, esta é uma precisão sem precedentes, tanto em termos de engenharia como de construção de um dispositivo de fusão, bem como na medição da topologia magnética”, escrevem os investigadores num artigo publicado na revista Nature.
Isso é crucial, porque este campo magnético é a única coisa que consegue captar e manter sob controle bolas quentes de plasma por tempo suficiente para que a fusão nuclear ocorra.

Fusão nuclear: sonho ou realidade?

A fusão nuclear é uma das fontes mais promissoras de energia limpa. Com pouco mais do que água salgada, ela oferece energia ilimitada usando as mesmas reacções que acontecem no nosso Sol.
Ao contrário da fissão nuclear, que é alcançada pelas actuais centrais nucleares, que envolve a divisão do núcleo de um átomo em neutrões e núcleos menores, a fusão nuclear gera enormes quantidades de energia quando os átomos são fundidos juntos em temperaturas incrivelmente altas, e não produz resíduos radioactivos ou outros subprodutos.
(dr) C. Bickel / Science / IPP
Reator de fusão nuclear Stellarator Wendelstein 7-X
Reator de fusão nuclear Stellarator Wendelstein 7-X
Com base na longevidade do nosso Sol, a fusão nuclear também tem o potencial de fornecer energia à humanidade enquanto precisarmos – claro, se pudermos descobrir como aproveitar a reacção.
E isso é um grande ‘se’, porque os cientistas têm trabalhado no problema há mais de 60 anos, e ainda não conseguiram fazê-lo.
O principal desafio é que, para conseguir a fusão nuclear controlada, temos de realmente recriar as condições dentro do Sol. Isso significa construir uma máquina capaz de produzir e controlar uma bola de gás de plasma de 100 milhões de graus Celsius.

Campos magnéticos 3D

Como se pode imaginar, isso não é fácil. Mas há vários projectos de reactores de fusão nuclear em operação em todo o mundo neste momento, e o W 7-X é uma das tentativas mais promissoras.
Em vez de tentar controlar o plasma com apenas um campo magnético 2D, que é a abordagem utilizada pelos reatores tokamak mais comuns, o Stellerator funciona através da geração de campos magnéticos 3D.
Isso permite que os Stellerators controlem o plasma sem a necessidade de qualquer corrente eléctrica – da qual os tokamaks tradicionais dependem – o que os torna mais estáveis, porque podem continuar a funcionar mesmo que a corrente interna seja interrompida.
Bem, essa é pelo menos a ideia do projecto.
Apesar de a máquina ter controlado com sucesso o plasma de hélio em dezembro do ano passado, e de ter depois, em fevereiro, controlado o plasma de hidrogênio, mais desafiador, ninguém tinha até agora provado que o campo magnético estava realmente a funcionar como devia.
Para o fazer, uma equipa de investigadores do Departamento de Energia, dos EUA, e do Instituto Max Planck de Física de Plasma, na Alemanha, enviaram um feixe de electrões ao longo das linhas de campo magnético do reactor.
(dr) T. Sunn Pedersen et al / Max Planck Institute for Plasma Physics
Visualização experimental das linhas do campo magnético do reactor nuclear Wendelstein 7-X (identificadas com uma precisão nunca antes conseguida)
Visualização experimental das linhas do campo magnético do reactor nuclear Wendelstein 7-X (identificadas com uma precisão nunca antes conseguida)

Usando uma espécie de haste fluorescente, os cientistas percorreram essas linhas e criaram uma luz com o formato dos campos. O resultado, que se pode ver na imagem acima, mostra o tipo exacto de campos magnéticos retorcidos que deveriam existir.
“Confirmamos que a gaiola magnética que construímos funciona como projetada”, disse Sam Lazerson, do Laboratório de Física de Plasma de Princeton, do Departamento de Energia dos EUA, citado pelo Science Alert.
Apesar deste sucesso, o W 7-X não tem na realidade como objectivo gerar desde já electricidade de fusão nuclear – é simplesmente uma prova de conceito para mostrar que a ideia pode funcionar.
Em 2019, o reactor começará a usar deutério em vez de hidrogénio para produzir reacções de fusão reais dentro da máquina, mas não será capaz de gerar mais energia do que a que requer para funcionar. Isso é algo que só a próxima geração de stellerators superará, espera-se.
A tarefa acaba de começar”, explicam os investigadores.
O W 7-X está a competir oficialmente com o reator de tokamak ITER, da França. Ambos foram capazes de capturar o plasma por tempo suficiente para a fusão ocorrer.
A verdadeira questão agora é, qual dessas máquinas será a primeira a trazer-nos energia eficiente através da fusão nuclear? Mal podemos esperar para descobrir.
Não é algo que vai acontecer amanhã, mas é um momento incrivelmente emocionante para a fusão nuclear.
 ZAP / HypeScience

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Português distinguido nos Estados Unidos por fabricar órgãos e tecidos humanos

Pedro Costa, doutorado em Engenharia Biomédica pela Universidade do Minho (UMinho), foi recentemente galardoado em Winston-Salem, nos Estados Unidos, pelo seu trabalho na biofabricação de órgãos e tecidos humanos. O “Prémio de Jovem Cientista” foi atribuído pela Sociedade Internacional para a Biofabricação, numa conferência anual que juntou cerca de 400 especialistas de todo o mundo.
créditos: Universidade do Minho
O prémio internacional visa destacar o trabalho desenvolvido por jovens cientistas nesta área. "Este galardão deixou-me extremamente orgulhoso e ainda mais entusiasmado para continuar a apostar em novas ideias e a trabalhar intensivamente. Nos últimos anos tive a sorte de conhecer profissionais extraordinários que generosamente se dispuseram a ajudar-me, como no Grupo 3B’s da UMinho, berço da minha carreira científica", afirma o vizelense de 34 anos, agora investigador da Universidade de Utrecht, na Holanda.
Pedro Costa tem vindo a trabalhar principalmente no desenvolvimento de modelos de tecidos humanos, também chamados “tecidos-em-chips” ou “órgãos-em-chips”.
Trata-se da reprodução “simplificada” de tecidos e órgãos como o fígado, o rim, o osso, a cartilagem, entre outros. Os modelos, incorporados em pequenos dispositivos (chips), poderão vir a ser usados na descoberta de fármacos, substituindo os estudos efetuados em animais. “Podem ser expostos a grandes variedades de moléculas, com o objetivo de identificar os tratamentos mais eficazes no combate a variadas doenças que afetam drasticamente a qualidade de vida de milhões de pessoas no mundo, tais como doenças do foro cardiovascular, musculosquelético ou cancro”, realça.
Pedro Costa é licenciado em Biologia Aplicada e doutorado em Engenharia Biomédica pela UMinho e pós-doutorado pela Universidade Técnica de Munique, na Alemanha. Esteve oito anos no Grupo 3B’s, desenvolvendo métodos e tecnologias agora patenteados. Coordena um mestrado em Biofabricação e uma unidade de investigação desta área na Universidade de Utrecht.
É vice-presidente do comité para a comercialização, regulação e empreendedorismo na Sociedade Internacional de Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa (TERMIS) e representa os jovens cientistas da Holanda na Sociedade Europeia de Biomateriais (ESB).
Venceu o “Prémio de Investigação Translacional” e “Prémio Europeu de Doutoramento”, ambos pela ESB, entre diversas distinções. Já submeteu seis pedidos de patentes, soma dezenas de publicações científicas, comunicações e capítulos de livros, teve projetos aprovados é orador convidado em conferências internacionais e tem colaborado com instituições e empresas de renome, como o Institute of Health and Biomedical Innovation (Austrália), a Universidade de Stanford (EUA) e a Materialize NV (Bélgica).

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Vem aí a vacina que pode ser “o último prego no caixão para o HIV”

Espera-se que os resultados estejam disponíveis no final de 2020.

Universidade de Coimbra
Foto cedida
A primeira vacina teste de HIV é lançada na África do Sul. O projeto ambicioso designado por HVTN 702 tem como objetivo incluir 5.400 homens e mulheres sexualmente ativos entre 18 e 35 anos por toda a África do Sul.
Anthony S. Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas afirmou que “se for implantado ao lado do arsenal atual de ferramentas comprovadas de prevenção do vírus, esta vacina pode muito bem ser o último prego no caixão para o HIV”.
Embora os cientistas tenham sido capazes de criar vacinas para outros vírus, desenvolver uma vacina para o HIV tem sido especialmente desafiante, mas no caso de sucesso poderia reduzir significativamente as infeções no mundo inteiro.
“Mesmo uma vacina moderadamente eficaz tem capacidade para diminuir significativamente a carga da doença HIV ao longo do tempo”, disse Fauci ao Time.
O HIV comporta-se ao contrário da maioria dos outros vírus em algumas formas importantes, normalmente, quando uma pessoa é infetada com um vírus o sistema imunológico cria anticorpos que combatem o bug, sendo esse anticorpo o ponto de partida para a criação de medicamentos. O que é complicado no HIV é que quando uma pessoa está infetada, esse mesmo processo de desenvolver anticorpos não é acionado.
“Uma das razões pelas quais tem sido tão difícil fazer uma vacina contra a sida é que o vírus infeta as próprias células do sistema imunológico que a vacina é suposto induzir”, disse o principal autor, Guido Silvestri, chefe de microbiologia e imunologia do Yerkes National Primate Research Center.
Ainda assim, especialistas esperam que o novo ensaio da vacina funcione melhor do que as tentativas anteriores.
Espera-se que os resultados estejam disponíveis no final de 2020.

domingo, 27 de novembro de 2016

Green Savers

Wakati: o frigorífico solar para países em desenvolvimento

wakati_SAPO

Tecnicamente, o Wakati não é um frigorífico – porque não utiliza a refrigeração -, mas a função é igual: preservar os alimentos. Nos países em desenvolvimento, onde a electricidade é escassa e cara, um meio que consiga preservar os alimentos por mais tempo pode ter um grande impacto nos rendimentos e modo de vida das populações mais desfavorecidas.
O Wakati é uma espécie de caixa esterilizada, alimentada a energia solar, que permite armazenar e ventilar os alimentos. Para que a preservação seja possível, o pequeno painel solar de três watts no topo da caixa permite alimentar um ventilador que gradualmente evapora um pequeno reservatório de água, criando um ambiente húmido e fresco dentro do Wakati.
Além de ventilar, o dispositivo não possui qualquer mecanismo de controlo da temperatura, daí que não seja uma solução de conservação alimentar a longo-prazo. Porém, o facto de permitir aumentar em alguns dias a conservação dos alimentos nestes países é um grande passo. Produtos que tenham um ou dois dias de validade em climas quentes podem ser preservados durante dez dias no Wakati. Assim, as famílias conseguem ter produtos em condições alimentares próprias durante mais dias e também os agricultores têm mais tempo para vender os seus produtos antes que estes fiquem impróprios para consumo.
O Wakati foi desenvolvido por Arne Pauwels, no âmbito de um projecto de mestrado na Universidade de Antuérpia, onde estuda desenvolvimento de produto. A concretização da tecnologia foi possível através de várias parcerias com empresas e organizações não-governamentais.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ZAP

 Descoberto anticorpo que neutraliza 98% das estirpes do VIH

Conceito artístico do VIH criado pelo designer ucraniano Alexey Kashpersky

Os cientistas descobriram um anticorpo produzido por um paciente VIH-positivo que neutraliza 98% de todas as estirpes de VIH testadas – incluindo a maioria das estirpes que são resistentes a outros anticorpos da mesma classe.
Devido à capacidade do VIH de responder rapidamente às defesas imunitárias do organismo, um anticorpo que consiga bloquear uma vasta gama de estirpes tem sido muito difícil de encontrar. Mas agora que encontramos um, este poderia formar a base de uma nova vacina contra o vírus.
Investigadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) descobriram que o anticorpo, chamado N6, é capaz de manter a sua capacidade de reconhecer o VIH, mesmo quando o vírus se transforma e se separa dele.
O N6 é também até 10 vezes mais potente do que o VRC01, um anticorpo da mesma classe que progrediu para ensaios clínicos de fase II em pacientes humanos, depois de proteger macacos contra o VIH por quase seis meses.

Estratégias para prevenção e tratamento

“A descoberta e caracterização deste anticorpo com excecional amplitude e potência contra o VIH pode levar ao desenvolvimento de estratégias para prevenir e tratar a infecção pelo VIH”, afirmou Anthony S. Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, numa notícia publicada pelos NIH.
Um anticorpo é uma proteína produzida pelo sistema imunitário em resposta a agentes patogénicos nocivos, tais como bactérias e vírus. Os anticorpos são responsáveis pela identificação e destruição desses patógenos, ligando-se a eles e neutralizando os seus efeitos biológicos por conta própria, ou enviando sinais aos glóbulos brancos para que os destruam.
Quando os investigadores expuseram o N6 a 181 linhagens diferentes de VIH, conseguiram destruir 98% delas, incluindo 16 de 20 estirpes resistentes a outros anticorpos da mesma classe.
Este é um passo significativo depois do anticorpo VRC01, que impede que 90% das estirpes de VIH infectem células humanas.
O N6 não só mostra uma extraordinária amplitude, mas também tem uma potência incrível. “Dos anticorpos considerados para desenvolvimento clínico, existem exemplos que são extremamente amplos, mas moderados em potência, como o 10E8 ou o próprio VRC01, ou extremamente potentes e menos amplos, como o PGT121 ou o PGDM1400. Contudo, a descoberta do anticorpo N6 demonstra que este novo anticorpo da classe VRC01 pode ter tanto uma amplitude extraordinária como uma grande potência, mesmo contra estirpes isoladas tradicionalmente resistentes a anticorpos nesta classe”, dizem os investigadores.

A razão do sucesso

Os cientistas acompanharam a evolução do anticorpo ao longo do tempo para ver como é que respondia à capacidade defensiva de mudança de forma do vírus VIH, e descobriram que o anticorpo é menos confiável na ligação com partes do vírus que são propensas a mudar – conhecida como a região V5 – e mais na partes que mudam muito pouco em diferentes estirpes.
Ao anexar-se a estas partes mais consistentes do vírus, o N6 é capaz de impedir que o VIH se ligue às células imunes do hospedeiro e as ataque – o que torna as pessoas VIH-positivas tão vulneráveis à SIDA.
Os investigadores também descobriram que as mutações do VIH que passaram a ser resistentes ao N6 raramente surgiram, o que sugere que o vírus não pode responder a este anticorpo tão rapidamente quanto tem respondido a outros tratamentos que os cientistas descobriram recentemente.
“A rara ocorrência de mutações de resistência ao N6 sugere que essas mutações têm um custo de aptidão relativamente alto, o que pode representar uma barreira parcial à seleção de mutantes resistentes”, explica a equipe.
As conclusões constam de um artigo publicado na Cell Immunity.
Estes resultados foram apenas demonstrados em laboratório, por isso até se verificarem os mesmos níveis de sucesso em ensaios humanos reais é preciso estar cautelosamente otimista. No entanto, com as recentes descobertas e este novo anticorpo, parece que estamos fazendo um progresso real contra a doença.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016


Cientista portuguesa cria brochura para ajudar doentes a lidar com o cancro



Uma investigadora do Ipatimup/i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto, coordenou a elaboração de um documento que fornece informação sobre vários cancros numa linguagem “clara, concisa e acessível”, com base nas necessidades verbalizadas pelos doentes.

créditos: AFP

“O ‘modus operandi’ deste projeto foi recolher a experiência da doença como fator naturalmente integrante daquilo que é material informativo em saúde. Foram ouvidos 143 doentes oncológicos, fiquei com uma ideia bastante precisa ou consistente, pelo menos, das necessidades verbalizadas pelos doentes. O que eu fiz foi analisar as suas narrativas”, explicou à Lusa a investigadora responsável pelo projeto, Paula Silva.
“Conhecer a doença: os doentes em primeiro lugar”, que terça-feira é apresentado no i3S, é um projeto desenvolvido no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) pela investigadora Paula Silva e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), que entrecruza a oncologia, as ciências sociais e a biomedicina.
O trabalho partiu de entrevistas a doentes oncológicos, cujas vivências, dúvidas e iliteracia em relação ao cancro impulsionaram a elaboração de brochuras “com uma linguagem acessível e educativa, capaz de desconstruir medos, mitos e termos médicos habitualmente incompreensíveis”.
Estas brochuras, dedicadas aos cancros de cólon, esófago, mama, próstata, pulmão, estômago, bexiga e tiroide, têm a chancela da Direção Geral de Saúde (DGS), que os disponibilizará no seu website, e vão ser distribuídas aos doentes com estes tipos de cancro, numa primeira fase, nas unidades das administrações regionais de saúde do Norte e do Alentejo.
De acordo com a investigadora, “o conteúdo não é suscetível de ser deixado em folheto. A ideia era que funcionasse com um reforço do vínculo entre, por exemplo, os médicos de família e os doentes. Porque todos os doentes que são tratados em ambiente hospitalar e têm um diagnóstico de cancro são referenciados nos médicos de família. Seria um instrumento benéfico, não só para os doentes no sentido de os capacitar, torná-los mais informados relativamente a sua situação, mas também seria um facilitador para o médico de família”.
Informações muito úteis para doentes e não doentes
A estrutura das publicações é composta por uma série de temas considerados de interesse para a realidade da doença oncológica: fatores de risco, sinais e sintomas, o diagnóstico, o relatório (com uma explicação dos termos médicos mais utilizados no exame anatomopatológico) e o tratamento.
Além dos aspetos clínicos, o cancro “na primeira pessoa” – através das narrativas da experiência da doença – incluem-se nas informações úteis questões relativas aos direitos dos doentes oncológicos e contactos de instituições cuja atividade se desenvolve no domínio do cancro (nomeadamente associações de doentes).
Os conteúdos foram elaborados por especialistas de várias áreas (anatomia patológica, cirurgia, endocrinologia, gastrenterologia, nutrição, oncologia, pneumologia, urologia, psicologia e sociologia) e posteriormente validados pelos entrevistados.
Os resultados do projeto “Conhecer a doença: os doentes em primeiro lugar” e as brochuras serão apresentados na terça-feira, no Ipatimup/i3S. Integrado neste evento, realizar-se-á também uma dinâmica de grupo, que contará com a presença dos doentes entrevistados e profissionais de saúde, além de responsáveis da tutela.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Visão

Há um novo remédio que parece funcionar na cura do Alzheimer

GSO Images

O novo medicamento passou com sucesso a primeira fase de testes em doentes e pode ser a solução para a ainda incurável doença de Alzheimer

Lembra-se de, no mês passado (Outubro de 2016), lhe termos dado conta de uma nova esperança para a cura do Alzheimer? O comprimido em causa chama-se Verubecestat, é produzido pela gigante farmacêutica Merck e passou com sucesso a primeira fase de testes.
É considerado o comprimido que desliga a produção de placas amilóides (aglomerados de proteínas que bloqueiam e matam neurónios do cérebro) e, a ser capaz de conter o avanço da demência, pode vir a ser o primeiro licenciado para o efeito.
Crescem assim as esperanças num tratamento efetivo que pretende introduzir uma quebra na produção regular destas proteínas - as amilóides-beta, conhecidas por se acumularem do cérebro dos doentes com Alzheimer
Este Verubecestat pretende, então, travar estas proteínas que matam os neurónios saudáveis e levam à perda de memória, ao declínio cognitivo e às mudanças de personalidade. Matt Kennedy é o responsável pelo teste do medicamento alerta "é ainda prematuro especular sobre a sua eficácia" mas, de facto, as opções terapêuticas que temos hoje para estes doentes são muito poucas "e as que existem previnem o avanço da doença apenas no curto prazo. Não vão diretamente ao alvo fundamental da doença" disse.
O teste deste medicamento foi publicado na última quarta-feira (2 de novembro de 2016) no jornal cientifico Science Translational Medicine e foi aplicado em 32 doentes ainda num estágio pouco avançado da doença. Os pacientes receberam o tratamento durante sete dias e os voluntários saudáveis receberam-no durante duas semanas.
Embora o tempo do teste não tenha sido suficiente para se observarem resultados muito visíveis numa ressonância magnética, por exemplo, as amostras do líquido cefaloraquidiano mostraram que o comprimido reduziu os níveis de dois compostos que criam estes blocos de proteínas.
O neurocientista e professor John Hardy foi o primeiro a propor a teoria das proteínas de amilóide como centrais na doença e recebeu com muito agrado os resultados deste primeiro teste, dizendo apenas que a única certeza que ainda não temos é a de que o medicamento pode trazer benefícios cognitivos para os pacientes.
A grande vantagem deste comprimido é que parece ter poucos efeitos secundários (ao contrário de outros anteriormente testados) e a farmacêutica já está a realizar a próxima fase de testes mobilizará um total de 3500 pacientes.
A companhia americana de biotecnologia Biogen também está a trabalhar há algum tempo numa solução de tratamento do Alzheimer mas o professor John Hardy acredita que o comprimido da Merk tem mais probabilidades de ser barato e fácil de produzir do que a terapia da Biogen que envolver injeções com antibióticos.
Notícias ainda pouco concretas mas animadoras por abrirem um caminho de esperança para uma doença que até hoje não se previne, não se atrasa, não se trata e matou 1650 portugueses em 2014 (segundo os últimos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística).

quarta-feira, 9 de novembro de 2016


Breaking Zaps

CEiiA apresentou o BE, o carro autónomo português

Foi esta terça-feira apresentado o novo carro autónomo português. O BE foi desenvolvido pela CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto em parceria com a TMG e várias universidades e empresas portuguesas e brasileiras.
O BE é um carro elétrico autónomo, concebido para ser um veículo on-demand, para uso partilhado, com conectividade em tempo real e espera-se que esteja a circular nas estradas em 2019.
“O BE será o primeiro carro autónomo desenhado para ser um veículo on-demand de uso partilhado, podendo ser conduzido de forma automática ou manual”,  afirmou Helena Silva , Diretora Executiva do CEiiA.
“Qualquer utilizador poderá chamar um BE através de uma aplicação no seu telemóvel e este irá busca-lo ou utilizá-lo como estafeta e seguir o percurso de entrega da sua encomenda, com ou sem as mãos no volante, com ou sem motorista”, acrescentou a responsável.
O veículo tem um interior com design à prova de esquecimento de objetos pessoais, de sujidade e de vandalismo e tem um sistema de auto-limpeza após cada utilização dado que foi concebido para ter uso partilhado.
Como carro elétrico, está preparado para ser carregado por indução e está sempre ligado a um sistema de mobilidade, o mobi.me, recebendo e partilhando informação: contabiliza em tempo real emissões de CO2 poupadas, recebe informações de trânsito e de parqueamento, etc.
O ambiente interativo do BE traz possibilidades de customização e expansão quase ilimitadas através de uma plataforma aberta a developers de aplicações.
Para além da CEiiA, estiveram envolvidos neste projeto a TMG, a Inapal Metal, a  Fibrauto, a  GMV,  a Universidade do Minho, o IST – Instituto Superior Técnico, a FEUP -Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a Veniam, a EFACEC e o Centi.
Em 2017, o Governo português pretende avançar com a legislação para que seja possível efectuar testes carros autónomos  no nosso país.