quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Primeiro medicamento oncológico português testado 
com sucesso 
Passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço.

 Por Lusa|Foto Pedro Catarino 

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O primeiro medicamento oncológico português mostrou resultados significativos no ensaio clínico de prova de conceito e foi assim dado um passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço, disse esta quarta-feira o responsável pelo ensaio. Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, responsável pelo ensaio clínico do primeiro medicamento oncológico português, explicou à agência Lusa que este passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço abre a possibilidade de tratamento para outros tumores sólidos. A primeira fase do ensaio decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e Hospital da CUF, com um grupo de doentes voluntários e com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antitumoral (eficácia) da Redaporfin, um fármaco fotossensibilizador produzido em Portugal que tinha demonstrado já uma grande eficácia em ensaios não clínicos em modelos animais. "Verificámos que o tratamento com este medicamento de tumores malignos da cabeça e pescoço (espinocelulares) revelou elevada segurança, uma vez que os efeitos colaterais e adversos foram raros, não foram severos e revelaram-se de fácil controlo", sublinhou o oncologista cirúrgico Lúcio Lara Santos, do IPO. O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, a partir de 2010, pela empresa Luzitin, que nasceu a partir da Bluepharma, farmacêutica que produz medicamentos para mais de 100 marcas, exportando 85% da sua produção para 40 territórios, entre os mais exigentes do mercado. Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já "não existiam soluções terapêuticas", explicou Sérgio Simões, presidente da Luzitin, em declarações à agência Lusa. "O ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos", frisou. O presidente da Luzitin salienta ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Antes de chegar ao mercado, o medicamento vai passar ainda por uma nova fase de ensaios com um grupo de doentes maior e depois, segundo Sérgio Simões, é necessário encontrar parceiros para financiarem o investimento para a sua produção. O responsável farmacêutico disse ainda que a Redaporfin pode ser usado como tratamento do cancro das vias biliares, tumor muito raro, mas extremamente severo e sem terapêutica. O medicamento vai também ser candidatado à Agência Europeia do Medicamento com o estatuto de "medicamento órfão". "Chama-se medicamento órfão porque vai dar resposta a uma necessidade que não está colmatada. É uma mais-valia e vamos investir nesta área e utilizar as 'vias-verdes' para as doenças raras para dar um salto importante e fazer o medicamento chegar o mais rapidamente ao mercado", sublinhou. Sérgio Simões prevê que, em 2020, o medicamento possa chegar ao mercado como terapêutica para os tumores das vias biliares. Lúcio Lara Santos, por outro lado, adiantou que o "efeito antitumoral observado foi muito rápido, destruiu a totalidade do tumor tratado e que este efeito parece ser sustentado ao longo do tempo", salientando que "a sua associação a outros tipos de tratamentos sistémicos parece ser também promissor". "Adicionalmente, a aplicação deste tratamento em doentes com outro tipo de tumores com prognóstico muito desfavorável, como o colangiocarcinoma, poderá conduzir a ganhos muito significativos para os doentes em termos de qualidade de vida e de sobrevivência", acrescentou. Perante os resultados obtidos, Lúcio Lara Santos considera que há razões científicas para que a comunidade envolvida no estudo e tratamento destes tumores venha a integrar esta opção terapêutica no protocolo de tratamento destes tumores. Segundo o especialista, posteriormente, será conduzido um novo ensaio clínico num número de doentes mais alargado, "o que permitirá definitivamente demonstrar o valor e os benefícios da terapia fotodinâmica com Redaporfin em oncologia".



Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço. Por Lusa|09:00 partilhe 2240 0 Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Foto Pedro Catarino 2240 0 O primeiro medicamento oncológico português mostrou resultados significativos no ensaio clínico de prova de conceito e foi assim dado um passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço, disse esta quarta-feira o responsável pelo ensaio. Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, responsável pelo ensaio clínico do primeiro medicamento oncológico português, explicou à agência Lusa que este passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço abre a possibilidade de tratamento para outros tumores sólidos. A primeira fase do ensaio decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e Hospital da CUF, com um grupo de doentes voluntários e com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antitumoral (eficácia) da Redaporfin, um fármaco fotossensibilizador produzido em Portugal que tinha demonstrado já uma grande eficácia em ensaios não clínicos em modelos animais. "Verificámos que o tratamento com este medicamento de tumores malignos da cabeça e pescoço (espinocelulares) revelou elevada segurança, uma vez que os efeitos colaterais e adversos foram raros, não foram severos e revelaram-se de fácil controlo", sublinhou o oncologista cirúrgico Lúcio Lara Santos, do IPO. O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, a partir de 2010, pela empresa Luzitin, que nasceu a partir da Bluepharma, farmacêutica que produz medicamentos para mais de 100 marcas, exportando 85% da sua produção para 40 territórios, entre os mais exigentes do mercado. Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já "não existiam soluções terapêuticas", explicou Sérgio Simões, presidente da Luzitin, em declarações à agência Lusa. "O ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos", frisou. O presidente da Luzitin salienta ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Antes de chegar ao mercado, o medicamento vai passar ainda por uma nova fase de ensaios com um grupo de doentes maior e depois, segundo Sérgio Simões, é necessário encontrar parceiros para financiarem o investimento para a sua produção. O responsável farmacêutico disse ainda que a Redaporfin pode ser usado como tratamento do cancro das vias biliares, tumor muito raro, mas extremamente severo e sem terapêutica. O medicamento vai também ser candidatado à Agência Europeia do Medicamento com o estatuto de "medicamento órfão". "Chama-se medicamento órfão porque vai dar resposta a uma necessidade que não está colmatada. É uma mais-valia e vamos investir nesta área e utilizar as 'vias-verdes' para as doenças raras para dar um salto importante e fazer o medicamento chegar o mais rapidamente ao mercado", sublinhou. Sérgio Simões prevê que, em 2020, o medicamento possa chegar ao mercado como terapêutica para os tumores das vias biliares. Lúcio Lara Santos, por outro lado, adiantou que o "efeito antitumoral observado foi muito rápido, destruiu a totalidade do tumor tratado e que este efeito parece ser sustentado ao longo do tempo", salientando que "a sua associação a outros tipos de tratamentos sistémicos parece ser também promissor". "Adicionalmente, a aplicação deste tratamento em doentes com outro tipo de tumores com prognóstico muito desfavorável, como o colangiocarcinoma, poderá conduzir a ganhos muito significativos para os doentes em termos de qualidade de vida e de sobrevivência", acrescentou. Perante os resultados obtidos, Lúcio Lara Santos considera que há razões científicas para que a comunidade envolvida no estudo e tratamento destes tumores venha a integrar esta opção terapêutica no protocolo de tratamento destes tumores. Segundo o especialista, posteriormente, será conduzido um novo ensaio clínico num número de doentes mais alargado, "o que permitirá definitivamente demonstrar o valor e os benefícios da terapia fotodinâmica com Redaporfin em oncologia".

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Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço. Por Lusa|09:00 partilhe 2240 0 Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Foto Pedro Catarino 2240 0 O primeiro medicamento oncológico português mostrou resultados significativos no ensaio clínico de prova de conceito e foi assim dado um passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço, disse esta quarta-feira o responsável pelo ensaio. Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, responsável pelo ensaio clínico do primeiro medicamento oncológico português, explicou à agência Lusa que este passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço abre a possibilidade de tratamento para outros tumores sólidos. A primeira fase do ensaio decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e Hospital da CUF, com um grupo de doentes voluntários e com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antitumoral (eficácia) da Redaporfin, um fármaco fotossensibilizador produzido em Portugal que tinha demonstrado já uma grande eficácia em ensaios não clínicos em modelos animais. "Verificámos que o tratamento com este medicamento de tumores malignos da cabeça e pescoço (espinocelulares) revelou elevada segurança, uma vez que os efeitos colaterais e adversos foram raros, não foram severos e revelaram-se de fácil controlo", sublinhou o oncologista cirúrgico Lúcio Lara Santos, do IPO. O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, a partir de 2010, pela empresa Luzitin, que nasceu a partir da Bluepharma, farmacêutica que produz medicamentos para mais de 100 marcas, exportando 85% da sua produção para 40 territórios, entre os mais exigentes do mercado. Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já "não existiam soluções terapêuticas", explicou Sérgio Simões, presidente da Luzitin, em declarações à agência Lusa. "O ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos", frisou. O presidente da Luzitin salienta ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Antes de chegar ao mercado, o medicamento vai passar ainda por uma nova fase de ensaios com um grupo de doentes maior e depois, segundo Sérgio Simões, é necessário encontrar parceiros para financiarem o investimento para a sua produção. O responsável farmacêutico disse ainda que a Redaporfin pode ser usado como tratamento do cancro das vias biliares, tumor muito raro, mas extremamente severo e sem terapêutica. O medicamento vai também ser candidatado à Agência Europeia do Medicamento com o estatuto de "medicamento órfão". "Chama-se medicamento órfão porque vai dar resposta a uma necessidade que não está colmatada. É uma mais-valia e vamos investir nesta área e utilizar as 'vias-verdes' para as doenças raras para dar um salto importante e fazer o medicamento chegar o mais rapidamente ao mercado", sublinhou. Sérgio Simões prevê que, em 2020, o medicamento possa chegar ao mercado como terapêutica para os tumores das vias biliares. Lúcio Lara Santos, por outro lado, adiantou que o "efeito antitumoral observado foi muito rápido, destruiu a totalidade do tumor tratado e que este efeito parece ser sustentado ao longo do tempo", salientando que "a sua associação a outros tipos de tratamentos sistémicos parece ser também promissor". "Adicionalmente, a aplicação deste tratamento em doentes com outro tipo de tumores com prognóstico muito desfavorável, como o colangiocarcinoma, poderá conduzir a ganhos muito significativos para os doentes em termos de qualidade de vida e de sobrevivência", acrescentou. Perante os resultados obtidos, Lúcio Lara Santos considera que há razões científicas para que a comunidade envolvida no estudo e tratamento destes tumores venha a integrar esta opção terapêutica no protocolo de tratamento destes tumores. Segundo o especialista, posteriormente, será conduzido um novo ensaio clínico num número de doentes mais alargado, "o que permitirá definitivamente demonstrar o valor e os benefícios da terapia fotodinâmica com Redaporfin em oncologia".

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Screenshot of kidney project video
 
A national research project is under way to create a small, surgically implanted, and free-standing bioartificial kidney to treat end stage renal disease (ESRD).
The bioartificial kidney will give ESRD patients new hope beyond the short-term solution of renal dialysis and the longer-term, but impermanent, solution of a living kidney transplant for which donor organs are limited.
As well, the bioartificial kidney is expected to save national health care dollars.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

CE4Blind: Conheça a aplicação que está a ser desenvolvida no Porto e que ajuda pessoas cegas


Uma plataforma digital móvel para auxiliar pessoas cegas, dando-lhes informações sobre o ambiente que as rodeia, pontos de interesse específicos e zonas consideradas perigosas, como passadeiras e escadas, está a ser desenvolvida por um instituto do Porto.
Este conjunto de tecnologias, criadas no âmbito do projeto CE4Blind, resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e a Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos.
O sistema integrado, composto por uma bengala eletrónica, uma aplicação móvel e um módulo de visão por computador, utilizadas em simultâneo ou individualmente, “explora formas de usar tecnologia para potenciar o aumento da autonomia de pessoas cegas” de uma maneira “não invasiva”, disse à Lusa o investigador do INESC TEC João Barroso.
“Esta aplicação permite a configuração de uma rede de sensores, a georreferenciação dos vários elementos e a inserção de informação relacionada com cada ponto de interesse (POI)”, explicou.
A bengala eletrónica permite a leitura de etiquetas RFID (identificação por radiofrequência) previamente instaladas em locais de interesse, como por exemplo junto a passadeiras, escadas ou outro tipo de locais de importância.
“As pessoas cegas podem utilizar estas bengalas da mesma forma como utilizam as tradicionais bengalas brancas, proporcionando-lhes uma utilização confortável e que, ao mesmo tempo, lhes dá informação e alertas sobre o ambiente que os rodeia”, comunicando por Bluetooth com o ‘software’ instalado no dispositivo móvel.
Como explica o investigador, a interação da aplicação com o utilizador é feita através de vibração e de voz, podendo este pedir e obter mais informação através de um ‘joystick’ incorporado na bengala.
O módulo de visão por computador permite a leitura de texto, reconhecimento de alguns objetos do dia-a-dia e ainda a validação visual da localização do utilizador, sempre num determinado local tenha sido feito um reconhecimento prévio do ambiente.
Funciona sem necessidade de ligação à Internet. No entanto, quando ‘online’, é possível aceder a outros recursos, nomeadamente capacidade de cálculo externa e o acesso a atualizações do sistema.
De acordo com João Barroso, este sistema “é extremamente útil em situações onde o utilizador pode ser colocado em perigo, como numa estação de caminhos-de-ferro, onde as pessoas cegas estão expostas a diferentes situações” (queda na via férrea, por exemplo) ou em ocasiões “mais simples, como a aproximação a escadas rolantes”.
Funciona em ambientes onde, previamente, foi instalada uma rede de sensores, nomeadamente etiquetas RFID identificando os POI e a respetiva informação inserida na base de dados.
“Não conhecemos, até ao momento, nenhum sistema que disponibilize às pessoas cegas, de forma integrada, um conjunto de tecnologias de interação fácil e com um nível elevado de informação, como é o caso do CE4BLIND”, indicou.
De acordo com o investigador, existem no mercado várias tecnologias que abordam este tema de forma fragmentada, como aplicações móveis para o reconhecimento de texto e até bengalas com outro tipo de sensores.
“Neste último caso, e pelo conhecimento que temos, não são utilizadas pela maioria das pessoas cegas por questões relacionadas com o seu peso, por não fornecerem informação de contexto e apenas indicarem a presença de obstáculos. Outro fator limitador da adoção destas bengalas é seu preço, geralmente elevado face ao benefício apresentado”, acrescentou.
Esta linha de investigação, que tem vindo a ser desenvolvida desde 2008, com início no projeto SmartVision, ao qual se seguiu o Blavigator e, finalmente, o CE4BLIND, foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
A este último projeto foi atribuído, recentemente, o prémio de Inclusão e Literacia Digital, da Rede TIC e Sociedade do Departamento para a Sociedade de Informação da FCT.
A equipa, constituída por seis investigadores e professores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e do INESC TEC e um bolseiro, pretende agora instalar um demonstrador desta tecnologia num espaço público, que permita a avaliação por um conjunto alargado de utilizadores cegos, durante “um grande” período de tempo.

Portugueses em projeto internacional para desenvolver novo tratamento contra cancro do fígado



Maria Filomena Botelho e José Guilherme Tralhão, docentes e investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), integram a equipa responsável pelo projeto “Radioterapia metabólica no colangiocarcinoma: da investigação básica à prática clínica”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil. 
 
créditos: AFP
 
O colangiocarcinoma é o segundo tumor primário do fígado e possui um mau prognóstico, sendo as opções terapêuticas conhecidas ineficazes na maioria dos casos. Torna-se necessário o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que visem a redução das taxas de mortalidade associadas a este cancro.
Neste contexto, e tendo em conta que a bomba de sódio e iodo possui uma sobre-expressão no colangiocarcinoma e é mediadora da captação de iodo em órgãos como a tiroide, os investigadores que integram o projeto financiado pretendem avaliar o potencial terapêutico do iodo 131 no colangiocarcinoma através de diversos modelos in vitro e in vivo, esperando vir a desenvolver uma nova estratégia para tratar o colangiocarcinoma com recurso à radioterapia metabólica.
O projeto de investigação, liderado por Ilka Boin da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, surge de uma parceria entre diversos grupos de investigação de Portugal e do Brasil que integram a Universidade de Coimbra (UC), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), a UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas (Brasil) e a FAMERP - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Brasil).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

PÚBLICO
Investigadores do Minho desenvolvem um GPS para detectar pedras nos rins

O procedimento usa dois sensores para descobrir onde está o cálculo renal em metade do tempo dos métodos habituais. Prevê-se que comece a ser aplicado em doentes a partir de 2017.
No Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), na Universidade do Minho, em Braga, foi desenvolvido um método para encontrar pedras nos rins com a ajuda de sensores. Estima-se que o novo método, que está a ser desenvolvido nos últimos anos, chegue ao Hospital de Braga em 2017.                                                                                          A pedra nos rins afecta cerca de 55 milhões de adultos na Europa, segundo dados de 2012 da Associação Europeia de Urologia (EAU, na sigla em inglês). E desde 1982 o número de pessoas afectadas duplicou. O que está a causar isso? As alterações no estilo de vida, que levaram ao aumento da obesidade e das síndromes metabólicas. A maioria dos afectados são homens, mas a mudança dos hábitos de vida também está a provocar mais cálculos renais nas mulheres, de acordo com a Associação Portuguesa de Urologia.                                                         “Na Europa, estima-se que cerca de 5% da população tenha litíase renal [presença de pedras nos rins]. Embora não existam estatísticas reais sobre a prevalência desta doença em Portugal, calcula-se que seja semelhante a outros países europeus, nomeadamente Espanha, onde a prevalência é de cerca de 5%”, indica-nos Emanuel Carvalho Dias, um dos urologistas do ICVS responsáveis pelo novo método de remoção de pedras nos rins.  Mas o que são estas pedras? São estruturas sólidas provocadas pela cristalização nos rins de minerais ou sais de ácidos. Depois, de formadas, podem manter-se no rim ou descer pelo tubo que faz uma ligação à bexiga, o uréter. Se em muitos casos a pedra desaparece sem qualquer intervenção, em cerca de 20% dos casos causa uma dor forte e tem de ser realizada uma cirurgia.                                                                                                      No método convencional, para se remover a pedra dos rins, é necessário usar uma agulha que atravessa a pele, assim como fazer radiografias. “Torna-se difícil conseguir picar o rim e tirar as pedras maiores”, diz ao PÚBLICO Emanuel Dias sobre as dificuldades encontradas numa cirurgia.                                                                                           Testes em porcos                                                                                                                   Como vai ser então utilizado o novo método? Depois de aplicar uma anestesia, usam-se dois sensores: um electromagnético, que funciona com ondas pulsadas de baixa frequência e que penetra no rim, e outro externo. O primeiro sensor é colocado dentro do rim através de um ureterorrenoscópio flexível, um instrumento que penetra na uretra, na bexiga e segue até ao rim. Por fim, este sensor interno emite um sinal vermelho, que e visível num ecrã assinalando assim o local onde deve ser feita a picada. Por fora, os médicos utilizam o segundo sensor, o externo, que está sempre a emitir um sinal verde. Quando os pontos dos dois sensores se interceptam, é então o momento de fazer a picada com a agulha.                                                                                                                     Para ajudá-los, os urologistas têm um sistema de navegação e o ecrã onde surgem os pontos a três dimensões obtidos pelos sensores. “É como se fosse o GPS da pedra nos rins”, afirma Emanuel Dias. Encontrada a pedra, é necessário destruí-la. Aqui o método passa a ser o tradicional e já conhecido: o processo ultra-sónico.                                         Neste novo método, além de se simplificar o processo de remoção da pedra, pois o cálculo é detectado de forma precisa, o paciente não fica exposto aos raios X e também se evitam muitas hemorragias associadas à cirurgia. “Este é um método completamente novo”, afirma Emanuel Dias, que desenvolveu o trabalho em conjunto com os investigadores Estevão Lima e João Vilaça, também do ICVS.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Green Savers

Este comboio alemão é movido a energias renováveis e a bordo só são servidos alimentos orgânicos

locomore 
 
Quando comparado com outros meios de transporte, o comboio continua a ser dos veículos com menores emissões de gases de efeito estufa. A empresa alemã Locomore quis levar esta ideia ainda um pouco mais longe e criou um comboio que circula através de energias renováveis e que durante a viagem serve alimentos orgânicos aos passageiros.
Criado através de financiamento colectivo, este comboio amigo do ambiente teve a sua viagem inaugural há cerca de um mês e para já circula no trajecto Berlim-Estugarda, com paragens em Frankfurt e Hannover. Para garantir que o comboio é movido apenas com recurso a “energias limpas”, a Locomore assinou contracto com uma empresa de energias renováveis alemã, conseguindo assim o selo de “energia verde”.
Mais de 530 km separam Berlim e Estugarda, pelo que a empresa quis dotar o comboio de todas as funcionalidades para tornar a viagem agradável, mas tendo sempre a sustentabilidade como objectivo principal. Assim, todos os alimentos servidos a bordo são orgânicos e foram produzidos de forma justa, com os produtores a serem justamente compensados e com o produto a estar livre de mão-de-obra escrava.
Mas não é tudo. Na hora de escolher o lugar, há também várias opções ao dispor do viajante: carruagens para toda a família, carruagens onde o silêncio é sagrado e para manter, e carruagens onde podemos escolher o tema de conversa para debater com os nossos companheiros de viagem. Animais e bicicletas também são bem-vindos neste comboio amigo do ambiente. Um meio de transporte alternativo a descobrir aqui.
Foto: Locomore Facebook

Portugueses encontram nova forma de combater leucemia nas crianças

Shutterstock Jornal i 16/12/2016 
 
Os investigadores identificaram um composto químico, que está a ser testado no tratamento de um determinado cancro, que pode ser igualmente eficaz no combate contra um agressivo cancro no sangue, que se manifesta principalmente em crianças.
O tal composto químico está em fase de em ensaios clínicos, no tratamento do mieloma múltiplo (cancro da medula óssea).
http://cdn1.ionline.pt/media/2016/12/16/557877.jpg?type=artigo
A equipa liderada pelo cientista e investigador Bruno Silva-Santos descobriu que o uso deste composto químico pode ser eficaz no tratamento da leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T (cancro frequente em crianças). Os linfócitos T são um grupo de glóbulos brancos, células do sangue que estão responsáveis pela defesa do organismo contra agentes agressores. No caso da leucemia linfoblástica aguda de linfócitos T, estes linfócitos geram cancro.
O composto químico denominado de CX-4945 compromete o funcionamento de uma proteína-cinase, a CK2, que, de acordo com Bruno Silva, é um fator determinante para a sobrevivência dos linfócitos T.
Este composto mata os linfócitos T saudáveis mas também mata os “maus”, que geram a doença.
O composto CX-4945 foi testado num rato com o mesmo tipo de leucemia, tendo o grupo de cientistas conseguido impedir que o tumor crescesse mais.
O mais recente estudo no qual participou a equipa do investigador do IMM, João Taborda Barata, é publicada esta sexta-feira na revista científica Leukemia.
O estudo, no qual participou a equipa do investigador do IMM João Taborda Barata, é publicado hoje na revista científica Leukemia.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Portuguesa descobre como é que algumas células humanas resistem ao VIH/Sida

A cientista portuguesa Carla Ribeiro descobriu o mecanismo das células resistentes ao Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), denominadas “Langerhan cells” e que são as primeiras a interagirem com o vírus após contacto sexual. 
 
créditos: EPA/PIYAL ADHIKARY
 
O estudo, liderado pela portuguesa e publicado a 7 de dezembro na revista Nature, explica o mecanismo que torna determinadas células naturalmente resistentes ao VIH.
“Nestas células, o HIV-1 é destruído por um processo chamado autofagia, que ocorre dentro das células e é capaz de digerir micróbios como uma trituradora”, explicou, em comunicado, Carla Ribeiro, do departamento de Experimental Immunology do Academic Medical Center, em Amesterdão, Holanda.
Segundo a cientista, a autofagia é ativada nas “Langerhan cells”, que residem em diferentes tecidos humanos, incluindo vagina, prepúcio e intestino, “através da ação de um fator restritivo que é funcional apenas neste tipo de células”. “O mesmo fator restritivo não funciona noutras células, sendo estas por consequência infetadas com VIH”, explica Carla Ribeiro.
A descoberta, segundo o comunicado, vai permitir aos investigadores “desenvolver novos métodos preventivos contra o VIH, mas também destruir o vírus após a infeção”. “No entanto, é preciso haver mais investigação nesta área para que novas terapias possam ser desenvolvidas”, acrescenta.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Testes confirmam: o gigantesco reator de energia limpa infinita funciona

(dr) Max-Planck Institut für Plasmaphysik
O reator de fusão nuclear stellarator Wendelstein 7-X
O reator de fusão nuclear stellarator Wendelstein 7-X

No fim do ano passado, a Alemanha ligou um novo tipo massivo de reactor de fusão nuclear pela primeira vez, e conseguiu conter uma torrente quente de plasma de hélio. Mas desde então, uma grande questão surgiu – o dispositivo funciona mesmo como deveria?
Isso é muito importante quando se fala da máquina que pode um dia manter sob controle reacções de fusão nuclear  – e, felizmente, a resposta é sim.
Uma equipa de investigadores dos Estados Unidos e da Alemanha já confirmaram que o reactor W7-X, ou  Wendelstein 7-X Stellerator, está a produzir os poderosos campos magnéticos 3D que o projecto previu, e com uma “precisão sem precedentes”. Os investigadores determinaram que o reactor opera com uma taxa de erro inferior a uma em 100.000.
“Pelo que sabemos, esta é uma precisão sem precedentes, tanto em termos de engenharia como de construção de um dispositivo de fusão, bem como na medição da topologia magnética”, escrevem os investigadores num artigo publicado na revista Nature.
Isso é crucial, porque este campo magnético é a única coisa que consegue captar e manter sob controle bolas quentes de plasma por tempo suficiente para que a fusão nuclear ocorra.

Fusão nuclear: sonho ou realidade?

A fusão nuclear é uma das fontes mais promissoras de energia limpa. Com pouco mais do que água salgada, ela oferece energia ilimitada usando as mesmas reacções que acontecem no nosso Sol.
Ao contrário da fissão nuclear, que é alcançada pelas actuais centrais nucleares, que envolve a divisão do núcleo de um átomo em neutrões e núcleos menores, a fusão nuclear gera enormes quantidades de energia quando os átomos são fundidos juntos em temperaturas incrivelmente altas, e não produz resíduos radioactivos ou outros subprodutos.
(dr) C. Bickel / Science / IPP
Reator de fusão nuclear Stellarator Wendelstein 7-X
Reator de fusão nuclear Stellarator Wendelstein 7-X
Com base na longevidade do nosso Sol, a fusão nuclear também tem o potencial de fornecer energia à humanidade enquanto precisarmos – claro, se pudermos descobrir como aproveitar a reacção.
E isso é um grande ‘se’, porque os cientistas têm trabalhado no problema há mais de 60 anos, e ainda não conseguiram fazê-lo.
O principal desafio é que, para conseguir a fusão nuclear controlada, temos de realmente recriar as condições dentro do Sol. Isso significa construir uma máquina capaz de produzir e controlar uma bola de gás de plasma de 100 milhões de graus Celsius.

Campos magnéticos 3D

Como se pode imaginar, isso não é fácil. Mas há vários projectos de reactores de fusão nuclear em operação em todo o mundo neste momento, e o W 7-X é uma das tentativas mais promissoras.
Em vez de tentar controlar o plasma com apenas um campo magnético 2D, que é a abordagem utilizada pelos reatores tokamak mais comuns, o Stellerator funciona através da geração de campos magnéticos 3D.
Isso permite que os Stellerators controlem o plasma sem a necessidade de qualquer corrente eléctrica – da qual os tokamaks tradicionais dependem – o que os torna mais estáveis, porque podem continuar a funcionar mesmo que a corrente interna seja interrompida.
Bem, essa é pelo menos a ideia do projecto.
Apesar de a máquina ter controlado com sucesso o plasma de hélio em dezembro do ano passado, e de ter depois, em fevereiro, controlado o plasma de hidrogênio, mais desafiador, ninguém tinha até agora provado que o campo magnético estava realmente a funcionar como devia.
Para o fazer, uma equipa de investigadores do Departamento de Energia, dos EUA, e do Instituto Max Planck de Física de Plasma, na Alemanha, enviaram um feixe de electrões ao longo das linhas de campo magnético do reactor.
(dr) T. Sunn Pedersen et al / Max Planck Institute for Plasma Physics
Visualização experimental das linhas do campo magnético do reactor nuclear Wendelstein 7-X (identificadas com uma precisão nunca antes conseguida)
Visualização experimental das linhas do campo magnético do reactor nuclear Wendelstein 7-X (identificadas com uma precisão nunca antes conseguida)

Usando uma espécie de haste fluorescente, os cientistas percorreram essas linhas e criaram uma luz com o formato dos campos. O resultado, que se pode ver na imagem acima, mostra o tipo exacto de campos magnéticos retorcidos que deveriam existir.
“Confirmamos que a gaiola magnética que construímos funciona como projetada”, disse Sam Lazerson, do Laboratório de Física de Plasma de Princeton, do Departamento de Energia dos EUA, citado pelo Science Alert.
Apesar deste sucesso, o W 7-X não tem na realidade como objectivo gerar desde já electricidade de fusão nuclear – é simplesmente uma prova de conceito para mostrar que a ideia pode funcionar.
Em 2019, o reactor começará a usar deutério em vez de hidrogénio para produzir reacções de fusão reais dentro da máquina, mas não será capaz de gerar mais energia do que a que requer para funcionar. Isso é algo que só a próxima geração de stellerators superará, espera-se.
A tarefa acaba de começar”, explicam os investigadores.
O W 7-X está a competir oficialmente com o reator de tokamak ITER, da França. Ambos foram capazes de capturar o plasma por tempo suficiente para a fusão ocorrer.
A verdadeira questão agora é, qual dessas máquinas será a primeira a trazer-nos energia eficiente através da fusão nuclear? Mal podemos esperar para descobrir.
Não é algo que vai acontecer amanhã, mas é um momento incrivelmente emocionante para a fusão nuclear.
 ZAP / HypeScience