sábado, 7 de janeiro de 2017

KUDURA: o projeto-piloto português que dá luz e água potável no Quénia

O projeto-piloto no Quénia de uma empresa de Leiria permitiu, de acordo com estudos de impacto, o aumento em 180% do número de raparigas que frequentam a escola, assim como um incremento nas notas dos alunos, na sequência do estudo noturno.
"Fizemos um estudo de impacto social do nosso projeto-piloto em Sidonge, Quénia, que demonstrou o aumento do desenvolvimento e qualidade de vida neste país. Por exemplo, aumentou em 180% o número de raparigas a frequentarem a escola, devido à poupança financeira, 47% na melhoria das notas dos alunos devido à possibilidade de estudar à noite, fruto da iluminação instalada nas casas, contando ainda com zero casos de contágio de doenças nos consumidores de água potável proveniente do 'KUDURA'", adianta Vivian Vendeirinho, sócio-gerente da RVE.SOL.
A empresa foi uma das cinco pequenas e médias empresas (PME) inovadoras portuguesas que vão beneficiar de um investimento do programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia para a realização de estudos de viabilidade dos seus projetos em países europeus.
Nesta 1.ª fase do programa europeu, a RVE.SOL recebeu 50 mil euros para elaborar o estudo de viabilidade do projeto 'KUDURA' no contexto europeu, em países como Portugal, Espanha, Polónia e outros. Este projeto engloba um sistema que permite gerar energia elétrica, através de painéis fotovoltaicos, produzir biogás, a partir dos resíduos orgânicos de origem animal, e purificar água, transformando-a em água potável.
Segundo o empresário, um dos objetivos desta 'startup' é a "criação de condições onde se pode incentivar o desenvolvimento económico e social e dar oportunidade de criação de emprego e negócio nesses locais".
Aquele estudo permitiu ainda a economia de 75% do rendimento mensal por família, com o uso de lâmpadas em vez de lanternas de querosene, redução em 72% do uso de querosene, poupança média de duas horas por dia em deslocações para carregamentos das baterias dos telemóveis, 100% de aumento na produção de mandioca e 66% de aumento em redes mosquiteiras resultando na prevenção da malária.
Moçambique, Quénia e Tanzânia são os públicos-alvo da empresa, que se dedica ao desenvolvimento sustentável rural. Foi em 2010 que surgiu a ideia de utilizar um contentor como uma central que gerava energia para a comunidade, biogás para cozinhar e que permitia ainda a purificação e captação de água para consumo.
"O conceito do 'KUDURA' consiste no aproveitamento máximo dos recursos locais para a geração de energia e captação de água. Estamos focados nos projetos de sistemas fotovoltaicos e nos sistemas de produção de biogás, que se baseia no aproveitamento de resíduos orgânicos de origem animal, em conjunto com a purificação de água. Estas foram as soluções que submetemos ao Horizonte 2020", adiantou Vivian Vendeirinho.
Segundo explicou, a ideia é aproveitar as necessidades do mercado europeu, sendo o mercado alvo a suinicultura e bovinicultura, "pois produzem elevada quantidade de matéria orgânica que geralmente não é aproveitada, sendo mesmo atiradas fora e, em diversos casos, por vias ilegais".
O empresário recorda o caso de Leiria e as descargas na Ribeira dos Milagres por algumas suiniculturas: "Já realizámos testes nessa ribeira e é possível obter água 100% potável, através do processo de filtração de água, instalado no 'KUDURA'. Os estudos de viabilidade vão continuar até junho e vamos elaborar um plano de negócio, para submetermos a candidatura à 2.ª fase, cujo financiamento é de 2,5 milhões de euros".
O aproveitamento dessa matéria orgânica permitiria "reduzir o impacto ambiental e utilizar energia renovável". Além disso, "caso exista produção de energia elétrica em excesso esta pode ser injetada na rede elétrica nacional, de acordo com a legislação".
A REV.SOL conta com uma filial em Maputo onde está a desenvolver projetos de eletrificação rural. A empresa está direcionada para o desenvolvimento e gestão de sistemas, focando-se na venda da energia elétrica e de água, através de um sistema de pré-pagamento por telemóvel.
"Estamos a trabalhar num sistema de leitura, controlo e pré-pagamento de energia. Devido às condições de vida, no contexto africano tem-se uma visão a curto prazo, sendo, por isso, de extrema importância, este conceito de negócio, que se baseia no pré-pagamento, onde não há uma conta para pagar ao final do mês", explicou Vivian Vendeirinho.
O responsável acrescentou que neste modelo "compra-se o serviço com um crédito", idêntico ao utilizado nas companhias de telecomunicações. "Quando o crédito acaba, já não há serviço. Juntámos esse conceito com a leitura e controlo de energia, o que assegura que o consumidor final só utiliza energia quando tiver crédito, evitando que fiquem faturas por pagar a longo prazo".

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

União Africana proíbe a mutilação genital de meninas

Também chamada de circuncisão feminina, o procedimento é considerado cruel e comum em países africanos.

Instrumentos utilizados na mutilação genital de meninas
Instrumentos utilizados na mutilação genital de meninas
Uma das práticas culturais mais antigas e cruéis do mundo, a mutilação genital de meninas, foi proibida pela União Africana. O órgão, que conta com 54 países, também deve iniciar ações para que líderes locais entendam a gravidade do procedimento. Roger Dang, presidente da União Africana fez um apelo aos homens do continente, para que se posicionem contra a circuncisão feminina, um ato que ele classifica como sendo “uma grave violação dos #Direitos Humanos”.
Também chamada de ablação feminina, o procedimento é comum em comunidades que vivem na África, Ásia e Oriente Médio, porém, a incidência maior se dá em aproximadamente 26 países africanos. Dados apontam que entre 70 e 200 milhões de meninas com menos de 15 anos que vivem no continente passaram pela mutilação. Na Somália, 98% das meninas foram vítimas da mutilação genital. O segundo lugar nesse ranking infeliz é ocupado por Gambia, onde a mutilação ocorre em 75% das crianças do sexo feminino.

O que é a mutilação genital feminina

O procedimento tem como objetivo controlar o corpo e a sexualidade das mulheres e para alcançar tal objetivo, uma espécie de “ritual” é realizada. Durante o procedimento, a menina – cuja idade varia entre 4 a 15 anos – é amarrada, ou então segurada com força por familiares, para evitar que ela se debata ou fuja.
A partir de então, se inicia o que podemos chamar de tortura: com uma lâmina ou tesoura é retirado de forma parcial ou total os genitais externos das garotas. Sem nenhum tipo de anestesia, o clitóris é retirado, e muitas vezes também são cortados fora os grandes e pequenos lábios.
Como o procedimento é feito sem assepsia, em locais inadequados e com instrumentos que não passaram por esterilização, os riscos à #Saúde e infecções são muito comuns. Além disso, também são comuns hemorragias, que podem levar as garotas à morte poucos dias após passarem pela mutilação. As que sobrevivem não têm mais sorte por causa disso. Acabam desenvolvendo danos psicológicos profundos, além de sofrerem com dores para o resto da vida.
Quem vive nos países onde a prática é comum, precisa aprender a lidar com as barreiras culturais que impedem que sua extinção. Quem se posiciona contra, é acusado de rejeitar seu povo, sua família e sua identidade cultural. A União Africana espera que, com a força dos líderes do continente, essa mentalidade mude, garantindo que as meninas não tenham mais que passar pela mutilação. #É Manchete!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Primeiro medicamento oncológico português testado 
com sucesso 
Passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço.

 Por Lusa|Foto Pedro Catarino 

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O primeiro medicamento oncológico português mostrou resultados significativos no ensaio clínico de prova de conceito e foi assim dado um passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço, disse esta quarta-feira o responsável pelo ensaio. Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, responsável pelo ensaio clínico do primeiro medicamento oncológico português, explicou à agência Lusa que este passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço abre a possibilidade de tratamento para outros tumores sólidos. A primeira fase do ensaio decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e Hospital da CUF, com um grupo de doentes voluntários e com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antitumoral (eficácia) da Redaporfin, um fármaco fotossensibilizador produzido em Portugal que tinha demonstrado já uma grande eficácia em ensaios não clínicos em modelos animais. "Verificámos que o tratamento com este medicamento de tumores malignos da cabeça e pescoço (espinocelulares) revelou elevada segurança, uma vez que os efeitos colaterais e adversos foram raros, não foram severos e revelaram-se de fácil controlo", sublinhou o oncologista cirúrgico Lúcio Lara Santos, do IPO. O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, a partir de 2010, pela empresa Luzitin, que nasceu a partir da Bluepharma, farmacêutica que produz medicamentos para mais de 100 marcas, exportando 85% da sua produção para 40 territórios, entre os mais exigentes do mercado. Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já "não existiam soluções terapêuticas", explicou Sérgio Simões, presidente da Luzitin, em declarações à agência Lusa. "O ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos", frisou. O presidente da Luzitin salienta ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Antes de chegar ao mercado, o medicamento vai passar ainda por uma nova fase de ensaios com um grupo de doentes maior e depois, segundo Sérgio Simões, é necessário encontrar parceiros para financiarem o investimento para a sua produção. O responsável farmacêutico disse ainda que a Redaporfin pode ser usado como tratamento do cancro das vias biliares, tumor muito raro, mas extremamente severo e sem terapêutica. O medicamento vai também ser candidatado à Agência Europeia do Medicamento com o estatuto de "medicamento órfão". "Chama-se medicamento órfão porque vai dar resposta a uma necessidade que não está colmatada. É uma mais-valia e vamos investir nesta área e utilizar as 'vias-verdes' para as doenças raras para dar um salto importante e fazer o medicamento chegar o mais rapidamente ao mercado", sublinhou. Sérgio Simões prevê que, em 2020, o medicamento possa chegar ao mercado como terapêutica para os tumores das vias biliares. Lúcio Lara Santos, por outro lado, adiantou que o "efeito antitumoral observado foi muito rápido, destruiu a totalidade do tumor tratado e que este efeito parece ser sustentado ao longo do tempo", salientando que "a sua associação a outros tipos de tratamentos sistémicos parece ser também promissor". "Adicionalmente, a aplicação deste tratamento em doentes com outro tipo de tumores com prognóstico muito desfavorável, como o colangiocarcinoma, poderá conduzir a ganhos muito significativos para os doentes em termos de qualidade de vida e de sobrevivência", acrescentou. Perante os resultados obtidos, Lúcio Lara Santos considera que há razões científicas para que a comunidade envolvida no estudo e tratamento destes tumores venha a integrar esta opção terapêutica no protocolo de tratamento destes tumores. Segundo o especialista, posteriormente, será conduzido um novo ensaio clínico num número de doentes mais alargado, "o que permitirá definitivamente demonstrar o valor e os benefícios da terapia fotodinâmica com Redaporfin em oncologia".



Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço. Por Lusa|09:00 partilhe 2240 0 Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Foto Pedro Catarino 2240 0 O primeiro medicamento oncológico português mostrou resultados significativos no ensaio clínico de prova de conceito e foi assim dado um passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço, disse esta quarta-feira o responsável pelo ensaio. Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, responsável pelo ensaio clínico do primeiro medicamento oncológico português, explicou à agência Lusa que este passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço abre a possibilidade de tratamento para outros tumores sólidos. A primeira fase do ensaio decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e Hospital da CUF, com um grupo de doentes voluntários e com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antitumoral (eficácia) da Redaporfin, um fármaco fotossensibilizador produzido em Portugal que tinha demonstrado já uma grande eficácia em ensaios não clínicos em modelos animais. "Verificámos que o tratamento com este medicamento de tumores malignos da cabeça e pescoço (espinocelulares) revelou elevada segurança, uma vez que os efeitos colaterais e adversos foram raros, não foram severos e revelaram-se de fácil controlo", sublinhou o oncologista cirúrgico Lúcio Lara Santos, do IPO. O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, a partir de 2010, pela empresa Luzitin, que nasceu a partir da Bluepharma, farmacêutica que produz medicamentos para mais de 100 marcas, exportando 85% da sua produção para 40 territórios, entre os mais exigentes do mercado. Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já "não existiam soluções terapêuticas", explicou Sérgio Simões, presidente da Luzitin, em declarações à agência Lusa. "O ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos", frisou. O presidente da Luzitin salienta ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Antes de chegar ao mercado, o medicamento vai passar ainda por uma nova fase de ensaios com um grupo de doentes maior e depois, segundo Sérgio Simões, é necessário encontrar parceiros para financiarem o investimento para a sua produção. O responsável farmacêutico disse ainda que a Redaporfin pode ser usado como tratamento do cancro das vias biliares, tumor muito raro, mas extremamente severo e sem terapêutica. O medicamento vai também ser candidatado à Agência Europeia do Medicamento com o estatuto de "medicamento órfão". "Chama-se medicamento órfão porque vai dar resposta a uma necessidade que não está colmatada. É uma mais-valia e vamos investir nesta área e utilizar as 'vias-verdes' para as doenças raras para dar um salto importante e fazer o medicamento chegar o mais rapidamente ao mercado", sublinhou. Sérgio Simões prevê que, em 2020, o medicamento possa chegar ao mercado como terapêutica para os tumores das vias biliares. Lúcio Lara Santos, por outro lado, adiantou que o "efeito antitumoral observado foi muito rápido, destruiu a totalidade do tumor tratado e que este efeito parece ser sustentado ao longo do tempo", salientando que "a sua associação a outros tipos de tratamentos sistémicos parece ser também promissor". "Adicionalmente, a aplicação deste tratamento em doentes com outro tipo de tumores com prognóstico muito desfavorável, como o colangiocarcinoma, poderá conduzir a ganhos muito significativos para os doentes em termos de qualidade de vida e de sobrevivência", acrescentou. Perante os resultados obtidos, Lúcio Lara Santos considera que há razões científicas para que a comunidade envolvida no estudo e tratamento destes tumores venha a integrar esta opção terapêutica no protocolo de tratamento destes tumores. Segundo o especialista, posteriormente, será conduzido um novo ensaio clínico num número de doentes mais alargado, "o que permitirá definitivamente demonstrar o valor e os benefícios da terapia fotodinâmica com Redaporfin em oncologia".

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Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço. Por Lusa|09:00 partilhe 2240 0 Primeiro medicamento oncológico português testado com sucesso Foto Pedro Catarino 2240 0 O primeiro medicamento oncológico português mostrou resultados significativos no ensaio clínico de prova de conceito e foi assim dado um passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço, disse esta quarta-feira o responsável pelo ensaio. Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, responsável pelo ensaio clínico do primeiro medicamento oncológico português, explicou à agência Lusa que este passo assinalável no tratamento dos cancros da cabeça e pescoço abre a possibilidade de tratamento para outros tumores sólidos. A primeira fase do ensaio decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e Hospital da CUF, com um grupo de doentes voluntários e com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antitumoral (eficácia) da Redaporfin, um fármaco fotossensibilizador produzido em Portugal que tinha demonstrado já uma grande eficácia em ensaios não clínicos em modelos animais. "Verificámos que o tratamento com este medicamento de tumores malignos da cabeça e pescoço (espinocelulares) revelou elevada segurança, uma vez que os efeitos colaterais e adversos foram raros, não foram severos e revelaram-se de fácil controlo", sublinhou o oncologista cirúrgico Lúcio Lara Santos, do IPO. O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, a partir de 2010, pela empresa Luzitin, que nasceu a partir da Bluepharma, farmacêutica que produz medicamentos para mais de 100 marcas, exportando 85% da sua produção para 40 territórios, entre os mais exigentes do mercado. Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já "não existiam soluções terapêuticas", explicou Sérgio Simões, presidente da Luzitin, em declarações à agência Lusa. "O ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos", frisou. O presidente da Luzitin salienta ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Antes de chegar ao mercado, o medicamento vai passar ainda por uma nova fase de ensaios com um grupo de doentes maior e depois, segundo Sérgio Simões, é necessário encontrar parceiros para financiarem o investimento para a sua produção. O responsável farmacêutico disse ainda que a Redaporfin pode ser usado como tratamento do cancro das vias biliares, tumor muito raro, mas extremamente severo e sem terapêutica. O medicamento vai também ser candidatado à Agência Europeia do Medicamento com o estatuto de "medicamento órfão". "Chama-se medicamento órfão porque vai dar resposta a uma necessidade que não está colmatada. É uma mais-valia e vamos investir nesta área e utilizar as 'vias-verdes' para as doenças raras para dar um salto importante e fazer o medicamento chegar o mais rapidamente ao mercado", sublinhou. Sérgio Simões prevê que, em 2020, o medicamento possa chegar ao mercado como terapêutica para os tumores das vias biliares. Lúcio Lara Santos, por outro lado, adiantou que o "efeito antitumoral observado foi muito rápido, destruiu a totalidade do tumor tratado e que este efeito parece ser sustentado ao longo do tempo", salientando que "a sua associação a outros tipos de tratamentos sistémicos parece ser também promissor". "Adicionalmente, a aplicação deste tratamento em doentes com outro tipo de tumores com prognóstico muito desfavorável, como o colangiocarcinoma, poderá conduzir a ganhos muito significativos para os doentes em termos de qualidade de vida e de sobrevivência", acrescentou. Perante os resultados obtidos, Lúcio Lara Santos considera que há razões científicas para que a comunidade envolvida no estudo e tratamento destes tumores venha a integrar esta opção terapêutica no protocolo de tratamento destes tumores. Segundo o especialista, posteriormente, será conduzido um novo ensaio clínico num número de doentes mais alargado, "o que permitirá definitivamente demonstrar o valor e os benefícios da terapia fotodinâmica com Redaporfin em oncologia".

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Screenshot of kidney project video
 
A national research project is under way to create a small, surgically implanted, and free-standing bioartificial kidney to treat end stage renal disease (ESRD).
The bioartificial kidney will give ESRD patients new hope beyond the short-term solution of renal dialysis and the longer-term, but impermanent, solution of a living kidney transplant for which donor organs are limited.
As well, the bioartificial kidney is expected to save national health care dollars.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

CE4Blind: Conheça a aplicação que está a ser desenvolvida no Porto e que ajuda pessoas cegas


Uma plataforma digital móvel para auxiliar pessoas cegas, dando-lhes informações sobre o ambiente que as rodeia, pontos de interesse específicos e zonas consideradas perigosas, como passadeiras e escadas, está a ser desenvolvida por um instituto do Porto.
Este conjunto de tecnologias, criadas no âmbito do projeto CE4Blind, resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) e a Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos.
O sistema integrado, composto por uma bengala eletrónica, uma aplicação móvel e um módulo de visão por computador, utilizadas em simultâneo ou individualmente, “explora formas de usar tecnologia para potenciar o aumento da autonomia de pessoas cegas” de uma maneira “não invasiva”, disse à Lusa o investigador do INESC TEC João Barroso.
“Esta aplicação permite a configuração de uma rede de sensores, a georreferenciação dos vários elementos e a inserção de informação relacionada com cada ponto de interesse (POI)”, explicou.
A bengala eletrónica permite a leitura de etiquetas RFID (identificação por radiofrequência) previamente instaladas em locais de interesse, como por exemplo junto a passadeiras, escadas ou outro tipo de locais de importância.
“As pessoas cegas podem utilizar estas bengalas da mesma forma como utilizam as tradicionais bengalas brancas, proporcionando-lhes uma utilização confortável e que, ao mesmo tempo, lhes dá informação e alertas sobre o ambiente que os rodeia”, comunicando por Bluetooth com o ‘software’ instalado no dispositivo móvel.
Como explica o investigador, a interação da aplicação com o utilizador é feita através de vibração e de voz, podendo este pedir e obter mais informação através de um ‘joystick’ incorporado na bengala.
O módulo de visão por computador permite a leitura de texto, reconhecimento de alguns objetos do dia-a-dia e ainda a validação visual da localização do utilizador, sempre num determinado local tenha sido feito um reconhecimento prévio do ambiente.
Funciona sem necessidade de ligação à Internet. No entanto, quando ‘online’, é possível aceder a outros recursos, nomeadamente capacidade de cálculo externa e o acesso a atualizações do sistema.
De acordo com João Barroso, este sistema “é extremamente útil em situações onde o utilizador pode ser colocado em perigo, como numa estação de caminhos-de-ferro, onde as pessoas cegas estão expostas a diferentes situações” (queda na via férrea, por exemplo) ou em ocasiões “mais simples, como a aproximação a escadas rolantes”.
Funciona em ambientes onde, previamente, foi instalada uma rede de sensores, nomeadamente etiquetas RFID identificando os POI e a respetiva informação inserida na base de dados.
“Não conhecemos, até ao momento, nenhum sistema que disponibilize às pessoas cegas, de forma integrada, um conjunto de tecnologias de interação fácil e com um nível elevado de informação, como é o caso do CE4BLIND”, indicou.
De acordo com o investigador, existem no mercado várias tecnologias que abordam este tema de forma fragmentada, como aplicações móveis para o reconhecimento de texto e até bengalas com outro tipo de sensores.
“Neste último caso, e pelo conhecimento que temos, não são utilizadas pela maioria das pessoas cegas por questões relacionadas com o seu peso, por não fornecerem informação de contexto e apenas indicarem a presença de obstáculos. Outro fator limitador da adoção destas bengalas é seu preço, geralmente elevado face ao benefício apresentado”, acrescentou.
Esta linha de investigação, que tem vindo a ser desenvolvida desde 2008, com início no projeto SmartVision, ao qual se seguiu o Blavigator e, finalmente, o CE4BLIND, foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
A este último projeto foi atribuído, recentemente, o prémio de Inclusão e Literacia Digital, da Rede TIC e Sociedade do Departamento para a Sociedade de Informação da FCT.
A equipa, constituída por seis investigadores e professores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e do INESC TEC e um bolseiro, pretende agora instalar um demonstrador desta tecnologia num espaço público, que permita a avaliação por um conjunto alargado de utilizadores cegos, durante “um grande” período de tempo.

Portugueses em projeto internacional para desenvolver novo tratamento contra cancro do fígado



Maria Filomena Botelho e José Guilherme Tralhão, docentes e investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), integram a equipa responsável pelo projeto “Radioterapia metabólica no colangiocarcinoma: da investigação básica à prática clínica”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil. 
 
créditos: AFP
 
O colangiocarcinoma é o segundo tumor primário do fígado e possui um mau prognóstico, sendo as opções terapêuticas conhecidas ineficazes na maioria dos casos. Torna-se necessário o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que visem a redução das taxas de mortalidade associadas a este cancro.
Neste contexto, e tendo em conta que a bomba de sódio e iodo possui uma sobre-expressão no colangiocarcinoma e é mediadora da captação de iodo em órgãos como a tiroide, os investigadores que integram o projeto financiado pretendem avaliar o potencial terapêutico do iodo 131 no colangiocarcinoma através de diversos modelos in vitro e in vivo, esperando vir a desenvolver uma nova estratégia para tratar o colangiocarcinoma com recurso à radioterapia metabólica.
O projeto de investigação, liderado por Ilka Boin da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, surge de uma parceria entre diversos grupos de investigação de Portugal e do Brasil que integram a Universidade de Coimbra (UC), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), a UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas (Brasil) e a FAMERP - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Brasil).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

PÚBLICO
Investigadores do Minho desenvolvem um GPS para detectar pedras nos rins

O procedimento usa dois sensores para descobrir onde está o cálculo renal em metade do tempo dos métodos habituais. Prevê-se que comece a ser aplicado em doentes a partir de 2017.
No Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), na Universidade do Minho, em Braga, foi desenvolvido um método para encontrar pedras nos rins com a ajuda de sensores. Estima-se que o novo método, que está a ser desenvolvido nos últimos anos, chegue ao Hospital de Braga em 2017.                                                                                          A pedra nos rins afecta cerca de 55 milhões de adultos na Europa, segundo dados de 2012 da Associação Europeia de Urologia (EAU, na sigla em inglês). E desde 1982 o número de pessoas afectadas duplicou. O que está a causar isso? As alterações no estilo de vida, que levaram ao aumento da obesidade e das síndromes metabólicas. A maioria dos afectados são homens, mas a mudança dos hábitos de vida também está a provocar mais cálculos renais nas mulheres, de acordo com a Associação Portuguesa de Urologia.                                                         “Na Europa, estima-se que cerca de 5% da população tenha litíase renal [presença de pedras nos rins]. Embora não existam estatísticas reais sobre a prevalência desta doença em Portugal, calcula-se que seja semelhante a outros países europeus, nomeadamente Espanha, onde a prevalência é de cerca de 5%”, indica-nos Emanuel Carvalho Dias, um dos urologistas do ICVS responsáveis pelo novo método de remoção de pedras nos rins.  Mas o que são estas pedras? São estruturas sólidas provocadas pela cristalização nos rins de minerais ou sais de ácidos. Depois, de formadas, podem manter-se no rim ou descer pelo tubo que faz uma ligação à bexiga, o uréter. Se em muitos casos a pedra desaparece sem qualquer intervenção, em cerca de 20% dos casos causa uma dor forte e tem de ser realizada uma cirurgia.                                                                                                      No método convencional, para se remover a pedra dos rins, é necessário usar uma agulha que atravessa a pele, assim como fazer radiografias. “Torna-se difícil conseguir picar o rim e tirar as pedras maiores”, diz ao PÚBLICO Emanuel Dias sobre as dificuldades encontradas numa cirurgia.                                                                                           Testes em porcos                                                                                                                   Como vai ser então utilizado o novo método? Depois de aplicar uma anestesia, usam-se dois sensores: um electromagnético, que funciona com ondas pulsadas de baixa frequência e que penetra no rim, e outro externo. O primeiro sensor é colocado dentro do rim através de um ureterorrenoscópio flexível, um instrumento que penetra na uretra, na bexiga e segue até ao rim. Por fim, este sensor interno emite um sinal vermelho, que e visível num ecrã assinalando assim o local onde deve ser feita a picada. Por fora, os médicos utilizam o segundo sensor, o externo, que está sempre a emitir um sinal verde. Quando os pontos dos dois sensores se interceptam, é então o momento de fazer a picada com a agulha.                                                                                                                     Para ajudá-los, os urologistas têm um sistema de navegação e o ecrã onde surgem os pontos a três dimensões obtidos pelos sensores. “É como se fosse o GPS da pedra nos rins”, afirma Emanuel Dias. Encontrada a pedra, é necessário destruí-la. Aqui o método passa a ser o tradicional e já conhecido: o processo ultra-sónico.                                         Neste novo método, além de se simplificar o processo de remoção da pedra, pois o cálculo é detectado de forma precisa, o paciente não fica exposto aos raios X e também se evitam muitas hemorragias associadas à cirurgia. “Este é um método completamente novo”, afirma Emanuel Dias, que desenvolveu o trabalho em conjunto com os investigadores Estevão Lima e João Vilaça, também do ICVS.