Nova Zelândia: micropartículas de plástico têm os dias contados já a partir de 2018
Depois do Canadá, EUA e Reino
Unido, agora é a vez da Nova Zelândia se juntar ao movimento que defende
a proibição de utilização de micropartículas de plástico em produtos de
higiene pessoal e cosméticos.
A entrada em vigor desta medida está agendada para 1 de Julho de
2018, com a proibição das micropartículas de plástico – minúsculas
partículas de polietileno ou de polipropileno usadas em produtos do
nosso dia-a-dia, como esfoliantes, gel de duche, pasta de dentes, batons
e tantos, tantos outros- a estar mais perto de ser uma realidade.
Para se ter a verdadeira noção do impacto que a utilização continuada
destes produtos provoca no meio ambiente, importa saber que perto de
100 mil micropartículas de plástico entram na rede de cada vez que
tomamos banho com um destes produtos e beleza.
E se a quantidade de microplásticos a entrar no circuito já seria
enorme motivo de preocupação, a situação piora quando está provado que
estas partículas poluidoras de tamanho microscópio conseguem passar
pelos filtros alojados nas estações de tratamento de águas residuais.
Resultado? As micropartículas entram assim nos rios e oceanos, sendo
confundidas frequentemente por comida, o que provoca sérios riscos na
biodiversidade aquática.
A implementação da medida está agendada para meados do próximo ano,
com as autoridades da Nova Zelândia a informarem que, em caso de
incumprimento, haverá lugar a multas que podem ascender aos 65 mil
euros.
Foto: via Creative Commons
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Vacina desenvolvida no Porto previne meningite, pneumonia e morte por choque séptico
28abr2017
Investigadores
do Porto desenvolveram uma vacina que ajuda a prevenir ao mesmo tempo
infeções bacterianas que causam doenças como meningite, pneumonia,
septicemia (infeção na corrente sanguínea) e, nos casos mais críticos,
morte por choque séptico.
As
bactérias que originam essas patologias ('Klebsiella pneumoniae',
'Escherichia coli', 'Estreptococus' do Grupo B, 'Streptococcus
pneumoniae' e 'Staphylococcus aureus') são estirpes muito resistentes e
causam "um enorme problema para a saúde pública", disse à Lusa o
investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da
Universidade do Porto, Pedro Madureira.
"A partir do momento que
essas bactérias infetam o hospedeiro [indivíduo], são capazes de
libertar uma molécula (uma proteína designada de GAPDH)", que as torna
"invisíveis" ao sistema imunológico, "impedindo assim o início de uma
resposta imune", explicou o cientista, um dos fundadores da empresa
Immunethep, responsável pela criação da vacina.
Sem uma resposta
adequada do nosso sistema imune, continua Pedro Madureira, as bactérias
"rapidamente proliferam" na corrente sanguínea e nos órgãos infetados,
podendo levar às tais patologias, consideradas "bastante severas".
"Embora
esta vacina seja destinada a todas as pessoas", existem indivíduos nos
quais a "incidência desse tipo de infeções é maior", como os
recém-nascidos, os idosos, os portadores de diabetes do tipo I, os
pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas invasivas (operações ao
coração ou à espinal medula) ou com doença pulmonar obstrutiva, por
exemplo.
O investigador considera que
esta vacina é "inovadora", visto que, ao invés de induzir uma resposta
imune (produção de anticorpos) contra a bactéria em si, induz sim uma
resposta que neutraliza uma única molécula (GAPDH), libertada pelas
bactérias, permitindo ao sistema imune controlar as diferentes infeções.
A
vacina, que já passou por ensaios laboratoriais com ratos e coelhos,
vai passar à fase dos ensaios clínicos no último trimestre de 2017,
prevê o investigador.
Este foi um dos projetos apresentados hoje,
no i3S, um dos institutos de investigação que participa nas comemorações
do Dia Internacional da Imunologia, evento organizado pela Sociedade
Portuguesa de Imunologia (SPI).
A iniciativa, que no Porto
finaliza por volta das 17:00, conta com palestras e um conjunto de
atividades, que pretendem dar a conhecer aos alunos do ensino secundário
a investigação desenvolvida na área da Imunologia.
De acordo com
Pedro Madureira, para além da vacina, a Immunethep está a desenvolver
uma forma de terapia baseada em anticorpos monoclonais, que neutralizam a
proteína GAPDH, podendo ser usados em pessoas já infetadas e para as
quais não há tempo para vacinação.
"Estes anticorpos têm a
vantagem, em relação à vacina, de atuaram muito rápido e a desvantagem
de não induzirem "memória imunológica"", que está associada à capacidade
do nosso sistema imune de, após um primeiro contacto com um agente estranho, conseguir "desencadear uma resposta muito mais rápida e eficiente", explicou.
Durante
a apresentação no i3S, Pedro Madureira falou também sobre a importância
e a história das vacinas, de forma a "desmistificar" algumas incertezas
sobre a vacinação e, ainda, sobre esta ter sido a "grande conquista da
imunologia e da medicina".
Questionado sobre tal, Pedro Madureira
acredita que grande parte da polémica atual relacionada com a vacinação
deve-se à "má informação" ou ao "pouco esclarecimento" que se tem sobre o
tema, daí a necessidade de se transmitir uma informação "clara e
precisa" quando se "fala publicamente" acerca deste assunto.
A vacina "é algo que funciona", sendo esta a abordagem clínica que "melhores resultados trouxe para a humanidade".
Apesar
de compreender os casos em que os indivíduos não podem ser vacinados
(devido à uma resposta alérgica), se "todas as outras pessoas estivessem
vacinadas e não houvesse movimentos anti vacinas", estes estariam
seguros porque não haveria forma de transmitir a doença, concluiu.
O
Instituto de Medicina Molecular (iMM), de Lisboa, o Instituto
Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, o Centro de Neurociências e
Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra, a Universidade de
Aveiro e o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS)
da Universidade do Minho são as outras cinco entidades envolvidas nas
comemorações do Dia Internacional da Imunologia.
terça-feira, 25 de abril de 2017
Cientistas portugueses desenvolvem gama de materiais “verdes” para a indústria
A procura de uma solução para o
plástico não biodegradável e para os resíduos gerados pela indústria da
madeira juntou investigadores das Universidades de Coimbra (UC) e Aveiro
(UA) e do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) no projeto C-TEC,
promovido pelo grupo empresarial Vangest.
Neste projecto, uma equipa liderada por Filipe Antunes, da Faculdade
de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu
uma gama de materiais compósitos biodegradáveis a partir da combinação
de diversos plásticos com fibras vegetais (serradura de pinho e fibras
de celulose extraídas da madeira) para aplicação em diversos sectores de
actividade.
Materiais compósitos são materiais que resultam da combinação de dois
ou mais produtos com propriedades individuais incompatíveis. É o caso
dos produtos utilizados nesta investigação, desenvolvida no âmbito de um
projecto financiado pelo QREN – Quadro de Referência Estratégica
nacional. Por exemplo, os plásticos têm propriedades hidrofóbicas
enquanto a madeira tem características hidrofílicas.
Então, como compatibilizar estes dois materiais tão diferentes? “Esse
foi um grande problema que tivemos de ultrapassar. O segredo está em
modificar as propriedades de ambos os materiais e obter um produto amigo
do ambiente e a um preço de mercado competitivo”, desvenda Filipe
Antunes.
Assim, “para compatibilizar estes materiais, utilizámos diversas
estratégias como a introdução de aditivos com carácter misto, capazes de
fazer a ponte entre as duas naturezas radicalmente opostas,
nomeadamente polímeros modificados que se entrelaçam com a matriz do
compósito e reagem com as fibras”, descreve.
“Fizemos também modificações na superfície das fibras vegetais,
revestindo-as com moléculas hidrofóbicas, conferindo deste modo uma
maior afinidade das fibras com a matriz”, acrescenta Gabriela Martins,
investigadora da equipa da UC.
Depois de modificadas as propriedades de cada um dos materiais,
seguiram-se vários estudos e experiências “até conseguir as formulações
certas para os fins desejados, garantindo todas as propriedades térmicas
e mecânicas, isto é, a resistência necessária para aplicações
industriais diversas”, clarifica o investigador do Departamento de
Química da FCTUC.
No âmbito do estudo foram produzidos protótipos para aplicação, por
exemplo, na indústria automóvel, embalagem, jardinagem e sistemas de
sombreamento em prédios.
Foto: via Creative Commons
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Investigadores demonstram forma de evoluir de gene que resiste a antibióticos
Investigadores
portugueses demonstraram a forma de evoluir do gene que permite às
bactérias resistirem aos medicamentos, segundo um estudo hoje publicado
na revista científica PLOS Genetics.
O trabalho, do Instituto de
Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova,
mostra como o gene evoluiu, os mecanismos envolvidos e o número de vezes
que a resistência emergiu de forma independente, explica o organismo em
comunicado.
O Instituto lembra a capacidade de as bactérias se
tornarem resistentes aos antibióticos, o que acontece pela aquisição de
um gene, o mecA, que evoluiu de um gene inofensivo e “cuja presença
permite às bactérias continuarem a multiplicar-se mesmo na presença
deste antibiótico”.
O trabalho “demonstra que o uso de
antibióticos no tratamento de infeções e como aditivos na alimentação de
animais de produção para consumo humano” foi o que mais contribuiu
“para a evolução do gene inofensivo para a versão que permite resistir
aos antibióticos”.
“O objetivo deste estudo foi o de identificar
os passos do processo de evolução que permitiram que um gene inofensivo
em bactérias as tornasse resistentes aos antibióticos da família das
penicilinas”, disse Maria Miragaia, a investigadora responsável pelo
projeto e que, citada no comunicado, sublinha a importância do controlo
no uso de antibióticos para limitar e prevenir novos genes de
resistência.
O trabalho foi feito em colaboração entre a Nova e instituições suíças, dinamarquesas, inglesas e norte-americanas.
Existe uma lagarta capaz de decompor sacos de plástico.
Frederica Bertocchini, do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia de
Cantábria, em Espanha,descobriu que as larvas que se alimentam da cera
das colmeias também comiam plástio.
A descoberta foi feita numa altura em que estaria a limpar as larvas
que vivem como parasitas da cera de abelha de uma das sua colmeias.
Colocou-as dentro de um saco de plástico e, pouco tempo depois, reparou
que surgiram pequenos buracos no mesmo.
A cientista testou colocar 100 lagartas num saco de supermercado e
verificou que começaram a surgir pequenos buracos ao fim de 40 minutos.
"Se uma única enzima for responsável por este processo químico, a sua
reprodução em grande escala com métodos biotecnológicos deverá ser
possível", afirmou Paolo Bombelli, da Universidade britânica de
Cambridge e o principal autor do estudo divulgado na publicação
especializada Current Biology.
Esta poderá ser assim uma maneira de poder combater a poluição com plástico, um dos materiais mais difíceis de se decompor.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Menino com paralisia cerebral recupera totalmente através de terapia com sangue do cordão umbilical
Um transplante autólogo - um
procedimento que se caracteriza pela utilização de células do próprio
paciente - com recurso a sangue do cordão umbilical permitiu a uma
criança dos Estados Unidos recuperar totalmente de uma anemia aplástica.
créditos: Pixabay
Durante o quinto mês de gravidez, a
mãe de Tomas foi diagnosticada com pré-eclâmpsia, o que a forçou a ficar
em repouso absoluto durante o resto da gravidez. Na 31.ª semana o
batimento cardíaco do bebé começou a decrescer devido a uma contorção
dupla no cordão umbilical. Nesta altura, os médicos tiveram de
desencadear um processo de maturação dos pulmões do bebé de modo a
poderem realizar uma cesariana de emergência.
Após o nascimento,
Tomas teve de ser colocado numa incubadora nos cuidados intensivos
neonatais porque os médicos verificaram que os pulmões não estavam
suficientemente desenvolvidos. Nos dias que se seguiram ao parto, a
incubadora à qual Tomas estava ligado apresentou uma anomalia, cortando o
fornecimento de oxigénio. A falta de oxigénio causou uma paralisia
cerebral espástica à criança.
Após a realização dos testes necessários ao sangue de cordão
criopreservado, armazenado num laboratório familiar, com o objetivo de
garantir que as células reuniam todas as condições para ser utilizadas,
as mesmas foram enviadas para o Hospital da Universidade de Duke nos
Estados Unidos.
Tomas foi inscrito no ensaio clínico para
paralisia cerebral espástica liderado pela Dra. Joanne Kurtzberg,
pioneira na transplantação de células estaminais do sangue de cordão
umbilical.
Tomas participou neste estudo durante um período de 3
anos. Alguns pacientes do estudo receberam as suas próprias células
estaminais do sangue de cordão no início do mesmo. O grupo de controlo
recebeu o mesmo transplante um ano depois.
Durante este período
de tempo, todas as evoluções relevantes foram registadas. Hoje, Tomas
tem uma qualidade de vida semelhante a outras crianças de 5 anos. Apesar
do diagnóstico inicial, Tomas pode agora andar e jogar à bola.
Fala
duas línguas e frequenta a escola. A mãe ainda se recorda do tempo em
que os médicos lhe disseram que o seu filho não seria capaz de andar ou
falar. Os médicos disseram-lhe que Tomas não seria capaz de realizar as
atividades que hoje em dia fazem parte da sua realidade.
"Mais
uma vez o recurso às células estaminais e o sucesso da sua utilização,
foi uma realidade. Na Bebé Vida, tudo fazemos para que meninos como o
Tomas tenham uma alternativa terapêutica. Sabemos que a ciência continua
o seu percurso ao nível da investigação e que o recurso às células
estaminais é uma possibilidade ao nível das terapias aplicadas", refere
Sílvia Martins, Administradora da Bebé Vida, Laboratório de
Criopreservação.
A recuperação de Tomas deve-se em parte ao
tratamento com células estaminais do sangue de cordão umbilical. O
menino começou a andar após a administração das células estaminais e
continuou a melhorar com a ajuda adicional de fisioterapia e terapia
ocupacional. O tratamento com células estaminais do sangue de cordão
significou uma mudança radical na vida de Tomas, uma vida completamente
nova.
quarta-feira, 22 de março de 2017
Empresa produziu carne de frango e de pato sem sacrificar animais
A startup norte-americana Memphis Meats anunciou recentemente
que conseguiu produzir carne de frango e de pato em laboratório, sem
qualquer sacrifício animal.
Com a técnica desenvolvida no Vale do Silício, na Califórnia, os
cientistas usam apenas amostras de células de animais com potencial de
crescimento, que são cultivadas e multiplicadas com nutrientes e
oxigénio.
Depois, as células desenvolvem-se em tanques biorreatores e
convertem-se em músculo que pode ser consumido depois de 9 a 21 dias.
Segundo os especialistas, esta invenção permitirá o bem-estar animal –
eliminando a prática do abate – a preservação da natureza e a redução
de riscos para a saúde.
“Esperamos que nossos produtos sejam melhores para o meio ambiente, para os animais e para a saúde pública. E o mais importante é que são deliciosos“, destaca a empresa no site oficial.
“Acreditamos realmente que este é um passo à frente para a humanidade
e também é uma oportunidade de negócios incrível – para transformar uma
indústria global gigante enquanto se contribui para resolver alguns dos
problemas mais urgentes dos tempos atuais”, afirmou Uma Valeti, co-fundador e CEO da Memphis Meats.
Atualmente, produzir 500 gramas de frango sintético custa cerca de três mil euros,
mas a Memphis Meats pretende disponibilizar estas “carnes limpas” a
preços acessíveis aos consumidores até 2021. A empresa pretende ainda
criar salsichas e almôndegas sintéticas nos próximos cinco anos.
ZAP //
terça-feira, 21 de março de 2017
Jornal i
Hospital de Santa Maria da Feira faz operação inovadora à coluna
Unidade de Coluna realizou com sucesso cirurgia para tratar hérnias discais que deixa uma cicatriz inferior a um centímetro
O Hospital de Santa Maria da Feira é a
primeira unidade do Serviço Nacional de Saúde a adotar uma cirurgia
inovadora para tratar hérnias discais que deixa uma cicatriz quase
impercetível. Trata-se um procedimento totalmente endoscópico, ou seja, é
feita apenas uma pequena incisão e o doente pode te alta em 24 horas.
A técnica deixa uma cicatriz inferior a 1 cm, garantindo assim
“ótimos resultados cosméticos e uma taxa de infeção próxima de 0%”,
informa o hospital.
Artur Teixeira, responsável da Unidade de Coluna do Centro
Hospitalar Entre Douro e Vouga, que integra este hospital, assinala que
desde a abertura do serviço tem havido a preocupação de tratar estes
casos da forma menos agressiva possível.
“Em 1999 começámos pela utilização do microscópio como forma de
potenciar a visão e permitir uma pequena incisão. Em 2006 introduzimos
as técnicas minimamente invasivas que permitiram uma grande evolução
no sentido da menor agressão cirúrgica no que diz respeito à
extensão da cicatriz (cerca de 2 cm). O tratamento da hérnia discal
através desta técnica totalmente endoscópica continua esse percurso.
Pretendemos alargá-la em número e tipo de indicações, sendo de
referir que tratamos cerca de 150 doentes por ano que poderão
beneficiar da técnica”.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Cientistas franceses provaram: há mesmo uma “cura milagrosa” para o alcoolismo
Um grupo de cientistas franceses comprovou que o medicamento
Baclofeno funciona como uma “cura milagrosa” para o alcoolismo. O
fármaco teve “um efeito positivo” em altas doses na redução do consumo
de álcool ao longo de um ano de tratamento.
O estudo foi realizado entre 320 pessoas com o hábito de beber
bastante, com idade entre 18 a 65 anos, entre maio de 2012 e junho de
2013. O ensaio comparou a segurança e a eficácia do fármaco administrado
a alguns participantes em doses elevadas a um comprimido “placebo”
administrado a outros.
Nem os participantes do ensaio nem os especialistas sabiam quem
estava a receber qual fármaco. Os pacientes não foram obrigados a
abster-se de álcool.
Os resultados são surpreendentes: 57% daqueles que adquiriram o medicamento Baclofeno pararam de beber ou beberam menos comparados com 37% daqueles que adquiriram o placebo.
As autoridades de saúde francesas deram aprovação provisória para o
uso de Baclofeno em 2014 para o tratamento do alcoolismo. O medicamento
foi originalmente projetado e amplamente utilizado para tratar espasmos
musculares.
Acredita-se que, em vários países, muitas pessoas usem o medicamento sem receita médica para combater o alcoolismo.
O interesse mundial no medicamento foi provocado em 2008 pelo livro
“Le Dernier Verre” (O Último Copo), do cardiologista francês-americano Olivier Ameisen, que afirmou ter tratado seu alcoolismo com altas doses de Baclofeno.
Um estudo francês posterior descobriu que altas doses do medicamento
fizeram com que uma percentagem significativa de bebedores desistisse ou
moderasse a sua ingestão de álcool.
Desde então, têm surgido vários estudos com descobertas
contraditórias. No ano passado, por exemplo, cientistas holandeses
descobriram que a droga pode não funcionar melhor do que o simples
aconselhamento.
“Sem provas da sua eficácia, a prescrição de altas doses do medicamento conhecido como Baclofeno pode ser irresponsável”, advertiram na época.
A Ethypharm, o laboratório que desenvolve o medicamento, disse na
última sexta-feira que apresentará um pedido até o final do mês para a
comercialização do Baclofeno para o tratamento do alcoolismo, em França.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,3 milhões de
mortes por ano em todo o mundo são resultado do uso nocivo de álcool –
quase 6% de todas as mortes.
Vai
haver dentistas nos centros de saúde de norte a sul do país. O
alargamento do projecto-piloto que tem estado a ser desenvolvido no
Alentejo e Lisboa vai ser anunciado esta segunda-feira, Dia mundial da
Saúde Oral.
Em declarações ao programa Carla Rocha – Manhã da Renascença, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro, revelou que o concurso vai ser aberto em breve.
“O Ministério vai anunciar hoje a abertura do concurso para estas vagas que vão ser atribuídas em todo o pais”, disse.
Questionado sobre se já se sabe quando é que vai ser aberto este
concurso, Orlando Monteiro afirmou que apenas sabe que será “em breve” e
que a integração dos dentistas será depois feita “em algumas semanas”.
De acordo com fonte do gabinete do ministro da Saúde, e apesar de
grande parte dos 13 médicos dentistas não terem trabalhado a totalidade
dos seis meses, devido a questões concursais, foram realizadas 8.844
consultas e tratados 6.420 doentes.
Nesta primeira fase, tinham acesso a consultas de saúde oral doentes
portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória
crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal e os
transplantados inscritos nos agrupamentos de centros de saúde onde
decorreram as experiências piloto.
Que centros de saúde vão ter dentistas?
Segundo o Ministério da Saúde, vão passar a ter consultas de saúde
oral mais Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), sendo objectivo da
tutela atingir 80% desta rede - agendado para 2017 e 2018 - ainda este
ano.
Na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte terão consultas de
saúde oral o ACES Porto Oriental (dois centros de saúde), a Unidade
Local de Saúde (ULS) Matosinhos (um centro de saúde), a ULS Nordeste (13
centros de saúde), o ACES Feira/Arouca (três centros de saúde), o ACES
Douro Sul (três centros de saúde) e o ACES Baixo Tâmega (três centros de
saúde).
Na ARS de Lisboa e Vale do Tejo estas consultas passarão a existir no
ACES Estuário do Tejo (três centros de saúde), no ACES Lezíria (três
centros de saúde), ACES Médio Tejo (um centro de saúde), ACES
Almada/Seixal (um centro de saúde), ACES Oeste Sul (dois centros de
saúde), ACES Arco Ribeirinho (um centro de saúde), ACES Amadora (um
centro de saúde), ACES Lisboa Central (um centro de saúde), ACES Lisboa
Ocidental e Oeiras (um centro de saúde), ACES Sintra (dois centros de
saúde), ACES Lisboa Norte (um centro de saúde) e ACES Loures/Odivelas
(cinco centros de saúde).
Na ARS Centro, serão contemplados os ACES Dão Lafões (quatro centros
de saúde), a ULS Castelo Branco (um centro de saúde), ACES Baixo Vouga
(um centro de saúde).
Na ARS Alentejo será o ACES Alentejo Central (três centros de saúde) e
na ARS Algarve o ACES Algarve II Barlavento (um centro de saúde), o
ACES Algarve I Central (um centro de saúde) e o ACES Algarve III
Sotavento (um centro de saúde).