quinta-feira, 25 de maio de 2017

Portugueses descobrem como levar as células cancerígenas ao "suicídio"

Investigadores do Porto descobriram uma forma de aumentar a resposta ao tratamento do cancro do pulmão através da inibição de uma proteína, o que leva à autodestruição das células cancerígenas.
"Quando as células de linhas celulares de cancro do pulmão são impedidas de produzir a proteína spindly, estas passam a responder de forma mais eficiente ao paclitaxel", um medicamento usado em quimioterapia, disse o professor da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico Universitário (CESPU) Hassan Bousbaa, um dos responsáveis pelo projeto.
A função do paclitaxel, segundo o investigador, é impedir o crescimento das células cancerígenas, uma vez que inibe a divisão celular, sendo aplicado em casos de cancro do pulmão, dos ovários e da mama, por exemplo.
Autodestruição das células cancerígenas
Este estudo mostrou que a supressão da spindly atrasa a saída mitótica (que se dá quando uma célula se divide mesmo na presença do fármaco que, em princípio, deveria inibir a sua divisão) e leva à autodestruição das células cancerígenas, quando tratadas com esse medicamento, explicou.
Sendo uma proteína necessária para a divisão das células normais, a sua supressão pode ter efeitos negativos, referiu o professor, acrescentando que o paclitaxel também tem, visto que interfere com a divisão celular normal. Espera-se", no entanto, que estes efeitos "sejam revertíveis no fim do tratamento".
Terapia combinada com outros fármacos
Com este projeto os investigadores pretendem "dar uma nova vida aos medicamentos mais usados e com uma longa história de sucesso no combate ao cancro, mas aos quais algumas células do cancro conseguem adaptar-se e sobreviver", referiu Hassan Bousbaa. O objetivo, continuou o professor, "é impedir esta adaptação, ajudando estes medicamentos convencionais a combater melhor as células do cancro".

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Cientistas criam vacina que previne meningite, pneumonia e morte por choque séptico


PAHO / WHO
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Um grupo de investigadores desenvolveu uma vacina que ajuda a prevenir ao mesmo tempo infeções bacterianas que causam doenças como meningite, pneumonia, septicemia (infeção na corrente sanguínea) e, nos casos mais críticos, morte por choque séptico.
A vacina, desenvolvida no Porto, já passou por ensaios laboratoriais com cobaias e vai passar à fase dos ensaios clínicos no último trimestre deste ano.
As bactérias que originam essas patologias (Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Estreptococus’do Grupo B, Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus) são estirpes muito resistentes e causam “um enorme problema para a saúde pública”, afirmou o investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, Pedro Madureira.
“A partir do momento que essas bactérias infetam o hospedeiro, são capazes de libertar uma proteína designada de GAPDH”, que as torna “invisíveis” ao sistema imunológico, “impedindo assim o início de uma resposta imune”, explicou o cientista, um dos fundadores da empresa Immunethep, responsável pela criação da vacina.
“Embora esta vacina seja destinada a todas as pessoas”, existem indivíduos nos quais a “incidência desse tipo de infeções é maior”, como os recém-nascidos, os idosos, os portadores de diabetes do tipo I, os pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas invasivas ou com doença pulmonar obstrutiva.
O investigador considera que esta vacina é “inovadora”, visto que, ao invés de induzir uma resposta imune como a produção de anticorpos contra a bactéria em si, induz uma resposta que neutraliza uma única molécula, libertada pelas bactérias, permitindo ao sistema imune controlar as diferentes infeções.
De acordo com Pedro Madureira, para além da vacina, a Immunethep está a desenvolver uma forma de terapia baseada em anticorpos monoclonais, que neutralizam a proteína GAPDH e que podem ser usados em pessoas já infetadas e para as quais não há tempo para vacinação.
“Estes anticorpos têm a vantagem, em relação à vacina, de atuarem muito rápido e a desvantagem de não induzirem “memória imunológica””, que está associada à capacidade do nosso sistema imune de, após um primeiro contacto com um agente estranho, conseguir “desencadear uma resposta muito mais rápida e eficiente”, explicou.
ZAP // Lusa

sábado, 13 de maio de 2017

Neurocientista cria exoesqueleto que ajuda paraplégicos a andar


Após anos de investigação, a neurocientista Michele Souza criou um exoesqueleto que pode fazer com que o sonho de tantas pessoas paraplégicas se torne realidade: andar novamente.
Para chegar ao modelo atual da estrutura foram necessários diversos testes. Felizmente, ao trabalhar com uma equipa interdisciplinar, o protótipo já está praticamente pronto para a comercialização.
Para mostrar o exoesqueleto em funcionamento, a cientista convidou um jovem que perdeu o movimento nas pernas num acidente de moto para experimentar a tecnologia. Alisson Maximiano não só conseguiu ficar em pé como também arriscou dar alguns passos com a ajuda de muletas.
A estrutura é formada por ferros que encaixam no corpo do paciente, está equipada com bateria e motores, e pode ser controlado pela voz.
Ainda não há data para que o protótipo chegue ao mercado, mas a expectativa é de que a procura faça com que o preço se torne cada vez mais acessível.
“À medida que vamos vai fabricando esta tecnologia, a ideia é que consigamos uma procura tão alta que possamos vender o exoesqueleto ao mesmo preço de uma cadeira de rodas“, explicou a cientista.
ZAP // Canaltech

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Pela primeira vez é criada em laboratório uma retina artificial com tecidos biológicos sintéticos

Uma jovem investigadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, criou a primeira retina com tecidos biológicos sintéticos, revela um estudo hoje publicado na revista científica Scientific Reports. Até agora, toda a investigação sobre retinas artificiais, destinadas a devolver a visão a cegos, incidiu sobre materiais rígidos.
O novo estudo, liderado por Vanessa Restrepo-Schild, de 24 anos, é o primeiro a usar com sucesso tecidos biológicos gerados em laboratório, refere a universidade britânica em comunicado, realçando que, ao contrário dos implantes de retina artificial existentes, as culturas de células são criadas a partir de materiais naturais biodegradáveis.
Desta forma, o implante será menos invasivo do que um dispositivo mecânico e será menos provável que cause uma reação adversa no corpo.
Segundo a equipa de Vanessa Restrepo-Schild, a nova retina artificial, de dupla camada, imita praticamente uma retina humana.
A retina criada, mas ainda não testada em humanos, é composta por hidrogel (gel que tem água) e proteínas de membrana celular.
"O material sintético pode gerar sinais elétricos que estimulam os neurónios na parte detrás do olho, tal como o faz a retina natural", sustentou a investigadora, que patenteou a tecnologia.
Antes de testar em animais e em pessoas, Vanessa Restrepo-Schild pretende aperfeiçoar as funcionalidades da retina, nomeadamente o reconhecimento de cores, formas e símbolos.

sábado, 29 de abril de 2017

Nova Zelândia: micropartículas de plástico têm os dias contados já a partir de 2018

microparticulas
Depois do Canadá, EUA e Reino Unido, agora é a vez da Nova Zelândia se juntar ao movimento que defende a proibição de utilização de micropartículas de plástico em produtos de higiene pessoal e cosméticos.
A entrada em vigor desta medida está agendada para 1 de Julho de 2018, com a proibição das micropartículas de plástico – minúsculas partículas de polietileno ou de polipropileno usadas em produtos do nosso dia-a-dia, como esfoliantes, gel de duche, pasta de dentes, batons e tantos, tantos outros- a estar mais perto de ser uma realidade.
Para se ter a verdadeira noção do impacto que a utilização continuada destes produtos provoca no meio ambiente, importa saber que perto de 100 mil micropartículas de plástico entram na rede de cada vez que tomamos banho com um destes produtos e beleza.
E se a quantidade de microplásticos a entrar no circuito já seria enorme motivo de preocupação, a situação piora quando está provado que estas partículas poluidoras de tamanho microscópio conseguem passar pelos filtros alojados nas estações de tratamento de águas residuais. Resultado? As micropartículas entram assim nos rios e oceanos, sendo confundidas frequentemente por comida, o que provoca sérios riscos na biodiversidade aquática.
A implementação da medida está agendada para meados do próximo ano, com as autoridades da Nova Zelândia a informarem que, em caso de incumprimento, haverá lugar a multas que podem ascender aos 65 mil euros.
Foto: via Creative Commons

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vacina desenvolvida no Porto previne meningite, pneumonia e morte por choque séptico

Investigadores do Porto desenvolveram uma vacina que ajuda a prevenir ao mesmo tempo infeções bacterianas que causam doenças como meningite, pneumonia, septicemia (infeção na corrente sanguínea) e, nos casos mais críticos, morte por choque séptico.
As bactérias que originam essas patologias ('Klebsiella pneumoniae', 'Escherichia coli', 'Estreptococus' do Grupo B, 'Streptococcus pneumoniae' e 'Staphylococcus aureus') são estirpes muito resistentes e causam "um enorme problema para a saúde pública", disse à Lusa o investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, Pedro Madureira.
"A partir do momento que essas bactérias infetam o hospedeiro [indivíduo], são capazes de libertar uma molécula (uma proteína designada de GAPDH)", que as torna "invisíveis" ao sistema imunológico, "impedindo assim o início de uma resposta imune", explicou o cientista, um dos fundadores da empresa Immunethep, responsável pela criação da vacina.
Sem uma resposta adequada do nosso sistema imune, continua Pedro Madureira, as bactérias "rapidamente proliferam" na corrente sanguínea e nos órgãos infetados, podendo levar às tais patologias, consideradas "bastante severas".
"Embora esta vacina seja destinada a todas as pessoas", existem indivíduos nos quais a "incidência desse tipo de infeções é maior", como os recém-nascidos, os idosos, os portadores de diabetes do tipo I, os pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas invasivas (operações ao coração ou à espinal medula) ou com doença pulmonar obstrutiva, por exemplo.
O investigador considera que esta vacina é "inovadora", visto que, ao invés de induzir uma resposta imune (produção de anticorpos) contra a bactéria em si, induz sim uma resposta que neutraliza uma única molécula (GAPDH), libertada pelas bactérias, permitindo ao sistema imune controlar as diferentes infeções.
A vacina, que já passou por ensaios laboratoriais com ratos e coelhos, vai passar à fase dos ensaios clínicos no último trimestre de 2017, prevê o investigador.
Este foi um dos projetos apresentados hoje, no i3S, um dos institutos de investigação que participa nas comemorações do Dia Internacional da Imunologia, evento organizado pela Sociedade Portuguesa de Imunologia (SPI).
A iniciativa, que no Porto finaliza por volta das 17:00, conta com palestras e um conjunto de atividades, que pretendem dar a conhecer aos alunos do ensino secundário a investigação desenvolvida na área da Imunologia.
De acordo com Pedro Madureira, para além da vacina, a Immunethep está a desenvolver uma forma de terapia baseada em anticorpos monoclonais, que neutralizam a proteína GAPDH, podendo ser usados em pessoas já infetadas e para as quais não há tempo para vacinação.
"Estes anticorpos têm a vantagem, em relação à vacina, de atuaram muito rápido e a desvantagem de não induzirem "memória imunológica"", que está associada à capacidade do nosso sistema imune de, após um primeiro contacto com um agente estranho, conseguir "desencadear uma resposta muito mais rápida e eficiente", explicou.
Durante a apresentação no i3S, Pedro Madureira falou também sobre a importância e a história das vacinas, de forma a "desmistificar" algumas incertezas sobre a vacinação e, ainda, sobre esta ter sido a "grande conquista da imunologia e da medicina".
Questionado sobre tal, Pedro Madureira acredita que grande parte da polémica atual relacionada com a vacinação deve-se à "má informação" ou ao "pouco esclarecimento" que se tem sobre o tema, daí a necessidade de se transmitir uma informação "clara e precisa" quando se "fala publicamente" acerca deste assunto.
A vacina "é algo que funciona", sendo esta a abordagem clínica que "melhores resultados trouxe para a humanidade".
Apesar de compreender os casos em que os indivíduos não podem ser vacinados (devido à uma resposta alérgica), se "todas as outras pessoas estivessem vacinadas e não houvesse movimentos anti vacinas", estes estariam seguros porque não haveria forma de transmitir a doença, concluiu.
O Instituto de Medicina Molecular (iMM), de Lisboa, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra, a Universidade de Aveiro e o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho são as outras cinco entidades envolvidas nas comemorações do Dia Internacional da Imunologia.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Cientistas portugueses desenvolvem gama de materiais “verdes” para a indústria

sustentabilidade
A procura de uma solução para o plástico não biodegradável e para os resíduos gerados pela indústria da madeira juntou investigadores das Universidades de Coimbra (UC) e Aveiro (UA) e do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) no projeto C-TEC, promovido pelo grupo empresarial Vangest.
Neste projecto, uma equipa liderada por Filipe Antunes, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu uma gama de materiais compósitos biodegradáveis a partir da combinação de diversos plásticos com fibras vegetais (serradura de pinho e fibras de celulose extraídas da madeira) para aplicação em diversos sectores de actividade.
Materiais compósitos são materiais que resultam da combinação de dois ou mais produtos com propriedades individuais incompatíveis. É o caso dos produtos utilizados nesta investigação, desenvolvida no âmbito de um projecto financiado pelo QREN – Quadro de Referência Estratégica nacional. Por exemplo, os plásticos têm propriedades hidrofóbicas enquanto a madeira tem características hidrofílicas.
Então, como compatibilizar estes dois materiais tão diferentes? “Esse foi um grande problema que tivemos de ultrapassar. O segredo está em modificar as propriedades de ambos os materiais e obter um produto amigo do ambiente e a um preço de mercado competitivo”, desvenda Filipe Antunes.
Assim, “para compatibilizar estes materiais, utilizámos diversas estratégias como a introdução de aditivos com carácter misto, capazes de fazer a ponte entre as duas naturezas radicalmente opostas, nomeadamente polímeros modificados que se entrelaçam com a matriz do compósito e reagem com as fibras”, descreve.
“Fizemos também modificações na superfície das fibras vegetais, revestindo-as com moléculas hidrofóbicas, conferindo deste modo uma maior afinidade das fibras com a matriz”, acrescenta Gabriela Martins, investigadora da equipa da UC.
Depois de modificadas as propriedades de cada um dos materiais, seguiram-se vários estudos e experiências “até conseguir as formulações certas para os fins desejados, garantindo todas as propriedades térmicas e mecânicas, isto é, a resistência necessária para aplicações industriais diversas”, clarifica o investigador do Departamento de Química da FCTUC.
No âmbito do estudo foram produzidos protótipos para aplicação, por exemplo, na indústria automóvel, embalagem, jardinagem e sistemas de sombreamento em prédios.
Foto: via Creative Commons

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Investigadores demonstram forma de evoluir de gene que resiste a antibióticos

Investigadores portugueses demonstraram a forma de evoluir do gene que permite às bactérias resistirem aos medicamentos, segundo um estudo hoje publicado na revista científica PLOS Genetics.
O trabalho, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova, mostra como o gene evoluiu, os mecanismos envolvidos e o número de vezes que a resistência emergiu de forma independente, explica o organismo em comunicado.
O Instituto lembra a capacidade de as bactérias se tornarem resistentes aos antibióticos, o que acontece pela aquisição de um gene, o mecA, que evoluiu de um gene inofensivo e “cuja presença permite às bactérias continuarem a multiplicar-se mesmo na presença deste antibiótico”.
O trabalho “demonstra que o uso de antibióticos no tratamento de infeções e como aditivos na alimentação de animais de produção para consumo humano” foi o que mais contribuiu “para a evolução do gene inofensivo para a versão que permite resistir aos antibióticos”.
“O objetivo deste estudo foi o de identificar os passos do processo de evolução que permitiram que um gene inofensivo em bactérias as tornasse resistentes aos antibióticos da família das penicilinas”, disse Maria Miragaia, a investigadora responsável pelo projeto e que, citada no comunicado, sublinha a importância do controlo no uso de antibióticos para limitar e prevenir novos genes de resistência.
O trabalho foi feito em colaboração entre a Nova e instituições suíças, dinamarquesas, inglesas e norte-americanas.

Cientista descobre lagarta que decompõe plástico

Shutterstock Jornal i 24/04/2017 17:46

Existe uma lagarta capaz de decompor sacos de plástico.
Frederica Bertocchini, do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia de Cantábria, em Espanha,descobriu que as larvas que se alimentam da cera das colmeias também comiam plástio.
A descoberta foi feita numa altura em que estaria a limpar as larvas que vivem como parasitas da cera de abelha de uma das sua colmeias. Colocou-as dentro de um saco de plástico e, pouco tempo depois, reparou que surgiram pequenos buracos no mesmo.
A cientista testou colocar 100 lagartas num saco de supermercado e verificou que começaram a surgir pequenos buracos ao fim de 40 minutos.
"Se uma única enzima for responsável por este processo químico, a sua reprodução em grande escala com métodos biotecnológicos deverá ser possível", afirmou Paolo Bombelli, da Universidade britânica de Cambridge e o principal autor do estudo divulgado na publicação especializada Current Biology.
Esta poderá ser assim uma maneira de poder combater a poluição com plástico, um dos materiais mais difíceis de se decompor. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Menino com paralisia cerebral recupera totalmente através de terapia com sangue do cordão umbilical

Um transplante autólogo - um procedimento que se caracteriza pela utilização de células do próprio paciente - com recurso a sangue do cordão umbilical permitiu a uma criança dos Estados Unidos recuperar totalmente de uma anemia aplástica.
créditos: Pixabay
Durante o quinto mês de gravidez, a mãe de Tomas foi diagnosticada com pré-eclâmpsia, o que a forçou a ficar em repouso absoluto durante o resto da gravidez. Na 31.ª semana o batimento cardíaco do bebé começou a decrescer devido a uma contorção dupla no cordão umbilical. Nesta altura, os médicos tiveram de desencadear um processo de maturação dos pulmões do bebé de modo a poderem realizar uma cesariana de emergência.
Após o nascimento, Tomas teve de ser colocado numa incubadora nos cuidados intensivos neonatais porque os médicos verificaram que os pulmões não estavam suficientemente desenvolvidos. Nos dias que se seguiram ao parto, a incubadora à qual Tomas estava ligado apresentou uma anomalia, cortando o fornecimento de oxigénio. A falta de oxigénio causou uma paralisia cerebral espástica à criança.
Após a realização dos testes necessários ao sangue de cordão criopreservado, armazenado num laboratório familiar, com o objetivo de garantir que as células reuniam todas as condições para ser utilizadas, as mesmas foram enviadas para o Hospital da Universidade de Duke nos Estados Unidos.
Tomas foi inscrito no ensaio clínico para paralisia cerebral espástica liderado pela Dra. Joanne Kurtzberg, pioneira na transplantação de células estaminais do sangue de cordão umbilical.
Tomas participou neste estudo durante um período de 3 anos. Alguns pacientes do estudo receberam as suas próprias células estaminais do sangue de cordão no início do mesmo. O grupo de controlo recebeu o mesmo transplante um ano depois.
Durante este período de tempo, todas as evoluções relevantes foram registadas. Hoje, Tomas tem uma qualidade de vida semelhante a outras crianças de 5 anos. Apesar do diagnóstico inicial, Tomas pode agora andar e jogar à bola.
Fala duas línguas e frequenta a escola. A mãe ainda se recorda do tempo em que os médicos lhe disseram que o seu filho não seria capaz de andar ou falar. Os médicos disseram-lhe que Tomas não seria capaz de realizar as atividades que hoje em dia fazem parte da sua realidade.
"Mais uma vez o recurso às células estaminais e o sucesso da sua utilização, foi uma realidade. Na Bebé Vida, tudo fazemos para que meninos como o Tomas tenham uma alternativa terapêutica. Sabemos que a ciência continua o seu percurso ao nível da investigação e que o recurso às células estaminais é uma possibilidade ao nível das terapias aplicadas", refere Sílvia Martins, Administradora da Bebé Vida, Laboratório de Criopreservação.
A recuperação de Tomas deve-se em parte ao tratamento com células estaminais do sangue de cordão umbilical. O menino começou a andar após a administração das células estaminais e continuou a melhorar com a ajuda adicional de fisioterapia e terapia ocupacional. O tratamento com células estaminais do sangue de cordão significou uma mudança radical na vida de Tomas, uma vida completamente nova.