quinta-feira, 8 de junho de 2017

Investigador mexicano desenvolve software que prevê ataques cardíacos


No Hospital de Galway, na Irlanda, está a ser usado um dispositivo para “prever” eventos cardíacos em pessoas com risco de morte súbita cardíaca.
Em 2013, os cardiologistas do hospital usaram esta tecnologia para diagnosticar e provar a sua exactidão.
A tecnologia foi desenvolvida por um investigador mexicano da Universidade de Galway, que já patenteou o dispositivo e procura agora vendê-lo a empresas especializadas.
Na Irlanda, há seis milhões de habitantes e oito mil são mexicanos. O investigador Antonio Aguilar é um deles.
Aguillar veio à Irlanda visitar a família e aprender Inglês. Decidiu ficar para terminar o curso de engenharia electrónica e continuar com os estudos de pós-graduação.
Há quatro meses, Aguillar fundou a sua própria empresa de software médico para hospitais, a Healthformics.
A história da empresa começou com o tema da sua tese de doutoramento: um Método para diagnosticar pacientes com alto risco de morte súbita cardíaca.
“Decidi focar-me na morte cardíaca súbita porque mata muitas pessoas e é muito difícil de prever“, diz o investigador.
antonio-aguilar.com
O investigador mexicano António Aguillar, da Universidade de Galway
O investigador mexicano António Aguillar, da Universidade de Galway

O “truque” do algoritmo

Com uma bolsa de estudos de um instituto de investigação de Galway, o engenheiro electrónico começou a desenvolver um algoritmo, que testa pacientes, fazendo-lhe um electrocardiograma e gravando 15 minutos de batimento cardíaco.
O algoritmo processa esta informação e analisa, com um modelo estatístico, se o paciente está em risco de arritmia, que é o sinal de morte cardíaca súbita.
“Quando há menos variabilidade da frequência cardíaca de um paciente, isso indica um problema. Estudámos o electrocardiograma de muitos pacientes que têm diabetes e outras doenças cardiovasculares e a variabilidade da frequência cardíaca é muito diferente em pacientes doentes e saudáveis”, explica Aguillar.
“Antes de sofrer uma arritmia um paciente tem certos padrões que se detectam e a variabilidade da frequência cardíaca é menor. Com este algoritmo pode-se prever se o paciente vai ter uma arritmia, horas antes de acontecer”, diz o investigador.
O cientista mexicano usou uma base de dados de 400 pacientes para “testar” o algoritmo e diagnosticar com sucesso pacientes com risco de arritmia.
Apesar de ter nascido em Irapuato, Guanajuato, no México, Antonio Aguilar viveu em Acapulco, Guerrero, e Nuevo Laredo, Tamaulipas, onde estudou no primeiro ano de engenharia no Instituto Tecnológico de Nuevo Laredo.

De pequenino se torce o informático

“Desde os nove anos que já sabia que iria para ciências ou computação. Estudei engenharia, porque tinha queda para números, matemática. Mas sempre gostei de computadores, especialmente de electrónica e robots”, conta Aguillar.
Na Irlanda, calhou-lhe um “bom momento da economia do país”, e quando estava no terceiro ano de estudos, iniciou a vida profissional numa empresa que desenvolve software para a Intel, Motorola, entre outras. Aguillar fez na altura um mestrado em micro-electrónica focada no desenvolvimento de microprocessadores.
O investigador voltou entretanto a Galway e ligou-se à área da saúde, desenvolvendo redes sem fio no Hospital Galway e uma aplicação para examinar electronicamente os registos dos pacientes.
Este trabalho como engenheiro de software médico valeu-lhe uma oferta de emprego como investigador na Universidade Nacional da Irlanda, em Galway.
“O meu supervisor disse-me que havia uma bolsa para um doutoramento. Aceitei o projecto, porque era a minha oportunidade de desenvolver o algoritmo para diagnosticar pacientes com morte súbita cardíaca”, diz Aguillar.
Segundo Aguilar, na Irlanda há muitos apoios para estudantes e empresários – ele é um exemplo disso. Desde os tempos de estudante, até hoje, teve sempre oportunidades atrás de oportunidades.
E o investigador aproveitou essas oportunidades para dar ao mundo um diagnóstico precoce da morte súbita cardíaca.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

VISÃO
Portugueses testam vacina contra a malária

Depois de resultados promissores em animais, cientistas do Instituto de Medicina Molecular começam agora os ensaios em pessoas - dispostas a serem picadas por mosquitos centenas de vezes - para avaliar a sua eficácia. Bill Gates financia o trabalho

Todos os anos, a malária mata 429 mil pessoas só em África. As vítimas são sobretudo crianças, picadas por um mosquito que nas glândulas salivares transporta o parasita. A doença afeta os países mais pobres do mundo, com um impacto gigantesco na economia, já de si frágil. Talvez por isso tenha sido tão negligencida - os países fustigados não têm meios para a combater, os mais ricos estão pouco dispertos para o problema. Até que Bill Gates, o homem mais rico do mundo, assumiu a missão de dar a volta a isto. Além de distribuir redes mosquiteiras e fornecer medicamentos, a fundação que criou com a mulher, a Bill and Melinda Gates Foundation, atribui milhões de dólares a projetos de investigação na área.
Desde 2010 que a equipa de Miguel Prudêncio, no Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, recebe financiamento para desenvolver uma vacina - o objetivo principal na luta contra o parasita (Plasmodium falciparum). Os primeiros passos foram tão promissores que a fundação decidiu transferir o projeto para a Malaria Vaccine Initiative (MVI), entidade que aposta todas as fichas na descoberta de uma vacina. E o sonho de Bill Gates, e de todos os que enfrentam a devastação causada por esta doença, pode já não estar muito longe.
Ao fim de sete anos de trabalho - testes em células; testes em animais, incluindo primatas - Miguel Prudêncio e a sua equipa preparam-se para começar, na Holanda, os ensaios clínicos à sua vacina, a PbVac. Suportados pelo sucesso das fases anteriores, a expetativa nos laboratórios do IMM é de que se esteja prestes a fazer história.
No mercado, já existem vários projetos nesta área, incluindo uma vacina aprovada, da farmacêutica Glaxo. Mas a sua eficácia deixa muito a desejar.
Preparar o organismo para combater uma infeção provocada por um parasita traz mais desafios do que criar defesas contra um vírus ou uma bactéria. Os parasitas são seres mais complexos, com várias estratégias para escapar ao sistema imunitário do hospedeiro. Além disso, no caso do plasmodium, o seu ciclo de vida passa por duas fases, uma no fígado, em que não há ainda sintomas, e uma no sangue, quando a pessoa começa a sentir-se febril, com tremores, dores de cabeça e no corpo e um cansaço extremo.

A vacina portuguesa

A vacina que está no mercado usa pedaços do parasita para provocar uma resposta imunitária. Ou seja, mostra um pequeno fragmento do agente patogénico ao sistema de defesa para que este prepare a sua guarda que deverá entrar em ação quando uma verdadeira infeção acontecer. É uma estratégia segura, mas com uma taxa de sucesso muito baixa - à volta de 30 por cento.
Para levar o organismo a criar um exército mais robusto, o ideal seria usar o parasita inteiro. Mas como fazer isso sem causar a doença? A resposta encontrada pela equipa do IMM é simples, porém engenhosa: usar um parasita que não infeta humanos, mas que produz proteínas do parasita que infeta os humanos. Em concreto, os cientistas (num trabalho experimental realizado por António Mendes) pegaram num parasita que infeta roedores e modificaram-no geneticamente de forma a que ele produza, ou expresse, proteínas características do parasita que infeta os humanos. Uma espécie de lobo envolto em pele de cordeiro. O parasita não provoca doença nas pessoas, mas desencadeia uma resposta imunitária contra o parasita que nos ataca, obrigando o corpo a produzir anticorpos.
Nos ensaios clínicos de fase I - a primeira de três que andecedem a aprovação - 12 voluntários tomarão a vacina e serão posteriormente infetados com malária. O primeiro objetivo é verificar se esta é segura, ou seja, não provoca reações indesejadas. O segundo objetivo é avaliar se é eficaz, evitando que os voluntários, infetados, desenvolvam a doença.
A forma de administração da vacina será, para já, uma picada do próprio mosquito, que carrega nas glâdulas salivares a vacina PbVac (no futuro será desenvolvida uma estratégia de vacinação por injeção). Cada um dos voluntários - estudantes, entre os 18 e os 35 anos - vai sujeitar-se a quatro sessões de 75 picadas cada. No grupo de controle, seis pessoas receberão placebo, pelo que não terão qualquer imunidade quando forem infetadas com malária. Claro que serão todas monitorizados com cuidado extremo e começarão a ser tratadas aos primeiros sinais de infeção. A bem da ciência e da humanidade.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Portugueses descobrem como levar as células cancerígenas ao "suicídio"

Investigadores do Porto descobriram uma forma de aumentar a resposta ao tratamento do cancro do pulmão através da inibição de uma proteína, o que leva à autodestruição das células cancerígenas.
"Quando as células de linhas celulares de cancro do pulmão são impedidas de produzir a proteína spindly, estas passam a responder de forma mais eficiente ao paclitaxel", um medicamento usado em quimioterapia, disse o professor da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico Universitário (CESPU) Hassan Bousbaa, um dos responsáveis pelo projeto.
A função do paclitaxel, segundo o investigador, é impedir o crescimento das células cancerígenas, uma vez que inibe a divisão celular, sendo aplicado em casos de cancro do pulmão, dos ovários e da mama, por exemplo.
Autodestruição das células cancerígenas
Este estudo mostrou que a supressão da spindly atrasa a saída mitótica (que se dá quando uma célula se divide mesmo na presença do fármaco que, em princípio, deveria inibir a sua divisão) e leva à autodestruição das células cancerígenas, quando tratadas com esse medicamento, explicou.
Sendo uma proteína necessária para a divisão das células normais, a sua supressão pode ter efeitos negativos, referiu o professor, acrescentando que o paclitaxel também tem, visto que interfere com a divisão celular normal. Espera-se", no entanto, que estes efeitos "sejam revertíveis no fim do tratamento".
Terapia combinada com outros fármacos
Com este projeto os investigadores pretendem "dar uma nova vida aos medicamentos mais usados e com uma longa história de sucesso no combate ao cancro, mas aos quais algumas células do cancro conseguem adaptar-se e sobreviver", referiu Hassan Bousbaa. O objetivo, continuou o professor, "é impedir esta adaptação, ajudando estes medicamentos convencionais a combater melhor as células do cancro".

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Cientistas criam vacina que previne meningite, pneumonia e morte por choque séptico


PAHO / WHO
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Um grupo de investigadores desenvolveu uma vacina que ajuda a prevenir ao mesmo tempo infeções bacterianas que causam doenças como meningite, pneumonia, septicemia (infeção na corrente sanguínea) e, nos casos mais críticos, morte por choque séptico.
A vacina, desenvolvida no Porto, já passou por ensaios laboratoriais com cobaias e vai passar à fase dos ensaios clínicos no último trimestre deste ano.
As bactérias que originam essas patologias (Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Estreptococus’do Grupo B, Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus) são estirpes muito resistentes e causam “um enorme problema para a saúde pública”, afirmou o investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, Pedro Madureira.
“A partir do momento que essas bactérias infetam o hospedeiro, são capazes de libertar uma proteína designada de GAPDH”, que as torna “invisíveis” ao sistema imunológico, “impedindo assim o início de uma resposta imune”, explicou o cientista, um dos fundadores da empresa Immunethep, responsável pela criação da vacina.
“Embora esta vacina seja destinada a todas as pessoas”, existem indivíduos nos quais a “incidência desse tipo de infeções é maior”, como os recém-nascidos, os idosos, os portadores de diabetes do tipo I, os pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas invasivas ou com doença pulmonar obstrutiva.
O investigador considera que esta vacina é “inovadora”, visto que, ao invés de induzir uma resposta imune como a produção de anticorpos contra a bactéria em si, induz uma resposta que neutraliza uma única molécula, libertada pelas bactérias, permitindo ao sistema imune controlar as diferentes infeções.
De acordo com Pedro Madureira, para além da vacina, a Immunethep está a desenvolver uma forma de terapia baseada em anticorpos monoclonais, que neutralizam a proteína GAPDH e que podem ser usados em pessoas já infetadas e para as quais não há tempo para vacinação.
“Estes anticorpos têm a vantagem, em relação à vacina, de atuarem muito rápido e a desvantagem de não induzirem “memória imunológica””, que está associada à capacidade do nosso sistema imune de, após um primeiro contacto com um agente estranho, conseguir “desencadear uma resposta muito mais rápida e eficiente”, explicou.
ZAP // Lusa

sábado, 13 de maio de 2017

Neurocientista cria exoesqueleto que ajuda paraplégicos a andar


Após anos de investigação, a neurocientista Michele Souza criou um exoesqueleto que pode fazer com que o sonho de tantas pessoas paraplégicas se torne realidade: andar novamente.
Para chegar ao modelo atual da estrutura foram necessários diversos testes. Felizmente, ao trabalhar com uma equipa interdisciplinar, o protótipo já está praticamente pronto para a comercialização.
Para mostrar o exoesqueleto em funcionamento, a cientista convidou um jovem que perdeu o movimento nas pernas num acidente de moto para experimentar a tecnologia. Alisson Maximiano não só conseguiu ficar em pé como também arriscou dar alguns passos com a ajuda de muletas.
A estrutura é formada por ferros que encaixam no corpo do paciente, está equipada com bateria e motores, e pode ser controlado pela voz.
Ainda não há data para que o protótipo chegue ao mercado, mas a expectativa é de que a procura faça com que o preço se torne cada vez mais acessível.
“À medida que vamos vai fabricando esta tecnologia, a ideia é que consigamos uma procura tão alta que possamos vender o exoesqueleto ao mesmo preço de uma cadeira de rodas“, explicou a cientista.
ZAP // Canaltech

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Pela primeira vez é criada em laboratório uma retina artificial com tecidos biológicos sintéticos

Uma jovem investigadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, criou a primeira retina com tecidos biológicos sintéticos, revela um estudo hoje publicado na revista científica Scientific Reports. Até agora, toda a investigação sobre retinas artificiais, destinadas a devolver a visão a cegos, incidiu sobre materiais rígidos.
O novo estudo, liderado por Vanessa Restrepo-Schild, de 24 anos, é o primeiro a usar com sucesso tecidos biológicos gerados em laboratório, refere a universidade britânica em comunicado, realçando que, ao contrário dos implantes de retina artificial existentes, as culturas de células são criadas a partir de materiais naturais biodegradáveis.
Desta forma, o implante será menos invasivo do que um dispositivo mecânico e será menos provável que cause uma reação adversa no corpo.
Segundo a equipa de Vanessa Restrepo-Schild, a nova retina artificial, de dupla camada, imita praticamente uma retina humana.
A retina criada, mas ainda não testada em humanos, é composta por hidrogel (gel que tem água) e proteínas de membrana celular.
"O material sintético pode gerar sinais elétricos que estimulam os neurónios na parte detrás do olho, tal como o faz a retina natural", sustentou a investigadora, que patenteou a tecnologia.
Antes de testar em animais e em pessoas, Vanessa Restrepo-Schild pretende aperfeiçoar as funcionalidades da retina, nomeadamente o reconhecimento de cores, formas e símbolos.

sábado, 29 de abril de 2017

Nova Zelândia: micropartículas de plástico têm os dias contados já a partir de 2018

microparticulas
Depois do Canadá, EUA e Reino Unido, agora é a vez da Nova Zelândia se juntar ao movimento que defende a proibição de utilização de micropartículas de plástico em produtos de higiene pessoal e cosméticos.
A entrada em vigor desta medida está agendada para 1 de Julho de 2018, com a proibição das micropartículas de plástico – minúsculas partículas de polietileno ou de polipropileno usadas em produtos do nosso dia-a-dia, como esfoliantes, gel de duche, pasta de dentes, batons e tantos, tantos outros- a estar mais perto de ser uma realidade.
Para se ter a verdadeira noção do impacto que a utilização continuada destes produtos provoca no meio ambiente, importa saber que perto de 100 mil micropartículas de plástico entram na rede de cada vez que tomamos banho com um destes produtos e beleza.
E se a quantidade de microplásticos a entrar no circuito já seria enorme motivo de preocupação, a situação piora quando está provado que estas partículas poluidoras de tamanho microscópio conseguem passar pelos filtros alojados nas estações de tratamento de águas residuais. Resultado? As micropartículas entram assim nos rios e oceanos, sendo confundidas frequentemente por comida, o que provoca sérios riscos na biodiversidade aquática.
A implementação da medida está agendada para meados do próximo ano, com as autoridades da Nova Zelândia a informarem que, em caso de incumprimento, haverá lugar a multas que podem ascender aos 65 mil euros.
Foto: via Creative Commons

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vacina desenvolvida no Porto previne meningite, pneumonia e morte por choque séptico

Investigadores do Porto desenvolveram uma vacina que ajuda a prevenir ao mesmo tempo infeções bacterianas que causam doenças como meningite, pneumonia, septicemia (infeção na corrente sanguínea) e, nos casos mais críticos, morte por choque séptico.
As bactérias que originam essas patologias ('Klebsiella pneumoniae', 'Escherichia coli', 'Estreptococus' do Grupo B, 'Streptococcus pneumoniae' e 'Staphylococcus aureus') são estirpes muito resistentes e causam "um enorme problema para a saúde pública", disse à Lusa o investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, Pedro Madureira.
"A partir do momento que essas bactérias infetam o hospedeiro [indivíduo], são capazes de libertar uma molécula (uma proteína designada de GAPDH)", que as torna "invisíveis" ao sistema imunológico, "impedindo assim o início de uma resposta imune", explicou o cientista, um dos fundadores da empresa Immunethep, responsável pela criação da vacina.
Sem uma resposta adequada do nosso sistema imune, continua Pedro Madureira, as bactérias "rapidamente proliferam" na corrente sanguínea e nos órgãos infetados, podendo levar às tais patologias, consideradas "bastante severas".
"Embora esta vacina seja destinada a todas as pessoas", existem indivíduos nos quais a "incidência desse tipo de infeções é maior", como os recém-nascidos, os idosos, os portadores de diabetes do tipo I, os pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas invasivas (operações ao coração ou à espinal medula) ou com doença pulmonar obstrutiva, por exemplo.
O investigador considera que esta vacina é "inovadora", visto que, ao invés de induzir uma resposta imune (produção de anticorpos) contra a bactéria em si, induz sim uma resposta que neutraliza uma única molécula (GAPDH), libertada pelas bactérias, permitindo ao sistema imune controlar as diferentes infeções.
A vacina, que já passou por ensaios laboratoriais com ratos e coelhos, vai passar à fase dos ensaios clínicos no último trimestre de 2017, prevê o investigador.
Este foi um dos projetos apresentados hoje, no i3S, um dos institutos de investigação que participa nas comemorações do Dia Internacional da Imunologia, evento organizado pela Sociedade Portuguesa de Imunologia (SPI).
A iniciativa, que no Porto finaliza por volta das 17:00, conta com palestras e um conjunto de atividades, que pretendem dar a conhecer aos alunos do ensino secundário a investigação desenvolvida na área da Imunologia.
De acordo com Pedro Madureira, para além da vacina, a Immunethep está a desenvolver uma forma de terapia baseada em anticorpos monoclonais, que neutralizam a proteína GAPDH, podendo ser usados em pessoas já infetadas e para as quais não há tempo para vacinação.
"Estes anticorpos têm a vantagem, em relação à vacina, de atuaram muito rápido e a desvantagem de não induzirem "memória imunológica"", que está associada à capacidade do nosso sistema imune de, após um primeiro contacto com um agente estranho, conseguir "desencadear uma resposta muito mais rápida e eficiente", explicou.
Durante a apresentação no i3S, Pedro Madureira falou também sobre a importância e a história das vacinas, de forma a "desmistificar" algumas incertezas sobre a vacinação e, ainda, sobre esta ter sido a "grande conquista da imunologia e da medicina".
Questionado sobre tal, Pedro Madureira acredita que grande parte da polémica atual relacionada com a vacinação deve-se à "má informação" ou ao "pouco esclarecimento" que se tem sobre o tema, daí a necessidade de se transmitir uma informação "clara e precisa" quando se "fala publicamente" acerca deste assunto.
A vacina "é algo que funciona", sendo esta a abordagem clínica que "melhores resultados trouxe para a humanidade".
Apesar de compreender os casos em que os indivíduos não podem ser vacinados (devido à uma resposta alérgica), se "todas as outras pessoas estivessem vacinadas e não houvesse movimentos anti vacinas", estes estariam seguros porque não haveria forma de transmitir a doença, concluiu.
O Instituto de Medicina Molecular (iMM), de Lisboa, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra, a Universidade de Aveiro e o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho são as outras cinco entidades envolvidas nas comemorações do Dia Internacional da Imunologia.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Cientistas portugueses desenvolvem gama de materiais “verdes” para a indústria

sustentabilidade
A procura de uma solução para o plástico não biodegradável e para os resíduos gerados pela indústria da madeira juntou investigadores das Universidades de Coimbra (UC) e Aveiro (UA) e do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) no projeto C-TEC, promovido pelo grupo empresarial Vangest.
Neste projecto, uma equipa liderada por Filipe Antunes, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu uma gama de materiais compósitos biodegradáveis a partir da combinação de diversos plásticos com fibras vegetais (serradura de pinho e fibras de celulose extraídas da madeira) para aplicação em diversos sectores de actividade.
Materiais compósitos são materiais que resultam da combinação de dois ou mais produtos com propriedades individuais incompatíveis. É o caso dos produtos utilizados nesta investigação, desenvolvida no âmbito de um projecto financiado pelo QREN – Quadro de Referência Estratégica nacional. Por exemplo, os plásticos têm propriedades hidrofóbicas enquanto a madeira tem características hidrofílicas.
Então, como compatibilizar estes dois materiais tão diferentes? “Esse foi um grande problema que tivemos de ultrapassar. O segredo está em modificar as propriedades de ambos os materiais e obter um produto amigo do ambiente e a um preço de mercado competitivo”, desvenda Filipe Antunes.
Assim, “para compatibilizar estes materiais, utilizámos diversas estratégias como a introdução de aditivos com carácter misto, capazes de fazer a ponte entre as duas naturezas radicalmente opostas, nomeadamente polímeros modificados que se entrelaçam com a matriz do compósito e reagem com as fibras”, descreve.
“Fizemos também modificações na superfície das fibras vegetais, revestindo-as com moléculas hidrofóbicas, conferindo deste modo uma maior afinidade das fibras com a matriz”, acrescenta Gabriela Martins, investigadora da equipa da UC.
Depois de modificadas as propriedades de cada um dos materiais, seguiram-se vários estudos e experiências “até conseguir as formulações certas para os fins desejados, garantindo todas as propriedades térmicas e mecânicas, isto é, a resistência necessária para aplicações industriais diversas”, clarifica o investigador do Departamento de Química da FCTUC.
No âmbito do estudo foram produzidos protótipos para aplicação, por exemplo, na indústria automóvel, embalagem, jardinagem e sistemas de sombreamento em prédios.
Foto: via Creative Commons

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Investigadores demonstram forma de evoluir de gene que resiste a antibióticos

Investigadores portugueses demonstraram a forma de evoluir do gene que permite às bactérias resistirem aos medicamentos, segundo um estudo hoje publicado na revista científica PLOS Genetics.
O trabalho, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova, mostra como o gene evoluiu, os mecanismos envolvidos e o número de vezes que a resistência emergiu de forma independente, explica o organismo em comunicado.
O Instituto lembra a capacidade de as bactérias se tornarem resistentes aos antibióticos, o que acontece pela aquisição de um gene, o mecA, que evoluiu de um gene inofensivo e “cuja presença permite às bactérias continuarem a multiplicar-se mesmo na presença deste antibiótico”.
O trabalho “demonstra que o uso de antibióticos no tratamento de infeções e como aditivos na alimentação de animais de produção para consumo humano” foi o que mais contribuiu “para a evolução do gene inofensivo para a versão que permite resistir aos antibióticos”.
“O objetivo deste estudo foi o de identificar os passos do processo de evolução que permitiram que um gene inofensivo em bactérias as tornasse resistentes aos antibióticos da família das penicilinas”, disse Maria Miragaia, a investigadora responsável pelo projeto e que, citada no comunicado, sublinha a importância do controlo no uso de antibióticos para limitar e prevenir novos genes de resistência.
O trabalho foi feito em colaboração entre a Nova e instituições suíças, dinamarquesas, inglesas e norte-americanas.