quinta-feira, 17 de Abril de 2014

SAPO Notícias
Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Cientistas produzem sangue artificial em laboratório

Cientistas produzem sangue artificial em laboratório
No Reino Unido, uma investigação sobre células estaminais conseguiu produzir glóbulos vermelhos adequados às transfusões de sangue entre humanos. Os especialistas acreditam que a descoberta abre portas para a produção de sangue industrial em laboratório, o que pode mudar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.
 
O anúncio foi feito por Marc Turner, líder da investigação e docente na Universidade de Edinburgo, que conseguiu criar glóbulos vermelhos, do tipo sanguíne O, através de células estaminais.

"Há mais equipas com investigações do género em mãos, mas esta é a primeira vez que alguém consegue fabricar sangue com a qualidade e padrões de segurança apropriados para transfusões de sangue em humanos", refere ao The Telegraph.
 
Para isso, o especialista usou células estaminais pluripotentes induzidas (iPS), retiradas do corpo humano e alteradas para um estado embrionário. De seguida, Turner inseriu-as em ambientes com condições bioquímicas idênticas ao organismo humano, induzindo as células iPS numa transformação em glóbulos vermelhos do tipo sanguíneo O.
 
As previsões apontam para a conclusão dos ensaios clínicos no final de 2016 ou início de 2017, com as novas células, produzidas artificialmente, a ser testadas em três pacientes com talassemia, uma doença ao nível do sangue que requer transfusões frequentes.
 
O responsável acredita ter dado mais um passo em direção à produção industrial de sangue artificial em laboratório, livre de qualquer anomalia e compatível com todos os pacientes.

segunda-feira, 14 de Abril de 2014


PÚBLICO

Tratamento contra hepatite C eliminou vírus em mais de 90% dos casos

Tratamento foi aplicado a doentes de cirrose. Passadas 12 semanas do final da medicação, o vírus não foi detectado em mais de 90% dos doentes.
Um novo tratamento contra uma das variantes do vírus da hepatite C foi testado em 380 pessoas, todas com cirrose. Três meses após o fim do tratamento, o vírus tinha sido eliminado em mais de 90% dos doentes tratados, conclui um estudo publicado na última edição da revista New England Journal of Medicine.
O tratamento foi feito à base de várias substâncias químicas, mas sem a utilização de interferões – o composto que, até agora, era a única arma que tinha alguma eficácia contra o vírus da hepatite C, tratando definitivamente a doença em 50% dos doentes, mas que provocava muitos efeitos secundários.
“Estes níveis de resposta são do outro mundo, não fazem parte do mesmo planeta dos níveis de resposta do interferão”, diz em comunicado Fred Poordad, o cientista líder desta investigação publicada agora, da Escola de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em San Antonio, Estados Unidos. “A razão deste estudo ser tão importante é porque o interferão não é tolerado nem é seguro em muitas pessoas que têm cirrose. Neste estudo, muitos dos doentes de cirrose nem sequer seriam aceites para serem tratados com o interferão.”
A hepatite C afecta cerca de 200 milhões de pessoas no mundo. Não existe nenhuma vacina contra esta doença. Em Portugal, de acordo com os dados da Associação Grupo de Apoio SOS Hepatites, estima-se existirem 150 mil portadores do vírus.
As pessoas podem contrair o vírus quando entram em contacto com sangue infectado, na partilha de seringas ou em relações sexuais. O vírus multiplica-se maciçamente nas células do fígado, mas também pode infectar os linfócitos, células do sistema imunitário.
Um quinto das pessoas infectadas consegue debelar o vírus, mas na maioria, a hepatite C torna-se crónica, causando cansaço, mal-estar e náuseas. A doença também é conhecida como hepatite silenciosa, já que muitas vezes não causa sintomas. No entanto, ao fim de décadas, pode causar cirrose e provocar cancro no fígado.
Existem quatro genótipos mais importantes da hepatite C (variantes deste vírus), que tem uma grande capacidade de mutação. Segundo a Associação Grupo de Apoio SOS Hepatites, o genótipo 1e o genótipo 4 são aqueles que têm mais resistência ao tratamento tradicional, com interferão.
No novo estudo, os doentes foram tratados com o cocktail de quatro substâncias (ABT-450/ritonavir, ombitasvir, dasabuvir e ribavirina), por via oral. Estes químicos são inibidores de proteínas importantes para a replicação do vírus.
Medicação no mercado apontada para 2015
O tratamento só foi testado em portadores do genótipo 1 da hepatite C que tinham cirrose. Os doentes foram testados em 78 clínicas em Espanha, Alemanha, Inglaterra e nos Estados Unidos, entre 2012 e 2013. Um dos factores que impedia alguém de entrar nestes ensaios clínicos era ser portador de outro vírus crónico como o VIH, o vírus da sida.
Os doentes foram divididos em dois grupos: 208 receberam a medicação durante 12 semanas, enquanto 172 receberam a medicação durante 24 semanas. Os efeitos secundários mais comuns foram fadiga, dores de cabeça e náuseas.
No grupo das 12 semanas, 191 (91,8%) dos 208 participantes ficaram livres do vírus 12 semanas após o fim dos tratamentos. No caso do grupo das 24 semanas, 165 (95,9%) dos 172 participantes não tinham vírus 12 semanas após o fim do tratamento. Os investigadores vão continuar a testar anualmente estes participantes para verificar que a doença está, de facto, debelada.
Os ensaios foram apoiados pela farmacêutica AbbVie. Segundo o comunicado, espera-se que este regime de medicação esteja no mercado no final deste ano ou no início de 2015.

terça-feira, 8 de Abril de 2014

 
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Lei do Português na Galiza publicada hoje no Diário Oficial entra em vigor na quarta-feira





Segundo o responsável, “a própria língua galega, pelo facto de ser parecida com o português, outorga uma valiosa vantagem competitiva à cidadania galega em muitas vertentes, nomeadamente na cultural, mas também na económica”.
Por essa razão, sustenta: “devemos dotar-nos de métodos formativos e comunicativos que nos permitam desenvolver-nos com naturalidade numa língua que nos é próxima e nos concede uma grande projeção internacional”.
Assim, “para a melhoria do desenvolvimento social, económico e cultural galego, as autoridades devem promover todas as medidas possíveis para melhor valorizar esta vantagem histórica”, sublinha, a começar pela “incorporação progressiva da aprendizagem da língua portuguesa no âmbito das competências em línguas estrangeiras nos centros de ensino da Comunidade Autónoma da Galiza”.
A lei estipula igualmente que “deverão ser promovidas as relações a todos os níveis com os países de língua oficial portuguesa, constituindo este um objetivo estratégico do Governo galego”.
Para tal, “fomentar-se-á o conhecimento desta língua por parte dos funcionários públicos, a participação das instituições em fóruns lusófonos de todo o tipo – económico, cultura, ambiental, desportivo, etc. -, bem como a organização, na Comunidade Autónoma Galega, de eventos com a presença de entidades e pessoas de territórios que tenham o português como língua oficial”.
O Governo regional galego propõe-se ainda promover e estimular junto do Governo espanhol “a adoção de quantas medidas positivas sejam necessárias para a aplicação das disposições da Diretiva 2007/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, sobre serviços audiovisuais sem fronteiras, com o fim de favorecer e permitir a reciprocidade das emissões televisivas e radiofónicas entre a Comunidade Autónoma da Galiza e a República de Portugal, com a qual partilha património linguístico”.
Por último, a nova lei dita que a Rádio-Televisão da Galiza “promoverá os intercâmbios de produções audiovisuais e de programas completos ou partes destes nos diversos géneros televisivos, bem como a colaboração em matéria de projetos audiovisuais novos, a cooperação no emprego de meios de produção técnicos e humanos e a partilha de conhecimento aplicado à produção audiovisual ou à gestão empresarial, com televisões de língua portuguesa”.

quarta-feira, 2 de Abril de 2014


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Portugal

Prémios Nobel apadrinham em Coimbra o primeiro centro de ensaios clínicos fase I

O CHUC, criado na sequência da agregação de várias unidades hospitalares de Coimbra, congrega, além daqueles dois hospitais centrais, o Hospital Pediátrico, três hospitais psiquiátricos e duas maternidades
O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) inaugura na sexta-feira, com a presença de vários prémio Nobel, o primeiro Centro Nacional de Ensaios Clínicos do Serviço Nacional de Saúde que vai fazer testes maioritariamente em pessoas saudáveis.
Os ensaios de fase I visam, essencialmente, o estudo da segurança dos medicamentos e têm tradicionalmente como população alvo voluntários saudáveis.
"Este centro é muito importante por três razões. Em primeiro, porque coloca o CHUC e o país na vanguarda da inovação e da investigação sob ensaios clínicos e dispositivos médicos e tecnologias inovadoras", disse à agência Lusa o presidente do CHUC, Martins Nunes.
Permitirá também, de acordo com Martins Nunes, às "empresas portuguesas que habitualmente faziam estes estudos no estrangeiro, que agora os possam fazer em Portugal".
Além disso, as empresas estrangeiras, que recorriam a outros países [para estes ensaios], podem agora fazê-lo em Portugal, apostando assim na riqueza para o país que o centro pode criar, sublinhou.
"Em terceiro lugar, na cadeia do desenvolvimento da inovação, permite-se que os doentes tenham acesso mais precocemente a medicamentos e a equipamentos inovadores", disse o responsável.
O investimento em infraestruturas é inferior a cem mil euros e todo apoiado por mecenas, explicou também.
A fase 1 dos ensaios clínicos assinala a experimentação de fármacos em seres humanos, pela primeira vez.
Estes ensaios focam-se principalmente na segurança e tolerância ao medicamento.
Nesta fase (num conjunto de cinco níveis), são estudadas as implicações em termos de segurança de determinadas moléculas para desenvolvimentos futuros.
A inauguração do centro de ensaios clínicos, que deverá contar também com a presença do ministro da Saúde, ocorre no contexto da realização de um evento científico, que contará com a presença de quatro laureados Nobel da Medicina e da Química e ainda investigadores nacionais, no âmbito do Nobel Day.
Os laureados são Bruce Beutler, Nobel em Medicina que desenvolverá uma conferência sobre o tema "Mutagénese aleatória para descobrir a função dos genes"; Tim Hunt, Nobel em Medicina, que produzirá uma conferência sobre "Como ganhar um Prémio Nobel: o controlo da divisão celular"; Jean-Marie Lehn, Nobel de Química, com o tema "Da matéria à vida: Química? Química!"; e Aaron Ciechanover, Nobel de Química, que falará sobre "A Revolução da Medicina Personalizada: Será que vamos curar todas as doenças? E a que preço?".
O CHUC, criado na sequência da agregação de várias unidades hospitalares de Coimbra, congrega, além daqueles dois hospitais centrais (Covões e HUC), o Hospital Pediátrico, três hospitais psiquiátricos (Sobral Cid, Arnês e de Lorvão) e duas maternidades (Daniel de Matos e Bissaya Barreto).

segunda-feira, 31 de Março de 2014

VISÃO

Pode estar a caminho uma vacina contra o cancro da próstata

A descoberta de uma vacina que parece capaz de detetar e destruir as células cancerígenas é uma nova esperança no combate a uma doença que afeta cerca de 4 mil portugueses por ano


A pesquisa realizada pelo médico brasileiro Fernando Kreutz, da Universidade de Porto Alegre, teve como finalidade marcar as células "doentes", tornando-as "visíveis". O objetivo é que uma vez detetadas pelo sistema imunitário este consiga destruí-las. 
A vacina é fabricada a partir de células tumorais do doente que são posteriormente reproduzidas em laboratório. Posteriormente, através de radiação, são reentroduzidas no organismo do doente. A estrutura celular recebe uma substância moduladora que é administrada ao paciente e "o sistema imunológico reconhece isso e prolifera, multiplica essas células que vão destruir o tumor."
Em 2002 começaram a ser realizados testes com um grupo de 48 pacientes com idade média de 63 anos. Todo o grupo foi submetido ao tratamento convencional, com radioterapia e hormonas, mas a 26 deles foi também administrada a vacina. 
"No grupo de controle que recebeu o tratamento convencional, tivemos 19% de mortalidade, exatamente o que era esperado estatisticamente. No grupo vacinado, tivemos uma mortalidade de 9%", conta o médico."
A produção da vacina que pode revolucionar à àrea da saúde neste campo, ainda não tem, no entanto, data prevista.

sexta-feira, 28 de Março de 2014

segunda-feira, 24 de Março de 2014

Selecções do Reader's Digest
DAR SEM ESPERAR RETORNO
Uma festa para recordar 
 
O dia 15 de setembro de 2013 era o dia perfeito para um casamento em Atlanta - sol e 25°C. Tamara Fowler tinha planeado casar-se nesse dia. Só que um mês antes do casamento, telefonou aos pais, em Roswell, na Georgia, a dizer-lhes que cancelara o casamento. Os pais, Willie e Carol Fowler, ficaram «devastados», lembra Carol. Por que razão, então, nesse mesmo dia de setembro, estão Willie, Carol e Tamara a comer, a beber e a dançar, entre centenas de foliões no Villa Christina, em Atlanta? 
 
É que quando Willie e Carol enfrentaram a perspetiva de perder 75 do valor da caução depositada na conta daquele restaurante italiano caríssimo que tinham reservado para o copo-d'água da filha, Willie teve uma ideia - e quando Carol ligou para o sítio a desmarcar, o marido impediu-a. «Vamos fazer a minha festa de anos e convidamos os sem-abrigo!», resumiu Willie, que fazia 70 anos a 16 de setembro. 
 
Assim, Carol acabou por telefonar para uma instituição sem fins lucrativos e pediu-lhes para alargar o convite a todas as famílias locais em dificuldades: ao todo, apareceram 237 homens, mulheres e crianças. 
 
Durante o cocktail, as crianças brincaram no enorme relvado do restaurante e beberam limonada cor-de-rosa. No pátio exterior, os adultos debicavam entradas como tapas de camarão com coco, minifolhados com salada de galinha e miniaturas de massa com queijo. Depois do jantar, terminaram a noite a dançar no salão. «Os nossos convidados disseram-nos que tiveram a melhor refeição de sempre!», conta Carol. 
 
A dada altura, Tamara abraçou a mãe e sussurrou-lhe: «Ainda bem que conseguimos ajudar todas estas pessoas em vez de deitarmos tudo isto fora.» Segundo diz Carol: «Esta experiência enriqueceu-nos muito mais do que imaginámos.» 
 
Alyssa Jung

Sapo SAÚDE

Cientistas australianos descobrem como as células cancerígenas enganam organismo

Células cancerígenas emitem molécula que impede sistema imunitário de combater o cancro

24 de março de 2014

Uma equipa de cientistas australianos acredita ter descoberto a forma como as células cancerígenas enganam o sistema imunológico do organismo, levando-o a pensar que são inofensivas, noticiou hoje a cadeia australiana SBS.

A descoberta permite uma maior compreensão da forma como os glóbulos brancos, também conhecidos por "células assassinas", distinguem as células inofensivas das doentes e poderá levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para os cancros mais agressivos e avançados, segundo o investigador principal do projeto, Mark Smyth.

"Diz-nos algo que não sabíamos antes. E tem também implicações nos vírus", disse Smyth, do Instituto Berghofer de Investigação Médica de Queensland (QIMR/Queensland Institute of Medical Research - Berghofer), na Austrália.

"Essencialmente mostra que o cancro 'sequestra' o sistema de reconhecimento e ativação imunológica, o que lhe permite espalhar-se pelo corpo", acrescentou, considerando a descoberta "muito entusiasmante".

"Passei grande parte da minha carreira a tentar convencer as pessoas de que o sistema imunológico reage ao cancro", sublinhou, acrescentando: "O nosso trabalho é importante, mas apenas uma pequena parte do retrato completo".

Os investigadores identificaram uma proteína conhecida como CD96, que se encontra nos glóbulos brancos e que tem como função evitar que as "células assassinas" ataquem os tecidos saudáveis.

Molécula inibe sistema imunitário

Contudo, os cientistas descobriram que as células cancerígenas emitem uma molécula, reconhecida pela CD96, que impede as 'células assassinas' de reagirem.

A equipa conseguiu provar a sua teoria com experiências em laboratório. O próximo passo é fazer testes em células humanas.

"Se resultar, faz sentido desenvolver anticorpos para bloquear a proteína CD96", disse Smyth, cuja descoberta foi publicada no jornal Nature Immunology.

sábado, 22 de Março de 2014


Sapo SAÚDE

O chocolate negro faz mesmo bem à saúde

O chocolate negro faz mesmo bem à saúdeFibras do cacau são importantes para o combate de doenças como o cancro do colón

21 de março de 2014

Muitos outros estudos já publicados mostravam os benefícios do chocolate negro, mas as razões continuavam por desvendar. 

Mas no encontro anual da American Chemical Society, em Dallas, John Finley, professor e investigador da Universidade do Estado do Louisiana, afirmou “que alguns dos componentes do cacau são muito bons para saúde”.

Finley e Maria Moore, aluna e investigadora deste projeto, decidiram perceber de que forma as fibras não digeríveis do cacau, que vão directamente para o cólon, têm impacto no organismo.

Desta forma, os investigadores recorreram a um modelo de sistema digestivo similar ao do humano e concluíram que as fibras do cacau, depois de fermentarem, transformavam-se em ácidos gordos de cadeia curta, “a comida preferida das células do cólon”, explicou Finley.

“Existem dois tipos de bactérias no intestino, as boas e as más. As bactérias boas, tais como Bifidobacterium e a bactéria do ácido láctico, adoram chocolate. Quando comes chocolate preto, elas crescem e fermentam, produzindo componentes anti-inflamatórias”, explicou Moore no encontro.

Finley e Moore concluiram que a combinação do teor de fibra do cacau com os ingredientes não digeridos dos alimentos pode contribuir para a saúde, criando maior resistência ao cancro do cólon e à doença inflamatória do intestino.

SAPO Saúde

quinta-feira, 20 de Março de 2014

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 França proibiu cultivo de milho transgénico da Monsanto

Num decreto-lei hoje publicado, o governo justifica a decisão de proibir a variedade de milho Mon 810 dizendo que o seu cultivo, "sem medidas de gestão adequadas, representaria riscos graves para o ambiente O governo francês proibiu o cultivo do milho transgénico da multinacional Monsanto, autorizado pela União Europeia, a algumas semanas da cimeira de líderes e quando é esperada a apresentação de um projeto-lei, em abril.
 Num decreto-lei hoje publicado, o governo justifica a decisão de proibir a variedade de milho Mon 810 dizendo que o seu cultivo, "sem medidas de gestão adequadas, representaria riscos graves para o ambiente, assim como perigo de propagação de organismos danosos". O documento refere várias vezes o "princípio de precaução" e as "incertezas" sobre as consequências da presença deste milho geneticamente modificado. O executivo francês recorda que este tipo de milho foi autorizado pela UE em 1998 com base numa diretiva europeia de 1990 que considera ter um nível de exigência "muito mais débil" na avaliação de riscos do que a lei que a substituiu em 2001. 
De qualquer modo, o governo acrescenta que a Comissão Europeia está a preparar uma alteração àquela diretiva, uma matéria em debate com os Estados membros. 
A decisão governamental surge depois de a Associação Geral dos Produtores de Milho francesa ter anunciado a intenção de alguns agricultores de recorrer este ano ao milho transgénico autorizado pela UE. 
 A França já tem defendido a necessidade de alterar os procedimentos europeus de autorização dos organismos geneticamente modificados (OGM) para torná-los mais exigentes e permitir que, em última instância, seja cada país a decidir. 
 A cimeira de líderes europeus está marcada para 20 e 21 de março. 
 *Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa