terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PÚBLICO

Entrevista

“Estigmatizamos os pobres em vez de estigmatizarmos a pobreza”

O pretexto era mais uma campanha de venda de velas, neste Natal, para angariar fundos. Mas Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, falou sobretudo do país, da pobreza infantil, daquilo onde, na sua opinião, nunca se devia cortar. “As crianças e os mais velhos não dão lucro. Na óptica desta economia são despesa.”
“Se as crianças são menos saudáveis, vamos ter mais encargos com saúde; se são mais revoltadas, vão ser mais anti-sociais” Enric Vives-Rubio
Ironiza um pouco: “O sistema capitalista tem tido um mérito muito grande.” Um mérito que joga a favor do próprio sistema, “claro”. E que mérito é esse? “Põe os pobres contra os pobres. É o povo que aponta o dedo. E os mais populistas aproveitam esta forma de estar...” A entrevista a Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, acontece no mês do Natal, quando nas mesas da sede da Cáritas, em Lisboa, se multiplicam velinhas de todas as cores — destinadas a serem vendidas em mais uma campanha de angariação de fundos, num ano em que a pobreza infantil está em destaque em muitas das iniciativas típicas da época. Uma em cada três crianças portuguesas está em risco de pobreza ou exclusão social.
O que é ser uma criança pobre em Portugal?
É não ter possibilidade de fazer o número de refeições que se considera que são necessários. Temos crianças que, se não fosse a escola ou alguma Instituição Particular de Solidariedade Social em que estão, não teriam acesso a uma refeição digna. Para muitas, a única completa do ponto de vista dos nutrientes é a que recebem na escola ou na instituição. Depois, é não ter acesso a cuidados de saúde que são determinantes para superar doenças que se podem tornar crónicas. E não ter acesso a todos os recursos educativos que a generalidade das crianças têm. Quando digo recursos digo material escolar, apoio escolar para reforço das aprendizagens. Porque uma criança se não é bem alimentada, se dorme em condições precárias, tem um risco acrescido de contrair doenças e de insucesso escolar. Outro risco ainda é um que não estamos a acautelar devidamente e que está a tomar proporções próximas daquelas que existiam antes do 25 de Abril: o abandono escolar.
Acha que está a aumentar?
Está a aumentar. Por causa das carências económicas, da falta de recursos, mas também devido ao paradigma com que as crianças se confrontam: estar numa turma, perguntarem-lhes se trouxeram o computador, a maior parte levantar o braço e haver dois ou três que não levantam... Para esses dois ou três isto não cria vontade de ir à escola. Por outro lado, há crianças que já trazem consigo uma história, de pobreza geracional, e a escola não tem conseguido saber ser um espaço de integração. Pelo contrário, é um espaço de competição. E estas crianças são resilientes a muitas coisas, mas não são resilientes a uma competição que apela a um esforço cognitivo, que envolve também num esforço emotivo... a nossa escola não está projectada para atender personalizadamente a cada um destes casos.
O ambiente é hoje mais desfavorável para as crianças?
Não é hoje. É há muito. Simplesmente agora veio ao de cima porque o que tem fomentado isso colapsou. O sistema económico e financeiro que nos orienta só valoriza o que dá lucro, põe em primeiro lugar o que tem preço. E as crianças e os mais velhos não dão lucro. Na óptica desta economia são despesa. Aliás, na óptica de muitos governos, os investimentos que se fazem na educação, na saúde, na segurança social são despesa. E não se consegue ter o alcance político de perceber que podendo ser despesa num tempo concreto, vão ser, no futuro — e usando a mesma linguagem capitalista —, lucro.
Se as crianças são menos saudáveis vamos ter mais encargos com saúde, se são mais revoltadas, vão ser mais anti-sociais, e isso paga-se... Há muitos anos, um economista calculou o que um jovem gastou ao Estado numa só noite, a partir de um assalto que fez. Gastou mais nessa noite ao Estado do que se se tivesse investido na sua educação, nos primeiros anos de vida. Gastou no carro que assaltou, na montra que partiu, na fuga, no atropelamento que fez e, eventualmente, por ter ficado ferido com danos irremediáveis que o tornaram para sempre um dependente da sociedade... Esta sociedade capitalista quer resultados, quer os máximos resultados num curto prazo, e não previne.
Nos últimos três anos tem havido cortes significativos...
Há uma parte que compõe a troika, a dos nossos parceiros europeus, que é a mais inflexível. A Europa hoje traiu o ideal dos seus fundadores, é comandada por dois ou três países economicamente mais seguros — até ver —, e não tem sido nada solidária com os países periféricos. A crise bateu forte nestes países, nalguns, é verdade, por governação desgovernada — porque não foram todos responsáveis pela crise, não digam que foram todos porque não foram!
Todos os cidadãos?
Sim. Quando se diz que a culpa é de todos, não é verdade!
Essa ideia vem geralmente acompanhada de outra: a de que o país tinha todo que empobrecer um bocadinho...
Ideia perversa. Não foi isso que aconteceu com esta crise. A riqueza de alguns continuou a aumentar, continuou a aumentar o número de ricos.
Eu compreendo que a dívida tem que ser aliviada. Agora, primeiro que a dívida estão as pessoas. Quando veio o memorando e se percebeu que ele foi construído com bases não realistas (porque uma parte da dívida não estava identificada), este Governo devia ter imposto à troika uma revisão imediata... O memorando devia ter sido revisto, a dívida deveria ser paga num maior espaço de tempo e com taxas solidárias — porque estas taxas impostas pelo Banco Central Europeu são altamente injustas, não estão a baixar a dívida, estão a aumentar a dívida. E, pelos vistos, não estão satisfeitos porque querem exigir que países como a Grécia e Portugal cumpram mais medidas de reajustamento económico. A Grécia já reagiu — foi sempre mais indisciplinada e com isso teve sempre mais benesses. Espero que Portugal não ceda. Porque o orçamento que está previsto para 2015 já é bastante penoso. Numa altura de crise, de fragilidade como a que estamos a viver, nunca se deve mexer naquilo que pode criar alguns equilíbrios. Ter reduzido as prestações sociais...

domingo, 14 de dezembro de 2014

RR

O médico português que estudou na NASA e ajuda refugiados na Ásia



  • Pedro Caetano na NASA. Foto: DR
    Pedro Caetano na NASA. Foto: DR





14-12-2014
Pedro Caetano foi um dos primeiros portugueses a estudar medicina aeroespacial na NASA. Agora, está num campo de refugiados da Tailândia.






Em 27 anos de vida, Pedro Caetano já tirou um curso de medicina, estudou na NASA e viajou para a Ásia onde faz trabalho humanitário num campo de refugiados na fronteira entre a Tailândia e Myanmar (antiga Birmânia).

Pedro Caetano foi um dos primeiros portugueses a fazer um curso de iniciação à medicina aeroespacial na NASA. Agora, dedica o seu tempo a fazer trabalho humanitário na área da medicina tropical.

Ser médico não era um sonho antigo. Quando teve de escolher um curso superior, não pensou imediatamente em medicina, contou à Renascença, ao telefone. Mas concorreu e entrou. Ao longo dos anos foi-se interessando pela área da investigação, sobretudo em medicina tropical e humanitária.

Em 2010, frequentou uma pós-graduação em medicina tropical e foi durante esse tempo que teve contacto com a medicina aeronáutica.

"Fiquei mais interessado e fui tentar ver o que podia fazer nessa área. Entretanto, consegui saber desse curso dos Estados Unidos, da NASA, e concorri. Não tendo grandes expectativas de ser escolhido, porque nunca fiz nada relacionado [com medicina aeronáutica], acabei por entrar", conta.

Rumo ao Oriente
A oportunidade implicava trabalhar e terminar a especialidade nos Estados Unidos. Por isso, voltou à Europa para terminar os estudos. Mas rapidamente, "sem saber muito bem o que ia fazer", saltaria para novas latitudes: a fronteira entre a Tailândia e Myanmar.

Na Tailândia, onde está desde Outubro, conseguiu explorar as áreas pelas quais se tinha apaixonado na faculdade: a medicina tropical e o trabalho humanitário. Presta apoio médico no campo de Mae La, onde estão 50 mil refugiados, no âmbito de um programa da SMRU Oxford, que investiga doenças tropicais.

"Estou numa vila a uma hora de distância do campo e vou todos os dias de manhã para lá. Dou apoio médico sobretudo a crianças e grávidas. Mas damos todo o tipo de apoio a pessoas que chegam no próprio dia com sintomas de doenças tropicais como a malária, dengue, febre tifóide, ou então com um corte numa perna, uma alergia, vemos tudo", conta.

Alargar horizontes
"Continuo a gostar de investigação e tenciono seguir essa área, mas comecei a aproximar-me de outras áreas que preferi durante o curso e nos últimos anos. Tem mais a ver com prazer pessoal e realização pessoal", diz.

Para Pedro Caetano, a experiência asiática é um "alargar de horizontes" e uma "abertura de espírito". "É muito diferente trabalhar num curso de medicina aeroespacial num sítio como a NASA, com as condições incríveis que aquilo tem, e depois vir para aqui para condições quase desumanas".

"Permite-nos ter uma visão um bocadinho diferente do que é o mundo real e não do que acontece na Europa e nos Estados Unidos."

Até ao fim do ano, Pedro vai fazer trabalho humanitário na Ásia. Depois, tenciona voltar para Portugal para terminar o internato em Gaia e dedicar-se à conjugação das três áreas de que mais gosta: medicina tropical, aeronáutica e investigação.

Só não começa já, sorri, porque não tem "tempo para tudo".

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

RR Renascença

Museu do Holocausto distingue mais um português que salvou judeus dos nazis

Imagem: DR
O padre Joaquim Carreira junta-se a Aristides Sousa Mendes e outros dois portugueses que ajudaram a salvar judeus durante a perseguição nazi.  
11-12-2014 por Filipe d’Avillez
O museu e memorial do Holocausto em Jerusalém, Yad Vashem, anunciou que vai nomear mais um português para a sua lista dos “justos entre as nações”, que designa pessoas não judaicas que tenham contribuído para salvar judeus durante a perseguição nazi.

O padre Joaquim Carreira, que à época era vice-reitor e depois reitor do Colégio Português em Roma, vai tornar-se assim o quarto português a merecer esta distinção. A informação é veiculada em primeira mão pelo blogue Religionline, do jornalista António Marujo, que teve acesso à decisão do Yad Vashem.

Durante a ocupação de Roma pelos nazis o padre Joaquim Carreira escondeu várias pessoas no edifício do colégio, correndo para isso graves riscos. Entre os fugitivos encontravam-se pessoas procuradas pelo regime nazi da Alemanha e fascista de Itália, mas também pelo menos três judeus que assim conseguiram evitar serem deportados para campos de concentração.

O padre Carreira deixou muito clara, na altura, a sua motivação, ao ter escrito no relatório de actividade do colégio: “Concedi asilo e hospitalidade no colégio a pessoas que eram perseguidas na base de leis injustas e desumanas”.


O museu Yad Vashem. Foto: DR
Como edifício pertencente à Santa Sé, o Colégio Português não podia ser invadido nem revistado pelos nazis, mas isso não impediu os soldados de o tentar fazer pelo menos numa ocasião, precisamente à procura de refugiados. A tentativa saiu frustrada, uma vez que todos se conseguiram esconder, mas o susto foi o suficiente para que os três judeus, Elio, Roberto e Isacco Cittone, todos da mesma família, procurassem outro local para se refugiar.

Anos mais tarde, o mais novo deles, Elio, não deixou de referir que devia a sua vida à acção do padre Carreira: “Estou-lhe muito grato e recordo sempre o facto de ele me ter salvo a vida”, afirmou, em declarações reproduzidas no Religionline.

O padre Carreira junta-se assim a Aristides Sousa Mendes, o mais famoso português da lista dos “justos entre as nações” distinguidos pelo Yad Vashem. Os outros dois são Carlos Sampayo Garrido, embaixador na Hungria, que ajudou a salvar mil judeus e José Brito Mendes, um operário residente em França, e que salvou uma menina judia.

A decisão do Yad Vashem foi tomada com base em documentação surgida recentemente incluindo um trabalho de investigação levado a cabo pelo jornalista António Marujo, que na altura trabalhava no "Público", e que agora publicou a notícia no Religionline, com o qual colabora.

O jornalista mostra-se assim duplamente satisfeito: "Obviamente há um lado pessoal de contentamento, por ter, com a ajuda de outras pessoas, ajudada à divulgação desta história e à pesquisa do facto de ele ter acolhido refugiados e concretamente judeus no Colégio Pontifício Português. Mas é sobretudo importante pelo reconheicmento de uma figura que pelos testemunhos que existem, era alguém de coração muito bondoso, capaz de acolher pessoas, como ele dizia, que eram perseguidas com base em leis injustas e desumanas."

Para António Marujo a história do padre Joaquim Carreira tem lições para os dias de hoje: "Essa dimensão de alguém que independentemente da circunstância política ou religiosa das pessoas foi capaz de acolher os outros em nome da dignidade humana, tão menosprezada nesses tempos, ainda hoje me parece um excelente exemplo para tantas situações que vemos hoje em dia, de pessoas espezinhadas em nome da grande finança, de situações políticas menos claras, como por exemplo se passa com os cristãos perseguidos em tantos países", considera.














sábado, 6 de dezembro de 2014

ZAP  aeiou

ONU defende aumento do salário mínimo e RSI em Portugal

Bill Dickinson / Flickr
O Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas considera que Portugal deve aumentar o salário mínimo nacional, alinhando-o com a evolução do custo de vida, e alargar os potenciais beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI).
Num relatório a que a agência Lusa teve acesso, o comité “toma nota do aumento da proporção de empregados que recebem o salário mínimo, que passou de 5,5% em abril de 2007, para 12% em outubro de 2013 e, apesar de elogiar a decisão do Estado de aumentar o salário mínimo de 485 para 505 euros em outubro, depois de ter sido congelado desde 2011, continua preocupado que continue a não ser suficiente para dar aos trabalhadores e às suas famílias uma vida decente”.
Por isso, os peritos recomendam a Portugal “que garanta que o salário mínimo assegure aos trabalhadores e famílias uma vida decente e que seja periodicamente revisto e ajustado em linha com o custo de vida”.
O relatório foi elaborado pelo Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas, um órgão criado pelo Conselho Económico e Social das Nações Unidas composto por 18 peritos independentes que controlam o cumprimento das obrigações dos estados que subscreveram o acordo.
Esta é a quarta avaliação da transposição dos princípios do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que Portugal assinou em 1978, para a legislação portuguesa, e resulta de um conjunto de reuniões entre a delegação portuguesa e o comité das Nações Unidas responsável de avaliar o cumprimento dos princípios do tratado pela parte portuguesa.

Rendimento Social de Inserção também insuficiente

Outra das recomendações na parte que analisa os direitos laborais, no âmbito do princípio do direito ao emprego, prende-se com o conjunto de prestações sociais destinadas a garantir uma subsistência mínima aos mais desfavorecidos.
“O Conselho está preocupado que os benefícios usados no ‘Indexante de Apoios Sociais’, congelado nos últimos anos como parte das medidas de austeridade, bem como o montante mínimo do subsídio de doença, não sejam suficientes para dar aos beneficiários e às suas famílias um nível de vida decente, afetando em particular os grupos e pessoas mais desfavorecidos”.
Assim, a ONU, depois de lembrar que a taxa de pobreza atingiu 18,7% em 2012, o nível mais elevado desde 2005, sublinha a sua preocupação com os “altos níveis de desigualdade no rendimento” e recomenda a Portugal que “fortaleça os esforços para combater a pobreza”, nomeadamente combatendo as falhas na cobertura da proteção social e a adequação dos subsídios, garantindo que o sistema de segurança social incida efetivamente sobre os que estão em alto risco de pobreza.
Especificamente, os peritos da ONU consideram que o nível de referência do RSI “deve ser aumentado progressivamente para garantir o aumento do número de beneficiários elegíveis”.
Por outro lado, a ONU recomenda também que o índice de apoio social seja “ajustado em linha com a evolução das necessidades dos beneficiários, com vista a reduzir as desigualdades no rendimento e acabando por eliminar o impacto adverso das medidas de austeridade.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

ZAP aeiou
Ciência & Saúde  ,

Cientistas descobrem escudo invisível que protege a Terra de radiação perigosa

Goddard / NASA
Esta animação ilustra como as partículas se movem através das cinturas de radiação da Terra. A esfera no meio mostra uma nuvem de material mais frio chamada plasmasfera. Novas investigações mostram que a plasmasfera ajuda a manter os electrões altamente energéticos e rápidos, das cinturas de radiação, longe da Terra
Esta animação ilustra como as partículas se movem através das cinturas de radiação da Terra. A esfera no meio mostra uma nuvem de material mais frio chamada plasmasfera. Novas investigações mostram que a plasmasfera ajuda a manter os electrões altamente energéticos e rápidos, das cinturas de radiação, longe da Terra
Cientistas descobriram que as chamadas Cinturas de Van Allen, duas zonas de radiação fervilhante que rodeiam a Terra, contêm uma barreira quase impenetrável que impede os electrões mais rápidos e energéticos de chegar à Terra.
As Cinturas de radiação de Van Allen são uma colecção de partículas carregadas, reunidas pelo campo magnético da Terra. Podem aumentar e diminuir em resposta à energia recebida do Sol, por vezes inchando o suficiente para expor os satélites em órbita baixa da Terra a radiação prejudicial.
A descoberta do colector, que actua como uma barreira dentro das cinturas, foi feita pelas sondas Van Allen da NASA, lançadas em Agosto de 2012 para estudar a região. Um artigo sobre estes resultados foi publicado na edição online de dia 27 de Novembro da revista Nature.
“Esta barreira para electrões ultra-rápidos é uma característica marcante das cinturas,” afirma Dan Baker, cientista espacial da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, e autor principal do estudo. “Fomos capazes de a estudar pela primeira vez, porque nunca tivemos medições tão precisas desses electrões altamente energéticos até agora.”
A compreensão do que dá às cinturas de radiação a sua forma e do que pode afectar o modo como incham ou encolhem ajuda os cientistas a prever o aparecimento dessas alterações. Tais previsões podem ajudar os cientistas a proteger os satélites na área da radiação.
As Cinturas de Van Allen foram a primeira descoberta da era espacial, medidas com o lançamento do primeiro satélite americano, o Explorer 1, em 1958. Nas décadas seguintes, os cientistas descobriram que o tamanho das cinturas pode mudar – podem até fundir-se ou mesmo separar-se ocasionalmente em três cinturas. Mas geralmente a cintura interna estende-se entre os 650 e os 9650 km acima da superfície da Terra e a cintura exterior entre os 13.500 e os 58.000km acima da superfície da Terra.
Uma zona de espaço quase vazio normalmente separa as cinturas. Mas, o que as mantém separadas? Porque é que existe uma região entre as cinturas, sem electrões?
É aqui que entra a barreira recém-descoberta. Os dados das sondas Van Allen mostram que a borda interna da cintura exterior é, de facto, altamente pronunciada. Para os electrões mais rápidos e energéticos, esta orla é uma fronteira que, em circunstâncias normais, os electrões simplesmente não conseguem penetrar.
“Quando estudamos os electrões altamente energéticos, só chegam até uma certa distância da Terra,” afirma Shri Kanekal, cientista-adjunto da missão das sondas Van Allen no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Marylan, e co-autor do artigo publicado na Nature. “Isto é completamente novo. Nós certamente não esperávamos tal coisa.”
A equipa analisou as possíveis causas e determinou que as transmissões geradas por humanos não eram a causa da barreira. Analisaram também as causas físicas: será que a própria forma do campo magnético da Terra cria esta fronteira? Os cientistas estudaram essa hipótese, mas eliminaram a possibilidade.
E no que toca à presença de outras partículas espaciais? Parece ser esta a causa mais provável.

Plasmasfera

As cinturas de radiação não são as únicas estruturas de partículas ao redor da Terra. Uma nuvem gigante de partículas carregadas e relativamente frias, chamada plasmasfera, preenche a região mais exterior da atmosfera da Terra, começando a partir dos 960km e estendendo-se parcialmente até à cintura exterior de Van Allen. As partículas no limite exterior da plasmasfera fazem com que as partículas na cintura exterior de radiação se dispersem, removendo-as da cintura.
Goddard / NASA
Uma nuvem de gás frio e carregado em redor da Terra, chamada plasmasfera e vista aqui em roxo, interage com as partículas nas cinturas de radiação da Terra - em cinzento - para criar uma barreira impenetrável que impede com que os electrões mais rápidos se movam para mais perto do nosso planeta
Uma nuvem de gás frio e carregado em redor da Terra, chamada plasmasfera e vista aqui em roxo, interage com as partículas nas cinturas de radiação da Terra – em cinzento – para criar uma barreira impenetrável que impede com que os electrões mais rápidos se movam para mais perto do nosso planeta
Este efeito de dispersão é bastante fraco e pode não ser suficiente para manter os electrões na orla no lugar, à excepção de um capricho de geometria: os electrões da cintura de radiação movem-se incrivelmente rápido, mas não em direcção à Terra. Em vez disso, movem-se em círculos gigantes em torno da Terra.
Os dados das sondas Van Allen mostram que na direcção da Terra, os electrões mais energéticos têm muito pouco movimento, se é que o têm – apenas uma deriva lenta e subtil que ocorre ao longo de meses. Este é um movimento tão lento e fraco que pode ser repelido pela dispersão provocada pela plasmasfera.
Isto também ajuda a explicar por que – sob condições extremas, quando um vento solar especialmente forte ou uma erupção solar gigante, como uma ejecção de massa coronal, envia nuvens de material para o espaço próximo da Terra – os electrões da cintura exterior podem ser empurrados para a região normalmente vazia entre as cinturas.
“A dispersão devida à plasmapausa é forte o suficiente para criar uma parede na borda interna da cintura exterior de Van Allen”, afirma Baker. “Mas um evento solar forte faz com que a fronteira da plasmasfera se mova para dentro.”
Uma entrada maciça de matéria do Sol pode corroer a plasmasfera exterior, movendo os seus limites para dentro e permitindo com que os electrões das cinturas de radiação também se movam mais para perto da Terra.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014


UNESCO - Cante Alentejano é Património Imaterial da Humanidade



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O Cante Alentejano é Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A decisão foi conhecida hoje em Paris no decorrer a 9.ª reunião do Comité Internacional da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (PCI).

Café Portugal | quinta-feira, 27 de Novembro de 2014


A decisão agora conhecida decorre do parecer positivo de uma comissão internacional da UNESCO que, no final de Outubro passado, aceitou a candidatura do Cante Alentejano. A mesma comissão garantiu, à data, que a candidatura portuguesa reunia todas as condições para ser inscrita na Lista Representativa do Património Imaterial.


O Cante é expressão de um povo que canta os trabalhos do campo, os bailaricos, as festas religiosas, os amores juvenis, no embalo de palavras tecidas por poetas populares.


A declaração do Cante Alentejano como Património da Humanidade foi aprovada às 11h18, hora francesa, (10h18 em Portugal continental).


Os membros presentes na reunião do comité da UNESCO, consideraram a candidatura como um dos «bons exemplos selecionados pelo comité».


A pedido da comitiva portuguesa, e após a decisão, as vozes de cantadores alentejanos fizeram-se ouvir na sala onde está reunido o comité. Uma actuação muito aplaudida.


A candidatura agora reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade, contou com a organização da Câmara de Serpa, Confraria do Cante Alentejano e Entidade de Turismo do Alentejo a candidatura do Cante e com os apoios da Casa do Alentejo e da Associação MODA - Associação do Cante Alentejano.


A Comissão de Honra da candidatura é presidida, entre outras personalidades, pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, pelo presidente do conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, pelo presidente do Grupo Nabeiro/Delta Cafés Rui Nabeiro, por Tomé Pires, Presidente da Câmara Municipal de Serpa, e António Ceia da Silva, Presidente da Direcção da Turismo do Alentejo e Ribatejo.


Recorde-se que a candidatura do Cante foi entregue à UNESCO em Março de 2013, depois de, em 2012, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter decidido adiar a sua apresentação, por considerar que o processo não reunia condições para ser aceite.


O Comité Internacional da UNESCO está reunido em Paris (França) até 28 de Novembro.


A Convenção da UNESCO para a salvaguarda do PCI entrou em vigor em 2006, foi assinada por 146 países, e ratificada por Portugal em 2008.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


 VISÃO

Veja a homenagem de 35 artistas portugueses a Carlos do Carmo

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Um vídeo de "Lisboa Menina e Moça" a 35 vozes serve de homenagem a Carlos do Carmo, no dia em que o fadista recebe o Grammy Latino de Carreira no Hollywood MGM de Las Vegas.

O fadista Carlos do Carmo recebe hoje o Grammy Latino de Carreira, no Hollywood MGM Theatre, em Las Vegas, no Nevada, antecedendo a entrega anual dos Grammy Latinos, na quinta-feira.

Além do criador de "Canoas do Tejo", recebem igualmente um Grammy de Carreira, por "Excelência Musical", Willy Chirino, César Costa, o Dúo Dinámico, Los Lobos, Valeria Lynch e Ney Matogrosso.

Nesta mesma cerimónia, prevista para as 10:00 locais (18:00, hora continental portuguesa), recebem o Prémio do Conselho Diretivo da Latin Academy of Recording Arts and Sciences (LARAS) os músicos André Midani e Juan Vicente Torrealba.

Para homenagear Carlos do Carmo, a Rádio Comercial reuniu 35 artistas para cantar "Lisboa Menina e Moça".




quarta-feira, 12 de novembro de 2014

VISÃO 
 
Vacina pode dar a idosos sistema imunitário de jovens de 
20 anos

Quarta feira, 12 de Novembro de 2014
 Uma vez injetado, o novo medicamento, acreditam os investigadores, tornará os sistemas imunitários mais vulneráveis muito mais eficazes, permitindo reduzir o número de mortes por gripe entre a população mais idosa.
 Cientistas britânicos da Universidade de Oxford desenvolveram um tratamento para impulsionar o sistema imunitário dos mais idosos, "rejuvenascendo-o": Os investigadores acreditam que o medicamento permitirá a alguém com 90 anos ter o sistema imunitário de um jovem nas casa dos 20. 
Se os ensaios clínicos confirmarem este resultado, obtido em ratos, os médicos terão em mãos uma forma de reduzir drasticamente as mortes anuais por gripe. 
Só em Portugal, a gripe mata anualmente entre 1500 a 2000 pessoas e mais de 500 mil a nível mundial. Parte do problema é a fraca reação dos mais idosos à vacina contra a gripe, o que poderá ser combatido com o novo medicamento, capaz de restabelecer a "memória" enfraquecida do sistema imunitário. O químico poderá até ser administrado em conjunto com as vacinas existentes.
 Ler mais: http://visao.sapo.pt/vacina-pode-dar-a-idosos-sistema-imunitario-de-jovens-de-20-anos=f801244#ixzz3IsugS16b

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cientistas descobrem mecanismo de cura espontânea de VIH

simcsea / Flickr
-
Cientistas franceses anunciaram esta terça-feira ter descoberto o mecanismo genético de uma “cura espontânea” em dois homens infetados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) e propuseram uma nova estratégia para combater a SIDA.
A descoberta é baseada no estudo de dois homens infetados com o VIH que nunca desenvolveram sintomas de SIDA. O vírus permaneceu nas células do sistema imunitário, mas foi inativado porque o seu código genético foi alterado, segundo os investigadores.
Em análise estiveram os casos de um homem de 57 anos diagnosticado VIH positivo em 1985 e um outro de 23 anos diagnosticado em 2011.
Os cientistas sequenciaram o genoma do VIH em amostras retiradas dos dois homens que, dizem, registaram uma “aparente cura espontânea”.
A mutação pode estar ligada a uma enzima comum designada APOBEC, indicou a equipa científica.
“O trabalho abre caminhos terapêuticos para a cura, utilizando ou estimulando aquela enzima”, indicam os investigadores num comunicado.
A investigação, publicada na revista Clinical Microbiology and Infection, foi realizada por cientistas do Instituto Nacional de Saúde e de Investigação Médica (INSERM).
Até hoje há apenas um caso conhecido de cura de um doente com SIDA, Tomothy Ray Brown, que recebeu um transplante de medula para combater uma leucemia, de um dador com resistência ao HIV.
ZAP / Lusa

  Diário Digital

Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes

Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes

Joana Gaspar, investigadora de pós-doutoramento na Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP-ERC) e no Centro de Doenças Crónicas (CEDOC) da Universidade NOVA de Lisboa, estuda mecanismos celulares e moleculares da diabetes e acaba de ser galardoada com o prémio Europeu da Federação Internacional de Diabetes (IDF) para jovens investigadores.

A APDP é a associação de doentes diabéticos mais antiga do mundo e o CEDOC é o mais recente instituto de investigação com sede em Lisboa no campus de Santana.
O prémio foi entregue nas cerimónias do Dia Mundial da Diabetes, que decorreu esta quarta-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
A atribuição do prémio reconheceu «a excelência da investigação científica na área da Biologia celular e molecular aplicada à Diabetes, especificamente no estudo de novos mecanismos de regulação da glicose pós-prandial (após uma refeição) e sensibilidade à insulina».
Joana Gaspar integra projectos de medicina translacional, que envolvem a colaboração entre o CEDOC e a APDP, explicando que «o nosso principal objectivo é descobrir novos factores fisiológicos que aumentem a sensibilidade à insulina, de modo a prevenir e superar a resistência inicial à insulina que está associada ao desenvolvimento da diabetes tipo 2».
A equipa de investigação de que faz parte Joana Gaspar está focada a estudar os sinais induzidos pela alimentação que aumentam a sensibilidade à insulina como resposta à ingestão de determinados nutrientes. O fígado é um dos órgãos chave que integra estes sinais alimentares, permitindo uma melhor sensibilidade à insulina por parte de outros órgãos, como é o caso do músculo esqueléticos, coração e rins. Estudos recentes indicam que a insulina é captada e metabolizada pelo fígado levando à produção de novas moléculas que aumentam a sensibilidade à insulina, contribuindo para uma regulação mais eficaz dos níveis de glicose após as refeições.
«Estamos a investigar os sinais alimentares em irmãos de pessoas com diabetes tipo 2, uma vez que são um importante grupo de risco para desenvolver a doença. Ao percebermos como é que estes sinais atuam pode-se desenvolver novos tratamentos que irão ajudar a prevenir a progressão da diabetes tipo 2», esclarece a investigadora.
Desde o início da sua carreira que Joana Gaspar se interessa por compreender as complexidades da diabetes e suas complicações associadas. «A diabetes é a doença crónica mais comum, afectando milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, um em cada 10 adultos tem diabetes», refere a investigadora. Acrescenta ainda que «o que é muito alarmante é que cerca de metade das pessoas com diabetes ainda não foi diagnosticada. Apesar da intensa investigação para compreender esta doença, ainda existe um longo caminho a percorrer no estudo da diabetes, que continua uma doença sem cura. Assim a mais pequena descoberta poderá ter um enorme impacto na vida destas pessoas, especialmente por ser uma doença silenciosa, com inúmeros factores e que afecta todos os órgãos».
«É uma honra para mim receber este prémio. Mais do que o reconhecimento do meu trabalho, é o reconhecimento do empenho de todas as pessoas que trabalham comigo e que tornam possível estas descobertas. É isto que nos motiva a fazer mais para compreender a Diabetes, melhorar a vida das pessoas que vivem nesta condição e, finalmente, ajudar a encontrar a cura para esta doença», remata Joana Gaspar.
O prémio atribuído a Joana Gaspar durante as cerimónias no Parlamento Europeu foi entregue por. João Nabais, presidente da IDF - Europa. A investigadora recebeu um cheque de 10 mil euros, que será doado a uma instituição à sua escolha.