quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

JN

Urina transformada em eletricidade pela UMinho

Processo baseia-se na separação e reutilização das correntes de água geradas nas casas

Publicado

EMÍLIA MONTEIRO
 
 

Urina transformada em eletricidade pela UMinho

 
Parece estranho e Madalena Aves, docente da Universidade do Minho e responsável pela investigação, confirma que não é fácil explicar a ideia e a forma de "produzir energia elétrica com base na urina humana".
"As pessoas só têm que imaginar que, assim como já fazem a separação dos resíduos sólidos para que eles possam ser reaproveitados de forma diferenciada, isso também pode e deve acontecer com os efluentes líquidos, entre eles a urina", simplificou a professora universitária.
O objetivo é produzir, numa primeira fase, fertilizantes para solos rico em fósforo e magnésio. Numa segunda fase, será a de utilizar células de combustível microbianas capazes de gerar eletricidade e fertilizantes ricos em azoto.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Le QuotidienLuxembourg

François Bausch, jamais sans son vélo


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Photo: Pierre Matgé
Le vélo, ce n'est pas qu'un mot inscrit sur un projet de loi posé sur le bureau du ministre du Développement durable et des Infrastructures, c'est le quotidien de François Bausch, qui sillonne la ville à bicyclette.

 Observ.- Este político, ministro, vive num país onde o salário mínimo atinge os 1921 € mensais...

De notre journaliste
Delphine Dard

Si on veut parler mobilité douce et des projets prévus en la matière à Luxembourg et dans le pays, il faut s'adresser au ministre du Développement durable et des Infrastructures, François Bausch. Et quand on prononce le mot vélo, le ministre est intarissable et sait de quoi il parle, puisqu'il circule tous les jours sur son Brompton.

Le ministre du Développement durable et des Infrastructures, François Bausch, est particulièrement sensible au sujet de la mobilité à vélo, pas seulement par rapport à la fonction qu'il occupe, mais aussi parce qu'il se déplace quotidiennement à bicyclette.

Chaque matin et chaque soir, il effectue à vélo les cinq kilomètres qui séparent son domicile du ministère, et lorsqu'il a un rendez-vous en ville, il opte évidemment aussi pour son vélo. «Le vélo est le moyen de transport le plus efficace en ville. Vous n'avez pas de problème d'embouteillages, et généralement, vous trouvez un emplacement pour garer votre bicyclette juste devant l'endroit où vous souhaitez vous rendre», explique le ministre.

Il force ainsi l'admiration de ses collaborateurs les plus proches et suscite parfois aussi leur jalousie lorsqu'ils se retrouvent bloqués dans leur véhicule sur le pont qui relie le Kirchberg au centre-ville et voient passer le ministre tranquillement à vélo, ce dernier qui, évidemment, sera arrivé avant eux aux rendez-vous, ou aura même pris le temps de s'arrêter discuter avec un citoyen ou une connaissance.
 

sábado, 23 de Agosto de 2014








GREEN SAVERS 

Nova Iorque: cabeleireiro oferece cortes de cabelo aos sem-abrigo todos os domingos

Mark Bustos, um cabeleireiro de Nova Iorque, passa os seus domingos – o único dia em que não trabalha – a cortar os cabelos dos sem-abrigo de forma gratuita, já que de outra maneira estas pessoas não o conseguiriam cortar.
A ideia surgiu a Mark quando em 2012 foi visitar a família nas Filipinas. Tocado pela pobreza local, o cabeleireiro decidiu alugar uma barbearia para poder cortar o cabelo de crianças locais necessitadas, escreve o Bored Panda.
A experiência foi tão gratificante que, quando regressou a Nova Iorque, decidiu que aos domingos iria trocar o salão de luxo, onde trabalha, pelas ruas, ajudando os mais necessitados da maneira que melhor sabe fazer: melhorando-lhes o visual.
Na rua, a abordagem é sempre a mesma. Bustos aproxima-se de uma pessoa a quem diz “Hoje quero fazer alguma coisa simpática por si”. Se o interesse foi mútuo, o cabeleireiro oferece os seus serviços. Bustos chega a cortar o cabelo a seis sem-abrigo a cada domingo. As imagens dos resultados são publicadas posteriormente na sua conta de Instagram.
Este “hair stylist” trabalha na área desde a adolescência – aos 14 anos fazia as primeiras experiências em cabelos de desconhecidos na garagem dos seus pais. Cortar o cabelo a sem-abrigo é sua forma de contribuir numa cidade que tem mais de 60 mil pessoas sem casa.
Mark Bustos conta que o seu “cliente” mais memorável foi um sem-abrigo chamado Jemar Banks. “Ele não tinha muito para falar enquanto eu lhe cortava o cabelo, até eu lhe mostrar o resultado do que tinha acabado de fazer. A primeira coisa que me disse foi ‘Conhece alguém que esteja a contratar?’”.

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Rádio Renascença

Portuguesa na elite mundial dos inovadores criou adesivo que salva bebés

Foto: DR
  • Áudio "Temos bons cientistas"
  • Áudio Adesivo chegará ao mercado dentro de 2 ou 3 anos
  • Áudio Como surgiu a ideia do adesivo?
  • Áudio "É uma honra pelo reconhecimento do trabalho"






Uma mente brilhante. Maria Pereira é a primeira cientista portuguesa a integrar a lista de inovadores com menos de 35 anos da "MIT Technology Review".
21-08-2014 6:00 por Ricardo Vieira

Uma ideia que pode ajudar a salvar bebés com problemas cardiovasculares valeu à cientista portuguesa Maria Pereira um lugar na lista dos jovens mais inovadores do mundo, elaborada pela revista "MIT Technology Review".
"É uma honra pelo reconhecimento do trabalho que foi feito e claro que é importante ser distinguida nesta lista. Fiquei surpreendida e muito contente", disse à Renascença a investigadora, de 28 anos, que actualmente desenvolve a sua actividade em Paris.
Maria Pereira é a primeira cientista portuguesa a integrar a lista de inovadores com menos de 35 anos da "MIT Technology Review" pelo seu trabalho no campo da biotecnologia e medicina e desenvolvimento de uma tecnologia com capacidade para transformar o mundo. 
Adesivo para "pequenos buraquinhos no coração"maria licenciou-se em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra, integrou o projecto MIT Portugal e rumou aos Estados Unidos. Em Boston, ajudou a criar um adesivo que pode ser aplicado nos bebés (seis em cada mil) que todos os anos nascem com problemas cardiovasculares.
A investigação envolveu uma equipa multidisciplinar de médicos e cientistas e contou com a colaboração de várias instituições, como o Brigham & Women’s Hospital e o Children’s Hospital de Boston.
"Primeiro, identificou-se o problema e, depois, surgiu a ideia de desenvolver estes adesivos” para fechar os “pequenos buraquinhos no coração" dos bebés e restabelecer a circulação sanguínea, explica Maria Pereira.
O adesivo é formado por um biomaterial que pode ser aplicado no recém-nascido de maneira menos agressiva do que uma cirurgia tradicional. 
"Actualmente, isto feito é através de operações invasivas, com a aplicação de costuras. Também existem alguns dispositivos médicos, mas normalmente são metálicos, não têm capacidade de crescer com a criança e causam alguma erosão nos tecidos cardíacos. Então, a ideia que nós tivemos foi desenvolver um adesivo que pode ser aplicado de maneira minimamente invasiva e que adere bem ao tecido cardíaco mesmo na presença de sangue", sublinha a cientista.
O projecto começou a ser desenvolvido em 2009 e três anos depois começaram os testes em animais. "Neste momento, a tecnologia foi licenciada à ‘startup’ Gecko Biomedical e o nosso plano é trazer a tecnologia para o mercado no espaço de dois a três anos", estima Maria Pereira.

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

SAPO Desporto
Futebol Feminino
11-08-2014

Ouriense garante apuramento inédito para Liga Campeões

Atlético Ouriense bate ASA Tel-Aviv no segundo jogo do Grupo 8 de apuramento.
 
Foto: PAULO CUNHA/LUSA Dois golos na segunda parte garantiram hoje a vitória ao Atlético Ouriense sobre o ASA Tel-Aviv
Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt
Dois golos na segunda parte garantiram hoje a vitória ao Atlético Ouriense sobre o ASA Tel-Aviv, em Fátima, conseguindo o clube de Ourém o apuramento para a Liga dos Campeões, feito inédito no futebol feminino português.
No segundo jogo do Grupo 8 de apuramento para a Liga dos Campeões, o Atlético Ouriense venceu por 2-1, golos de Mariana Coelho e Pisco, em duas falhas da guarda-redes da equipa de Israel, assegurando a segunda vitória e consequente apuramento.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Justin Welby, de calças brancas, teve um papel importante nesta decisão histórica (foto AP)
Igreja aprova nomeação de mulheres bispo
in A BOLA  Redação
 
A igreja de Inglaterra (anglicana) ultrapassou esta segunda-feira divisões amargas e votou a favor da nomeação de mulheres bispo pela primeira vez em quase 500 anos de história.

Esta decisão contraria a anterior rejeição de 2012 e surge depois de uma intensiva diplomacia levada a cabo pelo Arcebispo de Canterbury, Justin Welby.

A votação foi feita pelas diferentes “casas” da igreja, tendo na Câmara dos Bispos votado 37 a favor, dois contra e uma abstenção, a Casa do Clero teve 162 votos a favor, 25 contra e quatro abstenções e a Câmara dos Leigos 152 a favor, 45 contra e cinco abstenções.

As primeiras mulheres bispo podem agora ser nomeadas antes do fim do ano.

domingo, 13 de Julho de 2014

Sapo Desporto
Canoagem
13-07-2014 15:25

Emanuel Silva e João Ribeiro sagram-se campeões da Europa de K2 500

Portugal conquista a quinta medalha nos Europeus de canoagem.
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Dupla de ouro na Alemanha

A dupla portuguesa formada por Emanuel Silva e João Ribeiro sagrou-se hoje campeã da Europa de K2 500 metros, nos campeonatos de canoagem que decorrem em Brandenburg an der Havel, na Alemanha.

Cerca de meia hora depois de subirem ao terceiro lugar do pódio de K4 1000, com Fernando Pimenta e David Fernandes, Emanuel Silva e João Ribeiro juntaram o título europeu ao Mundial, conquistado em 2013 na cidade alemã de Duisburgo.

Esta foi a quinta medalha, a primeira de ouro, conquistada para Portugal na última jornada destes Europeus de canoagem.

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

 VISÃO

As autoridades norte-americanas anunciaram que vão acelerar o processo de aprovação para colocar no mercado um novo tratamento experimental que tem obtido resultados promissores na cura da leucemia.
Trata-se de uma imunoterapia personalizada conhecida pelo nome de CTL019, desenvolvida pela Universidade da Pensilvânia e considerada um "grande avanço" pela Agência Federal do Medicamento (FDA) dos Estados Unidos, entidade que avalia todas as substâncias terapêuticas e terapias.
Isto significa que esta terapia vai beneficiar de um processo acelerado de avaliação por parte da FDA, tal como uma atenção particular para a sua colocação no mercado, já que foi a primeira imunoterapia contra o cancro a receber esta designação.
A terapia consiste em extrair células T imunitárias do paciente e depois programá-las geneticamente em laboratório para que anulem as células cancerígenas que produzem a proteína CD19.
Estas células T modificadas são depois injetadas no organismo do paciente, onde se multiplicam e atacam diretamente o cancro, tendo 89 por cento dos pacientes tratados até agora entrado em remissão da doença.
A primeira criança a receber o tratamento, Emily Whitehead, celebrou em maio dois anos de remissão da doença.
"Os primeiros resultados dão imensas esperanças para um grupo desesperado de pacientes e muitos deles conseguiram recuperar uma vida normal na escola ou no trabalho depois de receberem esta nova imunoterapia personalizada", disse o chefe da equipa de pesquisa da Universidade de Pensilvânia, Carl June.
A universidade aliou-se em 2012 à empresa farmacêutica Novartis para desenvolver e autorizar testes com esta terapia para o tratamento de vários tipos de cancro. 

terça-feira, 8 de Julho de 2014

PÚBLICO Ciência

No Porto, está a ser criada uma vacina para proteger o bebé antes de nascer

Será a primeira vacina neonatal do mundo. É para ser aplicada às mulheres e, assim, evitar que os filhos recém-nascidos, ou na sua barriga, desenvolvam infecções que matam mais de um milhão de bebés por ano no mundo.
Ao proteger a mãe, a vacina em desenvolvimento passaria a imunidade criada ao bebé Paulo Pimenta
As infecções transmitidas da mãe para filho durante a gravidez e logo após o nascimento são um grande problema de saúde. Causadas por bactérias, podem desencadear pneumonias, meningites e sépsis (infecção geral), levando nalguns casos à morte. Uma equipa de cientistas da Universidade do Porto desenvolveu a primeira vacina neonatal do mundo para prevenir estas três infecções e, agora, cedeu os seus direitos de comercialização a uma empresa de biotecnologia portuguesa.
Tudo começou há mais de 30 anos. Nessa altura, Mário Arala Chaves, conceituado investigador e imunologista português, fundador do Laboratório de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, identificou que a bactéria Streptococcus intermedius libertava moléculas que interagiam com o sistema imunitário do hospedeiro. O resultado disso é que o “desligava”.
“Foi uma descoberta interessante: parecia que as bactérias libertavam algo que era imunossupressor. Ele ainda não sabia muito bem como nem o quê, apenas sabia que algo era libertado”, conta ao PÚBLICO Pedro Madureira, investigador do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), também da Universidade do Porto, e que esteve envolvido neste estudo nos últimos 12 anos.
Foi seguindo a linha de investigação de Mário Arala Chaves que a equipa do ICBAS, liderada por Paula Ferreira, conseguiu mais tarde identificar a proteína imunossupressora em questão e determinar a sua influência no sistema imunitário dos recém-nascidos.
O que fazem essas bactérias? “Em concreto, libertam uma proteína que ‘desliga’ o sistema imunitário das crianças”, explica Pedro Madureira. “As crianças são muito susceptíveis a um determinado tipo de infecções por bactérias, exactamente porque libertam essa proteína que ‘desliga’ o sistema imunitário. As bactérias replicam-se e as crianças podem morrer se não forem tratadas.”
Tendo desde sempre em vista a criação de uma vacina, a equipa começou a trabalhar no desenvolvimento de uma que contivesse pequenas porções da proteína imunossupressora. O objectivo é evitar infecções perinatais, ou seja, que ocorrem antes, durante ou logo após o parto.
Esta é a primeira vacina no mundo que induz o organismo a produzir anticorpos nas mulheres para as três infecções perinatais (pneumonia, meningite e sépsis), para assim neutralizar a molécula que enfraquece o sistema imunitário. À semelhança do concluído por Mário Arala Chaves para a Streptococcus intermedius, a equipa já liderada por Paula Ferreira identificou essa mesma molécula noutras bactérias (o mesmo mecanismo foi aliás explorado pela equipa desta cientista para criar uma vacina contra as bactérias que provocam a cárie e que está patenteada desde há alguns anos).
“No mundo não há nada, rigorosamente nada”, frisa Pedro Madureira, referindo-se a uma vacina neonatal.
Uma das bactérias que a vacina pretende combater é a Streptococcus agalactiae (ou Streptococcus do grupo do B), um dos principais agentes infecciosos nos recém-nascidos. Em relação às outras bactérias-alvo da vacina, o investigador não as quer revelar por questões comerciais.
“Normalmente, existem quatro bactérias que são as principais causadoras deste tipo de doenças. Duas das bactérias não causam nenhum problema à mãe, mas, quando passam para o bebé, podem causar infecções”, diz Pedro Madureira. “Uma única vacina — são os resultados que temos — consegue evitar infecções causadas por vários tipos de microrganismos.”
Até agora, se não forem detectadas a tempo, estas infecções são tratadas tarde de mais com antibióticos. Por ano, incluindo os nados-mortos, matam mais de um milhão de bebés no mundo. Mas mais de 50% dos bebés que sobrevivem ficam com sequelas graves: perda de visão, de audição e défices cognitivos.
“As sequelas neurológicas podem durar a vida toda. Vários estudos demonstram que grande parte das crianças que tiveram infecções durante o período neonatal tem um défice de aprendizagem na idade escolar. Mesmo não matando, as infecções causam sequelas graves.”
A vacina será administrada às mulheres — e não aos bebés —, porque muitas vezes as infecções ocorrem ainda na barriga da mãe. Desta forma, as mulheres produzirão os anticorpos necessários, passando-os para o bebé. Caso seja infectado, o bebé recebe os anticorpos da mãe que neutralizarão essa proteína imunossupressora. Segundo o investigador, a vacina deverá conseguir combater “90% das bactérias que causam infecções em recém-nascidos”.
A ideia é vacinar as mulheres logo no início da adolescência, independentemente pensarem ou não em engravidar um dia, defende Pedro Madureira. “Por exemplo, receber duas doses da vacina e, caso seja necessário, outra dose na gravidez.”

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Diário Digital

Filhos de gays são tão ou mais saudáveis do que os outros, indica estudo

Filhos de gays são tão ou mais saudáveis do que os outros, indica estudo

No que diz respeito à saúde, as crianças criadas em contexto homossexual "estão a sair-se bem, quando não melhor", do que as que vivem em contexto heterossexual, considera a equipa de investigadores da Universidade de Melbourne, que publicou o estudo na revista médica "BMC Public Health" a 21 de junho.

Os resultados do estudo australiano, que pretendia "descrever o bem estar físico, mental e social das crianças australianas que vivem com casais do mesmo sexo, e o impacto que o estigma tem nelas", foram hoje noticiados pelo jornal "The Washington Post".
A conclusão "não é propriamente uma novidade" e "confirma" o que já se sabia, que "são mais as semelhanças do que as diferenças entre as crianças que são educadas em contexto hetero e em contexto homoparental", destaca o psicólogo Jorge Gato, que ajudou a Lusa a ler os resultados.
Todos os estudos já feitos mostram que, "independentemente do método, do tamanho da amostra, daquilo que se estuda, há sempre uma convergência numa maior semelhança do que diferença entre estas duas famílias", resume Jorge Gato.
A "BMC Public Health" é uma revista "idónea", onde "é difícil publicar", pois "só" se aceitam "artigos de qualidade", frisa Jorge Gato, destacando a dimensão do estudo australiano, que recorreu a uma amostra "bastante significativa".
A equipa da Universidade de Melbourne seguiu 315 casais homossexuais e 500 crianças em toda a Austrália, comparando os seus resultados com os indicadores de saúde e bem-estar da população em geral.
Outra das novidades é que o estudo inclui quase 20 por cento de crianças que vivem com casais gay, amostra geralmente "menos estudada, porque menos disponível", realça Jorge Gato. "É mais fácil estudar as lésbicas, também porque provavelmente serão a maioria, porque é mais fácil para uma lésbica recorrer a uma inseminação artificial do que a um gay recorrer a uma barriga de aluguer", explica.
Em indicadores como "comportamento emocional" e "funcionamento físico", os investigadores australianos não encontraram diferenças entre as crianças em contexto homo e heteroparental, sublinhando que as qualidades da educação e o bem estar económico das famílias são mais importantes do que a orientação sexual dos pais.
Por outro lado, "as crianças que vivem com famílias homossexuais tiveram resultados, em média, seis por cento melhores em dois indicadores: saúde geral e coesão familiar", concluiu a equipa liderada pelo investigador Simon Crouch.
A conclusão de que os casais do mesmo sexo podem ser bons pais dá eco aos resultados de investigações já realizadas no passado. Porém, este estudo sugere que os filhos desses casais podem estar em vantagem por não terem um educação tão estereotipada no que respeita às relações e papéis de género.
Em declarações à ABC News, Simon Crouch deu como exemplo que os casais do mesmo sexo têm mais probabilidade de partilhar responsabilidades em casa do que os casais heterossexuais. Sair do esquema tradicional dos papéis de género resulta numa "unidade familiar mais harmoniosa", refere o estudo.
"Quando emergem diferenças [entre filhos de homo e heterossexuais], são geralmente a favor das crianças educadas em contexto homoparental, é o caso aqui também", nota Gato.
"Uma educação não tão estereotipada, mais livre, mais virada para a diversidade" promove o bem estar, corrobora o investigador, acrescentando que, geralmente, os casais homossexuais investem muito nas crianças, porque "foram uma escolha" e "raramente" um "acidente".
De acordo com o estudo, cerca de dois terços das crianças com pais homossexuais experimentaram alguma forma de discriminação por causa da orientação sexual dos seus pais, mas, "mesmo assim, conseguem ter melhores resultados do que os outros em algumas áreas", refere Gato.
O estudo sublinha que "nenhum tipo de família é necessariamente melhor do que outro" e que as crianças "podem crescer em contextos familiares muito diferentes".
Resumindo, "não é verdade" que, "como frequentemente se sugere, as crianças de pais do mesmo sexo tenham piores resultados por lhes faltar uma figura parental", sustenta a equipa, garantindo que "os dados são suficientes para saber o que é bom para as crianças".
Diário Digital com Lusa