quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Green Savers

Pavegen: o chão que torna passos em energia eléctrica

E se fosse possível transformar os passos que dá nas longas caminhadas pelo bairro em energia eléctrica? Foi com isto em mente que Laurence Kemball- Cook, fundador da Pavegen, criou um piso para transformar a força que produzimos enquanto caminhamos em energia eléctrica.
A ideia foi testada em 2012, quando a estação de metro WesT Tube, em Londres, recebeu uma instalação da Pavegen para as Olimpíadas. A energia gerada durante a exposição serviu para iluminar 12 painéis de LED instalados pela capital inglesa.
Entretanto a empresa lançou uma versão melhorada do dispositivo, com Laurence a acreditar que pode ser até 200 vezes mais eficiente que o primeiro modelo. Com um custo de produção mais reduzido e melhores resultados práticos, tudo indica que Pavegen pode estar no bom caminho para a produção em grande escala.
Para o fundador da empresa, o Pavegen pode ter um papel importante na mudança para um mundo mais sustentável. No futuro e, através de uma simples ligação entre o chão que pisamos e o nosso telemóvel, poderíamos saber logo ali a energia que estamos a produzir naquele exacto momento. A nossa força para a mudança estaria literalmente aos nossos pés.
O vídeo de Laurence Kemball no evento TedxRio+20 explica em detalhe todo o processo do Pavegen e, acima de tudo, é a história de um homem que quis fazer mais pelo planeta.
Foto: Pavegen

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

RR

Igualdade salarial. Portugal estuda importação de modelo islandês

09 jan, 2018 - 10:16
“Todas as empresas têm de garantir transparência remuneratória”, diz a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, convidada da Manhã da Renascença.
Foto: EPA
Foto: EPA
Portugal está a estudar a possibilidade de importar o modelo islandês de certificação da igualdade salarial. A informação foi transmitida à Renascença pela secretária de Estado Rosa Monteiro.
“O Governo português tem vindo a ter contactos com o Governo islandês e também com o alemão”, no sentido de “estudar a adaptação” da certificação a Portugal, afirma Rosa Monteiro.
Segundo a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, “em Novembro esteve cá uma representante dos governos islandês e alemão” para dar conta das medidas tomadas em cada um dos países e o diploma que o Governo apresentou na Assembleia da República, “e que pretende promover a igualdade salarial”, já se “inspirou amplamente” nos modelos adoptados por aqueles países.
A Islândia foi é o primeiro país a obrigar as empresas com mais de 25 trabalhadores a acabar com as diferenças salariais entre homens e mulheres. Desde o dia 1 de Janeiro, as empresas são obrigadas a certificar e provar que pagam salários iguais a homens e mulheres com a mesma função.
Na Alemanha, um dos países da União Europeia com maior desfasamento remuneratório entre géneros, desde o dia 5 que as grandes empresas são obrigadas a informar as trabalhadoras de quanto ganham os seus colegas masculinos.
Em Portugal, os homens ganham, em média e de acordo com os dados da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género 990,05 euros de salário, enquanto as mulheres se ficam pelos 824,99 euros.
Em Novembro, o Governo apresentou uma proposta de lei para combater estas desigualdades salariais e a secretária de Estado para a Igualdade admite aplicar, por cá, uma certificação semelhante à da Islândia.
“O nosso objectivo neste momento é estudarmos a viabilidade de termos cá esta certificação, porque é mais uma ferramenta que as empresas e as entidades empregadoras poderão ter ao seu dispor para fazerem auditorias internas e perceber onde estão as raízes da desigualdade e onde estão discriminações que desembocam em salários e ganhos desiguais”, explica na Manhã da Renascença.
“A sua utilização – se obrigatória ou voluntária – não está de todo decidida”, ressalva.
Todos vão poder saber quanto ganha o colega
Rosa Monteiro considera a proposta de lei apresentada no Parlamento “bastante satisfatória” e com os instrumentos necessários “para combater esta problemática de uma forma multidimensional”.
“Desde logo, esta lei vai permitir que, sem impor carga administrativa para as empresas e entidades empregadoras, seja possível apurarmos anualmente qual o nível de desigualdade salarial, quer ao nível da empresa quer pelo barómetro ao nível do sector produzido automaticamente a partir dos dados que as empresas colocam nos seus relatórios únicos”, começa por explicar.
Através desta informação, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) poderá “notificar estas empresas, as que tenham mais de 250 trabalhadores no primeiro e segundo ano de vigência da lei, para que criem um plano de resolução deste problema, analisando o que é que, nessas disparidades, discriminatório”.
Se o plano não for cumprido, as empresas “serão sujeitas àquilo que são as sanções previstas no Código do Trabalho pela discriminação salarial”, indica a secretária de Estado.
“Por outro lado, temos uma importante componente, bastante inspirada no modelo alemão, que tem a ver com a transparência remuneratória”. Assim, os trabalhadores “poderão passar a solicitar um parecer” sobre uma eventual situação de discriminação salarial e a empresa “terá de justificar aquele nível diferencial”.
“Este direito é fundamental, porque nos remete para um outro artigo do diploma, que torna obrigatório para todas as empresas garantirem esta transparência remuneratória e avaliação das componentes de funções com critérios objectivos”, reforça Rosa Monteiro, dando como exemplo a demissão da editora para a China da BBC, que saiu “por não estar satisfeita e não querer ser conivente com uma situação de discriminação salarial de que é vítima, sendo que percebeu que ganhava menos 50% do que os seus colegas”.
Editora da BBC demite-se por ganhar menos que os colegas homens
Editora da BBC demite-se por ganhar menos que os colegas homens
 
Rosa Monteiro sublinha que o objectivo da proposta do Governo é acabar com a desigualdade salarial entre géneros para a mesma função. “Temos de distinguir entre aquilo que é situação de disparidade, diferença de salários, daquilo que é situação de discriminação”, destaca.
“O que não podemos continuar a aceitar é que, para trabalho de valor igual, as pessoas ganhem diferente”, conclui.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Fim dos ecrãs partidos: descoberto vidro que se regenera sozinho


Já podemos dizer adeus ao ecrã partido do telemóvel. Um aluno da Universidade de Tóquio, no Japão, descobriu um polímero que se regenera sozinho.
Uma equipa de investigadores japoneses parece ter encontrado a solução para o problema dos ecrãs partidos dos smartphones. Liderada pelo professor Takuzo Aida, do departamento de química e biotecnologia da Universidade de Tóquio, os investigadores criaram um novo tipo de vidro que se regenera sozinho.
O estudo, publicado na revista Science, retrata a descoberta feita por acaso por um aluno da Universidade de Tóquio, Yu Yanagisawa, que estava a trabalhar na criação de uma cola e, acidentalmente, cortou a superfície do polímero. 
Para seu espanto, notou que o vidro se consertava sozinho e, além disso, recuperava a sua firmeza original em apenas duas horas. O vidro é feito a partir de um polímero chamado poliéter-tioureia, que precisa apenas de ser pressionado com os dedos para se regenerar, caso seja riscado ou partido.
Este poderá ser o primeiro material duro capaz de se regenerar à temperatura ambiente, tal como as borrachas e plásticos auto-regenerativos. “Espero que o vidro reparável se torne num novo material amigo do ambiente, que evite a necessidade de ser deitado fora quando estragado”, explica Yanagisawa.
Tal como avança a BBC, esta invenção tem potencial para ser usada em smartphones, mas não só: poderá também ser usada noutros tipos de dispositivos frágeis. Uma novidade que virá, certamente, revolucionar o mundo da tecnologia.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

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Índia: 

restaurante coloca frigorífico na rua para que sem-abrigo possam tirar as sobras

Quando a proprietária de um restaurante de Kochi, na Índia, viu uma mulher sem-abrigo a comer de um caixote do lixo, ao lado do estabelecimento, teve uma ideia: colocar um frigorífico na entrada do Pappadavada, para que os sem-abrigo se pudessem servir em segurança e, paralelamente, o restaurante reduzisse o desperdício alimentar.
O frigorífico está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, e todos se podem servir dele. Para além dos alimentos que, ainda que confeccionados, não são ingeridos pelos clientes ou colaboradores do restaurante, o frigorífico recebe várias refeições por lá colocadas por anónimos.
Segundo Minu Pauline, citada pelo La Repubblica, o Pappadavada é responsável pela colocação de 75 a 80 refeições por dia no frigorífico. “O dinheiro é nosso. Mas os recursos pertencem à sociedade”, explicou Pauline ao Huffington Post. “Essa é a mensagem que eu quero deixar. Se estamos a gastar o nosso dinheiro, estamos a gastar os recursos da sociedade”, concluiu.

terça-feira, 21 de novembro de 2017



Investigadores da UMinho encontram a origem do aumento benigno da próstata

Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho (UMinho) concluiu que o aumento benigno da próstata tem origem na falta do neurotransmissor serotonina, apontando os resultados para "novos alvos terapêuticos" no tratamento daquela doença, anunciou hoje a academia.
Em comunicado enviado à Lusa, a UMinho realça a importância da descoberta do grupo de investigadores do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), em parceria com cientistas do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular (Alemanha), explicando que "é a primeira vez que se percebe a origem desta doença, chamada hiperplasia benigna da próstata", que afeta mais de um terço dos homens a partir dos 60 anos.
O estudo, publicado na revista "Scientific Reports", do grupo Nature, aponta que "o aumento benigno da próstata deve-se à falta do neurotransmissor serotonina, dificultando o fluxo da urina e o esvaziamento da bexiga".
Os investigadores do ICVS, explana o texto, "analisaram modelos animais e linhas celulares e perceberam que a presença de serotonina inibe o crescimento benigno da próstata" e que "isso sucede porque se diminui a expressão do recetor de hormonas sexuais masculinas, como a testosterona".
Os resultados, salienta o texto, "apontam para novos alvos terapêuticos nesta doença, nomeadamente a aplicação de fármacos que ativem o recetor da serotonina, inibindo o crescimento benigno da próstata".
A experiência com ratinhos demonstrou que, ao ser-lhes retirada a serotonina, a próstata aumentava de tamanho.
O estudo foi realizado por Emanuel Carvalho-Dias, Alice Miranda, Olga Martinho, Paulo Mota, Ângela Costa, Cristina Nogueira-Silva, Rute S. Moura, Riccardo Autorino, Estêvão Lima e Jorge Correia-Pinto, todos do ICVS e Escola de Medicina da UMinho, sendo alguns deles também do Hospital de Braga.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Diabéticos já não têm de picar o dedo todos os dias

(dr) Freestyle Libre / Abbott Diabetes Care Inc.
O primeiro medidor de glicose que evita as picadas nos dedos rotineiras entre os diabéticos foi lançado, esta quinta-feira, em Portugal, sendo uma ferramenta que mede os níveis de açúcar durante as 24 horas do dia.
O Freestyle Libre é constituído por um sensor redondo que mede 35 por 5 milímetros, que é instalado na parte posterior do braço e que tem uma duração de 14 dias – medindo os níveis de glicose intersticial (líquido que fica entre as células do corpo e que se encontra nas camadas superficiais da pele).
O presidente da Sociedade de Diabetologia, José Luís Medina, considera que este medidor é “a última revolução” no controlo da diabetes, contribuindo para “melhorar significativamente a vida dos doentes”.
-Este novo medidor de glicose está indicado para todos os diabéticos, mesmo para crianças a partir dos 4 anos, mas são os doentes com diabetes tipo 1 e com diabetes tipo 2 menos controlada quem mais pode beneficiar, reconhece José Luís Medina em declarações à agência Lusa.
Os custos do novo sistema para medir glicose ainda são elevados, mas o laboratório que comercializa o Freestyle Libre espera que esta tecnologia venha a ser comparticipada pelo Estado e adianta que já foram feitas diligências junto das autoridades.
José Luís Medina defende que o Estado comparticipe esta tecnologia e refere que este novo método traz uma redução das baixas de glicose e consegue aumentar a adesão à monitorização ou controlo dos níveis, sobretudo para os doentes que têm de picar muitas vezes os dedos.
Em Portugal, cerca de um milhão de pessoas vive com diabetes e mais dois milhões têm um risco elevado de vir a desenvolver a doença.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Público

Cientistas criaram uma nova pele que salvou criança com doença genética incurável

Equipa usou células estaminais transgénicas para reparar uma mutação associada a uma grave e rara doença que causa dolorosas bolhas na pele. Fez assim uma nova pele para uma criança com sete anos e conseguiu cobrir praticamente todo o seu corpo.
Colónias de células (holoclones) geradas na epiderme Centro de Medicina Regenerativa da Universidade de Modena            
Em Junho de 2015, uma criança de sete anos com uma grave doença genética de pele deu entrada na unidade de queimados de um hospital pediátrico em Bochum, na região do Vale do Ruhr, na Alemanha. Chegou a um ponto em que, numa situação agravada por infecções nas bolhas e feridas que lhe cobriam a pele, já tinha perdido 80% da epiderme que cobre o corpo. O prognóstico era o pior possível. Com o consentimento dos pais, a criança foi incluída num ensaio clínico. Os cientistas propuseram usar células estaminais transgénicas, sem a mutação genética que causa a doença, para fazer uma nova pele que lhe cobriria praticamente o corpo todo. Conseguiram.
Após três cirurgias, 21 meses de tratamento e acompanhamento, uma equipa de investigadores, médicos e cirurgiões conta, num artigo publicado esta quinta-feira na revista Nature, como salvou a vida a uma criança. Hoje, “o miúdo” – assim lhe chamam os investigadores que cuidaram dele – já regressou à escola e as novas lesões na pele são apenas os normais arranhões de uma criança que joga futebol.
A doença chama-se epidermólise bolhosa juncional (EBJ), não tem cura e, segundo as estatísticas, mais de 40% das pessoas que sofrem deste problema morrem antes da adolescência. Há quem lhes chame “crianças-borboleta”, comparando a fragilidade da sua pele com a das asas de uma borboleta. A verdade é que se trata de uma doença que pode ser extremamente incapacitante com o aparecimento de lesões na pele semelhantes a bolhas de queimaduras, que facilmente podem infectar, e que está fortemente ligada ao desenvolvimento de cancro de pele. As lesões surgem com o  mínimo traumatismo, por vezes apenas com o “esforço mecânico” de caminhar.

Ler mais: https://www.publico.pt/2017/11/08/ciencia/noticia/cientistas-substituiram-a-pele-de-uma-crianca-com-doenca-genetica-incuravel-1791857?page=/&pos=1&b=stories_cover__important_c#&gid=1&pid=1

sábado, 4 de novembro de 2017

Novas Descobertas no Tratamento de Demência

A demência é uma doença degenerativa na qual a pessoa perde as capacidades cognitivas de forma parcial ou completa, e é mais comum com o avanço da idade. Atualmente, estima-se que mais de 45 milhões de pessoas no mundo tenham a doença. No entanto, acaba de surgir uma boa notícia do mundo científico: a Sociedade Europeia de Cardiologia divulgou uma descoberta relacionada ao uso de anticoagulantes com a doença. Eles diagnosticaram que o uso desses medicamentos diminui o risco de infarto e ataque cardíaco em pacientes com fibrilação auricular, uma enfermidade que causa um ritmo cardíaco anormal na pessoa e, dessa forma, diminui consideravelmente o risco de ter demência.
 
anticoagulantes podem ser usados no tratamento de demência
 
Esta brilhante descoberta, recentemente publicada na revista acadêmico-científica European Heart Journal, pode ajudar milhares de pessoas ao redor do mundo. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao coletar e estudar os dados de 444 mil pacientes suecos com fibrilação auricular com diagnóstico feito entre os anos de 2006 e 2014. Neste estudo, eles deram atenção especial aos medicamentos prescritos aos pacientes.
Segundo o Dr. Leif Friburg, do Instituto Karolinska e coautor do estudo, “há pacientes com fibrilação auricular que têm uma visão muito fatalista sobre acidentes vasculares cerebrais: para eles, isso acontece ou não acontece. E poucos pacientes têm essa visão sobre a demência, o que gradualmente faz a pessoa perder o controle cognitivo". Ele também disse que "nenhum cérebro pode resistir a um bombardeio constante de coágulos microscópicos no longo prazo. Os pacientes provavelmente querem manter o máximo possível de pequenas células cinzentas".
 
Apesar de estabelecer ligações concretas entre a fibrilação auricular com a demência e o uso de anticoagulantes, a equipe ainda não descobriu o que causa essa relação. No entanto, eles "sugerem fortemente" que os anticoagulantes comumente prescritos, como apixaban, varfarina, rivaroxabana e edoxabano, protegiam os pacientes ao não permitir a formação de coágulos sanguíneos, que são causadores de demência.
Apesar dessas incertezas, o Dr. Friberg ainda acredita que os pacientes com fibrilação auricular devem manter o uso de anticoagulantes com regularidade. Ele afirma que "os médicos não devem dizer a seus pacientes para deixar de tomar anticoagulantes orais sem uma boa razão. Eu diria aos pacientes para não pararem de tomar, a menos que o médico afirme isso". Apesar de ainda não terem encontrado o motivo subjacente da eficácia deste tratamento, isso não significa que não funcione.
De acordo com Dra. Carol Routledge, chefe de ciências da instituição Alzheimer’s Research UK, no Reino Unido, "as descobertas evidenciam a necessidade de uma investigação mais a fundo, mas a natureza do estudo nos impede de concluir firmemente que os anticoagulantes reduzem o risco de demência". Ela também disse que "será importante ver os resultados de outros estudos em curso nesta área, assim como provocar a relação exata entre anticoagulantes e o risco de diferentes tipos de demência".

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Investigadora portuguesa recebe prémio internacional de excelência em Genética Humana

A aluna de doutoramento do Instituto de Investigação e Inovação da Universidade do Porto (i3S) Joana Loureiro foi galardoada pela Sociedade Americana de Genética Humana pela sua descoberta da mutação causadora de uma doença neurodegenerativa que afeta indivíduos portugueses.
créditos: AFP
“É a primeira vez que um investigador de uma universidade portuguesa conquista este prémio”, afirma o i3S, em comunicado.
O trabalho premiado, “resultou do trabalho de uma equipa de investigação multidisciplinar” da qual a investigadora Joana Loureiro fez parte.
“Consistiu na descoberta da mutação causadora da ataxia espinocerebelosa SCA37 e nos resultados obtidos até agora, que tentam explicar como é que este ‘erro’ genético conduz à neurodegenerescência nesta doença”, esclarece.
Parte deste trabalho foi publicado este ano na revista American Journal of Human Genetics.
Para a jovem investigadora, receber este “prémio tão competitivo, foi sem dúvida uma grande realização profissional e pessoal. Foi uma grande honra para toda a equipa que trabalhou e contribuiu para o sucesso deste projeto”.
Alunos de doutoramento e pós-doutorados em genética humana de todo o mundo podem candidatar-se a este prémio. Este ano foram submetidos 500 trabalhos elegíveis a prémio nas duas categorias.
Após uma avaliação do comité, foram selecionados nove alunos de doutoramento e nove pós-doutorados finalistas. Estes investigadores foram avaliados através das comunicações científicas proferidas na reunião anual da sociedade. Três em cada categoria foram premiados com o prémio Charles J. Epstein Trainee Award for Excellence in Human Genetics Research.
Entre os estudantes de doutoramento premiados estão os jovens investigadores Joana Loureiro, do i3S - Universidade do Porto, Joseph Shin, do Johns Hopkins University, EUA, e Nasa Sinnott-Armstrong, da Stanford University, EUA.
A investigadora Isabel Silveira, líder do grupo de investigação “Genetics of Cognitive Dysfunction”, onde a estudante de doutoramento Joana Loureiro desenvolveu o seu trabalho, sublinha que entre os galardoados “estão investigadores que contribuíram fortemente para o conhecimento em genética médica através da identificação de genes tão importantes como os associados à Doença de Huntington (James Gusella) ou à Distrofia Muscular de Duchenne (Louis Kunkel)”.
“Neste tipo de doenças, só após a descoberta da mutação e dos mecanismos pelos quais a mutação conduz à patologia é que estão reunidas as condições ideais à investigação de terapias que curem ou melhorem as condições de vida destes doentes”, salienta Isabel Silveira.
Por este motivo, acrescenta a investigadora, é que “os medicamentos e tratamentos que chegam às farmácias e aos hospitais são fruto de muito trabalho e dedicação de milhares de investigadores em todo o mundo, durante várias décadas”.

domingo, 29 de outubro de 2017

Células estaminais tiveram resultados espantosos na reversão do envelhecimento

Novo método com células estaminais mostrou-se eficaz na reversão do envelhecimento

De acordo com dois estudos publicados esta semana no The Journals of Gerontology, um ensaio clínico provou que os pacientes idosos são capazes de percorrer longas distâncias e respirar mais facilmente depois de terem recebido uma única infusão de células estaminais de dadores jovens.
Cientistas do Instituto Interdisciplinar de Células Estaminais da Universidade de Miami pensam ter descoberto o início do que pode vir a ser o primeiro tratamento terapêutico para a fragilidade, uma condição causada pelo envelhecimento.
Ambos os estudos analisaram o papel que a célula mesenquimal pode ter na reversão do envelhecimento. A quantidade deste tipo de célula estaminal, presente no indivíduo adulto, vai diminuindo consideravelmente à medida que vamos envelhecendo.
Segundo o Futurism, ensaios clínicos baseados no transplante deste tipo de células tiveram “resultados espantosos” na reversão do envelhecimento.
“Todo o ser humano no planeta está a envelhecer” afirma Joshua Hare, diretor e fundador do Instituto Interdisciplinar de Células Estaminais da Universidade de Miami. “No entanto, há pessoas que estão a envelhecer bem e outras mal, e temos que descobrir porque é que algumas pessoas de 80 anos vivem num lar e outras jogam ténis todas as semanas”.
Para o explicar, Hare esclarece que há uma diferença biológica que faz com que algumas pessoas se tornem frágeis quando envelhecem, enquanto outras mantêm a mobilidade e a energia. O investigador acredita que esta diferença biológica tem a ver com uma inflamação crónica no corpo que causa a deterioração das células e tecido muscular.
A primeira fase envolveu 15 pessoas, com idade média de 76 anos. Cada um dos pacientes recebeu infusões de células mesenquimais recolhidas da medula óssea de dadores com idades entre os 20 e os 45 anos.
Seis meses mais tarde, os pacientes tinham melhorado a sua qualidade de vida e condição física. Esta primeira fase permitiu também provar que as infusões de células estaminais são seguras para os pacientes.
Já a segunda fase, que incluiu 30 pessoas, provou que aqueles que receberam um único tratamento com infusão de células estaminais apresentaram melhorias na função pulmonar e capacidade de andar a distâncias maiores do que o grupo que recebeu o placebo.
“A melhoria foi sustentada ao longo do tempo”, disse Joshua Hare. Para além do sucesso nas duas primeiras fases, os cientistas constataram também que este método é eficaz, tendo causado sensação na comunidade científica.
Num editorial publicado no The Journals of Gerontology, o investigador e professor da Universidade de Sydney David G. Le Couter defende que apesar de serem estudos de  fase inicial, os resultados não deixam de ser “impressionantes”, abrindo assim de forma clara o “caminho para grandes ensaios clínicos“.
Estes dois estudos lançaram as bases para uma terceira fase de investigação, que irá contar com cerca de 120 pessoas, e que terá investimento da Longeveron, empresa de Miami especialista em terapia com células estaminais. A empresa deve produzir e distribuir as células em causa, caso a Food and Drug Administration aprove o tratamento.
Precisamos do apoio de uma entidade comercial“, diz Joshua Hare. “É muito difícil para uma universidade assumir este nível de responsabilidade”.