quinta-feira, 28 de julho de 2016

Medicamento para a hepatite C já salvou 3 mil portugueses

ABr
Em pouco mais de ano e meio, houve uma revolução no tratamento da hepatite C. Dos 7.840 tratamentos iniciados em Portugal, 3.005 doentes ficaram curados.
No nosso país, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia (SPG) José Cotter, deverão existir 150 mil pessoas infetadas com o vírus da hepatite C, sendo que a incidência da hepatite B diminuiu desde que a vacina foi integrada no programa nacional de Vacinação.
Em Portugal, o medicamento é comparticipado a 100% desde fevereiro do ano passado, com 40 milhões de euros gastos no ano passado e 85 milhões previstos para 2016, de acordo com o Jornal de Notícias.
De acordo com a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), a 1 de julho existiam 7.840 tratamentos iniciados em Portugal.
Do total de utentes que já finalizaram o protocolo de tratamento, 3.005 encontram-se curados e há 122 doentes dados como não curados. A taxa de cura é de 96%.
“Há expetativas enormes com este tratamento. Já se fala da erradicação da doença, mas é fundamental uma estratégia”, afirma José Cotter.
Não há números oficiais da poupança, mas o Infarmed fala ao JN em custos significativos que são evitados com o tratamento das morbilidades associadas à evolução da doença.
“Ao tratarmos as pessoas com hepatite C, estamos a evitar que as mesmas venham a desenvolver cirrose hepática, carcinoma hepatocelular, com eventual necessidade de transplante de fígado, o que permite considerar estes medicamentos inovadores como custo-efetivos”, adianta o Infarmed.
No caso da hepatite B o tratamento que existe “raramente é curativo”, ao contrário da hepatite C contra a qual os fármacos de última geração conseguem a cura da doença em cerca de 95% dos casos.

Teste à hepatite C pelo menos uma vez na vida

A propósito do Dia Mundial das hepatites Víricas, que se assinala esta quinta-feira, o presidente da SPG lembrou que esta organização já há alguns anos defende a realização de um rastreio à infeção pelo vírus da hepatite C.
A SPG defende que todas as pessoas realizem “pelo menos uma vez na vida” o teste à hepatite C, doença que mata todos os anos mil doentes em Portugal.
“A Organização Mundial da Saúde (OMS) veio também agora defender a realização de um rastreio, tal como nós temos vindo a fazer”, disse José Cotter.
Ao nível mundial, lembrou o especialista, existem 400 milhões de pessoas infetadas com os vírus da hepatite B e C, das quais entre 130 a 150 milhões com hepatite C.
“São números muito assustadores e têm de ter uma grande preocupação da comunidade médica, porque estas infeções deterioram a qualidade de vida das pessoas, mas estas infeções crónicas também levam a estadios terminais de cirrose e de cancro do fígado”, adiantou.
Em 30 a 40% dos casos com infeção por hepatite C mal tratada, a situação evolui para cirrose e, destes, cerca de 10 a 40% terá cancro do fígado.
Essa estratégia passa pela prevenção, a começar no ambiente escolar, pela realização de pelo menos uma análise por ano à infeção pelo vírus da hepatite C e à prevenção de comportamentos de risco, disse.
José Cotter alertou para áreas onde o tratamento não está a chegar devidamente, como as cadeias e os consumidores de drogas injetáveis, a esmagadora maioria dos quais (85%) têm, ou já tiveram, o vírus da hepatite C.
“É preciso entrar no tratamento destes doentes, nas prisões. Mas é preciso uma estratégia”, acrescentou.
A jusante do tratamento, o presidente da SPG considera que se deve começar a pensar em unidades paliativas e o acompanhamento da resposta do programa de transplantes.
ZAP / Lusa

terça-feira, 26 de julho de 2016

Universidade de Coimbra: pâncreas bioartifical para tratar diabetes

scientist working at the laboratory
Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra está a desenvolver um pâncreas bioartificial, uma microcápsula com células produtoras de insulina, para tratar eficazmente a diabetes tipo 1 e tipo 2.
A equipa liderada por Raquel Seiça focou-se em melhorar as propriedades biológicas destes dispositivos, o que permitiu aumentar a viabilidade e a funcionalidade das células encapsuladas e transplantadas. Os resultados das experiências realizadas, primeiro in vitro e posteriormente em ratos diabéticos, foram bastante promissores.
«Observou-se, in vitro, um aumento da viabilidade celular e da produção de insulina e, nos animais diabéticos, uma melhoria dos níveis da glicose sanguínea e da resistência à acção da insulina», explica a coordenadora deste estudo, que começou há quatro anos com o projecto de tese de Joana Crisóstomo.
«Com o encapsulamento conjunto destas nanopartículas e das células produtoras de insulina nas referidas microcápsulas de hidrogéis de alginato modificados com RGD, observou-se um aumento muito significativo da secreção de insulina, estando em curso a realização de novos ensaios em modelos animais», explica a catedrática da Faculdade de Medicina de Coimbra.
O número de casos de diabetes tem vindo a aumentar, afectando já mais de um milhão de portugueses. Facilitar o dia-a-dia dos doentes é assim o grande objectivo deste projecto. “Libertar os doentes com diabetes tipo 1 das injecções de insulina e alcançar um melhor controlo dos níveis de glicose com a consequente diminuição das complicações agudas e crónicas da doença e, desta forma, melhorar a qualidade de vida dos doentes com diabetes», conclui a investigadora da Universidade de Coimbra.
Foto: Britico / Creative Commons

Avião Solar Impulse II conclui inédita volta ao mundo

sapo24.blogs.sapo.ptSAPO 24
O avião Solar Impulse II pousou às 4h05 (hora local) de terça-feira em Abu Dhabi, concluindo a última etapa da sua inédita volta ao mundo, usando o sol como única fonte de energia.
Avião Solar Impulse II conclui inédita volta ao mundo
Nesta 17ª e última etapa, o avião foi pilotado pelo suíço Bertrand Piccard. "Lancei o projeto @solarimpulse em 2003 para transmitir a mensagem de que as tecnologias limpas podem conseguir o impossível", disse Piccard numa publicação no Twitter. Na mesma rede social anunciou o fim da viagem. "Aterrámos com sucesso em Abu Dhabi, provando que o futuro é limpo", pode ler-se na publicação.
O outro piloto, o também suíço André Borschberg, destacou no Twitter que o Solar Impulse II "é ao mesmo tempo o primeiro avião com resistência ilimitada e a única aeronave experimental autorizada a sobrevoar as cidades".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua "profunda admiração" por esta iniciativa.
"É um dia histórico não só para vocês, mas também para a humanidade", acrescentou o responsável numa conversa com Piccard transmitida ao vivo antes da conclusão da viagem.
No domingo, entre aplausos e gritos de apoio da equipa de terra, o avião descolou do aeroporto do Cairo com destino a Abu Dhabi, de onde partiu no dia 9 de março de 2015 para iniciar a volta ao mundo.
"É um projeto para a energia e para um mundo melhor", afirmou Piccard, de 58 anos, antes da descolagem, acrescentando que a viagem seria "difícil".
"É uma região muito, muito quente (...). O voo será esgotante", advertiu.
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse II voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas nas suas asas.
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Em geral, o avião voa a um velocidade de cerca de 50 km/h, que pode ser duplicada quando está plenamente exposto ao sol.
O Solar Impulse 2 devia ter saído do Egito na semana passada, mas a partida foi adiada por causa dos fortes ventos e porque um dos pilotos adoeceu.
O avião solar chegou ao Cairo a 13 de julho, depois de descolar de Sevilha (sul da Espanha), trajeto de 3.745 km, concluído em 48 horas e 50 minutos.
Altas temperaturas
Desde o início da aventura, André Borschberg e Bertrand Piccard revezam-se para pilotar o avião.
"Estávamos um pouco ansiosos com a questão das condições meteorológicas, principalmente por causa das temperaturas nesta região do mundo, próximas aos limites que estabelecemos para o avião", explicou Borschberg a partir do centro de controlo do Solar Impulse II, em Mónaco, mostrando-se, porém, positivo.
"Mas estamos bastante confiantes, as coisas devem sair bem", acrescentou.
Piccard atravessou duas vezes o Atlântico num balão, e seu pai fê-lo num submarino.
O piloto pertence a uma família de cientistas e inventores. O seu avô Auguste Piccard inspirou o ilustrador belga Hergé a criar o personagem do professor Girassol na série de banda desenhada Aventuras de Tintim.
Depois de descolar de Abu Dhabi, o Solar Impulse II fez escalas em Mascate (Omã), Ahmedabad e Varanasi (Índia), Mandalay (Mianmar), Chongqing e Nanjing (China), e depois Nagoya (Japão).
Após cruzar o Pacífico e fazer uma escala técnica imprevista de vários meses no Havaí, a aeronave continuou o seu voo pelos Estados Unidos, passando por São Francisco, Phoenix, Tulsa, Dayton, Lehigh Valley e Nova Iorque.
A travessia do Pacífico, em duas etapas, era a parte mais perigosa da volta ao mundo, devido à grande distância entre os pontos de aterragem em caso de problemas.
Na primeira parte desta grande travessia oceânica, entre Nagoya e Havaí, Borschberg percorreu 8.924 km durante cinco dias e cinco noites.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CanalTech

Jovem cria lâmpada capaz de durar a vida inteira

Por Redação | em 12.07.2016 às 21h43
Lâmpada Dyson
Uma fonte de luz com durabilidade praticamente infinita. Foi com essa ideia que Jake Dyson, filho do inventor James Dyson, superou o seu feito do ano passado e conseguiu criar uma lâmpada capaz de durar por mais de 40 anos. A novidade pode ser a luz mais inteligente, mais barata e mais amiga do ambiente já desenvolvida.
Dyson é o fundador da Jake Dyson Lighting, nascida em 2004 e incorporada aos negócios do pai recentemente. Até o momento, a empresa vende apenas dois modelos de lâmpadas: a CSYS, uma lâmpada de chão e mesa, e a Cu-Beam, de teto. Ambos os modelos contam com LEDs que Dyson projetou para durar uma vida inteira.
De acordo com o criador, as luzes tradicionais não são desenvolvidas com a proteção de calor necessária aos seus LEDs, e então ele resolveu investir em uma tecnologia capaz de aumentar a longevidade das lâmpadas. A diferença está em apenas uma peculiaridade em sua fabricação: a otimização da dissipação de calor. Dessa forma, fazer com que a temperatura dos LEDs não se mantenha muito alta está na base da grande duração do produto.
Sem os danos causados pelo calor, os LEDs de Dyson podem durar, pelo menos, 40 anos em pleno brilho. O mais interessante é que, mesmo depois disso, a lâmpada não deixará de funcionar. Segundo o inventor, os LEDs continuarão em atividade, mas apenas com cerca de 70% de sua intensidade original.
LED DysonO que separa a companhia de Dyson de seus concorrentes é que a maioria das empresas simplesmente deixa que as lâmpadas aqueçam. Mesmo podendo poupar os clientes da tarefa de substituí-las, por meio da tecnologia de dissipação de calor, os fabricantes ainda optam por trabalhar com baixos investimentos, e Dyson explica o motivo: "O mercado de lâmpadas descartáveis ​​vale bilhões de dólares por ano em todo o mundo, de modo que alguns fabricantes não estão interessados ​​na criação de produtos de iluminação que duram uma vida", diz ele.
Sobre o assunto, Dyson revela que seu objetivo mais ambicioso não é apenas reinventar a lâmpada, e sim mudar a forma como as pessoas pensam em iluminação em geral, principalmente porque a redução do desperdício também auxiliaria na construção de um planeta mais verde e sustentável.
Fonte: TechInsider

 

Novo biomaterial promete curar dentes de dentro para fora

Publicado em 12.07.2016
curar dente de dentro pra fora
Cientistas no Reino Unido desenvolveram um novo material que pode ser inserido nos dentes para reparar e regenerar a dentina – o tecido duro, semelhante ao osso que forma todos os dentes.
Assim como as massas regulares, que são inseridas nos dentes para bloquear os espaços onde as bactérias podem colonizar, o novo material é injetado no dente e endurecido com luz UV. Mas, uma vez dentro da polpa do dente, ele, na verdade, estimula células tronco a proliferarem e crescerem na forma de dentina.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Tailândia usa aviões militares para bombardear sementes e recuperar florestas

Os tailandeses esperam que a tática ajude-os a transformar florestas degradadas em reservas saudáveis novamente.
4 de julho de 2016 • Atualizado às 11 : 01
Tailândia usa aviões militares para bombardear sementes e recuperar florestasO desmatamento é um problema recorrente em praticamente todo o mundo. Recuperar o estrago feito ao longo dos anos em consequência da industrialização e das perdas de terras destinadas à agricultura e pecuária é uma tarefa difícil. Mas, uma ação aplicada na Tailândia pode deixar o reflorestamento um pouco mais simples e rápido.
Há pouco mais de um mês, o país tem usado aviões militares para bombardear as florestas, mas não com fogo e, sim, com sementes de espécies nativas, com o intuito de recuperar as áreas degradadas.
O governo tailandês deve aplicar este projeto-piloto pelos próximos cinco anos, quando os resultados do reflorestamento aéreo serão avaliados e monitorados. Mas, a expectativa é de que os benefícios já possam ser vistos até o final de 2017.
A primeira missão aconteceu na região de floresta em Phitsanulok, quando os aviões sobrevoaram uma área de mais de 800 hectares, disseminando as bombas de sementes. A técnica usada consiste em lançar sementes já preparadas e com grandes condições de se desenvolverem.
O conceito de “bombas-sementes” foi criado por um japonês, chamado Masanubo Fakuoka. Com o tempo a técnica foi desenvolvida e aperfeiçoada pelo norte-americano Lockheed Martin, que usou a estratégia com aviões para plantar 900 mil árvores em um dia. As bombas incluem sementes de árvores locais, envoltas em uma mistura com terra e adubos, que facilitam a germinação.
Os tailandeses esperam que a tática ajude-os a transformar florestas degradadas em reservas saudáveis novamente.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sapo Desporto
Canoagem
27-06-2016 20:59

Governo felicita canoísta Fernando Pimenta por duplo ouro em Moscovo

O Governo saúda ainda a seleção nacional de futebol pelo apuramento para os quartos de final do Euro2016, a decorrer em França.
Fernando Pimenta
Foto: PAULO NOVAIS / LUSA Fernando Pimenta
Por SAPO Desporto c/Lusa sapodesporto@sapo.pt
O governo felicitou hoje o canoísta Fernando Pimenta, que conquistou o título de campeão europeu em Moscovo, bem como outros desportistas portugueses recentemente medalhados noutras modalidades.
“O Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, saúdam o atleta Fernando Pimenta pelos títulos de campeão europeu de canoagem, resultados alcançados este fim de semana na Rússia, onde competiram outros atletas portugueses, também com marcas dignas de respeito e orgulho”, pode ler-se, em comunicado.
O executivo salienta o “percurso invejável” realizado por Fernando Pimenta, que “só deve animar e servir de exemplo a todos os jovens amantes e praticantes de canoagem”.
O canoísta Fernando Pimenta, de 26 anos, sagrou-se no domingo campeão da Europa em K1 5.000, juntando o título ao ouro conquistado no sábado em K1 1.000 em Moscovo.
No comunicado, o governo aponta ainda o regresso “em grande força” da judoca Telma Monteiro, que no domingo conquistou a medalha de bronze em -57kg no Grande Prémio de Budapeste.
“A provar que o desporto nacional, em toda a sua dimensão, está sobre rodas, destaque para Tiago Ferreira, que venceu o Campeonato do Mundo de Maratonas BTT (XCM), em França, a segunda vez que um ciclista luso ganha um mundial de elite. Trata-se, pois, de uma conquista que deve ser aplaudida, mais ainda quando o corredor se prepara, igualmente, para representar Portugal no Brasil”, refere ainda o executivo.

sábado, 25 de junho de 2016

Parque infantil adaptado Foto: CAU/MS
 

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou por unanimidade, dia 21 de junho, a recomendação do BE para a adaptação dos parques infantis do concelho para crianças com deficiência.

Para que um parque infantil seja inclusivo deve ter equipamentos adaptados para crianças com deficiência, assim como a zona circundante ao parque infantil deve também ser acessível a pessoas com deficiência, como por exemplo o estacionamento, o piso rebaixado e o pavimento deve ser adequado.

PÚBLICO

As crianças doentes sem cura já têm uma “casa” quando saírem do hospital

Primeira criança a chegar ao Kastelo tem uma doença crónica complexa e estava há 11 meses internada num hospital. Unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos é inaugurada nesta sexta-feira pelo Presidente da República.
No Kastelo, pais e mães vão poder acompanhar filhos com doenças graves e incuráveis
Paulo Pimenta
 https://imagens4.publico.pt/imagens.aspx/1058134?tp=UH&db=IMAGENS
Um enorme balancé para crianças em cadeiras de rodas é o primeiro sinal de que o antigo palacete, quase escondido entre duas movimentadas ruas de S. Mamede de Infesta (Matosinhos), está preparado para receber uma população muito especial. Quem entra desprevenido no Kastelo poderá pensar que esta é uma casa absolutamente normal. Não é. A luminosa casa senhorial, rodeada de um enorme jardim, uma horta biológica, um pomar e uma quintinha com ovelhas, um burro, patos e coelhos, vai servir de abrigo temporário para meninos e meninas com doenças graves e incuráveis, alguns em fase terminal. Pioneira em Portugal (e até na Península Ibérica, segundo os seus fundadores), a primeira unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos do país é inaugurada nesta sexta-feira pelo Presidente da República e pelo ministro da Saúde.
No Kastelo, pais e mães vão poder acompanhar os filhos (a unidade acolherá crianças e jovens até aos 17 anos) ou mesmo descansar um pouco. “Ter um filho muito doente é extremamente duro, a vida fica completamente desfeita”, enfatiza Teresa Fraga, presidente da associação Nomeiodonada e enfermeira especializada em cuidados intensivos pediátricos no Hospital de Santo António, no Porto, que se habituou a lidar de perto com crianças com doenças muito complicadas, algumas com final infeliz. Crianças que, muitas vezes, ficam em casa quase abandonadas à sua sorte ou então são obrigadas a permanecer nos hospitais semanas e meses a fio.
Como o menino de 12 anos com uma doença crónica complexa que estava “há 11 meses internado num quarto” no Centro Materno-Infantil do Norte e que será o primeiro a beneficiar da nova estrutura. “Deve entrar nos próximos dias”, diz Teresa, que se recorda de casos bem mais complicados, como um que ficou tristemente para a história, o de uma criança com uma miopatia grave que passou os 11 anos da sua vida nos cuidados intensivos do antigo Hospital Maria Pia. “Foi quatro vezes à rua”, lembra.
Foram precisas grandes doses de persistência e tenacidade para erguer — reerguer é a palavra mais exacta — a casa senhorial deixada em testamento, no século passado, por Marta Ortigão às irmãs hospitaleiras do hospital pediátrico Maria Pia para benefício de crianças “doentes ou desemparadas”. O edifício permaneceu encerrado ao longo de algumas décadas, até que o Centro Hospitalar do Porto concedeu à associação o direito de superfície por 28 anos.
Quando arrancou, a associação Nomeiodonada — “no meio do nada é como os pais se sentem quando os filhos entram numa unidade de cuidados intensivos, dizem que é como se estivessem no deserto”, explica a enfermeira — tinha mesmo muito pouco. Cada sócio inicial — oito profissionais de saúde e um pai — participou com 32 euros. Daí até aos 2,3 milhões de euros que foi necessário angariar para custear a obra bastaram meia dúzia de anos. De resto, quase tudo no Kastelo é doado, desde os tapetes aos candeeiros, aos móveis e mesmo vários equipamentos de saúde.
Tudo ali foi pensado para mascarar o facto de esta ser, afinal, uma unidade de saúde. Não há refeitório, mas sim “sala de jantar, como em nossa casa”, os enfermeiros e auxiliares vestem informais t-shirts em vez de batas, há bonecos pintados em todas as paredes. Uma "sala de terapias" está equipada com tudo o que é necessário para exercitar as crianças, numa ala à parte e que foi construída de raiz ficam os quartos, todos com saída para os jardins.
“É um pequeno hospital, mas tentámos desconstruir essa ideia”, explica José Couceiro da Costa, o empresário que começou por ser voluntário e agora é director financeiro da associação, depois de ficar com “uma dívida de vida para com o Serviço Nacional de Saúde”. Complicações na sequência de uma cirurgia levaram o seu filho mais novo a permanecer quase dois meses em coma no Hospital de Santo António e José nunca esquecerá o apoio dos profissionais que o trataram.
Enquanto vai falando com os operários que tratam dos últimos retoques e com o padre da paróquia de S. Mamede de Infesta que acaba de trazer o oratório e o crucifixo para a sala de oração, José não esconde a sua preocupação com a sustentabilidade do Kastelo. Com 30 camas, só foi possível contratualizar com o Ministério da Saúde dois terços, numa experiência-piloto que custará cerca de 700 mil euros por ano. “Não havia dinheiro para mais”, lamenta o empresário, que teme que a contribuição estatal para as 20 camas — dez em internamento, dez em ambulatório — não chegue para custear as despesas fixas e o pagamento à equipa de profissionais, que conta com médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas, entre outros.
Na associação todos estão, porém, habituados a fazer esticar o dinheiro. Muitas das salas e quartos do Kastelo têm mecenas. Há empresas, desde metalúrgicas a têxteis, mas também não faltam pessoas singulares a patrocinar a causa. Graças à campanha Arredonda levada a cabo pelo Lidl, foi possível juntar um milhão de euros, o prémio BPI Capacitar representou mais 100 mil euros, a Câmara de Matosinhos contribuiu com outros 300 mil, a Missão Sorriso doou 36 mil euros, enumeram. Mas muitos mais contribuíram. “Milhares de pessoas ajudaram. Portugal inteiro está aqui reunido”, frisam.
A casa também foi idealizada a pensar nos pais. Pais muitas vezes completamente exaustos, esgotados com o peso de terem um filho gravemente doente. Para eles, o Kastelo reserva o “quarto mais atípico de Portugal” — uma sala com três camas, duas mesinhas de cabeceira e nenhuma porta, “para não se sentirem constrangidos” — no primeiro piso do palacete, que alberga ainda uma biblioteca e duas salas de formação. A família, frisa-se, “é parte integrante do Kastelo”: às terças e quintas “cuida-se” das mães, ao domingo, dos pais, e, ao sábado, dos irmãos.
Cá fora, no jardim, foi criado um espaço recatado, atrás de treliças com heras, para os pais “chorarem”. “Em nenhum idioma existe um vocábulo para expressar a perda de um filho. Quando se perde um pai fica-se órfão, quando se perde um marido ou mulher fica-se viúvo. E se se perder um filho? Não há palavras. Se for filho único, deixa-se mesmo de ser pai ou mãe”, reflecte José Couceiro. No Kastelo, todos estão preparados para dar apoio no luto.
Teresa, que se habituou a falar com as crianças nos cuidados intensivos mesmo quando estão em coma — “elas não estão surdas” —, não abdica do seu lema. Quer que tenham “o melhor de tudo” enquanto a vida durar: “A filosofia do Kastelo é dar vida aos dias das crianças e não dias à vida.”

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Cirurgia pioneira salvou bebé com cérebro fora do crânio

Equipa de neurocirurgiões usou uma impressora 3D para conseguir criar um modelo ajustado ao cérebro do bebé.
Quando Sierra Yoder estava grávida de cinco meses, os médicos da pequena cidade onde vivia no estado de Ohio, nos Estados Unidos, disseram-lhe que o seu filho tinha uma doença muito rara.
-Conhecida como encefalocele, a doença faz com que o cérebro do bebé comece a crescer para fora do crânio. Tal como seria de esperar, as esperanças eram muito poucas ou praticamente nenhumas.
“Disseram-nos que o nosso filho não iria sobreviver. Não nos deram nenhuma esperança”, explicou a norte-americana, em declarações à BBC.
Perante os prognósticos dados pelos médicos, Sierra e o marido, Dustin Yoder, chegaram mesmo a pensar interromper a gravidez mas, à última hora, quiseram seguir em frente.
E, apesar de todas as previsões negativas, Bentley nasceu, em outubro de 2015, depois de uma gestação normal e com saúde.
“Quando ele nasceu, achávamos que não ia chorar, que não se ia mexer. Pensávamos mesmo que nem íamos conseguir perceber quando estivesse com fome”, conta o pai.
Porém, o bebé veio ao mundo como todos os outros, a chorar, e recebeu alta hospitalar. O processo não foi fácil mas os pais não quiseram desistir e procuraram uma segunda opinião.
Foi então que pediram ajuda numa clínica em Cleveland e entraram em contacto com especialistas do Hospital Infantil de Boston, que lhes disseram que havia uma cirurgia que podia ajudar Bentley.
Responsáveis pelo caso, os neurocirurgiões John Meara e Mark Proctor realizaram a cirurgia no passado mês de maio. A operação foi um sucesso.

Um caso raro

Não era a primeira vez que os médicos faziam esse tipo de cirurgia, por isso é que os pais de Bentley tentaram recorrer a este hospital.
Os neurocirurgiões utilizaram uma impressora 3D para criar modelos do crânio do bebé e do posicionamento da sua massa encefálica.
“A encefalocele é uma doença rara que afeta um bebé em milhões. Mas o caso de Bentley era ainda mais particular porque ele tinha uma grande parte do cérebro ativa“, explicou Proctor.
De acordo com os especialistas, não há como saber exatamente a percentagem de cérebro que está ativa. Porém, estimam que chegue provavelmente aos 90%.
Relativamente ao desenvolvimento do bebé nos próximos anos, os médicos consideram que é uma pergunta difícil de responder.
“É uma pergunta difícil de responder. Provavelmente vai demorar um pouco mais para desenvolver a fala, mas esperamos que possa ter uma vida normal. Ainda é complicado saber como vai evoluir”, afirmou o médico.
ZAP / BBC / Hypescience

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