sábado, 18 de fevereiro de 2017

GREEN SAVERS

Nova vacina experimental garante protecção total contra a malária

Malaria testing at Centro de Saude Popular, Kuito.
A informação ainda carece de confirmação em laboratório, mas os dados recolhidos até agora dão nova esperança à luta contra a malária. Os resultados foram publicados ontem na revista Nature Communications e indicam que após dez semanas de testes em humanos, esta nova vacina garantiu protecção total aos voluntários que participaram no estudo.
Esta nova vacina que está a animar a comunidade cientifica foi testada em 35 pessoas e usa células de parasita que provoca a doença, sendo injectadas directamente nos sujeitos em teste. Esta é considerada uma forma mais prática para testar a vacina, em substituição de usarem os mosquitos que transportam o parasita.
Para perceber o impacto desta descoberta, aos participantes saudáveis foram administradas doses diferentes da vacina e do medicamente anti-malária, sendo posteriormente injectados com a variante do parasita usada na vacina. Os resultados foram surpreendentes e dão novo alento à investigação cientifica desta doença: 90% dos voluntários demonstraram protecção total à doença durante as 10 semanas seguintes à última dose.
“Quando conseguirmos optimizar o regime de imunização (dose, intervalo entre doses e medicamento), esta vacina poderá ser usada em massa para eliminar a malária de áreas geográficas definidas”, explicam os autores desta investigação.
Foto: David Blumenkrantz / Creative Commons

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SIC Notícias

Descoberto vírus que combate o cancro

Reuters

Cientistas catalães criaram um vírus que consegue levar o sistema imunitário de doentes com cancro a combater as células tumorais. No documento publicado hoje na revista Cancer Research, o grupo do Instituto de Investigação Biomédica de Bellvitge afirma ter conseguido contaminar células cancerosas com o vírus, levando-as a produzir um anticorpo que combate uma proteína presente em muitos tipos de cancro.

."Trabalhamos com adenovírus oncolíticos, vírus modificados para atacarem exclusivamente células cancerosas sem atacar o tecido normal, como forma de terapia dirigida", afirmou o primeiro autor do estudo, Carlos Fajardo.
Os adenovírus provocam constipações, conjuntivite ou gastroenterite, mas quando são alterados, conseguem ser uma arma específica contra o cancro.
Os investigadores querem agora atrair o investimento de empresas que trabalham a desenvolver anticorpos para colaborar na criação em laboratório de vírus para combater o cancro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sapo24

Hepatite C: Medicamentos inovadores curam mais de 5.000 pessoas em dois anos

Mais de 5.000 doentes com hepatite C ficaram curados nos últimos anos com as terapêuticas inovadoras para a doença, uma taxa de cura que ultrapassa os 96%, segundo a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).
De acordo com as informações divulgadas no mês passado pelo Infarmed, o preço dos medicamentos inovadores para a hepatite C reduziu para mais de metade em menos de dois anos, um efeito que se deve à concorrência, num momento em que há já 13 mil doentes em tratamento.
Segundo disse na altura o presidente do Infarmed em entrevista à agência Lusa, a concorrência entre três laboratórios trouxe uma diminuição dos preços dos medicamentos para a hepatite C, um redução de “mais de metade” face ao acordo assinado há quase dois anos entre uma das farmacêuticas e o Estado.
O acordo entre o Estado e um dos laboratórios que fornece os fármacos inovadores para a infeção foi formalizado há quase dois anos, mas os dados do Infarmed abrangem também outros doentes tratados por medicamentos fora do âmbito deste acordo.
De acordo com a Autoridade do Medicamento, nos últimos dois anos 5.099 doentes com hepatite C ficaram curados na sequência do tratamento com as terapêuticas inovadoras.
Numa altura em que se assinalam os dois anos do acordo para o tratamento, o Infarmed mantém o plano terapêutico de acesso universal, mas agora com um total de quatro medicamentos, na sequência da aprovação recente da comparticipação de mais duas novas substâncias.
O contrato – assinado por dois anos e que será agora novamente negociado – prevê o pagamento por doente tratado e não por tempo de tratamento ou quantidade de medicamentos. A comparticipação do Estado português nos medicamentos abrangidos é de 100%.
O universo dos doentes potencialmente abrangidos foi logo definido em 13 mil pessoas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SAPO LIFESTYLE

Portugueses vencem desafio internacional com aplicação que ajuda doentes com Esclerose Múltipla

Portugal é o grande vencedor da iniciativa internacional "The World vs. MS", entre cerca de 40 equipas de vários países. 
 
 
 
Duas em cada cinco pessoas a viver com EM referem o controlo da bexiga como um problema. A incontinência no doente com Esclerose Múltipla traz várias implicações, em particular ao nível da sua vida pessoal e dos seus relacionamentos.
BladdeRunner é uma app desenvolvida por portugueses que localiza casas de banho e tem um diário integrado para ajudar os utilizadores a gerir o seu quotidiano tendo em conta o problema de bexiga. Esta foi a grande vencedora da iniciativa "The World vs. MS".
O evento, organizado pela Sanofi Genzyme Europe, apoiará o desenvolvimento da ideia vencedora, durante um período de 18 meses, para que esta se torne uma realidade.
A equipa portuguesa, Ana Catarina, João e Patrícia comentaram a sua vitória: "O controlo da bexiga é um grande problema para algumas pessoas que vivem com EM e muito frequentemente pode ser causa de embaraço. Sabemos, através da experiência do João ao viver com EM, que muitas vezes as pessoas sofrem em silêncio. Esperamos que o BladdeRunner ajude a melhorar as vidas das 2,5 milhões de pessoas que vivem com EM em todo o mundo e que lhes permita socializar sem terem de se preocupar com a localização da casa de banho mais próxima".
Ana García Cebrián, diretora-geral da Sanofi Genzyme em Portugal, comenta que "esta aplicação é um exemplo de como a aposta na inovação pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e ser uma mais-valia para os portadores de Esclerose Múltipla. A nossa companhia procura disponibilizar tratamentos e apoiar as pessoas com EM a gerir os seus desafios diários e esta aplicação é um exemplo do apoio à gestão pessoal de um dos sintomas da doença".
A App vencedora BladdeRunner
As características desta app incluem um diário para os utilizadores que usa os dados introduzidos para prever os momentos críticos do dia e notificar os utilizadores antes destes momentos. BladdeRunner permitirá aos utilizadores procurar os restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos mais próximos com casas de banho acessíveis. Também integrará um cartão digital prioritário que facilitará o acesso a casas de banho públicas para pessoas com mobilidade reduzida ou com filas de espera.
Um botão ‘SOS Loo’ indicará aos utilizadores de BladdeRunner quais as casas de banho mais próximas de si quando estão fora de casa, dando-lhes a liberdade de planear a sua vida sem este constrangimento. Adicionalmente, a app integrará uma plataforma que permite aos utilizadores falar com outros membros, para ajudar reduzir o isolamento.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Rádio Renascença

Portugueses com 100% de imunidade face ao tétano

02 fev, 2017 - 13:57
 
Estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge indica que o grau de imunidade da população é alto face às doenças abrangidas pelo Programa Nacional de Vacinação.
A imunidade da população portuguesa em relação às doenças abrangidas pelo Programa Nacional de Vacinação é "alta", sendo de 100% no caso do tétano, revela um estudo sobre a prevalência de anticorpos específicos para estas doenças.
O projecto do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) visa conhecer a prevalência de anticorpos específicos para as doenças que integram o Programa Nacional de Vacinação (PNV), bem como para outros agentes infecciosos com impacto negativo em saúde pública, através da recolha de uma amostra aleatória da população residente no país, estratificada por região e grupo etário.
"Uma das doenças em que o PNV foi mais favorável é o tétano em que a seroprevalência é de 100% em vários grupos etários, ou seja, a totalidade dos indivíduos estudados estava inume ao tétano", revela a coordenadora do Laboratório Nacional de Referência das Doenças Evitáveis pela Vacinação, do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, Paula Palminha, à agência Lusa.
Este é um dos 26 projectos que beneficiam de financiamento do Programa Iniciativas em Saúde Pública (PT06), o qual resulta do Memorando de Entendimento celebrado entre o Estado Português e os Estados Doadores do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu 2009-2014 (MFEEE) -- Islândia, Liechtenstein e Noruega.
Na sexta-feira, serão apresentados os primeiros resultados de nove destes projectos, como o Projecto Inquérito Serológico Nacional 2015-2016.
Em relação à difteria, a investigação concluiu que, comparativamente ao anterior inquérito serológico, se registou um aumento da seroprevalência, o que poderá dever-se à administração desta vacina conjuntamente com a do tétano na idade adulta.
Dos dados conhecidos, não se observaram diferenças relevantes entre as regiões. No entanto, sublinhou Paula Palminha, e no que diz respeito à rubéola, foram identificadas "diferenças a nível de género, em que, no sexo masculino, entre os 15 e os 44 anos, a seroprevalência é menor do que no sexo feminino".
Este projecto visou conhecer a prevalência de anticorpos específicos para as doenças que integram o PNV, bem como para outros agentes infecciosos com impacto negativo em saúde pública, através da recolha de uma amostra aleatória da população residente no país, estratificada por região e grupo etário.

Jornal i

Farfetch distribui ações pelos trabalhadores

Magalhães Afonso 02/02/2017 
  
A Farfetch vai repartir ações pelos seus 1300 trabalhadores numa operação avaliada em 40 milhões de euros, o maior investimento da empresa até à data.
De acordo com um comunicado da empresa, a iniciativa “Farfetch Para Todos” – que engloba os 11 escritórios mundiais – reflete a continuação do compromisso por parte da Farfetch em investir nas pessoas.
 “Estamos muito orgulhosos das nossas conquistas e queremos premiar os colaboradores que nos ajudaram a chegar até aqui. A cultura e os valores da nossa empresa foram construídos em torno da importância de trabalhar em conjunto e aspirar a uma visão comum”, diz o CEO da empresa.
"A Farfetch tem vindo a remodelar o papel da tecnologia no sector da moda de luxo. Ao fazermos isto tornámo-nos numa das 200 empresas privadas mundiais a conseguir atingir uma valorização de mais de mil milhões de dólares”, acrescenta José Neves.  
No ano passado a faturação da Farfetch aumentou 70% por comparação com 2015 “tendo em conta o valor valor dos produtos vendidos na sua plataforma”, lê-se no comunicado. No último trimestre de 2016 a “principal atividade da empresa gerou uma significativa rentabilidade, já que o volume de vendas aumentou 75% face a igual período de 2015”, acrescenta a empresa sem revelar valores.  
O termo Farfetch inclui todas as filiais globais da Farfetch, escritórios e unidades de negócios do mercado farfetch.com, Browns, Black & White e Loja do Futuro.
De acordo com a empresa, a "A Loja do Futuro (Store of the Future) é especialmente focada na redefinição da experiência de retalho omnicanal para o consumidor, alavancando a experiência da Farfetch e das boutiques parceiras". No evento FarfetchOS, em Londres, a 12 de abril, serão revelados mais pormenores.
Esta loja faz parte do investimento na construção de uma plataforma de negócios focada na Interface de Programação de Aplicações (API) que leve ao crescimento através da inovação, a parcerias com outras entidades e ao acesso a novos mercados.
Fundada em 2008 por José Neves, a plataforma Farfetch tem parcerias "com mais de 400 das melhores boutiques do mundo e com 100 marcas" de artigos de luxo de mais de mil designers. Está traduzida em nove idiomas e oferece serviços através do website e da aplicação móvel. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Madrid: circos com animais estão proibidos a partir de agora

elefantes no circo 
 Foto: Jose Luis Duron / via Creative Commons
Foi aprovada hoje pelo governo municipal de Madrid, uma medida que proíbe o uso de animais em circos, quer estes tenham lugar em espaços públicos ou privados.
Manuela Carmena, presidente da Câmara de Madrid, e o partido PSOE defenderam a necessidade de mudanças, sendo urgente a defesa dos animais habitualmente usados em circos, caso dos elefantes e dos tigres, para “não serem vítimas de maus-tratos e não serem submetidos a esforços ou actos cruéis que provoquem sofrimento, ansiedade ou stress”.
“Nos circos, os animais geralmente vivem em condições de cativeiro, alojados em jaulas e contentores, sendo muitas vezes transportados por longas distâncias em reboques de camião que não satisfazem as necessidades físicas mais básicas”, pode ler-se na proposta apresentada pela coligação Ahora Madrid. A medida contou com o apoio PSOE e do partido Ciudadanos, e com o voto contra do PP.
A coligação congratulou-se com a aprovação da medida, lembrando que muitos dos animais usados em circos “são submetidos a processos de aprendizagem em que são obrigados, por vezes de modo violento, a terem comportamentos que são completamente antinaturais para a sua espécie.”
Em Espanha há neste momento 220 municípios que proíbem o uso de animais em espectáculos de circo. Por cá, continua em vigor uma lei de 2009 que impede os circos de comprarem novos animais e a reprodução dos espécimes já existentes nas companhias de circo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

SAPO DESPORTO
Basquetebol
31-01-2017 09:46

Vai nascer o primeiro clube nortenho de basquetebol em cadeira de rodas

O Basket Clube de Gaia concluiu com sucesso uma campanha de 'crowdfunding'.
'Crowdfunding' financia primeiro clube a norte de basquetebol em cadeira de rodas
Foto: PPL CAUSAS A campanha foi concluída com sucesso.
Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt
O Basket Clube de Gaia concluiu com sucesso uma campanha de 'crowdfunding', forma de financiamento que conta com doações da comunidade, angariando os 6.700 euros necessários para formar uma equipa de basquetebol em cadeira de rodas.
A campanha, lançada a 13 de dezembro de 2016 e que estava prevista encerrar a 07 de fevereiro, atingiu na segunda-feira os 6.718 euros, pelo que o clube de Vila Nova de Gaia vai poder concretizar a compra de 10 cadeiras de rodas para a prática de basquetebol e demais acessórios.
Concretizado o financiamento, estão reunidas as condições para o surgimento da primeira equipa pertencente a um clube do norte com o propósito de competir no Campeonato Nacional de Basquetebol em cadeira de rodas sénior.
O projeto "foi construído em torno de três atletas, o Vítor, o João e o Rúben - cujas idades variam entre os 12 e 22 anos - e que queremos consolidar, primeiro como equipa de formação e, caso venham a surgir mais apoios, no futuro como equipa de competição", explicou à agência Lusa Pedro Bártolo.
"Durante o período que durou a campanha chegou um quarto elemento, de 16 anos, o Miguel, pelo que, a partir de agora, é indispensável que tenhamos as cadeiras, pois os treinos dos quatro elementos decorriam em cadeiras de rodas cedidas pela equipa de Paredes da Associação Portuguesa de Deficientes", explicou o também treinador.
Os próximos passos “serão contactar agrupamentos de escolas, centro de reabilitação e clínicas de fisioterapia da Área Metropolitana do Porto” para angariar atletas entre os 16 e 20 anos, “necessários para que o projeto atinja aquilo para que foi idealizado”, acrescentou Pedro Bártolo.
A norte, existem duas das sete equipas que estão a competir na prova nacional, sendo que ambas emanam da Associação Portuguesa de Deficientes, uma em Braga e outra em Paredes.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cientistas desenvolvem dispositivo que consegue diagnosticar 17 doenças com apenas um sopro


DR

Cancro do pulmão, síndrome do intestino irritável e esclerose múltipla são três das 17 doenças que este novo dispositivo consegue identificar através do sopro

Um grupo de investigadores israelitas está a desenvolver um dispositivo que, através do sopro, é capaz de diagnosticar 17 doenças. Este dispositivo, a que chamam "artificially intelligent nanoarray", foi testado clinicamente e os resultados mostram que é capaz de identificar as doenças com 86 por cento de eficácia.
Os investigadores pediram a 1404 pessoas que soprassem para o dispositivo em questão, de entre as quais cerca de 800 tinha uma das 17 doenças incluídas no estudo, sendo que as outras 600 não tinham nenhuma indicação de terem qualquer das doença – sendo, por isso, o grupo de controlo. Posteriormente, o sopro e a sua composição química de cada um dos participantes, originários de cinco países diferentes – Israel, França, Letónia, EUA e China –, foram analisados pelo dispositivo de diagnóstico.
Os testes revelaram que, para além da eficácia, cada doença tem a sua própria respiração, o seu próprio sopro, comparável a uma impressão digital. O dispositivo foi também capaz de identificar mais do que uma doença.
O sopro contém nitrogénio, dióxido de carbono, oxigénio e pequenas quantidades de outros 100 químicos. A amostra relativa de cada uma das substâncias varia de acordo com o estado de saúde de cada pessoa.
De acordo com o The Telegraph, esta tecnologia tem não apenas a vantagem de conseguir diagnosticar doenças através de um método não invasivo, como é também bastante acessível em termos de preço – segundo o jornal, terá o custo de 24 libras, cerca de 27,5 euros.
O dispositivo ainda não está pronto para entrar no mercado. "Enquanto ainda são necessários outros estudos de translação para validar estas descobertas, este trabalho proporciona (…) um método acessível, fácil de usar e barato para uma triagem personalizada, diagnóstico e acompanhamento de uma série de doenças", referem os investigadores no estudo publico no final de 2016.

Fique a conhecer a lista das 17 doenças que podem ser diagnosticadas através deste dispositivo:

1 - Cancro do pulmão 2 - Cancro colorretal 3 - Cancro da cabeça ou do pescoço 4 - Cancro dos ovários 5 - Cancro da bexiga 6 - Cancro da próstata 7 - Cancro do rim 8 - Cancro do estômago 9 - Doença de Crohn 10 - Colite ulcerosa 11 - Síndrome do intestino irritável 12 - Parkinson idiopática
13 - Parkinson atípica 14 - Esclerose múltipla 15 - Hipertensão arterial pulmonar 16 - Pré-eclampsia
17 - Doença renal crónica

sábado, 7 de janeiro de 2017

KUDURA: o projeto-piloto português que dá luz e água potável no Quénia

O projeto-piloto no Quénia de uma empresa de Leiria permitiu, de acordo com estudos de impacto, o aumento em 180% do número de raparigas que frequentam a escola, assim como um incremento nas notas dos alunos, na sequência do estudo noturno.
"Fizemos um estudo de impacto social do nosso projeto-piloto em Sidonge, Quénia, que demonstrou o aumento do desenvolvimento e qualidade de vida neste país. Por exemplo, aumentou em 180% o número de raparigas a frequentarem a escola, devido à poupança financeira, 47% na melhoria das notas dos alunos devido à possibilidade de estudar à noite, fruto da iluminação instalada nas casas, contando ainda com zero casos de contágio de doenças nos consumidores de água potável proveniente do 'KUDURA'", adianta Vivian Vendeirinho, sócio-gerente da RVE.SOL.
A empresa foi uma das cinco pequenas e médias empresas (PME) inovadoras portuguesas que vão beneficiar de um investimento do programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia para a realização de estudos de viabilidade dos seus projetos em países europeus.
Nesta 1.ª fase do programa europeu, a RVE.SOL recebeu 50 mil euros para elaborar o estudo de viabilidade do projeto 'KUDURA' no contexto europeu, em países como Portugal, Espanha, Polónia e outros. Este projeto engloba um sistema que permite gerar energia elétrica, através de painéis fotovoltaicos, produzir biogás, a partir dos resíduos orgânicos de origem animal, e purificar água, transformando-a em água potável.
Segundo o empresário, um dos objetivos desta 'startup' é a "criação de condições onde se pode incentivar o desenvolvimento económico e social e dar oportunidade de criação de emprego e negócio nesses locais".
Aquele estudo permitiu ainda a economia de 75% do rendimento mensal por família, com o uso de lâmpadas em vez de lanternas de querosene, redução em 72% do uso de querosene, poupança média de duas horas por dia em deslocações para carregamentos das baterias dos telemóveis, 100% de aumento na produção de mandioca e 66% de aumento em redes mosquiteiras resultando na prevenção da malária.
Moçambique, Quénia e Tanzânia são os públicos-alvo da empresa, que se dedica ao desenvolvimento sustentável rural. Foi em 2010 que surgiu a ideia de utilizar um contentor como uma central que gerava energia para a comunidade, biogás para cozinhar e que permitia ainda a purificação e captação de água para consumo.
"O conceito do 'KUDURA' consiste no aproveitamento máximo dos recursos locais para a geração de energia e captação de água. Estamos focados nos projetos de sistemas fotovoltaicos e nos sistemas de produção de biogás, que se baseia no aproveitamento de resíduos orgânicos de origem animal, em conjunto com a purificação de água. Estas foram as soluções que submetemos ao Horizonte 2020", adiantou Vivian Vendeirinho.
Segundo explicou, a ideia é aproveitar as necessidades do mercado europeu, sendo o mercado alvo a suinicultura e bovinicultura, "pois produzem elevada quantidade de matéria orgânica que geralmente não é aproveitada, sendo mesmo atiradas fora e, em diversos casos, por vias ilegais".
O empresário recorda o caso de Leiria e as descargas na Ribeira dos Milagres por algumas suiniculturas: "Já realizámos testes nessa ribeira e é possível obter água 100% potável, através do processo de filtração de água, instalado no 'KUDURA'. Os estudos de viabilidade vão continuar até junho e vamos elaborar um plano de negócio, para submetermos a candidatura à 2.ª fase, cujo financiamento é de 2,5 milhões de euros".
O aproveitamento dessa matéria orgânica permitiria "reduzir o impacto ambiental e utilizar energia renovável". Além disso, "caso exista produção de energia elétrica em excesso esta pode ser injetada na rede elétrica nacional, de acordo com a legislação".
A REV.SOL conta com uma filial em Maputo onde está a desenvolver projetos de eletrificação rural. A empresa está direcionada para o desenvolvimento e gestão de sistemas, focando-se na venda da energia elétrica e de água, através de um sistema de pré-pagamento por telemóvel.
"Estamos a trabalhar num sistema de leitura, controlo e pré-pagamento de energia. Devido às condições de vida, no contexto africano tem-se uma visão a curto prazo, sendo, por isso, de extrema importância, este conceito de negócio, que se baseia no pré-pagamento, onde não há uma conta para pagar ao final do mês", explicou Vivian Vendeirinho.
O responsável acrescentou que neste modelo "compra-se o serviço com um crédito", idêntico ao utilizado nas companhias de telecomunicações. "Quando o crédito acaba, já não há serviço. Juntámos esse conceito com a leitura e controlo de energia, o que assegura que o consumidor final só utiliza energia quando tiver crédito, evitando que fiquem faturas por pagar a longo prazo".