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sábado, 1 de agosto de 2015

NOTÍCIAS AO MINUTO

Terapia de cancro descoberta em Coimbra está a revelar-se eficaz

Uma molécula para terapia inovadora no tratamento de vários tipos de cancro, patenteada pela Universidade de Coimbra (UC), está a revelar, de acordo com os estudos efetuados, a "eficácia desejada", anunciou hoje esta instituição.

Lusa
País Universidade 10:31 - 23/07/15
"Vários estudos e experiências realizadas em ratinhos, entre 2011 e 2014, provaram a eficácia da molécula Redaporfin", descoberta na UC, para o tratamento de diversos tipos de cancro, "através de terapia fotodinâmica" (tratamento inovador que "permite eliminar células cancerígenas de forma precisa"), afirma a UC numa nota hoje divulgada.
De acordo com os ensaios realizados, "86% dos ratinhos com tumores diversos que foram tratados com esta tecnologia, seguindo exigentes protocolos de segurança, ficaram curados", salienta a mesma nota, adiantando que "não se observaram efeitos secundários, como acontece com os tratamentos convencionais", como a quimioterapia.
O estudo, que acaba de ser publicado no European Journal of Cancer, demonstrou igualmente uma "taxa de reincidência da doença muitíssimo baixa", revelando a eficácia do fármaco.
Os testes efetuados "previram com rigor quando é que a resposta ao tratamento iria surgir, com que doses e em que circunstâncias seriam obtidos os efeitos terapêuticos no doente", salienta o diretor da química medicinal deste projeto, Luís Arnaut.
As previsões estão a ser "confirmadas nos ensaios clínicos em curso", acrescenta o investigador da UC.
Esta confirmação é "excecional" porque, "na grande maioria dos estudos, muito do conhecimento adquirido nos testes em animais não é confirmado nos humanos", mas "neste caso foi possível chegar à dose adequada para obter resultado terapêutico nos doentes sem efeitos adversos, como previsto", explica Luís Arnaut.
Estão a decorrer ensaios com doentes oncológicos em hospitais portugueses até ao final deste ano e os resultados já conhecidos e validados cientificamente "fundamentam a expectativa" de que a terapia fotodinâmica com a molécula Redaporfin se revele "mais eficaz que as terapêuticas convencionais", admite Luís Arnaut.
Grande parte do percurso está feita e o primeiro fármaco português para tratamentos oncológicos poderá estar no mercado "dentro de três a quatro anos", acredita o investigador e catedrático do Departamento de Química da UC.
Iniciada há mais de uma década, a investigação envolve perto de quatro dezenas de investigadores dos grupos de Luís Arnaut e de Mariette Pereira, da UC, da empresa Luzitin SA (criada para desenvolver este projeto), e de uma equipa de médicos do Instituto Português de Oncologia do Porto.
O aspeto mais inovador do tratamento fotodinâmico com Redaporfin reside no facto de "estimular o sistema imunitário do paciente, ou seja, a terapia limita o processo de metastização do tumor", isto é, "o sistema imunitário fica alerta e ativa a proteção antitumoral contra o mesmo tipo de células cancerígenas noutras partes do organismo", conclui Luís Arnaut.
Fundada, em 2010, pela Bluepharma e inventores da Redaporfin, a Luzitin -- que realizou os estudos de pré-clínicos para obter autorização para a realização de ensaios clínicos com a Redaporfin -- está, desde 2014, a realizar em Portugal um ensaio clínico de fase I/II com doentes de cancro avançado da cabeça e pescoço.
A Luzitin SA é financiada pela farmacêutica de Coimbra Bluepharma e pela sociedade de capital de risco Portugal Ventures.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Nevzat, o patrão que vendeu a empresa e deu €216 mil a cada funcionário

Nevzat Aydin fundou a empresa em 2000
Johannes Simon/ Getty Images

“Alguns choraram, outros gritaram. Houve muitas emoções. As pessoas [agora] podem comprar casas, carros...”

Nevzat Aydin decidiu vender a sua Yemeksepeti, uma empresa turca de encomendas online e entrega de refeições ao domicílio, a uma companhia alemã do mesmo ramo, a Delivery Hero. Segundo a CNN, o negócio foi fechado por 530 milhões de euros. Mas a notícia não é esta, ainda que o negócio seja financeiramente relevante. O que tem feito de Aydin notícia é o facto de ter decidido distribuir 25 milhões por 114 trabalhadores.
Em média, cada empregado recebeu 216 mil euros. No entanto, este valor varia consoante a produtividade e o “futuro potencial na empresa” de cada um. Só os trabalhadores com mais de dois anos de contrato é que foram elegíveis para o bónus.
Para Nevzat Aydin, cofundador da empresa, o sucesso da Yemeksepeti “não aconteceu do dia para noite e muitas pessoas participaram nesta viagem com o seu trabalho e talento”. “Alguns choraram, outros gritaram e houve ainda quem escrevesse cartas de agradecimento. Houve muitas emoções, porque mudámos a vida das pessoas. As pessoas [agora] podem comprar casas, carros... Podem fazer imediatamente algo que nunca conseguiriam com um ordenado de 900 ou 1500 euros. Foi uma coisa boa. Gostaria de ter a capacidade de lhes dar mais”, contou Aydin.
A Yemeksepeti foi fundada há 15 anos e entrega mensalmente mais de três milhões de refeições e opera nos Emirados Árabes Arábia Saudita, Líbano, Omã, Qatar, Jordânia, Jordânia e, claro, na Turquia. O conceito da empresa passa pela encomenda de refeições online que depois são entregues no local e à hora escolhida pelo cliente.
Com a venda da Yemeksepeti, Nevzat Aydin mantém o cargo de diretor-executivo e passa também a ocupar uma cadeira no painel da administração da Delivery Hero.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

PUBLICO

A fórmula certa para recuperar solos pobres foi criada por portugueses

Vinte variedades de plantas dão nova vida a solos. As Pastagens Semeadas Biodiversas sugam mais dióxido de carbono do ar, enriquecem a terra e alimentam o gado. Projecto ganhou prémio europeu ambiental
O montado é um ecossistema excelente para a plantação das pastagens biodiversas, que tornam os sobreiros mais saudáveis terraprima
Os agricultores precisam de ver para crer, diz-nos Tiago Domingos. O professor de engenharia ambiental do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e director da empresa de serviços ambientais Terraprima conseguiu que mil agricultores lhe dessem ouvidos. Hoje, em Portugal, há muitos terrenos onde as pastagens biodiversas crescem. A maioria está nos montados alentejanos, fortalecendo os sobreiros e prestando um serviço ambiental a todos.
Estas pastagens capturam uma quantidade anormal de dióxido de carbono, evitando a acumulação de parte do gás que mais contribui para o efeito de estufa, responsável pelo aquecimento global. Essa foi uma das razões para o projecto da Terraprima Pastagens Semeadas Biodiversas ganhar o concurso da Comissão Europeia "Um Mundo Que me Agrada", entre os 269 projectos concorrentes.
Sempre que Tiago Domingos fala sobre este projecto, o nome de David Crespo surge imediatamente. No púlpito do Teatro Real Dinamarquês, em Copenhaga, quando na quinta-feira à noite lhe foi atribuído o prémio, voltou a contar a história do engenheiro agrónomo que, na década de 1960, começou a pensar nas pastagens biodiversas.
David Crespo é hoje director do programa de investigação e desenvolvimento da Fertiprado, a empresa que fundou em 1990. Em 1966 trabalhava na Estação Nacional de Melhoramento de Plantas. Inspirado pelas pastagens que os australianos semeavam, onde utilizavam duas ou três variedades de plantas, o engenheiro começou a pensar como poderia resgatar os solos pobres portugueses.
"Em Portugal temos imensos solos diferentes. No mesmo hectare, cada pedaço de terra muda", explica Tiago Domingos. Os topos dos montes são mais secos e têm menos solo, a terra debaixo das copas das árvores é mais húmida. A geologia, fundamental na natureza dos solos, é variada no território português.
David Crespo pensou numa solução holística. O engenheiro agrícola desenvolveu uma fórmula de 20 variedades diferentes de plantas que, quando semeadas, respondem localmente. Algumas tornam-se mais dominantes consoante as condições da terra onde crescem.
O cientista escolheu espécies de leguminosas e de gramíneas. As primeiras, como o trevo-subterrâneo, têm uma relação simbiótica com bactérias que se desenvolvem em nódulos nas raízes. Estas bactérias captam azoto do ar, metabolizam e disponibilizam o azoto à planta. Desta forma, este nutriente entra no ecossistema sem ser necessário usar adubos, é depois absorvido pelas gramíneas, que se tornam uma parte importante do pasto dos animais.
Esta mistura tem uma série de benefícios. Como as espécies são anuais, resistem ao clima mediterrânico, produzem sementes e criam no solo um banco de sementes que pode manter a pastagem por décadas. As raízes das plantas, que também morrem anualmente, alimentam o solo com nutrientes.
Passados uns anos, estes solos triplicam a matéria orgânica. As pastagens alimentam mais cabeças de gado e captam mais dióxido de carbono. Também se verificou que os sobreiros que crescem nestas pastagens são mais saudáveis, e o solo é mais húmido, resistindo à seca.
Estes benefícios foram bem quantificados na última década pela equipa de Tiago Domingos. Foi assim que se descobriu que as pastagens biodiversas captam cinco toneladas de dióxido de carbono por ano por hectare.
A partir de 2008, a Terraprima obteve financiamento do Fundo Português de Carbono (FPM) para três projectos que envolveram mil agricultores. Estes tinham de comprar sementes para a pastagem, de aceitar cuidar delas segundo as regras da Terraprima e recebiam o apoio dos seus técnicos. Desta maneira, podiam ganhar entre 150 e 130 euros por hectare, pelo dióxido de carbono que as suas pastagens captam. É uma ajuda que seduz os agricultores, mas o trabalho só compensa a longo prazo, com todos os outros benefícios.
Os projectos do FPM já terminaram, mas Tiago Domingos espera envolver empresas para assim compensarem as suas emissões e a indústria alimentar para que os alimentos produzidos nestas pastagens tenham uma marca distintiva. O prémio europeu "pode ajudar a expandir este sistema dentro de Portugal e em muitos países".

terça-feira, 28 de julho de 2015

Homens arriscam suas vidas para salvar escravas sexuais do Estado Islâmico

Nos piores momentos da humanidade surgem os maiores heróis. A máxima está sendo colocada em prática no Oriente Médio, em parte tomado pelos jihadistas do Estado Islâmico. Por lá, homens se juntaram e formaram grupos de resistência que tem como objetivo salvar mulheres tratadas como escravas sexuais pelos terroristas.
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De acordo com o Daily Mail, essas mulheres viviam escravizadas pelo EI, sendo vítimas diárias de estupros, espancamentos, açoitamentos e até apedrejamentos. Em alguns casos, após o salvamento, essas mulheres foram flagradas sendo carregadas por seus salvadores, tamanha a dificuldade que tinham para andar.
O objetivo do grupo é bastante simples: resgatar essas mulheres na surdina e levá-las escondidas até a fronteira com o Iraque, muitas vezes atravessando boa parte da Síria. O destino final costuma ser qualquer território para refugiados que esteja longe do controle do EI. As fugitivas têm pelas consciência de que, se capturadas novamente, serão torturadas até a morte.
Entre as mulheres recuperadas estão idosas e crianças. Muitas delas, afirmam os ativistas responsáveis pelo resgate, precisam de acompanhamento psicológico após o retorno para superar os horrores vividos. Para o bem da humanidade, o grupo de resgate tem atraído cada vez mais membros e, graças a isso, muitas mulheres estão conhecendo novamente o gosto da liberdade.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Como o cinema chegou a crianças de aldeias africanas pelas mãos de um português

O português João Meirinhos anda pelas aldeias mais recônditas de África e Ásia a projetar filmes para crianças. Muitas assustam-se com os dragões das animações

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Ainda faltam três mil quilómetros para chegarem a Ulan Bator, a capital da Mongólia, e o termómetro do camião já se aproximou dos 40 graus. João Meirinhos atende a chamada da VISÃO enquanto percorre os arredores de Omsk, na Sibéria, numa estrada longa e sem história, deserta de humanidade. A bordo do camião 4x4 Magirus Dentz, de 1975, que já foi carro de bombeiros na Alemanha e transportou aviões de salvamento para ralis no deserto do Saara, além do antropologista visual nascido em Lisboa, há 30 anos, viajam os italianos Davide, músico e motorista, e Francesca, fotógrafa e clown, que tem tatuado no ombro "o essencial é invisível aos olhos", uma citação de O Principezinho, de Saint-Exupéry.
"Nas últimas três semanas temos guiado cerca de dez horas por dia, entre 400 e 500, no máximo, porque as estradas têm muitos buracos. Ontem por exemplo, demorámos duas horas para fazer 60 km", conta João para quem foi "interessante" falar em português outra vez. Desde 2009 está habituado a pensar em italiano, falar espanhol e francês e pesquisar em inglês na internet. Os outros cinco voluntários seguem noutros dois camiões. Trata-se de Francisca, animadora social e relações públicas de Espanha, e dos franceses Erwan, performer de circo, Lola, editora de vídeo que trata dos contactos com os orfanatos e escolas, Eva, coordenadora do projeto e habituada a trabalhar na área da educação, e Thomas, realizador e coordenador.
Andam na estrada desde abril e já fizeram 30 sessões de cinema em aldeias no meio de nenhures: 15 na Roménia, 5 na Bulgária e na Turquia, 4 na Geórgia e uma na Rússia. "A globalização é o tema principal dos documentários não verbais que mostramos [Home, Baraka ou Microcosmos], cujos direitos de exibição nos foram doados pelos realizadores. Foi a pôr gasolina no gerador durante uma projeção que nos apercebemos que era uma contradição passar filmes sobre ecologia e depois utilizar gasolina para os mostrar. Comprámos mais painéis solares e baterias e agora somos independentes nesse sentido", esclarece João.
Foi precisamente o desperdício de dinheiro de uma sociedade consumista que fez com que João Meirinhos, ao terminar o curso de Ciências da Comunicação na variante de Cinema e Audiovisual, se interessasse por voluntariado. Ainda estagiou numa produtora de cinema publicitário, mas em 2009 fez-se à estrada quando um dos seus companheiros de Erasmus, em Itália, o desafiou: "Vamos fazer cinema com as crianças em África." Mais tarde, criaram uma joint-venture entre os franceses da Lèzards Migrateurs e os italianos da ONG Bambini Nel Deserto. Em 2011, passou por 22 países em dois continentes. Em 2012 voltou a Manchester para um mestrado em Antropologia Visual. "Sou um filho dos ideais de Abril.
Fui educado rodeado de cultura e arte como princípios básicos para o desenvolvimento. E isso nunca mudará. Esta iniciativa claramente não é um emprego, mas sem dúvida que dá muito trabalho."
Aventuras 'on the road'
Para os oito voluntários, todas estas viagens são uma troca inesperada. "É preciso não recear o acaso mas aproveitá-lo. Até agora os melhores momentos foram sempre quando a nossa aparição é uma surpresa, para ambas as partes", partilha João Meirinhos. Tanto em África como na Ásia Central, o facto de serem europeus é imediatamente associado a riqueza. "No Saara usávamos calendários pornográficos e bolas de futebol como moeda de troca para que nos deixassem em paz. Pormenores como bandeiras de cada país, uma foto de Meca ou do presidente Putine a cumprimentar Berlusconi podem evitar problemas. É útil conhecer o vocabulário básico e manter a calma", explica o português.
No meio de tantas aventuras, já teve miúdos a mastigar os restos dos seus ossos de frango; percebeu que um preservativo custa mais que uma prostituta; teve nove furos numa semana devido aos 50 graus do asfalto; já lhe ofereceram uma criança, para trazê-la para a Europa, mas fizeram uma coleta entre todos e por 50 euros ela pôde ir, pela primeira vez, à escola, durante um ano; e, por fim, o grupo decidiu "viver como um burkinabé", com menos de um euro por dia. "Acho que nem duas semanas aguentei a comer sempre a mesma coisa, arroz com molho de amendoim e um pouco de gordura de carne... O Davide foi para o hospital com paludismo. Onde a pobreza é mais extrema é onde ninguém já profere uma queixa", descreve.
Durante as sessões de cinema, são inúmeras as reações dos mais pequenos. No Burkina Faso, por exemplo, gritam quando veem um dragão numa das animações. Projetar a imagem de um camião que passa por cima de uma câmara no chão é meio caminho andado para todos fugirem, pois o efeito 3D fá-los pensar que vão ser atropelados. Na caravana há tempo para tudo, desde criar uma estação de painéis solares para dar energia a uma bomba de água num oásis no sul de Marrocos até organizar uma oficina de mecânica para "rapazes de rua" aprenderem um ofício. Mas nem tudo é um mar de rosas.
João e os sete companheiros já apanharam alguns sustos. O momento de maior stresse deu-se ao atravessarem a fronteira entre Marrocos e a Mauritânia. Foram atraídos a uma armadilha de areia e o camião ficou atolado.
"Surgiram mais de vinte homens aos gritos, em árabe, no meio do nada. Queriam 300 euros para nos ajudarem a desenterrar o camião. Conseguimos fechar negócio por 150 e passámos umas boas três horas até sair dali", relembra João. Em Bamako, capital do Mali, foram raptados por uma espécie de "Unidade de Bons Costumes Islâmica", depois de um dos amigos de João Meirinhos urinar na rua. "Saem uns homens encapuçados com metralhadoras de dentro de um jipe e levam-nos. Quando começaram a 'pescar' mais gente pela rua comecei a perceber o que se passava. Procuravam pessoas 'fora de conduta'. Queriam 7 000 SEFA (8 euros). Acabaram por aceitar os 5 000 que tinha no bolso e ainda nos deram uma boleiazinha para mais perto do acampamento." Se a campanha de crowdfunding chegar a bom porto (indiegogo.com/projects/solar-powered-cinema-mission-mongolia#/ story), conseguirão angariar 3 600 euros até 2 de agosto, e levar a sua sala de cinema itinerante para a China e para a Índia. Ainda há muitas crianças espalhadas pelo mundo à espera de ver cinema pela primeira vez.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

SAPOLIFESTYLE

Projeto que transforma fruta em pó quer acabar com a fome no mundo


A FoPo Food Powder pretende combater o desperdício alimentar e a fome no planeta. Ganhou vida através de uma campanha de crowdfunding.


Todos os anos são desperdiçados 1,76 mil milhões de toneladas de alimentos, o equivalente a 685 milhões de euros, de acordo com dados das Nações Unidas.

A curta validade dos produtos frescos é uma das razões, mas uma ideia inovadora pretende contornar esse problema.

A empresa FoPo Food Powder está a secar frutas e vegetais que já ninguém quer comprar e transforma-os em pó que pode ser utilizado na confeção de bolos, gelados, sumos ou adicionado a outros alimentos, como leite e iogurtes, escreve o Mashable.

A FoPo partiu de uma ideia do estudante sueco de engenharia mecânica Kent Ngo, que se juntou a mais quatro jovens: Gerald Marin, Vita Jarolimkova, Lizzie Cabisidan e Ada Bałazy.

Para já, o pó está disponível em três sabores: banana, framboesa e manga. O produto retém entre 30 a 80% do valor nutricional do alimento, de acordo com a empresa, e pode ser polvilhado sobre o iogurte, gelado, pão ou smoothie.

A FoPo aumenta a vida útil das frutas e vegetais até dois anos. O objetivo da FoPo Food Pó é tornar-se num importante player mundial no combate à fome no mundo.

Depois de uma campanha de "crowdfunding" e graças ao apoio do governo das Filipinas e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a empresa integra agora um projeto-piloto neste país, beneficiando de doações locais do excedente da produção de abacaxi e manga.
artigo do parceiro: Nuno Noronha

domingo, 19 de julho de 2015

LusaCientistas conseguem travar Esclerose Lateral Amiotrófica

  Cientistas israelitas conseguiram pela primeira vez travar o processo degenerativo da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) com uma nova técnica de reinjeção de células estaminais do próprio doente.

Mundo Israel 19:09 - 13/08/13
A investigação, realizada nos últimos anos no hospital universitário Hadasa Ein Karem, em Jerusalém, conseguiu travar por completo o avanço da doença e, em alguns doentes, conseguiu mesmo uma ligeira melhoria nos músculos degenerados, noticia o diário Yediot Aharonot na sua edição eletrónica.
"O problema da ELA e de doenças similares é que um grupo de células nervosas degenera até morrer de forma irremediável", explicou o professor Eldad Melamed, cientista da Universidade de Telavive que participa no projeto, apoiado pela empresa privada israelita Brainstorm.
A Esclerose Lateral Amiotrófica, de que padece, por exemplo, o cientista britânico Stephen Hawking, e que é também conhecida como Doença de Lou Gehrig e, em França, como Doença de Charcot, surge quando os neurónios motores deixam de funcionar e começam a causar uma paralisia muscular que acaba na morte, em poucos anos.
Melamed indicou que a investigação tem sido muito difícil devido ao facto de se desconhecer as causas pelas quais estes neurónios deixam de funcionar e iniciam um processo degenerativo, pelo que decidiram trabalhar a partir das células estaminais do próprio doente.
"Recolhemo-las da medula óssea, limpamo-las e reproduzimo-las em grandes quantidades. Depois, tratamo-las com um processo químico que as transforma em neurónios e injetamo-las na espinha dorsal e nos músculos afetados", descreveu, sobre a técnica desenvolvida pela sua empresa, que está cotada na bolsa de Nova Iorque.
Os resultados que garantem ter conseguido oscilam entre ter travado a doença em alguns doentes e ter conseguido detê-la por completo noutros.
O diário israelita afirma que a nova técnica abre uma janela de otimismo para milhares de doentes, mas que está ainda em fase preliminar de investigação, necessitando ainda de completar ensaios clínicos em Israel e nos Estados Unidos.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Exame InformáticaCohitec: a cura da malária e o HIV detetado em três dias

Hugo Séneca
15/07/2015 

Um dispositivo que prevê a probabilidade de enfartes em menos de uma hora e outro que faz o diagnóstico do HIV em três dias. A malária pode ter uma cura. E alguns cancros de pulmão também. Eis a mais recente fornada dos projetos Cohitec.

João Nunes, líder da Daila, não tem medo da ambição: «por ano, são feitos 200 milhões de testes de diagnóstico do HIV. Nós queremos que, no futuro, esses 200 milhões de testes passem a usar o Nano-V». Como muitos dos 15 projetos que desfilaram ontem no encerramento do programa de empreendedorismo Cohitec, em Lisboa, a Daila ainda não tem um negócio. João Nunes não tira o pé do acelerador do otimismo: «queremos criar uma empresa até ao final do ano». O roteiro da Daila também prevê a estreia comercial para 2019, mas esse objetivo só será alcançado se a startup garantir cinco milhões de investimento. Sem esse dinheiro, a Daila não poderá desenvolver um dispositivo que faz o diagnóstico do vírus da Sida em três dias – um período bastante inferior ao período mínimo de um mês exigido pelos testes de diagnóstico atuais.
O programa Cohitec de 2015 pode não salvar o mundo – mas tem seguramente algumas das ideias mais ousadas que alguma vez saíram dos laboratórios e universidades portuguesas nas denominadas ciências da vida. No auditório do Pavilhão do Conhecimento, desfilaram com a diferença de minutos um projeto que promete a cura para a malária (Anti-Malarials), uma solução que pretende detetar a probabilidade de ocorrência de enfartes cardíacos em menos de uma hora (Sumthink), uma possível cura para um dos tipos de cancro do pulmão (Nanoplex); uma solução de dosagem mais adequada para anestesias (MedInfusion), e ainda um equipamento que poderá ser usado para detetar diferentes micro-organismos que estão na origem de infeções, e que deverá começar por incidir no diagnóstico da pneumonia (MDID) .
Mas nem só de ciências da vida vive o Cohitec. Eis outras ideias que facilmente se colam ao imaginário de qualquer futurista: a startup Ocean Swarm deu a conhecer esquadrilhas de pequenas embarcações robóticas que localizam cardumes prontos a pescar; a bOptimum prevê criar um sistema que estima consumos de água de uma cidade e reduzir os consumos de energia derivados da bombagem para os diferentes reservatórios; e a CoolMeat desenvolveu uma enzima que torna a carne mais tenra.
O entusiasmo de quem conclui o prestigiado curso de empreendedorismo é notório – e já faz parte da coreografia de quem tem de “vender a ideia” a investidores, jornalistas, especialistas ou outros curiosos que geralmente acompanham o lançamento de novos projetos desenvolvidos no programa Cohitec.
Pedro Vilarinho, coordenador do programa Cohitec, lembra que, entre uma boa ideia e um grande negócio, ainda vai um percurso longo: «Estes 15 projetos terão de ser analisados a fundo, para se poder saber qual o verdadeiro potencial que têm. No passado, houve projetos que achávamos que tinham potencial e acabaram por se revelar desilusões, e também outros em que não acreditávamos tanto e que se revelaram verdadeiras surpresas».
Nem todos os 15 projetos da mais recente “fornada” do programa Cohitec vão seguir em frente – e, mesmo entre os que são selecionados para etapas posteriores, há equipas que «desmotivam e regressam à universidade ou que se descobre que não estavam à altura das exigências», recorda Pedro Vilarinho.
Para quem quer seguir em frente, há um objetivo em comum: chegar ao mercado internacional e disputar segmentos que podem vir a valer centenas ou milhões de euros. Entre os casos de sucesso, destaca-se o grupo de seis empresas que se iniciaram no Cohitec e que já concluíram toda a fase de crescimento estando agora a chegar ao mercado, com produtos ou provas de conceito (ACS - Advanced Cyclone Systems, 5ensesinFood, Omniflow, Consumo em Verde - Biotecnologia das Plantas; Abyssal; e BioMode). No total valem mais de 40 milhões de euros e contam com 20 patentes registadas. Duas delas faturaram um total de seis milhões de euros.
Daniel Bessa, diretor-geral da associação Cotec, fechou a sessão de encerramento do Cohitec com uma certeza e um desafio: «É claro que temos boa ciência em Portugal e o nosso trabalho é transformá-la em negócios, empresas e empregos».
O programa Cohitec arrancou em 2004, com o objetivo de promover a conversão de cientistas em empresários. Em 12 edições, passaram pelo programa Cohitec 151 projetos de negócio de base de tecnológica, que deram origem a 26 startups, que atraíram 35 milhões de euros de investimento.

sábado, 27 de junho de 2015

ZAP aeiou

Material revolucionário de grafeno e sílica inventado em Aveiro

UA.pt
Sergey Luchkin, Gonçalo Cunha e Andrei Kholkin, investigadores do CICECO da Universidade de Aveiro
Sergey Luchkin, Gonçalo Cunha e Andrei Kholkin, investigadores do CICECO da Universidade de Aveiro
Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) acaba de divulgar que o grafeno, quando combinado com a sílica, tem propriedades piezoeléctricas: pode gerar energia elétrica, através da compressão.
Este é um material que poderá vir a revolucionar a indústria tecnológica do futuro devido à sua resistência, leveza, transparência e flexibilidade, além de ser um óptimo condutor de electricidade.
A descoberta da piezoelectricidade do grafeno, ou seja, a sua capacidade de gerar energia eléctrica através da simples compressão do material, abre as portas a que, por exemplo, telefones móveis de nova geração e circuitos micro-ondas possam operar a uma velocidade e qualidade sem precedentes.
“Prevê-se que esta descoberta leve a uma nova era na utilização do grafeno em dispositivos microelectromecânicos”, antevê Andrei Kholkin, um dos autores da descoberta, publicada na Nature Communications.
O cientista do Departamento de Física e do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da UA, e líder da equipa de investigação, explica que “uma vez que o grafeno é muito fino e flexível, antecipam-se inúmeras vantagens face a materiais piezoeléctricos tradicionais”.
O investigador aponta, como exemplo, que a partir desta descoberta “a frequência da ressonância piezoeléctrica pode ser levada para a gama dos gigahertzs com um factor de qualidade sem precedentes”.
Andrei Kholkin não tem dúvidas: “Isto pode ser de grande utilidade para telefones móveis de nova geração ou circuitos micro-ondas”.
O grafeno, cujo estudo valeu em 2010 o Prémio Nobel da Física a Andre Geim e Konstantin Novoselov, cientistas da Universidade de Manchester, Inglaterra, é um material feito inteiramente de átomos de carbono que estão arranjados numa rede hexagonal e dispostos num plano.
“Este material tem propriedades excepcionais”, esclarece Andrei Kholkin salientando “a capacidade de conduzir a electricidade e o calor mas oferecendo uma resistência mecânica 100 vezes superior ao aço em relação ao qual é mais leve”.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

VISÃO Mundo

Nepal: Heróis acidentais

Pedro e Lourenço estavam no Nepal quando se deu o terramoto. Quase sem darem por isso começaram um movimento que pôs milhares de portugueses a ajudar os nepaleses - a Missão Obrigado, Portugal


Assim que se sentam numa mesa do restaurante Everest Montanha 2, em Lisboa, pedem um "chá picante". Têm saudades do Nepal. Mas não por muito tempo: antes do fim do mês, estão de regresso a Kathmandu. O trabalho de Pedro Queirós, 35 anos, e Lourenço Macedo Santos, 33, está ainda a começar.
Lourenço: Só viemos cá porque queremos chamar mais atenção para a causa.
Pedro: Ainda temos muito para fazer lá.
Os dois amigos chegaram ao Nepal na noite de 24 de abril, após uma longa viagem de mochila às costas por vários países asiáticos. A aventura, julgavam, estava perto do fim. Quinze horas depois de aterrarem, o chão tremeu, matando quase nove mil pessoas.
Pedro: Nos primeiros dias, tudo parou. O abastecimento de água, comida, eletricidade, recolha de lixo. Os estrangeiros tentavam abandonar o país. Mas os nossos passaportes tinham ficado numa agência de viagens local. Quando os recuperámos, três dias depois, já tínhamos andado pela cidade e visto o caos: gente a dormir nas ruas, filas de 500 metros para a água e para a comida...
Lourenço: Aí tomámos a decisão: aplicar todo o dinheiro, 1 700 dólares [1 500 euros] cada um, a apoiar as pessoas.
Pedro: A nossa primeira compra, nessa manhã, foi 50 quilos de arroz e 400 bananas. Voou tudo em cinco minutos. No mesmo dia, tivemos de voltar ao supermercado mais duas vezes, comprar mais 200 quilos e depois 400 quilos de arroz. Enchíamos táxis e organizávamos filas para distribuir.
Entretanto, Pedro, com viagem marcada para 1 de maio, publicou o seu NIB no Facebook para quem o quisesse ajudar a ajudar.
Pedro: As pessoas perguntavam: ficam aí até quando? Ainda vale a pena ajudar?
Lourenço: Mas nós tínhamos visto gente morta na rua! Pessoas a pedir-nos massa, arroz, leite para bebés. Como é que podíamos ir para a praia beber cerveja?
Não podiam e não foram. Com os fundos a crescerem e os amigos do Facebook a multiplicarem-se, Pedro e Lourenço redobraram os esforços. Levantavam-se às sete da manhã e nunca se deitavam antes das três, quatro da madrugada. Com a ajuda de uma associação local, a BPW, "profissionalizaram-se". Aprenderam a regatear nas lojas.
Pedro: Caíamos em cima deles. Colchões a 100 rupias? Não. Faz isso a 50. É o teu povo.
Desenrascaram uma carrinha de caixa aberta, diversificaram os alimentos de acordo com os costumes nepaleses e passaram a comprar também bens não alimentares, como pensos higiénicos. Tudo com dinheiro português.
Lourenço: Um dia, o Pedro, que anda sempre com os lápis de cor atrás, pegou num cartão, pintou a bandeira nacional e escreveu "Obrigado Portugal". Era uma maneira de agradecer às pessoas que tinham contribuído.
A imprensa internacional descobriu-os. A história passou no Japão, na Austrália, nos EUA. Foram capa da VISÃO. Voluntários do Brasil, do México, de Espanha e de Malta juntaram-se-lhes, entusiasmados com o exemplo. Logo perceberam que estava na altura de passar à fase seguinte.
Pedro: Começámos a pensar na reconstrução do país, tendo em conta as monções que aí vinham.
Lourenço: Fora de Kathmandu, vimos vilas completamente devastadas. Ficámos ainda mais tocados.
A "Missão Obrigado, Portugal" passou a concentrar-se em duas novas vertentes: um campo de refugiados (Campo Esperança) para 350 pessoas de uma vila próxima, que procuraram refúgio na capital, e a construção de casas temporárias, para enfrentar as violentas chuvas das monções.
Lourenço: Caíram muitas casas, mas cada tenda que montamos é uma vitória.
Pedro: Temos aproveitado as competências de quem chega. Voluntários que vêm só por uma semana são encaminhados para o Campo Esperança, onde podem brincar com as crianças, dar aulas, comprar comida. Uma arquiteta chegou precisamente quando estávamos a pensar avançar com as casas temporárias.
Lourenço: Estamos agora a construir duas ao mesmo tempo, com assinatura portuguesa. Quando voltarmos, já estarão prontas.
Pedro: E vamos ter mais.
Lourenço: Sim, isto é um projeto-piloto. A Saudade 1 e a Saudade 2. Mais tarde, vamos analisar e replicar.
Com a sobrevivência garantida, era tempo de se concentrarem na dignidade dos nepaleses.
Pedro: Instalámos uma televisão no Campo Esperança, organizámos um show de talentos para as crianças...
Lourenço: De repente, estava o campo todo a cantar, a dançar e a recitar poemas. Foi uma tarde mágica. Isto é fundamental para as pessoas esquecerem um bocadinho a desgraça e terem dignidade. Terem vida.
A missão humanitária dos dois portugueses corria tão bem que algumas organizações não governamentais, com dinheiro e meios mas emperradas pela burocracia, já se juntavam a eles.
Lourenço: Nós temos dois milhões de dólares que vieram de Itália e podemos dar o transporte, mas não temos comida.
Pedro: Eles tinham paletes de comida no aeroporto, mas não conseguiam tirá-la de lá.
Lourenço: Nós levantávamos o dinheiro e comprávamos comida. Em menos de 24 horas, arranjámos oito toneladas de lentilhas, arroz, sal, que depois foram transportados de helicóptero.
O trabalho continua longe de estar terminado. Pedro e Lourenço preparam-se para fazer as malas e regressar ao Nepal, onde devem ficar, pelo menos, até ao Natal. Os seis meses sabáticos que haviam tirado para a viagem pela Ásia esticaram, deixando-lhes as carreiras em suspenso. O plano de iniciarem as suas próprias empresas, cuidadosamente delineado, foi adiado.
Pedro: Se começar o meu negócio aos 34 ou 35... São cinco minutos da minha vida.
Lourenço: Sim, seis meses não é nada. E isto está a dar-nos uma enorme bagagem em organização, liderança, gestão, marketing...
Pedro: Este é o nosso maior projeto.
Quase duas mil e quinhentas pessoas já contribuíram para a causa. Mas a responsabilidade não os assusta: nem têm tempo para pensar nisso.
Lourenço: Ainda não parámos. Mesmo em Portugal. Estava a ler o Shantaram antes disto e não lhe consegui voltar a pegar.
Pedro: Eu gosto de pintar e escrever, e também nunca mais.
Com os 27 mil euros angariados pelos dois amigos (que guardam cada fatura do que gastam, e pagam as suas refeições do próprio bolso), já foram ajudados 50 mil nepaleses. Mas muito, muito mais há a fazer.
Pedro: Peço às pessoas: organizem jantares de angariação de fundos. Criem movimentos.
Lourenço: O dinheiro lá rende. Com o preço de um metro quadrado em Lisboa construímos uma casa para uma família no Nepal.
O apelo tem resultado - Pedro e Lourenço até já receberam poupanças de crianças que partiram os mealheiros para ajudar o Nepal.