quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Jovem médico português ganha prémio com estudo sobre o fígado que pode salvar vidas

21 fev 2018 15:26

O gastrenterologista Filipe Sousa Cardoso, de 33 anos, venceu a 2.ª edição do Prémio Banco Carregosa/SRNOM, de 20 mil euros, com um projeto de investigação em doentes com falência aguda do fígado, divulgou a secção do Norte da Ordem dos Médicos.

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O objetivo do estudo foi procurar perceber qual o método mais eficaz de remoção da amónia - substância nociva presente no sangue - para prevenir lesões neurológicas que resultam da doença e são potencialmente fatais, explica, em comunicado, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

Filipe Sousa Cardoso, especialista em Gastrenterologia do Hospital Curry Cabral – Centro Hospitalar de Lisboa Central, e a sua equipa concluíram que “a técnica contínua foi significativamente mais eficaz a remover a amónia sanguínea e a melhorar a sobrevida dos doentes”.
“Estes resultados sugerem que a utilização atempada deste tipo de tratamento pode ajudar a evitar a morte precoce”, explica o autor.
O médico considera que outra das virtualidades deste projeto é contribuir “para a racionalização dos custos associados à admissão hospitalar destes doentes”, designadamente no que diz respeito “à permanência nos cuidados intensivos ou o potencial transplante de fígado”.
Dos projetos apresentados a concurso, foram distinguidos três com prémios no valor global de 25 mil euros, distribuídos da seguinte forma: 20 mil para o projeto vencedor e cinco mil para duas menções honrosas.

Menções honrosas

As menções honrosas foram atribuídas a Ana Luísa Neves, especialista em Cardiologia Pediátrica do Centro Hospitalar de São João e investigadora e docente na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, relativo ao seu estudo sobre o “Valor do prognóstico de biomarcadores cardíacos nas cardiopatias congénitas” e a Luís Guimarães Pereira, médico anestesiologista do Centro Hospitalar de São João e docente na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com o trabalho de investigação “Dor crónica pós-operatória após cirurgia cardíaca”.
A cerimónia de entrega de prémios realiza-se hoje às 21:30, no Salão Nobre da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, no Porto, e contará com a presença do Bastonário da Ordem dos Médicos.
“O prémio insere-se no objetivo de tentarmos ter alternativas de financiamento para a investigação clínica em Portugal, algo que se tornou possível graças a esta parceria com o Banco Carregosa”, esclareceu o presidente da SRNOM, António Araújo.
Visando em termos gerais promover a investigação clínica em Portugal, o prémio tem como objetivo específico “incentivar os jovens médicos a participar ativamente nestes processos, dado que estão mais sensibilizados para este tipo de questões e a área da investigação pode mesmo constituir-se como uma saída profissional para os novos médicos”, acrescentou.
Para Maria Cândida Rocha e Silva, presidente do Banco Carregosa, “a gratidão da sociedade aos investigadores clínicos e médicos, que dedicam as suas vidas a descobrir formas de tratar ou prevenir doenças, cuidando assim do bem-estar de todos, vai muito para além deste prémio. Mas na medida das nossas possibilidades, o Banco Carregosa quer estar presente, dirigindo uma boa parte da sua responsabilidade social para a área da saúde”.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Tratamento de enzima reverteu completamente Alzheimer em cobaias



Um novo tratamento experimental conseguiu reverter completamente a doença de Alzheimer em cobaias, apenas com a redução dos níveis de uma enzima no cérebro dos animais.
Os resultados foram publicados esta quarta-feira no Journal of Experimental Medicine e reforçam a teoria de que as placas amilóides estão na raiz da misteriosa doença cerebral. O grupo de cientistas que fez o estudo sinaliza que tratar estas placas poderia levar a uma eventual cura para a doença.
O estudo descobriu que a redução lenta dos níveis da enzima BACE1 em cobaias, à medida em que envelheciam, impediu ou reverteu a formação de placas amilóides no cérebro. As placas amilóides, formadas quando pedaços de proteína se acumulam no cérebro, são encontradas em quantidades elevadas em pacientes com Alzheimer.
A BACE1 é uma proteína que se forma naturalmente no cérebro e ajuda a produzir péptido beta-amilóide, uma proteína também envolvida na formação de placa cerebral.
Segundo defendem os cientistas da Cleveland Clinic, reduzir a BACE1 no cérebro teria um efeito de destilação, reduzindo a formação da placa. Na experiência, os cientistas examinaram os ratos criados para desenvolver a doença de Alzheimer.
Gradualmente , os ratos produziram menos enzimas BACE1 à medida que envelheciam, a última através da remoção de um gene crucial. Esses ratos deveriam ter desenvolvido a doença de Alzheimer, mas sem a BACE1, isso não aconteceu. Os ratos acabaram por se desenvolver normalmente e permaneceram saudáveis até chegarem a uma idade avançada.
Os investigadores observaram que reduzir os níveis de BACE1 não só impediu a doença de Alzheimer em cobaias, mas também reverteu a doença em animais que começavam a mostrar os primeiros sinais.
O Dr. Daniel Franc, neurologista em Santa Monica, na Califórnia, disse que, independentemente de essa descoberta exata ter sucesso para os seres humanos, os resultados continuam a ser importantes. “Eu diria que esta é uma descoberta incremental. Não é revolucionária, mas agrega mais apoio às atuais abordagens contínuas”, disse Franc.
A pesquisa dá esperança de que a ciência esteja no caminho certo para encontrar um tratamento viável. “Acho que este foi o momento ideal para pensar que teremos intervenções para a doença de Alzheimer”.
O Dr. Richard Isaacson sustenta que os resultados são promissores e acrescentaram mais provas de que o inibidor de BACE1 poderia ser um tratamento efetivo contra o Alzheimer. Mas advertiu que ainda é muito cedo para celebrar.
Os ratos são muito diferentes dos seres humanos para que possamos ter em conta estes resultados. “O outro lado da moeda é que 99% de todos os ensaios de medicamentos clínicos para a doença de Alzheimer falharam e não sabemos porquê“, disse Isaacson, que não estava envolvido no novo estudo. “Talvez o amilóide não seja o alvo certo”.
Mesmo que os amilóides sejam o alvo certo, Isaacson explicou que ainda teríamos que esperar um mínimo de cinco a sete anos antes de saber se a mesma abordagem é útil nos seres humanos.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Fármaco promete matar vírus da gripe em 24 horas


Uma empresa farmacêutica garante ter criado um fármaco que pode acabar com o vírus da gripe em 24 horas e pode, também, reduzir o poder de contágio da doença.
O fármaco já foi testado com sucesso em 1.436 pacientes e encontra-se, neste momento, nas fases finais de testes. A Shionogi, empresa farmacêutica japonesa responsável pelo fármaco, garante ainda que uma dose é o necessário para acabar com a gripe em apenas um dia. Segundo o The Wall Street Journal, a Shionogi está a estudar e a desenvolver este fármaco há já dez anos. Isao Teshirogi, presidente executivo, afirma que o fármaco em questão “bloqueia o vírus da gripe com uma única dose“.
O fármaco Baloxavir Marboxil inibe uma enzima de restrição, essencial para que os vírus sintetizem proteínas a partir do próprio material genético. Com este bloqueio, o fármaco evita que o vírus se espalhe e, além disso, limita a sua capacidade de induzir os sintomas de gripe nas nossas células. Durante um ensaio clínico, realizado no ano passado, o composto demorou pouco mais de 24 horas a erradicar o vírus da gripe em adultos sem qualquer outro tipo de doenças. Em contraste, os pacientes que tomaram um dos fármacos mais comuns (Tamiflu, por exemplo), demoraram 72 horas a erradicá-lo.
A empresa farmacêutica afirma ainda que o Baloxavir Marboxil proporciona um alívio mais rápido dos sintomas da gripe e que pode tornar o vírus menos contagioso. Além disso, os testes mostraram que este comprimido pode causar menos efeitos secundários do que outros existentes no mercado para o mesmo efeito. Apesar disso, há um senão: o estudo exclui pacientes com alto risco de desenvolver complicações decorrentes da gripe, pelo que não se sabe o efeito do fármaco em casos mais severos. A empresa espera agora que o medicamento seja aprovado formalmente pela entidade reguladora do uso de medicamentos do Japão já no próximo mês, o que significa que o fármaco pode estar à venda em maio. A disponibilidade do fármaco noutros países depende das suas entidades reguladoras.
ZAP //

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Sapo24
Cientistas criam 'nanorobôs' que eliminam tumores bloqueando irrigação sanguínea
Cientistas criaram 'nanorobôs' que eliminam cirurgicamente tumores, bloqueando a sua irrigação sanguínea, o que perspetiva novos tratamentos para o cancro, revela um estudo hoje publicado na revista científica Nature Biotechnology.
A técnica, testada em ratinhos com diferentes tipos de cancro, provocou danos no tecido tumoral ao fim de um dia sem afetar os tecidos saudáveis.
Para criar estes robôs microscópicos, que se autodegradam no organismo passadas 24 horas, uma equipa de investigadores dos Estados Unidos e da China recorreu à técnica genética do 'ADN origami', que permite 'dobrar' sequências de moléculas de ADN (material genético) para obter formas bidimensionais e tridimensionais à escala das nanopartículas (partículas ultrafinas, mil vezes mais pequenas do que um fio de um cabelo).
"Desenvolvemos o primeiro sistema totalmente autónomo de robótica de ADN para desenhar drogas muito precisas e para o tratamento direcionado do cancro", afirmou um dos autores do estudo, Hao Yan, diretor do Centro de Design Molecular e Biomiméticos do Instituto de Biodesign da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos.
Segundo o investigador, a técnica usada em ratinhos com melanoma (tipo de cancro da pele) não só afetou o tumor primário, mas também impediu a formação de metástases (formação de novos tumores a partir de outros mais distantes), "demonstrando o seu potencial terapêutico".
Em três dos oito ratinhos com melanoma humano, os tumores regrediram totalmente graças à terapia de nanorobótica de ADN, com o tempo médio de sobrevivência dos roedores a mais que duplicar, passando de 20,5 dias para 45.
A mesma técnica foi igualmente testada, com sucesso, em ratinhos com cancro do pulmão: ao fim de duas semanas de tratamento, o tamanho do tecido tumoral recuou.
Em comunicado, a Universidade do Estado do Arizona explica que cada ‘nanorobô’ é feito a partir de uma "folha de origami de ADN plana e retangular". A principal proteína envolvida na coagulação do sangue, a trombina, é ligada à sua superfície.
A trombina pode bloquear o fluxo de sangue no tumor, ao coagular o sangue nos vasos que alimentam o crescimento do tumor, causando uma espécie de ataque cardíaco que leva à morte do tecido tumoral.
Ao fim de dois dias de testes havia indícios de trombose avançada nos ratinhos e, passados três dias, foram observados trombos (coágulos de sangue) em todos os vasos sanguíneos dos tumores.
A chave do tratamento, de acordo com os cientistas, é desencadear a produção da proteína trombina apenas quando está no interior dos vasos sanguíneos do tumor.
Os investigadores realçam a ausência de efeitos indesejáveis, como o de estes 'nanorobôs' invadirem o cérebro e causarem um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A equipa, na qual participaram especialistas do Centro Nacional para a Nanociência e Tecnologia da Academia Chinesa de Ciências, considera que a técnica é segura e eficaz, pelo que pode ser testada em animais maiores do que ratos e em vários tipos de cancro, uma vez que todos os tecidos tumorais têm vasos sanguíneos.
Para Hao Yan, da Universidade do Estado do Arizona, a combinação de diferentes 'nanorobôs' capazes de transportar 'vários agentes' químicos pode ajudar a "atingir a meta final da investigação sobre o cancro: a erradicação de tumores sólidos e metástases vascularizadas".
Em última análise, a estratégia pode ser utilizada para tratar outras doenças através de uma espécie de envio direcionado de um fármaco para o alvo a abater, "modificando a geometria de nanoestruturas".

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sapo
Cientistas criaram vacina capaz de eliminar tumores cancerígenos
A injeção de pequenas quantidades de dois agentes imunitários em tumores sólidos conseguiu eliminar todos os vestígios de cancro em ratinhos, incluindo metástases disseminadas não tratadas, de acordo com um novo estudo publicado pelo Centro Médico da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
Steve Fisch                     
Segundo o estudo, esta abordagem terapêutica mostrou-se eficaz em vários tipos de cancro, "mesmo naqueles que surgem de forma espontânea", lê-se na investigação liderada por Ronald Levy e Idit Sagiv-Barfi da Universidade de Stanford.
Os investigadores, cujo estudo foi publicado na revista científica "Science Translational Medicine", acreditam que a aplicação de pequenas quantidades de agentes imunitários pode ser uma forma rápida e barata de tratar o cancro, sem causar os habituais efeitos secundários das terapias convencionais, como a radioterapia e a quimioterapia.
"Quando nós usamos estes dois agentes juntos, vemos a eliminação dos tumores em todo o corpo", comentou Ronald Levy, médico e professor de Oncologia na referida instituição de ensino. "Esta abordagem ignora a necessidade de identificar alvos imunitários específicos do tumor e não requer a ativação do sistema imunitário ou a personalização das células imunes de um paciente", acrescenta o oncologista.

Testes em humanos

Segundo Ronald Levy, em declarações ao portal ScienceDaily, um dos dois medicamentos já é utilizado para tratar tumores em humanos, o outro está ainda em fase de testes. Os responsáveis pela investigação dizem que, individualmente, cada uma das terapias ataca apenas um tipo de cancro, mas juntas podem ter um impacto mais potente e generalizado.
Depois dos resultados animadores observados em ratos, o novo método começou a ser testado em pacientes com linfomas.
"A nossa abordagem usa apenas uma aplicação de quantidades muito pequenas de dois agentes, para simular as células imunitárias dentro do próprio tumor. Nos ratos, vimos efeitos espantosos, em todo o corpo, incluindo na eliminação de todos e quaisquer tumores, independentemente do local", afirmou ainda o cientista.
Em Portugal, o número de mortes por cancro em 2016 foi de 27.900, mais três por cento do que no ano anterior, revelou hoje o diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas. Segundo Nuno Miranda, o cancro do pulmão foi o que mais mortes provocou, seguindo-se o carcinoma do cólon e reto, o da mama e o da próstata.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Sapo Notícias

Sporting apresenta equipa de futsal para surdos
O Sporting apresentou hoje a sua equipa de futsal para surdos.


O Sporting apresentou hoje a sua equipa de futsal para surdos, a 13.ª modalidade adaptada do emblema lisboeta, que resulta de um protocolo de três anos com a Associação de Surdos do Porto, atuais bicampeões nacionais.
A equipa, que tem um plantel composto por 15 jogadores, hoje todos apresentados, vai ser treinada por Paulo Teixeira e irá começar já a competir no próximo fim de semana, na Taça dos Campeões Europeus, que vai decorrer em Madrid.
“Continuamos a fazer história e a seguir políticas desta direcção, reforçando o estatuto de potência mundial do desporto paralímpico. Aos atletas e técnicos que agora se juntam, sejam bem-vindos. O vosso sucesso é e sempre será o sucesso do Sporting”, afirmou Rui Caeiro, elemento do conselho diretivo do clube com a tutela das modalidades.
Na cerimónia de apresentação, que decorreu no Estádio José Alvalade, estiveram também presentes o ex-nadador Nuno Laurentino, agora adjunto do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, e o presidente da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência, Mário Lopes.
O futsal para surdos é a 55.ª modalidade do Sporting, 13.ª adaptada, e irá durar pelo menos até 2021, ano em que se realizam os Jogos Surdolímpicos.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Visão

Cientistas portugueses descobrem forma de travar metástases cerebrais


DR

Proteina do feijão pode transformar-se num medicamento para mulheres com cancro da mama avançado. Investigação foi financiada pela associação Laço

Sara Sá
Jornalista
Tudo começou com uma desilusão. A partir de 2008, um estudo atrás do outro vieram provar que a aposta em rastreio ao cancro da mama, através de mamografia, não estava a dar os resultados esperados. Os cancros verdadeiramente agressivos, que se espalham a outros órgãos e acabam por matar, continuavam a fazer vítimas. Num dos estudos, feito no Canadá, concluiu-se que a probabilidade de uma mulher que cumpre a mamografia anual morrer de cancro da mama é igual à de uma mulher que não segue a recomendação. Face a estes resultados, Lynne Archibald, fundadora da associação de apoio a mulheres com cancro da mama Laço, promoveu um debate na organização e acabou por ficar decidido mudar completamente a estratégia da instituição. Em vez de apoiar o rastreio, como tinha sido a tónica desde a sua fundação, o foco passou a estar no apoio à investigação. "O cancro da mama metastático não está a diminuir, as mulheres continuam a morrer e percebemos que a forma de mudar isto é apoiar a ciência", conta. "Porque quando há dinheiro as coisas acontecem."
Diana Gaspar, investigadora do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, foi uma das beneficiárias das bolsas financiadas pela associação. Agora, três anos depois de ter iniciado o projeto, saíram os primeiros resultados. Em laboratório, a cientista verificou que uma proteína extraída do feijão, a PvD1, consegue travar a invasão do cérebro pelas células tumorais. "Um grupo no Brasil já conhecia as propriedades antifúngicas da PvD1. Nós quisemos verificar as suas capacidades antitumorais", explica Diana Gaspar.
É o grande terror de uma mulher diagnosticada com cancro da mama: que este se espalhe e chegue ao cérebro. Apesar de não haver dados exatos, estima-se que existam em Portugal cinco mil mulheres com cancro da mama metastático, para quem há poucas opções terapêuticas e ainda um forte estigma. Com o financiamento da Laço, Diana Gaspar foi capaz de verificar que esta pequena proteína interfere com a capacidade de as células tumorais, transportadas pela corrente sanguínea, se fixarem à barreira hemato-encefálica, que protege o cérebro - mas que deixa escapar alguns invasores. "A proteína diminui a viabilidade das células tumorais que, mesmo escapando para a corrente sanguínea, chegam à barreira com as propriedades alteradas."
O trabalho, publicado na revista científica Nanoscale, dependeu do uso de um equipamento ultrassofisticado, o microscópio de força atómica, que permite observar ao nível do átomo. Todos os consumíveis gastos no projeto foram suportados pela bolsa da Laço, a associação que acabou por se transformar no Fundo iMM-Laço e está, desde o início de 2018, sedeado no próprio IMM. "Foi uma tristeza para todos constatar que a deteção precoce não evitava as mortes por cancro da mama avançado. Mas acreditamos na Ciência", sublinha Lynne Archibald.
Fã confessa de feijoada, Diana Gaspar esclarece, no entanto, que não é por se comer feijão que se conseguirá ter qualquer efeito na prevenção do cancro da mama. "Seria preciso comer muitos quilos de feijão de uma só vez."
O caminho agora será prosseguir a investigação, testando o efeito da proteína do feijão em ratinho. É possível que, no futuro, fique disponível um concentrado de feijão num comprimido.