sábado, 25 de junho de 2016

Parque infantil adaptado Foto: CAU/MS
 

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou por unanimidade, dia 21 de junho, a recomendação do BE para a adaptação dos parques infantis do concelho para crianças com deficiência.

Para que um parque infantil seja inclusivo deve ter equipamentos adaptados para crianças com deficiência, assim como a zona circundante ao parque infantil deve também ser acessível a pessoas com deficiência, como por exemplo o estacionamento, o piso rebaixado e o pavimento deve ser adequado.

PÚBLICO

As crianças doentes sem cura já têm uma “casa” quando saírem do hospital

Primeira criança a chegar ao Kastelo tem uma doença crónica complexa e estava há 11 meses internada num hospital. Unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos é inaugurada nesta sexta-feira pelo Presidente da República.
No Kastelo, pais e mães vão poder acompanhar filhos com doenças graves e incuráveis
Paulo Pimenta
 https://imagens4.publico.pt/imagens.aspx/1058134?tp=UH&db=IMAGENS
Um enorme balancé para crianças em cadeiras de rodas é o primeiro sinal de que o antigo palacete, quase escondido entre duas movimentadas ruas de S. Mamede de Infesta (Matosinhos), está preparado para receber uma população muito especial. Quem entra desprevenido no Kastelo poderá pensar que esta é uma casa absolutamente normal. Não é. A luminosa casa senhorial, rodeada de um enorme jardim, uma horta biológica, um pomar e uma quintinha com ovelhas, um burro, patos e coelhos, vai servir de abrigo temporário para meninos e meninas com doenças graves e incuráveis, alguns em fase terminal. Pioneira em Portugal (e até na Península Ibérica, segundo os seus fundadores), a primeira unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos do país é inaugurada nesta sexta-feira pelo Presidente da República e pelo ministro da Saúde.
No Kastelo, pais e mães vão poder acompanhar os filhos (a unidade acolherá crianças e jovens até aos 17 anos) ou mesmo descansar um pouco. “Ter um filho muito doente é extremamente duro, a vida fica completamente desfeita”, enfatiza Teresa Fraga, presidente da associação Nomeiodonada e enfermeira especializada em cuidados intensivos pediátricos no Hospital de Santo António, no Porto, que se habituou a lidar de perto com crianças com doenças muito complicadas, algumas com final infeliz. Crianças que, muitas vezes, ficam em casa quase abandonadas à sua sorte ou então são obrigadas a permanecer nos hospitais semanas e meses a fio.
Como o menino de 12 anos com uma doença crónica complexa que estava “há 11 meses internado num quarto” no Centro Materno-Infantil do Norte e que será o primeiro a beneficiar da nova estrutura. “Deve entrar nos próximos dias”, diz Teresa, que se recorda de casos bem mais complicados, como um que ficou tristemente para a história, o de uma criança com uma miopatia grave que passou os 11 anos da sua vida nos cuidados intensivos do antigo Hospital Maria Pia. “Foi quatro vezes à rua”, lembra.
Foram precisas grandes doses de persistência e tenacidade para erguer — reerguer é a palavra mais exacta — a casa senhorial deixada em testamento, no século passado, por Marta Ortigão às irmãs hospitaleiras do hospital pediátrico Maria Pia para benefício de crianças “doentes ou desemparadas”. O edifício permaneceu encerrado ao longo de algumas décadas, até que o Centro Hospitalar do Porto concedeu à associação o direito de superfície por 28 anos.
Quando arrancou, a associação Nomeiodonada — “no meio do nada é como os pais se sentem quando os filhos entram numa unidade de cuidados intensivos, dizem que é como se estivessem no deserto”, explica a enfermeira — tinha mesmo muito pouco. Cada sócio inicial — oito profissionais de saúde e um pai — participou com 32 euros. Daí até aos 2,3 milhões de euros que foi necessário angariar para custear a obra bastaram meia dúzia de anos. De resto, quase tudo no Kastelo é doado, desde os tapetes aos candeeiros, aos móveis e mesmo vários equipamentos de saúde.
Tudo ali foi pensado para mascarar o facto de esta ser, afinal, uma unidade de saúde. Não há refeitório, mas sim “sala de jantar, como em nossa casa”, os enfermeiros e auxiliares vestem informais t-shirts em vez de batas, há bonecos pintados em todas as paredes. Uma "sala de terapias" está equipada com tudo o que é necessário para exercitar as crianças, numa ala à parte e que foi construída de raiz ficam os quartos, todos com saída para os jardins.
“É um pequeno hospital, mas tentámos desconstruir essa ideia”, explica José Couceiro da Costa, o empresário que começou por ser voluntário e agora é director financeiro da associação, depois de ficar com “uma dívida de vida para com o Serviço Nacional de Saúde”. Complicações na sequência de uma cirurgia levaram o seu filho mais novo a permanecer quase dois meses em coma no Hospital de Santo António e José nunca esquecerá o apoio dos profissionais que o trataram.
Enquanto vai falando com os operários que tratam dos últimos retoques e com o padre da paróquia de S. Mamede de Infesta que acaba de trazer o oratório e o crucifixo para a sala de oração, José não esconde a sua preocupação com a sustentabilidade do Kastelo. Com 30 camas, só foi possível contratualizar com o Ministério da Saúde dois terços, numa experiência-piloto que custará cerca de 700 mil euros por ano. “Não havia dinheiro para mais”, lamenta o empresário, que teme que a contribuição estatal para as 20 camas — dez em internamento, dez em ambulatório — não chegue para custear as despesas fixas e o pagamento à equipa de profissionais, que conta com médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas, entre outros.
Na associação todos estão, porém, habituados a fazer esticar o dinheiro. Muitas das salas e quartos do Kastelo têm mecenas. Há empresas, desde metalúrgicas a têxteis, mas também não faltam pessoas singulares a patrocinar a causa. Graças à campanha Arredonda levada a cabo pelo Lidl, foi possível juntar um milhão de euros, o prémio BPI Capacitar representou mais 100 mil euros, a Câmara de Matosinhos contribuiu com outros 300 mil, a Missão Sorriso doou 36 mil euros, enumeram. Mas muitos mais contribuíram. “Milhares de pessoas ajudaram. Portugal inteiro está aqui reunido”, frisam.
A casa também foi idealizada a pensar nos pais. Pais muitas vezes completamente exaustos, esgotados com o peso de terem um filho gravemente doente. Para eles, o Kastelo reserva o “quarto mais atípico de Portugal” — uma sala com três camas, duas mesinhas de cabeceira e nenhuma porta, “para não se sentirem constrangidos” — no primeiro piso do palacete, que alberga ainda uma biblioteca e duas salas de formação. A família, frisa-se, “é parte integrante do Kastelo”: às terças e quintas “cuida-se” das mães, ao domingo, dos pais, e, ao sábado, dos irmãos.
Cá fora, no jardim, foi criado um espaço recatado, atrás de treliças com heras, para os pais “chorarem”. “Em nenhum idioma existe um vocábulo para expressar a perda de um filho. Quando se perde um pai fica-se órfão, quando se perde um marido ou mulher fica-se viúvo. E se se perder um filho? Não há palavras. Se for filho único, deixa-se mesmo de ser pai ou mãe”, reflecte José Couceiro. No Kastelo, todos estão preparados para dar apoio no luto.
Teresa, que se habituou a falar com as crianças nos cuidados intensivos mesmo quando estão em coma — “elas não estão surdas” —, não abdica do seu lema. Quer que tenham “o melhor de tudo” enquanto a vida durar: “A filosofia do Kastelo é dar vida aos dias das crianças e não dias à vida.”

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Cirurgia pioneira salvou bebé com cérebro fora do crânio

Equipa de neurocirurgiões usou uma impressora 3D para conseguir criar um modelo ajustado ao cérebro do bebé.
Quando Sierra Yoder estava grávida de cinco meses, os médicos da pequena cidade onde vivia no estado de Ohio, nos Estados Unidos, disseram-lhe que o seu filho tinha uma doença muito rara.
-Conhecida como encefalocele, a doença faz com que o cérebro do bebé comece a crescer para fora do crânio. Tal como seria de esperar, as esperanças eram muito poucas ou praticamente nenhumas.
“Disseram-nos que o nosso filho não iria sobreviver. Não nos deram nenhuma esperança”, explicou a norte-americana, em declarações à BBC.
Perante os prognósticos dados pelos médicos, Sierra e o marido, Dustin Yoder, chegaram mesmo a pensar interromper a gravidez mas, à última hora, quiseram seguir em frente.
E, apesar de todas as previsões negativas, Bentley nasceu, em outubro de 2015, depois de uma gestação normal e com saúde.
“Quando ele nasceu, achávamos que não ia chorar, que não se ia mexer. Pensávamos mesmo que nem íamos conseguir perceber quando estivesse com fome”, conta o pai.
Porém, o bebé veio ao mundo como todos os outros, a chorar, e recebeu alta hospitalar. O processo não foi fácil mas os pais não quiseram desistir e procuraram uma segunda opinião.
Foi então que pediram ajuda numa clínica em Cleveland e entraram em contacto com especialistas do Hospital Infantil de Boston, que lhes disseram que havia uma cirurgia que podia ajudar Bentley.
Responsáveis pelo caso, os neurocirurgiões John Meara e Mark Proctor realizaram a cirurgia no passado mês de maio. A operação foi um sucesso.

Um caso raro

Não era a primeira vez que os médicos faziam esse tipo de cirurgia, por isso é que os pais de Bentley tentaram recorrer a este hospital.
Os neurocirurgiões utilizaram uma impressora 3D para criar modelos do crânio do bebé e do posicionamento da sua massa encefálica.
“A encefalocele é uma doença rara que afeta um bebé em milhões. Mas o caso de Bentley era ainda mais particular porque ele tinha uma grande parte do cérebro ativa“, explicou Proctor.
De acordo com os especialistas, não há como saber exatamente a percentagem de cérebro que está ativa. Porém, estimam que chegue provavelmente aos 90%.
Relativamente ao desenvolvimento do bebé nos próximos anos, os médicos consideram que é uma pergunta difícil de responder.
“É uma pergunta difícil de responder. Provavelmente vai demorar um pouco mais para desenvolver a fala, mas esperamos que possa ter uma vida normal. Ainda é complicado saber como vai evoluir”, afirmou o médico.
ZAP / BBC / Hypescience

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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Alzheimer: Portugueses desbloqueiam “carimbo de qualidade” no cérebro

23 jun, 2016 - 20:03
A Universidade de Coimbra anunciou que um estudo inédito liderado pelo português Rodrigo Cunha descobriu como eliminar os primeiros sintomas da doença de Alzheimer.
Há uma estrutura do cérebro responsável pela gestão de informação. É o hipocampo e tria o que é útil e o que é inútil. Na doença de Alzheimer são os receptores cerebrais que ali se encontram que são afectados e sobre os quais uma investigação que envolve a Universidade de Coimbra está a actuar. A solução é administrar um “vírus” que trave o funcionamento excessivo do receptor e elimine os sintomas da doença.
Para já, a investigação está a ser feita em animais. Rodrigo Cunha, investigador da Universidade de Coimbra e coordenador do estudo, que envolve 15 investigadores portugueses e franceses, garante que está pronta para avançar para os testes em humanos, se houver financiamento.
A descoberta, já publicada na revista científica "Nature Communications", foi possível porque, pela primeira vez, os cientistas focaram o estudo na causa dos primeiros sintomas da doença (perturbações na memória) – modificações da plasticidade das sinapses no hipocampo.
Das dezenas de milhões de sinais recebidos pelo ser humano, o hipocampo tem de seleccionar a informação relevante e validá-la, atribuindo-lhe uma espécie de “carimbo de qualidade”. Quando ocorrem falhas, este gestor assume que toda a informação é irrelevante.
Rodrigo Cunha, membro do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina de Coimbra (FMUC), explica à Renascença que “quando o receptor A2A tem um funcionamento excessivo o hipocampo é incapaz de separar a informação relevante da não relevante”.
Identificada a falha no centro de gestão de informação, os investigadores produziram e administraram no ratinho um “vírus”, conseguindo eliminar os sintomas da doença. "Quando o receptor A2A tem um funcionamento excessivo, o hipocampo é incapaz de separar a informação relevante da não relevante, mas bloqueando este processo tudo volta à normalidade", explica o coordenador do estudo.
O coordenador do estudo considera que os resultados da investigação revelam “um avanço extraordinário para o desenvolvimento das estratégias de combate à doença de Alzheimer”.
Rodrigo Cunha diz que "existem dados suficientes para avançar para os testes em humanos". "No entanto, os fundos necessários são muito elevados e ainda não existe financiamento”, acrescenta.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Cientistas descobriram como matar à fome as células de cancro

Imagem de células do fígado e da estrutura química da glutamina obtida em microscópio de fluorescência
Imagem de células do fígado e da estrutura química da glutamina obtida em microscópio de fluorescência

Uma equipa de investigação europeia conseguiu matar à fome células de cancro do fígado, através do bloqueio de uma proteína que é essencial para a proliferação da doença. Uma descoberta que abre a porta a novas formas de tratamento.
A pesquisa, realizada na Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, foi publicada no jornal científico Genes & Development.
Segundo os autores do estudo, o procedimento é baseado na ideia de que “vários tumores desenvolvem uma dependência da glutamina para apoiar a proliferação celular descontrolada” – ou seja, as células cancerosas alimentam-se de glutamina para se multiplicarem.
Os investigadores descobriram que uma proteína chamada “receptor de fígado homólogo 1″ (LRH-1) é a responsável pela digestão da glutamina em pequenas moléculas, que são então avidamente consumidas pelas células hepáticas cancerosas.
O LRH-1 coordena “vários genes-chave que estão envolvidos no metabolismo da glutamina”, explicam os investigadores, constatando que este receptor “impulsiona o desenvolvimento de tumores no fígado ajudando as células cancerosas a converterem glutamina em moléculas que são directamente necessárias para a proliferação”.
Deste modo, “bloquear o LRH-1 leva as células do cancro a morrerem de fome e reduz consideravelmente o desenvolvimento de cancro do fígado em ratos, enquanto preserva células normais”, concluem os cientistas da EPFL.
“Encerrar esta via, inibindo o LRH-1, anula a utilização da glutamina como combustível e leva as células cancerosas a uma tremenda angústia metabólica“, explica à EurekAlert! o investigador Pan Xu, da Universidade de Maryland e autor principal do estudo.
Os cientistas ainda descobriram que bloquear a função deste receptor também funciona como uma protecção contra o desenvolvimento do cancro do fígado.
Estas conclusões abrem assim, a porta para novas formas de tratamento do cancro do fígado, podendo, nomeadamente, levar ao desenvolvimento de medicamentos eficazes contra a doença.
Esse passo já está em curso, havendo a expectativa de que a descoberta possa também ajudar a tratar outro tipo de cancros – nomeadamente do pâncreas e dos ovários, onde o receptor LRH-1 também existe.
SV, ZAP

terça-feira, 14 de junho de 2016

Ressonância magnética de cérebro normal (esquerda) e com esclerose múltipla (direita)
Ressonância magnética de cérebro normal (esquerda) e com esclerose múltipla (direita)

Um novo tratamento pode fazer com que os sintomas da esclerose múltipla não só estabilizem como até regridam, um indício de que o sistema nervoso tem capacidade regenerativa.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune na qual o sistema imunitário do paciente ataca o sistema neurológico, causando sintomas como fadiga, depressão e perturbações do equilíbrio, podendo mesmo causar a morte do paciente.
O novo tratamento consiste em substituir todo o sangue e medula óssea do paciente, “reiniciando” o sistema imunitário, e foi descoberto a partir de alguns pacientes com leucemia, o cancro de sangue.
O estudo, cujos resultados foram publicados na semana passada na Lancet, começou em 2000 com um teste clínico feito no Canadá.
No tratamento de leucemia, o tecido da medula é retirado e uma quimioterapia agressiva é aplicada, matando as células do sistema imunitário. A medula é processada, retirando todas as células cancerosas, e reposta no paciente, onde vai reconstruir o sistema imunitário.
Surpreendentemente, este tratamento é eficaz não apenas para a leucemia, mas também para esclerose múltipla.
Outras doenças autoimunes podem também vir a ser tratadas com o mesmo método, entre elas a doença de Crohn, quando o sistema imunitário ataca o intestino, e uma doença da pele rara chamada escleroderma.
No caso da esclerose múltipla, o teste clínico no Canadá, feito com 25 pacientes, apresentou 17 casos de remissão.
Uma das pacientes que estava em cadeira de rodas quando começou o tratamento, e hoje já voltou a trabalhar e pratica desporto. Por outro lado, um paciente morreu de danos no fígado e infecção.
Este tipo extremo de tratamento só é oferecido a pacientes de esclerose múltipla agressiva, já que no período em que o paciente se submete a quimioterapia agressiva, durante o restabelecimento do sistema imunitário, este fica vulnerável a qualquer doença, além de perder cabelo e unhas, ter diarreia e náuseas.
“É importante que os pacientes percebam que este tratamento não é pêra doce”, afirma Mark Freedman, do Ottawa Hospital Research Institute, em Ontario.
Outros efeitos colaterais da quimioterapia incluem esterilidade, além de menopausa prematura para as mulheres.
Para já, os médicos estão a experimentar quimioterapias menos agressivas, que não prejudiquem demasiado o fígado. “Ainda é preciso encontrar um equilíbrio entre toxicidade e eficácia”, comentou John Snowden, do Sheffield Teaching Hospital, à New Scientist.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

John Oliver compra dívidas de saúde e perdoa 15 milhões a 9 mil pessoas

John Oliver, apresentador do programa “Last Week Tonight”, fez este fim de semana a maior oferta na história da televisão: perdoou dívidas de saúde avaliadas em 14,9 milhões de dólares a nove mil norte-americanos.

O apresentador da HBO expôs no seu programa deste domingo as práticas imorais da indústria de recuperação de crédito malparado, explicando como as empresas de recuperação de crédito malparado compram pacotes de dívida por uma percentagem pequena do seu valor total.
O “Last Week Tonight” mostrou uma reportagem sobre as dívidas dos norte-americanos, destacando casos em que doentes em estado grave foram confrontados com contas hospitalares astronómicas não cobertas pelos seguros.
A gestão de crédito malparado passa pelas mãos de várias empresas sem que a informação sobre a dívida seja verificada, chegando a ameaças aos devedores, às suas famílias ou até aos animais de companhia.
John Oliver explica que criou uma empresa de recuperação de dívidas, com sede no Mississipi, e comprou por 60 mil dólares um pacote de dívidas de saúde de 9 mil pessoas do Texas, avaliadas em 15 milhões de dólares.
Mas ao contrário de uma empresa normal de recuperação de crédito, Oliver decidiu simplesmente não cobrar as dívidas adquiridas.
Em vez de cobrarmos este dinheiro, porque não perdoá-lo?“, perguntou Oliver, antes de anunciar que ia perdoar estas dívidas, batendo o recorde de Oprah Winfrey da maior oferta na história da televisão.
Dito e feito. 9 mil norte-americanos estão 15 milhões menos pobres, e tire-se o chapéu a John Oliver!
ZAP

terça-feira, 31 de maio de 2016

Médicos cubanos conseguem a cura para o vitiligo (Perda da coloração da pele)

O tratamento para a cura de vitiligo, realizado no Centro de Histotherapy, localizado em Havana Cuba,   consiste na aplicação de um medicamento chamado melagenina. Além disso, esta solução para a cura do vitiligo é feita a partir de placenta humana que tem propriedades que estimulam a produção de melanócitos.

Nos estudos que foram realizados, esta solução para a cura de vitiligo demonstrou que a medicação tem sido eficaz em 86% dos casos tratados. A aplicação deste tratamento é completamente segura, sem efeitos colaterais e se aplica também a crianças, mulheres grávidas e idosos.
O tratamento para Vitiligo é realizado durante 3 dias consecutivos:
Dia 1: Apresentação de conferência explicativa sobre o tratamento para a cura do vitiligo, consulta médica especializada e início do tratamento .Se o médico considerar necessário, serão encaminhados à consulta de psicologia, sem nenhum custo adicional.
Dia 2 e 3: Informações sobre o uso de melagenina Plus. Para continuar o tratamento em seu país, o paciente será instruído a utilizar a quantidade certa de remédio para tomar, de acordo com o grau de extensão da sua superfície corporal afetada pela doença. Para receber o remédio para a cura do vitiligo não é necessário internar o paciente, uma vez que é ambulatorial.
Nota: A droga melagenina Plus não é vendida livremente, apenas com prévia avaliação e prescrição médica.
Fonte: Biblioteca Médica, via CIF

domingo, 29 de maio de 2016

Homicídios de crianças no Brasil têm cor e endereço e continuam a subir

Um filme apoiado pela UNICEF apela aos líderes mundiais que invistam na primeira infância, "o melhor investimento que pode ser feito na humanidade", e sugere que o segredo está em apoiar os adultos que cuidam delas.
Homicídios de crianças no Brasil têm cor e endereço e continuam a subir
"A janela mais eficiente que temos de criar uma sociedade criativa, igualitária, democrática e livre é na primeira infância", disse à Lusa Estela Renner, a realizadora do filme "O Começo da Vida", que será divulgado na quarta-feira, para assinalar o Dia da Criança.
Filmado na Argentina, Brasil, Canadá, China, França, Itália, Quénia e Estados Unidos, o documentário, de 90 minutos, parte da ideia de que os bebés se desenvolvem, não apenas a partir do seu ADN, mas da combinação entre a carga genética e as interações com aqueles que os rodeiam: a mãe, o pai, os avós, os irmãos, mas também a natureza ou as brincadeiras.
Com base em entrevistas a especialistas e famílias de diferentes estratos sociais em todos os países abrangidos, o filme da brasileira Estela Renner lembra que "um cérebro forte acontece a partir das ligações entre os neurónios e essas ligações só solidificam, só ficam permanentes se tiverem acontecido dentro de uma experiencia de qualidade, afetuosa e significativa".
Como diz no filme o economista Flávio Cunha, da Universidade Rice, em Houston, EUA, "o afeto é a fita isolante das ligações entre os neurónios".
Logo, defende a realizadora, o investimento deve ser feito "na qualidade das interações nos primeiros anos de vida", nomeadamente através de apoios à parentalidade e na qualidade da formação dos cuidadores em creches e instituições.
"Se o pai ou a mãe está quatro horas no transporte público, o que acontece em muitos países em desenvolvimento, ele não tem mais energia para dar para o seu filho", exemplifica.
E acrescenta: "Muitas famílias que eu entrevistei sabiam muito bem o que os seus filhos precisavam, mas eles não tinham o que comer. Eles sabem que brincar é importante, que ouvir os seus filhos é importante, mas como ter uma mente tranquila para poderem interagir com os filhos?".
No filme, o Nobel da Economia James Heckman diz que "cuidar dos bebés é o melhor investimento que pode ser feito na humanidade" e cita um estudo que realizou nos EUA e que concluiu que cada dólar investido nos primeiros anos de vida resulta num retorno de sete a dez dólares para o Estado ao longo da vida, nomeadamente em poupanças em centros de detenção e recuperação.
"O que descobrimos é que há um retorno de sete a 10% por ano, o que é um retorno muito grande, muito mais elevado do que a bolsa nos EUA", diz o economista.
Também entrevistada no documentário, Leah Ambwaya, ativista pelo direito das crianças e presidente da fundação queniana Terry Children, defende que "um Governo que leve a sério o desenvolvimento das crianças ou o futuro das suas crianças é um Governo que investe na parentalidade, criando oportunidades para os pais que lhes permitam ter qualidade de vida com os filhos".
O problema, diz Jack Shonkoff, diretor do Centro para a Criança em Desenvolvimento, da Universidade de Harvard, é que muitas vezes os políticos querem ajudar as crianças, mas não querem apoiar os adultos.
"Mas a ciência diz-nos que não podemos ajudar crianças sem ajudarmos os adultos que cuidam delas", alerta.
Estela Renner vai mais longe: "Quando a gente diz que é preciso uma vila para cuidar de uma criança, precisamos de uma vila para cuidar do adulto que está a cuidar dessa criança".
Para a realizadora, de 42 anos, essa responsabilidade não é só dos políticos e das instituições. É de todos.
"Dizer: eu faço um bom trabalho com os meus filhos, está suficiente. Não está. Tem de fazer um bom trabalho para todos os filhos. Somos todos responsáveis", defende.
FPA // VM
Lusa/Fim

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Investigadores da Gulbenkian descobrem origem da infertilidade feminina

(dr) Roberto Keller / IGC
A investigadora Mónica Bettencourt Dias, do Instituto Gulbenkian de Ciência
A investigadora Mónica Bettencourt Dias, do Instituto Gulbenkian de Ciência
Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, IGC, descobriu o mecanismo numa estrutura das células que está na origem da infertilidade feminina.
A estrutura chama-se centríolo e tem de ser eliminada no óvulo (célula feminina) durante a sua formação, para, quando este for fecundado, gerar um embrião.
Quando o óvulo não perde os seus próprios centríolos, ficando, no momento da fertilização, ao mesmo tempo, com os centríolos transportados pelos espermatozóides (células masculinas), a divisão celular faz-se anormalmente, eo embrião não se desenvolve, tornando a fêmea é infértil.
A perda de centríolos na formação do óvulo deve-se à perda do revestimento destas estruturas, que as protegem, porque falta uma proteína reguladora chamada pólo.
Quando é reposta essa proteína, o revestimento dos centríolos não desaparece e estas estruturas não são eliminadas.
O mecanismo foi identificado na mosca da fruta, mas é visível em todos os animais, incluindo os seres humanos.
As conclusões do estudo, liderado por Mónica Bettencourt-Dias, do IGC, foram publicadas esta quinta-feira na revista Science.
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Os cientistas sabiam, desde a década de 30, que os centríolos são estruturas fundamentais para a multiplicação das células e que, para darem origem a um embrião, só podem ser herdadas dos machos.
“A divisão celular tem de ter um número muito certinho de centríolos“, vincou Mónica Bettencourt-Dias, coordenadora do Laboratório de Regulação do Ciclo Celular, em declarações à Lusa.
“Quando tal não acontece, e existem no óvulo centríolos da fêmea e do macho, e, portanto, um número incorreto de centríolos, o embrião não se desenvolve”, acrescentou a investigadora.
Em situações normais, os centríolos desaparecem na formação do óvulo porque perdem o seu revestimento, devido à falta da proteína pólo.
O grupo de Mónica Bettencourt-Dias descobriu que este revestimento (formado por proteínas) protege os centríolos, impede o desaparecimento destas estruturas.
Ao repor o revestimento dos centríolos no óvulo, no momento errado, durante a sua formação, restituindo a proteína reguladora, os centríolos não desapareciam e as células não se multiplicavam.
Para a investigadora, o revestimento dos centríolos pode ser também importante para o estudo da regeneração celular e do cancro, uma vez que, “quando perdem os centríolos, as células estão bloqueadas, não podem proliferar”.
Um dos mistérios da ciência, finalmente desvendado pela equipa do Instituto Gulbenkian de Ciência.
ZAP / Lusa