quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Invenção revolucionária dá água potável aos hondurenhos

AguasClaras
Monroe Weber-Shirk é professor em Cornell, uma das oito universidades norte-americanas que fazem parte da conceituada Ivy League. Este engenheiro ambiental, que nos anos 1980 trabalhou em El Salvador (em plena guerra civil), tem muita experiência no terreno, em campos de refugiados e sabe bem o que significa ter necessidade de água potável.
Talvez por isso tenha tido esta ideia genial. Como conta uma reportagem recente da BBC Mundo, “Weber-Shirk comanda o AguaClara Labs, programa que, todos os semestres, leva às Honduras estudantes de Cornell para trabalhar com o tratamento de água em comunidades locais, usando um sistema cuja simplicidade tem como factor-chave o funcionamento sem electricidade”.
Nestas localidades, a água poluída não pode ser limpa de forma simples, como com o uso de cloro, por causa da presença de sedimentos ou resíduos de fezes. Por isso, para resolver esta questão, os engenheiros da célebre universidade americana desenvolveram um processo que começa com o uso de um coagulante químico para unir partículas na água, formando partículas maiores – e mais pesadas. Posteriormente a água é enviada para um tanque de sedimentação e as partículas ficam sedimentadas no fundo. A restante água segue então para um filtro de areia de camadas múltiplas que capturam as restantes partículas. Por fim, a água é purificada com cloro antes de ir para os tanques de abastecimento das comunidades.
O laboratório trabalha em parceria com engenheiros e técnicos da ONG Água para o Povo (APP), que constrói as estações de tratamento e ensina a comunidade a operá-las e cuidar da qualidade da água.
E porque se trata de uma tecnologia de código aberto e sem patentes, o AguaClara já tem 14 estações em território hondurenho, a maioria em pequenas comunidades como Támara, com menos de 15 mil habitantes, conta a BBC. E projecto já está em expansão para países como a Nicarágua e a Índia.
Foto: AguaClara

terça-feira, 5 de setembro de 2017



Portugueses desenvolvem vacina contra a gripe com proteção mais ampla e duradoura

Investigadores portugueses estão a desenvolver uma vacina contra a gripe com uma proteção mais ampla e duradoura, ao abrigo de um projeto europeu financiado em cinco milhões de euros, informou hoje um dos envolvidos.
A vacina experimental, já testada com sucesso em ratos para determinadas estirpes do vírus, foi produzida por uma equipa de investigadores do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET).
O investigador do iBET António Roldão, um dos coordenadores no instituto do projeto europeu EDUFLUVAC, explicou que a ideia é obter "uma vacina de ampla proteção contra o vírus da gripe", e, portanto, com "uma duração superior", de pelo menos cinco anos, que possa "ser útil para prevenir o impacto de uma pandemia", como a das gripes aviária (H5N1) e suína (H1N1), cita a agência Lusa.
As vacinas contra a gripe sazonal têm uma duração anual porque necessitam de ser atualizadas em função da estirpe do vírus em circulação.
Segundo o iBET, produzir uma vacina que seja capaz de proteger contra diferentes estirpes do vírus da gripe "tornou-se uma prioridade mundial".
No projeto europeu, totalmente financiado por fundos comunitários, participam também instituições ou empresas da Alemanha, Itália, Holanda, Suíça e do Reino Unido, que, entre outras funções, estão envolvidas na caracterização da vacina experimental e nos ensaios em ratos, furões e macacos.
A vacina contém proteínas derivadas do vírus, e não o vírus propriamente dito, como sucede com as vacinas da gripe comercializadas.
Nos ratos, os resultados dos testes revelaram "a proteção da vacina contra determinados vírus da gripe", tendo sido mais promissores para o subtipo H3, assinalou António Roldão.
Uma outra equipa envolvida no EDUFLUVAC mapeou e analisou todas as variantes do vírus da gripe que se conhecem desde 1914.
Com base nessa análise, criou um algoritmo que permitiu determinar cinco componentes proteicos que pensa cobrir todas as variantes e conferir proteção de maior duração contra futuras infeções pelo vírus da gripe.
A vacina experimental não tem na sua composição vírus da gripe "atenuados ou desativados", mas proteínas derivadas do vírus que são "inofensivas para o organismo humano", porque não têm o material genético do vírus, reforçou o investigador do iBET.
Tais proteínas foram reproduzidas em culturas de células do bicho-da-seda, permitindo reduzir os custos de produção da vacina e, ao mesmo tempo, aumentar a resposta imunitária nos animais, uma vez que o organismo-hospedeiro das proteínas do vírus da gripe é diferente, é um inseto.
O projeto EDUFLUVAC começou em 2013 e termina em 2017, esperando a equipa de investigadores ter, até ao final do ano, os resultados dos testes feitos com furões e macacos, para poder avançar eventualmente com uma candidatura para realizar ensaios com pessoas.

 

domingo, 3 de setembro de 2017

Aprovada primeira terapia genética para combater cancro

A Food and Drug Administration (FDA), agência que regula os medicamentos nos Estados Unidos, aprovou, esta quarta-feira, o primeiro tratamento que altera geneticamente as células do paciente.
A Food and Drug Administration (FDA) aprovou o Kymriah, também conhecido como tisagenlecleucel, um tratamento da farmacêutica Novartis contra a leucemia linfóide aguda, um tipo de leucemia que ocorre na medula óssea e principalmente em crianças e jovens.
A nova terapia transforma as células de um paciente numa “droga viva” e treina-as para reconhecer e atacar a doença. “Acho que esta é a coisa mais emocionante que já vi na minha vida”, disse Tim Cripe, médico oncologista que fazia parte do painel do comité consultivo da FDA que votou, em julho, a favor da sua aprovação.
Esta droga é fabricada sob medida para cada paciente, ao contrário das terapias convencionais contra o cancro como, por exemplo, a cirurgia e a quimioterapia. Chama-se CAR-T e é feita a partir da extração de leucócitos (glóbulos brancos) do sangue do próprio doente. Basicamente, o tratamento extrai as células do paciente, reprograma-as e, de seguida, volta a colocá-las no seu corpo, onde poderão atacar as células cancerígenas.
“Estamos a entrar numa nova fronteira em inovação médica com a capacidade de reprogramar células do próprio paciente para atacar um cancro mortal”, disse o comissário da FDA, Scott Gottlieb, em comunicado.
“Novas tecnologias como as terapias de genes e células sustentam o potencial de transformar a Medicina e criar um ponto de inflexão na nossa capacidade de tratar e até mesmo curar muitas doenças intratáveis. Na FDA, estamos comprometidos em ajudar a acelerar o desenvolvimento e revisão de inovações de tratamentos que têm potencial para salvar vidas”, acrescentou ainda.
Kymriah, da farmacêutica Novartis, é a primeira terapia genética aprovada nos EUA
Stephan Grupp, médico que tratou a primeira criança com o CAR-T no Hospital Pediátrico de Filadélfia, diz que a nova terapia respondeu de forma “extremamente emocionante”.
“Nunca tínhamos visto algo assim antes”, acrescentou. Dos 63 pacientes tratados com a terapia, 83% entraram em remissão num prazo de três meses mas as informações a longo prazo ainda estão a ser recolhidas.
No entanto, a terapia tem riscos: pode causar a síndrome da libertação de citocinas, isto é, uma queda perigosa na pressão arterial que pode ser mortal. Como pode ser controlada com o uso de outros medicamentos, as instituições que queiram utilizar a terapia terão de estar preparadas para responder a este efeito secundário.
Além disso, os custos são significativos. O preço base deste tratamento situa-se nos 475 mil dólares, cerca de 395 mil euros. Contudo, se um paciente não responder no primeiro mês ao tratamento, a Novartis assegura que não haverá nenhum custo associado.
ZAP // HypeScience / BBC

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Encontrado tratamento que aniquila células cancerígenas

Foi em Glasgow que nasceu mais uma boa notícia na luta contra o cancro.

Notícias ao Minuto
Há 6 Horas por Daniela Costa Teixeira
Lifestyle Saúde
Encontrado tratamento que aniquila células cancerígenasUma equipa de cientistas da Universidade de Glasgow encontraram aquela que é, até à data, a técnica mais eficaz na luta contra o cancro. Conta a Fox News que os cientistas desta instituição conseguiram 'matar' as células cancerígenas através de uma técnica chamada Caspase Independent Cell Death (CICD, sigla em inglês).
Conta a publicação que este método atua de forma completamente diferente das atuais terapias usadas, como a quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Enquanto estas técnicas levam a um processo de apoteose acelerado (que mata as células, mas não todas), o novo mecanismo ativa as células caspases, que provocam a uma morte celular mais completa.
CICD - além de prevenir todos os efeitos colaterais associados, por exemplo, à quimioterapia -, consegue provocar uma regressão tumoral completa, devendo ser usada nos estudos e nas terapias futuras, defendem os investigadores.
Apesar de esta técnica ter sido usada no combate a um cancro colo-retal, o estudo destaca a eficácia na luta contra outro tipos de tumores, podendo, então, esta terapia ser usada de uma forma generalizada no tratamento da doença.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Canakinumab: anti-inflamatório para a artrite pode salvar-lhe a vida

U.S. Pacific Fleet / Flickr
A comunidade científica está a investigar a possibilidade de o anti-inflamatório Canakinumab poder evitar mortes por ataque cardíaco e cancro.
O anti-inflamatório Canakinumab é utilizado no tratamento da inflamação das articulações. Diminuindo a inflamação que pode provocar o entupimento das artérias, pode também diminuir o risco de ataque cardíaco e até o crescimento de alguns tipos de cancro: é este o objeto de estudo do ensaio agora publicado no The New England Journal of Medicine.
O poderoso anti-inflamatório, que os investigadores classificam como “uma nova fronteira” no tratamento de doenças cardíacas, mostrou-se capaz de diminuir em 15% o risco de ataque cardíaco, em 50% a probabilidade de morrer de cancro e ainda de proteger contra doenças inflamatórias como a gota ou a artrite.
A experiência envolveu mais de 10 mil pessoas que já tinham sofrido um ataque cardíaco mas que não tinham recebido qualquer diagnóstico de cancro. A cada três meses, receberam uma injeção com o medicamento, aprovado em 2009 nos EUA e na Europa para o tratamento de síndromes auto-inflamatórias, e foram monitorizadas ao longo de 4 anos.
Um dos investigadores, Paul Ridker do Brigham and Women’s Hospital, de Boston, nos Estados Unidos, considera que os resultados têm “implicações de longo alcance”. “Pela primeira vez, fomos capazes de mostrar claramente que reduzir a inflamação, independentemente do colesterol, reduz o risco cardiovascular“, congratula-se.
Os ataques cardíacos ocorrem frequentemente em pessoas com níveis normais de colesterol mas risco de inflamação crónica, o que levou os investigadores a debruçarem-se sobre os efeitos da inflamação na saúde do coração.
O efeito anti-cancerígeno do Canakinumab também entusiasmou os investigadores, que falam num corte de 50% no número de mortes por cancro, com resultados particularmente animadores em casos de cancro do pulmão.
Os médicos não acreditam que o Canakinumab possa impedir o aparecimento e desenvolvimento de cancro, mas sim que possa diminuir o seu crescimento. Neste aspeto, no entanto, serão necessários novos estudos, uma vez que este ensaio não foi concebido especificamente para testar os efeitos do medicamento nos tumores.
O grande entusiasmo está, por isso, no lado da saúde cardíaca. “Ao longo da minha vida, pude ver três grandes eras da cardiologia preventiva. Na primeira, reconhecemos a importância da dieta, do exercício e da cessação tabágica. Na segunda, vimos o valor tremendo dos medicamentos de redução dos lípidos, como as estatinas. Agora, estamos a abrir a porta para a terceira era”, considera Ridker.
Mas este não é um entusiasmo sem reservas. O uso de Canakinumab aumentou o risco de infeções fatais num em cada mil pacientes tratados, com os mais idosos e diabéticos a revelarem-se os mais vulneráveis.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


PÚBLICO

Medicamento português vai ser testado em doentes com cancro avançado

Não é todos os dias que um fármaco desenvolvido em Portugal chega à fase de ensaios nas pessoas, muito menos na área do cancro. É isso que vai acontecer com um medicamento criado pela empresa Biotecnol, que para tal estabeleceu uma parceria com o Cancer Research do Reino Unido.
Linfócito T, uma célula imunitária que o novo medicamento recruta para combater o cancro
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Linfócito T, uma célula imunitária que o novo medicamento recruta para combater o cancro Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas dos EUA                            A Biotecnol, empresa portuguesa que desenvolve medicamentos que usam o nosso próprio sistema imunitário para atacar as células cancerosas, acaba de estabelecer uma parceria com um centro de oncologia britânico – o Cancer Research do Reino Unido (CRUK) – para fazer um ensaio clínico de fase inicial em doentes com cancro avançado. O que vai ser testado em 45 doentes em hospitais londrinos, no final de 2018, é um medicamento que a Biotecnol criou como peças de lego ao longo de dois anos.             Faz parte dos chamados “medicamentos biológicos” ou “biofármacos”: em vez de terem sido sintetizados quimicamente, servem-se dos mecanismos biológicos do corpo para combater uma doença. No caso do novo medicamento, procura usar certas células imunitárias do doente – os linfócitos T – para destruir as células cancerosas, pelo que faz parte também das “imunoterapias oncológicas”. Já há no mercado algumas, por exemplo para o melanoma e cancro dos pulmões.
A imunoterapia biológica para o cancro da Biotecnol é uma molécula criada para se dirigir para um antigénio que se encontra nas células de vários tipos de cancros sólidos (e que quase não está presente nas células normais). Esse antigénio foi descoberto nos anos 90 no Instituto de Manchester do CRUK.“Por terem sofrido mutações no seu ADN, as células cancerosas dividem-se sem controlo e adquirem propriedades durante essa divisão descontrolada de invadir outros tecidos e de não morrer. Têm a capacidade de se espalharem pelo organismo usando os sistemas circulatório e linfático, dando origem a metástases”, explica o investigador Pedro de Noronha Pissarra, presidente da Biotecnol. “Certas células cancerosas ‘emitem um sinal’ chamado 5T4, ou antigénio oncofetal 5T4. Este antigénio é uma proteína produzida pelas células cancerosas que está associada à sua proliferação e consequente processo de metastização. Uma célula cancerosa com elevado nível de 5T4 torna-se incontrolável e agressiva e com forte poder para se metastizar.”
Ora a nova molécula – que tem o nome Tb535H – é composta por três braços, que foram construídos e montados no laboratório, como peças de lego. Dois desses braços têm um anticorpo (repetido) dirigido precisamente para o antigénio 5T4, nas células cancerosas. No terceiro braço há um outro anticorpo dirigido aos linfócitos T, mais concretamente a uma molécula (um receptor) chamada CD3 que está à sua superfície, para recrutar estas células imunitárias para este combate.
É um biofármaco que procura ter uma precisão milimétrica, muito específica e com várias funções, diz Pedro de Noronha Pissarra. “É como um míssil direccionado para o ‘alvo 5T4’, que se liga apenas às células cancerosas que ‘emitem o sinal’ 5T4, as que queremos eliminar, e não se liga às células normais. Tem-se uma molécula com ‘dois braços’ de reconhecimento selectivo apenas das células cancerosas com 5T4. Ao ligar-se ao antigénio 5T4, o anticorpo não só selecciona as células cancerosas como bloqueia o seu processo de propagação. Tem assim um duplo efeito de reconhecimento e de bloqueio.”
Mas isto não chega para destruir as células cancerosas. É preciso também matá-las e é aqui que entra o terceiro braço da molécula. “Com um mecanismo de acção muito inteligente e inovador, mas também muito difícil de desenvolver, os cientistas da Biotecnol ‘montaram’ através de técnicas de engenharia genética uma maneira de usar as próprias defesas imunitárias do doente, para elas atacarem e matarem o tumor”, diz ainda o investigador-empresário. “Os linfócitos-T, um subtipo de glóbulos brancos, são as células do sistema imunitário envolvidas na protecção do corpo contra doenças infecciosas e invasores externos. Existe um lugar de ligação (como um magneto) nos linfócitos T chamado CD3, que, quando é activado, os torna verdadeiras células assassinas”, acrescenta. “Montaram um anticorpo atractor do CD3: atrai os linfócitos T e liga-os a esse atractor, provocando assim a sua activação”, refere Pedro de Noronha Pissarra.
Resumindo, o medicamento Tb535 primeiro liga-se às células cancerosas através do antigénio 5T4 e, depois, aos linfócitos T através do receptor CD3 e activa-os.
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“O que o Tb535 faz é ligar-se com dois braços ao tumor que tem 5T4 e, com um outro braço, atrai e activa os linfócitos T que passeiam pelo sangue e direcciona-os para o tumor. Ao entrar em contacto com o tumor, os linfócitos T libertam substâncias bioquímicas letais para o tumor, que é destruído. No fundo, o que o produto faz é ‘educar’ os linfócitos T para atacarem o tumor, que emite 5T4”, nota. “Isto só é possível se existir este tipo de ligação entre a célula tumoral e o linfócito T activado via a ligação ao CD3. Sem isso não funciona”, especifica ainda. “É uma alternativa muito potente e mais segura aos tradicionais fármacos químicos, geralmente associados a toxicidades graves nos pacientes e baixa eficácia terapêutica, uma vez que não são direccionados só para as células tumorais nem usaram o sistema imunitário do paciente.”

Patente no mundo inteiro

A Biotecnol foi criada em 1996 por Pedro de Noronha Pissarra (que ainda detém uma parte da empresa), quando voltou para Portugal após o doutoramento em biotecnologia no King’s College de Londres e de uma passagem pelo Instituto de Tecnologia do Massachusetts (EUA) e da Universidade Técnica da Dinamarca. “Ou fazia a Biotecnol para criar o meu emprego ou emigrava. Nessa altura nada havia em Portugal.” O regresso a Portugal foi “um balde de água fria”, como dizia à revista Science em 2003.
Durante muitos anos, a empresa desenvolveu produtos para a indústria farmacêutica (como citocinas, factores de crescimento e anticorpos clássicos). Mas, entre 2007 e 2009, avançou para a criação, em parceria com uma empresa espanhola, do seu primeiro medicamento – a cardiotrofina 1. Foi o primeiro biofármaco criado em Portugal. Destinava-se à regeneração do fígado, após um transplante ou corte de tecido canceroso. Em 2009, foi vendido à empresa farmacêutica suíça Roche (“os montantes são confidenciais por 15 anos”) e hoje não está em uso clínico (“não temos nenhum controlo sobre as decisões da Roche sobre o que irá fazer ao produto”). “Nunca ninguém desenvolveu um biofármaco neste país. Já vamos no segundo.”
Agora, a empresa chegou acordo com o CRUK, assinado no final de Julho: o centro britânico vai investir no desenvolvimento do novo fármaco, em troca de uma percentagem da Biotecnol (os termos do acordo são secretos). Criá-lo custou até hoje, segundo Pedro de Noronha Pissarra, cerca de cinco milhões de euros.
“Esta molécula será uma grande prova de conceito da nossa estratégia terapêutica, se funcionar. Temos outras na linha de desenvolvimento. O nosso objectivo principal é a comercialização desta molécula através do licenciamento a uma multinacional e depois replicar o modelo de negócio com outro produto da nossa linha. Este acordo com o prestigiado CRUK é um passo gigante, pois dá-nos a possibilidade de licenciar o produto com mais valor acrescentado.”
É no âmbito desta parceria que surgirá o ensaio clínico nos 45 doentes, em unidades londrinas como o King’s College Hospital, o Guy’s Hospital e o Royal Marsden Hospital. Vai incluir doentes cujas biópsias sejam assim positivas para o antigénio 5T4, em cancros dos rins, pescoço e cabeça, pulmões, mama e cólon, entre outros. Num ensaio clínico de fase I como este testa-se a segurança, a dose máxima tolerada e os primeiros sinais da eficácia do fármaco consoante o tipo de cancro. E, nos dois anos seguintes após o tratamento, irá ver-se a sobrevivência dos doentes.
Este ano, a patente já foi pedida para o mundo inteiro. Por isso, a partir de agora os resultados das experiências já feitas em animais poderão ser publicados. Foi o grupo de Nuno Sousa, da Universidade do Minho, em Braga, que fez essas experiências. “Cobaias com tumores da pleura do pulmão, que não eram tratadas, morriam a uma velocidade vertiginosa. Quando administrávamos a nossa molécula nessas cobaias, o tumor era completamente erradicado”, garante Pedro de Noronha Pissarra.
“A imunoterapia é a grande inovação da indústria farmacêutica na luta contra o cancro”, resume. “Em 2013 a revista Nature classificou-a como o avanço do ano. É uma mudança total de paradigma na luta contra o cancro. Os especialistas prevêem que passe a ser a espinha dorsal do trabalho oncológico presente e futuro, através da administração de combinações de biofármacos ‘inteligentes’ e ‘programados.’”
Simplificando, o sistema imunitário produz anticorpos contra substâncias (antigénios) oriundas, por exemplo, de vírus ou bactérias, para que estas ameaças sejam reconhecidas e destruídas pelas células imunitárias. Cada anticorpo é específico e direccionado para um determinado antigénio.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Cientistas chilenos criam “batatas fritas saudáveis” feitas com arroz

Universidade de Santiago do Chile
Uma equipa de cientistas chilenos criou batatas fritas saudáveis que absorvem até três vezes menos óleo durante a fritura, numa tentativa de combater as altas taxas de obesidade.
Os responsáveis ​​por este novo produto são cientistas do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade de Santiago do Chile. O substituto popular para batata foi concebido através de um processo destrutivo, usando uma mistura de produtos de batata e farelo de arroz.
Segundo os autores desta invenção, as novas batatas fritas têm uma forma “um pouco diferente” para serem distinguidas das tradicionais, mas o seu sabor “é muito parecido”, além de ser “saudável”.
“Conseguimos uma fórmula que pode ser distinta em forma, cor, absorção de óleo, e acrilamida de redução, que é o produto formado nas batatas fritas. De acordo com estudos, um consumo elevado deste componente pode ser fatal “, afirmou a cientista Laura Almendares Calderón.
O objetivo final deste projeto é reduzir a taxa de obesidade que afeta a população chilena (63%), e que é a mais alta da América do Sul, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O novo projeto também pretende fortalecer a indústria nacional visto que, na última década, o Chile tem vindo a fazer importações crescentes em batatas preparadas, atingindo as 85 mil toneladas no valor de 100 milhões de dólares, entre as quais, no ano de 2011, 71% corresponderam a batatas congeladas em palitos.
Segundo os dados divulgados pela equipa, o país gera cerca de 26 mil toneladas de cereais e leguminosas de arroz por ano, a um preço muito baixo e com pouco uso – e também dispõe de terras aptas para a produção de batata.

sábado, 19 de agosto de 2017

Frescura e sabor sem químicos. Investigadores do Porto desenvolvem nova tecnologia para conservar alimentos

Uma tecnologia para conservar os alimentos sem recurso a tratamento térmico nem substâncias químicas foi desenvolvida por investigadores do Porto com o intuito de gerar produtos mais seguros, mantendo a sua frescura e sabor.
 
A finalidade desta tecnologia é “produzir de alimentos mais frescos e saudáveis, que sejam benignos tanto para a saúde como para o ambiente”, disse à Lusa o investigador Norton Komora, da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica, do Porto, uma das entidades responsáveis pelo projeto.
Para além disso, com este projeto, pretende-se responder “às novas tendências biológicas e ao perfil cada vez mais ‘conscious consumer’ (consumidor consciente) a nível mundial”, indicou.
De acordo com o investigador, muitos dos alimentos processados são submetidos a tratamentos com altas temperaturas (alguns acima dos 70 graus centígrados), como a pasteurização, com o propósito de reduzir ou eliminar a carga microbiana potencialmente nociva à saúde dos consumidores, garantindo a sua segurança alimentar.
No entanto, apesar de a aplicação do calor proporcionar um “alimento seguro”, esta tem “um impacto negativo nas características associadas à sua frescura e sabor”.
A tecnologia, desenvolvida no âmbito do projeto Bio-Cold Pasteurization, promove a inativação microbiana através da utilização sinérgica de agentes antimicrobianos naturais e alta pressão, a uma temperatura máxima de 20 graus centígrados.
Numa primeira fase, explicou o investigador, os agentes antimicrobianos naturais são incorporados nos alimentos, sendo depois embalados e submetidos a condições mínimas de alta pressão e temperatura de refrigeração.
A tecnologia, que demorou cerca de dois anos a ser desenvolvida, pode ser aplicada a uma vasta gama de alimentos, “diferenciando-se pela sua capacidade de gerar uma multiplicidade de ‘cocktails’ de agentes antimicrobianos, formulados à medida, que levam à inativação de diversos agentes patogénicos em diferentes tipos de alimentos”, acrescentou Norton Komora.
A ideia para este projeto surgiu da necessidade de atingir a ausência de bactérias patogénicas em alimentos tradicionais que não podem sofrer processamento térmico, pois perdem as suas principais características, como é o caso dos queijos de leite cru, dos produtos de charcutaria frescos e fermentados e dos mariscos.
Para além de Norton Komora participam no projeto os investigadores Cláudia Maciel, Paula Teixeira e Sónia Marília Castro, da ESB, e Jorge Saraiva, do Departamento de Química da Universidade de Aveiro.
O Bio-Cold Pasteurization foi um dos dois projetos premiados, em julho, na primeira edição do Biotech_agrifood Innovation, um concurso da ESB que visa contribuir para a valorização de resultados de investigação no setor agroalimentar.

domingo, 13 de agosto de 2017

Drones já entregam sangue e medicamentos nas zonas rurais do Ruanda

drone dos medicamentos
A Zipline é uma startup com base na California, EUA, que usa a tecnologia dos drones, essas máquinas ainda um pouco futuristas, para fazer a fazer a distribuição de medicamentos e sangue nas áreas mais remotas do Ruanda. Agora, um programa semelhante chega aos Estados Unidos, às zonas mais isoladas dos estados de Maryland, Nevada e Washington.
Lançada em 2014, com o apoio financeiro da Sequoia Partners, Google Ventures, bem como com a ajuda de Paul Allen, co-fundador da Microsoft, a Zipline começou a distribuir medicamentos e sangue no Ruanda, no mês passado. E foi um sucesso.
“Quando se olha para zonas rurais ou comunidades isoladas, temos sérias desigualdades no acesso à saúde. A nossa esperança é que esta tecnologia possa ajudar a resolver estes tipos de desigualdades”, diz Keller Rinaudo, fundador da Zipline à The Verge.
Mas há algumas diferenças nos dois projectos. Enquanto o Ruanda já aceitou por completo os drones como uma ferramenta para estimular o crescimento económico do país, nos Estados Unidos há ainda algumas barreiras a ultrapassar, nomeadamente em autorizações de voo.
Os drones eléctricos da Zipline são capazes de transportar cerca de 1,5 kg de sangue ou medicamentos e conseguem voar até 120 kms numa única viagem. Os hospitais podem encomendar sangue via sms e 30 minutos depois, uma embalagem vai estar a aterrar nas traseiras do centro médico.
Foto: Zipline

sábado, 12 de agosto de 2017

Novo nano-chip ao estilo de “Star Trek” pode regenerar órgãos e curar lesões


Cientistas da Universidade do Estado de Ohio, EUA, criaram uma tecnologia que pode criar células de qualquer tipo no corpo do paciente para libertar processos de regeneração de órgãos e tecidos, e tudo através de um único toque, informa o site da instituição de ensino.
A tecnologia, chamada “nanotransfeção de tecido” permite criar “elementos de qualquer órgão” danificado pela aplicação de um pequeno microchip para a área lesionada.
O processo demora menos de um segundo e é não-invasivo: o paciente apenas sente uma pequena carga eléctrica que liberta a transformação de uma célula de um tipo para outro.
O microchip já foi testado com sucesso em cobaias e os cientistas pretendem pretendem iniciar testes em humanos em 2018.
Os investigadores acreditam que a tecnologia, divulgada na Nature Nanotechnology, pode ser usada como uma arma contra doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson.
“Ao usar a nossa tecnologia inovadora, os órgãos comprometidos podem ser substituídos. Conseguimos mostrar que a pele é uma terra fértil onde podemos cultivar os elementos de qualquer órgão que está em declínio”, destacou Chandan Sen, especialista em medicina regenerativa da Universidade Estadual de Ohio.
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Segundo o Daily Mirror, “esta descoberta parece ficção científica”, visto que nos filmes Star Trek as personagens usam um dispositivo chamado “regenerador dérmico” para curar instantaneamente queimaduras e cortes.