segunda-feira, 18 de junho de 2018


Oftalmologista portuguesa distinguida pela segunda vez (o que é muito raro) com prémio da Universidade de Harvard


A investigadora portuguesa Inês Laíns foi distinguida, pelo segundo ano consecutivo, com o prémio da universidade norte-americana de Harvard 'Evangelos S. Gragoudas Award', que distingue o melhor artigo científico na área de oftalmologia



Inês Laíns
Inês Laíns

A oftalmologista, que trabalha no Massachusetts Eye and Ear Hospital, viu o seu artigo premiado pelo seu caráter inovador e de maior contributo para o tratamento da degenerescência macular relacionada com a idade (DMI).
O estudo demonstra uma técnica inovadora que permite, através de um teste de sangue, avaliar o risco de o doente ter DMI e qual a probabilidade desta doença progredir para o estado de cegueira.
"Neste estudo utilizamos uma técnica nova que permitiu identificar biomarcadores no sangue que distinguem pessoas com DMI vs controlos da mesma idade, bem como distinguir as diferentes fases da doença", afirma a investigadora num comunicado hoje divulgado.
"Esta técnica inovadora considera a natureza multifatorial da doença, daí provavelmente a sua capacidade para identificar biomarcadores, mas nunca tinha sido usado antes", diz, adiantando que foi o primeiro estudo em que isto foi feito.
Segundo a investigadora, os resultados foram "muito promissores", podendo no futuro evitar que um doente com DMI tenha cegueira, por exemplo.
A DMI é uma "doença complexa, que envolve tanto fatores genéticos (história familiar) como fatores ambientais. Talvez pela sua complexidade, não se compreende bem como estes fatores interagem e não existem, até à data, formas de identificar quem são os indivíduos acima dos 50 anos com maior risco de desenvolver esta doença", sublinha.
Além disso, "a doença em algumas pessoas progride para cegueira e não existem também formas de identificar quem são os indivíduos que têm maior risco de progredir para cegueira e que por isso precisam de um segmento diferente".
Sobre o reconhecimento do seu trabalho, a médica afirma que "é o resultado de um enorme investimento pessoal e profissional" e "fruto de muita paixão" por aquilo que faz diariamente e de "muito trabalho",
"O prémio também é sinónimo de responsabilidade, espero agora conseguir continuar a corresponder às expectativas e sobretudo continuar a fazer ciência que tenha impacto na vida dos nossos doentes e possa contribuir para a diminuição da cegueira e para a melhoria da qualidade de vida daqueles que sofrem de doenças da visão", sublinha Inês Laíns, que fez a sua formação médica na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
O "Evangelos S. Gragoudas Award" raramente é atribuído mais do que uma vez ao mesmo médico, sendo que em toda a história da oftalmologia apenas dois especialistas conseguiram esse feito.
Em 2017, Inês Laíns ganhou o mesmo prémio por ter desenvolvido um teste para doentes com DMI, de apenas 20 minutos, e concluído que a "presença de determinadas lesões oculares estava associada a um maior tempo necessário para a capacidade de ver no escuro".
com Lusa

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Milhares de mulheres com cancro da mama afinal não precisam de quimioterapia



Uma nova pesquisa concluiu que 70% das mulheres em estágio inicial de cancro de mama não precisam de quimioterapia. Um teste genético permite identificar quem pode ou não abrir prescindir de quimioterapia.
O maior estudo alguma vez realizado sobre tratamentos de cancro da mama concluiu que a maioria das mulheres com a forma mais comum da doença podia dispensar a quimioterapia sem afectar as suas hipóteses de vencer o cancro.Os resultados esperam poupar milhares de doentes que todos os anos passam por esta provação. O estudo envolveu cancros em fase inicial, ou seja, que ainda pode ser tratado por terapia hormonal e que não se espalhou para os nódulos linfáticos, nem contém mutação no gene HER2, que faz com que o tumor cresça mais rapidamente.
A conclusão é de uma ampla pesquisa internacional que demonstrou que tratamento hormonal é tão eficiente quanto a quimioterapia para grande parte dos casos de tumores mamários que ainda não se espalharam pelo corpo, e que as mulheres afectadas têm a mesma probabilidade de sobrevivência com ou sem quimioterapia. Os resultados do estudo, designado TAILORx, foram este domingo discutidos na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago, e apresentados num artigo publicado na revista New England Journal of Medicine.
Poderemos poupar centenas de milhares de mulheres a um tratamento tóxico e agressivo que, na realidade, não as beneficia”, disse ao New York Times a médica Ingrid A. Mayer, da Vanderbilt University Medical Center, autora do estudo.
Segundo a investigadora, um teste de 21 genes sobre amostras de tumores é capaz de identificar que mulheres podem dispensar a quimioterapia com segurança, após passar por cirurgia, e usar apenas drogas que bloqueiam a produção de estrogénio. O teste de 21 genes, chamado Oncotype Dx, existe desde 2004.
Atualmente, mulheres com uma baixo risco nestes testes são informadas de que não precisam de fazer quimioterapia. As que recebem nota alta, por terem tumores de tipo mais agressivo, necessitam de quimioterapia.
Mas a maioria das pacientes, que recebe resultados intermédios, é aconselhada por via das dúvidas a fazer o tratamento agressivo. Muitas vezes, a quimioterapia é combinada com o tratamento hormonal.
Segundo os resultados do estudo, a taxa de sobrevivência a nove anos é de 93,9% sem quimioterapia e de 93,8% com a quimioterapia – uma diferença de apenas 0,1%. O teste genético para identificar se o tratamento é necessário ou não é realizado em amostras de tumores de mama, recolhidas durante a cirurgia.
O cancro de mama é o mais letal entre as mulheres em todo o mundo, com 1,7 milhões de novos casos e mais de meio milhão de mortes por ano. “Todos os dias, mulheres com este tipo de cancro de mama vêem-se confrontadas com o terrível dilema de decidir se vão ou não fazer o quimioterapia, sem ter dados suficientes e assertivos sobre resultados”, diz Rachel Rawson, da ONG Breast Cancer Care. “Este estudo é transformador, e uma óptima notícia, já que poderá libertar milhares de mulheres da agonia da quimioterapia”, conclui Rawson.
ZAP // Lusa / BBC / Forbes

quarta-feira, 16 de maio de 2018

CNN

Brasil


Cientistas dizem estar próximos de remédio capaz de curar o resfriado




O vírus do resfriado Direito de imagem SCIENCE PHOTO LIBRARY
Image caption Cientististas do Reino Unido acreditam ter encontrado uma maneira de combater o vírus do resfriado.
Cientististas do Reino Unido acreditam ter encontrado uma maneira de combater o resfriado.
Em vez de atacar os vírus em si – que têm centenas de variações e estão em constante mutação – o novo tratamento tem como alvo o hospedeiro infectado.
O tratamento bloqueia uma proteina nas células do corpo que os vírus normalmente sequestram e usam para se auto-replicar e se espalhar.
Isso deve ser capaz de imobilizar qualquer vírus se o tratamento for ministrado logo no começo da infecção, de acordo com estudos feitos em laboratório. Testes em humanos devem começar em cerca de dois anos.
Os pesquisadores do Imperial College, em Londres, trabalham na criação de um novo formato para que o remédio possa ser inalado, o que reduziria a chance de efeitos colaterais.
Em laboratório, a substância foi aplicada em células pulmonares e fez efeito em minutos, bloqueando uma enzima chamada NMT.
mulher tossindo Direito de imagem SCIENCE PHOTO LIBRARY
Image caption Alvo da medicação deixa de ser o vírus diretamente e passa a ser uma enzima que permite sua replicação
Todas as cepas dos vírus que causam o resfriado precisam dessa enzima para produzir novas cópias.
"A ideia é que podemos tratar alguém logo que a pessoa é infectada e isso impediria o vírus de se replicar e se espalhar", explica Ed Tate, o professor de bioquímica do Imperial College e uns dos cientistas responsáveis pela pequisa.
"Mesmo que o resfriado já esteja em curso, o remédio pode ajudar a diminuir os sintomas", explica. "Isso poderia ser muito útil para pessoas com doenças crônicas, como asma e fibrose cística, por exemplo, que podem ficar realmente doentes quando pegam um resfriado."
Tate afirma que focar no usuário é uma abordagem "um pouco radical", mas que faz sentido, porque atacar o vírus é muito difícil.
Os vírus que causam o resfriado são muitos e muito diversos entre si. Além disso, estão em constante mutação e evolução, podendo desenvolver resistência a remédios muito rapidamente.
Os testes em laboratório bloquearam completamente diversas cepas de vírus do resfriado sem causar mal às celulas humanas. No entanto, testes mais aprofundados são necessários para comprovar que o tratamento não é tóxico ao corpo.
"Esse estudo é muito promissor, embora tenha sido feito integralmente in vitro – usando células para imitar uma infecção por rinovirus", diz o cientista Peter Barlow, da Sociedade Britânica para Imunologia.

Combatendo o resfriado

O resfriado se espalha rapidamente de pessoa para pessoa, já que os vírus que causam a doença podem permanecer em mãos e superfícies por até 24 horas.
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ajudar a combater os sintomas, mas atualmente não há nada que consiga combater a infecção.
É possível se contaminar inalando pequenas gotas de fluído que contenha o vírus e que são espalhadas no ar quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. Também é possível ficar doente após tocar uma superfície contaminada e depois levar a mão à boca, aos olhos ou ao nariz.
Os sintomas – nariz entupido, espirros, garganta inflamada – começam rápido e atingem um pico depois de cerca de dois dias. A maioria dos infectados melhora depois de cerca de uma semana, mas pessoas com outros problemas de saúde podem ficar doentes por mais tempo.