segunda-feira, 26 de junho de 2017

Portugueses descobrem no mar a solução para acabar com os microplásticos poluentes

Pode ser a chave para o grave problema ambiental dos microplásticos nos oceanos. Chama-se Zalerion maritimum e acaba de ser descoberta na Universidade de Aveiro (UA).
Trata-se de um fungo marítimo que não só consegue degradar o microplástico como o faz de forma rápida e eficiente. Esta é a primeira solução ecológica alguma vez descoberta para combater os plásticos nos oceanos já que ao otimizar-se o raro apetite do fungo recorre-se a uma solução oferecida pelo próprio mar.
Portugueses descobrem no mar a solução para erradicar os microplásticos
créditos: Universidade de Aveiro
Comum na costa portuguesa e com um habitat espalhado a vários oceanos do planeta, o estudo do apetite do Zalerion maritimum por microplásticos foi publicado no último número da revista Science of The Total Environment tendo sido destacado pelo editor como um verdadeiramente novo campo de investigação.
E os dados apresentados pelos investigadores do Departamento de Química (DQ) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA não deixam margem para dúvidas: isolado em laboratório num ambiente em tudo semelhante ao do mar poluído com microplásticos, em sete dias o Zalerion maritimum consegue reduzir 77 por cento daquele material.
“As experiências foram efetuadas, em pequena escala, em reatores de 100 mililitros usando um volume de 50 mililitros de meio enriquecido com um mínimo de nutrientes e 0,130 gramas de microplásticos. Entre 7 a 15 dias foram removidos 0,100 gramas de microplásticos”, congratula-se Teresa Rocha Santos, a coordenadora do estudo.
Este trabalho deu os primeiros passos há um ano atrás pela mão de Ana Paço, então estudante finalista da Licenciatura em Biotecnologia da UA. Os investigadores do DQ e do CESAM, João Pinto da Costa e Armando Duarte, são outros dois membros de uma larga equipa envolvendo outras universidades e centros de Investigação que assinam igualmente este trabalho que é um primeiro passo rumo à biodegradação global dos microplásticos presentes nos oceanos.
Solução inédita num fungo quase desconhecido
“Este é sem dúvida o primeiro estudo a apresentar estratégias de biorremediação [processo que utiliza organismos vivos para reduzir ou remover contaminações no ambiente] de microplásticos. Portanto este trabalho pode ser considerado um primeiro passo e uma contribuição para a resolução deste problema”, apontam os investigadores.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Público

Centros de saúde vão passar a realizar exames e tratamentos

A ideia é que alguns dos exames e tratamentos passem a estar disponíveis nos centros de saúde sem que para isso os utentes tenham que recorrer às urgências.

O Ministério da Saúde vai pôr em marcha o projeto-piloto “SNS+Proximidade” com o intuito de mudar a forma como os pacientes se relacionam com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e agilizar o processo de atendimento dos utentes. A ideia é que alguns dos exames e tratamentos passem a estar disponíveis nos centros de saúde sem que para isso os utentes tenham que recorrer às urgências.
Segundo avança o ‘Jornal de Notícias’, entre os  exames que vão passar a poder ser feitos nos centros de saúde estão as análises clínicas, raio-X, espirometrias, eletrocardiogramas, reabilitação física e terapia da fala. A iniciativa vai arrancar na região norte do país, “a única atualmente com condições para avançar com o projeto” e vai ser apresentado esta quinta-feira no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, onde, em conjunto com centros de saúde da zona, se encontram 18% do total de inscritos da região (657.544 utentes).
Neste projeto, o foco passa a estar no doente e nas suas necessidades, estando previsto o reencaminhamento dos utentes triados com pulseira azul ou verde (pouco urgente) para centros de saúde, para que seja atendido mais rapidamente pelo médico de família.
Além da articulação dos cuidados de saúde, o projeto “SNS+Proximidade” tem ainda como eixo estruturante a literacia em saúde e a gestão do percurso de vida. O Ministério da Saúde vai criar um Plano Individual de Cuidados (PIC), onde o paciente poderá registar os seus problemas, objetivos e metas a atingir, em parceria com uma equipa de saúde.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ZAP

Vacina para reduzir colesterol está a ser testada em humanos


Elza Fiúza / Flickr
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Uma vacina que reduz o colesterol e ajuda a prevenir ataques cardíacos está a ser experimentada em seres humanos voluntários, após estudos com resultados satisfatórios em ratos, segundo um artigo científico.
Os ensaios clínicos estão a cargo de investigadores da Universidade Médica de Viena e pretendem concluir se a vacina consegue reduzir as gorduras que bloqueiam as artérias e evitar que os doentes tenham de tomar diariamente comprimidos para minimizar o risco de ataques cardíacos.
Os investigadores avisam que podem ser necessários anos de ensaios para saber se o tratamento é seguro e efetivo, de acordo com um artigo publicado na última edição do European Heart Journal.
Os peritos salientam ainda que, mesmo que a vacina venha a estar disponível no futuro, não pode ser considerada uma desculpa para evitar modos de vida saudáveis, como exercício físico ou alimentação baixa em gordura.
A vacina em testes ajuda o sistema imunológico do organismo a atacar uma proteína – PCSK9 – que é a que permite que mau colesterol (LDL) se acumule no sangue.
De acordo com os peritos, citados pela agência EFE, o tratamento experimentado nos ratos reduziu em 50% o colesterol LDL por um período de 12 meses e demonstrou proteger contra a acumulação de depósitos de gordura nas artérias.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Green Savers

Já se pode aspirar o CO2 do ar

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A corrida contra o aquecimento global acaba de ganhar mais uma arma de peso. Uma empresa suíça, a Climeworks, apresentou uma inovadora solução que permite aspirar o CO2 do ar, retirando-o da atmosfera. É a primeira vez que uma empresa consegue lançar para o mercado uma solução de captura de CO2 economicamente viável. Igualmente interessante é o facto de esse CO2 poder ter depois um sem número de aplicações, dos refrigerantes à produção de fertilizantes vegetais para a agricultura.
Segundo a Climeworks, as suas centrais aspiram o ar e o CO2 fica retido em filtros por um processo químico. Sempre que um filtro está cheio, é aquecido e o CO2 libertado na forma de gás, que é depois capturado. Cada filtro pode ser utilizado por milhares de ciclos e a empresa dispõe já de centrais com vários formatos, capazes de se adaptar a diferentes áreas ou indústrias específicas.
climeworks 2
A primeira central foi instalada precisamente na Suíça e tem a capacidade para aspirar até 900 toneladas, o equivalente à emissão de 200 carros por ano. A meta da Climeworks é de instalar centrais em número suficiente para conseguir, até 2025, capturar o equivalente a 1% das emissões globais. A empresa encontra-se neste momento em processo de expansão do negócio.
 Foto: Climeworks

sábado, 17 de junho de 2017

Cientistas produzem substância que bronzeia e previne cancro da pele

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Um grupo de cientistas de Boston, nos EUA, descobriu uma substância capaz de penetrar na pele e bronzear sem a necessidade de exposição aos raios ultravioleta do Sol, reduzindo o risco de desenvolver um cancro de pele.
Os cremes autobronzeadores atuais têm apenas o objetivo de colorir a camada superficial da pele, mas a nova molécula estimula as células que produzem os pigmentos, ou seja, engana a pele fazendo-a produzir uma forma castanha do pigmento melanina.
Segundo o estudo publicado nesta terça-feira na revista científica americana “Cell Reports”, a substância provou a sua eficácia em amostras de pele e em cobaias, mas ainda terá de ser submetida a testes pré-clínicos para saber se é segura para os humanos.
A substância, aplicada como um creme, permitiu bronzear a epiderme de camundongos de pelo vermelho que, tal como os humanos, podem desenvolver cancro de pele devido à exposição aos raios ultravioleta.
Esta investigação foi desenvolvida através de um estudo publicado em 2006 na revista científica Nature que mostrou que outra substância, a forscolina, produzida por uma planta da Índia, pode induzir o bronzeado na pele de ratos sem exposição aos raios ultravioleta
No entanto, os cientistas logo descobriram que a forscolina não pode penetrar na pele humana, que não está protegida por uma camada de pelo espessa e desenvolveu proteções contra o frio, o calor e as radiações ultravioleta, entre outros.
“A pele humana é uma barreira formidável, difícil de penetrar. Dez anos depois, encontrámos uma solução. É uma classe diferente de compostos, que agem sobre uma enzima diferente que converge no mesmo caminho e que leva à pigmentação“, disse o autor principal do estudo, David Fisher.
“A importância deste novo estudo reside numa nova estratégia de proteção da pele e de prevenção do cancro de pele. A pele é o maior órgão do nosso corpo e pode ser afetado pelo cancro, na maioria dos casos por uma exposição aos raios ultravioleta”, destacou Fisher.
ZAP //

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Portugueses descobrem novo mecanismo com efeito protetor contra a sépsis

Uma equipa de investigadores liderada pelo português Miguel Soares descobriu um novo mecanismo que tem um efeito protetor contra a sépsis, uma infeção espalhada por diferentes partes do corpo e que pode ser mortal.
créditos: AFP
O estudo é hoje publicado na revista científica Cell e foi divulgado em comunicado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, instituição a que pertence o investigador Miguel Soares.
Nos últimos cinco anos, esta equipa de investigadores tem proposto que os doentes que resistem à sépsis desenvolvem uma resposta protetora que mantém a função dos órgãos vitais, conferindo tolerância à infeção. “Utilizando modelos experimentais de sépsis em ratos, a equipa de Miguel Soares descobriu agora um mecanismo que é vital para conferir essa tolerância”, refere o Instituto Gulbenkian de Ciência.
Segundo os investigadores, um elemento essencial para promover a tolerância à infeção é a forma como os níveis de ferro são controlados em diferentes tecidos. Ao mesmo tempo, sabia-se já que a forma de desenvolvimento (patogénese) da sépsis está associada com a desregulação do metabolismo da glucose (açúcar).
“O que descobrimos agora é que estes dois fenómenos estão intimamente interligados. O controlo do metabolismo do ferro é necessário para manter a produção de glucose no fígado, de modo a que este açúcar possa ser usado como fonte vital de energia para outros órgãos”, refere Miguel Soares na nota do Instituto Gulbenkian de Ciência.
Sebastian Weis, investigador que se encontra a fazer um pós-doutoramento com Miguel Soares, induziu sépsis em ratos de laboratório e comparou a progressão da doença em ratos com ou sem ferritina, uma proteína que controla o ferro no fígado.
Descobriu então que a ferritina é absolutamente necessária para que o fígado produza glucose depois da infeção e, assim, proteger o rato de sucumbir à sépsis.
“Os nossos resultados mostram que a ferritina controla a produção de glucose no fígado de modo a que os níveis de glucose no sangue sejam mantidos dentro de um limite que permita a sobrevivência. Sem ferritina, os níveis de glucose continuaram a descer e os ratos morreram de sépsis”, refere Sebastian Weis, atualmente investigador em Jena University Hospital (Alemanha), onde parte das experiências foram conduzidas.

Cientistas criam técnica que destrói coágulos sanguíneos potencialmente mortais

Investigadores da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, desenvolveram uma nova técnica para destruir coágulos no sangue que causam as tromboses venosas profundas, a principal causa de embolia pulmonar, utilizando ultrassom intravascular de baixa frequência.
A ferramenta, anunciou hoje a universidade em comunicado, é a primeira “broca” de ultrassom diretamente orientada para os coágulos, permitindo aos médicos maior precisão, o que pode reduzir substancialmente o tempo de tratamento. A nova tecnologia ainda só foi testada em vasos sanguíneos sintéticos.
As ferramentas do género já existentes emitem ondas de ultrassom lateralmente, o que torna mais difícil atingir apenas os coágulos e pode levar o ultrassom a danificar outros vasos. Por outro lado, a nova técnica fragmenta os coágulos em pedaços muito pequenos, não sendo por isso necessárias grandes doses de medicamentos para os dissolver.
Há outras técnicas para dissolver os coágulos de forma mais direcionada mas os pedaços ficam relativamente grandes, sendo por isso necessárias doses mais elevadas de medicamentos, disse Xiaoning Jiang, professor de engenharia mecânica e aeroespacial na Universidade citado no comunicado.
“A nossa abordagem melhora a precisão e não depende de grandes doses de medicamentos anticoagulantes, o que esperamos que reduza os riscos de toda a operação”, disse.
Testando a técnica num protótipo de um vaso sanguíneo sintético usando sangue de vaca, os investigadores concluíam que podiam “dissolver 90 por cento de um coágulo em entre três horas e meia e quatro horas sem usar nenhum medicamento anticoagulante”, referiu Jinwook Kim, autor principal do estudo. Ferramentas de ultrassom convencionais combinadas com medicamentos fazem um trabalho idêntico em 10 horas, acrescentou.
O que é uma trombose venosa profunda?
A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo de sangue (trombo) no interior das veias profundas das pernas ou da região pélvica. O coágulo de sangue bloqueia o fluxo de sangue e faz com que a pressão aumente dentro da veia. Parte do coágulo pode libertar-se e mover-se através da circulação sanguínea até aos pulmões, o que é denominado embolia pulmonar. A trombose venosa profunda constitui um problema comum. A maior parte destes coágulos ocorrem quando o fluxo de sangue nas veias das pernas se torna mais lento, geralmente como consequência da imobilidade.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Investigador mexicano desenvolve software que prevê ataques cardíacos


No Hospital de Galway, na Irlanda, está a ser usado um dispositivo para “prever” eventos cardíacos em pessoas com risco de morte súbita cardíaca.
Em 2013, os cardiologistas do hospital usaram esta tecnologia para diagnosticar e provar a sua exactidão.
A tecnologia foi desenvolvida por um investigador mexicano da Universidade de Galway, que já patenteou o dispositivo e procura agora vendê-lo a empresas especializadas.
Na Irlanda, há seis milhões de habitantes e oito mil são mexicanos. O investigador Antonio Aguilar é um deles.
Aguillar veio à Irlanda visitar a família e aprender Inglês. Decidiu ficar para terminar o curso de engenharia electrónica e continuar com os estudos de pós-graduação.
Há quatro meses, Aguillar fundou a sua própria empresa de software médico para hospitais, a Healthformics.
A história da empresa começou com o tema da sua tese de doutoramento: um Método para diagnosticar pacientes com alto risco de morte súbita cardíaca.
“Decidi focar-me na morte cardíaca súbita porque mata muitas pessoas e é muito difícil de prever“, diz o investigador.
antonio-aguilar.com
O investigador mexicano António Aguillar, da Universidade de Galway
O investigador mexicano António Aguillar, da Universidade de Galway

O “truque” do algoritmo

Com uma bolsa de estudos de um instituto de investigação de Galway, o engenheiro electrónico começou a desenvolver um algoritmo, que testa pacientes, fazendo-lhe um electrocardiograma e gravando 15 minutos de batimento cardíaco.
O algoritmo processa esta informação e analisa, com um modelo estatístico, se o paciente está em risco de arritmia, que é o sinal de morte cardíaca súbita.
“Quando há menos variabilidade da frequência cardíaca de um paciente, isso indica um problema. Estudámos o electrocardiograma de muitos pacientes que têm diabetes e outras doenças cardiovasculares e a variabilidade da frequência cardíaca é muito diferente em pacientes doentes e saudáveis”, explica Aguillar.
“Antes de sofrer uma arritmia um paciente tem certos padrões que se detectam e a variabilidade da frequência cardíaca é menor. Com este algoritmo pode-se prever se o paciente vai ter uma arritmia, horas antes de acontecer”, diz o investigador.
O cientista mexicano usou uma base de dados de 400 pacientes para “testar” o algoritmo e diagnosticar com sucesso pacientes com risco de arritmia.
Apesar de ter nascido em Irapuato, Guanajuato, no México, Antonio Aguilar viveu em Acapulco, Guerrero, e Nuevo Laredo, Tamaulipas, onde estudou no primeiro ano de engenharia no Instituto Tecnológico de Nuevo Laredo.

De pequenino se torce o informático

“Desde os nove anos que já sabia que iria para ciências ou computação. Estudei engenharia, porque tinha queda para números, matemática. Mas sempre gostei de computadores, especialmente de electrónica e robots”, conta Aguillar.
Na Irlanda, calhou-lhe um “bom momento da economia do país”, e quando estava no terceiro ano de estudos, iniciou a vida profissional numa empresa que desenvolve software para a Intel, Motorola, entre outras. Aguillar fez na altura um mestrado em micro-electrónica focada no desenvolvimento de microprocessadores.
O investigador voltou entretanto a Galway e ligou-se à área da saúde, desenvolvendo redes sem fio no Hospital Galway e uma aplicação para examinar electronicamente os registos dos pacientes.
Este trabalho como engenheiro de software médico valeu-lhe uma oferta de emprego como investigador na Universidade Nacional da Irlanda, em Galway.
“O meu supervisor disse-me que havia uma bolsa para um doutoramento. Aceitei o projecto, porque era a minha oportunidade de desenvolver o algoritmo para diagnosticar pacientes com morte súbita cardíaca”, diz Aguillar.
Segundo Aguilar, na Irlanda há muitos apoios para estudantes e empresários – ele é um exemplo disso. Desde os tempos de estudante, até hoje, teve sempre oportunidades atrás de oportunidades.
E o investigador aproveitou essas oportunidades para dar ao mundo um diagnóstico precoce da morte súbita cardíaca.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

VISÃO
Portugueses testam vacina contra a malária

Depois de resultados promissores em animais, cientistas do Instituto de Medicina Molecular começam agora os ensaios em pessoas - dispostas a serem picadas por mosquitos centenas de vezes - para avaliar a sua eficácia. Bill Gates financia o trabalho

Todos os anos, a malária mata 429 mil pessoas só em África. As vítimas são sobretudo crianças, picadas por um mosquito que nas glândulas salivares transporta o parasita. A doença afeta os países mais pobres do mundo, com um impacto gigantesco na economia, já de si frágil. Talvez por isso tenha sido tão negligencida - os países fustigados não têm meios para a combater, os mais ricos estão pouco dispertos para o problema. Até que Bill Gates, o homem mais rico do mundo, assumiu a missão de dar a volta a isto. Além de distribuir redes mosquiteiras e fornecer medicamentos, a fundação que criou com a mulher, a Bill and Melinda Gates Foundation, atribui milhões de dólares a projetos de investigação na área.
Desde 2010 que a equipa de Miguel Prudêncio, no Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, recebe financiamento para desenvolver uma vacina - o objetivo principal na luta contra o parasita (Plasmodium falciparum). Os primeiros passos foram tão promissores que a fundação decidiu transferir o projeto para a Malaria Vaccine Initiative (MVI), entidade que aposta todas as fichas na descoberta de uma vacina. E o sonho de Bill Gates, e de todos os que enfrentam a devastação causada por esta doença, pode já não estar muito longe.
Ao fim de sete anos de trabalho - testes em células; testes em animais, incluindo primatas - Miguel Prudêncio e a sua equipa preparam-se para começar, na Holanda, os ensaios clínicos à sua vacina, a PbVac. Suportados pelo sucesso das fases anteriores, a expetativa nos laboratórios do IMM é de que se esteja prestes a fazer história.
No mercado, já existem vários projetos nesta área, incluindo uma vacina aprovada, da farmacêutica Glaxo. Mas a sua eficácia deixa muito a desejar.
Preparar o organismo para combater uma infeção provocada por um parasita traz mais desafios do que criar defesas contra um vírus ou uma bactéria. Os parasitas são seres mais complexos, com várias estratégias para escapar ao sistema imunitário do hospedeiro. Além disso, no caso do plasmodium, o seu ciclo de vida passa por duas fases, uma no fígado, em que não há ainda sintomas, e uma no sangue, quando a pessoa começa a sentir-se febril, com tremores, dores de cabeça e no corpo e um cansaço extremo.

A vacina portuguesa

A vacina que está no mercado usa pedaços do parasita para provocar uma resposta imunitária. Ou seja, mostra um pequeno fragmento do agente patogénico ao sistema de defesa para que este prepare a sua guarda que deverá entrar em ação quando uma verdadeira infeção acontecer. É uma estratégia segura, mas com uma taxa de sucesso muito baixa - à volta de 30 por cento.
Para levar o organismo a criar um exército mais robusto, o ideal seria usar o parasita inteiro. Mas como fazer isso sem causar a doença? A resposta encontrada pela equipa do IMM é simples, porém engenhosa: usar um parasita que não infeta humanos, mas que produz proteínas do parasita que infeta os humanos. Em concreto, os cientistas (num trabalho experimental realizado por António Mendes) pegaram num parasita que infeta roedores e modificaram-no geneticamente de forma a que ele produza, ou expresse, proteínas características do parasita que infeta os humanos. Uma espécie de lobo envolto em pele de cordeiro. O parasita não provoca doença nas pessoas, mas desencadeia uma resposta imunitária contra o parasita que nos ataca, obrigando o corpo a produzir anticorpos.
Nos ensaios clínicos de fase I - a primeira de três que andecedem a aprovação - 12 voluntários tomarão a vacina e serão posteriormente infetados com malária. O primeiro objetivo é verificar se esta é segura, ou seja, não provoca reações indesejadas. O segundo objetivo é avaliar se é eficaz, evitando que os voluntários, infetados, desenvolvam a doença.
A forma de administração da vacina será, para já, uma picada do próprio mosquito, que carrega nas glâdulas salivares a vacina PbVac (no futuro será desenvolvida uma estratégia de vacinação por injeção). Cada um dos voluntários - estudantes, entre os 18 e os 35 anos - vai sujeitar-se a quatro sessões de 75 picadas cada. No grupo de controle, seis pessoas receberão placebo, pelo que não terão qualquer imunidade quando forem infetadas com malária. Claro que serão todas monitorizados com cuidado extremo e começarão a ser tratadas aos primeiros sinais de infeção. A bem da ciência e da humanidade.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Portugueses descobrem como levar as células cancerígenas ao "suicídio"

Investigadores do Porto descobriram uma forma de aumentar a resposta ao tratamento do cancro do pulmão através da inibição de uma proteína, o que leva à autodestruição das células cancerígenas.
"Quando as células de linhas celulares de cancro do pulmão são impedidas de produzir a proteína spindly, estas passam a responder de forma mais eficiente ao paclitaxel", um medicamento usado em quimioterapia, disse o professor da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico Universitário (CESPU) Hassan Bousbaa, um dos responsáveis pelo projeto.
A função do paclitaxel, segundo o investigador, é impedir o crescimento das células cancerígenas, uma vez que inibe a divisão celular, sendo aplicado em casos de cancro do pulmão, dos ovários e da mama, por exemplo.
Autodestruição das células cancerígenas
Este estudo mostrou que a supressão da spindly atrasa a saída mitótica (que se dá quando uma célula se divide mesmo na presença do fármaco que, em princípio, deveria inibir a sua divisão) e leva à autodestruição das células cancerígenas, quando tratadas com esse medicamento, explicou.
Sendo uma proteína necessária para a divisão das células normais, a sua supressão pode ter efeitos negativos, referiu o professor, acrescentando que o paclitaxel também tem, visto que interfere com a divisão celular normal. Espera-se", no entanto, que estes efeitos "sejam revertíveis no fim do tratamento".
Terapia combinada com outros fármacos
Com este projeto os investigadores pretendem "dar uma nova vida aos medicamentos mais usados e com uma longa história de sucesso no combate ao cancro, mas aos quais algumas células do cancro conseguem adaptar-se e sobreviver", referiu Hassan Bousbaa. O objetivo, continuou o professor, "é impedir esta adaptação, ajudando estes medicamentos convencionais a combater melhor as células do cancro".