quarta-feira, 4 de março de 2015

PÚBLICO

Alzheimer

Dois arquitectos criam aldeia para doentes de Alzheimer

O conceito combina a invenção de uma vila (bem diferente de um lar) que possibilita que os residentes com Alzheimer vivam com a mínima medicação possível num ambiente seguro
Texto de Bruna Cunha

A Holanda foi pioneira num projecto que consiste na criação de um bairro para doentes de Alzheimer. O objectivo é fazer com que estas pessoas levem uma vida o mais normal possivel — os habitantes acabam mesmo por achar que moram numa vila como todas as outras. A ideia consiste na criação de um bairro onde os "pacientes" possam viver de forma segura. Isto porque o bairro, criado apenas com o propósito de albergar estes doentes, tem uma equipa de auxiliares que os ajudam em tarefas diárias e está equipada com supermercados e espaços de lazer.

As diferenças do "Dementiaville" para qualquer outro bairro acabam por ser poucas. Há um supermercado, cinema, barbeiro e mais de 30 clubes sociais. Este conceito inovador foi criado por Frank van Dillen e Michael Bol, dois arquitectos que têm desenvolvido vários edifícios na zona.

O objectivo desta contrução é assegurar que as pessoas possam ter as condições necessárias para fazerem o seu dia-a-dia da forma mais normal possível e, assim, afastarem-se da ideia dos lares que acabam por isolar os pacientes que lá vivem.

Os fundadores da ideia deixam que os moradores decidam os seus horários e rotinas – planeiam as compras e refeições em conjunto. Podem pintar, jogar e passear em jardins realistas.

O espaço está equipado de forma a assegurar o conforto e segurança de todos os pacientes. De tal forma que a ideia foi nomeada para o “Hedy d’Ancona Award”. O prémio tem como objectivo premiar edifícios onde a arquitectura ajuda a assegurar cuidados de saúde com um ambiente acolhedor em termos de design urbano, de interiores e envolvência geral de espaços exteriores e interiores.

A “Mahal Cielo Village” vai ser inaugurada em breve nos EUA. A ideia é semelhante à já existente – tratar os doentes com perturbações mentais, como o Alzheimer, com a dignidade que merecem.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Investigadores portugueses vencem um dos grandes problemas da terapia génica


Um dos grandes entraves ao sucesso da aplicação da terapia génica, terapia que consiste em transferir material genético exógeno para células-alvo, por forma a corrigir doenças que envolvam factores genéticos, como por exemplo o cancro, é o transporte e entrega eficiente do material genético às células alvo.
créditos: Arménio Serra, Jorge Coelho, Henrique Faneca e Rosemeyre Cordeiro - UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), através da Faculdade de Ciências e Tecnologia e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), conseguiu ultrapassar este grande obstáculo, desenvolvendo um “veículo” de transporte à base de dois polímeros completamente catiónicos (um polímero que tem uma distribuição de cargas positivas em toda a sua cadeia).
Os resultados da investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), foram tema de capa da última edição da revista científica Macromolecular Bioscience.
Podemos dizer que o nanossistema concebido pela equipa da UC, nos últimos quatro anos, é uma espécie de «novelo formado pelo emaranhado de polímero e genes que assegura o transporte eficaz do material até às células-alvo, protegendo-o e impedindo a sua destruição ao longo do percurso», ilustram os coordenadores do estudo, Jorge Coelho e Henrique Faneca.
A solução inovadora foi testada em linhas celulares cancerígenas, mas a sua potencial aplicação estende-se a várias patologias que envolvem fatores genéticos, como as doenças neurodegenerativas.
Nas experiências realizadas, após complexos estudos que permitiram encontrar a estrutura certa do novo polímero com propriedades favoráveis à entrega do material genético, demonstrou-se que «os genes chegaram ao destino com sucesso, apresentando o novo nanossistema uma toxicidade reduzida.
Outra característica importante deste “veículo” é o facto de conseguir conduzir uma grande quantidade de genes com uma reduzida porção de polímero», notam os investigadores que pretendem prosseguir com o estudo, agora em modelos animais.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

JN

Médico doa 1,5 milhões para ajudar alunos


Uma doação de 1,5 milhões de euros pode mudar o curso da investigação médica na Escola de Ciências da Saúde minhota. Um médico português a viver nos EUA não quer que falte nada aos futuros médicos formados em Braga.
 
Um médico, de 89 anos, natural de Roriz, em Barcelos, doou à Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho imóveis no valor de 1,5 milhões de euros para que, as rendas, revertam a favor da investigação médica e dos alunos mais carenciados. O clínico, a residir nos Estados Unidos, fez a doação depois de Nuno Sousa, o diretor do curso de Medicina da UMinho, lhe ter apresentado o projeto de investigação da escola e após conhecer as dificuldades económicas por que passam alguns dos 1000 estudantes que frequentam o curso.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mundo
22:09 24.02.2015

Homem cego há 10 anos consegue ver a mulher através de um olho biónico

video

Aos 68 anos, um norte-americano, cego há uma década voltou a ver através de um olho biónico. As imagens registaram o momento emocionante em que voltou a ver a mulher.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

 JN

  País > Aveiro > Aveiro
 
 
Nem a cegueira impediu Ana Sofia de tirar 20 valores
 | Ontem
Ana Sofia Teixeira, de 26 anos, tem cinco por cento de visão num olho e um por cento no outro. Mas a diferença não a impediu de lutar a vida toda pelos seus sonhos. Terminou o curso de Psicologia com 17.


 Disseram-lhe, certo dia, que é "uma mulher que vai além do impossível". Não podiam ter acertado mais. Ana Sofia Teixeira, 26 anos, da Guarda, desafiou o destino em cada passo que deu. Nasceu com tignite pigmentar - mais conhecida como "cegueira noturna" -, uma doença degenerativa que lhe tirou, ao longo dos anos, quase toda a visão, tendo cinco por cento de visão num olho e um por cento no outro. Fazendo "da diferença uma boa oportunidade", como sublinha, nunca desistiu de lutar pelo que sonhava: ir para a universidade. Hoje, é aluna de excelência, na Universidade de Aveiro, onde estudou Psicologia e tirou recentemente 20 valores na tese de mestrado, o que lhe valeu 17 na nota final do curso.
Ouvir Ana Sofia falar é levar um "murro no estômago". Quem olha para o seu sorriso, que não lhe sai da cara, não imagina as batalhas que tem travado. "Os meus pais são primos direitos. Devido a uma incompatibilidade sanguínea, gerou-se esta anomalia congénita", conta a futura psicóloga, que tem irmãos com a mesma patologia.
Ana Sofia viveu, desde os quatro anos, na congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, na Guarda. Em casa, a estrutura familiar não era coesa e havia problemas financeiros. "Sempre mantive o contacto com os meus pais, mas tudo o que sou devo-o às irmãs. Ainda hoje, quando vou à Guarda, é lá que fico", recorda.
Visão afetada pelo estudo
"Se os outros conseguem, eu também tenho de conseguir". Este foi, desde cedo, o seu pensamento. Grande parte da visão que perdeu, principalmente na adolescência, "foi a esforçar a vista, a estudar". Queria ir para a universidade. Ser independente.
"Fui percebendo o papel que podia ocupar no Mundo e na sociedade e escolhi Psicologia", sublinha. Com a ajuda da "lupa TV" - um instrumento que amplia documentos impressos - e, posteriormente, do computador, aplicou-se nos estudos, apesar das limitações da doença.
Mas como se consegue tirar um 20? "Tive de abdicar de muita coisa e trabalhar muito", revela. Ao mesmo tempo que preparava a tese (ver caixa), Ana fazia um estágio curricular e outro extracurricular. Para Ana, o dia parece que tem 48 horas. Vê mal o que a rodeia, mas conhece bem o sabor da vida.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"Libertem Raif." Em Belém contra as 1000 vergastadas

Aos 30 anos, Raif Badawi viu a sua vida levar uma volta por escrever textos em que falava sobre religião e separação de poderes no reino saudita. Acusado em 2012 de insultar o Islão e o rei, no ano seguinte foi condenado a 10 anos de prisão e 1000 vergastadas. As primeiras 50, desferidas nas costas e nas pernas, deixaram-no muito mal de saúde.
 
Pela liberdade de expressão e pelo fim imediato dos castigos corporais a que Raif Badawi foi submetido
Pela liberdade de expressão e pelo fim imediato dos castigos corporais a que Raif Badawi foi submetido /  Ricardo Rodrigues da Silva

Não eram muitos, mas estavam em número suficiente para prender o olhar de quem passava de carro pela zona de Belém, em Lisboa, esta quarta-feira. E a ameaça de frio e de chuva não os fez ceder: dezenas de pessoas concentraram-se junto à embaixada da Arábia Saudita para apelar à libertação do escritor saudita Raif Badawi. A cor amarela destacava-se nos cartazes que jovens e adultos seguravam, virados para a estrada.
Na Avenida do Restelo, em Belém, cartazes dizendo "Libertem Raif", "Defenda os direitos humanos" e "Julgamentos justos, sim" revelavam a razão da vigília promovida pela Amnistia Internacional: lutar pela liberdade de expressão e pelo fim imediato aos castigos corporais a que Raif Badawi foi submetido no ano passado. Castigos que Teresa Pina, diretora-executiva da Amnistia Internacional de Portugal, classifica de "cruéis e desumanos".
Raif Badawi foi preso em 2012 e acusado de insultar o Islão nos textos que escrevia para o blogue Rede Liberal Saudita , debatendo questões como a separação de poderes no reino e a religião. A sua condenação consiste em 10 anos de prisão, o pagamento de uma multa significativa, a proibição de voltar a ter acesso aos media e em 1000 vergastadas, das quais já suportou as primeiras 50, nas costas e nas pernas, no passado dia 9 de janeiro, que o deixaram muito mal de saúde e obrigaram ao adiamento de outras sessões desse castigo. Este é um caso que tem sido acompanhado um pouco por todo o mundo e, de acordo com Teresa Pina, "está a pôr em causa a liberdade de expressão".
No grupo de pessoas presentes destacava-se Anabela Seabra, por conseguir segurar um cartaz apesar de estar apoiada em canadianas. Apesar de ter sido operada recentemente a um joelho, esta mulher de 54 anos não deixou de juntar-se a uma causa com a qual se identifica. Para Anabela, a libertação de Badawi simbolizará uma "pequena vitória, uma possibilidade de a Arábia Saudita abrir um pouco mais o horizonte às pessoas para que possam expressar-se".

Ricardo Rodrigues da Silva Ao todo, a Amnistia Internacional já recolheu mais de um milhão de assinaturas pela libertação de Raif Badawi
Uma opinião partilhada por Martins Guerreiro, um homem de "já muitos anos" - na verdade, são apenas 74 - que num tom calmo mas otimista e crente na libertação de Raif, que a acontecer significaria que realmente era "respeitada a dignidade daquela pessoa e que valeu a pena lutarmos por isso". Este septuagenário afirma-se convicto que não é do "interesse da Arábia Saudita continuar com estes atos macabros", porque a opinião pública está "atenta", tem divulgado este caso pelo mundo inteiro e aquele país não quer ficar com "má imagem".
 Ao todo, a Amnistia Internacional já recolheu mais de um milhão de assinaturas pela libertação de Raif Badawi. Para Teresa Pina, "não faz sentido" este saudita ser condenado "apenas por produzir a sua atividade num blogue, exprimindo opiniões políticas e de outra natureza". A diretora-executiva da Amnistia Internacional de Portugal reforça a luta por esta causa, afirmando que a liberdade de expressão é um "direito universal, garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos". E reforça: "Quando isso não é garantido, a Amnistia Internacional entende que estamos perante um prisioneiro de consciência e daí a mensagem que trazemos, a da libertação imediata e incondicional de Raif".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

ZAP aeiou

Médicos do Mundo impugnam patente do medicamento para hepatite C

SXC
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A ONG Médicos do Mundo apresentou esta terça-feira uma oposição contra a patente do medicamento Sofosbuvir, para a Hepatite C, concedida pelo Instituto Europeu de Patentes, considerando que o laboratório pratica “preços exorbitantes” e que deve ser aberta a concorrência.
Em comunicado, a organização não governamental (ONG) anuncia que apresentou este recurso legal, através do qual a validade de uma patente pode ser contestada, que se for bem sucedido “irá incentivar a concorrência de versões genéricas do Sofosbuvir”, um anti-viral usado no tratamento da Hepatite C e que tem uma taxa de cura superior a 90%.
“A oposição a uma patente é um recurso que já foi utilizado pela sociedade civil na Índia e Brasil para conseguir a revogação de uma patente concedida de forma indevida e a disponibilização de versões genéricas”, explica Olivier Maguet, do conselho da MdM para a hepatite C, acrescentando que estes “recursos levaram a uma descida considerável no custo dos tratamentos e ao acesso dos doentes que de outra forma não teriam a oportunidade.”
Esta é a primeira vez na Europa que uma ONG recorre a esta medida para melhorar o acesso dos doentes aos medicamentos.
Há vários meses que a MdM, em conjunto com outras organizações, vem alertando para os problemas colocados pelo custo dos novos tratamentos para a hepatite C e do Sofosbuvir em particular.
“O laboratório farmacêutico Gilead detém o monopólio do Sofosbuvir e está a comercializar este tratamento de 12 semanas a um preço exorbitante – 41 mil euros em França e 44 mil euros no Reino Unido -, impedindo assim que muitas pessoas tenham acesso ao medicamento”, sublinha a MdM.
Em Portugal, o Ministério da Saúde chegou, no final da semana passado, a acordo com o laboratório para fornecer o tratamento gratuitamente aos doentes, mas os custos para o SNS não foram revelados, embora a Gilead tenha começado por pedir valores superiores a 43 mil euros por um tratamento de 12 semanas.
A MdM alega que apesar de a utilização do Sofosbuvir no tratamento da hepatite C representar um enorme avanço terapêutico, a molécula em si, que resulta do trabalho de investigadores públicos e privados, não é suficientemente inovadora para garantir uma patente.
Assim, decidiu apresentar a sua contestação, já que “existe um abuso por parte da Gilead ao impor preços que não são sustentáveis aos sistemas de saúde”.
Se for aceite, o medicamento poderá começar a ser produzido em versões genéricas a um preço de apenas 101 dólares.
“Estamos a defender o acesso universal aos cuidados de saúde: a luta contra a desigualdade na saúde envolve a salvaguarda do sistema de saúde baseado na solidariedade”, explica Jean-François Corty, Diretor de Projetos da MdM França, que acrescenta que “mesmo num país “rico” como a França, com um orçamento anual para medicamentos de 27 mil milhões de euros, é difícil suportar este custo e já estamos a assistir a um racionamento arbitrário que exclui os doentes do tratamento”.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que existam 130 a 150 milhões de doentes crónicos de hepatite C, enquanto na União Europeia poderão estar infetadas entre 7,3 a 8,8 milhões de pessoas.
Segundo a MdM, em Portugal, onde o medicamento deverá ter um custo superior a 42 mil euros – 100 mil euros contabilizando todo o tratamento necessário -, estão registados nos hospitais mais de 13 mil doentes com hepatite C, estimando-se no entanto que o número de infetados seja de cerca de cem mil.
Anualmente a infecção mata cerca de mil pessoas.
/Lusa

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dança: alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional distinguidos no Prix de Lausanne


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O bailarino português Miguel Pinheiro e o japonês Ito Mitsuru, ambos alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, foram distinguidos na final do Prix de Lausanne, que se realizou hoje na cidade suíça.

Miguel Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea, no Prix de Lausanne, além de garantir uma das bolsas atribuídas pela competição, e Ito Mitsuru obteve o terceiro lugar na final do concurso.
O jovem bailarino português Miguel Pinheiro foi distinguido hoje graças à sua atuação em dança contemporânea na final da 43.ª edição do Prix de Lausanne.
O bailarino português disse à Lusa que a dança contemporânea é uma modalidade que aprecia particularmente, na qual se sente seguro. "Estive muito à vontade", durante a prova, disse à Lusa. "Já não era a primeira vez [que prestava provas] e correu muito bem", afirmou.
O seu colega em Lisboa, o bailarino japonês Ito Mitsuru, obteve o terceiro lugar na final do concurso do Prix de Lausanne.
Para o diretor da Escola de de Dança do Conservatório Nacional, Pedro Carneiro, este resultado recompensa o trabalho de ambos. "o mérito é todo deles", disse.
Domingo, os restantes três candidatos portugueses presentes na Suíça - Alice Pernão, Teresa Dias e Francisco Patrício, também alunos da escola lisboeta - tem entrevistas marcadas com diretores de escolas e companhias internacionais, no quadro do forum especial de dança, organizado pelo Prix de Lausanne, de acordo com Pedro Carneiro.
Lançado em 1973, o Prix de Lausanne constitui um dos mais exigentes certames de dança a nível mundial, para jovens entre os 15 e os 18 anos, na fase final de formação.
Diário Digital com Lusa

 SAPO Cinema

Cinema espanhol premeia «La Isla Mínima» e homenageia Antonio Banderas

O thriller de Alberto Rodríguez ganhou 10 prémios Goya. Pedro Almodóvar apresentou o prémio de carreira ao ator que ajudou a revelar, mas foi polémico. O SAPO Cinema revela as melhores imagens.

«La Isla Mínima», do realizador Alberto Rodríguez, foi o grande triunfador da 29ª. edição dos Goya, prémios da Academia de Cinema de Espanha, ao arrecadar dez galardões.
Para além de melhor filme, foi distinguido pela realização, ator principal (Javier Gutiérrez), atriz revelação (Nerea Barros), argumento original, montagem, fotografia, banda sonora, direção artística e guarda roupa.
Exibido em Portugal na sessão de encerramento do último Cinefiesta - Mostra do Cinema Espanhol, o thriller sobre a investigação do desaparecimento de vários adolescentes no sul de Espanha em 1980, poucos anos após o fim da ditadura franquista, por parte de dois polícias, um mais ligado ao antigo regime e outro que foi resistente, confirmou o favoritismo pois tinha 17 nomeações.
O produtor, José Antonio Félez, destacou o grande ano que passou: «A todos os que fizeram filmes espanhóis durante 2014, muito obrigado. Conseguiram que um em cada quatro bilhetes vendidos fosse para ver um filme espanhol».
Para esse valor terá contribuído «Namoro à Espanhola», o maior sucesso de sempre do cinema do país vizinho: com 56 milhões de euros nas bilheteiras, o filme viu três dos seus atores receberem estatuetas: Dani Rovira foi considerado melhor ator revelação e Karra Elejalde e Carmen Machi os melhoes secundários.
Outro thriller, «El Niño», também exibido no Cinefiesta, partia com 16 nomeações, mas ficou-se por quatro Goya: direção de produção, canção, som e efeitos especiais.
Bárbara Lennie foi considerada a melhor atriz por «Magical Girl», enquanto a eterna e muito popular saga «Mortadela e Salamão», já no seu terceiro capítulo, recebeu o prémio de melhor argumento adaptado e melhor filme de animação.
«Ida», do polaco Pawel Pawlowsky, nomeado para os Óscares, recebeu o Goya de melhor filme estrangeiro. Outro candidato aos Óscares, «Relatos Selvagens», da Argentina, foi votado o melhor filme ibero-americano.
Um momento alto foi quando Antonio Banderas, com 55 anos, foi o mais jovem distinguido de sempre com um Goya pela sua carreira.
O prémio foi recebido das mãos de Pedro Almodóvar, que o revelou ao cinema e o escolheu para sete filmes, e que pouco antes cumprimentara «todos os amigos do cinema e da cultura (...)», acrescentando: «Senhor Wert, não está incluído».
A referência ao ministro da Educação, Cultura e Desporto, foi o momento de maior tensão de uma cerimónia que não estava previsto ser reivindicativa, mas que acabou por gradualmente dar visibilidade à polémica da aplicação dos 21% do IVA cultural.
O presidente da Academia de Cinema de Espanha, Enrique González-Macho, chegou mesmo a agradecer aos embaixadores dos EUA e França, presentes na sala, dando o exemplo dos seus países: «Fazem do cinema um assunto de Estado (...)», aludindo ao facto de produzirem filmes «poderosos» que levam a sua cultura a todo o mundo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Se seguirmos à letra todos os prazos de validade das nossas embalagens vamos acabar por deitar fora 40% de tudo o que compramos todos os meses, mas a verdade é que muitos dos produtos ainda estão em condições de serem ingeridos. O resultado é “atirarmos” para o lixo cerca de nove quilos de alimentos fora do prazo de validade, no mundo ocidental. No entanto, segundo o Grist, estas etiquetas com os prazos de validade são apenas indicações dos produtores ou distribuidores de alimentos, não quer dizer – e nunca poderia – que elas são para ser levadas à letra. Foi essa ideia que levou a designer Solveiga Pakstaite a desenhar a Bump Mark, uma nova etiqueta com o prazo de validade que nos diz – mesmo – se o alimento está ou não em condições de consumo.


 

http://greensavers.sapo.pt/files/greensavers.pngNova embalagem revoluciona prazo de validade e pode poupar toneladas de alimentos


Se seguirmos à letra todos os prazos de validade das nossas embalagens vamos acabar por deitar fora 40% de tudo o que compramos todos os meses, mas a verdade é que muitos dos produtos ainda estão em condições de serem ingeridos. O resultado é “atirarmos” para o lixo cerca de nove quilos de alimentos fora do prazo de validade, no mundo ocidental.
No entanto, segundo o Grist, estas etiquetas com os prazos de validade são apenas indicações dos produtores ou distribuidores de alimentos, não quer dizer – e nunca poderia – que elas são para ser levadas à letra. Foi essa ideia que levou a designer Solveiga Pakstaite a desenhar a Bump Mark, uma nova etiqueta com o prazo de validade que nos diz – mesmo – se o alimento está ou não em condições de consumo.
A Bump Mark é feita de quatro camadas diferentes, do topo ao fundo, incluindo um plástico, gelatina, pequena folha de plástico e outra fina tira, também de plástico. Assim, a própria embalagem entra em decomposição com a comida, indicando que esta não está boa para ser consumida.
À medida que a camada de gelatina começa a decompor-se com a comida, o que resta da embalagem é uma camada que nos avisa que a comida não está em condições e deverá ser colocada no lixo. Por outro lado, se ainda estiver suave ao toque, continua em condições.
“A gelatina é comida, por isso é afectada da mesma forma da comida que está na embalagem”, explicou Solveiga Pakstaite. “E tem uma propriedade interessante quando expira o seu prazo de validade, transforma-se em líquido. Não poderia utilizar uma substância natural, mas sim uma que muda o seu estado”.
Segundo Solveiga, podemos aplicar esta embalagem a todo o tipo de produtos. Se for implementada em larga escala, esta embalagem pode reduzir a quantidade inacreditável de desperdício alimentar que existe, sobretudo, no mundo desenvolvido e ocidental. E, talvez, ajudar a alimentar mil milhões de pessoas subnutridas e que passam fome.