quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SIC Notícias

Especial

Relatora da ONU defende bebedouros públicos

para reduzir consumo de água engarrafada

garrafas

A relatora especial da ONU para o direito à Água, Catarina Albuquerque, defendeu hoje a instalação de bebedouros públicos para diminuir o consumo de água engarrafada e apelou a uma sensibilização da restauração para oferecer nas mesas jarros de água.

A escassez de água, que preocupa cada vez mais os governos de todo o mundo por causa das alterações climáticas, é a grande preocupação da relatora da ONU, que destacou, em declarações à Agência Lusa, este tema na véspera do Dia Nacional da Água, que se assinala no primeiro dia de Outubro, marcando também o início de um novo ano hidrológico em Portugal.

"É preciso promover o consumo de água da torneira, em prol da engarrafada que (devido à embalagem) é prejudicial ao ambiente", afirmou Catarina Albuquerque, eleita para relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) desde Setembro do ano passado.
Na sua opinião, para promover o consumo de água canalizada, deveriam ser instalados bebedouros na via pública, uma recomendação que admite não dever ser implementada neste momento em que os profissionais de saúde desaconselham o seu uso alegando risco de contaminação do vírus da gripe A (H1N1).
"Nos restaurantes peço sempre um copo de água, porque nunca me disponibilizam um jarro. Quando quero mais água peço um segundo copo. Os portugueses, que têm água canalizada tão boa, deviam promover este uso mais amigo do ambiente", afirmou Catarina Albuquerque, condenando o uso de água engarrafada.

Esta responsável defendeu ainda que devia haver uma "mega-campanha do governo" a lembrar os portugueses que a água da torneira tem muito boa qualidade e que é mais amiga do ambiente do que a engarrafada.

"Os restaurantes deviam ter jarros. Não faz sentido termos de comprar água engarrafada cada vez que estamos fora de casa e temos sede", acrescentou.

A relatora considera ainda que Portugal devia ter uma estratégia municipal na área da água, que identificasse a origem de desperdícios e promovesse a poupança de um bem "tão escasso e precioso".

Actualmente, cerca de 400 milhões de pessoas vivem em regiões com escassez de água, prevendo as Nações Unidas que este número chegue aos quatro mil milhões em 2025.

A crescente escassez de água, aliada ao rápido aumento da população mundial, leva a que se questione se os recursos de água doce podem vir a ser fonte de conflitos internacionais ainda durante este século. Portugal, por exemplo, partilha 48 por cento das suas reservas de água com Espanha.

A falta de água potável é a segunda maior causa de morte de crianças com menos de cinco anos, segundo um estudo divulgado em Março último pela Agência das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Cerca de 900 milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e 125 milhões de crianças com menos de cinco anos vivem em lugares sem acesso a fontes seguras de água potável, enquanto 2.500 milhões de pessoas vivem sem saneamento básico, segundo o estudo.


Lusa
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