terça-feira, 23 de março de 2021

 

Nanopartícula para combate ao cancro desenvolvida na Universidade de Coimbra obtém designação de 
"medicamento órfão"
23 mar 2021

Os “medicamentos órfãos” são fármacos orientados para o diagnóstico ou tratamento de doenças raras graves, apontadas como doenças órfãs, que afetam um reduzido número de pessoas em comparação com a população em geral.

Nanopartícula para combate ao cancro desenvolvida na Universidade de Coimbra obtém designação de
João Nuno Moreira, investigador da Universidade de Coimbra Universidade de Coimbra

Uma nanopartícula de nova geração de base lipídica para combate ao cancro, PEGASEMP, desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC), obteve o estatuto de “medicamento órfão” da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) e da autoridade reguladora americana Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento do mesotelioma maligno, um tipo de cancro raro que resulta da exposição a amianto. Este estatuto constitui fator facilitador de realização de ensaio clínico em doentes.

Os “medicamentos órfãos” são fármacos orientados para o diagnóstico ou tratamento de doenças raras graves, apontadas como doenças órfãs, que afetam um reduzido número de pessoas em comparação com a população em geral.

A atribuição da EMA e da FDA é o resultado de diversos e complexos estudos realizados ao longo de vários anos no Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com centros de investigação nacionais e estrangeiros, sob a liderança de João Nuno Moreira, docente e investigador do CNC e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC).

No mais recente trabalho, cujos resultados acabam de ser publicados na revista científica Nano Today, especializada na divulgação dos trabalhos mais influentes e inovadores em nanociência e tecnologia, a equipa de João Nuno Moreira desenvolveu e testou um protótipo de produção industrial da tecnologia PEGASEMP em condições GMP (do inglês, Boas Práticas de Fabrico), extensamente caracterizado em termos de propriedades físicas e químicas, demonstrando a segurança e eficácia antitumoral deste sistema de entrega de medicamentos.

Antecipando já o potencial uso em humanos, experiências muito detalhadas foram realizadas em diferentes espécies animais. "Avaliou-se a segurança da nanopartícula em murganhos, ratos e cães de acordo com as normas de desenvolvimento de novos medicamentos para tratamento oncológico. A sua segurança foi efetivamente demonstrada", relata o líder da equipa num comunicado enviado ao SAPO.

Basicamente, o produto PEGASEMP pode ser descrito como uma bolha de gordura (de natureza lipídica), contendo no seu interior um composto anticancerígeno, que acede a tumores sólidos através de uma nova porta de entrada, bloqueando o crescimento e a invasão tumoral.

"Neste trabalho foi possível demonstrar em modelo animal de cancro, pela primeira vez, a existência de uma nova porta de entrada que permite o acesso facilitado da nanopartícula desenvolvida a tumores sólidos, difíceis de tratar. Este acesso facilitado traduziu-se na inibição significativa do crescimento tumoral em modelo animal de mesotelioma humano, relativamente ao tratamento de primeira linha usado clinicamente nestes doentes (combinação de quimioterapia convencional)", assinala o investigador.

Os resultados obtidos no estudo agora publicado poderão ter impacto a vários níveis. Em primeiro lugar, destaca João Nuno Moreira, "o nível de maturidade tecnológica do PEGASEMP assim como o conjunto de dados alcançados permitiram a obtenção da designação de medicamento órfão para tratamento do mesotelioma, passo importante para o desenvolvimento translacional do PEGASEMP, ou seja, para aplicação clínica"

Em segundo lugar, prossegue, este trabalho mostra que "a entrega de fármacos encapsulados em sistemas de base nanotecnológica, através do direcionamento para a nucleolina e consequentemente à vasculatura tumoral, é um mecanismo inovador e disruptivo, que tenta ir além dos dogmas tradicionais da entrega de fármacos ao nível de tumores sólidos. Como tal, tem o potencial de ser aplicado de forma transversal a outras nanopartículas que não de natureza lipídica, assim como a outros fármacos, e em simultâneo estendido a diferentes tipos de tumores, podendo daí advir um efeito terapêutico associado a melhor segurança".

Por último, "é um contributo fundamental rumo à era da terapia personalizada e com impacto direto na qualidade de vida dos doentes", afirma o coordenador do estudo, adiantando ainda que o passo seguinte da investigação incidirá na "realização de ensaios clínicos", mas para isso é necessário encontrar financiamento.

Este estudo foi financiado por vários programas europeus, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Rede Nacional de Espetrometria de Massa, tecnológica TREAT U, SA, farmacêutica Bluepharma e Portugal Ventures, SA.

quarta-feira, 3 de março de 2021

 

 

Investigador português descobre medicamento promissor no tratamento de lesões medulares

 Lifstyle 3 mar 2021
O trabalho realizado pelo aluno de doutoramento Rui Lima e coordenado pelo neurocientista Nuno Silva, ambos pertencentes ao ICVS da Escola de Medicina da Universidade do Minho, foi agora publicado na revista científica Nature Regenerative Medicine.
Investigador português descobre medicamento promissor no tratamento de lesões medulares
IVCS

Os resultados do estudo demonstram que a administração do medicamento Levetiracetam após lesão medular ajuda a proteger o tecido nervoso e promove a recuperação de movimentos de modelos animais com paraplegia ou tetraplegia.

"Quando sofremos uma lesão medular, podemos ficar paraplégicos ou tetraplégicos dependendo do nível da medula onde sofremos a lesão. Ao usar este medicamento na fase aguda, até 4 horas após a lesão, conseguimos notar vantagens em termos futuros: há uma melhor recuperação funcional", explica Nuno Silva num comunicado do ICVS.

Levetiracetam é um fármaco antiepilético usado no tratamento de crises parciais. No entanto, devido ao seu mecanismo de acção ele pode também ser usado para promover neuropoteção. Nuno Silva decidiu por isso testar o medicamento numa condição neurotraumática onde é importante proteger o tecido nervoso após a lesão.

Há 4 anos iniciou-se assim o trabalho experimental do seu aluno de doutoramento, Rui Lima, que foi agora publicado na prestigiada revista do grupo Nature.

Esta função neuroprotetora é crucial. Após as lesões medulares, há uma libertação em excesso do neurotransmissor glutamato, que origina uma activação exagerada dos neurónios – e que geralmente conduz há morte da maioria deles, impedindo o tecido neural de se manter funcional.

"O que este fármaco faz é ajudar os astrócitos a recolher estes neurotransmissores em excesso e ‘levá-los’ novamente para dentro das células", protegendo o tecido – e dando mais hipóteses para que ocorra plasticidade neural e recuperação funcional.

"Nós observamos resultados promissores quer em lesões torácicas – que simula pacientes paraplégicas -, quer em lesões cervicais – que simula pacientes tetraplégicos", refere o investigador em neurociências. O próximo passo deste trabalho é perceber qual a janela terapêutica máxima – se pode ser administrado apenas até quatro horas após a lesão ou mais.

Isto pode originar novas abordagens na clínica, como a administração do fármaco em urgência para proteger o tecido neural, na fase aguda da lesão.

"Depois, numa fase em que a pessoa já está a recuperar, esta função protetora que o medicamento dá, será essencial. Pode ser a diferença entre uma pessoa ser capaz de fazer reabilitação física ou não. E é muito importante esta possibilidade de reabilitação para voltar a ganhar funções motoras", conclui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 

NIAID

 VACINAS PORTUGUESAS CONTRA A COVID-19

PROCURAM DINHEIRO PARA TESTES EM HUMANOS

Duas equipas em Portugal que desenvolvem vacinas da covid-19 procuram financiamento para a fase que se segue aos ensaios em animais. Ambas esperam começar os ensaios em humanos ainda este ano.

A vacina que está a ser desenvolvida pela Immunethep é composta pelo vírus SARS-CoV-2 completo inactivado e por uma substância à base de ácidos nucleicos que estimula o sistema imunitário. A forma de administração será intranasal “para permitir que a maior parte da resposta seja concentrada nos pulmões, que é a zona privilegiada por este vírus”, explica ao PÚBLICO Bruno Santos, co-fundador e presidente executivo da empresa. A utilização “da parte intranasal e da administração local no pulmão é baseada noutras vacinas”, adianta ainda.

O processo de desenvolvimento da vacina iniciou-se em Maio, após o primeiro confinamento. “Foi quando começámos a avaliar diferentes formulações”, recorda Bruno Santos. Num comunicado sobre a empresa, diz-se que o seu conhecimento anterior sobre imunoterapias permitiu-lhe avançar de forma rápida para vacina da covid-19.

Neste momento, já há resultados de testes em ratinhos. Quais são? “Está a correr tudo de acordo com o planeado”, responde Bruno Santos. E explica que se viu que o sistema imunitário dos ratinhos consegue produzir anticorpos depois de a vacina lhes ser administrada. Agora, também com modelos animais, ainda se irá testar o nível de eficácia. Pensa-se que esse estudo demore entre dois e três meses.

Quanto à publicação dos resultados, Bruno Santos indica que estão a reuni-los para os mostrar a entidades reguladoras. No final dos ensaios pré-clínicos, preparar-se-á uma publicação para a comunidade científica.

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Equipa no laboratório da Immunethep: Bruno Santos é o primeiro a contar da esquerda DR

Por agora, estão também a definir-se certos aspectos sobre os ensaios clínicos com as entidades com as quais pretendem produzir a vacina. Está ainda a ser preparada a reunião com as entidades reguladoras europeias para “se afinar o que vai ser o plano do ensaio clínico”, diz o responsável da empresa. Essa reunião ainda não está marcada: “A expectativa é que seja no próximo mês ou dois meses no máximo, entre Março e Abril”, informa. 

Bruno Santos diz que a empresa está a trabalhar ao nível da autorização dos ensaios clínicos. “Sem os dados pré-clínicos também não seria possível. Temos de ter esses dados para podermos avançar.” Mesmo assim, o objectivo é que seja iniciado a meio do ano. Numa primeira fase, participarão 50 pessoas e numa fase seguinte já serão cerca de 2000 os participantes, prevê-se. Pretende-se que os ensaios sejam todos feitos em Portugal.

Relativamente a parceiros ao nível da produção, contam com a PnuVax (uma fabricante global de vacinas no Canadá). Também a empresa Blueclinical está a projectar os ensaios clínicos e a preparar o contacto com as entidades reguladoras. Prevê-se que os ensaios clínicos custem cerca de 20 milhões de euros. “Estamos neste momento a iniciar o processo de fundraising”, informa Bruno Santos.

Ao longo do desenvolvimento da vacina, a empresa tem usado fundos próprios e do programa Portugal 2020. Até agora, o investimento já ronda um milhão de euros, refere-se no comunicado. “Para avançarmos, tal como aconteceu noutros países europeus, faz todo o sentido que haja uma intervenção do Estado nessas mesmas vacinas”, considera o presidente-executivo da empresa.

Além dos ensaios clínicos, sugere ainda que deveria haver investimento das entidades governamentais portuguesas para construção de uma unidade de produção de vacinas em Portugal. Já não seria usada para esta pandemia, mas seria um recurso para futuras pandemias ou podia até ser utilizada no fabrico de vacinas como a da gripe.

Se tudo correr como planeado, a empresa espera que esta vacina esteja no mercado em 2022, por um valor à volta dos dois a dez euros.

E já se tiveram em conta as novas variantes do vírus que tem surgido? Bruno Santos indica que a abordagem nesta vacina é mais abrangente do que outras que têm sido desenvolvidas e que têm como alvo apenas a proteína da espícula (responsável pela entrada do SARS-CoV-2 nas células humanas). “Como usamos um vírus como um todo, mesmo que haja alterações, que é o que aconteceu nessas novas variantes, o resto do vírus não muda. Temos a mesma capacidade de identificar o vírus e de o controlar”, esclarece, acrescentando que a taxa de mutação da proteína da espícula é de cerca de 30% e que a de todo o SARS-CoV-2 é de 1 a 2%. “O facto de se usar o vírus inactivado reduz-se muito a probabilidade de haver mutações que escapem à vacina.”

Uma nanovacina de Portugal e Israel

Já os laboratórios de Helena Florindo (da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa) e o de Ronit Satchi-Fainar (da Universidade de Telavive) adaptaram para a covid-19 uma plataforma de nanovacinas que tinha antes estimulado a resposta imunitária contra o melanoma. Composta por polímeros biodegradáveis, esta nanovacina tem no interior uma combinação de péptidos (pequenas sequências de aminoácidos, que funcionam como marcadores) do vírus e de adjuvantes (ingredientes que aumentam a eficácia da vacina). Para a vacina para a covid-19, alteraram-se os antigénios (moléculas estranhas ao organismo que desencadeiam uma resposta imunitária) que tinham sido usados na vacina do cancro para alguns que identificados no SARS-CoV-2.

“Temos resultados pré-clínicos da vacina candidata em termos da resposta medida por anticorpos e por células”, conta ao PÚBLICO Helena Florindo. “Estamos a confirmar agora com o modelo do vírus vivo.” A cientista diz que os resultados em ratinhos já são “robustos”, mas que ainda se estão a afinar alguns pormenores. “Já podemos dizer que temos uma candidata a vacina, mas ainda com algumas reservas”, assinala. Ao longo do último ano, a equipa de Helena Florindo procurou em diferentes combinações de péptidos qual seria a melhor candidata.

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Helena Florindo DR

Nos ensaios em animais, a equipa comparou os níveis de anticorpos presentes no soro de ratinhos imunizados com a nanovacina com os níveis de anticorpos de ratinhos imunizados apenas com o antigénio escolhido numa solução (só com os componentes activos da vacina). Resultado: esse antigénio levava à produção de uma grande quantidade de anticorpos. “A vacina conseguia triplicar ou quadruplicar os anticorpos que neutralizam os vírus nos ratinhos”, refere, acrescentando que a protecção aumentou em todos os animais. Neste momento, está a testar-se um outro antigénio que pode “ser mais forte”. Avaliou-se ainda a quantidade células imunitárias (como os linfócitos T e B) activados pela vacina nos nódulos linfáticos e no baço dos roedores: a vacina fez com que as células estivessem activas.

Espera-se a publicação destes resultados dentro de quatro meses. Por agora, procura-se também financiamento para fazer a transposição de escala para a indústria e se conseguir assim o produto para administrar nos ensaios clínicos. Para os testes em animais, a equipa teve 300 mil euros da Fundação La Caixa. Mas, para a transposição de escala, prevê-se que sejam necessários cerca de dois milhões e a investigadora revela que se está a procurar esse financiamento em fundos de investimento. “Temos feito contactos maioritariamente na Europa.”

Já em relação aos ensaios clínicos, Helena Florindo adianta apenas algumas estimativas: pelo menos, cinco milhões de euros e 15 mil pessoas na primeira e segunda fases desse estudo. “Esperamos iniciar os ensaios clínicos antes do fim do ano”, perspectiva. Serão feitos em Portugal? A cientista diz que ainda não sabe, mas que já estão a falar com a entidade reguladora do mercado farmacêutico dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA). “Gostava que o ensaio também fosse na Europa”, confessa.

A administração da primeira candidata a vacina desta equipa será por injecção. “Os resultados que temos agora são relativos à administração subcutânea. Um estudo [da vacina] por via nasal ainda está a decorrer”, esclarece a cientista. O custo de produção da primeira vacina estima-se perto dos dez euros.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

 DESENVOLVIDO PRIMEIRO VENTILADOR CERTIFICADO EM PORTUGAL FRUTO DA ALIANÇA ENTRE MÉDICOS E ENGENHEIROS

A Ordem dos Médicos e a SYSADVANCE desenvolveram um ventilador com requisitos para ser utilizado em cuidados intensivos. O equipamento, batizado como SYSVENT OM1, já está certificado e é o primeiro desenvolvido em Portugal a conseguir a marca CE.

Desenvolvido primeiro ventilador certificado em Portugal fruto da aliança entre médicos e engenheiros
SYSADVANCE

A certificação do ventilador aconteceu através do Organismo Notificado, SGS Bélgica. O desenvolvimento e certificação ocorreu em tempo recorde, para este tipo de dispositivo, num grande esforço envolvendo a equipa de desenvolvimento da SYSADVANCE, um grupo de médicos especialistas em Cuidados Intensivos indicados pela Ordem dos Médicos, bem como laboratórios acreditados em três países.

"A SYSADVANCE vai iniciar de imediato a produção do ventilador, sendo as primeiras unidades destinadas a Portugal e República Checa. O SYSVENT OM1 tem chamado a atenção em vários países, desde que foi anunciado o início do seu desenvolvimento em março do ano passado, com manifestações de interesse emitidas por vários países", lê-se num comunicado da Ordem dos Médicos.

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.

"O SYSVENT OM1 faz agora parte do portfólio Médico da SYSADVANCE, juntamente com os seus conhecidos sistemas de geração de Oxigénio Medical. O SYSVENT OM1 é absolutamente complementar aos sistemas de Geração de Oxigénio, permitindo uma solução completa para a saúde, desde a fonte de Oxigénio até à administração de oxigénio ao doente. A SYSADVANCE é hoje a única empresa mundial a fornecer estas soluções combinadas", refere a nota.

Aliança "frutuosa" entre médicos e engenheiros

"A Ordem dos Médicos sempre acreditou que os grandes desafios do mundo, e da saúde em particular, encontram resposta na ciência e na medicina. Esta aliança frutuosa entre médicos e engenheiros demonstrou que devemos investir na investigação clínica para chegarmos às soluções que os hospitais precisam, com mais rapidez, qualidade e inovação", explica o bastonário da Ordem dos Médicos.

"Este ventilador é para nós um motivo de grande satisfação. As máquinas não funcionam sem capital humano altamente diferenciado, mas um equipamento fiável é também determinante para o sucesso do tratamento dos doentes, pelo que termos o primeiro ventilador certificado em Portugal é para nós uma grande alegria em tempo de notícias nem sempre boas”, acrescenta Miguel Guimarães.

"Neste momento tão complexo da pandemia, a certificação do SYSVENT OM1 enche-nos de orgulho e corrobora todo o esforço, empenho e profissionalismo dedicado a este projeto, permitindo que Portugal possa dispor de um equipamento de alta precisão e fiabilidade para ventilação de doentes em cuidados intensivos", destaca José Vale Machado, presidente do Conselho de Administração da Sysadvance.

"Esperamos que o SYSVENT OM1 contribua para salvar vidas em Portugal e noutros países, da mesma forma que a SYSADVANCE se tem empenhado em contribuir e priorizar o fornecimento de centrais de Oxigénio Medicinal para várias partes do mundo", reforça.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

 


Criado sistema capaz de eliminar células cancerígenas sem danificar o tecido circundante saudável

Gettty Images
Uma equipa de investigação da Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, está a desenvolver um sistema de lasers ultrarrápidos capazes de remover as células cancerígenas dos tumores sem danificar o tecido saudável à volta

Cientistas da Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, na Escócia, estão a desenvolver um tratamento que utiliza lasers ultrarrápidos capazes de eliminar as células cancerígenas, sem danificar o tecido saudável à sua volta.

Neste sistema, os lasers fornecem energia através de uma série de pulsos de um trilionésimo de segundo de duração. Segundo Jonathan Shepard, professor nessa Universidade e líder do estudo, o sistema já foi testado em laboratório e revelou sucesso em cancros do cólon. “Provámos em laboratório que o nosso sistema a laser pode remover células cancerígenas de forma a minimizar os danos às células saudáveis à sua volta”, garantiu à Sky News.

O que possibilita estre processo é a rapidez com que as células são queimadas, já que os pulsos são muito curtos, não havendo tempo para o calor do laser queimar, também, o tecido nas periferias do tumor. Deste modo, o tecido saudável permanece intacto. De acordo com Shepard, a perda de tecido saudável, mesmo que mínima, pode levar a consequências graves na saúde dos doentes.

O objetivo da equipa é, agora, conseguir vir a aplicar clinicamente este tratamento e adaptá-lo a outros tipos de cancro, além do do cólon: cérebro, cabeça e pescoço, já que pode trazer “enormes benefícios aos doentes”, diminuindo os efeitos colaterais desta doença, diz o investigador.

A equipa recebeu mais de um milhão de euros do Conselho de Pesquisa de Engenharia e Ciências Físicas (EPSRC, na sigla inglesa) para desenvolver o tratamento, investigação que será realizada durante os próximos três anos.

Há um sapato português entre os nomeados ao prémio de produto sustentável do ano

Um modelo vegano com exterior de cortiça é o representante nacional no Green Product Award. As votações estão abertas ao público até 14 de fevereiro. A marca nacional de acessórios sustentáveis de moda Marita Moreno é a representante portuguesa no Green Product Award, uma iniciativa internacional que distingue todos os anos, desde 2013, o produto “mais sustentável”. 


 O produto nomeado são os sapatos Dali Azores, que a marca garante serem “100% vegan e livre de uso e crueldade contra animais”. Com exterior em cortiça portuguesa e tecelagem artesanal e sola em borracha natural, o modelo é tecido à mão pela artesã certificada Eduarda Vieira, com CORK-a-TEX, um fio têxtil de cortiça e algodão, premiado internacionalmente.

O Green Product Award tem um sistema misto de votação: nesta primeira fase, até 14 de fevereiro, o público elege o seu preferido; a cerimónia de votação do júri especializado está planeado para 10 de março, dia em que se conhecerá o vencedor.

Além da sustentabilidade do produto, é levado em consideração o design. 

Este ano, entre os candidatos, há “tiny houses” (casas muito pequenas, um conceito sustentável que tem ganho tração nos últimos anos), uma bicicleta elétrica feita de madeira e, como não podia deixar de ser, uma máscara anticovid, fabricada a partir de redes de pesca abandonadas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Instituto do Sangue agradece mais de 8.600 dádivas e apela para que continuem Mais de 8.600 pessoas responderam ao apelo para doar sangue, uma mobilização que o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) diz ter sido "essencial para estabilizar as reservas" nesta fase, mas apela para que as dádivas continuem. Em comunicado, o IPST agradece a mobilização para doar sangue, o "empenho e competência dos profissionais de saúde" e a ajuda das associações de dadores na organização de sessões de colheita que ajudaram a contrariar um "decréscimo de cerca de 10% nas colheitas", o que em contexto de inverno, agravado pela pandemia, levou a uma instabilidade nas reservas. "Apesar da situação difícil em que o país se encontra, a resposta por parte da sociedade foi excecional e sem precedentes: Entre 19 e 26 de janeiro inscreveram-se 8.638 dadores e foram colhidas 7.009 unidades de sangue nos Centros de Sangue e da Transplantação do IPST em Lisboa, Porto e Coimbra", lê-se no documento. No entanto, o IPST sublinha que as necessidades de sangue e componentes sanguíneos nos hospitais "são diárias" e que há condicionantes no armazenamento, uma vez que "os componentes sanguíneos têm um tempo limitado de armazenamento; os dadores de sangue, sendo homens só podem realizar a sua dádiva de três em três meses e sendo mulheres de quatro em quatro meses", ao que acresce a incerteza sobre a evolução da pandemia. "Assim, esta mobilização foi essencial para estabilizar as reservas de componentes sanguíneos nesta fase, mas a afluência maciça gerou também situações de esperas longas e desconforto. Por isso, o IPST reitera o apelo a todos os dadores para que, dentro das suas possibilidades, procurem os serviços de colheita de sangue de forma regular e faseada, uma vez que só assim será possível continuar a garantir as condições de distanciamento social, um melhor atendimento ao dador e a distribuição constante e regular de unidades de sangue aos hospitais", pede o instituto. Há uma semana o IPST apelou à dádiva, alertando que as suas reservas davam para entre quatro e 19 dias, sendo os grupos sanguíneos mais afetados o A positivo, A negativo, O negativo e B negativo. Também a Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepodabes) tinha apelado à dádiva de sangue, alertando que diversos grupos sanguíneos apresentam reservas nacionais inferiores a sete dias. Para ser dador de sangue, basta ter entre 18 e 65 anos (o limite de idade para a primeira dádiva é os 60 anos), ter peso igual ou superior a 50 quilos e ter hábitos de vida saudáveis. IMA (SO/GC) // JMR Lusa/fim

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Uma equipa de cientistas está a desenvolver uma ferramenta inovadora de teranóstica (técnica que reúne diagnóstico e terapêutica) dirigida às micrometástases pulmonares, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC). Cientistas criam meio inovador para combater um dos cancros pediátricos mais comuns JOSÉ COELHO/LUSA 24 “Tumor ósseo muito agressivo que afeta particularmente crianças e adolescentes”, o osteossarcoma é um tipo de cancro que apresenta “grande propensão para a metastização pulmonar”, sublinha a UC, numa nota hoje divulgada. Os investigadores acreditam que “a maioria dos doentes já tem micrometástases na altura do diagnóstico clínico, que depois progridem para metástases pulmonares, sendo esta a sua principal causa de morte, pelo facto de as terapias convencionais apresentarem uma eficácia limitada”. Por isso, “é urgente um diagnóstico mais precoce e novas estratégias terapêuticas capazes de eliminar estas pequenas lesões e travar a sua progressão”, afirma Célia Gomes, do Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), da Faculdade de Medicina da UC, que lidera o estudo, em parceria com Antero Abrunhosa, do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS). O projeto, distinguido recentemente pela Liga Portuguesa Contra o Cancro e Lions Portugal, e que conta agora com 250 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), foca-se numa abordagem que tira partido do conhecimento atual sobre o papel dos exossomas na formação de metástases e dos avanços nas tecnologias de imagem e de terapêutica baseada em radionuclídeos. Facilmente isolados a partir de amostras biológicas (de sangue ou urina, por exemplo), “os exossomas podem ser administrados num organismo como veículos de entrega de moléculas para órgãos-alvo”, funcionalidade que lhes confere “um elevado potencial diagnóstico e terapêutico”. Reparámos que tem um Ad Blocker ativo. A informação tem valor. Considere apoiar este projeto desligando o seu Ad Blocker. Pode também apoiar-nos subscrevendo a nossa newsletter, as nossas notificações ou seguindo-nos nas redes sociais Facebook, Instagram e Twitter. As experiências já realizadas, revela Célia Gomes, permitiram demonstrar que “os exossomas libertados pelas células do tumor primário (osteossarcoma) induzem alterações no tecido pulmonar que favorecem o desenvolvimento das micrometástases”. “Comprovámos ainda a afinidade dos exossomas pelas lesões metastáticas, e a capacidade de entrega do seu conteúdo, o que substancia o grande propósito do nosso projeto: utilização dos exossomas como eficientes veículos de entrega de radionuclídeos com especificidade para células-alvo”. O financiamento atribuído pela FCT vai permitir explorar a potencialidade dos exossomas como agentes de terapêutica “através da sua funcionalização com radionuclídeos emissores beta, já aprovados para uso clínico, como por exemplo o Lutécio-177”, explicita, citada pela UC, a investigadora do iCBR. Notificações Porque as noticias não escolhem hora e o seu tempo é precioso. Subscrever “Iremos também avaliar em contexto clínico se os exossomas podem ser utilizados, de forma não invasiva, como biomarcadores de risco ou de progressão da doença metastática”, acrescenta. Ao longo dos três anos de duração do projeto, realizado em colaboração com a Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), vão ser isolados exossomas de amostras de sangue de doentes com osteossarcoma, tendo em vista uma “caracterização em larga escala do seu conteúdo molecular e identificação de uma assinatura molecular preditiva do risco de doença metastática, cada vez mais importante para o prognóstico e para uma decisão terapêutica mais adequada”, afirma a investigadora. Reparámos que tem um Ad Blocker ativo. A informação tem valor. Considere apoiar este projeto desligando o seu Ad Blocker. Pode também apoiar-nos subscrevendo a nossa newsletter, as nossas notificações ou seguindo-nos nas redes sociais Facebook, Instagram e Twitter. A abordagem proposta neste projeto, finaliza Célia Gomes, “representa um avanço nas aplicações biomédicas dos exossomas e pode servir de base para a exploração dos exossomas como plataformas de teranóstica para o osteossarcoma e outras neoplasias metastáticas, abrindo caminho à medicina de precisão”.

domingo, 3 de janeiro de 2021

 

“Um sopro de esperança”: Projeto constrói aldeia para mulheres excluídas na Índia

"Abrir esta cidade para essas mulheres e suas famílias significa um sopro de esperança para esta região do mundo tão afligida pela pobreza e agora também pela Covid-19", afirma o diretor geral.

CONTI outra
 

Em setembro de 2019, em Córdoba, na Argentina, uma das empresas mais conhecidas desta cidade, iniciou uma campanha de solidariedade por ocasião do seu aniversário. A empresa Silbon, famosa em Córdoba por suas roupas masculinas decidiu lançar um projeto, afim de comemorar mais um ano de existência (não menos que o décimo). Foi proposto o objetivo de dotar um total de 24 mães de famílias na Índia identificadas pela Fundação Vicente Ferrer, um lar e outros serviços básicos para que eles pudessem reconstruir suas vidas. Elas, todas as mulheres socialmente excluídas em seu país, são o foco deste admirável projeto.

Imagem referencial | Jornal Cordoba

Tudo começou em janeiro e, recentemente, apesar da pandemia do coronavírus, foi concluída. Uma cidade em Thirumalapuram, destinada a acolher 93 pessoas (mães e filhos, principalmente), na qual estas, além de terem casa própria, terão também um centro educacional e, em geral, todas as condições necessárias para que possam desenvolver suas vidas de maneira saudável e digna.

Imagem referencial | Jornal Cordoba
Imagem referencial | Jornal Cordoba

“Um processo de execução de trabalho muito complicado, especialmente devido às circunstâncias particulares vividas na Índia (…). Abrir esta cidade para essas mulheres e suas famílias significa um sopro de esperança para esta região do mundo tão afligida pela pobreza e agora também pela Covid-19″ – Pablo López , diretor geral da Silbon.Com uma década de existência e com milhares de clientes em todo o planeta, a Silbon para este projeto solidário alocou na íntegra 10% do faturamento líquido de todo o mês de outubro de 2019, além de 100% da venda de camisetas concebido exclusivamente para esta iniciativa, a par de outros eventos que serviram para financiar esta obra, como um jantar solidário em Córdoba . O sucesso foi total e as expectativas de cobrança esperadas foram superadas. O povoado de Thirumalapuram será inaugurado quando as condições sanitárias forem favoráveis e a pandemia não for um empecilho para a transferência para este povoado. Evento que contará com a presença da madrinha do projeto, a designer Lourdes Montes e os representantes da fundação Vicente Ferrer e da empresa Silbon. No entanto, apesar de ainda não terem inaugurado oficialmente, essas casas já estão sendo utilizadas pelas mulheres, que passaram o primeiro Natal sob seu novo teto. Uma iniciativa mais do que necessária!

Com informações de UPSOCL