domingo, 9 de dezembro de 2018

Tratamento do cancro da próstata permite cura em poucos minutos

Choques elétricos dizimam cancro com técnica minimamente invasiva, praticada em hospital do Porto. 

Por Manuel Jorge Bento|08.12.18 

E se fosse possível deixar de ter cancro na próstata em 30 a 90 minutos, numa intervenção minimamente invasiva, e ter alta no dia seguinte? É o que permite a técnica de eletroporação irreversível. "Com base na fusão das imagens de ressonância magnética e ecografia, são introduzidas agulhas (elétrodos) através do períneo, entre o ânus e os testículos, e entre cada par de agulhas é gerado um campo elétrico de alta intensidade e curtíssima duração (microssegundos), que destrói apenas a membrana das células cancerígenas, induzindo a sua morte", explica José Sanches de Magalhães, urologista que realizou a 100ª intervenção em Portugal, no Hospital de Santa Maria, no Porto. 

O procedimento médico custa cerca de 15 mil euros, mas há já subsistemas de saúde a comparticipar quase a 100%, ainda que por reembolso da despesa e não adiantamento do valor. 

A intervenção - sob anestesia geral - preserva a glândula e "permite minimizar efeitos secundários associados ao tratamento deste cancro, como a disfunção erétil, a impotência sexual ou o risco de incontinência urinária", indica o médico, especialista em urologia oncológica. Além disso, "como não inclui incisões, o tempo de recuperação é mínimo, com menos dor no pós-operatório", refere.

 No dia da cirurgia, "o doente faz um clister de limpeza e, depois, é aconselhável ficar com uma sonda na uretra dois dias para evitar o risco de inflamação ou edema", conclui.José Sanches de Magalhães, médico urologista

CM - Quais as diferenças para outros tratamentos?

José S. Magalhães – Ao contrário de outras técnicas, em que há cirurgia ou radioterapia e em que se trata toda a glândula, fazemos apenas uma destruição parcial que não usa calor ou frio extremos, logo não danifica o ‘andaime’ que suporta as células cancerígenas, o que permite uma boa regeneração. 

CM – A eletroporação irreversível é usada apenas para este tipo de cancro?

– Também é utilizada para outras patologias, no tratamento do cancro no pâncreas, nos rins e no fígado. Começa agora a dar os primeiros passos em Portugal.

CM – É importante que a técnica seja disponibilizada no Serviço Nacional de Saúde?

– Seria excelente. E existem também outras técnicas de terapias focais que podiam ser utilizadas, com excelentes resultados.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Exame de sangue descobre qualquer tipo de câncer dez anos antes de se manifestar

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Constantine Pankin/Shutterstock
Dentro de dois anos, é possível que um simples exame de sangue possa identificar quaisquer tipos de tumores cancerígenos até dez anos antes que eles se manifestem no organismo. O exame é chamado entre seus desenvolvedores de "biópsia líquida" e é capaz de fazer uma extensa análise do DNA encontrado no sangue, de forma a prever qualquer sinal de eventuais tumores.
O procedimento está ainda sendo desenvolvido pelo Centro de Combate ao Câncer Memorial Sloan Kettering, nos Estados Unidos, de acordo com informações do jornal britânico Daily Mail. Até aqui as pesquisas já realizaram o teste para diagnosticar 161 pacientes de câncer nos pulmões, próstata ou mama.

Exame para detectar câncer precocemente

Os resultados apontam acerto em 90% dos exames. No caso de tumores difíceis de identificar, como o de pâncreas, o aproveitamento é mais baixo, de 55%, mas ainda assim bastante proveitoso, uma vez que este tipo de câncer geralmente é percebido somente em estágios avançados.
A "biópsia líquida" deve ser capaz de identificar qualquer tipo de tumor em qualquer órgão do corpo. No sistema, ocorre um processo complexo de análise de DNA que procura sinais que sejam relacionados ao aparecimento de tumores.
Se o desenvolvimento do projeto der certo, os pesquisadores preveem que seja aplicado como um exame de rotina, como os feitos para detectar colesterol alto ou elevada pressão arterial.
Os pesquisadores estimam que após a popularização deste exame, o número de mortes causadas pelo câncer possa cair até 50%. A empresa Grail, apoiada por multibilionários como Bill Gates, da Microsoft, e Jeff Bezos, da Amazon, tem como objetivo realizar os primeiros testes de mercado já em 2019.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Bactérias ajudam plantas a tolerarem longos períodos de seca. Descoberta é da Universidade de Aveiro

Face ao fenómeno das alterações climáticas, que trará períodos cada vez mais longos de seca, as bactérias agora descobertas “ajudam as plantas a tolerarem melhor a escassez de água”.

Foi descoberto um grupo de bactérias que ajudam as plantas a crescerem e a tolerarem períodos de seca, anunciou hoje, 15 de novembro, a Universidade de Aveiro através de comunicado.
A descoberta foi feita por uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA) e que salientam que estas bactérias podem não só aumentar a produtividade agrícola, como ainda proteger dos efeitos nefastos das alterações climáticas espécies de consumo humano.
“Estas bactérias têm o potencial de aumentar a produtividade agrícola, funcionando como alternativa ou complemento aos fertilizantes de origem química, sendo uma opção mais ambientalmente sustentável”, antevê Paulo Cardoso, o investigador do Centro de estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA responsável pelo trabalho.
Face ao fenómeno das alterações climáticas, que trará períodos cada vez mais longos de seca, as bactérias agora descobertas “ajudam as plantas a tolerarem melhor a escassez de água”.
Existentes em nódulos das raízes de algumas plantas leguminosas que crescem espontaneamente em Portugal, como o trevo-branco, a serradela-amarela, a ervilhaca-mansa ou o cornilhão-esponjoso, as bactérias promovem o crescimento das plantas através da produção de hormonas e compostos voláteis que estimulam o desenvolvimento dos tecidos vegetais e melhoram a assimilação de nutrientes.
O próximo passo da equipa de biólogos da UA passa por desenvolver uma forma de potencializar os benefícios destas bactérias na agricultura. Assim, o caminho passará por aplicá-las no solo ou em sistemas de estufa ou de agricultura vertical, atuando as bactérias como um biofertilizante.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Doentes paraplégicos voltam a andar após tratamento inovador
2 nov 2018 08:55
Doentes paraplégicos voltam a andar após tratamento inovadorUma equipa de cientistas, que inclui neurocirurgiões e engenheiros, usaram impulsos elétricos direcionados para devolver a capacidade de andar, ativando músculos individuais em sequência, tal como o cérebro faz.
Os impulsos são produzidos por um implante posicionado sobre a espinha, cuidadosamente alinhado com áreas que controlam os músculos na parte inferior do corpo. Até ao momento, os resultados são considerados "promissores", escreve a agência de notícias France Presse.
"Este teste clínico dá-me esperança", disse Gert-Jan Oskam, de 35 anos, que após um acidente de trânsito em 2011 lhe disseram que não voltaria a andar.

Andar sem estímulos elétricos

Após cinco meses de tratamento, já consegue andar curtas distâncias mesmo sem a ajuda dos estímulos elétricos.
Trata-se do clímax de "mais de uma década de investigação cuidadosa", afirmou à Gregoire Courtine, neurocientista do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, que ajudou a chefiar a pesquisa.
Testes anteriores usaram o estímulo elétrico contínuo da espinha, que funcionou bem em ratinhos, mas obteve resultados menos impressionantes em humanos.

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Depois de alguns meses de treino com impulsos direcionados, "os nossos participantes foram capazes de ativar os seus músculos previamente paralisados sem o estímulo elétrico", disse Courtine. "O resultado foi completamente inesperado", acrescentou.
"Eles conseguiram até dar alguns passos sem qualquer suporte, sem ajuda das mãos. Para mim, ver esta recuperação foi incrível", comentou a neurocientista.
David Mzee, de 28 anos, sofreu uma paralisia completa da perna esquerda após um acidente em 2010, mas depois de seguir o programa de cinco meses, voltou caminhar durante duas horas com um andarilho.
"É incrível ver todos estes pacientes a mexer as suas pernas sem o estímulo elétrico", disse Jocelyne Bloch, neurocirurgiã do Hospital da Universidade de Lausanne, que ajudou a conduzir o estudo.


Calibrar expectativas

Numa avaliação independente, Chet Moritz, professor associado do departamento de medicina de reabilitação da Universidade e Washington, elogiou o trabalho.

"O campo da lesão na medula espinhal está destinado a dar um salto gigantesco no tratamento daquilo que era até muito recentemente considerado paralisia incurável", escreveu.
Courtine alertou, no entanto, que é "muito importante calibrar as expectativas", destacando que os três pacientes ainda dependem na maior parte do tempo das suas cadeiras de rodas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O assassino do cancro está presente em cada célula humana



Células cancerígenas
Todas as células do nosso corpo contêm um “código de morte” cuja função pode ser causar a autodestruição das células que se tornam cancerígenas, adianta um estudo publicado esta segunda-feira.
Uma equipa de cientistas descobriu nas células humanas uma arma mortífera que pode causar o seu “suicídio” quando se tornam cancerígenas. Esta descoberta pode ser muito promissora no tratamento do cancro em alternativa à quimioterapia, que provoca efeitos indesejados.
Os resultados da descoberta, feita por investigadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, foram esta segunda-feira publicados na Nature Communications. Nas células, a “arma” está incrustada nos ARN, moléculas que codificam as proteínas, e nos microARN, pequenos ARN não codificantes.
“Agora que conhecemos o ‘código da morte’, podemos desencadear o mecanismo sem usar a quimioterapia e sem mexer no genoma. Podemos utilizar estes pequenos ARN diretamente, introduzi-los nas células cancerígenas e acionar o interruptor para as matar”, afirmou o autor principal do estudo, Marcus E. Peter.
O investigador assinalou ainda que a quimioterapia tem vários efeitos secundários, como gerar novos cancros, uma vez que ataca e altera o genoma, sendo que esta pode ser uma boa alternativa.
Além disso, Marcus E. Peter acredita que poderão ser desenhados microARN artificiais “muito mais poderosos” para matar células cancerígenas do que os microARN “desenvolvidos pela própria natureza”, mas usando o “mecanismo que a natureza desenvolveu”.
Num estudo anterior, publicado no ano passado, a equipa descreve que os tumores malignos morrem na presença de moléculas de ARN e que as células cancerígenas tratadas com essas moléculas de ARN nunca se tornam resistentes porque as moléculas eliminam ao mesmo tempo vários genes que este tipo de células necessita para sobreviver.
Na altura, os cientistas desconheciam qual o mecanismo que provocava a autodestruição dos tumores. Apenas sabiam que o que fazia com que os microARN se tornassem tóxicos para as células cancerígenas era o facto de terem uma sequência de seis nucleótidos (moléculas orgânicas que são os blocos construtores de ARN e ADN).
As moléculas orgânicas em causa são a guanina, a citosina, a adenina ou a timina (constituintes do ADN, que contém instruções genéticas) e o uracilo (ARN).
Neste novo estudo, a equipa testou 4.096 combinações de bases de nucleótidos na sequência de seis moléculas identificadas nos microARN tóxicos e descobriu que a combinação mais mortífera é rica em guanina.
Posteriormente, o investigador verificou que os microARN expressos no organismo para combater o cancro usam a mesma sequência para matar células cancerígenas.
Além disso, o seu grupo de trabalho constatou que as próprias células cortam em pequenos pedaços um gene envolvido no seu crescimento anómalo. Estes pedaços, sustentam os cientistas, atuam como se fossem microARN e são muito tóxicos para o cancro.
O passo seguinte passa por transformar toda a teoria numa nova terapia.
ZAP // Lusa