segunda-feira, 6 de abril de 2020


Esta empresa investiu 10 milhões de euros em prémios extraordinários para os colaboradores


O Grupo Jerónimo Martins aumentou para 500 euros o valor do prémio extraordinário anual, atribuído aos colaboradores das operações (lojas e centros de distribuição). Em Portugal, 80% dos colaboradores elegíveis vão receber o prémio, num total de quase 21 mil pessoas, o que representa um investimento de cerca 10 milhões de euros.
Este prémio, cujo valor é igual em Portugal, na Polónia e na Colômbia, pretende reconhecer o trabalho e partilhar a satisfação pelos resultados obtidos em 2019 e será atribuído a aproximadamente 71.500 colaboradores, no conjunto dos três países.
O Conselho de Administração de Jerónimo Martins aprovou a proposta do seu presidente, Pedro Soares dos Santos, no sentido de aumentar o valor deste prémio em cerca de 5% face ao ano anterior. Esta percentagem é superior à do crescimento das vendas das Companhias em Portugal, que registaram, em 2019, uma subida de cerca de 3% face a 2018.
Este prémio, pago em Portugal pelo 14.º ano consecutivo, acumula com a remuneração variável mensal em vigor e com os vários programas e acções de apoio aos colaboradores nas dimensões da saúde, da educação e do bem-estar familiar, nas quais, em 2019, o Grupo investiu, só no nosso país, mais de 3,6 milhões de euros.
Na área da saúde, em Portugal, foram alocados 820 mil euros a iniciativas como, entre outras, os programas SOS Dentista e SOS Dentista Júnior, que permitiram que mais de 3.500 colaboradores e 45 crianças e jovens tenham concluído os seus tratamentos dentários. Outros exemplos são o Programa Mais Vida, uma parceria com a Fundação Champalimaud e com a Cruz Vermelha Portuguesa para apoiar colaboradores e familiares directos com doença oncológica, e o protocolo com o Grupo Lusíadas, que permite o acesso a consultas de especialidade a preços mais competitivos. Este protocolo foi, no ano passado, alargado aos colaboradores reformados e aos pais dos colaboradores, estendendo-se, assim, significativamente o universo populacional apoiado.
Na educação, área em que foi investido mais de um milhão de euros, destacam-se iniciativas como a atribuição de 87 bolsas de estudo a colaboradores ou seus filhos que não tenham tido acesso a bolsa estatal. Foram ainda atribuídas dez bolsas de mestrado. Como forma de incentivar a progressão nos estudos, a iniciativa Aprender e Evoluir, desenvolvida ao abrigo do programa público Qualifica, permite a conclusão do 9.º ou 12.º anos de escolaridade em tempo de trabalho. No ano passado, beneficiaram desta possibilidade mais de 370 colaboradores, em Portugal.
Finalmente, no que diz respeito à dimensão de bem-estar familiar, foram consumidos cerca de 1,7 milhões de euros em Portugal, dos quais mais de 930 mil euros canalizados para o Fundo de Emergência Social, que apoiou 971 colaboradores nas áreas da alimentação, saúde, educação, aconselhamento jurídico e orientação financeira.
O Grupo Jerónimo Martins emprega actualmente mais de 115 000 colaboradores, 30% dos quais em Portugal onde, no ano passado, criou cerca de 1300 postos de trabalho.

sexta-feira, 27 de março de 2020

EXECUTIVE

CEOs a abdicar dos seus salários durante a pandemia. 

Sabe porquê?


Confrontadas com a necessidade de despedir colaboradores ou encerrar as portas de alguns estabelecimentos/fábricas, há empresas a mostrar sinais de empatia e a avançar com cortes salariais também junto dos executivos de topo – incluindo o CEO.
Segundo o CNN Business, estes cortes não deverão, contudo, ter um impacto significativo nos resultados gerais da empresa ou garantir que funcionários com ordenados mais baixos recebam o que lhes é devido ao final de cada mês. Se é verdade que alguns directores executivos e presidentes levam para casa milhões de euros (ou dólares) todos os anos, também é verdade que esses valores são apenas uma gota no oceano que é a folha de pagamentos de grandes multinacionais.
Qual é, então, o objectivo? Itay Goldstein, professor de Finanças da Wharton School da University of Pennsylvania, acredita que é um gesto simbólico. «Quando chegamos a uma crise como esta que enfrentamos agora – em que se verificam tempos difíceis para a economia, para os trabalhadores, em que há pessoas a perderem os seus empregos e em que os cidadãos não sabem o que esperar – acredito que os CEOs dizerem ‘vamos abdicar do nosso ordenado’ é um sinal de de que partilham a dor das equipas», afirma o responsável.
E quem são os líderes que já seguiram este caminho? Junto do sector da aviação, a opção parece ser mais comum: os CEOs das companhias aéreas Delta, Alaska e United Airlines, entre outras, anunciaram cortes salariais e outra reduções em termos de compensações.
Também na hospitalidade, soma-se o caso de Arne Sorenson, CEO da cadeia hoteleira Marriott, que abdicará do seu ordenado até ao final do ano. Os restantes membros da administração, por seu turno, vão ver os salários serem cortados pela metade.
Segundo o CNN Business, juntam-se ainda o CEO da plataforma de viagens Booking, da marca de artigos desportivos Sporting Goods, da fabricante automóvel Ford e da eléctrica GE.
A mesma publicação, alerta, porém, que a forma como os CEOs se colocam ao lado dos funcionários também é importante. As opções são variadas: desde os executivos que dizem abdicar somente do salário base (mantendo as restantes regalias) àqueles que garantem que não receberão um único cêntimo.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Aveiro descobre que as cascas de banana limpam águas com metais pesados

Tanto faz que sejam da Madeira ou da América do Sul - as cascas de banana são altamente eficientes na remoção de metais pesados de águas contaminadas, descobriu uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro. No caso do mercúrio, são mesmo “as campeãs da limpeza”.
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Rui Neves 03 de março de 2020 às 12:20


Formadas por celulose, lenhina e hemicelulose, materiais com grupos funcionais que captam o mercúrio da água, as cascas de banana são "altamente eficientes na remoção de metais pesados de águas contaminadas, nomeadamente do mercúrio, um metal muito tóxico para a saúde e para o ambiente", descobriu uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA).


No caso do mercúrio, onde as cascas são "as campeãs da limpeza", o que "as diferencia dos outros materiais biológicos [que também são formados por celulose, lenhina e hemicelulose] é que as mesmas são mais ricas em grupos de enxofre e o mercúrio tem elevada afinidade por esse elemento", explica a investigadora Elaine Fabre, em comunicado da UA.

Eis porque "estas cascas são tão eficientes na remoção de mercúrio da água", sublinha.

A UA adianta que este trabalho, que foi publicado na revista "Science of the Total Environment", mostra que, para tratar 100 litros de água contaminada com 0,05 miligramas de mercúrio, e de forma a atingir-se a concentração permitida para águas de consumo humano, que é de 0,001 miligramas de mercúrio por litro, seriam necessários apenas 291 gramas de cascas.

Testadas em diversos sistemas reais, com água da torneira, água do mar ou água de efluentes industriais, e na presença de muitos outros elementos para além de metais pesados, "em todos os casos as cascas mostraram-se eficazes", garante a UA.

"Os resultados mostram um potencial muito promissor na aplicação das cascas em sistemas reais", afiança Elaine Fabre, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), num trabalho que envolveu, também, o CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e LAQV-REQUIMTE, e os cientistas Cláudia Lopes, Eduarda Pereira, Carlos Silva, Carlos Vale, Paula Figueira e Bruno Henriques.

E como aplicar cascas de banana para remoção de mercúrio? "Através de processos de sorção - processos que envolvem a retenção de um composto de uma fase fluída na superfície de um sólido", que "pode ser realizada em estações de tratamento de águas residuais, em efluentes industriais, ou mesmo em qualquer outro sistema que contenha águas contaminadas", desvenda a UA.

Para tal, asseguram os cientistas de Aveiro, basta colocar as cascas em contacto com a água contaminada por um determinado período de tempo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

ECO

Cientistas descobrem método para produzir eletricidade a partir da humidade do ar

O método descoberto por cientistas na Universidade de Massachussets converte em eletricidade o vapor de água que existe naturalmente na atmosfera. 

Cientistas na Universidade de Massachussets, Estados Unidos, descobriram uma maneira de criar eletricidade a partir da humidade no ar, uma tecnologia que propõem para o futuro das energias renováveis.
Segundo um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature, o método envolve nanotubos de uma proteína condutora, produzida por um micróbio, que converte em eletricidade o vapor de água que existe naturalmente na atmosfera.
Os nanotubos formam uma película à qual são ligados elétrodos que captam a corrente gerada pela reação da proteína com a humidade do ar. “Estamos literalmente a tirar eletricidade do ar”, afirmou o engenheiro eletrotécnico Jun Yao, em cujo laboratório foi testado o “Air-gen”, que é não poluente, renovável e de baixo custo, podendo ser usado mesmo em condições de baixa humidade.
Ao contrário de outras formas de gerar eletricidade, não precisa de vento ou de luz solar e pode mesmo ser utilizado em ambientes interiores, afirmou o microbiólogo Derek Lovley, que há mais de trinta anos descobriu o micróbio Geobacter no rio Potomac, nos Estados Unidos.
Por agora, o Air-gen é capaz de manter a funcionar pequenos aparelhos eletrónicos, mas os criadores pretendem alargar a sua capacidade, criando pequenas películas de nanotubos que poderão ser usadas para alimentar monitores de dados vitais ou relógios, que deixariam de precisar de pilhas. Também esperam conseguir adaptar o Air-gen aos telemóveis, para que deixe de ser necessário carregar os aparelhos.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Equipa de cientista português descobre como travar bactéria muito comum em ambiente hospitalar e que mata milhares de pessoas



O estudo foi publicado na prestigiada revista Nature e já há farmacêuticas de olho na novidade

O título da investigação, publicada na Nature Microbiology, assusta qualquer leigo, mas Pedro H. Oliveira, do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina do Monte Sinai, em Nova Iorque, nos EUA, não demora mais do que um quarto de hora a traduzir tudo por miúdos: “há uma proteína presente na mais comum das infeções hospitalares e o que descobrimos foi uma forma de alterar o seu ADN e reduzir a sua eficácia”, explica o cientista, numa conversa por Skype.  
A história começou há cerca de quatro anos, quando se generalizou uma nova técnica que permite fazer a sequenciação do ADN. Ou seja, ter acesso ao código genético e também notar quando há alterações. “É o que chamamos de epigenética”, explica. O objetivo, então, era aplicar essa técnica a uma bactéria muito particular – chamada Clostridioides difficile – que é muito comum em ambiente hospitalar e era responsável por várias infeções em doentes internados no Hospital de Mount Sinai, em Nova Iorque. Afeta, sobretudo, o trato intestinal, provocando por exemplo diarreias, mas pode também culminar numa infeção generalizada, vulgo septicemia, e no limite, a morte.  
“Nos EUA e na Europa, esta bactéria é responsável pela morte de milhares de pessoas”, atesta ainda Pedro H. Oliveira, acrescentando que ali encontra o microcosmos ideal para a sua sobrevivência – e que é o nosso organismo. Além disso, transmite-se pelas fezes e, não havendo uma boa higiene, rapidamente ente passa para os manípulos das portas e afins. “Daí que seja muito fácil propagar-se”, sublinha o investigador.  
A hipótese então era usar a nova técnica de sequenciação e alteração do ADN para agir sobre para agir sobre uma proteína da bactéria – a metiltransferase – e que é responsável pela modificação das células infetadas. “Se inativarmos a proteína, a célula perde a sua capacidade de se reproduzir e isso reduziria as infeções.” 
Pedro H. Oliveira acredita ainda que esta técnica poderá aplicar-se a todas as células patogénicas que infetam o nosso organismo – há sempre uma proteína no caminho bem-sucedido das bactérias. “Ou pelo menos nos fenómenos de grande virulência, nas resistências aos antibióticos…”. Ou seja, é uma descoberta que poderá trazer novidades no campo do tratamento e da prevenção – e a verdade é que a equipa já foi contactada por farmacêuticas, com vista a desenvolver tratamentos generalizados. “Agora, esperamos que haja novidades até ao final do ano”, remata o investigador.  

Os números das infeções hospitalares em Portugal

Só em Portugal, as infeções hospitalares matam 1158 pessoas por ano, estimando-se que o número possa atingir os 49 443 casos mortais até 2050, segundo um recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Em termos práticos, a condição mata mais no país do que acidentes de viação (512 mortos no local do acidente, contas de 2018).

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Notisul
Adeus colonoscopia: exame usa cápsula para tirar fotos do intestino




Publicado em 03/01/2020 17h32

Adeus colonoscopia: exame usa cápsula para tirar fotos do intestino


Aprovada no Brasil há quase 4 anos, a cápsula de cólon finalmente começa a se popularizar e ser disponibilizada por laboratórios e centros de diagnóstico.

A cápsula serve como uma alternativa à colonoscopia tradicional, em que uma câmera com fio é introduzida pelo ânus e guiada pelo intestino grosso.

“A nova tecnologia é menos invasiva e não necessita de sedação”, conta o médico Admar Borges, da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.

O processo é simples: o paciente que precisa fazer o exame engole o dispositivo, que tem o tamanho de um comprimido grande. Após passar por esôfago, estômago e intestino delgado, ele chega ao seu destino e tira mais de 70 mil fotografias.

Tamanho: a cápsula se parece com uma drágea comum. Ela cabe na palma da mão e é deglutida facilmente.

Preparação: antes de engolir, o paciente toma alguns remédios que limpam o intestino e ajudam na visualização.

Para quem: pode ser uma boa quando a colonoscopia tradicional é contra-indicada por algum motivo.

A saída: depois de tirar milhares de fotos, a peça é expelida do corpo normalmente junto com o cocô.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Portugueses descobrem novo mecanismo celular que evita anomalias ligadas ao cancro
N.N./Lusa 8 jan 2020 15:32
Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, descobriram um "novo mecanismo" usado pelas células que, ao garantir a correta distribuição dos cromossomas durante a divisão celular, evita o desenvolvimento de anomalias associadas ao cancro.
Portugueses descobrem novo mecanismo celular que evita anomalias ligadas ao cancro
Em entrevista à agência Lusa, o investigador Carlos Conde, explicou que o estudo, publicado hoje na revista científica ‘Journal of Cell Biology’, destinava-se a "perceber como é que as células, quando se dividem, transmitem corretamente o material genético".
"Queríamos identificar os mecanismos moleculares que garantem que, quando as células se dividem, a separação do material genético ocorre de forma correta", disse o investigador do grupo 'Cell Division & Genomic Stability' do i3S.
De acordo com Carlos Conde, o mecanismo agora descrito, resultado de uma investigação que durou seis anos, está inteiramente associado a uma proteína: a MAD1.
"Sabemos agora que a MAD1 está inicialmente na membrana nuclear que envolve o material genético, mas que quando começa a divisão celular, se liberta e move para os cinetocoros [estruturas nos cromossomas que circundam o material genético]", explicou, adiantando que é a partir destas estruturas que a proteína desempenha "o papel regulador" da divisão celular.
Foi através de testes laboratoriais em "mosquinhas da fruta" que os investigadores perceberam que, se a proteína "não viajar" dentro da célula, isto é, não se libertar da membrana nuclear, "os cromossomas são distribuídos de forma desigual pelas células filhas".
"Se não acontecer essa desassociação, isto é, se a proteína não conseguir sair do núcleo, ocorrem erros na divisão dos cromossomas que estão muitas vezes na origem de cancro", salientou Carlos Conde.
À Lusa, o investigador revelou que a identificação deste mecanismo poderá ser "bastante útil", nomeadamente, no contexto do cancro.
"Se soubermos que alvo está desregulado, podemos intervir naquele ponto no sentido de melhorar o cenário. Portanto, este mecanismo cria novos alvos moleculares para a terapia de cancro. Além de que, como identificámos mutações específicas numa proteína que está associada quando este mecanismo não funciona, ele serve como uma potencial ferramenta de diagnóstico", frisou.
Segundo Carlos Conde, os investigadores vão continuar a estudar o tema e tentar perceber "o que motiva a proteína a libertar-se da membrana nuclear".