terça-feira, 30 de setembro de 2014


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Lyubov Altunina, directora do Instituto de Química do Petróleo de Tomsk
Lyubov Altunina, directora do Instituto de Química do Petróleo de Tomsk

Polímero especial permite tornar um deserto fértil

Jerrold / Flickr
Deserto de Gobi
Cientistas russos mostraram ser possível criar plantas medicinais em áreas desérticas. Para o efeito, inventaram, um polímero especial, capaz de proteger árvores, arbustos e vegetação em geral contra a perda de humidade.
A nova substância, um criogel, retém a água e ao mesmo tempo protege a vegetação contra o frio.
Desta forma, é criado um ambiente húmido para as plantas em terreno seco e um “invólucro” quente para as culturas em clima frio.
O novo gel, leve e relativamente barato, foi inventado por especialistas do IQP, Instituto de Química de Petróleo de Tomsk, importante centro científico da Sibéria Ocidental.
Os respectivos testes foram realizados no deserto de Gobi, na Mongólia e na China.
Árvores coníferas, plantadas há dois anos em solo arenoso misturado com o novo criogel, cresceram, tendo atingido 1,3 metros de altura. Em comparação com plantas de controle sem o criogel, mantêm a cor verde-vivo.
“Os abetos plantados no mesmo período sem o uso de criogel morreram”, revela à RVR a investigadora Maria Fufaeva, membro da equipa do IQP .
“Depois de usarmos o gel, cresceram várias plantas medicinais, como o trifólio, em pleno deserto de Gobi”, acrescentou.
Em virtude do isolamento térmico proporcionado pelo criogel, as plantas podem resistir ao frio, facto particularmente importante nas regiões em que se verificam geadas nocturnas, em zonas montanhosas e em regiões com clima frio.
A acção do gel na qualidade de “cobertor” quente foi testada em Chita, na Sibéria Ocidental.
“Naquela cidade siberiana, o inverno é muito frio e o solo congela. Mas, usando o criogel, a água, mesmo com a temperatura do ar de 40 graus negativos, continua líquida”, revelou a directora do Instituto de Química de Petróleo, Lyubov Altunina.
“Se nessas condições semearmos uma planta, a semente será coberta por um casaco de pele. As raízes sustentarão o frio e o calor e a planta irá sobreviver”, acrescentou Altunina.
O criogel não tem efeitos colaterais e não suprime a microflora do solo. Regra geral, introduz-se após a sementeira juntamente com a água, fertilizantes ou adubos.
Os investigadores do Instituto planeiam agora alargar o uso do criogel, introduzido aditivos.
A nova substância, mantendo as propriedades de escudo térmico, poderia ser usada simultaneamente como adubo.
ZAP / RVR
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