terça-feira, 14 de junho de 2016

Ressonância magnética de cérebro normal (esquerda) e com esclerose múltipla (direita)
Ressonância magnética de cérebro normal (esquerda) e com esclerose múltipla (direita)

Um novo tratamento pode fazer com que os sintomas da esclerose múltipla não só estabilizem como até regridam, um indício de que o sistema nervoso tem capacidade regenerativa.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune na qual o sistema imunitário do paciente ataca o sistema neurológico, causando sintomas como fadiga, depressão e perturbações do equilíbrio, podendo mesmo causar a morte do paciente.
O novo tratamento consiste em substituir todo o sangue e medula óssea do paciente, “reiniciando” o sistema imunitário, e foi descoberto a partir de alguns pacientes com leucemia, o cancro de sangue.
O estudo, cujos resultados foram publicados na semana passada na Lancet, começou em 2000 com um teste clínico feito no Canadá.
No tratamento de leucemia, o tecido da medula é retirado e uma quimioterapia agressiva é aplicada, matando as células do sistema imunitário. A medula é processada, retirando todas as células cancerosas, e reposta no paciente, onde vai reconstruir o sistema imunitário.
Surpreendentemente, este tratamento é eficaz não apenas para a leucemia, mas também para esclerose múltipla.
Outras doenças autoimunes podem também vir a ser tratadas com o mesmo método, entre elas a doença de Crohn, quando o sistema imunitário ataca o intestino, e uma doença da pele rara chamada escleroderma.
No caso da esclerose múltipla, o teste clínico no Canadá, feito com 25 pacientes, apresentou 17 casos de remissão.
Uma das pacientes que estava em cadeira de rodas quando começou o tratamento, e hoje já voltou a trabalhar e pratica desporto. Por outro lado, um paciente morreu de danos no fígado e infecção.
Este tipo extremo de tratamento só é oferecido a pacientes de esclerose múltipla agressiva, já que no período em que o paciente se submete a quimioterapia agressiva, durante o restabelecimento do sistema imunitário, este fica vulnerável a qualquer doença, além de perder cabelo e unhas, ter diarreia e náuseas.
“É importante que os pacientes percebam que este tratamento não é pêra doce”, afirma Mark Freedman, do Ottawa Hospital Research Institute, em Ontario.
Outros efeitos colaterais da quimioterapia incluem esterilidade, além de menopausa prematura para as mulheres.
Para já, os médicos estão a experimentar quimioterapias menos agressivas, que não prejudiquem demasiado o fígado. “Ainda é preciso encontrar um equilíbrio entre toxicidade e eficácia”, comentou John Snowden, do Sheffield Teaching Hospital, à New Scientist.
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