segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ZAP

 Descoberto anticorpo que neutraliza 98% das estirpes do VIH

Conceito artístico do VIH criado pelo designer ucraniano Alexey Kashpersky

Os cientistas descobriram um anticorpo produzido por um paciente VIH-positivo que neutraliza 98% de todas as estirpes de VIH testadas – incluindo a maioria das estirpes que são resistentes a outros anticorpos da mesma classe.
Devido à capacidade do VIH de responder rapidamente às defesas imunitárias do organismo, um anticorpo que consiga bloquear uma vasta gama de estirpes tem sido muito difícil de encontrar. Mas agora que encontramos um, este poderia formar a base de uma nova vacina contra o vírus.
Investigadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) descobriram que o anticorpo, chamado N6, é capaz de manter a sua capacidade de reconhecer o VIH, mesmo quando o vírus se transforma e se separa dele.
O N6 é também até 10 vezes mais potente do que o VRC01, um anticorpo da mesma classe que progrediu para ensaios clínicos de fase II em pacientes humanos, depois de proteger macacos contra o VIH por quase seis meses.

Estratégias para prevenção e tratamento

“A descoberta e caracterização deste anticorpo com excecional amplitude e potência contra o VIH pode levar ao desenvolvimento de estratégias para prevenir e tratar a infecção pelo VIH”, afirmou Anthony S. Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, numa notícia publicada pelos NIH.
Um anticorpo é uma proteína produzida pelo sistema imunitário em resposta a agentes patogénicos nocivos, tais como bactérias e vírus. Os anticorpos são responsáveis pela identificação e destruição desses patógenos, ligando-se a eles e neutralizando os seus efeitos biológicos por conta própria, ou enviando sinais aos glóbulos brancos para que os destruam.
Quando os investigadores expuseram o N6 a 181 linhagens diferentes de VIH, conseguiram destruir 98% delas, incluindo 16 de 20 estirpes resistentes a outros anticorpos da mesma classe.
Este é um passo significativo depois do anticorpo VRC01, que impede que 90% das estirpes de VIH infectem células humanas.
O N6 não só mostra uma extraordinária amplitude, mas também tem uma potência incrível. “Dos anticorpos considerados para desenvolvimento clínico, existem exemplos que são extremamente amplos, mas moderados em potência, como o 10E8 ou o próprio VRC01, ou extremamente potentes e menos amplos, como o PGT121 ou o PGDM1400. Contudo, a descoberta do anticorpo N6 demonstra que este novo anticorpo da classe VRC01 pode ter tanto uma amplitude extraordinária como uma grande potência, mesmo contra estirpes isoladas tradicionalmente resistentes a anticorpos nesta classe”, dizem os investigadores.

A razão do sucesso

Os cientistas acompanharam a evolução do anticorpo ao longo do tempo para ver como é que respondia à capacidade defensiva de mudança de forma do vírus VIH, e descobriram que o anticorpo é menos confiável na ligação com partes do vírus que são propensas a mudar – conhecida como a região V5 – e mais na partes que mudam muito pouco em diferentes estirpes.
Ao anexar-se a estas partes mais consistentes do vírus, o N6 é capaz de impedir que o VIH se ligue às células imunes do hospedeiro e as ataque – o que torna as pessoas VIH-positivas tão vulneráveis à SIDA.
Os investigadores também descobriram que as mutações do VIH que passaram a ser resistentes ao N6 raramente surgiram, o que sugere que o vírus não pode responder a este anticorpo tão rapidamente quanto tem respondido a outros tratamentos que os cientistas descobriram recentemente.
“A rara ocorrência de mutações de resistência ao N6 sugere que essas mutações têm um custo de aptidão relativamente alto, o que pode representar uma barreira parcial à seleção de mutantes resistentes”, explica a equipe.
As conclusões constam de um artigo publicado na Cell Immunity.
Estes resultados foram apenas demonstrados em laboratório, por isso até se verificarem os mesmos níveis de sucesso em ensaios humanos reais é preciso estar cautelosamente otimista. No entanto, com as recentes descobertas e este novo anticorpo, parece que estamos fazendo um progresso real contra a doença.
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