quinta-feira, 8 de junho de 2017

Investigador mexicano desenvolve software que prevê ataques cardíacos


No Hospital de Galway, na Irlanda, está a ser usado um dispositivo para “prever” eventos cardíacos em pessoas com risco de morte súbita cardíaca.
Em 2013, os cardiologistas do hospital usaram esta tecnologia para diagnosticar e provar a sua exactidão.
A tecnologia foi desenvolvida por um investigador mexicano da Universidade de Galway, que já patenteou o dispositivo e procura agora vendê-lo a empresas especializadas.
Na Irlanda, há seis milhões de habitantes e oito mil são mexicanos. O investigador Antonio Aguilar é um deles.
Aguillar veio à Irlanda visitar a família e aprender Inglês. Decidiu ficar para terminar o curso de engenharia electrónica e continuar com os estudos de pós-graduação.
Há quatro meses, Aguillar fundou a sua própria empresa de software médico para hospitais, a Healthformics.
A história da empresa começou com o tema da sua tese de doutoramento: um Método para diagnosticar pacientes com alto risco de morte súbita cardíaca.
“Decidi focar-me na morte cardíaca súbita porque mata muitas pessoas e é muito difícil de prever“, diz o investigador.
antonio-aguilar.com
O investigador mexicano António Aguillar, da Universidade de Galway
O investigador mexicano António Aguillar, da Universidade de Galway

O “truque” do algoritmo

Com uma bolsa de estudos de um instituto de investigação de Galway, o engenheiro electrónico começou a desenvolver um algoritmo, que testa pacientes, fazendo-lhe um electrocardiograma e gravando 15 minutos de batimento cardíaco.
O algoritmo processa esta informação e analisa, com um modelo estatístico, se o paciente está em risco de arritmia, que é o sinal de morte cardíaca súbita.
“Quando há menos variabilidade da frequência cardíaca de um paciente, isso indica um problema. Estudámos o electrocardiograma de muitos pacientes que têm diabetes e outras doenças cardiovasculares e a variabilidade da frequência cardíaca é muito diferente em pacientes doentes e saudáveis”, explica Aguillar.
“Antes de sofrer uma arritmia um paciente tem certos padrões que se detectam e a variabilidade da frequência cardíaca é menor. Com este algoritmo pode-se prever se o paciente vai ter uma arritmia, horas antes de acontecer”, diz o investigador.
O cientista mexicano usou uma base de dados de 400 pacientes para “testar” o algoritmo e diagnosticar com sucesso pacientes com risco de arritmia.
Apesar de ter nascido em Irapuato, Guanajuato, no México, Antonio Aguilar viveu em Acapulco, Guerrero, e Nuevo Laredo, Tamaulipas, onde estudou no primeiro ano de engenharia no Instituto Tecnológico de Nuevo Laredo.

De pequenino se torce o informático

“Desde os nove anos que já sabia que iria para ciências ou computação. Estudei engenharia, porque tinha queda para números, matemática. Mas sempre gostei de computadores, especialmente de electrónica e robots”, conta Aguillar.
Na Irlanda, calhou-lhe um “bom momento da economia do país”, e quando estava no terceiro ano de estudos, iniciou a vida profissional numa empresa que desenvolve software para a Intel, Motorola, entre outras. Aguillar fez na altura um mestrado em micro-electrónica focada no desenvolvimento de microprocessadores.
O investigador voltou entretanto a Galway e ligou-se à área da saúde, desenvolvendo redes sem fio no Hospital Galway e uma aplicação para examinar electronicamente os registos dos pacientes.
Este trabalho como engenheiro de software médico valeu-lhe uma oferta de emprego como investigador na Universidade Nacional da Irlanda, em Galway.
“O meu supervisor disse-me que havia uma bolsa para um doutoramento. Aceitei o projecto, porque era a minha oportunidade de desenvolver o algoritmo para diagnosticar pacientes com morte súbita cardíaca”, diz Aguillar.
Segundo Aguilar, na Irlanda há muitos apoios para estudantes e empresários – ele é um exemplo disso. Desde os tempos de estudante, até hoje, teve sempre oportunidades atrás de oportunidades.
E o investigador aproveitou essas oportunidades para dar ao mundo um diagnóstico precoce da morte súbita cardíaca.
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